Os últimos versos escritos por Emily Brontë

A morte é um tema recorrente na literatura. E ela é abordada de diversas formas, por inúmeros autores. Emily Brontë – mundialmente famosa pelo romance O Morro dos Ventos Uivantes – escreveu sobre essa temática em seus últimos versos em vida.

Emily Brontë

FOTO: Reprodução

“Minha alma não teme coisa alguma”, é o nome do poema de Brontë, que será lançado em agosto pela editora Civilização Brasileira (selo da Record). Ele faz parte da coletânea “O vento da noite“.

Confira as palavras da autora:

MINHA ALMA NÃO TEME COISA ALGUMA

Minha alma já não teme coisa alguma,

E a escura tempestade em que sem descanso o mundo

Gira,

Não mais a abalará:

Já vejo a glória dos Céus extasiantes,

E a fé que resplandece no fogo de sua armadura

Aniquila o medo no meu ser.

Ó Deus que eu trago dentro em mim,

Deus todo-poderoso, Presença universal!

És a Vida – em meu seio Tu repousas,

E minha eternidade encontra em Ti o seu poder!

Vejo a vaidade nas suas múltiplas nuances,

Onde o homem alimenta a força do seu coração:

E vejo esta vaidade e a sua impotência

Fanadas e mortas como a erva dos campos,

Como a espuma louca das vagas no oceano,

Tentando inutilmente reanimar a dúvida,

Quando a alma já está sã e salva,

Aprisionada para sempre a Teu Ser infinito,

Através de uma certeira âncora

Lançada ao rochedo imutável da vida eterna!

Teu sopro, com amor, abraça os espaços

E penetra com sua vida os séculos eternos,

Espalha-se como um rio e cobre o nosso mundo,

Mudando ou preservando as coisas,

Dispersando-as, criando-as, trazendo-as à vida.

E se viesse o fim deste mundo e o fim dos homens,

O fim dos universos, a ruína dos sóis,

Se apenas Tu ficasses,

Serias ao mesmo tempo todas as existências.

A Morte se esforça em vão para achar um espaço,

Mas seu poder não pode aniquilar um átomo sequer.

Tu és o Ser e o Sopro,

Nada poderia abolir as Tuas formas.

Segundo o blog da Editora Record, “Emily Brontë publicou poucos poemas em seus 30 anos de vida. Sua obra poética completa veio a público somente em 1941, com a colaboração da irmã, Charlotte, e de dois pesquisadores, que tiveram acesso aos cadernos da inglesa“.

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A tradução dos poemas é de Lúcio Cardoso.


Escrito por:

Melissa Marques



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