Resenha: Misery – Stephen King

Como sempre, não me arrependi de ter escolhido mais um livro do Stephen King para ler!

Quando comprei Misery – Louca Obsessão eu já tinha assistido ao filme (com a incrível Kathy Bates) e lembrava bastante da história. Demorei, demorei, então resolvi no finalzinho das minhas férias devorar de vez, já que os livros do King, mesmo com muitas páginas, são fáceis para ler rapidinho.

Resenha: Misery - Stephen King

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Em Misery, o escritor Paul Sheldon sofre um acidente de carro e é encontrado na beira da estrada por Anne Wilkes, uma ex-enfermeira que se diz sua fã número 1. Sheldon é escritor de romances populares e conquistou a fama com a saga de livros da personagem Misery.

Anne sequestra Paul, o tranca em um quarto e obriga-o a reescrever o final de Misery. Enquanto ele não ressuscitar a personagem que ele “matou” no último livro da saga, ele ficará preso. Mas, é claro que durante esse cárcere de Paul, ele irá descobrir muitas coisas horrorosas sobre Wilkes e sofre inúmeros abusos físicos e psicológicos.

Gif Misery

Mesmo assistindo ao filme antes, claro que o livro iria conter detalhes interessantes e uma trama de tirar o fôlego. Quanto mais eu lia, mais eu queria continuar. Os absurdos que Anne faz com Paul e a tensão recorrente da tentativa de escapar daquela casa deixa a leitura ainda mais interessante.

Em uma parte específica da história, quando Paul descobre detalhes sobre o passado da louca Anne Wilkes, é o ponto alto do livro. Ao saber mais sobre a vida dessa “fã fiel” e psicopata, a vontade de chegar até o fim das 326 páginas é ainda maior. E para dormir depois? Nada fácil, meus amigos.

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Não é um terror muito forte, nada que vá te dar um medo absurdo, mas algumas partes são um pouco chocantes. Tratando-se de psicopatas, é difícil não ficar um pouco desconfortável durante a leitura, mas, afinal, é o Stephen King, certo? Prepare-se!

Resenha: Misery - Louca Obsessão Stephen King

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Gostei de reconhecer algumas referências do livro Sobre a Escrita (que já resenhei aqui no blog) e lembrar de muitas coisas que o autor comentou naquela obra sensacional. E, inclusive, em Misery, há referência até mesmo do Iluminado. Muito bom!

Resenha: Misery - Stephen KingTítulo original: Misery
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Número de páginas: 326
Ano: 2014
Gênero: Terror/Suspense
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: Entre Quatro Paredes – Jean Paul Sartre

Aposto que você já ouviu alguém falar a frase “O inferno são os outros”.

Essa famosa sentença faz parte da peça de teatro Entre Quatro Paredes, escrita pelo filósofo existencialista Jean Paul Sartre. Minha irmã me emprestou esse livro com a peça completa (nessa edição antiga e superfofa da Abril Cultural) e gostei muito!

Ultimamente tenho lido bastante peças de teatro e não me arrependo: é um texto fluido de ler, além de ser muito interessante imaginar as personagens em um palco, em um local fixo com cenário e limitações.

Resenha: Entre Quatro Paredes - Jean Paul Sartre

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

A trama da peça é explicada rapidamente. Três pessoas são colocadas no mesmo cômodo: um homem, escritor, que queria ser um herói, mas foi um covarde; Estelle, uma burguesa fútil que só se preocupa com a própria imagem e que assassinou o bebê que teve com seu amante; e Inês, uma mulher impetuosa, funcionária dos correios e homossexual, atraída por Estelle, tentando a todo custo conquistá-la.

Os três são levados a essa sala por um criado, que depois desaparece. A porta está sempre trancada e, a partir daí, eles percebem a situação em que se encontram: aquele é o inferno.

Nada de criaturas demoníacas, cheiro de enxofre, um local em brasas… Mas uma sala fechada, com uma decoração antiga no estilo do Segundo Império e pessoas completamente opostas. O inferno são os outros.

Confinados em um local sem espelhos, os três são obrigados a se ver através dos olhos dos outros. E essa perspectiva é mais do que interessante, é a filosofia de Sartre: sua tese de O Ser e o Nada.

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Resenha: Entre Quatro Paredes - Jean Paul Sartre

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

A personagem Inês tenta jogar um contra o outro, forçando-os a exibir suas falhas e fracassos, contando suas histórias de quando ainda estavam vivos.

À medida que a convivência se torna insuportável, Estelle tenta matar Inês, que apenas ri, pois já está morta. Garcin tenta se vingar fazendo sexo com Estelle na frente de Inês.

Os personagens são detestáveis e a visão de um inferno enclausurante, sem nenhuma perspectiva de mudança, transforma a peça de teatro em uma experiência claustrofóbica.

Nunca assisti a nenhuma versão, infelizmente, mas só o texto já mostra a preocupação do autor em nos deixar estupefatos.

Ainda não conheço a fundo a obra de Sartre (mas pretendo!), porém Entre Quatro Paredes já me conquistou.

E pode ter certeza que nunca mais a imagem de inferno que você conhece será a mesma após a leitura dessa obra.

 

Resenha: Entre Quatro Paredes - Jean Paul SartreTítulo original: Huis Clos
Autor: Jean Paul Sartre
Editora: Civilização Brasileira
Número de páginas: 130
Ano: 2007
Gênero: Teatro
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


Resenha: Estranha Confissão – Anton Tchekhov

Passeando pelo sebo na minha cidade, encontrei este livro de Tchekhov que nunca tinha ouvido falar. O autor russo é famoso por seus contos e algumas peças de teatro, mas não sabia que havia escrito nenhum romance policial. Como sou fã do gênero, optei por Estranha Confissão e dei início à leitura.

Pesquisando sobre o livro, descobri que é na verdade uma novela, um precursor dos romances policiais de fundo psicológico que conhecemos tão bem com Agatha Christie, por exemplo. Estranha Confissão foi publicada em folhetins entre 1884 e 1885 e anos depois publicada pelo governo russo. A edição da Planeta é de 2005 e traduzida do espanhol, por ninguém menos do que Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares.

Resenha: Estranha Confissão - Anton Tchekhov

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Como sempre, nos gêneros policiais, o livro trata de um assassinato e uma investigação. No entanto, Tchekhov escreve com um estilo único, e provavelmente você nunca leu um romance policial parecido. Para resumir, a história narra as memórias do juiz de instrução Sérgio Petrovich Zinoviev. As memórias do juiz, logo no início do livro, são entregues a um editor de jornal para que fossem publicadas. A partir de então, conhecemos a história de Sérgio quando seu velho amigo, o conde Alexey Karnieiev, regressa ao distrito após uma viagem.

O conde é um beberrão, adora festas e considera Sérgio um grande amigo, enquanto este o despreza com frequência. No entanto, Sérgio se rende e acaba passando boa parte do seu tempo na companhia do conde, alternando momentos de sobriedade e trabalho com um temperamento ruim de bêbado. Durante a narrativa, conhecemos vários personagens que vão se entrelaçando e, quase ao final do livro, há um assassinato e o juiz deve descobrir quem cometeu o homicídio.

Sim, essa explicação da história ficou estranha, porque realmente não consigo resumi-la! Pense numa narrativa envolvente, mas que não deixa você confuso em relação ao assassino e nem tenta distrair seu foco. É óbvio do começo ao fim o que aconteceu com a vítima. Mas o interessante aqui é a maneira como Tchekhov usa a ironia e o sarcasmo para contar esse relato e, principalmente, criticar a base moral dos personagens e da Rússia conturbada daquela época.

É um livro envolvente: o autor trabalha com precisão o psicológico de cada personagem, mas, no fim das contas, é uma obra esquecível. Nem de longe um trabalho memorável, como os contos do autor e até suas peças de teatro (fiz resenha aqui no blog de As Três Irmãs). A cada dia me envolvo mais com os escritores russos (o sarcasmo é fenomenal), mas Estranha Confissão não entra para a lista dos favoritos.

Resenha: Estranha Confissão - Anton Tchekhov

 

Título original: Estranha Confissão
Autor: Anton Tchekhov
Editora: Planeta
Número de páginas: 248
Ano: 2005
Gênero: Romance Policial/Novela
NotaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: Como Funciona a Ficção – James Wood

Este ano comecei a fazer Pós Graduação em Língua Portuguesa e Literatura, e uma das aulas foi sobre crítica literária. Me apaixonei pelo assunto e já fui buscar livros que tivessem a ver com o tema. Esse do James Wood estava baratinho e com boas recomendações, então optei por ele. E não me arrependo nem um pouco!

Resenha: Como Funciona a Ficção - James Wood

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

É basicamente um livro que comenta obras de autores renomados (como no livro da Francine Prose, que resenhei aqui no blog), mas explicando toda a estrutura de um romance. O livro é dividido em vários capítulos: narração, personagens, diálogo, realismo, detalhe etc.

James Wood é professor de crítica literária em Harvard e já foi crítico do The Guardian, além de revistas renomadas como a New Yorker. Seu ensaio sobre o romance é espetacular e sua linguagem bem simples de compreender. O único problema é que ele cita muitas obras clássicas, principalmente de autores russos e ingleses, portanto, se você não tem familiaridade, alguns trechos podem ser cansativos.

Quando ele detalha certas peças de Shakespeare, é complicado acompanhar, porque não li quase nada (salvo Macbeth), mas isso é uma falha minha, não do livro, haha. Em apenas 224 páginas, entendemos tantos aspectos incríveis da literatura, que é impossível parar de ler. E o pior de tudo é que quando acaba, senti que não li quase nada na vida. Existem tantos autores, tantos livros fantásticos para serem lidos, que dá vontade de largar tudo e ficar 24h com um livro na mão. (Sim, sou dramática).

Resenha: Como Funciona a Ficção - James Wood

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

James Wood me fez enxergar autores como Tchekhov e Jane Austen com outros olhos, além de conhecer um pouco mais sobre a história de Flaubert, o grande “pai” do realismo. Além de apontar as grandes obras da literatura universal, ainda entramos em contato com a crítica de grandes autores sobre diferentes livros. Henry James, Virginia Woolf, Tolstói, Tchekhov, Dostoiévski, Nabokov e Katherine Mansfield são alguns dos poucos nomes citados por Wood.

O livro começa com uma frase bem interessante, que pode resumir a obra como um todo: “Só existe uma receita: ter o maior cuidado na hora de cozinhar” – Henry James.

Se como eu, você quer aprender mais sobre crítica literária, recomendo começar por este!

como funciona a ficção james woodTítulo original:  How Fiction Works
Autor: James Wood
Editora: Cosac Naify
Número de páginas: 224
Ano: 2011
Gênero: Crítica Literária
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


Resenha: A Rainha Vermelha – Victoria Aveyard

Sempre ouvi falar MUITO BEM desse livro nos blogs e canais do YouTube e a vontade de ler só aumentava a cada dia. Até que finalmente iniciei a leitura de A Rainha Vermelha, da autora Victoria Aveyard.

Já comentei aqui no blog que não sou fã número 1 de livros Young Adult (YA), porque já enjoei um pouco das temáticas e também não me identifico muito com as tramas. Sempre aquelas histórias batidas, parecidas umas com as outras… mas A Rainha Vermelha me chamou a atenção e dediquei um tempo à história que causou o maior frisson nas redes sociais.

Resenha: A Rainha Vermelha - Victoria Aveyard

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

E qual foi o resultado dessa experiência? Gostei do livro! Principalmente por conta das referências: quando li na contracapa que a autora é fã de Game of Thrones, entendi tudo. Muitos elementos usados no livro me lembraram a série de George R.R. Martin, mas de uma forma positiva. Ela fez uma mistura de mitologias bem legal e uniu tudo em uma aventura para adolescentes. Ponto positivo.

Mas vamos falar um pouquinho da história:

“O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe — e Mare contra seu próprio coração.”

Eu gostei da Mare, é uma personagem feminina forte, obstinada e com um coração enorme. A situação em que ela se encontra não é das mais fáceis, mas ela é esperta e consegue contornar as adversidades. Os outros personagens também são interessantes, mas nenhum se equipara ao brilho da protagonista (a não ser, talvez, seu professor de história).

A aventura é divertida e devorei as páginas do livro rapidinho. Sofremos e aprendemos com Mare e, assim como ela, desejamos vingança por toda a repressão que os Vermelhos já passaram (e ainda passam).

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Mas, como nem tudo são rosas, uma coisa me incomodou muito:  o triângulo amoroso. Não precisava… eu não consigo compreender essa necessidade de colocar uma menina dividida entre dois (ou mais) meninos. Por favor, autores de YA! Coloquem uma garota que não se apaixone por um cara chato e sem graça, como Cal, por exemplo. Ele é bonito, corajoso, gosta de estratégia de guerra, é forte, mas não tem absolutamente nada a ver com a Mare. E é chato!

Mas é claro que eles têm um romance proibido ali, que, sinceramente, não cola. Seria tããão melhor se cortassem essas partes! Vamos focar mais nos dramas sociais, na luta entre vermelhos e prateados…deixem o romance de fora!

Enfim, tirando esse fator, o livro é bom, vale a leitura e com certeza quero acompanhar os próximos volumes! 🙂

E vocês, o que acham do livro?

 * Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Resenha: A Rainha Vermelha - Victoria AveyardTítulo original:  Red Queen
Autor: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Número de páginas: 422
Ano: 2015
Gênero: Young Adult
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia


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Escrito por:

Isabela Zamboni


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