Resenha: Eles Eram Muitos Cavalos – Luiz Ruffato

Conheci Eles Eram Muitos Cavalos, do autor Luiz Ruffato, durante uma aula de Literatura Brasileira Contemporânea. Depois que ganhei o livro de amigo secreto, comecei a ler e me apaixonei pela escrita do autor!

O livro é uma coletânea de microcontos que retrata a história de várias pessoas vivendo na cidade de São Paulo. Desde a alta burguesia até moradores de rua, acompanhamos a trajetória de indivíduos que tentam se encontrar no caos da metrópole.

Resenha: Eles Eram Muitos Cavalos - Luiz Ruffato

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

A escrita do autor é sensacional e não dá vontade de parar. As histórias são emocionantes e a narrativa muito diferenciada; alguns contos são apenas conversas telefônicas e, em uma das histórias, acompanhamos o ponto de vista de um cachorro de rua!

Contei mais um pouco lá no canal do Resenhas, então, se quiser conferir a resenha completa, é só assistir ao vídeo:

Clique abaixo para adquirir a obra:

Resenha: Eles Eram Muitos Cavalos - Luiz Ruffato

Título original: Eles Eram Muitos Cavalos
Autor: Luiz Ruffato
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 136
Ano: 2013
Gênero: Literatura Nacional/Contos
Nota:EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: Dias Perfeitos – Raphael Montes

Sempre tive vontade de ler Dias Perfeitos, do autor brasileiro Raphael Montes. Já vi críticas positivas em vários blogs e canais, além de ler uma matéria com o autor no G1 e ficar impressionada em como ele é jovem e tão renomado como escritor de romance policial. Me surpreendi bastante, porque comecei o livro e não conseguia mais parar. É viciante, ousado e o tipo de história que eu gosto bastante de me envolver.

Resenha: Dias Perfeitos - Raphael Montes

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Como eu sou bem ruim para fazer sinopses, coloco aqui um trechinho do resumo retirado do Skoob:

Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez.

Para comprar o livro, é só acessar o link abaixo:

Esse é o tipo de livro que quando você começa, não quer mais parar. Eu li em praticamente três dias! O narrador é o próprio Téo, um psicopata confuso e assustador, que cria uma obsessão por Clarice que arrepia até a alma. Ele sente uma atração fortíssima pela garota, uma jovem estudante carioca de História da Arte e totalmente mente aberta: ela se opõe aos pais opressores e de classe média alta; gosta de festas, beber e fumar; sente atração por homens e mulheres; é popular, com muitos amigos; feminista e totalmente contra as regras conservadoras da sociedade. Enquanto Téo é misógino (acha que lugar de mulher é arrumando a casa e obedecendo às suas ordens) e obsessivo, levando Clarice ao extremo com atitudes ciumentas, possessivas, abusivas e, claro, violentas.

Durante a leitura, eu só sentia desespero, de tantos absurdos que Téo faz com Clarice. Ela tenta sempre se desvencilhar, enganá-lo, mas dificilmente consegue. Ao decorrer da história, só vemos uma Clarice destruída e um homem horroroso que consegue enganar TODOS ao seu redor com suas mentiras.

Raphael Montes faz várias citações de outros autores e artistas brasileiros, o que achei bem interessante. Inclusive, um dos presentes de Téo para Clarice é um livro de contos da Clarice Lispector. Quem também marca presença na narrativa é Caetano Veloso, que conta um pedacinho da história com sua música. Gostei também da ambientação da narrativa: o autor mostra um Rio de Janeiro real, sem aqueles clichês novelescos.

Resenha: Dias Perfeitos - Raphael Montes

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O livro é muito bom, a narração é fluida, os personagens bem construídos, mas encontrei alguns problemas. Certas situações são um pouco clichês (não quero citar para dar spoiler, mas em alguns momentos eu pensava ‘jura?‘) e o final não traz uma boa catarse, pelo contrário, é frustrante. Não sei qual foi a intenção do autor aqui, mas achei a “solução” para o final um pouco preguiçosa. Sem contar que a investigação policial, de fato, é quase nula.

Eu diria que Dias Perfeitos não é tanto um romance policial, mas uma história sobre loucura e paixão intensa, além de abusos psicológicos e violentos, contados pelo ponto de vista de um psicopata inteligente e vaidoso. Vale muito a pena, principalmente para valorizar um autor brasileiro que, diga-se de passagem, é um prodígio. Ele escreveu esse livro com VINTE E TRÊS ANOS – e já foi reconhecido por autores internacionais.

Se você procura uma leitura intensa e rápida, Dias Perfeitos é uma boa alternativa 😉

Resenha: Dias Perfeitos - Raphael MontesTítulo original: Dias Perfeitos
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 280
Ano: 2014
Gênero: Suspense/Policial/Nacional
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: Na Natureza Selvagem – Jon Krakauer

Resenha: Na Natureza Selvagem - Jon Krakauer

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Já resenhei esse livro na rua para tantas pessoas que me sinto sendo repetitiva ao falar dele aqui no blog. Mas Na Natureza Selvagem é assim: gera interesse em todo mundo. Pouco importa se você concorda ou não com a visão de mundo de Chris McCandless. Uma coisa é certa: você, provavelmente, vai querer saber mais e mais sobre ele.

Meu primeiro contato com a história de Chris foi através do filme Na Natureza Selvagem. Sei que a ideia não é falar sobre filmes por aqui, mas vale um parêntese: assistam hoje mesmo! Que filme sensível e emocionante! Aquela história ficou na minha mente por dias e, aquelas 2h30 de filme não foram suficientes para mim.

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Fui atrás e descobri que o famoso jornalista Jon Krakauer (Autor do sucesso No Ar Rarefeito) havia escrito uma biografia póstuma sobre McCandless. Demorei um tempo até começar a ler Na Natureza Selvagem e, acreditem, foi bastante penoso.

Como herança do jornalismo, o texto de Jon mostra diversas “facetas” dos fatos, entrevista fontes, descreve minuciosamente as paisagens. E isso torna o livro extremamente rico em detalhes, apesar das poucas páginas. Inclusive, o autor arrisca em abordar questões intrínsecas à Chris McCandless que possam tê-lo levado a se aventurar na natureza selvagem.

O importante é que, apesar do clichê, ele precisou estar perdido para se encontrar. Em uma das passagens do livro, o autor explica o pano de fundo da famosa frase “Felicidade só é real quando compartilhada” (p. 197).

Resenha: Na Natureza Selvagem - Jon Krakauer

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Durante o período de afastamento social, Chris McCandless tornou-se Alexander Supertramp, “senhor de seu próprio destino” (p.34), e deixou anotações – como um diário – esparsas nos livros que levou consigo para a viagem.

O autor, Jon Krakauer, é alpinista e carrega um grande bagagem sobre escaladas e aventuras, por isso, muitas vezes, acaba envolvido demais com a história e apela para o lado emocional. Em certo momento do livro, ele acaba citando algumas de suas histórias e de outros nômades que, por algum motivo, acabaram se embrenhando pela mata. Porém, é nesse ponto que Na Natureza Selvagem torna-se lento.

Para a produção de Na Natureza Selvagem, Jon praticamente refaz o caminho do garoto e, inclusive, entrevista pessoas que tiveram contato com McCandless. É aflitivo ler sobre as dificuldades que Cris passou, os erros que cometeu, o julgamento dos nativos, os problemas familiares… E tudo isso é exposto de forma bem clara na narrativa. Um livro reportagem bem completo, aliás.

COMPLEMENTO

 – A soundtrack do filme foi produzida inteiramente por Eddie Vedder (Pearl Jam):

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Resenha: Na Natureza Selvagem - Jon Krakauer

Título original: Into the Wild
Autor: John Krakauer
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 213
Ano: 1998
Gênero: Biografia
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Melissa Marques


Resenha: Capitu vem para o jantar – Denise Godinho

Resenha: Capitu vem para o jantar - Denise Godinho

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Já pensou em um projeto que una literatura e gastronomia? Esta é a ideia de Capitu vem para o jantar, que surgiu do blog homônimo, atualizado pela jornalista Denise Godinho. Segundo ela: “Decidi aprender a cozinhar e, para a empreitada ser mais interessante, vou fazer as receitas que estão escondidas dentro dos livros“.

O conceito que o livro me passou foi o de uma obra culinária, mas com uma pegada mais “popular”. As páginas são diferenciadas – mais grossas, assim como os famosos livros de receitas – e o projeto gráfico é bem elaborado: bastante jovial, alegre e colorido.

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Um ponto que deixou a desejar foi o de que muitas das receitas presentes no livro não tiveram fotos produzidas para ele. Acabaram utilizando fotos do acervo da autora que, provavelmente, vieram do blog e do Instagram (algumas contém até os famosos filtros da rede social).

Acredito que uma obra tão legal merecia um preparo melhor da apresentação dos pratos, afinal, um livro culinário é para “comer com os olhos“, não é mesmo?

Resenha: Capitu vem para o jantar - Denise Godinho

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Além disso, as receitas vêm depois do texto, o que causou um certo estranhamento. Geralmente, temos o título da receita, a foto e as informações da receita (ingredientes, preparo etc), né? Mas em  Capitu vem para o jantar a ordem acabou um pouco diferente.

As receitas são bem diversificadas: entradas, pratos principais, drinks e bebidas, e claro: sobremesas! Achei o livro completo nesse quesito.

Outro ponto a favor da obra foi a pesquisa feita por Denise para contar sobre a história dos pratos, dos ingredientes, e dos hábitos culinários dos autores de cada livro citado na obra. Sem dúvidas, essas informações deixaram Capitu vem para o jantar mais redondinho.

Resenha: Capitu vem para o jantar - Denise Godinho

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Minhas receitas preferidas foram o Bolinho de Limão (O Grande Gatsby), o Sanduíche de Queijo Suíço e Leite Maltado (O Apanhador no Campo de Centeio) e o Frango Assado (Drácula). E as suas? Me conta nos comentários!

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Resenha: Capitu vem para o jantar - Denise GodinhoTítulo original: Capitu vem para o jantar
Autora: Denise Godinho
Editora: Verus Editora
Número de páginas:
Ano: 2016
Gênero: Culinária
Nota: EstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vaziaestrela vazia


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Melissa Marques


Resenha: Dois Irmãos – Milton Hatoum

Sempre ouvi falar muito bem de Dois Irmãos, do escritor brasileiro Milton Hatoum. Já tinha lido resenhas na internet, uma professora minha da Pós já havia mencionado o livro (assim como toda a história de Hatoum) e sabia que deveria ser uma obra indispensável. E não deu outra: a partir do momento que comecei a leitura, não queria mais largar. O estilo envolvente do autor nos faz viajar pela história de uma família cheia de conflitos e dissabores. Cada personagem é importantíssimo para a trama e é construído com cautela.

Resenha: Dois Irmãos - Milton Hatoum

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Acompanhamos a história de dois gêmeos, Yaqub e Omar, que desde crianças não se bicam. Eles são de origem libanesa e vivem em Manaus com a mãe Zana, o pai Halim, a irmã Rânia e a empregada Domingas. A trama de Dois Irmãos é intensa, mostrando com detalhes situações complexas dessa família, desde momentos de paz e tranquilidade até as piores situações. A escolha do narrador é bem interessante, já que só descobrimos quem ele é no meio da história. Não vou contar para não estragar, mas a partir do ponto de vista desse narrador, descobrimos detalhes e características únicas desses personagens que tentam sobreviver no caos da cidade.

A narrativa de Hatoum é envolvente, descrevendo cada aspecto, nome de rua e detalhe de Manaus, além da cultura local, desde o linguajar até a culinária. O autor escreve com propriedade, revelando minúcias de uma cidade em desenvolvimento e que, entre o período da segunda Guerra até o Golpe de 64, tenta se manter com seus comerciantes locais, pescadores, turistas e outros trabalhadores. Juro que durante a leitura eu só pensava em como queria conhecer Manaus e como a cultura brasileira é rica e diversa.

Porém, ao mesmo tempo em que encontrei descrições incríveis (do jeito que mais gosto: sem excessos), a construção psicológica das personagens é fenomenal. A estrutura da narrativa também é interessante, já que o autor cita um acontecimento importante, mas faz um certo suspense e distrai o leitor, que demora algumas páginas até conseguir respostas. E quando encontramos algumas delas, é sempre um baque emocional.

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A rivalidade entre os gêmeos é o ponto alto da trama. Omar e Yaqub são muito diferentes, com personalidades opostas, e a criação dos pais interfere muito na trajetória de ambos. Em alguns momentos, eu queria jogar o livro longe e dar um MURRO na cara do Omar. O “Caçula”, como é chamado pelo narrador – pois nasceu logo após Yaqub – é insuportável: mimado, irresponsável, agressivo e ingrato. Já Yaqub mostra traços de um homem traumatizado, deslocado do mundo, sisudo e com uma raiva profunda do irmão, que fez algo terrível com ele na infância. Sentimos essa angústia dos gêmeos em querer mostrar para a mãe (que é exageradamente protetora e possessiva) que eles podem seguir seus caminhos.

O pai, Halim, é um homem cansado, que sempre deixa claro que nunca quis ter filhos, mas sua paixão intensa por Zana, sua esposa, o levou para este caminho. Já a irmã Rânia é uma mulher forte e sensual, que optou por nunca manter um relacionamento sério, rejeitando todo e qualquer pretendente. O sonho de Rânia era encontrar um homem como seus irmãos, por quem nutria um apreço muito forte (e até exagerado, já cheguei a achar que podia ser incestuoso).

Resenha: Dois Irmãos - Milton Hatoum

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Domingas era a empregada fiel, uma moça órfã que foi “vendida” para a família depois de viver um tempo no internato de freiras. Seus sonhos e lembranças desmoronaram após viver uma vida cansativa e de tensão constante dentro dessa casa. A história de Domingas é triste e melancólica, mas ela é de longe uma das melhores personagens do livro.

O restante é um mais desprezível que o outro. O engraçado é que, geralmente, quando só tem personagem horroroso em algum livro, eu não tenho nem vontade de continuar. Mas em Dois Irmãos, mesmo com tanta gente fazendo coisas tenebrosas e agindo de forma tão animalesca, você sente uma certa empatia por todos.

Cada um é daquele jeito graças à construção de suas vidas, seus encontros e desencontros, seus traumas, medos e angústias. São pessoas tentando sobreviver e fazendo o melhor de si para manter uma vida aceitável, contudo, com seus próprios defeitos interferindo em seus caminhos.

A obra de Hatoum é recomendadíssima, um dos melhores livros que já li até hoje (assim como Enclausurado, do Ian McEwan) e merece total atenção. Se você terminar a leitura e não ficar nem um pouco balançado(a), é porque…. Não sei. Com certeza você vai adorar Dois Irmãos!

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Resenha: Dois Irmãos - Milton HatoumTítulo original: Dois Irmãos
Autor: Milton Hatoum
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 200
Ano: 2006
Gênero: Literatura Brasileira
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Escrito por:

Isabela Zamboni


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