Resenha: Todos de pé para Perry Cook – Leslie Connor

Fiquei superempolgada quando a HarperCollins Brasil entrou em contato oferecendo alguns lançamentos para resenharmos. Escolhi Todos de pé para Perry Cook, da autora Leslie Connor, pois no material de divulgação comparavam o livro com O Menino do Pijama Listrado (AMO) e Extraordinário (ODEIO). Portanto, não sabia o que esperar e resolvi “pagar pra ver”.

Resenha: Todos de pé para Perry Cook - Leslie Connor

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

O meu maior medo é que o livro – apesar de ficcional – fosse pedante. Mas isso não aconteceu! A história do garoto Perry é cheia de questionamentos importantes e que te fazem pensar “e se?“. Acho que esse é o maior trunfo da autora. Aliás, Leslie chegou a escrever uma “carta ao leitor”, explicando que mesmo o personagem não sendo real, qualquer um poderia passar pelas situações descritas no livro.

Pela primeira vez, eu me pergunto: e mamãe? Ela vai ficar diferente quando for solta? Vai ficar diferente quando estivermos lá fora? (P. 40)

Resenha: Todos de pé para Perry Cook - Leslie Connor

FOTO: Behance | Rafael Brum

O livro conta a história de Perry Cook, um garotinho de 11 anos que vive em um lugar bastante peculiar: o Instituto Penal Misto Blue River. Esse é o único “lar” que o garoto conhece, até que um dia é tirado de lá para viver em um lar temporário (do mesmo promotor que está dificultando a liberdade condicional de sua mãe).

Fico deitado na cama estranha, morrendo de vontade de falar com a mamãe. De repente, sei que é assim que os novos residentes se sentem na primeira noite em Blue River. Sou um novo residente na casa VanLeer. (P. 56)

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O sofrimento por se afastar da mãe e a empolgação que Perry sente aos sábados – dia de visita – são tocantes. Alías, foi uma ótima sacada da autora poder abordar um tema como o sistema prisional através da ótica infantil.

As personagens são bem desenvolvidas e relevantes, principalmente durante a formação de Perry. É claro: nem todos são “boas pessoas”. Existe um grupo na prisão que Jessica Cook (mãe do menino) apelidou de Frios: eles não são confiáveis, não têm senso de humor, não conversam com os outros residentes. Resumindo: é melhor ficar longe deles. Mas a grande maioria é sensível e simpática.

Resenha: Todos de pé para Perry Cook - Leslie Connor

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Perry é uma criança bastante adulta, porém, em diversos momentos da história acaba mostrando ao leitor um lado mais frágil, principalmente quando ele está longe da mãe e se sente “um estranho no ninho”. No caso, o ninho da família VanLeer.

Eu me seco com uma toalha VanLeer, que é tão grande quanto um cobertor. Quando a enrolo na cintura, ela se arrasta no chão. Eu puxo até as axilas. O Super-Joe ia rir se me visse. Eu sempre atravesso o São Leste Superior quando estou voltando para o quarto usando uma toalha de Blue River ao redor da cintura, só que são toalhas mais finas e bem mais curtas. (P. 105)

O garoto não se sente “em casa” em momento algum quando está fora de Blue River, inclusive, percebemos isso cada vez que ele cita um item do lar temporário: nada é dele, tudo é VanLeer (trecho acima). Porém, em Blue River, o garoto afirma: meu quarto, meu relógio, minhas coisas. Triste, né?

Resenha: Todos de pé para Perry Cook - Leslie Connor

FOTO: Behance | Rafael Brum

O plot twist na história de Jessica Cook é um pouco confuso (não vou dar spoiler, mas NINGUÉM, por maior que seja o coração da pessoa, faria o que ela fez…). De qualquer forma, não tira o mérito: é um ótimo livro.

Todos de pé para Perry Cook é um livro que exalta a empatia – tão em falta nos dias de hoje. É aquela velha história: a gente NUNCA sabe a dor do outro. Com inocência e maestria, Perry Cook nos mostra a importância de buscarmos a resiliência.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora

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Resenha: Todos de pé para Perry Cook - Leslie Connor Título original: All Rise for the Honorable Perry T. Cook
Autora: Leslie Connor
Editora: HarperCollins Brasil
Número de páginas: 288
Ano: 2017
Gênero: Literatura Estrangeira
Nota: 


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Escrito por:

Melissa Marques


Resenha: Jane Eyre – Charlotte Brontë

Como eu gosto MUITO de romances ingleses (um dos meus livros favoritos é o Morro dos Ventos Uivantes), até que demorei para começar a leitura de Jane Eyre. Romances góticos vitorianos sempre me agradam e esse não poderia ficar de fora. Como já tinha assistido ao filme de 2011, demorei um tempinho para começar a leitura desse clássico de Charlotte Brontë. E como já poderia imaginar, gostei bastante! Não desbanca meu amor pelo Morro, mas ainda assim valeu cada página.

Resenha: Jane Eyre - Charlotte Brontë

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Em primeiro lugar, preciso mostrar o significado de gótico. Segundo o dicionário Priberam, essa é a definição da palavra:

gó·ti·co
(latim gothicus, -a, -um)
adjetivo
1. Relativo aos godos, povo germânico.
2. Que é relativo a ou evoca ambientes ou assuntos mórbidos, lúgubres, sombrios ou tristes (ex.: música gótica, roupas góticas).
adjetivo e substantivo masculino
3. Diz-se de ou estilo artístico que se espalhou na Europa do século XII à Renascença.
4. [Literatura] Diz-se de ou estilo literário que valoriza ambientes misteriosos ou lúgubres.
5. Período em que se desenvolveu a arte gótica.

Esse estilo literário é um dos meus prediletos e nunca vou cansar de lê-los e resenhá-los por aqui. Mas, sem mais delongas, vamos à resenha de Jane Eyre!

Senti falta de uma boa edição em português, então comprei essa edição incrível da Barnes&Noble. Ela contém três obras das irmãs Brontë: Jane Eyre, de Charlotte, O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily, e Agnes Grey (um pouco mais desconhecido), de Anne. É uma edição de luxo incrível, com folhas brilhantes e uma qualidade impecável. O único problema é manusear – já que o livro é enorme e pesado – mas nada que atrapalhe muito.

Resenha: Jane Eyre - Charlotte Brontë

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Jane Eyre conta a história de uma garota órfã que mora com uma tia distante e seus filhos. Durante a infância, Jane sofre bastante nas mãos dessa família que a “adotou” e, ainda bem cedo, é enviada para Lowood, uma escola para garotas bem rígida, comandada por um pastor. Depois de muitos anos de estudo, Jane consegue um emprego como preceptora em Thornfield Hall, uma mansão gerenciada pelo misterioso Mr. Rochester.

Depois de algum tempo, Jane se apaixona perdidamente por Rochester – quase vinte anos mais velho do que ela – mas nem imagina o segredo que ele esconde no sótão de sua casa. A partir daí, acompanhamos as provações de Jane, que passa por muitas dificuldades para finalmente encontrar a paz e a liberdade que tanto buscou durante os anos de sua juventude.

As descrições da autora mostram sua paixão pela natureza e um bucolismo bem intenso. Em praticamente cada página, Brontë nos agracia com belas descrições de uma Inglaterra gelada e um tanto solitária. Conseguimos acompanhar com Jane cada explosão de sentimentos, sua visão de uma sociedade patriarcal vitoriana e uma vontade abrasiva de ser livre, sempre acompanhadas de  descrições belíssimas da paisagem que a cerca.

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As conversas de Jane com Mr. Rochester também são de tirar o fôlego, mostrando um controle e firmeza da autora em demonstrar suas ideias libertárias. Charlotte Brontë foi considerada uma das primeiras autoras feministas a tentar quebrar com os padrões de sua época, por volta de 1850. Pela primeira vez conferimos um romance do ponto de vista de uma mulher, mostrando que as mulheres também têm fortes sentimentos, vontades e sofrimentos reais, principalmente com a “prisão” do casamento e dos bons costumes a que são forçadas desde pequenas.

Existe uma personagem do livro que traduz bem isso (não vou contar para não tirar a graça), mas essa mulher “selvagem” é praticamente a personificação das vontades e sonhos de Jane. E essa vontade de ser livre, de se ver longe das amarras da sociedade, aparece em diversos trechos, inclusive quando ela afirma que “nenhuma gaiola a deixará presa“.

Jane Eyre é um romance de formação – começamos com Jane bem criança e acompanhamos sua trajetória até a vida adulta. A primeira e a segunda parte do livro são instigantes e não dá vontade de parar; porém, na parte final do livro, a narrativa fica mais lenta e as novas personagens que aparecem são um pouco cansativas. Bem no finalzinho conseguimos finalmente respirar com alívio: Jane passa por tantos perrengues que dá até nervoso, mas ela finalmente alcança o que tanto desejou.

Resenha: Jane Eyre - Charlotte Brontë

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Outro aspecto forte aqui é a religiosidade. Jane tem uma moral formada pela escola de Lowood e, durante toda sua vida, acredita nos ensinamentos bíblicos e demonstra uma forte fé em Deus. Muitas de suas escolhas são influenciadas por sua religião, como acreditar que os pecados da carne devem ser evitados ou quando acredita que todas suas vontades e desejos são regidos pelo Senhor. Durante todo o livro acompanhamos os pensamentos de Jane e a religião exerce uma grande influência em sua vida terrena – e também na sua consciência.

Jane Eyre é um livro intenso, poético e gentil, além de tratar de temas importantes para sua época. Charlotte Brontë abriu portas para muitas escritoras; suas ideias e convicções de liberdade feminina e igualdade de direitos revolucionaram a literatura.

Não é um livro fácil de digerir – você com certeza vai ficar relendo passagens ou pensando na história por um bom tempo. Os personagens masculinos são soturnos, patriarcais e – pela perspectiva de quem leu esse romance em pleno 2017 – quase incompreensíveis. A forma com que a autora trata os relacionamentos afetivos é totalmente diferente daquilo que estamos acostumados. Em vários momentos eu achava inacreditável as atitudes de Jane e de Mr. Rochester, de certa forma até revoltante. Mas, como sempre, é preciso levar em consideração o contexto da obra.

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Resenha: Jane Eyre - Charlotte Brontë

 

Título original: Jane Eyre
Autor: Charlotte Brontë
Editora: Martin Claret
Número de páginas: 780
Ano: 2014
Gênero: Literatura Estrangeira/Romance
Nota: 


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Isabela Zamboni


Resenha: O Hobbit – J. R. R Tolkien

Resenha: O Hobbit - J. R. R Tolkien

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Decidi que O Hobbit seria minha primeira leitura do ano. Queria algo leve, divertido e, ao mesmo tempo, épico! E eu não poderia ter feito escolha melhor que a história de Bilbo Bolseiro!

Acabei assistindo os filmes d’O Hobbit antes de ler o livro. Não gosto muito de fazer isso (acho que corta a nossa criatividade), mas aconteceu. Por outro lado, achei divertido imaginar as cenas com o ator Martin Freeman (amo!).

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Um dos personagens que mais me surpreendeu positivamente durante a leitura foi o Gollum (Smeagol). Ele consegue transmitir perfeitamente sentimentos de enclausuramento, loucura, distanciamento social… principalmente se levarmos em conta suas linguagens: falada e corporal. Apesar de ser uma criatura “maligna”, tive pena.

Gollum

Meu maior desapontamento ficou com Gandalf: sou fã do mago nos filmes, mas em O Hobbit… MEU DEUS, QUE PESSOA CHATA! Tenho certa dificuldade com magos que somem e aparecem, deixam enigmas, não respondem o que você pergunta… A situação já não é das melhores e o cara ainda dificulta. HAHAHA (É claro: em diversos momentos ele foi “a salvação” do grupo, mas não é, necessariamente, uma pessoa legal). Talvez a palavra que defina bem a personalidade de Gandalf seria: austero#Polêmicas.

Gandalf

A narrativa de Tolkien é muito fácil de assimilar, pelo menos em O Hobbit (dizem que fica mais “difícil” nos livros d’O Senhor dos Anéis). Tem ótimos diálogos, entonações divertidas (ideais para quem curte ler em voz alta, por exemplo), e descrições na medida certa: nada cansativas, ao contrário, são relevantes e maravilhosas!

Resenha: O Hobbit - J. R. R Tolkien

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

As músicas e poemas criados para o livro, além de incrementá-lo, são obras à parte, e também emocionam. A tão famosa língua élfica elaborada por J. R. R Tolkien não teve grande destaque na obra – exceto em algumas inscrições no mapa que Gandalf carrega consigo. Espero que nos outros livros o assunto seja mais aprofundado!

O Hobbit é, além de uma incrível aventura, uma história sobre arriscar-se. Sair da zona de conforto (por melhor que ela seja). Abraçar o mundo, sua vastidão e todas as oportunidades fora do Condado 🙂 Deve ser por isso que, mesmo depois de tantos anos após seu lançamento, o livro continua cativando crianças e adultos.

Bilbo Bolseiro

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Resenha: O Hobbit - J. R. R Tolkien

 

Título original: The Hobbit
Autor: J. R. R. Tolkien
Editora: WMF Martins Fontes
Número de páginas: 297
Ano: 2011
Gênero: Fantasia / Aventura
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Melissa Marques


Resenha: Arábia – A Incrível História de um Brasileiro no Oriente Médio – Rafael Coelho e Raiam Santos

O livro Arábia – A Incrível História de um Brasileiro no Oriente Médio, é um relato autobiográfico de Rafael Coelho, que teve a incrível experiência de cursar mestrado na Arábia Saudita. Por não fazer ideia de como seria essa “aventura”, o autor escreveu um livro para mostrar aos jovens o quão interessante é conhecer outras culturas, além de desmistificar vários preconceitos contra um país do Oriente Médio que, muitas vezes, é visto como “terrorista”.

Com uma linguagem bem descontraída e jovial, Rafael conduz os leitores por essa experiência gratificante, além de contar todos os pormenores de um país com regras, morais e costumes tão diferentes do Brasil. O livro é voltado especialmente para jovens que ainda têm dúvidas sobre faculdade, futuro e experiências de intercâmbio. Aqui, de forma bem divertida, Rafael aconselha todos a saírem da zona de conforto e buscarem seus sonhos, por mais difíceis que eles pareçam.

Resenha: Arábia - A Incrível História de um Brasileiro no Oriente Médio - Rafael Coelho e Raiam Santos

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Além de conferir sua trajetória saindo do Brasil, e os receios do autor em largar tudo e morar “no meio do nada”, conhecemos também fatos curiosos sobre a Arábia Saudita. Eu desconhecia vários e achei bem interessante aprender tanto sobre esse país, que para muitos é quase “um outro mundo”. Não sabia que os shoppings eram locais de “azaração”; sabia que o país tinha uma influência religiosa bem forte, mas nem imaginava que eles eram obrigados a rezar cinco vezes ao dia; não tinha a menor ideia de que existe uma polícia religiosa; muito menos poderia conceber que mulheres não podem dirigir. Essas e outras curiosidades fazem parte de Arábia, com relatos que me lembraram bastante o o estilo “jornalismo gonzo”, com muitas gírias e impressões bem pessoais do escritor.

Logo no começo, Rafael já explica um pouco sobre sua trajetória acadêmica, sua estrutura familiar e o que o levou a embarcar nessa “aventura”. O que eu gostei no livro foi a coragem do autor em mostrar como ele tinha preconceitos, mas que morar no Oriente Médio o fez crescer bastante como pessoa. A convivência com outros estudantes, de culturas totalmente diferentes, também serve como um incentivo para quem está em busca de experiências no exterior e procura áreas de estudo bem promissoras.

Resenha: Arábia - A Incrível História de um Brasileiro no Oriente Médio - Rafael Coelho e Raiam Santos

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O livro tem partes bem engraçadas – por conta da linguagem descontraída – e com certeza se você já foi (ou é) universitário, vai se identificar com algumas passagens. Afinal, imagina viajar sabendo que não vai poder beber nem um gole de cerveja? Na Arábia é proibido o consumo de álcool. Não é fácil, amigos! Haha! Rafael conta também que, atualmente, já conheceu 68 países. Confesso que fiquei com uma invejinha e com muita vontade de viajar.

Arábia também tem a participação de Raiam Santos, amigo de Rafael que o ajudou bastante com a ideia e criação do livro. Ao final, o autor faz uma dedicatória ao amigo, que é um escritor best-seller na Amazon, por conta de seu e-book Hackeando Tudo: 90 Hábitos Para Mudar o Rumo de Uma Geração.

Só uma coisa me incomodou: a estrutura do livro. Como são frases muito curtas, em alguns momentos me senti lendo um texto no Medium ou em algum blog. Entendo que essa era a proposta do autor, mas ainda assim acredito que faltaram mais parágrafos e um estilo, para nos lembrar que Arábia é um livro. A linguagem descontraída demais também causa um certo estranhamento, mas nada que incomode pelas 155 páginas. Algumas ideias do autor não bateram tanto com as minhas, mas isso é o mais incrível do universo literário: conhecer outros pontos de vista e aprender com eles.

Ficou interessado no livro? Ele está disponível como ebook na Amazon, por um preço bem camarada! Clique aqui para conferir.

Essa resenha é um publieditorial, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Resenha: Arábia - A Incrível História de um Brasileiro no Oriente Médio - Rafael Coelho

 

Título original: Arábia – A Incrível História de um Brasileiro no Oriente Médio
Autor: Rafael Coelho e Raiam Santos
Número de páginas: 155
Ano: 2017
Gênero: Biografia
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: As Virgens Suicidas – Jeffrey Eugenides

As Virgens Suicidas foi um daqueles casos em que assisti ao filme primeiro. Porém, como vi o filme de Sofia Coppola há alguns anos, resolvi começar o livro do autor Jeffrey Eugenides agora, depois de “esquecer” a história. E o resultado é gratificante: essa obra da literatura norte-americana contemporânea é fantástica!

Resenha: As Virgens Suicidas - Jeffrey Eugenides

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Não vou dizer que foi uma leitura rápida e prazerosa. Não porque o livro é ruim – longe disso – mas porque a carga emocional da história é grande. O título já deixa bem claro o que acontece no livro: um grupo de meninas de uma pequena cidade norte-americana se suicida. Elas são todas irmãs e, por conta da repressão dos pais, acabam tirando a própria vida. Isso já é contado desde o comecinho do livro, portanto, não é um spoiler!

A história das irmãs Lisbon é contada pelo ponto de vista de vários garotos, que são vizinhos das meninas. O interessante mesmo é o papel do narrador no livro de Eugenides: não sabemos exatamente qual dos garotos que narra ou quem ele é, ou seja, o narrador é um coro, diversas vozes narrativas englobadas em uma só.

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A mãe das garotas era muito rígida, religiosa e superprotetora. O pai, o Sr. Lisbon, é professor de matemática e segue as regras impostas pela Sra. Lisbon. Isso significa que as meninas praticamente não saem de casa, não se relacionam com pessoas que a mãe não autoriza, não podem usar as roupas que têm vontade e, principalmente, são privadas de uma juventude cheia de descobertas.

O tom do livro é melancólico e ao mesmo tempo, recheado de lirismo. O autor consegue conduzir a narrativa de uma maneira suave, mesmo tratando de um tema tão pesado. As Virgens Suicidas é um deleite: cada vez mais queremos conhecer a vida das garotas Lisbon, entender a obsessão dos garotos por elas e, principalmente, entender por que aquelas meninas se suicidaram.

Além da história de cada garota, também somos apresentados a personagens que faziam parte do subúrbio em que a família Lisbon morava. Conhecemos garotos que se relacionaram com as meninas; vizinhos que ficaram mortificados com a história da família; durante a história conferimos relatos de professores, policiais, psicólogos e diferentes pessoas que viveram durante o período do suicídio; entre tantos outros personagens secundários que dão sustância à história.

Resenha: As Virgens Suicidas - Jeffrey Eugenides

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Apesar de a sensação de tristeza constante – eu me sentia bem mal durante algumas partes do livro – As Virgens Suicidas é um livro complexo e também bem importante. Não apenas vemos as garotas Lisbon pelo ponto de vista de garotos, mas também acompanhamos uma parte essencial da história norte-americana na década de 70. É um livro fenomenal e pode ter certeza que serão 232 páginas que marcarão um pedacinho da sua vida.

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Resenha: As Virgens Suicidas - Jeffrey EugenidesTítulo original: The Virgin Suicides
Autor: Jeffrey Eugenides
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 232
Ano: 2013
Gênero: Literatura Estrangeira/Romance
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Escrito por:

Isabela Zamboni


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