Resenha: O Primeiro e o Último Verão – Letícia Wierzchowski

Sempre tive curiosidade de ler algo escrito por Letícia Wierzchowski, responsável pelo famoso A Casa das Sete Mulheres – que chegou a ser adaptado para a TV – e mais de 25 ficções. Apesar de ter Sal (de sua autoria), outros livros acabavam passando na frente na hora da leitura.

Quando comecei O Primeiro e o Último Verão, não sabia o que esperar. A partir da sinopse, notei que seria uma história sobre amadurecimento, e sobre como esse processo – tão peculiar para cada um de nós – acaba, na verdade, funcionando como um rito de passagem bastante comum a todos.

Resenha: O Primeiro e o Último Verão - Letícia Wierzchowski

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Saímos da duna de mãos dadas, e acho que nunca me senti tão adulta como naquele instante. Eu tinha beijado o Deco. Não apenas uma, mas duas vezes. Era como se eu tivesse passado por um misterioso ritual de iniciação e tivesse sido aprovada – minha infância parecia ter ficado realmente para trás, escondida sob um cômoro de areia num canto qualquer da praia de Pinhal. (p. 36)

A história, narrada pela personagem Clara, tem uma premissa simplista: um recorte da vida da garota durante seus 14 anos. Anualmente, entre dezembro e fevereiro, Clara e a família viajavam rumo ao litoral norte gaúcho para relaxar e encontrar amigos na Praia do Pinhal.

Lá, a garota ficava hospedada na casa de praia da família, construída por seu avô há muitos anos. Assim como a casa tem alicerces que a moldam, alguns acontecimentos vão marcando a vida de Clara e moldando suas escolhas, reações e futuro. Dores e amores de uma idade onde começamos a descobrir quem somos e qual o nosso papel no mundo (um dia a gente descobre?).

Fiquei ali parada, no meio da sala. Eu tinha um amor novo em folha e bem vivo dentro de mim, e doía testemunhar aquilo. Meus pais. Eles já não se queriam ou, ao menos, já não se achavam. Pareciam tatear no escuro de um casamento dolorido, prestes a se desfazer. (p. 48)

É impossível ler O Primeiro e o Último Verão e não se identificar, principalmente se você nasceu na década de 90 ou pouco antes dela: provavelmente é o momento histórico do livro – que cita o envio de cartas, as ligações feitas em telefones no meio da sala de estar (o único da casa), as brincadeiras de rua, entre outros – que a maioria dos adultos teve contato.

Resenha: O Primeiro e o Último Verão - Letícia Wierzchowski

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

A escrita é leve e divertida. Confesso que não esperava e fui surpreendida positivamente. O livro dialoga tanto com os mais jovens que, provavelmente, estão vivendo esse tipo de experiência no momento (de formas diferentes das “da minha época”), quanto com quem já transitou por essa fase. As descrições não são muito detalhistas, mas muita coisa subentendida acaba dando um tom mais poético ao livro.

A forma como Clara, ainda adolescente, tem que lidar com a morte metafórica do casamento de seus pais, é dolorosa. Ao mesmo tempo em que a garota tem que aprender a lidar com seus problemas, medos e inseguranças.

Mas reconhecia os sinais de crise, como uma tempestade se armando no horizonte, e tentava disfarçar as coisas para proteger minhas duas  irmãs. (p. 53)

A narrativa me lembrou muito Pequenas Grandes Mentiras que, aliás, também se passa em uma praia. Fiquei esperando o desfecho trágico, que chegou de forma rápida e não muito criativa. De qualquer forma, O Primeiro e o Último Verão é um livro nostálgico e cheio de belas metáforas.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

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Resenha: O Primeiro e o Último Verão - Letícia WierzchowskiTítulo original: O Primeiro e o Último Verão
Autora: Letícia Wierzchowski
Editora: Globo Livros
Número de páginas: 152
Ano: 2017
Gênero: Romance
Nota:


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Escrito por:

Melissa Marques


Resenha: O Livro da Literatura – Vários Autores

Eu sempre fui apaixonada por essa coleção da Globo Livros, As Grandes Ideias de Todos os Tempos, que conta de forma resumida a história da literatura, cinema, sociologia, filosofia, psicologia, entre outros assuntos importantes. Por enquanto, comprei o Livro da Literatura e o Livro da Filosofia, e já quero TODOS!

Resenha: O Livro da Literatura - Vários Autores

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Mas enfim, vamos à resenha: o livro da Literatura é uma viagem pelo universo literário, passando pelas obras mais importantes de todos os tempos, desde o comecinho da escrita. O livro também é separado pelo contexto histórico, então é possível compreender de forma clara em que período cada livro e autor se encaixa: romantismo, realismo, pós-guerra, antiguidade, contemporâneos e etc.

O Livro da Literatura serve bastante como um guia, quase uma enciclopédia. Algumas obras mais famosas e bem importantes (como Moby Dick) ganham mais páginas e explicações mais completas, enquanto outras são apresentadas de forma bem resumida. Se você busca aprofundamento em teoria literária ou até bastante informação biográfica sobre autores, não é aqui que você vai encontrar. Porém, se você prefere conhecer um pouquinho sobre livros clássicos e contemporâneos de forma bem explicativa e curtinha, é uma excelente opção.

Resenha: O Livro da Literatura - Vários Autores

Detalhe da página interna. | Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

O que mais me encantou nesse livro foi como ele abriu minha mente para conhecer novas ideias e novos autores. Sem contar que a importância que a literatura traz para a história mundial é impressionante. Muitos acreditam que livros são apenas entretenimento, mas O Livro da Literatura aponta justamente o contrário: a literatura é essencial e molda a sociedade em que vivemos. 

Resenha: O Livro da Literatura - Vários Autores

Ilustrações e infográficos mostram detalhes | Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

 

Resenha: O Livro da Literatura - Vários Autores

Páginas em vermelho servem para separar os movimentos literários | Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

 

Resenha: O Livro da Literatura - Vários Autores

O livro apresenta uma linha temporal antes de cada movimento literário. | Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

A qualidade gráfica é excelente e com ilustrações delicadas para mostrar a simbologia das obras citadas. O livro é colorido, bem diagramado, a espessura do papel é confortável de manusear e ler. É um livro para se colocar na estante e sempre verificar quando surgirem dúvidas a respeito de algum assunto. É um livro sobre livros para amantes de livros! ❤

Resenha: O Livro da Literatura - Vários AutoresTítulo original: O Livro da Literatura
Autor: Vários
Editora: Globo Livros
Número de páginas: 352
Ano: 2016
Nota: 


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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: Pornô Chic – Hilda Hilst

Quando comecei a leitura de Pornô Chic, da brasileira Hilda Hilst, levei um susto logo de cara. Ainda não havia entrado em contato com nenhuma obra da autora, mas logo nas primeiras páginas já levei um soco no estômago. Sabia que o livro era de conteúdo adulto, pornográfico mesmo. Mas não imaginava que ia levar esse tiro! Hahaha! A linguagem da Hilda é BEM escarrada mesmo, bem grosseira. Ela não tem nenhuma censura, descreve os personagens e situações do jeito mais realista e erótico possível. E o mais engraçado é que eu não esperava que uma obra desse teor poderia ser tão boa.

Resenha: Pornô Chic - Hilda Hilst

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Sabe Cinquenta Tons de Cinza ou outros soft porn que estão na moda? ESQUECE! Esse livro aqui é paulera mesmo! E o mais interessante é que o linguajar, apesar de intenso, é bem rico – Hilda usa palavras destoantes, com um vocabulário bastante amplo, sem perder o refinamento.

Para comprar o livro, é só clicar no link abaixo:

Essa edição da Globo Livros é impecável: além da capa dura, as folhas são ótimas de manusear, já vem com marcador de página e é recheado de ilustrações de artistas incríveis: Millôr Fernandes, Jaguar, Laura Teixeira e Veridiana Scarpelli.

Resenha: Pornô Chic - Hilda Hilst

Ilustração de Millôr. | FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Pornô Chic é composto pelos contos O caderno rosa de Lori Lamby (um que me arrepiou de tão tenso), Contos d’escárnio – textos grotescosCartas de um Sedutor e o livro de poemas Bufólicas. A autora considerou essas obras como uma “experiência radical e divertida”. O mais interessante de Pornô Chic é como ele mistura críticas à sociedade, humor, práticas sexuais inusitadas e muitas referências a autores que já foram considerados “pornográficos” e criticados pelo uso do erotismo, como Henry Miller, Georges Bataille e D.H. Lawrence.

Resenha: Pornô Chic - Hilda Hilst

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Foram publicados também nessa mesma edição alguns textos de apoio, com nomes de peso analisando a obra de Hilda. A “Fortuna Crítica” apresenta um texto do professor de História da Arte e da História da Cultura da Unicamp Jorge Coli, além da professora do departamento de Literatura Brasileira da FFLCH-USP Eliane Robert de Moraes, e o professor de Teoria Literária da Unicamp Alcir Pécora. Além disso, a edição ainda recupera um perfil da autora feito pelo jornalista Humberto Werneck e uma entrevista de Hilst ao amigo e escritor Caio Fernando Abreu.

Resenha: Pornô Chic - Hilda Hilst

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Quando me deparei com Pornô Chic, apesar do estranhamento inicial, logo pude perceber o quanto a autora é irônica e satiriza os aspectos animalescos dos humanos. Durante a leitura de Cartas de um Sedutor, por exemplo, é notável o tédio e a indiferença do personagem com a vida, quando seu único objetivo é satisfazer os desejos carnais.

Neste livro, não há nada que prenda Hilda: encontramos tudo que existe de mais polêmico, desde expressões mais vulgares até mesmo temas como o incesto. Mas, como já afirmei anteriormente, nada de soft porn romantizado ou uma literatura de banca de jornal: o refinamento das palavras e a poética da autora são evidentes; inclusive, aos 60 anos, a própria Hilda afirmou que “a sexualidade pode ser adorável, perversa ou divertida, mas eu acho que o ato de pensar excita muito mais do que uma simples relação sexual. A mim pelo menos, há muitos anos é assim”.

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Resenha: Pornô Chic - Hilda HilstTítulo original: Pornô Chic
Autora: Hilda Hilst
Editora: Biblioteca Azul (Globo Livros)
Número de páginas: 276
Ano: 2014
Gênero: Literatura Brasileira/Contos
Nota: 


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Isabela Zamboni


Resenha: A Invenção de Morel – Adolfo Bioy Casares

A Invenção de Morel foi uma ótima surpresa: recebi da parceria com a Globo Livros e me apaixonei! Não esperava muito dessa obra, mas o escritor argentino Adolfo Bioy Casares me conquistou.

Resenha: A Invenção de Morel - Adolfo Bioy Casares

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O livro começa um pouco arrastado, mas o final compensa tudo. A história é sobre um fugitivo venezuelano que vai morar em uma ilha abandonada, supostamente deserta. Depois de vencer alguns contratempos, ele começa a se habituar como morador do local, até que “turistas” aparecem e o tiram do lugar-comum.

A história desses turistas é o ponto-chave da obra de Casares, que com maestria cria um mistério envolvente. Não sabemos nunca se o personagem principal está enlouquecendo, se as pessoas que estão na ilha realmente existem ou se tudo não faz parte de um grande complô.

Eu falei um pouco sobre o livro lá no nosso canal do Youtube e dei mais detalhes sobre a trama. Olha só:

Não se esqueçam de se inscrever e dar aquele joinha 🙂  E se quiser comprar o livro (que é fantástico!) só clicar no link abaixo:

E você, já leu A Invenção de Morel? Deixe sua opinião nos comentários!

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Resenha: A Invenção de Morel - Adolfo Bioy Casares

Título original: La invención de Morel
Autor: Adolfo Bioy Casares
Editora: Globo Livros (Selo Biblioteca Azul)
Número de páginas: 112
Ano: 2016
Gênero: Romance/Realismo Fantástico
Nota:EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: Acordar Outra Vez – Joshua Ferris

Confesso que nunca tinha ouvido falar de Joshua Ferris. Quando recebi esse livro, tinha gostado bastante da sinopse e estava com vontade de iniciar uma leitura mais contemporânea (sou dessas que só lê coisas velhas). Na capa, a frase de Stephen King já diz que é “instigante, comovente e engraçado”. E uma coisa é fato: o livro é realmente engraçado.

A história gira em torno do dentista Paul O’Rourke, profissional renomado e viciado no time de beisebol Red Sox. Apesar de ter o próprio consultório, ganhar um bom salário e ter uma vida desejável, Paul é infeliz, amargo, não está em nenhum relacionamento e o tempo todo reafirma que é ateu.

Resenha: Acordar Outra Vez - Joshua Ferris

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Até que um dia alguém cria um site do seu consultório e começa a se passar por Paul em várias redes sociais: Twitter, fóruns, blogs, e-mail, entre outros. Paul começa a entrar em desespero e conversar com esse “inimigo” que finge ser ele. O fingimento é tão bom que todos ao redor do dentista começam a acreditar que é realmente ele quem escreve todas essas coisas. Porém, o que mais incomoda Paul é que esse farsante começa a espalhar frases e pensamentos religiosos por toda parte, deixando o dentista ainda mais possesso com a situação.

O livro tem aquele intuito de nos fazer repensar nas prioridades e desejos da vida pós-moderna. Será que você realmente precisa de tanta coisa, tantos bens materiais? Paul tem tudo o que poderia almejar, mas é infeliz. Não consegue se manter em um relacionamento amoroso, não sai de casa, não tem amigos, e sua única felicidade é assistir aos jogos do Red Sox. No entanto, ele pega em um ponto bem delicado: a religião. Paul começa a repensar seu ateísmo e conhecer um novo tipo de religião, intrigado pelos e-mails e tuítes que recebe desse seu impostor.

Para comprar o livro Acordar Outra Vez, é só clicar na imagem abaixo:

Intercalando flashbacks com momentos atuais, conhecemos um pouco da história de Paul e de seus relacionamentos anteriores. As personagens secundárias – sua ex namorada Connie e sua colega de trabalho Betsie – creem em Deus e Paul não cansa de questioná-las sobre o judaísmo, catolicismo e outras crenças. A todo momento, o personagem principal se questiona e tem dúvidas sobre a fé das pessoas, tentando entender melhor a carga moral envolvida nos diferentes tipos de religião.

Resenha: Acordar Outra Vez - Joshua Ferris

Joshua Ferris, autor de ‘Acordar Outra Vez’

É um livro recheado de sarcasmo, tiradas irônicas e piadinhas. Eu dei bastante risada, confesso, mas também posso afirmar que o livro peca pelo exagero. São muitas páginas que poderiam ser cortadas e o ritmo desacelera bastante depois da metade. É aquele livro empolgante no começo, mas que desaba com o tempo. Conforme fui lendo as páginas, tive pouco ânimo em continuar.

Outra coisa que me incomodou (mas aí é gosto pessoal), foi que é um livro americano demais. Claro que foi escrito para um nicho e eu tenho consciência disso, mas são tantas passagens sobre beisebol e esportes que me deixou bem cansada. Mas isso, claro, sou eu. Você pode se deliciar com a escrita de Ferris, que por sinal, é bem caprichada.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Resenha: Acordar Outra Vez - Joshua FerrisTítulo original: To Rise Again at a Decent Hour
Autor: Joshua Ferris
Editora: Globo Livros
Número de páginas: 344
Ano: 2016
NotaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia

 

 

 

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Escrito por:

Isabela Zamboni


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