Resenha: O Zen e a Arte da Escrita – Ray Bradbury

Já falei aqui no blog sobre alguns livros que servem como ajuda para escritores iniciantes. E o primeiro da lista foi este que vou resenhar agora: O Zen e a Arte da Escrita, de Ray Bradbury. É uma leitura prazerosa, leve e divertida, sem contar que também ajuda bastante os futuros escritores ou até mesmo quem deseja se expressar melhor.

Diferente do livro do Stephen King que comentei aqui, a obra de Bradbury é mais subjetiva. O livro é separado em pequenos ensaios que o autor escreveu ao longo da carreira, comentando sobre suas histórias, o processo criativo da escrita, dicas para quem deseja começar sua própria trajetória, entre outros relatos. É como se fosse um bate papo informal de Bradbury com nós, meros leitores. Digo isso porque o Bradbury é FODA e sabe escrever como ninguém (sou apaixonada por Fahrenheit 451).

Resenha: O Zen e a Arte da Escrita Ray Bradbury

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas a La Carte

Ele é tão simpático e dá dicas tão aproveitáveis, que dá vontade de pegar um bloquinho e sair anotando ideias. Ao contrário do livro do Stephen King, que oferece dicas bem mais diretas, Bradbury filosofa mais sobre a arte de contar histórias. Ele fala um pouco sobre sua infância, de como teve as ideias para seus livros, as dificuldades que passou no começo da carreira… E também fala de autores célebres que o influenciaram.

Bradbury quer que seu leitor conheça coisas novas, explore novos mundos, saia da zona de conforto. Nos ensina a abrir a mente, tentar encontrar em nosso subconsciente, histórias inexploradas, prontas para nascer. O livro é curtinho, bem didático e funciona mais como um conselho de um amigo do que qualquer outra coisa.

Me encantei e quero logo ler mais livros dele! Próximo da lista: As Crônicas Marcianas.

Resenha: O Zen e a Arte da Escrita - Ray Bradbury

Título original: Zen in the Art of Writing: Essays on Creativity
Autor: Ray Bradbury
Editora: LeYa Brasil
Número de páginas: 168
Ano: 2011
Gênero: Biografia/Não-ficção
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


2 Comentários
Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: O velho e o mar – Ernest Hemingway

Resenha: O velho e o mar - Ernest Hemingway

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Uma crise existencial: QUEM SOU EU PRA RESENHAR ERNEST HEMINGWAY?

Olha, gente. Não se faz uma coisas dessas. Estou aqui sem saber exatamente como começar essa resenha pelo simples fato de: ERNEST HEMINGWAY. Um dos autores mais famosos/amados/idolatrados/incríveis… Assim não dá.

“Tudo que nele existia era velho, como exceção dos olhos, que eram da cor do mar, alegres e indomáveis.” (p. 8)

Vamos lá. Do começo.

Gosto muito de temáticas náuticas e, procurando um livro que abordasse o assunto, muitos amigos me indicaram O velho e o mar. Comecei e acabei a leitura em poucas horas. A história do livro gira basicamente em torno de Santiago, um humilde pescador que há 84 dias não conseguia pescar um peixe sequer. E de seu fiel amigo, Manolin, garoto que faz o possível para ajudar o velho. Mas O velho e o mar e muito, muito mais do que isso.

O livro aborda de uma forma sensível fé, coragem e determinação. É incrível como um personagem tão simples pode nos dar um “tapa na cara” tão forte: Santiago é a persistência e o amor em pessoa. Amor. La Mar. O mar. Tudo está interligado na obra. Um dos pontos altos – para mim – é a empatia. O amor e a admiração que o pescador demostra pelos seres marinhos.

“Você está me matando peixe, pensou o velho. Nunca vi nada mais bonito, mais sereno ou mais nobre do que você, meu irmão. Venha daí e mate-me. Para mim tanto faz quem mate quem, por aqui” (p.79).

Resenha: O velho e o mar - Ernest Hemingway

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Os diálogos de Santiago no decorrer do livro são reflexos do mar e da vida simples que sempre levou: puros e nobres.

Um fato interessante sobre a escrita de Hemingway é que ela beira a linguagem jornalística. É possível aprender muito sobre a rotina e a vida de pescadores, diferenças entre peixes, e até mesmo sobre a maravilhosa cidade de Havana (Cuba).  Tudo isso em poucas páginas.

Um clássico leve como as ondas e profundo como os oceanos.

 Complemento:

Confira o curta THE OLD MAN AND THE SEA (O VELHO E O MAR), ganhador do Oscar em 2000 como melhor curta animado, criado pelo animador russo Alexander Petrov:

“O homem não vale lá muito comparado aos grandes pássaros e animais. Eu por mim gostaria muito mais de ser aquele peixe lá embaixo na escuridão do mar”.

Resenha: O velho e o mar - Ernest HemingwayTítulo original: The old man and the sea
Autor: Ernest Hemingway
Editora: Bertrand Brasil
Número de páginas: 126
Ano: 2013
Gênero: Clássico
Nota: 1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela


2 Comentários
Escrito por:

Melissa Marques


Resenha: O Sal da Vida – Françoise Héritier

Existe, sim, uma forma de leveza e de graça no simples fato de existir, que vai além das ocupações profissionais, além dos sentimentos poderosos, além dos engajamentos políticos e de todos os gêneros, e foi unicamente sobre isso que eu quis falar. Sobre esse pequeno plus que nos é dado a todos: o sal da vida. p.10

O Sal da Vida é um livro que relata experiências.

Acredito que ele tenha sido escrito com o intuito de despertar sensações nos leitores (ou ouvintes, como eu). O interessante é que, ao citar uma memória genérica, ex: o cheiro do bolo da vovó, o público se lembrará desse cheiro, mesmo ele não sendo o mesmo para todos e, as avós, obviamente, também não serem as mesmas.

Trata-se de uma experiência “íntima e sensorial”, como já descreve a sinopse.

Banho de chuva, rir até doer a barriga, fazer novos amigos. Todos sabemos como são essas situações, o quanto elas são gostosas, e cada um tem uma memória especial. Isso me deixou extremamente curiosa para saber quais são as memórias de cada leitor.

É um livro bastante saudosista, já que, ao citar situações do cotidiano, provavelmente, uma cena especial virá a mente. Além disso, ele mostra como coisas simples, muitas vezes sem qualquer valor, temperam a vida e dão mais sabor ao dia a dia.

+++ RESENHA: UBOOK

É claro, algumas memórias são mais pessoais e francesas que as outras, mais achei o livro bastante balanceado. Me identifiquei em diversas passagens.

A única coisa que me deixou um pouco chateada com o audiolivro é que a autora cita diversos atores / bandas / escritores que ela gosta ou que fazem parte da cultura francesa. Se estivesse lendo, provavelmente anotaria o nome dessas pessoas para procurar sobre suas obras depois, porém, sendo áudio, ficou inviável (principalmente porque não entendo mais que dez palavras em francês! haha).

O livro, escrito em formato de memórias / cartas, é extremamente corrido, em tópicos. Apesar de ser fluido, fica mais fácil se cansar do estilo da narrativa. Porém, quando você começa a pensar que será cansativo, o livro acaba. Ótima pedida para quem curte livros leves, sensíveis e graciosos 🙂

Capa de O Sal da VidaTítulo original: Le Sel de la vie
Autor: Françoise Héritier
Editora: Valentina
Número de páginas: 108
Ano: 2013
Gênero: Cartas / Lembranças
Nota: 1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vaziaestrela vazia


Comente!
Escrito por:

Melissa Marques


Resenha: Sobre a Escrita – A Arte em Memórias – Stephen King

Gostei tanto desse livro que eu não queria que ele acabasse! Fazia tanto tempo que eu não lia um livro assim, num estouro, morrendo de vontade de chegar em casa e continuar… E o mais engraçado é que não é um livro de ficção (meu gênero favorito), mas uma minibiografia do autor Stephen King, que deu dicas valiosas para quem quer ser escritor.

Resenha: Sobre a Escrita - A Arte em Memórias - Stephen King

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Eu sempre sonhei em ser escritora (quem sabe um dia), mas nunca tive o ímpeto de colocar as personagens no papel. Esse livro me fez ter vontade de começar: ele fornece dicas preciosas para quem sonha em escrever melhor e criar histórias consistentes.

O livro é dividido em partes: na primeira, conhecemos um pouco da vida do Stephen King e tudo o que ele passou até conseguir se tornar um autor famoso. Conhecemos a infância, a adolescência, os problemas financeiros, as amizades, os estudos, amores, enfim, um resumão da vida do autor. Eu achei bom porque ele conta até as partes difíceis de sua vida: a luta contra o alcoolismo e a cocaína, os problemas que teve a partir disso e as dificuldades de conseguir sobreviver trabalhando em uma lavanderia com uma família para sustentar.

A boa escrita costuma vir ao deixarmos o medo e a afetação de lado. A própria afetação, que começa com a necessidade de definir certos tipos de escrita como “bons” e outros como “ruins”, é um reflexo do medo.

Depois de conhecer a vida de Stephen, chega a segunda parte do livro: as dicas para escritores iniciantes. O que eu mais gostei é que ele separa por temas: fala sobre gramática, explica sobre construção de frases, cita autores famosos (bons e ruins) para exemplificar suas ideias… Depois fala sobre temática, gênero, ritmo, substância, o mercado editorial, o reconhecimento, como colocar suas ideias no papel, entre tantas outras informações. Eu fiquei encantada com o livro, nunca tinha lido algo parecido: um autor tão honesto e tão sincero com seus leitores.

Resenha: Sobre a Escrita - A Arte em Memórias - Stephen King

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Stephen King deixa claro que ele não é um escritor clássico e nem se preocupa em ser um Dickens ou Poe. O que ele realmente gosta é de contar histórias e isso, não há como negar, ele sabe fazer muito bem. King rebate as críticas dos cult chatos que dizem que o que ele escreve não é bom. Porém, ele consegue mostrar que realmente sabe do assunto e nada mais gostoso do que ler alguém que está se abrindo com a maior honestidade possível.

+++ O TRABALHO DE ALGUNS AUTORES ANTES DE SEREM FAMOSOS!

O ritmo da leitura flui muito rápido e em poucas páginas conseguimos absorver bastante informação. É claro que algumas coisas não fazem parte da realidade brasileira: ele dá dicas gramaticais da língua inglesa, comenta o mercado editorial nos Estados Unidos da década de 90, entre outras coisas que não se encaixam no contexto atual. Mas ainda assim, é uma lição pra vida: e se você tem vontade de escrever um livro, esse é um ótimo começo.

Escreva com a porta fechada, reescreva com a porta aberta. Em outras palavras, você começa escrevendo algo só seu, mas depois o texto precisa ir para a rua. Assim que você descobre qual é a história e consegue contá-la direito – tanto quanto você for capaz -, ela passa a pertencer a quem quiser ler.

Gostei tanto da leitura que acabei comprando outros livros sobre a escrita, que vou comentar em breve aqui no blog. Para quem sonha em ser escritor, ou até mesmo deseja escrever uma história sólida, é uma obra imprescindível. Eu confesso que só li um livro do Stephen King até hoje (pois é), mas no momento estou no comecinho de O Iluminado. Virei fã! <3

Resenha: Sobre a Escrita - A Arte em Memórias - Stephen King

Título original: On Writing: A Memoir of the Craft
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Número de páginas: 256
Ano: 2015
Gênero: Biografia/Não-ficção
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


Comente!
Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: Pó de Lua – Clarice Freire

Resenha: Pó de Lua - Clarice Freire

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Desde quando contatei a Clarice Freire ano passado para entrevistá-la durante a Bienal do Livro de São Paulo, fiquei supercuriosa com seu trabalho através do blog e da fanpage Pó de Lua, lançados em 2014 pela Intrínseca no formato impresso.

Finalmente, mês passado, tive a oportunidade de emprestá-lo e comecei a leitura.

Resenha: Pó de Lua - Clarice Freire

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O livro cumpre sua proposta: diminuir a gravidade das coisas. Uma leitura leve e rápida, completa por lindas tipografias e ilustrações feitas pela autora.

Ao ler Pó de Lua, me senti fuçando no moleskine de uma amiga que manda muito bem nas poesias e nos desenhos.

“Levo comigo o que é meu por DIREITO ou porque me foi dado. Vou deixando nas ruas as MIGALHAS e o que já provei que é errado”  p. 62 e 63.

As poesias são inspiradas nas quatro fases da lua – cheia, minguante, nova e crescente. No livro, Clarice aborda temas universais – saudade, medo, perda, solidão, paixão, alegria – de uma forma muito sutil.

Resenha: Pó de Lua - Clarice Freire

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Resenha: Pó de Lua - Clarice Freire

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Capa, projeto gráfico e diagramação também têm seu destaque: o livro não seria o mesmo se não fosse pelo belíssimo trabalho artístico empregado na obra!

“Sou muito pequena para fazer GRANDES COISAS. Por isso quero ser GRANDE nas coisas pequenas” p. 74.

Dá para ler em algumas horas, durante um passeio no parque ou uma tarde de preguiça (como foi o meu caso).

Resenha: Pó de Lua - Clarice FreireTítulo original: Pó de Lua
Autor: Clarice Freire
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 192
Ano: 2014
Gênero: Poesia / Autoajuda
Nota: 1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia


Comente!
Escrito por:

Melissa Marques


Página 20 de 26« Primeira...10...1819202122...Última »