Resenha: O Livro da Literatura – Vários Autores

Eu sempre fui apaixonada por essa coleção da Globo Livros, As Grandes Ideias de Todos os Tempos, que conta de forma resumida a história da literatura, cinema, sociologia, filosofia, psicologia, entre outros assuntos importantes. Por enquanto, comprei o Livro da Literatura e o Livro da Filosofia, e já quero TODOS!

Resenha: O Livro da Literatura - Vários Autores

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Mas enfim, vamos à resenha: o livro da Literatura é uma viagem pelo universo literário, passando pelas obras mais importantes de todos os tempos, desde o comecinho da escrita. O livro também é separado pelo contexto histórico, então é possível compreender de forma clara em que período cada livro e autor se encaixa: romantismo, realismo, pós-guerra, antiguidade, contemporâneos e etc.

O Livro da Literatura serve bastante como um guia, quase uma enciclopédia. Algumas obras mais famosas e bem importantes (como Moby Dick) ganham mais páginas e explicações mais completas, enquanto outras são apresentadas de forma bem resumida. Se você busca aprofundamento em teoria literária ou até bastante informação biográfica sobre autores, não é aqui que você vai encontrar. Porém, se você prefere conhecer um pouquinho sobre livros clássicos e contemporâneos de forma bem explicativa e curtinha, é uma excelente opção.

Resenha: O Livro da Literatura - Vários Autores

Detalhe da página interna. | Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

O que mais me encantou nesse livro foi como ele abriu minha mente para conhecer novas ideias e novos autores. Sem contar que a importância que a literatura traz para a história mundial é impressionante. Muitos acreditam que livros são apenas entretenimento, mas O Livro da Literatura aponta justamente o contrário: a literatura é essencial e molda a sociedade em que vivemos. 

Resenha: O Livro da Literatura - Vários Autores

Ilustrações e infográficos mostram detalhes | Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

 

Resenha: O Livro da Literatura - Vários Autores

Páginas em vermelho servem para separar os movimentos literários | Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

 

Resenha: O Livro da Literatura - Vários Autores

O livro apresenta uma linha temporal antes de cada movimento literário. | Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

A qualidade gráfica é excelente e com ilustrações delicadas para mostrar a simbologia das obras citadas. O livro é colorido, bem diagramado, a espessura do papel é confortável de manusear e ler. É um livro para se colocar na estante e sempre verificar quando surgirem dúvidas a respeito de algum assunto. É um livro sobre livros para amantes de livros! ❤

Resenha: O Livro da Literatura - Vários AutoresTítulo original: O Livro da Literatura
Autor: Vários
Editora: Globo Livros
Número de páginas: 352
Ano: 2016
Nota: 


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Isabela Zamboni


Resenha: Pornô Chic – Hilda Hilst

Quando comecei a leitura de Pornô Chic, da brasileira Hilda Hilst, levei um susto logo de cara. Ainda não havia entrado em contato com nenhuma obra da autora, mas logo nas primeiras páginas já levei um soco no estômago. Sabia que o livro era de conteúdo adulto, pornográfico mesmo. Mas não imaginava que ia levar esse tiro! Hahaha! A linguagem da Hilda é BEM escarrada mesmo, bem grosseira. Ela não tem nenhuma censura, descreve os personagens e situações do jeito mais realista e erótico possível. E o mais engraçado é que eu não esperava que uma obra desse teor poderia ser tão boa.

Resenha: Pornô Chic - Hilda Hilst

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Sabe Cinquenta Tons de Cinza ou outros soft porn que estão na moda? ESQUECE! Esse livro aqui é paulera mesmo! E o mais interessante é que o linguajar, apesar de intenso, é bem rico – Hilda usa palavras destoantes, com um vocabulário bastante amplo, sem perder o refinamento.

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Essa edição da Globo Livros é impecável: além da capa dura, as folhas são ótimas de manusear, já vem com marcador de página e é recheado de ilustrações de artistas incríveis: Millôr Fernandes, Jaguar, Laura Teixeira e Veridiana Scarpelli.

Resenha: Pornô Chic - Hilda Hilst

Ilustração de Millôr. | FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Pornô Chic é composto pelos contos O caderno rosa de Lori Lamby (um que me arrepiou de tão tenso), Contos d’escárnio – textos grotescosCartas de um Sedutor e o livro de poemas Bufólicas. A autora considerou essas obras como uma “experiência radical e divertida”. O mais interessante de Pornô Chic é como ele mistura críticas à sociedade, humor, práticas sexuais inusitadas e muitas referências a autores que já foram considerados “pornográficos” e criticados pelo uso do erotismo, como Henry Miller, Georges Bataille e D.H. Lawrence.

Resenha: Pornô Chic - Hilda Hilst

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Foram publicados também nessa mesma edição alguns textos de apoio, com nomes de peso analisando a obra de Hilda. A “Fortuna Crítica” apresenta um texto do professor de História da Arte e da História da Cultura da Unicamp Jorge Coli, além da professora do departamento de Literatura Brasileira da FFLCH-USP Eliane Robert de Moraes, e o professor de Teoria Literária da Unicamp Alcir Pécora. Além disso, a edição ainda recupera um perfil da autora feito pelo jornalista Humberto Werneck e uma entrevista de Hilst ao amigo e escritor Caio Fernando Abreu.

Resenha: Pornô Chic - Hilda Hilst

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Quando me deparei com Pornô Chic, apesar do estranhamento inicial, logo pude perceber o quanto a autora é irônica e satiriza os aspectos animalescos dos humanos. Durante a leitura de Cartas de um Sedutor, por exemplo, é notável o tédio e a indiferença do personagem com a vida, quando seu único objetivo é satisfazer os desejos carnais.

Neste livro, não há nada que prenda Hilda: encontramos tudo que existe de mais polêmico, desde expressões mais vulgares até mesmo temas como o incesto. Mas, como já afirmei anteriormente, nada de soft porn romantizado ou uma literatura de banca de jornal: o refinamento das palavras e a poética da autora são evidentes; inclusive, aos 60 anos, a própria Hilda afirmou que “a sexualidade pode ser adorável, perversa ou divertida, mas eu acho que o ato de pensar excita muito mais do que uma simples relação sexual. A mim pelo menos, há muitos anos é assim”.

LEIA TAMBÉM

Resenha: Pornô Chic - Hilda HilstTítulo original: Pornô Chic
Autora: Hilda Hilst
Editora: Biblioteca Azul (Globo Livros)
Número de páginas: 276
Ano: 2014
Gênero: Literatura Brasileira/Contos
Nota: 


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Isabela Zamboni


Resenha: O Estrangeiro (HQ) – Jacques Ferrandez

Já havia lido O Estrangeiro, obra de Albert Camus, há alguns anos. É um daqueles livros curtinhos e impactantes, tanto que li numa sentada só! Eu gostei bastante na época e, ano passado, resolvi comprar a Graphic Novel de Jacques Ferrandez, que foi baseada na história do livro.

Não me decepcionei: além de ser bem fiel à obra de Camus, ainda conta com ilustrações incríveis, dando um novo significado à trama.

Resenha: O Estrangeiro (HQ) - Jacques Ferrandez

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

A HQ conta a história de Meursault, um homem que comete assassinato e é julgado por esse ato. A ação desenrola-se na Argélia, na época em que ainda era colônia francesa, país onde Camus viveu grande parte da sua vida.

Todos os sentimentos evocados pelo livro estão na HQ: o calor intenso, as atitudes estranhas de Meursalt, uma sequência de acontecimentos grotescos e, principalmente, traços do existencialismo de Sartre. Porém, na época em que a obra original foi lançada, Camus rejeitou essa classificação: para ele, era mais correto afirmar que o romance se insere na teoria do absurdo.

Resenha: O Estrangeiro (HQ) - Jacques Ferrandez

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Apesar de muitas discussões apontarem que Meursault vive pelas ideias dos existencialistas, na primeira metade do romance, Meursault é um indivíduo inconsequente e sem objetivos. Suas motivações são apenas as experiências sensoriais: o cortejo fúnebre no velório de sua mãe, nadar na praia, transar com sua suposta namorada, entre outras ações.

Resenha: O Estrangeiro (HQ) - Jacques Ferrandez

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

A HQ de Ferrandez reforça toda essa discussão de uma forma intensa, com traços bem equilibrados, mas remetendo ao “absurdo” da obra de Camus. Sentimos como se estivéssemos ali, presenciando aqueles personagens desequilibrados e “desencanados” da vida.

Camus apresenta o mundo como essencialmente sem sentido e, dessa forma, a única maneira de chegar a um significado ou propósito é criar um por si mesmo. Assim, é o indivíduo e não o ato que dá significação a um certo contexto. Parece difícil de compreender, mas durante a leitura da graphic novel isso fica bem claro.

Resenha: O Estrangeiro (HQ) - Jacques Ferrandez

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Para comprar a HQ, só acessar o link abaixo:

É até um pouco sufocante acompanhar essa história: durante a leitura, acontecem coisas tão ilógicas, que parece algo bem distante. Mas é uma obra que traz bastante reflexão, principalmente sobre nossas ações e consequências no dia a dia.

LEIA TAMBÉM

Resenha: O Estrangeiro (HQ) - Jacques FerrandezTítulo original: L’Étranger
Autor: Jacques Ferrandez e Albert Camus
Editora: Quadrinhos na Cia.
Número de páginas: 144
Ano: 2014
Gênero: Graphic Novel
Nota: 


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Isabela Zamboni


Resenha: Todos de pé para Perry Cook – Leslie Connor

Fiquei superempolgada quando a HarperCollins Brasil entrou em contato oferecendo alguns lançamentos para resenharmos. Escolhi Todos de pé para Perry Cook, da autora Leslie Connor, pois no material de divulgação comparavam o livro com O Menino do Pijama Listrado (AMO) e Extraordinário (ODEIO). Portanto, não sabia o que esperar e resolvi “pagar pra ver”.

Resenha: Todos de pé para Perry Cook - Leslie Connor

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

O meu maior medo é que o livro – apesar de ficcional – fosse pedante. Mas isso não aconteceu! A história do garoto Perry é cheia de questionamentos importantes e que te fazem pensar “e se?“. Acho que esse é o maior trunfo da autora. Aliás, Leslie chegou a escrever uma “carta ao leitor”, explicando que mesmo o personagem não sendo real, qualquer um poderia passar pelas situações descritas no livro.

Pela primeira vez, eu me pergunto: e mamãe? Ela vai ficar diferente quando for solta? Vai ficar diferente quando estivermos lá fora? (P. 40)

Resenha: Todos de pé para Perry Cook - Leslie Connor

FOTO: Behance | Rafael Brum

O livro conta a história de Perry Cook, um garotinho de 11 anos que vive em um lugar bastante peculiar: o Instituto Penal Misto Blue River. Esse é o único “lar” que o garoto conhece, até que um dia é tirado de lá para viver em um lar temporário (do mesmo promotor que está dificultando a liberdade condicional de sua mãe).

Fico deitado na cama estranha, morrendo de vontade de falar com a mamãe. De repente, sei que é assim que os novos residentes se sentem na primeira noite em Blue River. Sou um novo residente na casa VanLeer. (P. 56)

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O sofrimento por se afastar da mãe e a empolgação que Perry sente aos sábados – dia de visita – são tocantes. Alías, foi uma ótima sacada da autora poder abordar um tema como o sistema prisional através da ótica infantil.

As personagens são bem desenvolvidas e relevantes, principalmente durante a formação de Perry. É claro: nem todos são “boas pessoas”. Existe um grupo na prisão que Jessica Cook (mãe do menino) apelidou de Frios: eles não são confiáveis, não têm senso de humor, não conversam com os outros residentes. Resumindo: é melhor ficar longe deles. Mas a grande maioria é sensível e simpática.

Resenha: Todos de pé para Perry Cook - Leslie Connor

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Perry é uma criança bastante adulta, porém, em diversos momentos da história acaba mostrando ao leitor um lado mais frágil, principalmente quando ele está longe da mãe e se sente “um estranho no ninho”. No caso, o ninho da família VanLeer.

Eu me seco com uma toalha VanLeer, que é tão grande quanto um cobertor. Quando a enrolo na cintura, ela se arrasta no chão. Eu puxo até as axilas. O Super-Joe ia rir se me visse. Eu sempre atravesso o São Leste Superior quando estou voltando para o quarto usando uma toalha de Blue River ao redor da cintura, só que são toalhas mais finas e bem mais curtas. (P. 105)

O garoto não se sente “em casa” em momento algum quando está fora de Blue River, inclusive, percebemos isso cada vez que ele cita um item do lar temporário: nada é dele, tudo é VanLeer (trecho acima). Porém, em Blue River, o garoto afirma: meu quarto, meu relógio, minhas coisas. Triste, né?

Resenha: Todos de pé para Perry Cook - Leslie Connor

FOTO: Behance | Rafael Brum

O plot twist na história de Jessica Cook é um pouco confuso (não vou dar spoiler, mas NINGUÉM, por maior que seja o coração da pessoa, faria o que ela fez…). De qualquer forma, não tira o mérito: é um ótimo livro.

Todos de pé para Perry Cook é um livro que exalta a empatia – tão em falta nos dias de hoje. É aquela velha história: a gente NUNCA sabe a dor do outro. Com inocência e maestria, Perry Cook nos mostra a importância de buscarmos a resiliência.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora

LEIA TAMBÉM

Resenha: Todos de pé para Perry Cook - Leslie Connor Título original: All Rise for the Honorable Perry T. Cook
Autora: Leslie Connor
Editora: HarperCollins Brasil
Número de páginas: 288
Ano: 2017
Gênero: Literatura Estrangeira
Nota: 


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Melissa Marques


Resenha: Jane Eyre – Charlotte Brontë

Como eu gosto MUITO de romances ingleses (um dos meus livros favoritos é o Morro dos Ventos Uivantes), até que demorei para começar a leitura de Jane Eyre. Romances góticos vitorianos sempre me agradam e esse não poderia ficar de fora. Como já tinha assistido ao filme de 2011, demorei um tempinho para começar a leitura desse clássico de Charlotte Brontë. E como já poderia imaginar, gostei bastante! Não desbanca meu amor pelo Morro, mas ainda assim valeu cada página.

Resenha: Jane Eyre - Charlotte Brontë

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Em primeiro lugar, preciso mostrar o significado de gótico. Segundo o dicionário Priberam, essa é a definição da palavra:

gó·ti·co
(latim gothicus, -a, -um)
adjetivo
1. Relativo aos godos, povo germânico.
2. Que é relativo a ou evoca ambientes ou assuntos mórbidos, lúgubres, sombrios ou tristes (ex.: música gótica, roupas góticas).
adjetivo e substantivo masculino
3. Diz-se de ou estilo artístico que se espalhou na Europa do século XII à Renascença.
4. [Literatura] Diz-se de ou estilo literário que valoriza ambientes misteriosos ou lúgubres.
5. Período em que se desenvolveu a arte gótica.

Esse estilo literário é um dos meus prediletos e nunca vou cansar de lê-los e resenhá-los por aqui. Mas, sem mais delongas, vamos à resenha de Jane Eyre!

Senti falta de uma boa edição em português, então comprei essa edição incrível da Barnes&Noble. Ela contém três obras das irmãs Brontë: Jane Eyre, de Charlotte, O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily, e Agnes Grey (um pouco mais desconhecido), de Anne. É uma edição de luxo incrível, com folhas brilhantes e uma qualidade impecável. O único problema é manusear – já que o livro é enorme e pesado – mas nada que atrapalhe muito.

Resenha: Jane Eyre - Charlotte Brontë

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Jane Eyre conta a história de uma garota órfã que mora com uma tia distante e seus filhos. Durante a infância, Jane sofre bastante nas mãos dessa família que a “adotou” e, ainda bem cedo, é enviada para Lowood, uma escola para garotas bem rígida, comandada por um pastor. Depois de muitos anos de estudo, Jane consegue um emprego como preceptora em Thornfield Hall, uma mansão gerenciada pelo misterioso Mr. Rochester.

Depois de algum tempo, Jane se apaixona perdidamente por Rochester – quase vinte anos mais velho do que ela – mas nem imagina o segredo que ele esconde no sótão de sua casa. A partir daí, acompanhamos as provações de Jane, que passa por muitas dificuldades para finalmente encontrar a paz e a liberdade que tanto buscou durante os anos de sua juventude.

As descrições da autora mostram sua paixão pela natureza e um bucolismo bem intenso. Em praticamente cada página, Brontë nos agracia com belas descrições de uma Inglaterra gelada e um tanto solitária. Conseguimos acompanhar com Jane cada explosão de sentimentos, sua visão de uma sociedade patriarcal vitoriana e uma vontade abrasiva de ser livre, sempre acompanhadas de  descrições belíssimas da paisagem que a cerca.

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As conversas de Jane com Mr. Rochester também são de tirar o fôlego, mostrando um controle e firmeza da autora em demonstrar suas ideias libertárias. Charlotte Brontë foi considerada uma das primeiras autoras feministas a tentar quebrar com os padrões de sua época, por volta de 1850. Pela primeira vez conferimos um romance do ponto de vista de uma mulher, mostrando que as mulheres também têm fortes sentimentos, vontades e sofrimentos reais, principalmente com a “prisão” do casamento e dos bons costumes a que são forçadas desde pequenas.

Existe uma personagem do livro que traduz bem isso (não vou contar para não tirar a graça), mas essa mulher “selvagem” é praticamente a personificação das vontades e sonhos de Jane. E essa vontade de ser livre, de se ver longe das amarras da sociedade, aparece em diversos trechos, inclusive quando ela afirma que “nenhuma gaiola a deixará presa“.

Jane Eyre é um romance de formação – começamos com Jane bem criança e acompanhamos sua trajetória até a vida adulta. A primeira e a segunda parte do livro são instigantes e não dá vontade de parar; porém, na parte final do livro, a narrativa fica mais lenta e as novas personagens que aparecem são um pouco cansativas. Bem no finalzinho conseguimos finalmente respirar com alívio: Jane passa por tantos perrengues que dá até nervoso, mas ela finalmente alcança o que tanto desejou.

Resenha: Jane Eyre - Charlotte Brontë

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Outro aspecto forte aqui é a religiosidade. Jane tem uma moral formada pela escola de Lowood e, durante toda sua vida, acredita nos ensinamentos bíblicos e demonstra uma forte fé em Deus. Muitas de suas escolhas são influenciadas por sua religião, como acreditar que os pecados da carne devem ser evitados ou quando acredita que todas suas vontades e desejos são regidos pelo Senhor. Durante todo o livro acompanhamos os pensamentos de Jane e a religião exerce uma grande influência em sua vida terrena – e também na sua consciência.

Jane Eyre é um livro intenso, poético e gentil, além de tratar de temas importantes para sua época. Charlotte Brontë abriu portas para muitas escritoras; suas ideias e convicções de liberdade feminina e igualdade de direitos revolucionaram a literatura.

Não é um livro fácil de digerir – você com certeza vai ficar relendo passagens ou pensando na história por um bom tempo. Os personagens masculinos são soturnos, patriarcais e – pela perspectiva de quem leu esse romance em pleno 2017 – quase incompreensíveis. A forma com que a autora trata os relacionamentos afetivos é totalmente diferente daquilo que estamos acostumados. Em vários momentos eu achava inacreditável as atitudes de Jane e de Mr. Rochester, de certa forma até revoltante. Mas, como sempre, é preciso levar em consideração o contexto da obra.

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Resenha: Jane Eyre - Charlotte Brontë

 

Título original: Jane Eyre
Autor: Charlotte Brontë
Editora: Martin Claret
Número de páginas: 780
Ano: 2014
Gênero: Literatura Estrangeira/Romance
Nota: 


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Escrito por:

Isabela Zamboni


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