Resenha: O Progresso do Amor – Alice Munro

Ao começar a ler O Progresso do Amor, da autora canadense Alice Munro, não esperava um despertar tão grande de emoções. O livro de contos nos leva para um universo de subjetividade, tornando impossível não se comover com a escrita delicada da autora.

Resenha: O Progresso do Amor - Alice Munro

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Alice é vencedora do prêmio Nobel de Literatura de 2013 e mostra que é uma observadora de primeira linha. Logo no início do livro já nos deparamos com o conto de uma mulher divorciada que retorna para a casa de sua infância, onde ligações profundas se confrontam com a memória de seus pais. Outro conto marcante é quando um jovem rapaz que, ao se lembrar de um aterrorizante incidente da infância, tem um embate com a responsabilidade que assumiu pelo seu irmão caçula.

Outro conto que me deixou intrigada foi quando um homem leva a namorada para visitar sua ex-esposa, apenas para se sentir próximo novamente de sua parceira distante. Há também o conto Paroxismos, com um final de deixar qualquer leitor perplexo.

A autora é uma excelente cronista e traça uma narrativa cortante. O livro é uma coleção de retratos de vidas comuns, com uma perspectiva bem diferente da qual estamos acostumados. O Progresso do Amor revela muito sobre a sociedade, nossas escolhas e experiências amorosas.

Resenha: O Progresso do Amor - Alice Munro

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

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Durante a leitura, senti algo bem diferente do normal: é como se entrássemos na vida e mente daqueles personagens, vivenciando cada experiência. O livro é um momento de intimidade do leitor com personagens tão comuns e palpáveis. É fascinante o olhar da autora sobre acontecimentos mundanos e, claro, ao narrar romances de todas as formas – entre casais, irmãos, pais, crianças – de alguma forma seguimos também seu olhar a respeito do amor.

LEIA TAMBÉM

Resenha: O Progresso do Amor - Alice MunroTítulo original: The Progress of Love
Autora: Alice Munro
Editora: Biblioteca Azul (Globo)
Número de páginas: 384
Ano: 2017
Gênero: Contos
Nota: 


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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: Aura – Carlos Fuentes

Como uma boa apreciadora de suspense/mistério/terror, não poderia deixar de ler esse conto, que muitos dizem por aí que é assustador, medonho, aterrorizante, tenso, entre outros adjetivos. A L&PM Pocket disponibilizou esse livro no Kindle e, como era baratinho, comprei e li em mais ou menos 2 horas. Só tenho uma palavra a dizer: incrível. Não porque dá medo, pelo contrário: não achei nada aterrorizante, mas a capacidade que Carlos Fuentes tem de criar uma atmosfera é absurda. Nunca li algo parecido.

Resenha: Aura - Carlos Fuentes

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Esse conto me lembrou uma mistura de “A Volta do Parafuso” com “Grandes Esperanças“, só que mais pitoresco. É complicado falar dele sem dar spoiler, mas a premissa é a seguinte: o personagem principal, um historiador, vê um anúncio nos classificados para uma vaga de emprego que se encaixa perfeitamente com suas habilidades. Assim, ele vai direto para o local indicado no endereço e, chegando lá, encontra uma casa caindo aos pedaços. Ao entrar na propriedade, ele adentra em um corredor escuro, e vai sendo guiado por uma voz até o quarto de uma idosa, quase nos últimos dias de vida, que lhe explica exatamente o que ele deve fazer se quiser o emprego. Ele só terá que traduzir do francês as cartas de um general, o falecido esposo desta idosa, e montar um livro de memórias. O salário é bom, o trabalho é fácil, mas há apenas uma condição: ele deve morar na casa e passar o máximo de tempo possível lá dentro.

“Não tornará a olhar seu relógio, esse objeto inútil que mede falsamente um tempo concedido à vaidade humana, esses ponteiros que marcam tediosamente as longas horas inventadas para enganar o verdadeiro tempo, o tempo que corre com a velocidade insultante, mortal, que nenhum relógio pode medir.”

A sobrinha da idosa, chamada Aura, também mora na casa, uma bela jovem que faz o protagonista cair de amores por ela. Nesse conto sombrio, onírico e de atmosfera pesada, vamos sendo sufocados por essa casa enclausurante e pelas atitudes estranhas da idosa e sua sobrinha.

“Querem que estejamos a sós, senhor Montero, porque dizem que a solidão é necessária para se alcançar a santidade. Esqueceram-se de que na solidão a tentação é maior.”

A cada momento passado dentro dessa casa, ficamos mais apreensivos. É tudo muito estranho, suspeito, assustador. Não porque nada dá medo de fato, mas porque o clima que Fuentes criou faz toda a diferença: causa uma sensação de incômodo, mal-estar e também de curiosidade. Ao ler as memórias escritas pelo general, aos poucos vamos descobrindo um segredo envolvendo essa casa, essa mulher e todo o seu passado. O final, apesar de não ser tão surpreendente, é inusitado e bem desenvolvido, deixando um gostinho amargo na boca (no bom sentido).

Mas sabe o que é mais incrível na leitura deste livro? Ele é narrado em SEGUNDA PESSOA. Lemos a história e parece que somos nós ali, na pele do protagonista. Não é a visão dele, nem de um narrador. É como se fosse alguém olhando nos seus olhos e lhe dizendo o que você deve fazer, ou fez (?). Poucos autores conseguem realizar um feito narrativo envolvente e ousado como este e é por isso que você deve ler “Aura”.

Título original: AuraResenha: Aura - Carlos Fuentes
Autor: Carlos Fuentes
Editora: L&PM Pocket
Número de páginas: 80
Ano: 2005
Gênero: Conto/Mistério
Nota:EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Escrito por:

Isabela Zamboni