Resenha: Outros Jeitos de Usar a Boca – Rupi Kaur

Resenha: Outros Jeitos de Usar a Boca - Rupi Kaur

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Assim como muitos leitores, conheci Outros Jeitos de Usar a Boca através de um vídeo da JoutJout. Apesar do título não dizer muito a que veio, resolvi dar uma chance quando entendi que se tratava de um livro de poemas.

Originalmente a obra foi publicada de forma independente pela autora, Rupi Kaur, com o título Honey and Milk (que, para mim, é bem melhor que o escolhido para a tradução brasileira, haha).

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Nele, a autora aborda temáticas femininas e feministas através de seu ponto de vista. Isso faz com que Outros Jeitos de Usar a Boca seja não somente uma coletânea de poemas, mas praticamente uma autobiografia em versos. Rupi se desfaz em cada poema: expõe seus medos, angústias, incertezas… Mas também contempla o amor, a cura e a redenção através da poesia.

“meu coração me acordou chorando ontem à noite
o que eu posso fazer eu supliquei
meu coração disse
escreva o livro (p. 6)

Resenha: Outros Jeitos de Usar a Boca - Rupi Kaur

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

“quero pedir desculpa a todas as mulheres
que descrevi como bonitas
antes de dizer inteligentes ou corajosas
fico triste por ter falado como se
algo tão simples como aquilo que nasceu com você
fosse seu maior orgulho quando seu
espírito já despedaçou montanhas
de agora em diante vou dizer coisas como
você é forte ou você é incrível
não porque eu não te ache bonita
mas porque você é muito mais do que isso” (p. 179)

Apesar dos relatos extremamente pessoaisOutros Jeitos de Usar a Boca é capaz de gerar identidade ao tratar de temas que permeiam o “universo feminino”. Ele é dividido em quatro partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura. Cada uma delas a autora relata suas experiências com abuso, violência, amor, perda, entre outros assuntos.

“você precisa
ter vontade de passar
o resto da vida
antes de tudo
com você” (p. 198)

Resenha: Outros Jeitos de Usar a Boca - Rupi Kaur

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Ao abordar temas que ainda são considerados tabu em nossa sociedade – menstruação, depilação íntima, entre outros – Rupi representa e empodera as mulheres, dando força e visibilidade ao movimento feminista.

As atrizes Luisa Arraes, Débora Nascimento, Mariana Xavier, Cris Vianna e Andreia Horta foram convidadas pela Planeta de Livros Brasil para recitar alguns poemas de Rupi. O resultado está abaixo:

Uma homenagem de Rupi Kaur a todas as mulheres na voz de cinco…

Rupi Kaur dá voz às mulheres através de sua poesia libertadora. Hoje, no Dia Internacional da Mulher, assista a uma homenagem a todas as mulheres na voz de cinco representantes da força feminina.As atrizes Luisa Arraes, Débora Nascimento, Mariana Xavier, Cris Vianna e Andreia Horta recitam poemas de Rupi Kaur, indiana radicada no Canadá que ficou conhecida por seu ativismo nas redes sociais e pelo livro “Milk and Honey”, publicado no Brasil como “outros jeitos de usar a boca” – um livro sobre a sobrevivência, o amor, o sexo, o abuso, a perda, o trauma, a cura e a feminilidade.

Posted by Planeta de Livros Brasil on Wednesday, March 8, 2017

Outros Jeitos de Usar a Boca  é, ao mesmo tempo, sensível, cruel, duro, amável, esclarecedor e cheio de representatividade. Um jornada na vida de Rupi Kaur que também representa a jornada na vida de muitas mulheres.

“fique firme enquanto dói
faça flores com a dor
você me ajudou
a fazer flores com a minha
então floresça de um jeito lindo
perigoso
escandaloso
floresça suave
do jeito que você preferir
apenas floresça

– para quem me lê” (p. 158)

LEIA TAMBÉM

Resenha: Outros Jeitos de Usar a Boca - Rupi KaurTítulo original: Honey and Milk
Autora: Rupi Kaur
Editora: Planeta de Livros Brasil
Número de páginas: 208
Ano: 2017
Gênero: Poemas
Nota:


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Escrito por:

Melissa Marques


Resenha: Estranha Confissão – Anton Tchekhov

Passeando pelo sebo na minha cidade, encontrei este livro de Tchekhov que nunca tinha ouvido falar. O autor russo é famoso por seus contos e algumas peças de teatro, mas não sabia que havia escrito nenhum romance policial. Como sou fã do gênero, optei por Estranha Confissão e dei início à leitura.

Pesquisando sobre o livro, descobri que é na verdade uma novela, um precursor dos romances policiais de fundo psicológico que conhecemos tão bem com Agatha Christie, por exemplo. Estranha Confissão foi publicada em folhetins entre 1884 e 1885 e anos depois publicada pelo governo russo. A edição da Planeta é de 2005 e traduzida do espanhol, por ninguém menos do que Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares.

Resenha: Estranha Confissão - Anton Tchekhov

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Como sempre, nos gêneros policiais, o livro trata de um assassinato e uma investigação. No entanto, Tchekhov escreve com um estilo único, e provavelmente você nunca leu um romance policial parecido. Para resumir, a história narra as memórias do juiz de instrução Sérgio Petrovich Zinoviev. As memórias do juiz, logo no início do livro, são entregues a um editor de jornal para que fossem publicadas. A partir de então, conhecemos a história de Sérgio quando seu velho amigo, o conde Alexey Karnieiev, regressa ao distrito após uma viagem.

O conde é um beberrão, adora festas e considera Sérgio um grande amigo, enquanto este o despreza com frequência. No entanto, Sérgio se rende e acaba passando boa parte do seu tempo na companhia do conde, alternando momentos de sobriedade e trabalho com um temperamento ruim de bêbado. Durante a narrativa, conhecemos vários personagens que vão se entrelaçando e, quase ao final do livro, há um assassinato e o juiz deve descobrir quem cometeu o homicídio.

Sim, essa explicação da história ficou estranha, porque realmente não consigo resumi-la! Pense numa narrativa envolvente, mas que não deixa você confuso em relação ao assassino e nem tenta distrair seu foco. É óbvio do começo ao fim o que aconteceu com a vítima. Mas o interessante aqui é a maneira como Tchekhov usa a ironia e o sarcasmo para contar esse relato e, principalmente, criticar a base moral dos personagens e da Rússia conturbada daquela época.

É um livro envolvente: o autor trabalha com precisão o psicológico de cada personagem, mas, no fim das contas, é uma obra esquecível. Nem de longe um trabalho memorável, como os contos do autor e até suas peças de teatro (fiz resenha aqui no blog de As Três Irmãs). A cada dia me envolvo mais com os escritores russos (o sarcasmo é fenomenal), mas Estranha Confissão não entra para a lista dos favoritos.

LEIA TAMBÉM

Resenha: Estranha Confissão - Anton Tchekhov

 

Título original: Estranha Confissão
Autor: Anton Tchekhov
Editora: Planeta
Número de páginas: 248
Ano: 2005
Gênero: Romance Policial/Novela
NotaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia


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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: Por Onde Andam as Pessoas Interessantes? – Daniel Bovolento

Será que as pessoas interessantes sumiram ou nós que nos tornamos desinteressantes com o tempo? Em época de Tinder, Facebook, Whatsapp, Snapchat, Twitter e outras zilhões de redes sociais, será que sobra tempo para olhar o mundo offline e conhecer pessoas com um papo interessante e conhecimento legal pra compartilhar?

Em seu livro de crônicas, Daniel Bovolento faz praticamente um desabafo entre as páginas. Com um texto leve e descontraído, o autor do blog Entre Todas as Coisas tenta expor seus amores imaginários, platônicos, interessantes, desinteressantes e passageiros. O amor, a paixão, podem estar em todos os lugares: na tela do celular, no ponto de ônibus, na festa que você nem lembrava que tinha ido.

Resenha: Por Onde Andam as Pessoas Interessantes? - Daniel Bovolento

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

A leitura é bem rápida, as crônicas são leves: algumas são divertidas, outras mais tristes. Mas todas com o mesmo tema central: relacionamentos. Acredito que muitos vão se identificar com os textos do Daniel, que com a maior sinceridade possível, tenta descobrir por onde andam as pessoas interessantes ou se, na verdade, nós é que nos tornamos seletivos/cansados demais para procurar.

Vou ser bem sincera nesta resenha: eu não me identifiquei. Não sei porque, mas acredito que não estou nessa “vibe”. Eu namoro há quatro anos e meio, então acho que fiquei meio por fora do assunto. Aliás, não é nem por esse motivo: mesmo quando estava solteira, eu não me preocupava tanto com relacionamentos amorosos. Por mais que eu me apaixonasse ou sentisse algo a mais por alguém, eu dificilmente fazia disso o problema central da minha vida. Nunca tive um amor platônico (pois é!) e sempre fui bem tranquila em relação a esses assuntos. Por conta disso, o livro não me prendeu… Mas não quer dizer que não seja adequado para outras pessoas. Veja bem: o livro é bom! Só não é pra mim.

Resenha: Por Onde Andam as Pessoas Interessantes? - Daniel Bovolento

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Então se você busca uma leitura para se apaixonar, sonhar, imaginar e relembrar momentos da sua vida amorosa, esse é ideal. O estilo do Daniel é intenso, perfeito para aqueles que se perguntam onde anda aquela pessoa que pode fazer a diferença na sua vida, nem que seja apenas por um minuto.

Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

LEIA TAMBÉM

Resenha: Por Onde Andam as Pessoas Interessantes

Título original: Por Onde Andam as Pessoas Interessantes
Autor: Daniel Bovolento
Editora: Planeta de Livros
Número de páginas: 192
Ano: 2015
Gênero: Crônica
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia


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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: Hyperbole and a Half – Allie Brosh

Meme "O Que Queremos?"

FOTO: Reprodução / Hyperbole and a Half

Você já deve ter ouvido falar do meme “O que queremos?”: ele tomou conta de blogs e redes sociais em 2013, mas ninguém sabia exatamente a origem dele.

Em 2014 participei de um encontro realizado pela Editora Planeta de Livros onde tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis e supertalentosas e de ter contato com o então lançamento: o livro Hyperbole and a Half, adaptação do blog homônimo.

Ok, e o que tudo isso tem a ver?

Resenha: Hyperbole and a Half - Allie Brosh

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

No encontro, descobri que esse meme foi criado pela Allie Brosh, autora do blog e do livro. Ganhei uma prova impressa do lançamento e devorei durante a viagem de volta para a minha cidade. A leitura é engraçadíssima. Uma amiga que estava ao meu lado chegou a perguntar: “Tá tudo bem com você, Mel?”. Pois é, dá pra ter uma ideia.

O jeito de se contar uma história faz toda a diferença. E como Allie sabe contar histórias! É simplesmente impossível ficar 2 páginas sem dar uma gargalhada. O tom irônico e os desenhos com uma “pegada” infantil, fazem de Hyperbole and a Half um livro absurdamente engraçado. E esse tipo de humor “que não fere ninguém” é exatamente o que eu mais gosto.

Resenha: Hyperbole and a Half - Allie Brosh

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Um ponto superpositivo é o cuidado com a edição: toda colorida, sem machas ou borrões, com cores nítidas, espaçamentos grandes… Enfim, um belo tratamento!

O livro tem uma pegada de pensamentos/autobiografia e é dividido em contos. Meus favoritos são: O deus do bolo e O desastre do molho apimentado. Alguns dos “causos” contados por Allie são simplesmente inacreditáveis! A autora aborda infância, pensamentos que tinha quando era criança (um mais nonsense que o outro!), fala sobre animais de estimação, relacionamentos amorosos e muito mais… Tudo em tom de deboche. É incrível ver alguém se abrir tanto assim e conseguir rir de si mesmo como Allie faz!

Resumindo: o livro é garantia de boas risadas!

LEIA TAMBÉM

Capa do livro Hyperbole and a HalfTítulo original: Hyperbole and a Half
Autora: Allie Brosh
Editora: Planeta de Livros
Número de páginas: 244
Ano: 2014
Gênero: Pensamentos / Autobiografia
Nota: 1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela


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Escrito por:

Melissa Marques