Resenha: A Garota no Trem – Paula Hawkins

“Todas as manhãs, Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas dágua, pontes e aconchegantes casas. Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes a quem chama de Jess e Jason , Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess na verdade Megan está desaparecida. Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos.”

Depois dessa sinopse, com certeza já fiquei com vontade de ler A Garota no Trem, livro best-seller da autora Paula Hawkins. Como adoro livros desse estilo (curti bastante o Garota Exemplar, da Gillian Flynn), baixei o e-book no Kindle e já embarquei na leitura. O começo me agradou bastante, mas foi a partir da metade que o livro começou a se enroscar e perdeu completamente minha atenção.

Resenha: A Garota no Trem - Paula Hawkins

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Com uma história óbvia, A Garota no Trem enrola, enrola, enrola por pelo menos 100 páginas, algo que deveria ter se resolvido em vinte. Quando você finalmente espera aquele final mindfuck, espetacular e surpreendente, o livro joga na sua cara: “sim, era esse mesmo o final, não tem nenhuma surpresa, é isso mesmo”. Sei que esse livro foi o mais vendido ano passado (como comentei aqui no blog) e deve ter conquistado milhares de pessoas, mas me decepcionou bastante.

Eu gostei da premissa e até senti empatia pela protagonista Rachel, uma alcoólatra que viveu em um relacionamento tenebroso com um marido machista e infiel. Rachel a cada dia tenta se reinventar, mas é carregada para baixo por conta da depressão e do alcoolismo. Os outros personagens são horríveis, até perdi a fé na humanidade. Mas ela, não! Rachel tem solução e carisma, mesmo cometendo muitos  erros durante o desenrolar da história.

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Mas, infelizmente, a trama não é tão empolgante e tropeça em vários momentos, tornando-se enfadonha. Os acontecimentos deixam muito claro quem é o assassino e o psicopata da história. Eu gostei de a autora retratar os relacionamentos abusivos que estão em toda parte: Tom e Rachel, Scott e Megan, Tom e Anna, Megan e Mac. O tema central do livro é com certeza o relacionamento em que a mulher se sente menosprezada, diminuída, enquanto os homens sempre levam a melhor. Porém, apesar de ser interessante – e bem importante – abordar essa temática, o livro falhou em trazer algo novo.

Resenha: A Garota no Trem - Paula Hawkins

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O filme com a Emily Blunt no papel principal estreia em breve, e, pelo que pude observar pelo trailer, promete ser bacana. Quem sabe o longa não é melhor que o livro? Vamos aguardar!

 

Resenha: A Garota no Trem - Paula HawkinsTítulo original: The Girl On The Train
Autora: Paula Hawkins
Editora: Record
Número de páginas: 378
Ano: 2015
Gênero: Thriller
NotaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vaziaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: E não sobrou nenhum – Agatha Christie

Comecei E não sobrou nenhum por indicação de amigos e blogueiros literários. Todas as resenhas que li até hoje sobre a obra sempre foram otimistas e categóricas: trata-se do melhor romance policial da Rainha do Crime! Talvez tenha iniciado a leitura com a expectativa altíssima. Não me desiludi, mas também não achei absolutamente genial – como achei Assassinato no Expresso do Oriente.

Resenha: E não sobrou nenhum - Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Vale lembrar que E não sobrou nenhum era, antigamente, conhecido como O caso dos dez negrinhos. Por questões óbvias para a atualidade, acharam melhor revisitar a obra.

No começo, somos apresentados a dez personagens principais, e acompanhamos sua viagem de trem a Ilha do Soldado, a convite de um anfitrião bastante peculiar.

Literalmente entramos na cabeça dessas pessoas: ouvimos seus desejos e pensamentos mais íntimos e sombrios.

Ao chegarem, uma série de eventos estranhos começam a acontecer: o anfitrião não dá às caras – ninguém nunca o viu pessoalmente -, a Ilha fica extremamente isolada e, durante a primeira noite na casam em um jantar, todos os convidados ouvem, através de um sistema de som, inúmeras acusações seríssimas sobre assassinatos que cada um teria cometido.

À partir daí, o caos se instaura.

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Resenha: E não sobrou nenhum - Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

A Ilha também é repleta de simbolismos: chama-se Ilha do Soldado, cada quarto conta com um poema infantil sobre soldadinhos e, na mesa de jantar, dez estátuas de soldados encaram os convidados.

Para piorar o clima, acontece a primeira morte. Cada uma delas, coincidentemente, ocorre exatamente como descrito no poema “E não sobrou nenhum”, que está presente em cada um dos quartos dos hóspedes.

Dez soldadinhos saem para jantar, a fome os move;
Um deles se engasgou, e então sobraram nove.

Nove soldadinhos acordados até tarde, mas nenhum está afoito;
Um deles dormiu demais, e então sobraram oito.

Oito soldadinhos vão passear e comprar chiclete;
Um não quis mais voltar, e então sobraram sete.

Sete soldadinhos vão rachar lenha, mas eis;
Que um deles cortou-se ao meio, e então sobraram seis.

Seis soldadinhos com a colmeia, brincando com afinco;
A abelha pica um, e então sobraram cinco.

Cinco soldadinhos vão ao tribunal, ver julgar o fato;
Um ficou em apuros, e então sobraram quatro.

Quatro soldadinhos vão ao mar; um não teve vez;
Foi engolido pelo arenque defumado, e então sobraram três.

Três soldadinhos passeando no zoo, vendo leões e bois;
O urso abraçou um, e então sobraram dois.

Dois soldadinhos brincando ao sol, sem medo algum;
Um deles se queimou, e então sobrou só um.

Um soldadinho fica sozinho, só resta um;
Ele se enforcou,
E não sobrou nenhum.

Resenha: E não sobrou nenhum - Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Além disso, a cada morte, uma das estatuetas de soldado acaba sumindo.

Quem estaria por trás disso tudo? Quem é o próximo a morrer? Eles conseguirão fugir da Ilha antes de todos serem mortos? E o mais importante: como todos os assassinatos foram planejados e executados?

Ao longo da história, é claro, você tenta responder essas e outras questões e, mais uma vez, acaba se surpreendendo com o fim da narrativa.

A BBC, inclusive, fez uma minissérie especial adaptando o livro para a tv. Confira um trecho de quando os convidados chegam na ilha:

Sensacional, né? Adorei e já quero assistir!

Capa do livro E não sobrou nenhum - Agatha Christie

Título original: And Then There Were None
Autora: Agatha Christie
Editora: Globo Livros
Número de páginas: 400
Ano: 2014
Gênero: Ficção/Policial
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Melissa Marques


Resenha: Harry Potter and The Cursed Child – Jack Thorne, John Tiffany e J.K. Rowling

Minha criança interior gritou quando vi que mais um livro de Harry Potter seria lançado! A continuação da história, que se passa 19 anos depois de As Relíquias da Morte, resultou em uma peça de teatro que só foi exibida em Londres. Porém, os autores resolveram lançar o livro com o roteiro da peça e, tchãran, temos o oitavo livro da saga: Harry Potter and the Cursed Child.

Na impaciência, comprei o livro em inglês mesmo. A edição da Scholastic é incrível, de capa dura, com letras douradas na lombada e tudo mais. O papel é grosso, muito bom de manusear e o livro é caprichado: compensa o preço salgado (paguei 70 reais na Amazon). A versão brasileira, intitulada Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, foi lançada pela Rocco.

Olha só que linda essa edição (coloquei a jacket em cima para mostrar com detalhe):

Resenha: Harry Potter and The Cursed Child

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Enfim, mas vamos falar da história do livro! A leitura é bem rápida, pois o livro é uma peça de teatro, baseado inteiro em diálogos e descrições das ações realizadas no palco. Em Harry Potter and The Cursed Child conhecemos um pouco da vida do trio Harry Potter, Rony e Hermione aos 40 anos, com filhos que agora estão a caminho de Hogwarts.

Albus, um dos três filhos de Harry e Gina, é o protagonista, assim como Scorpius, o filho de Draco Malfoy.  O livro irá tratar mais da relação conturbada entre pai e filho (Harry-Albus/Draco-Scorpius) do que qualquer outra coisa, mas também garante aventura, laços fortes de amizade sendo criados e muita, muuuuita nostalgia.

Para comprar o livro, é só acessar o link abaixo:

Enquanto eu lia essa peça, me trazia uma sensação muito boa de saudade e nostalgia, da época em que Harry Potter me entretia por horas e horas. Minha infância e adolescência se sentiram agraciadas com essa história fofa e divertida sobre uma nova geração que chega a Hogwarts. Em várias passagens os autores revivem momentos marcantes dos livros anteriores, aumentando ainda mais a vontade de reler tudo.

Resenha: Harry Potter and The Cursed Child jack thorne jk rowling

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

A história em si é um pouco fraca: alguns personagens não fazem diferença nenhuma e obviamente estão ali só para agradar os fãs (como é o caso do Rony, infelizmente). As motivações da rebeldia de Albus não me convenceram, mas ainda assim, o livro é interessante, principalmente por apresentar uma nova perspectiva sobre os Malfoy. Harry Potter and the Cursed Child pode ser definido como um passatempo nostálgico.

Se você está esperando uma grande aventura com muitas reviravoltas, como nos livros anteriores, abaixe as expectativas! Como já comentei, é baseado na peça, portanto a linguagem é bem diferente, assim como os personagens não são trabalhados com tanta originalidade. Mas vale a pena a leitura, é claro, porque você vai morrer de saudade! <3

Dica: Se você quer ler Harry Potter e a Criança Amaldiçoada e também outros livros com um preço bem bacana, é só utilizar os cupons do site Cupom Valido e aproveitar para comprar livros e mais livros com desconto 😍!

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Resenha: Harry Potter and The Cursed Child - Jack Thorne e J.K. RowlingTítulo original: Harry Potter and The Cursed Child
Autor: Jack Thorne, John Tiffany J.K. Rowling
Editora: Scholastic Inc.
Número de páginas: 320
Ano: 2016
Gênero: Teatro
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: Misery – Stephen King

Como sempre, não me arrependi de ter escolhido mais um livro do Stephen King para ler!

Quando comprei Misery – Louca Obsessão eu já tinha assistido ao filme (com a incrível Kathy Bates) e lembrava bastante da história. Demorei, demorei, então resolvi no finalzinho das minhas férias devorar de vez, já que os livros do King, mesmo com muitas páginas, são fáceis para ler rapidinho.

Resenha: Misery - Stephen King

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Em Misery, o escritor Paul Sheldon sofre um acidente de carro e é encontrado na beira da estrada por Anne Wilkes, uma ex-enfermeira que se diz sua fã número 1. Sheldon é escritor de romances populares e conquistou a fama com a saga de livros da personagem Misery.

Anne sequestra Paul, o tranca em um quarto e obriga-o a reescrever o final de Misery. Enquanto ele não ressuscitar a personagem que ele “matou” no último livro da saga, ele ficará preso. Mas, é claro que durante esse cárcere de Paul, ele irá descobrir muitas coisas horrorosas sobre Wilkes e sofre inúmeros abusos físicos e psicológicos.

Gif Misery

Mesmo assistindo ao filme antes, claro que o livro iria conter detalhes interessantes e uma trama de tirar o fôlego. Quanto mais eu lia, mais eu queria continuar. Os absurdos que Anne faz com Paul e a tensão recorrente da tentativa de escapar daquela casa deixa a leitura ainda mais interessante.

Em uma parte específica da história, quando Paul descobre detalhes sobre o passado da louca Anne Wilkes, é o ponto alto do livro. Ao saber mais sobre a vida dessa “fã fiel” e psicopata, a vontade de chegar até o fim das 326 páginas é ainda maior. E para dormir depois? Nada fácil, meus amigos.

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Não é um terror muito forte, nada que vá te dar um medo absurdo, mas algumas partes são um pouco chocantes. Tratando-se de psicopatas, é difícil não ficar um pouco desconfortável durante a leitura, mas, afinal, é o Stephen King, certo? Prepare-se!

Resenha: Misery - Louca Obsessão Stephen King

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Gostei de reconhecer algumas referências do livro Sobre a Escrita (que já resenhei aqui no blog) e lembrar de muitas coisas que o autor comentou naquela obra sensacional. E, inclusive, em Misery, há referência até mesmo do Iluminado. Muito bom!

Resenha: Misery - Stephen KingTítulo original: Misery
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Número de páginas: 326
Ano: 2014
Gênero: Terror/Suspense
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: Entre Quatro Paredes – Jean Paul Sartre

Aposto que você já ouviu alguém falar a frase “O inferno são os outros”.

Essa famosa sentença faz parte da peça de teatro Entre Quatro Paredes, escrita pelo filósofo existencialista Jean Paul Sartre. Minha irmã me emprestou esse livro com a peça completa (nessa edição antiga e superfofa da Abril Cultural) e gostei muito!

Ultimamente tenho lido bastante peças de teatro e não me arrependo: é um texto fluido de ler, além de ser muito interessante imaginar as personagens em um palco, em um local fixo com cenário e limitações.

Resenha: Entre Quatro Paredes - Jean Paul Sartre

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

A trama da peça é explicada rapidamente. Três pessoas são colocadas no mesmo cômodo: um homem, escritor, que queria ser um herói, mas foi um covarde; Estelle, uma burguesa fútil que só se preocupa com a própria imagem e que assassinou o bebê que teve com seu amante; e Inês, uma mulher impetuosa, funcionária dos correios e homossexual, atraída por Estelle, tentando a todo custo conquistá-la.

Os três são levados a essa sala por um criado, que depois desaparece. A porta está sempre trancada e, a partir daí, eles percebem a situação em que se encontram: aquele é o inferno.

Nada de criaturas demoníacas, cheiro de enxofre, um local em brasas… Mas uma sala fechada, com uma decoração antiga no estilo do Segundo Império e pessoas completamente opostas. O inferno são os outros.

Confinados em um local sem espelhos, os três são obrigados a se ver através dos olhos dos outros. E essa perspectiva é mais do que interessante, é a filosofia de Sartre: sua tese de O Ser e o Nada.

Resenha: Entre Quatro Paredes - Jean Paul Sartre

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

A personagem Inês tenta jogar um contra o outro, forçando-os a exibir suas falhas e fracassos, contando suas histórias de quando ainda estavam vivos. À medida que a convivência se torna insuportável, Estelle tenta matar Inês, que apenas ri, pois já está morta. Garcin tenta se vingar fazendo sexo com Estelle na frente de Inês.

Para comprar o livro, é só acessar o link abaixo:

Os personagens são detestáveis e a visão de um inferno enclausurante, sem nenhuma perspectiva de mudança, transforma a peça de teatro em uma experiência claustrofóbica.

Nunca assisti a nenhuma versão, infelizmente, mas só o texto já mostra a preocupação do autor em nos deixar estupefatos.

Ainda não conheço a fundo a obra de Sartre (mas pretendo!), porém Entre Quatro Paredes já me conquistou.

E pode ter certeza que nunca mais a imagem de inferno que você conhece será a mesma após a leitura dessa obra.

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Resenha: Entre Quatro Paredes - Jean Paul SartreTítulo original: Huis Clos
Autor: Jean Paul Sartre
Editora: Civilização Brasileira
Número de páginas: 130
Ano: 2007
Gênero: Teatro
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


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