Resenha: Jane Eyre – Charlotte Brontë

Como eu gosto MUITO de romances ingleses (um dos meus livros favoritos é o Morro dos Ventos Uivantes), até que demorei para começar a leitura de Jane Eyre. Romances góticos vitorianos sempre me agradam e esse não poderia ficar de fora. Como já tinha assistido ao filme de 2011, demorei um tempinho para começar a leitura desse clássico de Charlotte Brontë. E como já poderia imaginar, gostei bastante! Não desbanca meu amor pelo Morro, mas ainda assim valeu cada página.

Resenha: Jane Eyre - Charlotte Brontë

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Em primeiro lugar, preciso mostrar o significado de gótico. Segundo o dicionário Priberam, essa é a definição da palavra:

gó·ti·co
(latim gothicus, -a, -um)
adjetivo
1. Relativo aos godos, povo germânico.
2. Que é relativo a ou evoca ambientes ou assuntos mórbidos, lúgubres, sombrios ou tristes (ex.: música gótica, roupas góticas).
adjetivo e substantivo masculino
3. Diz-se de ou estilo artístico que se espalhou na Europa do século XII à Renascença.
4. [Literatura] Diz-se de ou estilo literário que valoriza ambientes misteriosos ou lúgubres.
5. Período em que se desenvolveu a arte gótica.

Esse estilo literário é um dos meus prediletos e nunca vou cansar de lê-los e resenhá-los por aqui. Mas, sem mais delongas, vamos à resenha de Jane Eyre!

Senti falta de uma boa edição em português, então comprei essa edição incrível da Barnes&Noble. Ela contém três obras das irmãs Brontë: Jane Eyre, de Charlotte, O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily, e Agnes Grey (um pouco mais desconhecido), de Anne. É uma edição de luxo incrível, com folhas brilhantes e uma qualidade impecável. O único problema é manusear – já que o livro é enorme e pesado – mas nada que atrapalhe muito.

Resenha: Jane Eyre - Charlotte Brontë

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Jane Eyre conta a história de uma garota órfã que mora com uma tia distante e seus filhos. Durante a infância, Jane sofre bastante nas mãos dessa família que a “adotou” e, ainda bem cedo, é enviada para Lowood, uma escola para garotas bem rígida, comandada por um pastor. Depois de muitos anos de estudo, Jane consegue um emprego como preceptora em Thornfield Hall, uma mansão gerenciada pelo misterioso Mr. Rochester.

Depois de algum tempo, Jane se apaixona perdidamente por Rochester – quase vinte anos mais velho do que ela – mas nem imagina o segredo que ele esconde no sótão de sua casa. A partir daí, acompanhamos as provações de Jane, que passa por muitas dificuldades para finalmente encontrar a paz e a liberdade que tanto buscou durante os anos de sua juventude.

As descrições da autora mostram sua paixão pela natureza e um bucolismo bem intenso. Em praticamente cada página, Brontë nos agracia com belas descrições de uma Inglaterra gelada e um tanto solitária. Conseguimos acompanhar com Jane cada explosão de sentimentos, sua visão de uma sociedade patriarcal vitoriana e uma vontade abrasiva de ser livre, sempre acompanhadas de  descrições belíssimas da paisagem que a cerca.

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As conversas de Jane com Mr. Rochester também são de tirar o fôlego, mostrando um controle e firmeza da autora em demonstrar suas ideias libertárias. Charlotte Brontë foi considerada uma das primeiras autoras feministas a tentar quebrar com os padrões de sua época, por volta de 1850. Pela primeira vez conferimos um romance do ponto de vista de uma mulher, mostrando que as mulheres também têm fortes sentimentos, vontades e sofrimentos reais, principalmente com a “prisão” do casamento e dos bons costumes a que são forçadas desde pequenas.

Existe uma personagem do livro que traduz bem isso (não vou contar para não tirar a graça), mas essa mulher “selvagem” é praticamente a personificação das vontades e sonhos de Jane. E essa vontade de ser livre, de se ver longe das amarras da sociedade, aparece em diversos trechos, inclusive quando ela afirma que “nenhuma gaiola a deixará presa“.

Jane Eyre é um romance de formação – começamos com Jane bem criança e acompanhamos sua trajetória até a vida adulta. A primeira e a segunda parte do livro são instigantes e não dá vontade de parar; porém, na parte final do livro, a narrativa fica mais lenta e as novas personagens que aparecem são um pouco cansativas. Bem no finalzinho conseguimos finalmente respirar com alívio: Jane passa por tantos perrengues que dá até nervoso, mas ela finalmente alcança o que tanto desejou.

Resenha: Jane Eyre - Charlotte Brontë

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Outro aspecto forte aqui é a religiosidade. Jane tem uma moral formada pela escola de Lowood e, durante toda sua vida, acredita nos ensinamentos bíblicos e demonstra uma forte fé em Deus. Muitas de suas escolhas são influenciadas por sua religião, como acreditar que os pecados da carne devem ser evitados ou quando acredita que todas suas vontades e desejos são regidos pelo Senhor. Durante todo o livro acompanhamos os pensamentos de Jane e a religião exerce uma grande influência em sua vida terrena – e também na sua consciência.

Jane Eyre é um livro intenso, poético e gentil, além de tratar de temas importantes para sua época. Charlotte Brontë abriu portas para muitas escritoras; suas ideias e convicções de liberdade feminina e igualdade de direitos revolucionaram a literatura.

Não é um livro fácil de digerir – você com certeza vai ficar relendo passagens ou pensando na história por um bom tempo. Os personagens masculinos são soturnos, patriarcais e – pela perspectiva de quem leu esse romance em pleno 2017 – quase incompreensíveis. A forma com que a autora trata os relacionamentos afetivos é totalmente diferente daquilo que estamos acostumados. Em vários momentos eu achava inacreditável as atitudes de Jane e de Mr. Rochester, de certa forma até revoltante. Mas, como sempre, é preciso levar em consideração o contexto da obra.

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Título original: Jane Eyre
Autor: Charlotte Brontë
Editora: Martin Claret
Número de páginas: 780
Ano: 2014
Gênero: Literatura Estrangeira/Romance
Nota: 


Escrito por:

Isabela Zamboni



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