Três poemas de Carlos Drummond de Andrade foram descobertos em 2015!

Quantos tesouros não habitam uma biblioteca, não é mesmo?

Essa frase nunca fez tanto sentido quanto agora: através de uma pesquisa acadêmica, a estudante Mayra Fontebasso – que cursa o último ano de Letras na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) – acabou descobrindo três poemas de Carlos Drummond de Andrade esquecidos pelo tempo.

Segundo o jornal O Globo, Mayra “encontrou os trabalhos quando fazia sua pesquisa de iniciação científica sobre textos literários publicados na revista “Raça”, editada em São Carlos entre 1927 e 1934, sob orientação do professor Wilton José Marques“.

Para entender melhor a origem dos poemas, estudante e orientador consultaram a Bibliografia Comentada de Carlos Drummond de Andrade (1918-1934), de Fernando Py, o Inventário Dummoniano, da Fundação Casa de Rui Barbosa e o crítico, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e especialista da obra de Drummond, Antônio Carlos Secchin.

Ao final, constataram que eram textos inéditos. Um deles, “O poema das mãos soluçantes, que se erguem num desejo e numa súplica”, você pode conferir na íntegra, abaixo:

O poema das mãos soluçantes, que se erguem num desejo e numa súplica

Como são belas as tuas mãos, como são belas as tuas mãos pálidas como uma canção em surdina…

As tuas mãos dançam a dança incerta do desejo, e afagam, e beijam e apertam…

As tuas mãos procuram no alto a lâmpada invisível, a lâmpada que nunca será tocada…

As tuas mãos procuram no alto a flor silenciosa, a flor que nunca será colhida…

Como é bela a volúpia inútil de teus dedos…

O poema das mãos que não terão outras mãos numa tarde fria de Junho

Pobres das mãos viúvas, mãos compridas e desoladas, que procuram em vão, desejam em vão…

Há em torno a elas a tristeza infinita de qualquer coisa que se perdeu para sempre…

E as mãos viúvas se encarquilham, trêmulas, cheias de rugas, vazias de outras mãos…

E as mãos viúvas tateiam, insones, − as friorentas mãos viúvas…

O poema dos olhos que adormeceram vendo a beleza da terra

Tudo eles viram, viram as águas quietas e suaves, as águas inquietas e sombrias…

E viram a alma das paisagens sob o outono, o voo dos pássaros vadios, e os crepúsculos sanguejantes…

E viram toda a beleza da terra, esparsa nas flores e nas nuvens, nos recantos de sombra e no dorso voluptuoso das colinas…

E a beleza da terra se fechou sobre eles e adormeceram vendo a beleza da terra…

FONTE: O Globo


Escrito por:

Melissa Marques



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2 Comentários

  • info@flavioveloso.com'
    Flavio Veloso 25 / 02 / 2016

    Por favor, altere os créditos da imagem do amanhecer em copacabana para um link ativo para o endereço http://www.flavioveloso.com

    Obrigado

    Responder

    • Melissa Marques 26 / 02 / 2016

      Feito, Flávio!
      Obrigada e parabéns pela bela foto!
      Bjs

      Responder


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