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Resenha: Onde Vivem os Monstros – Maurice Sendak

Resenha: Onde Vivem os Monstros - Maurice Sendak

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Onde Vivem os Monstros é um daqueles livros disfarçados de “infantil”, mas que tem a leitura indispensável para pessoas de todas as idades. Se você ainda não conhece a história de Max e seus monstros, vale muito a pena dedicar alguns minutos para a leitura dessa obra incrível escrita e ilustrada por Maurice Sendak.

Max é um garoto como muitas crianças que conhecemos: rebelde, birrento e respondão. Certo dia, a mãe pede para que ele pare de brincar com sua fantasia de lobo e vá jantar. Ele brada e acaba ficando sem jantar e de castigo. Tudo muda quando o quarto de Max começa a se transformar em floresta, e até um barquinho surge para levá-lo para Onde Vivem os Monstros.

Resenha: Onde Vivem os Monstros - Maurice Sendak

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

No lugar recém descoberto, Max encontra criaturas fantásticas – e monstruosas! Que, de certa maneira, tem diversas características parecidas com as suas próprias. E, com um rugido, ele é declarado Rei dos Monstros.

Lá, apesar de toda a bagunça e diversão sem limites, Max é obrigado a confrontar seus medos e inseguranças. O garoto passa a questionar os monstros e a si mesmo. E é assim que acaba percebendo que sente saudade de casa.

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A história é leve, mas cheia de detalhes que podem ser explorados. É um livro com foco em crianças bem pequenas, com frases curtas e ilustrações que chamam a atenção. Tudo muito encantador <3

Resenha: Onde Vivem os Monstros - Maurice Sendak

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

A obra já foi citada por escritores e outros artistas como fonte de inspiração. Até mesmo Barack Obama assumiu ser um dos adoradores da escrita e das belas ilustrações de Maurice Sendak.

A edição da falecida Cosac Naify é excelente: capa dura, folhas mais grossas e impressão primorosa. Portanto, se você quer garantir essa obra de arte na sua estante, é melhor correr pra Amazon e adquirir a sua (já que eles não imprimem mais, né).

Confira o trailer legendado de Onde Vivem os Monstros:

LEIA TAMBÉM

Resenha: Onde Vivem os Monstros - Maurice SendakTítulo original: Where the Wild Things Are
Autor: Maurice Sendak
Editora: Cosac Naify
Número de páginas: 46
Ano: 2009
Gênero: Infantil
Nota: 


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Escrito por:

Melissa Marques


14 livros para dar de presente no Dia dos Namorados

Está em dúvida no que comprar de presente para o Dia dos Namorados? Que tal presentear o namorado(a) com livros incríveis? Trouxemos sugestões para todos os gostos! Dá só uma olhada:

1 – O Amor nos Tempos do Cólera – Gabriel García Márquez

14 livros para dar de presente no Dia dos Namorados

Ainda muito jovem, o telegrafista, violinista e poeta Gabriel Elígio Garciá se apaixonou por Luiza Márquez, mas o romance enfrentou a oposição do pai da moça, coronel Nicolas, que tentou impedir o casamento enviando a filha ao interior numa viagem de um ano. Para manter seu amor, Gabriel montou, com a ajuda de amigos telegrafistas, uma rede de comunicação que alcançava Luiza onde ela estivesse. Essa é a história real dos pais de Gabriel García Márquez e foi ponto de partida de ‘O amor nos tempos do cólera’, que acompanha a paixão do telegrafista, violinista e poeta Florentino Ariza por Fermina Daza. Nesta fábula de realismo-fantástico, Gabriel García Márquez mostra que a paixão não tem idade.

Gabriel García Márquez é opção certeira para quem ama livros, principalmente no Dia dos Namorados! ❤

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2 – O Iluminado – Stephen King

14 livros para dar de presente no Dia dos Namorados

Danny Torrance não é um menino comum. É capaz de ouvir pensamentos e transportar-se no tempo. Danny é iluminado. Será uma maldição ou uma bênção? A resposta pode estar guardada na imponência assustadora do hotel Overlook. Em O iluminado, quando Jack Torrance consegue o emprego de zelador no velho hotel, todos os problemas da família parecem estar solucionados. Não mais o desemprego e as noites de bebedeiras. Não mais o sofrimento da esposa, Wendy. Tranquilidade e ar puro para o pequeno Danny livrar-se das convulsões que assustam a família. Só que o Overlook não é um hotel comum. O tempo esqueceu-se de enterrar velhos ódios e de cicatrizar antigas feridas, e espíritos malignos ainda residem nos corredores. O hotel é uma chaga aberta de ressentimento e desejo de vingança. É uma sentença de morte. E somente os poderes de Danny podem fazer frente à disseminação do mal.

E quem disse que terror não pode? O livro que inspirou o famoso filme de Stanley Kubrick é a opção ideal para os amantes do horror! Confira a resenha de O Iluminado aqui.

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3 – O Oceano no Fim do Caminho – Neil Gaiman

14 livros para dar de presente no Dia dos Namorados

Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino. Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.

Não tenho palavras para descrever como esse livro é incrível! Uma boa opção de presente não somente para o Dia dos Namorados, mas para qualquer data especial.

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4 – Hyperbole and a Half – Allie Brosh

Resenha: Hyperbole and a Half - Allie Brosh

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Em Hyperbole and a Half situações lamentáveis, caos e outras coisas que me aconteceram, a autora apresenta alguns dos textos mais lidos e comentados em seu blog e também muito material novo, inclusive histórias sobre seus cachorros, um deles aparentemente com leves problemas mentais, sua luta para lidar com a depressão e ansiedade que insistem em dominá-la, além de anedotas hilárias sobre sua tumultuada infância. Sim, Allie foi uma criança difícil, Talvez a mais difícil de todas. Por exemplo, uma vez ela comeu um bolo inteiro só de burra porque sua mãe a proibira. E ela também atazanou a vida da família quando ganhou um papagaio de brinquedo que repetia tudo – tudo – que ela queria. Inteligente, irônico e absurdamente engraçada o livro traz o estio inimitável de Allie nos textos e nas ilustrações, além de alguns de suas típicas reflexões que conquistaram o coração de inúmeros leitores.

Um livro engraçado, divertido e perfeito para presentear. Confira aqui no blog a resenha de Hyperbole and a Half.

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5 – Um Dia – David Nicholls

14 livros para dar de presente no Dia dos Namorados

Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro. Os anos se passam e Dexter e Emma levam vidas isoladas — vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois. Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.

Um livro apaixonante: dois amigos que passam por muitas adversidades até finalmente perceberem como o amor sempre esteve ali ao lado. Pode preparar os lencinhos para chorar muito!  

6 – Eleanor & Park – Rainbow Rowell

14 livros para dar de presente no Dia dos Namorados

Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

Seu namorado(a) gosta de romance com uma pitada geek? Esse romance vai conquistá-lo(a) ainda mais!

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7 – O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë

14 livros para dar de presente no Dia dos Namorados

Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. “Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff”, diz a apaixonada Cathy. O único romance escrito por Emily Brontë e uma das histórias de amor mais surpreendentes de todos os tempos, O Morro dos Ventos Uivantes é um clássico da literatura inglesa.

Para quem ama clássicos e uma história de amor bem escrita, essa opção é certeira. Porém, se você procura finais felizes, melhor fugir desse livro!

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8 – Trilogia Senhor dos Anéis – J.R.R. Tolkien

14 livros para dar de presente no Dia dos Namorados

Pode-se dizer que é impossível transmitir ao novo leitor todas as qualidades e o alcance deste livro. Alternadamente cômica, singela, épica, monstruosa e diabólica, a narrativa desenvolve-se em meio a inúmeras mudanças de cenário e de personagens, num mundo imaginário absolutamente convincente em seus detalhes. Nas palavras do romancista Richard Hughes , quando à amplitude imaginativa, a obra praticamente não tem paralelos, e é quase igualmente notável na sua vividez e na habilidade narrativa, que mantêm o leitor preso página após página. J.R.R Tolkien criou em O Senhor dos Anéis uma nova mitologia, num mundo inventado, que demonstrou possuir um poder de atração atemporal.

Mozão é nerd? Adora os filmes do Senhor dos Anéis mas nunca leu os livros? É hora de presentear, agora!

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9 – Assassinato no Expresso do Oriente – Agatha Christie

Resenha: Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Pouco depois da meia-noite, uma tempestade de neve pára o Expresso do Oriente nos trilhos. O luxuoso trem está surpreendentemente cheio para essa época do ano. Mas, na manhã seguinte, há um passageiro a menos. Uma americano é encontrado morto em sua cabina, com doze facadas, e a porta estava trancada por dentro. Pistas falsas são colocadas no caminho de Hercule Poirot para tentar mantê-lo fora de cena, mas, num dramático desenlace, ele apresenta não uma, mas duas soluções para o crime.

Agatha Christie é a rainha do crime, né mores? E se o namorado(a) adora suspense e mistério, esse livro é um prato cheio! Tem a resenha do Assassinato no Expresso do Oriente aqui no blog e também as fotos divulgadas do filme que será lançado em breve!

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10 – O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald

grande gatsby livro capa

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Obra-prima de Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby é o romance americano definitivo sobre os anos prósperos e loucos que sucederam a Primeira Guerra Mundial. O texto de Fitzgerald é original e grandioso ao narrar a história de amor de Jay Gatsby e Daisy. Ela, uma bela jovem de Lousville e ele, um oficial da marinha no início de carreira. Apesar da grande paixão, Daisy se casa com o insensível, mas extremamente rico, Tom Buchanan. Com o fim da guerra, Gatsby se dedica cegamente a enriquecer para reconquistar Daisy. Já milionário, ele compra uma mansão vizinha à de sua amada em Long Island, promove grandes festas e aguarda, certo de que ela vai aparecer. A história é contada por um espectador que não participa propriamente do que acontece – Nick Carraway. Nick aluga uma casinha modesta ao lado da mansão do Gatsby, observa e expõe os fatos sem compreender bem aquele mundo de extravagância, riqueza e tragédia iminente.

Um livro de primeira! A escrita de Fitzgerald é inebriante e a riqueza dessa trama envolvente conquista quem o lê. Quer deixar a namorada ou namorado mais apaixonado(a) ainda? Então escolha esse clássico para presentear! Tem resenha de O Grande Gatsby aqui no blog também, caso você tenha interesse em saber mais sobre a história.

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11 – Enclausurado – Ian McEwan

Resenha: Enclausurado - Ian McEwan

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O narrador deste livro é nada menos do que um feto. Enclausurado na barriga da mãe, ele escuta os planos da progenitora para, em conluio com seu amante — que é também tio do bebê —, assassinar o marido. Apesar do eco evidente nas tragédias de Shakespeare, este livro de McEwan é uma joia do humor e da narrativa fantástica. Em sua aparente simplicidade, Enclausurado é uma amostra sintética e divertida do impressionante domínio narrativo de McEwan, um dos maiores escritores da atualidade.

Uma narrativa intensa, impactante e um suspense espetacular: o livro de Ian McEwan é uma ótima opção de presente para o Dia dos Namorados! Confira aqui a resenha de Enclausurado.

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12 – Na Natureza Selvagem – Jon Krakauer

Resenha: Na Natureza Selvagem - Jon Krakauer

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O corpo em decomposição de um jovem é encontrado no Alasca. A polícia descobre que se trata de um rapaz de família rica do Leste americano que largou tudo, se internou sozinho na aridez gelada e morreu de inanição. Quem era o garoto? Por que foi para o Alasca? Por que morreu? Para responder a essas e outras perguntas, Jon Krakauer refaz a trajetória de Chris McCandless, revelando a América dos que vivem à margem, pegando carona ou circulando em carros velhos, vivendo em acampamentos e cidades-fantasmas. Mergulha no mundo da cidadezinha rural, onde homens rudes bebem e conversam sobre o tempo e a colheita. Compara a história do jovem com a de outros aventureiros solitários que tiveram fim trágico. O resultado é uma narrativa envolvente, por vezes amarga, em que os sonhos da juventude se transformam em pesadelo.

Se o seu namorado(a) não se importa em ganhar um livro com uma narrativa mais “pesada”, pode ter certeza que esse livro é uma boa escolha. Um livro-reportagem de alta qualidade que com certeza vale a leitura. Confira mais detalhes sobre Na Natureza Selvagem com a resenha que fizemos aqui no blog.

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13 – Para Sempre – Kim e Krickitt Carpenter

Resenha: Para Sempre - Kim e Krickitt Carpenter

A vida que Kim e Krickitt Carpenter conheciam mudou completamente no dia 24 de novembro de 1993, dois meses após o seu casamento, quando a traseira do seu carro foi atingida por uma caminhonete que transitava em alta velocidade. Um ferimento sério na cabeça deixou Krickitt em coma por várias semanas. Quando finalmente despertou, parte da sua memória estava comprometida e ela não conseguia se lembrar de seu marido. Ela não fazia a menor ideia de quem ele era. Essencialmente, a “Krickitt” com quem Kim havia se casado morreu no acidente, e naquele momento ele precisava reconquistar a mulher que amava.

Um livro emocionante, romântico e inspirador para qualquer casal apaixonado. Também tem resenha de Para Sempre aqui no blog.

14 – O Sol é Para Todos – Harper Lee

Resenha: O Sol É Para Todos - Harper Lee

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça. O sol é para todos, com seu texto “forte, melodramático, sutil, cômico” (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações.

O Sol é Para Todos é leitura obrigatória para quem ama literatura! Que tal presentear seu amor com essa obra incrível? Veja a resenha de O Sol é Para Todos aqui no blog.

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Fonte das sinopses: Skoob

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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: Otelo – William Shakespeare

Quando li Macbeth, fiquei bastante assustada com Shakespeare e não achei que fosse ler outra obra do dramaturgo tão cedo. Porém, quando recebi Otelo (lançamento da Penguin Companhia), me desafiei novamente na leitura de mais um clássico e deu muito certo! Percebi que a tradução faz TODA a diferença, assim como o auxílio das notas de rodapé e dos textos de apoio. Essa edição foi uma luz, pois além de apresentar uma tradução relativamente simples de entender, também traz textos para explicar com detalhes essa grande obra da literatura universal.

Resenha: Otelo - William Shakespeare

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Para comprar essa edição, é só clicar no link abaixo:

A história gira em torno de quatro personagens: Otelo (um general mouro que serve o reino de Veneza), sua bela esposa Desdêmona, seu tenente e grande amigo Cássio, e seu sub-oficial Iago. Iago não aceita que Otelo nomeou Cássio como tenente e tenta, de todas as formas possíveis, destruir a vida de todos, plantando a “sementinha do ciúme” na mente do general para que ele desconfie de uma relação amorosa entre Desdêmona e Cássio.

A tragédia de Shakespeare trata de temas variados que são discutidos até hoje, como racismo, amor, ciúme, traição e até xenofobia. Quando você começa a ler esse tipo de clássico, é inevitável enxergar as referências em boa parte das séries e filmes atuais. Iago é aquele vilão persuasivo e inteligente que engana a todos ao se passar por um homem íntegro, obediente e conselheiro. Desdêmona é a esposa fiel, casta e passiva que “abandona” seu pai Brabâncio para casar com Otelo, o mouro de Veneza. Ela precisa lidar com ofensas e críticas de todos os lados por ter se casado com um estrangeiro, que ainda por cima é negro e com “traços animalescos”.

Otelo é venerado como general, mas ainda sofre com o julgamento que recebe de todos ao seu redor. Cássio é um escudeiro fiel, porém de cabeça fraca: trata Desdêmona com educação e cavalheirismo, mas quando se trata de outras mulheres, é grosseiro e rude, como quase todos os homens da época. Ele cai direitinho nas mentiras de Iago e seu desfecho não é dos melhores.

A tradução de Lawrence Flores Pereira ajuda a recriar a linguagem grandiosa de Otelo e a prosa nefasta de Iago. Sem os comentários do tradutor e as explicações sobre cada trechinho da peça, a compreensão do texto diminuiria em 70%. Afinal, ler uma obra escrita por volta de 1603 requer um belo contexto histórico.

É interessante o modo como Shakespeare aborda o ciúme. Quem é ciumento e possessivo geralmente acredita em qualquer mentira bem elaborada, tanto que Iago nem precisa de grande esforço para ludibriar o general. Com suas falas venenosas, aos poucos, Iago finge que “sabe de algo, mas não pode contar” e deixa a entender (após muita insistência de Otelo) que Desdêmona e Cássio estão saindo às escondidas. O vilão utiliza as fraquezas de Otelo (como sua baixa autoestima) e cria cenas visuais na cabeça do mouro. Otelo não suporta imaginar sua esposa fazendo sexo com Cássio, ferindo seu orgulho masculino. Nada é pior para os homens de cargo alto no exército que serem traídos. E é justamente essa a arma de Iago.

Resenha: Otelo - William Shakespeare

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Queria ressaltar aqui uma cena em que Emília (esposa de Iago e aia de Desdêmona) faz um discurso feminista (SIM!) para a esposa do mouro. Ela diz que as mulheres também “têm sentimentos e sentem prazer da mesma forma que o sexo masculino”. Enquanto conversa com a esposa de Otelo, Emília praticamente a incentiva a parar de ser submissa e não aceitar todas as ordens do marido. Claro que isso é apenas um embrião do que seria realmente o movimento feminista, mas é incrível ler isso em uma obra tão antiga. Porém, em várias encenações da peça esse diálogo não existiu. Chateada 🙁

Otelo é aquela obra que você precisa ler com calma, mas que vai abrir portas para a compreensão de arquétipos. É importante fazer uma análise aprofundada das personagens e relacioná-las com o contexto histórico da época. Entender passagens bíblicas também é um diferencial, já que Shakespeare as utiliza com frequência.

Porém, se você tiver medo de ler a obra no texto original, deixe isso de lado: aos pouquinhos é possível adentrar no universo shakespeariano e até se apaixonar pela desenvoltura dos personagens. É só dar uma chance 🙂

LEIA TAMBÉM

Resenha: Otelo - William ShakespeareTítulo original: Othello
Autor: William Shakespeare
Editora: Penguin Companhia
Número de páginas: 368
Ano: 2017
Gênero: Teatro
Nota: 


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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: O Primeiro e o Último Verão – Letícia Wierzchowski

Sempre tive curiosidade de ler algo escrito por Letícia Wierzchowski, responsável pelo famoso A Casa das Sete Mulheres – que chegou a ser adaptado para a TV – e mais de 25 ficções. Apesar de ter Sal (de sua autoria), outros livros acabavam passando na frente na hora da leitura.

Quando comecei O Primeiro e o Último Verão, não sabia o que esperar. A partir da sinopse, notei que seria uma história sobre amadurecimento, e sobre como esse processo – tão peculiar para cada um de nós – acaba, na verdade, funcionando como um rito de passagem bastante comum a todos.

Resenha: O Primeiro e o Último Verão - Letícia Wierzchowski

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Saímos da duna de mãos dadas, e acho que nunca me senti tão adulta como naquele instante. Eu tinha beijado o Deco. Não apenas uma, mas duas vezes. Era como se eu tivesse passado por um misterioso ritual de iniciação e tivesse sido aprovada – minha infância parecia ter ficado realmente para trás, escondida sob um cômoro de areia num canto qualquer da praia de Pinhal. (p. 36)

A história, narrada pela personagem Clara, tem uma premissa simplista: um recorte da vida da garota durante seus 14 anos. Anualmente, entre dezembro e fevereiro, Clara e a família viajavam rumo ao litoral norte gaúcho para relaxar e encontrar amigos na Praia do Pinhal.

Lá, a garota ficava hospedada na casa de praia da família, construída por seu avô há muitos anos. Assim como a casa tem alicerces que a moldam, alguns acontecimentos vão marcando a vida de Clara e moldando suas escolhas, reações e futuro. Dores e amores de uma idade onde começamos a descobrir quem somos e qual o nosso papel no mundo (um dia a gente descobre?).

Fiquei ali parada, no meio da sala. Eu tinha um amor novo em folha e bem vivo dentro de mim, e doía testemunhar aquilo. Meus pais. Eles já não se queriam ou, ao menos, já não se achavam. Pareciam tatear no escuro de um casamento dolorido, prestes a se desfazer. (p. 48)

É impossível ler O Primeiro e o Último Verão e não se identificar, principalmente se você nasceu na década de 90 ou pouco antes dela: provavelmente é o momento histórico do livro – que cita o envio de cartas, as ligações feitas em telefones no meio da sala de estar (o único da casa), as brincadeiras de rua, entre outros – que a maioria dos adultos teve contato.

Resenha: O Primeiro e o Último Verão - Letícia Wierzchowski

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

A escrita é leve e divertida. Confesso que não esperava e fui surpreendida positivamente. O livro dialoga tanto com os mais jovens que, provavelmente, estão vivendo esse tipo de experiência no momento (de formas diferentes das “da minha época”), quanto com quem já transitou por essa fase. As descrições não são muito detalhistas, mas muita coisa subentendida acaba dando um tom mais poético ao livro.

A forma como Clara, ainda adolescente, tem que lidar com a morte metafórica do casamento de seus pais, é dolorosa. Ao mesmo tempo em que a garota tem que aprender a lidar com seus problemas, medos e inseguranças.

Mas reconhecia os sinais de crise, como uma tempestade se armando no horizonte, e tentava disfarçar as coisas para proteger minhas duas  irmãs. (p. 53)

A narrativa me lembrou muito Pequenas Grandes Mentiras que, aliás, também se passa em uma praia. Fiquei esperando o desfecho trágico, que chegou de forma rápida e não muito criativa. De qualquer forma, O Primeiro e o Último Verão é um livro nostálgico e cheio de belas metáforas.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

LEIA TAMBÉM

Resenha: O Primeiro e o Último Verão - Letícia WierzchowskiTítulo original: O Primeiro e o Último Verão
Autora: Letícia Wierzchowski
Editora: Globo Livros
Número de páginas: 152
Ano: 2017
Gênero: Romance
Nota:


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Escrito por:

Melissa Marques


Resenha: Poemas Escolhidos – Emily Dickinson

Sempre quis ler a obra poética de Emily Dickinson, mas é bem difícil encontrar edições brasileiras com poemas traduzidos da autora norte-americana. Porém, uma amiga que faz pós-graduação comigo (obrigada, Amanda ❤) me emprestou essa edição bilíngue da L&PM Pocket, com mais de 100 poemas da autora. O livro é bem curtinho, com apenas 123 páginas, e os poemas de Emily são bem diferentes de tudo que já li. O que eu gostei dessa edição é que, por ser bilíngue, é possível conferir cada detalhe da tradução de Ivo Bender.

Resenha: Poemas Escolhidos - Emily Dickinson

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Eu não leio tanta poesia – confesso que não acho uma leitura fácil, preciso de muita concentração – mas o estilo da autora me conquistou. Emily Dickinson é considerada um dos grandes nomes da lírica norte-americana do século XIX, assim como Walt Whitman, que escreveu Folhas de Relva. E o mais triste é que a autora não foi reconhecida em vida: somente depois de sua morte (e muitos anos depois) foi considerada uma grande poetisa, quando sua irmã encontrou mais de 1700 poemas de Emily que estavam escondidos.

À noite, como deve sentir-se solitário o vento
Quando todos apagam a luz
E quem possui um abrigo
Fecha a janela e vai dormir.

Ao meio-dia, como deve sentir-se imponente o vento
Ao pisar em incorpórea música,
Corrigindo erros do firmamento
E limpando a cena.

Pela manhã, como deve sentir-se poderoso o vento
Ao se deter em mil auroras,
Desposando cada uma, rejeitando todas
E voando para seu esguio templo, depois. (p.39)

Os poemas de Dickinson parecem confusos à primeira vista, mas depois de ler mais a respeito da autora, é quase como se conseguíssemos visualizar seus pensamentos. Os poemas muitas vezes são leves, refletindo a respeito da natureza, as pequenas coisas do dia a dia, a fluidez do tempo; porém, em outros, Emily mostra seu ponto de vista sobre a morte, tensões psicológicas e, sobretudo, a finitude da vida. São poemas que não se encaixam em uma categoria específica: por muito tempo, especialistas tentaram classificar sua obra, mas ela é muito complexa para ser definida em apenas uma categoria.

Resenha: Poemas Escolhidos - Emily Dickinson

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

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Ela também utiliza uma linguagem sensível e distante de regras da poesia (quando falamos em métrica e rima). Muitos a consideraram uma poeta ruim, com pouco domínio sobre as palavras, mas na verdade ela tentava romper com os padrões e, com um formato livre, expelir suas angústias, principalmente em relação a se “sentir presa” em sua própria vida.

O “eu”, por trás de nós oculto,
É muito mais assustador,
É um assassino escondido em nosso quarto,
Dentre os horrores, é o menor. (p.57)

Emily Dickinson é uma escritora importante e que deve ser lida e relida diversas vezes, da mesma forma que Katherine Mansfield ou Clarice Lispector. Se você gosta de poesia, fica a sugestão! 🙂

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Resenha: Poemas Escolhidos - Emily Dickinson

Título original: Selected Poems Of Emily Dickinson
Autora: Emily Dickinson
Editora: L&PM Pocket
Número de páginas: 123
Ano: 2007
Gênero: Poesia
Nota: 


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Escrito por:

Isabela Zamboni


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