Manuscritos e revisões originais de autores famosos

Todo mundo que já tentou escrever um livro – ou escreve com frequência – sabe que a primeira versão nunca é a principal. Os textos precisam de revisão e um novo olhar, nem que o autor precise conferir mil vezes e pedir a opinião de terceiros.

E muito se engana quem acredita que autores incríveis como Charles Dickens, Jane Austen ou Guimarães Rosa não modificavam suas primeiras versões de suas obras. Inclusive, já fiz uma resenha do livro “Sobre a Escrita”, do Stephen King, em que ele fala sobre o processo de criação e ele comenta como a revisão é tudo!

Já pensou em como esses escritores de livros consagrados faziam revisões de seus trabalhos? Alguns escreviam à mão – não havia outra alternativa na época – outros com máquina de escrever ou computador, mas o processo de revisão é unânime: rabiscos e mais rabiscos!

Confira:

Jane Austen – The Watsons

Balzac – Eugénie Grandet: Autograph manuscript and corrected galley proofs signed

Moacyr Scliar – A Guerra no Bom Fim

José Saramago – O Ano da Morte de Ricardo Reis

Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

manuscrito fernando pessoa

Fonte: purl.pt/

Charles Dickens – Grandes Esperanças

James Joyce – Ulisses

Guimarães Rosa – O Grande Sertão Veredas

Eça de Queirós – Adão e Eva no Paraíso

George Orwell – 1984

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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: A Revolução dos Bichos – George Orwell

A Revolução dos Bichos é um livro INCRÍVEL! Eu já havia lido há muuuito tempo – devia ter uns 13 anos na época – e  adorei. Porém, agora com 25, posso afirmar que a leitura foi bem mais prazerosa.

Resenha: A Revolução dos Bichos - George Orwell

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Não tem uma página do livro de George Orwell que não contenha ironia e acidez. É tão descarada a crítica aos regimes extremistas que gera um misto de riso e tristeza no leitor. Sem contar que é também revoltante: cada página você sofre com o absurdo imposto pelos próprios animais a seus companheiros de granja.

Em A Revolução dos Bichos, acompanhamos a trajetória dos bichos da Granja do Solar, que se revoltam contra seu dono, o humano sr. Jones. Jones é o humano típico, que explora o trabalho dos bichos e nunca os oferece nenhum tipo de tratamento adequado, fazendo-os passar fome e trabalharem sem piedade. Porém, liderados pelos ideais de igualdade do porco Major, após sua morte, os bichos finalmente se revoltam, entram em conflito com Jones e conseguem expulsá-lo do local. A partir de então, a Granja do Solar torna-se a Granja dos Bichos.

No início, tudo parece lindo e incrível, até que os porcos – bichos que foram designados os líderes da revolução, por serem mais espertos que os demais – começam a entrar em conflito. Neste momento em diante, a relação de exploração dos próprios bichos será o tema deste livro genial de Orwell.

A edição da Companhia das Letras contém o posfácio de Christopher Hitchens e relatos do próprio Orwell a respeito de sua obra e suas principais referências para criar a história.

Na verdade, nunca tive opiniões políticas claramente definidas. Tornei-me pró-socialista mais por desgosto com a maneira como os setores mais pobres dos trabalhadores industriais era oprimidos e negligenciados do que devido a qualquer admiração teórica por uma sociedade planificada. (p. 142)

Desde 1930, eu vira poucos indícios de que a URSS estivesse avançando na direção de algo que se pudesse chamar de socialismo. Pelo contrário, ficava chocando diante dos sinais claros de sua transformação numa sociedade hierarquizada, em que os governantes não têm mais razão de desistir do poder que qualquer outra classe dominante. (p.144)

O autor ainda explica que tentou esclarecer o mito soviético na Inglaterra: na Rússia havia uma grande atmosfera de censura da imprensa, campos de concentração e prisões sem julgamento, mas ninguém ficava sabendo, pois eram mascaradas pelo regime. Segundo Orwell, “de fato, ao meu ver, nada contribuiu tanto para a corrupção da ideia original de socialismo quanto a crença de que a Rússia é um país socialista e cada gesto de seus governantes deve ser desculpado, quando não imitado”.

Para comprar o livro, é só acessar o link abaixo:

E no livro ele aponta com genialidade o autoritarismo e a corrupção criada pelo poder, mas na pele de animais como porcos e cachorros. Cada bicho representa um arquétipo, descritas com maestria pelo autor. Não quero dar spoilers para quem ainda não leu, então, POR FAVOR, leia agora!

Resenha: A Revolução dos Bichos - George Orwell

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

São muitas frases geniais e separei algumas para esta resenha:

Porque quase todo o produto do nosso esforço nos é roubado pelos seres humanos. Eis, aí, camaradas, a resposta a todos os nossos problemas. Resume-se em uma só palavra – Homem. O Homem é o nosso verdadeiro e único inimigo. Retire-se da cena o Homem e a causa principal da fome e da sobrecarga de trabalho desaparecerá para sempre. (p.12)

Todos os hábitos do Homem são maus. E principalmente, jamais um animal deverá tiranizar outros animais. Fortes ou fracos, espertos ou simplórios, somos todos irmãos. Todos os animais são iguais. (p.15)

Repetiu inúmeras vezes: “Tática, camaradas, tática!”, saltando à roda e sacudindo o rabicho, com um riso jovial. Os bichos não estavam muito certos do significado da palavra, mas Garganta falava de modo tão persuasivo, e três cachorros – que por coincidência estavam com ele – rosnavam tão ameaçadores que eles aceitaram a explicação sem mais perguntas. (p.51)

A vida atualmente era só fome e trabalho, raciocinavam; não seria justo que lhes estivesse reservado um mundo melhor, mais além? (p. 94)

Nada como uma boa releitura! <3

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Resenha: A Revolução dos Bichos - George OrwellTítulo original:  Animal Farm
Autor: George Orwell
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 147
Ano: 2007
Gênero: Ficção / Literatura Estrangeira
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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: O Homem Invisível – H.G. Wells

Uma das melhores leituras de ficção científica/horror que já tive foi O Homem Invisível, de H.G. Wells. Sempre quis conhecer as obras desse autor e esse livro me chamou a atenção por ser um clássico. Entre “A Máquina do Tempo”, “A Ilha do Dr. Moreau”, “Guerra dos Mundos” e “O Homem Invisível”, este último foi o que mais me atraiu.

O Homem Invisível - H.G. Wells

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

E posso afirmar que vale cada página! Do começo ao fim, o livro é munido de muita tensão. Até tive pesadelos com a história, de tanto que me impressionou. Pois é! A obra de 1897 suscita medos absurdos e múltiplos questionamentos. Você já desejou ser invisível? Já pensou nas consequências que isso traria para a sua vida?

Eu nunca tinha pensado muito a respeito disso, mas o livro mostrou um outro olhar sobre esse desejo inerente do ser humano. Todo mundo já quis passar despercebido em algumas situações, assim como sentiu vontade de espionar sem ser notado. Imagine quantas possibilidades poderiam surgir para alguém invisível: um mundo de coisas para fazer! No entanto, não é bem assim: H.G. Wells, de maneira única, constrói uma narrativa arrepiante e mostra como pode ser difícil a vida de uma pessoa invisível. Ainda mais se essa pessoa for um gênio sociopata.

Logo no começo já somos apresentados ao “Estranho”, um homem que chega à uma cidadezinha na Inglaterra e deseja se hospedar em uma pequena pousada. No entanto, ele tem uma aparência assustadora, é coberto de faixas pelo corpo e age de maneira bem esquisita. A dona da pousada aceita sua estadia, apesar de sua aparência anormal, mas desconfia das atitudes grosseiras do hóspede. E, a cada página, somos apresentados a um personagem violento, muito inteligente e com atitudes cada vez mais suspeitas. Somente na metade do livro sabemos o que realmente aconteceu com o Estranho, assim como seus pensamentos mais obscuros.

Achei interessante o autor optar por um narrador observador. Geralmente nesse tipo de história os narradores são personagens, mas, nesse caso, deixou a história bem mais empolgante. Outro detalhe interessante é que conhecemos bem pouco os personagens, criando também uma certa antipatia por quase todos, mesmo odiando e temendo o protagonista. Ou seja, não nos identificamos com ninguém e ficamos apenas observando as atitudes grotescas que os seres humanos são capazes de cometer.

O Homem Invisível - H.G. Wells

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

As explicações científicas a respeito da invisibilidade também são incríveis. Sou leiga no ramo da ciência, mas é tudo tão bem detalhado que chega a ser crível alguém ser capaz de ser invisível. Aliás, tudo nesse livro é crível, mesmo se tratando de ficção. E é justamente isso que faz ele ser tão valioso.

Você já parou para pensar que, mesmo se fôssemos invisíveis, teriamos corpo físico? Lógico que algumas histórias de ficção já mostraram isso posteriormente (Harry Potter e a capa da invisibilidade, por exemplo), mas “O Homem Invisível” disserta a respeito de coisas que dificilmente levamos em consideração.

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Se fôssemos invisíveis, as roupas continuariam visíveis, ou seja, teríamos que viver nus. Outro ponto: e se você quisesse comer? Roubar é fora de questão, já que qualquer um poderia ver o alimento flutuando no vazio. E você faria barulhos, deixaria pegadas… trombaria com outras pessoas em lugares lotados. Se quisesse entrar em estabelecimentos fechados durante à noite, ou não conseguiria entrar por conta dos alarmes/trancas ou ficaria preso. Concluindo: muitas dificuldades envolvem o fato de ser invisível e o livro mostra em detalhes cada uma delas.

Então se você busca uma leitura enriquecedora e ao mesmo tempo um bom entretenimento, esse livro é recomendadíssimo.

Título original: The InResenha: O Homem Invisível - H.G.Wellsvisible Man
Autor: H.G. Wells
Editora: Alfaguara
Número de páginas: 207
Ano: 2010
Gênero: Terror/Clássico/Ficção Científica
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Isabela Zamboni