Resenha: Pornô Chic – Hilda Hilst

Quando comecei a leitura de Pornô Chic, da brasileira Hilda Hilst, levei um susto logo de cara. Ainda não havia entrado em contato com nenhuma obra da autora, mas logo nas primeiras páginas já levei um soco no estômago. Sabia que o livro era de conteúdo adulto, pornográfico mesmo. Mas não imaginava que ia levar esse tiro! Hahaha! A linguagem da Hilda é BEM escarrada mesmo, bem grosseira. Ela não tem nenhuma censura, descreve os personagens e situações do jeito mais realista e erótico possível. E o mais engraçado é que eu não esperava que uma obra desse teor poderia ser tão boa.

Resenha: Pornô Chic - Hilda Hilst

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Sabe Cinquenta Tons de Cinza ou outros soft porn que estão na moda? ESQUECE! Esse livro aqui é paulera mesmo! E o mais interessante é que o linguajar, apesar de intenso, é bem rico – Hilda usa palavras destoantes, com um vocabulário bastante amplo, sem perder o refinamento.

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Essa edição da Globo Livros é impecável: além da capa dura, as folhas são ótimas de manusear, já vem com marcador de página e é recheado de ilustrações de artistas incríveis: Millôr Fernandes, Jaguar, Laura Teixeira e Veridiana Scarpelli.

Resenha: Pornô Chic - Hilda Hilst

Ilustração de Millôr. | FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Pornô Chic é composto pelos contos O caderno rosa de Lori Lamby (um que me arrepiou de tão tenso), Contos d’escárnio – textos grotescosCartas de um Sedutor e o livro de poemas Bufólicas. A autora considerou essas obras como uma “experiência radical e divertida”. O mais interessante de Pornô Chic é como ele mistura críticas à sociedade, humor, práticas sexuais inusitadas e muitas referências a autores que já foram considerados “pornográficos” e criticados pelo uso do erotismo, como Henry Miller, Georges Bataille e D.H. Lawrence.

Resenha: Pornô Chic - Hilda Hilst

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Foram publicados também nessa mesma edição alguns textos de apoio, com nomes de peso analisando a obra de Hilda. A “Fortuna Crítica” apresenta um texto do professor de História da Arte e da História da Cultura da Unicamp Jorge Coli, além da professora do departamento de Literatura Brasileira da FFLCH-USP Eliane Robert de Moraes, e o professor de Teoria Literária da Unicamp Alcir Pécora. Além disso, a edição ainda recupera um perfil da autora feito pelo jornalista Humberto Werneck e uma entrevista de Hilst ao amigo e escritor Caio Fernando Abreu.

Resenha: Pornô Chic - Hilda Hilst

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Quando me deparei com Pornô Chic, apesar do estranhamento inicial, logo pude perceber o quanto a autora é irônica e satiriza os aspectos animalescos dos humanos. Durante a leitura de Cartas de um Sedutor, por exemplo, é notável o tédio e a indiferença do personagem com a vida, quando seu único objetivo é satisfazer os desejos carnais.

Neste livro, não há nada que prenda Hilda: encontramos tudo que existe de mais polêmico, desde expressões mais vulgares até mesmo temas como o incesto. Mas, como já afirmei anteriormente, nada de soft porn romantizado ou uma literatura de banca de jornal: o refinamento das palavras e a poética da autora são evidentes; inclusive, aos 60 anos, a própria Hilda afirmou que “a sexualidade pode ser adorável, perversa ou divertida, mas eu acho que o ato de pensar excita muito mais do que uma simples relação sexual. A mim pelo menos, há muitos anos é assim”.

LEIA TAMBÉM

Resenha: Pornô Chic - Hilda HilstTítulo original: Pornô Chic
Autora: Hilda Hilst
Editora: Biblioteca Azul (Globo Livros)
Número de páginas: 276
Ano: 2014
Gênero: Literatura Brasileira/Contos
Nota: 


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Isabela Zamboni


Resenha: Eles Eram Muitos Cavalos – Luiz Ruffato

Conheci Eles Eram Muitos Cavalos, do autor Luiz Ruffato, durante uma aula de Literatura Brasileira Contemporânea. Depois que ganhei o livro de amigo secreto, comecei a ler e me apaixonei pela escrita do autor!

O livro é uma coletânea de microcontos que retrata a história de várias pessoas vivendo na cidade de São Paulo. Desde a alta burguesia até moradores de rua, acompanhamos a trajetória de indivíduos que tentam se encontrar no caos da metrópole.

Resenha: Eles Eram Muitos Cavalos - Luiz Ruffato

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

A escrita do autor é sensacional e não dá vontade de parar. As histórias são emocionantes e a narrativa muito diferenciada; alguns contos são apenas conversas telefônicas e, em uma das histórias, acompanhamos o ponto de vista de um cachorro de rua!

Contei mais um pouco lá no canal do Resenhas, então, se quiser conferir a resenha completa, é só assistir ao vídeo:

Clique abaixo para adquirir a obra:

Resenha: Eles Eram Muitos Cavalos - Luiz Ruffato

Título original: Eles Eram Muitos Cavalos
Autor: Luiz Ruffato
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 136
Ano: 2013
Gênero: Literatura Nacional/Contos
Nota:EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: Os Crimes do Dançarino da Sé – Marcelo Antinori

Depois do primeiro volume A Sereia de Vidro (resenha aqui), o autor Marcelo Antinori continua sua história no segundo livro da série, Os Crimes do Dançarino da Sé.

Os livros pocket são uma ótima pedida para quem deseja uma leitura rápida, divertida e misteriosa. Logo no início de Os Crimes do Dançarino da Sé já lidamos com um assassinato cruel no centro de São Paulo. Um corpo destroçado, jogado em um carrinho de supermercado e rodeado de velas e outros adereços estranhos. Só que o problema é que o corpo foi deixado no território de Coutinho, o líder do tráfico da região.

Resenha: Os Crimes do Dançarino da Sé

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

No primeiro livro, acompanhamos um escritor que se envolve em uma situação supercomplicada por conta de um “affair”. Depois de conhecer a sensual Ana Pérsia, o protagonista precisa ajudá-la a se livrar de perigos e pessoas que possam estar em seu encalço. Aqui, a personagem de Ana retorna à trama e se envolve cada vez mais com o protagonista; este, por sua vez, mais apaixonado, em conflito com sua esposa e estreitando suas relações com a máfia local.

+ Veja também: resenha do livro Para Ler Como um Escritor, de Francine Prose

A continuação de Sereia de Vidro é um livro mais maduro, com personagens bem construídos, crítica social e uma narrativa fluida. Para quem gosta de mistério/romance/drama, é um livro interessante, principalmente por estar inserida em um contexto nacional. O autor mostra domínio de território, descrevendo com detalhes a cidade de São Paulo.

Mas, por ser uma resenha, não posso deixar de revelar minha opinião pessoal: não é o meu tipo de livro. Acontece que, por mais que eu reconheça o bom trabalho realizado aqui, não consigo suportar nenhum dos personagens.

Resenha: Os Crimes do Dançarino da Sé

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Algumas descrições são sexuais demais, o livro acabou se revelando muito masculino para mim. São muitas descrições de seios, sexo, mulheres lindas, decotes e etc. Sei que o protagonista é masculino e vemos tudo pelo seu ponto de vista, mas não é uma leitura que me apetece.

Para mim, é essencial se identificar com algum personagem, ou pelo menos sentir empatia. Neste livro, isso não acontece. São todas pessoas são cruéis, ruins, ou criminosas/hipócritas. Não dá pra sentir nem um pouco de afeto ou vontade de continuar lendo suas trajetórias. Mas, como eu já reafirmei, é opinião pessoal. Você pode gostar muito mais do que eu!

Título original:  Os Crimes do Dançarino da SéResenha: Os Crimes do Dançarino da Sé
Autor: Marcelo Antinori
Editora: Bússola
Número de páginas: 100
Ano: 2015
Gênero: Ficção / Literatura Nacional
NotaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia


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Escrito por:

Isabela Zamboni