Entrevista: Cornelia Funke, autora da série Reckless

Entrevista: Cornelia Funke, autora da série Reckless

FOTO: Divulgação

Cornelia Funke é um dos nomes mais famosos entre os autores de literatura fantástica e juvenil. Se você ainda não conhece a qualidade do texto e a sensibilidade da autora ao criar mundos e personagens tão extraordinários – e ao mesmo tempo, tão parecidos com o nosso mundo e conosco – termine o livro que estiver lendo e dedique um tempo para começar uma das obras da alemã. Parafraseando John Green, eu leria qualquer coisa que essa mulher escrevesse, inclusive sua lista de compras do mercado. Não existe a possibilidade de não se apaixonar pelas histórias e ilustrações (também feitas por ela!) de cada livro.

Confira a entrevista que fizemos com Cornelia e torne-se fã você também:

Melissa: Quais gêneros literários você mais gosta?

Cornelia: Eu amo todos eles. Eu sou uma “comedora de livros”, então, é claro, eu não como o mesmo prato todos os dias! 🙂 Eu amo fantasia, ficção científica, suspense, poesia, não-ficção… Eu me alimento de Galsworthy, Kipling, Dickens, Stendhal, Maupassant, Neruda e Garcia Lorca. E é claro: eu leio muito para pesquisa. Cerca de 50 livros para cada livro que eu escrevo.

Melissa: Na trilogia Mundo de Tinta você retrata perfeitamente os mais diversos sentimentos dos “bookaholics”. Como surgiu o seu amor pela leitura?

Cornelia: Você tem a chave para essa pergunta em minha primeira resposta. Quando o mundo onde você cresce é um pouco pequeno, a imaginação fica faminta, e essa fome eu alimentei com livros e filmes. Eu continuo amando os dois. Eu amo histórias de qualquer tipo. Elas me fizeram entender o mundo e me mostraram o mundo com os olhos dos outros: humanos, animais, plantas 🙂

Entrevista: Cornelia Funke, autora da série Reckless

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Melissa: E como era a sua relação com os seus filhos quando eles eram crianças? Você lia para eles? Que tipo de história?

Cornelia: Sim, eu lia para meus filhos desde quando eles eram bem pequenos e, em um determinado momento, eles se tornaram meus críticos mais importantes. É claro que você também pode encontrá-los como personagens em meus livros, ou eles (os livros) são dedicados aos meus filhos. Minha filha continua sendo minha editora mais importante e minha primeira leitora, meu filho é o herói de muitas de minhas histórias. Eu lia HQs, fantasia e meus próprios livros para eles… o que eles escolhiam. Eu lia Harry Potter muitas e muitas vezes até eles decidirem ler por conta própria ou ouvi-los em audiobooks 🙂 Como eu, eles amam as “palavras faladas” tanto quanto as palavras escritas e meu filho ouviu a maioria dos meus livros em vez de lê-los.

Melissa: Você costuma ler críticas literárias ou blogs especializados no assunto? Quais?

Cornelia: Não, eu admito, quase nunca. Eu amo ouvir meus leitores diretamente e às vezes uma resenha explica certos aspectos do livro de uma forma que te faz muito feliz – essas reações dos leitores mostram que alguém realmente “viajou na sua cabeça” – mas eu prefiro escrever do que ler sobre a minha escrita.

Melissa: Quais são os seus projetos? Outros livros em mente?

Cornelia: Eu estou revisando o terceiro livro da saga MirrorWorld (Mundo do Espelho). Ele se chamará Heartless (Sem Coração, em tradução literal), mas o título de trabalho é The Golden Yarn (O Fio de Ouro, em tradução literal) . Eu viajo nos folclores russos nesse livro. O quarto livro me levará para a Ásia e o quinto, espero que, para Califórnia, México e… Brasil! Então eu preciso ler sobre seus mitos e folclores!

Melissa: O que está lendo atualmente?

Cornelia: Livros de Daumier e Henry Fox Talbot, um dos inventores da fotografia – ambos parte da minha pesquisa para MirrorWorld (Mundo do Espelho), e sobre como isso era no mundo de 1860. Aliás, tenho uma pergunta para meu leitores brasileiros: o que é o Brasil por trás do espelho?

Entrevista: Cornelia Funke, autora da série Reckless

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Melissa: Algum personagem da trilogia “Mundo de Tinta” se parece mais com você? Por que?

Cornelia: O personagem que mais me sinto próxima não é de Mundo de Tinta, mas de MirrorWorld (bom… Mundo de Tinta é, na verdade, o passado de MirrorWorld – ou Mundo do Espelho): é uma raposa, ou, para chamá-la por seu nome humano, Celeste Auger, o metamorfo que é ao mesmo tempo uma mullher e uma raposa e que é uma verdadeira aventureira.

Melissa: Qual seria a sua melhor dica para quem quer começar a escrever profissionalmente?

Cornelia: Tenha sempre um caderno e uma caneta com você. As ideias sempre vêm em horas e momentos errados e você precisa pegá-las. Seja curioso sobre tudo – dentro e fora de você. Alimente sua imaginação com a sua vida. Não viva apenas nos livros. Faça a sua escrita expressar o que você sente sobre o mundo. E… tente escrever à mão. Você se surpreenderá com a diferença de escrever em um computador. Deixe-o para seu segundo rascunho. E aí, reescreva, reescreva, reescreva… Eu faço isso pelo menos oito vezes para cada livro.

Melissa: Seus livros falam com crianças e adultos. Para você, qual é a importância da fantasia para as diversas fases da vida?

Cornelia: Eu acredito que a fantasia se aproxime muito mais da verdade sobre vida, morte e o mundo do que as reportagens sobre a nossa chamada “realidade”. É necessário alimentar a fantasia com realidade, mas eu acredito na imaginação humana como uma ferramenta para entender e descrever as experiências humanas. Afinal, nós somos, provavelmente, as únicas criaturas neste planeta que conseguem imaginar ser um animal, um humano, uma planta ou até uma pedra! 🙂

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Entrevista e tradução: Melissa Ladeia Marques | Conteúdo original publicado no site todateen.


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Melissa Marques


Resenha: Ninguém Vira Adulto de Verdade – Sarah Andersen

Resenha: Ninguém Vira Adulto de Verdade - Sarah Andersen

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Sabe aquele livro que, de cara, gera uma identificação absurda com o leitor? Ao começar Ninguém Vira Adulto de Verdade, da autora Sarah Andersen, tive certeza que minha vida estava sendo observada durante esses 25 anos. Não só pela protagonista dos quadrinhos ser uma baixinha-de-cabelo-curto-dona-de-um-coelho (como eu), mas pelas situações retratadas no livro. Inúmeras já aconteceram comigo. Ao terminar de ler, me senti um belo chichêzão.

Enquanto lia, tirava fotos das páginas e ia mandando pro meu namorado via WhatsApp. A resposta foi: “puta merda, igualzinha!“. Acho que Sarah tem o dom de resumir a geração dos 20-e-poucos-anos através de seus quadrinhos. Confesso que nunca tive muito contato com a obra da ilustradora, porém, já havia visto alguns desenhos circulando no Facebook.

Resenha: Ninguém Vira Adulto de Verdade - Sarah Andersen

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

A fanpage Sarah’s Scribbles conta com mais de 1 milhão de likes, e o livro já tem tradução para 9 idiomas, com mais vindo por aí! Com certeza, pessoas do mundo todo ainda poderão se identificar com as histórias da autora.

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Aliás, em Ninguém Vira Adulto de Verdade, Sarah aborda de forma engraçada e simplista alguns dos dilemas que enfrentamos no dia a dia, além de situações constrangedoras que, infelizmente, a gente acaba passando!

O traço infantil de Sarah é fofo, e ajuda a reforçar o título do livro. O projeto gráfico também ficou show: livro capa dura, com ótimos espaçamentos entre as tirinhas, papel de qualidade… Enfim, uma boa aposta do selo Seguinte.

Resenha: Ninguém Vira Adulto de Verdade - Sarah Andersen

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

A personagem é cativante, bem-humorada, irônica. É engraçada a forma que a autora personifica o coelho, fazendo dele “alguém” relevante para as tirinhas, muitas vezes, como se fosse a própria extensão da consciência da garota. Além disso, Ninguém Vira Adulto de Verdade aborda certas questões feministas e, principalmente, misoginia, de uma forma bem explicativa e “ilustrada”, deixando a obra  ainda mais relevante.

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* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora

Resenha: Ninguém Vira Adulto de Verdade - Sarah AndersenTítulo original: Adulthood is a myth
Autora: Sarah Andersen
Editora: Seguinte
Número de páginas: 120
Ano: 2016
Gênero: HQ
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Melissa Marques


Resenha: Uma canção de ninar – Sarah Dessen

Uma canção de ninar conta a história de Remy, uma adolescente que está aprendendo a lidar com a fase adulta. A garota, apesar da pouca idade, já é completamente desiludida com o amor, e não é para menos: diversos eventos traumáticos acontecem ao seu redor para afirmar a teoria de que o amor não existe. O pai, um músico famoso, largou a mãe de Remy quando ainda estava grávida e deixou para a filha apenas uma música, intitulada “Canção de ninar“.

Resenha: Uma canção de ninar - Sarah Dessen

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

a mãe é completamente perdida e vive pulando de relacionamento em relacionamento, se envolvendo e se ferindo. O irmão de Remy, que até então compartilhava a mesma visão que ela, acaba se apaixonando e “mudando de lado”, como a garota afirma.

Aliás, Remy tem as horas de seus dias completamente preenchidas pela organização do 6º casamento de sua mãe, os preparativos para a faculdade, e suas amigas, que sempre estão precisando umas das outras.

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RESENHA: A GAROTA NO TREM – PAULA HAWKINS
RESENHA: E NÃO SOBROU NENHUM – AGATHA CHRISTIE
RESENHA: HARRY POTTER AND THE CURSED CHILD – JACK THORNE, JOHN TIFFANY E J.K. ROWLING
RESENHA: MISERY – STEPHEN KING

É com esse cenário caótico em sua vida que Remy conhece Dexter. Um garoto franzino e desengonçado que tem absoluta certeza que um dia os dois ficarão juntos. Uma observação importante: algumas pessoas podem achar fofo, mas eu achei apenas enfadonho esse garoto não entender que “não é não”. Diversas vezes Remy afirma que não quer nada com Dexter e, mesmo assim, ele é insistente e persegue a garota. Até quando os autores vão romantizar perseguidores? APENAS PAREM.

Para quem não entendeu, segue um desenho bem autoexplicativo:

Indústria romantizando stalkers

FOTO: Reprodução

 Um ponto a favor do romance é que, apesar de tudo, ele aborda a adolescência e o início da fase adulta de Remy de uma forma bastante real: ela e as amigas enchem a cara escondidas dos pais, usam RG falso para entrar em baladas, ficam com caras escrotos e se arrependem, sofrem por amor, têm dúvidas sobre o futuro… Além de cada um delas ter características únicas.

E tudo se resumia a amor, ou a falta dele. Tudo o que arriscamos, sem saber muito bem, ao nos apaixonarmos ou nos afastarmos e nos fecharmos, protegendo nosso coração com toda força. (p. 261)

Ao meu ver, o maior plot twist da história fica por conta da mãe – que, no final, também tem os melhores conselhos. Já o final da personagem principal é um pouco previsível. Enfim, como Babi Dewet bem frisou na contracapa de Uma canção de ninar: “Este livro fala sobre o amor em diversas formas. O amor que faz bem, o amor que deixa marcas, o amor que machuca e aquele que  a gente tem por nós mesmos“.

Resenha: Uma canção de ninar - Sarah Dessen

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

 * Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Resenha: Uma canção de ninar - Sarah DessenTítulo original: This Lullaby
Autora: Sarah Dessen
Editora: Seguinte
Número de páginas: 352
Ano: 2016
Gênero: Literatura Juvenil
Nota: EstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vaziaestrela vazia


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Melissa Marques


Resenha: A Rainha Vermelha – Victoria Aveyard

Sempre ouvi falar MUITO BEM desse livro nos blogs e canais do YouTube e a vontade de ler só aumentava a cada dia. Até que finalmente iniciei a leitura de A Rainha Vermelha, da autora Victoria Aveyard.

Já comentei aqui no blog que não sou fã número 1 de livros Young Adult (YA), porque já enjoei um pouco das temáticas e também não me identifico muito com as tramas. Sempre aquelas histórias batidas, parecidas umas com as outras… mas A Rainha Vermelha me chamou a atenção e dediquei um tempo à história que causou o maior frisson nas redes sociais.

Resenha: A Rainha Vermelha - Victoria Aveyard

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

E qual foi o resultado dessa experiência? Gostei do livro! Principalmente por conta das referências: quando li na contracapa que a autora é fã de Game of Thrones, entendi tudo. Muitos elementos usados no livro me lembraram a série de George R.R. Martin, mas de uma forma positiva. Ela fez uma mistura de mitologias bem legal e uniu tudo em uma aventura para adolescentes. Ponto positivo.

Mas vamos falar um pouquinho da história:

“O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe — e Mare contra seu próprio coração.”

Eu gostei da Mare, é uma personagem feminina forte, obstinada e com um coração enorme. A situação em que ela se encontra não é das mais fáceis, mas ela é esperta e consegue contornar as adversidades. Os outros personagens também são interessantes, mas nenhum se equipara ao brilho da protagonista (a não ser, talvez, seu professor de história).

A aventura é divertida e devorei as páginas do livro rapidinho. Sofremos e aprendemos com Mare e, assim como ela, desejamos vingança por toda a repressão que os Vermelhos já passaram (e ainda passam).

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Mas, como nem tudo são rosas, uma coisa me incomodou muito:  o triângulo amoroso. Não precisava… eu não consigo compreender essa necessidade de colocar uma menina dividida entre dois (ou mais) meninos. Por favor, autores de YA! Coloquem uma garota que não se apaixone por um cara chato e sem graça, como Cal, por exemplo. Ele é bonito, corajoso, gosta de estratégia de guerra, é forte, mas não tem absolutamente nada a ver com a Mare. E é chato!

Mas é claro que eles têm um romance proibido ali, que, sinceramente, não cola. Seria tããão melhor se cortassem essas partes! Vamos focar mais nos dramas sociais, na luta entre vermelhos e prateados…deixem o romance de fora!

Enfim, tirando esse fator, o livro é bom, vale a leitura e com certeza quero acompanhar os próximos volumes! 🙂

E vocês, o que acham do livro?

 * Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Resenha: A Rainha Vermelha - Victoria AveyardTítulo original:  Red Queen
Autor: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Número de páginas: 422
Ano: 2015
Gênero: Young Adult
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia


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Escrito por:

Isabela Zamboni


Recebidos – Setembro – 2015 (Melissa)

Esse mês eu resolvi economizar e não comprei nadinha! Mas, mesmo assim, recebi alguns livros superlegais na Caixa Postal. Confira quais são eles:

Recebidos - Setembro - Melissa

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

TROCAS – SKOOB E SEBO

Estou começando a minha coleção GRAPHIC MSP – em capa dura, claro – e o primeiro que consegui foi “Bidu”. Veio de uma troca no Skoob. Já tenho O Pequeno Príncipe, capa dura, mas essa edição com a capa de ilustrações inspiradas no filme me deixou apaixonada. Tive que trocar!

Recebidos - Setembro - Melissa

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

ASSESSORIA

  • Surpreendente! – Maurício Gomyde, por Editora Intrínseca
  • A Bailarina Fantasma – Socorro Acioli, por Editora Seguinte
  • Tá, e daí? – Ana de Cesaro, por Astral Cultural
  • Hugo e Rose – Bridget Foley, por HarperCollins Brasil
  • Star Wars: Uma nova esperança – A Princesa, o Cafajeste e o Garoto da Fazenda – Alexandra Bracken, por Editora Seguinte
  • Star Wars: O Império Contra-Ataca – Então Você Quer Ser Um Jedi? – Adam Gidwitz, por Editora Seguinte
  • Star Wars: O Retorno de Jedi – Cuidado Com o Lado Negro da Força! – Tom Angleberger, por Editora Seguinte

Surpreendente! é a minha leitura atual. Depois, provavelmente, lerei Hugo e Rose (em breve teremos surpresas para vocês!), seguido por Tá, e daí, título lançado pela Astral Cultural (da Editora Alto Astral, onde eu e a Isa trabalhamos. #ORGULHO).

Aproveitando: se quiserem enviar algo para o Resenhas, fiquem à vontade!

Nossa caixa postal é:

RESENHAS À LA CARTE
CAIXA POSTAL 1590
CEP: 17014-970
BAURU – SP

E então, pessoal? Qual desses vocês gostariam de ler a resenha aqui no blog? 🙂


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Escrito por:

Melissa Marques


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