Resenha: A Menina Submersa: Memórias – Caitlín R. Kiernan

Comecei a leitura desse livro com altas expectativas. Li muitas resenhas em blogs falando o quanto esse livro era bom, que se tratava de uma história densa, uma viagem na mente de uma personagem esquizofrênica. E tudo isso é verdade, apesar de ser uma leitura lenta, sem ritmo e muitas vezes irritante.

A protagonista India Morgan Phelps, também chamada de Imp (em inglês, Imp significa “diabinho” ou “duende”, mas na tradução esse detalhe se perdeu) tenta construir sua história em uma antiga máquina de escrever. Sem se importar com a cronologia, India tenta montar uma linha de acontecimentos de sua vida, junto com seus devaneios e sentimentos mais profundos. Ela sofre de esquizofrenia e tem altas tendências suicidas, assim como sua mãe Rosemary e sua avó Caroline.

Resenha: A Menina Submersa

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Dessa forma, é difícil delimitar uma sinopse para este livro, já que “A Menina Submersa” é na verdade uma obra metalinguística: a personagem, ao escrever suas memórias, conversa com si mesma entre as páginas. Ou seja, acompanhamos a narrativa dentro da mente de Imp, que não consegue delimitar com clareza o que realmente aconteceu em sua vida ou o que, na verdade, foi uma ilusão de sua mente perturbada.

O livro ganhou o Bram Stoker Award, premiação que elege os melhores livros de terror e suspense de cada ano. E realmente ele traz uma inquietação, um clima de terror misturado com um drama melancólico. Seu conteúdo de reflexão é rico, assim como suas infinitas referências à arte, literatura e música.

O problema é que não foi uma leitura agradável. Se o livro tivesse 100 páginas a menos, acredito que seria mais bem resolvido. Muitas e muitas páginas reforçam aquilo que já sabemos, loucuras e loucuras sem parar, num ritmo desenfreado, porém entediante. Não consegui ler muito por dia. O ritmo da narrativa é arrastado e cansativo, os personagens passam longe de serem carismáticos (apesar de densos e de personalidade forte, não tiro esse mérito), mas ler esse livro foi praticamente tomar um sonífero.

Resenha: A Menina Submersa

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O fluxo de consciência, recurso utilizado por autores incríveis como Virginia Woolf, é o estilo adotado por Kiernan para tentar traduzir a vida de uma garota esquizofrênica. No começo fiquei bastante interessada, é uma leitura que te leva a querer mais, conhecer a história de Imp. Mas é da metade pra frente que esse recurso torna-se enfadonho e o livro se arrasta a passos de tartaruga para um final que não podia ser muito diferente.

Se você gosta bastante de livros introspectivos, provavelmente vai adorar A Menina Submersa. Se, como eu, você prefere uma narrativa mais fluida, com acontecimentos marcantes, provavelmente vai se sentir entediado.

LEIA TAMBÉM

A Menina Submersa

 

Título original: The Drowning Girl
Autor: Caitlín R. Kiernan
Editora: Darkside Books
Número de páginas: 320
Ano: 2014
Gênero: Ficção/Thriller
Nota1 estrela1 estrelaestrela vaziaestrela vaziaestrela vazia


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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: A Volta do Parafuso – Henry James

Para quem busca um thriller psicológico de altíssima qualidade literária, A Volta do Parafuso é primordial. O livro é bem curto (a edição de bolso que li tem cerca de 180 páginas), portanto a leitura é rápida. Só alerto para a linguagem rebuscada do autor: inúmeras descrições e ritmo bem lento, o que pode tornar a experiência cansativa.

A Volta do Parafuso conta a história de uma jovem mulher que consegue seu primeiro emprego como preceptora de duas crianças aparentemente belas e inocentes. A menina Flora e o menino Miles são ingênuos, charmosos e encantadores, cativando a jovem logo de início. No entanto, aos poucos, começamos a ver um lado peculiar dessas crianças, que moram em uma imensa casa afastada, em um local chamado Bly. A propriedade é extensa, porém levemente assustadora e melancólica.

Resenha: A Volta do Parafuso

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Durante sua estadia em Bly, a preceptora começa a perceber fenômenos estranhos: “figuras” distantes que lançam olhares de cima de torres escuras e janelas empoeiradas – supostamente fantasmas silenciosos que, a cada dia, se aproximam mais dela e das crianças.

Com uma sensação de horror crescente, a protagonista percebe que as criaturas desejam, na verdade, corromper as crianças, buscando adulterar seus corpos e mentes inocentes. Mas isso não é o pior: o horror se instala na mente da personagem quando ela supõe que Miles e Flora não sentem nem um pouco de medo das assombrações que rondam a casa, pelo contrário: desejam a presença dos fantasmas.

A princípio, a escrita densa e cansativa de Henry James pode fazer com que o leitor desista do livro. Porém, ao terminar a pequena obra, são tantos elementos e questões a serem levantadas, que, no fim das contas, vale muito a pena. As teorias de Freud permeiam o livro todo, interferindo na nossa percepção da realidade.

O autor é brilhante principalmente porque não sabemos se o pequeno Miles é uma criança arrogante e mal comportada; se a preceptora tem distúrbios sexuais graves; se existe alguma força maligna na casa ou se os fantasmas realmente vagam pela propriedade. Quem sabe? São indícios e pistas diferentes que nos conduzem a diferentes encruzilhadas.

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O narrador personagem é a peça-chave para a compreensão do livro. Nós, leitores, vemos e percebemos tudo pelos olhos da preceptora: portanto dificilmente saberemos qual é a realidade dos acontecimentos. Tudo é alterado pelo contexto da personagem e seus valores morais. Seus incômodos e perturbações muitas vezes parecem sem fundamento, desprovidos de lógica. O desespero da protagonista traz uma sensação incômoda: nunca sabemos o que esperar ou o que realmente está acontecendo. É angustiante!

Existe um filme baseado no livro chamado “Os Inocentes”, de 1961. Apesar de transpor fielmente o clima arrepiante e sombrio do livro, o longa não abre espaço para a imaginação, criando situações literais que destroem o trunfo da obra literária. Ainda assim, é um filme interessante e perturbador, perfeito para quem gosta do gênero terror. No entanto, recomendo a leitura primeiro, para abrir espaço à imaginação. Confira o filme completo no youtube:

LEIA TAMBÉM

A Volta do parafuso

 

Título original: Turn of the Screw
Autor: Henry James
Editora: Hedra
Número de páginas: 179
Ano: 2010
Gênero: Clássico/Thriller
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia


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Escrito por:

Isabela Zamboni


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