Resenha: Morte na Mesopotâmia – Agatha Christie

Depois de viciar na série “Sherlock”, da BBC, me deu saudade de ler Agatha Christie. Já havia lido alguns livros da autora na adolescência, mas não lembrava direito de seu estilo. Peguei então Morte na Mesopotâmia, um dos títulos que eu lembro ser um dos mais conhecidos. Não me arrependi, pois a história é muito empolgante e divertida de ler.

Resenha: Morte da Mesopotâmia - Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O livro é mais um dos casos de Hercule Poirot, o detetive belga tão icônico que aparece em boa parte das obras da autora. Na história, a enfermeira Amy Leatheran narra sua experiência com a paciente Louise Leidner, uma mulher que sofria de angústia nervosa e era casada com o famoso arqueólogo Eric Leidner. A trama se passa em uma cidade árabe, durante uma escavação comandada por Leidner e sua equipe. Durante a história, ficamos tensos o tempo inteiro, querendo saber porque Louise sofria tantas paranóias e angústias e por qual motivo o clima entre as pessoas da escavação estava tão estranho.

Depois que um dos membros da equipe da escavação é brutalmente assassinado, é hora de Poirot entrar em cena e tentar descobrir quem teria motivos para realizar tal façanha, além de tentar explicar por que aquelas pessoas viviam em um clima tão pesado.

“Morte na Mesopotâmia” é aquela típica história de detetives que fascina e encanta. Um grupo de pessoas. Todas agindo de forma esquisita. De repente, um assassinato cometido por um deles e ninguém sabe como reagir. Um detetive entra em cena para tirar todo mundo do sério fazendo perguntas indiscretas. Análises minuciosas de cada detalhe do dia do assassinato, a fim de montar o quebra-cabeça. Ou seja: a narrativa perfeita para quem, como eu, é fascinado por solucionar mistérios.

Quem lê bastante Agatha Christie, geralmente adivinha rápido quem é o verdadeiro assassino. Sempre há o misdirection, isto é, a autora faz você odiar um personagem para desconfiar dele, mas com certeza está tirando o seu foco do verdadeiro assassino, geralmente aquela pessoa que todo mundo descarta logo de primeira. Nesse livro, me deixei levar e nem tentei adivinhar nada. Quis embarcar na jornada de Poirot e apenas admirar o personagem como um detetive muito astuto e divertido.

Resenha: Morte da Mesopotâmia - Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Outro ponto positivo é conferir a história pelos olhos da enfermeira, alguém que chegou de fora da expedição e relata com detalhes tudo o que viu durante o tempo que passou ali. Amy Leatheran é uma mulher muito íntegra, correta, mas por vezes ingênua. Não conseguia ver o que estava diante de seus olhos e confiava bastante na bondade do ser humano. É divertido ver como ela ajuda Poirot no caso, que sempre a deixa bastante intrigada.

Por ser tipicamente britânico, também é divertido ver como os personagens são extremamente polidos e educados. Todos se preocupam demais com tentar parecer uma boa pessoa e despejar moralismo. Portanto, todo mundo que sai um pouco da linha ou age com sinceridade, aos olhos da enfermeira, é um indivíduo rude e grosseiro. A narradora vive fazendo comentários do tipo “ela não é uma dama”, ou “fulano deveria agir com mais respeito”. Parece que pessoas muito espontâneas incomodam de verdade a enfermeira.

Enfim, se você procura uma narrativa animada, fluente e com personagens ótimos, “Morte na Mesopotâmia” é o livro pra você. Só tente não adivinhar tão cedo quem é o assassino, senão perde toda a graça.

LEIA TAMBÉM

Capa do livro Morte na Mesopotâmia

Título original: Murder in Mesopotamia
Autor: Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 220
Ano: 2014
Gênero: Ficção/Policial
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: CASH – Johnny Cash e Patrick Carr

Resenha: CASH - Johnny Cash

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Olá, ele é o Johnny Cash.

Não, não tinha como começar essa resenha de outro jeito.

Subverti a ordem das coisas e acabei conhecendo melhor a obra de Cash através do filme Johnny e June (Walk the line, 2005). É claro que eu já havia ouvido um ou outro sucesso do cantor – até por que, não vivo numa bolha – mas nunca parei para escutar a obra, analisar, e claro: me apaixonar.

Enfim, logo depois de assistir ao filme (que tem interpretações e músicas belíssimas), foquei meus dias na descoberta do Sr. Cash e de sua obra: ouvi incessantemente os cds, assisti ao filme mais umas 5x, e devorei a autobiografia CASH.

Talvez o único comentário que eu possa tecer sobre esse homem, possa se resumir em uma palavra: dualidade.

Johnny era o anjo e o demônio, era o bem e o mal, era caridoso e egoísta, humilde e arrogante, e muitos outros adjetivos mais. Isso fica claro desde o início do livro.

O bom de uma autobiografia é a visão do autor sobre ele mesmo. Enquanto eu, lendo, pensava “caramba, que homem incrível!”, Johnny dizia sobre si mesmo: “eu tenho uma certa responsabilidade sobre o country, mas não é tudo isso o que as pessoas falam”. OI?

Enquanto lia, tive a impressão de estar sentada ao lado do avô de alguma amiga, enquanto ele me contava histórias e tomávamos uma xícara de chá. Acho que isso resume bem o tipo de biografia que você encontrará em CASH. O livro aborda a vida do astro sob uma perspectiva completamente nova: a dele mesmo.

Johnny tece poucos comentários sobre o sucesso, e foca a biografia em seus amigos, familiares, Deus, e claro, sua vida na estrada – que, para o astro, foi um dos motivos de ter chego “tão longe”.

COMPLEMENTO

  • Johnny Cash Radio – 24h de Cash, com sposts de informações sobre a vida e a obra do artista.
  • Out Among the Stars – o novo álbum (póstumo) de Cash foi lançado em março de 2014 conta com o single “She used to love me a lot“. Imperdível!
  • Johnny e June – pra quem ainda não assistiu, vale a pena! Com Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon interpretando Cash e sua mulher. Confira o trailer.

CASH - Johnny Cash e Patrick Carr

 

Título original: CASH
Autor: Johnny Cash e Patrick Carr
Editora: Leya
Número de páginas: 280
Ano: 2013
Gênero: Autobiografia
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela


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Melissa Marques


Resenha: Não Sou Uma Dessas – Lena Dunham

Até então, nunca tive contato com nenhuma obra de Lena, nem seus filmes independentes ou até mesmo a famosa série Girls, transmitida pela HBO. Tudo o que eu sabia dessa mulher era: ela é uma pessoa polêmica. Feminista. E que usa looks “duvidosos” em alguns red carpets.

E só. Bem superficial, eu sei. Por isso, ao saber do lançamento de Eu Não Sou Uma Dessas pela Editora Intrínseca, decidi dedicar um tempo à leitura do livro e conhecer melhor a intérprete de Hannah Horvath.

Resenha: Não sou uma dessas - Lena Dunham

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

A primeira impressão que tive foi boa: achei Lena uma pessoa bem lúcida. Esperava alguém mais afetado e que só pensasse em sexo (como algumas pessoas definem a personagem dela em Girls).

Mas não! Apesar de o tema ser abordado diversas vezes e de diferentes formas no livro, não se trata apenas disso.

Lena fala sobre adolescência, crescimento pessoal, dificuldades para se fazer ouvir, masturbação, estranhamento com o próprio corpo, doenças do sono, DSTs, e muitos outros temas que podem ou não ser tabus para você.

Resenha: Não sou uma dessas - Lena Dunham

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Ela é corajosa, se expõe e não tem medo ou vergonha disso (dá pra perceber pelas cenas de nudez dela no seriado, né?). Como a própria Lena diz na introdução do livro

“[…] se eu puder lançar mão do que aprendi para tornar qualquer tarefa mais fácil para você […] então cada passo em falso que dei terá valido a pena”.

E é exatamente isso que acontece: você, com certeza, não passará pelas quase 300 páginas do livro sem se identificar com alguma história descrita por Lena. O livro é uma verdadeira conversa: parece que estamos lidando com uma amiga de longa data que, ao conseguir um espaço na agenda, resolve colocar o papo em dia com a galera.

O livro poderia ser um diálogo na mesa de bar ou ter sido discutido durante um jantar entre amigas, mas Lena resolveu expandir seus medos, certezas, derrotas, amizades, amores, doenças, criatividade, para outras pessoas e pretende, com isso, fazer com que o leitor repense seus próprios medos, certezas, derrotas…

Resenha: Não sou uma dessas - Lena Dunham

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O livro é bem fluído. Na primeira noite que peguei para ler foram 60 páginas em meia hora! Rápido e direto ao ponto, assim como a autora. Ótimo para os que – como eu – adoram biografias! Além disso, a pegada de “reflexão” também é superválida, principalmente agora no início do ano, né?

Resenha: Não sou uma dessas - Lena Dunham

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Alguém já leu? Concorda comigo? O que vocês acharam de “Não Sou Uma Dessas”? Conta pra gente nos comentários.

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Não sou uma dessas - Lena Dunham Título original: Not that kind of girl: a young woman tells you what she’s “learned”
Autor: Lena Dunham
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 304
Ano: 2014
Gênero: Autobiografia
Nota: 1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia


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Melissa Marques


Resenha: O Lobo do Mar – Jack London

Estava louca pra ler O Lobo do Mar, do autor norte-americano Jack London. A edição comentada da Zahar me chamou a atenção e logo já coloquei na lista de “desejados”. No Natal de 2014 minha irmã me deu de presente e comecei a ler assim que consegui em 2015. No geral, o livro empolga bastante, a leitura é tranquila e os personagens são excelentes. Mas, me senti meio frustrada mais para o final, onde o livro deu uma reviravolta que não me agradou.

O Lobo do Mar fala sobre muitas temáticas interessantes, principalmente o medo da morte, a importância que cada um dá à própria vida, religião, criacionismo, evolução, darwinismo, etc.

“Há uma quantidade limitada de água, de terra, de ar, mas a vida que está à espera de nascer é ilimitada. A natureza é de uma prodigalidade infinita.”

A história é bem simples: o náufrago Humphrey van Weyden é resgatado pela escuna Ghost, comandada pelo capitão Wolf Larsen. No entanto, o capitão ao invés de ajudar o náufrago a desembarcar no porto mais próximo, o obriga a trabalhar no navio, onde impõe regras violentas e faz da vida de Weyden um inferno.

Resenha: O Lobo do Mar

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O embate e diálogos entre o protagonista e Wolf Larsen são as melhores partes do livro. O conteúdo é riquíssimo e recheado de reflexões. Ao mesmo tempo em que Weyden é um homem literato, civilizado e com concepções de mundo moralistas, Wolf Larsen é a figura do homem primitivo, animalesco. O clima de tensão que paira no ar, assim como a sensação de estar aprisionado e entregue ao destino, faz do livro uma obra instigante.

Porém, a partir da metade do livro, há uma pequena reviravolta na trama: o surgimento de uma nova personagem traz um baque, uma mudança completa de enredo. Senti que o autor parece ter mudado de ideia no meio do caminho, criando uma nova alternativa que não condiz muito com o restante da obra.

Resenha: O Lobo do Mar

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O que poderia ter sido uma obra fenomenal, se arrasta da metade em diante, apresentando situações cansativas e que não fazem muito sentido com a proposta inicial. O que antes era incrível e digno de se tornar um clássico da literatura, se perde em um romance pouco convincente.

“O homem é inconstante como os ventos e as correntes marinhas. Nunca se pode adivinhar. Quando a gente julga que já o conheçe e que está a impressioná-lo bem, se vira ele contra nós aos berros e nos rasga as velas todas.”

No decorrer do livro, são utilizados inúmeros termos náuticos, mostrando claramente a experiência de London como marinheiro. São tantas palavras complicadas e descrições longas de processos marítimos, que é possível cansar facilmente e acabar pulando essas partes. Confesso que em alguns momentos, enquanto Weyden descrevia os nós que fez, ou comentava sobre o ritmo da escuna, eu nem prestava muita atenção.

Um ponto interessante é que o protagonista cresce muito como pessoa, passa por uma transformação satisfatória. O que antes era um personagem fraco e debilitado, de repente se torna forte, competente e ávido por viver. As frustrações iniciais o derrubaram mas o deixaram mais maduro para lidar com o monstro que é Wolf Larsen.

Aliás, Wolf Larsen é um personagem incrível, com uma personalidade confusa, doentia e ao mesmo tempo sensível. Por vezes gostamos dele e até acreditamos que ele não é de todo mal; no entanto, quando estamos simpatizando com Larsen, ele volta a tomar atitudes absurdas. É um mix de sentimentos, parece até mesmo um episódio de Game of Thrones! haha

Resenha: O Lobo do Mar

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Mas no geral, recomendo a leitura. Inclusive, achei que somente eu não tinha aprovado o final, mas no prefácio do livro (escrito por Joca Reiners Terron), ele conta que na época que o livro foi publicado, a crítica especializada reclamou muito do final. No fim das contas, o autor revelou que alterou o final para que a obra fosse mais comercial, por isso a pitada de romance. Mas, não retira a genialidade de London em O Lobo do Mar.

“Você fala do instinto da imortalidade. Eu falo do instinto da vida, que é viver, e que, quando a morte se figura próxima e iminente, vence o instinto da imortalidade.”

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O Lobo do Mar - Jack London

 

Título original: The Sea Wolf
Autor: Jack London
Editora: Zahar
Número de páginas: 368
Ano: 2013
Gênero: Ficção
Nota1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vaziaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: Assassinato no Expresso do Oriente – Agatha Christie

CHEGA DE JULGAMENTOS!

Nunca mais serei alvo de risos contidos e olhos esbugalhados me perguntando: “COMO ASSIM, VOCÊ NUNCA LEU AGATHA CHRISTIE?”.
Pois é, minha gente! Minha hora de brilhar ler um livro da Rainha do Crime chegou!

Resenha: Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Vou falar bem ~de boas~ sobre o enredo, já que não é novidade pra ninguém, a não ser pra mim, né? haha

Resumindo (muito bem resumido), em uma viagem de trem à Londres, durante uma parada por causa de uma nevasca, o corpo de um dos passageiros é encontrado com 12 facadas e cabe ao detetive Hercule Poirot solucionar o crime antes da polícia iugoslava.

O que mais me espantou (aka: me deixou “de cara”) foi o fato de o livro ter “apenas” (digo apenas por que, para um leitor acostumado com livros de mais de 300 páginas, esse pode ser considerado pequeno) 200 páginas e tantas ideias borbulhantes e reviravoltas.
Posso dizer que cheguei a suspeitar de cada um dos viajantes do Expresso do Oriente. Pra depois, claro, pensar: “que idiota, claro que não!”.
Fiquei sem comer, sem dormir (de domingo pra segunda dormi 3h, valeu, Agatha!), sem sair! Haha. Gente, sério. O negócio é incrível, tenso, e você NÃO PODE PARAR! ~não para, não para, não para, não!~

Eu, muito ligeira, sagaz e espertona, tinha certeza – ou uma boa aposta – sobre como terminaria o livro.
E olha, posso dizer: NÃO TEM NADA A VER COM O QUE EU PENSEI.
RISOS.

Resenha: Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Ou tem. Até tem. Mas o fim você só vai descobrir lendo.
No decorrer do livro, como a maioria dos suspenses policiais, a autora lança diversas dicas, mas que você só acaba percebendo quando chega na última página.

Resumindo, Agatha, fofa… Você merece totalmente o título. Você é linda, rainha, querida, lacradora, diva e muito mais. Te considero pakas.
PS: Senti falta de uma notinha de rodapé traduzindo algumas frases em francês.
PS²: Li várias resenhas apontando o livro como um dos melhores da Agatha, então, se você ainda não leu, vale a pena tirar umas horinhas para se dedicar ao crime 😉 #tôprocrime

Resenha: Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

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Assassinato no expresso do oriente - Agatha ChristieTítulo original: Murder on the Orient Express
Autor: Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 200
Ano: 2014
Gênero: Ficção / Policial
Nota


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Escrito por:

Melissa Marques


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