Resenha: Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie

Posso afirmar, com certeza, que esse é um daqueles livros que entraram no meu TOP 10 de obras favoritas e para a lista de livros-mais-incríveis-que-já-li-na-vida. Em “Americanah“, Chimamanda Ngozi Adichie mostra como é uma escritora fenomenal, revelando não apenas uma história inspiradora, mas personagens bem estruturados, uma narrativa empolgante, temas importantes que DEVEM ser discutidos e a realidade triste de que, na verdade, o racismo está sempre presente – e, muitas vezes, nem percebemos.

Resenha: Americanah - Chimamanda Ngozi Adichie

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Sabe aquele tipo de livro que não sai da sua cabeça? Não é fácil explicar. Eu termino as páginas, passa um tempinho, vou fazer outras coisas, mas minha mente não tira aqueles personagens e nem a história da cabeça. Dá vontade de ser amiga da Ifemelu, a protagonista da trama. Queria muito dar um abraço no Obinze, o namorado de adolescência e melhor amigo da Ifem. Gostaria de estar lá, conversar com eles e dizer: “vocês são personagens incríveis”. Sou estranha, né? Hahaha, me apego demais a personagens fictícios, gente! Apesar que, não sei ao certo, mas tenho quase certeza que a Chimamanda se inspirou nela mesma para escrever esse livro.

É surpreendente o quanto do que somos depende da cama onde acordamos pela manhã, e é surpreendente o quanto isso é frágil.

Mas vamos falar sobre a trama: nesse livro incrível, acompanhamos a trajetória de Ifemelu, uma jovem da cidade de Lagos, na Nigéria, que vai estudar nos Estados Unidos. Seu país está passando por problemas, como greves de professores, desemprego e um regime militar. Chegando ao país, ao mesmo tempo em que se torna uma aluna exemplar, ela começa a perceber como pode ser difícil a vida para um imigrante, tendo que lidar com a questão racial e de gênero, além de precisar aprender uma nova rotina, com outro ritmo e novos costumes. Em paralelo, acompanhamos a vida de Obinze, seu namorado da adolescência, que também passa por problemas parecidos ao sair da Nigéria para viver na Inglaterra. Chimamanda Ngozi Adichie aposta em uma história de amor para debater questões universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero.

Aquilo lhe causava uma estranheza desorientadora, porque sua mente não mudara no mesmo ritmo que sua vida, e ele sentia um espaço oco entre si próprio e a pessoa que supostamente era.

Resenha: Americanah - Chimamanda Ngozi Adichie

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

É terrível perceber a atitude das pessoas em relação aos negros nigerianos e também de outras nacionalidades. Tratados como pessoas “exóticas”, Chimamanda ironiza a superioridade norte-americana em relação aos imigrantes e também discute a questão da estrutura de classes. Ifemelu é sempre tratada como se fosse inferior, ou não merecesse o que os brancos acham que são merecedores.

Um dos pontos que mais me marcou nesse livro foi como foi difícil para a personagem aceitar seus cabelos crespos. Depois de passar por vários relaxamentos, cortar curtinho, tentar alisar, trançar, esconder seu lindo cabelo, chorar e nem querer sair de casa por vergonha dos fios, é aterrorizante perceber como a sociedade machuca pessoas que não se encaixam no padrão do corpo magro, pele branca e cabelo liso. Ifemelu é inteligente, de personalidade forte, corajosa, divertida, mas sempre é rebaixada e, no começo de sua empreitada americana, não conseguia arranjar emprego em lugar nenhum. É desesperador.

+11 FRASES INSPIRADORAS DE CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE

O estranhamento cultural também é recorrente:  Ifemelu está sempre indignada com atitudes dos norte-americanos, a forma como se alimentam, os valores que têm intrínsecos e seu modo de tratar pessoas de outros países. O mais incrível de Americanah é ser uma ficção tão realista, que dá até uma dor na alma de pensar a quantidade de pessoas que enfrentam atitudes machistas, racistas e arrogantes todo santo dia.

Além do mais, a humildade sempre lhe parecera algo especioso, inventado para reconfortar os outros; você era elogiado por sua humildade porque não os fazia sentir-se ainda mais cheios de falhas do que já eram.

O livro é longo, contém mais de 500 páginas, mas não cansa nunca – não pra mim, pelo menos. É um romance verdadeiro, honesto, denso e encantador. Acho que a melhor palavra para descrevê-lo é encantador, quase como se nos lançasse um ~feitiço~. O jeito que Ifemelu encara o mundo, a forma como enxerga as pessoas, é fenomenal. Gostaria eu de ter um olho clínico como a dessa personagem e metade da sua convicção.

Ela achou a cidade lenta demais, a poeira vermelha demais, as pessoas satisfeitas demais com a pequenez de suas vidas.

Só o que tenho a dizer é: LEIAM AMERICANAH. Fazia muito tempo que um livro não mexia assim comigo: eu penso diferente agora, encaro o mundo com outros olhos e tento ao máximo evitar qualquer atitude ridícula que um dia já posso ter tomado – ou pensado. Americanah não é só um livro, é uma aula! Aprendi tanto que só posso agradecer à Chimamanda por ter me apresentado suas palavras e seu ponto de vista incrível sobre a sociedade.

Depois, voltariam para os Estados Unidos para brigar na internet sobre a mitologia que cada um construía de seu país, pois esse país, seu lar, agora era um lugar indistinto entre aqui e lá, e pelo menos on-line podiam ignorar a consciência de quão desimportantes haviam se tornado.

Resenha: Americanah - Chimamanda Ngozi Adichie


Título original:
 Americanah
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 516
Ano: 2014
Gênero: Romance
Nota:EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


Resenha: Surpreendente!, de Maurício Gomyde

Estava pensando sobre como é bom poder acompanhar de perto o desenvolvimento da literatura nacional. Quando conheci Maurício Gomyde, através de seu primeiro livro O Mundo de Vidro, tive certeza de que o autor iria longe. Muitos anos depois do primeiro lançamento, agora já consagrado entre os romancistas brasileiros, o autor lançou seu livro pela Intrínseca que, para mim, tornou-se sua obra-prima instantânea.

Vou explicar o motivo.

Pedro, o protagonista de Surpreendente! é a representação perfeita da juventude dos “20 e poucos anos” atuais. Se antigamente, ao pensar no futuro, essa galera imaginava estar com a vida “feita” aos 30, a realidade é beeem diferente disso.

Recém-formado em audiovisual, o garoto acaba perdendo um dos empregos que mantinha em um dos últimos cineclubes da cidade de São Paulo. O casamento dos pais – e tudo o que ele entendia por “família”- estava desmoronando. Uma antiga doença voltou a dar as caras. E, para piorar, o prazo para participar de um concurso cinematográfico (talvez a última oportunidade de provar seu valor como diretor de filmes) estava se esgotando.

“- Presta atenção nisto: você foi um presente que apareceu na minha vida – Carlo repetiu – Mesmo se eu acabar sozinho, sempre vou ter você. 

Pedro jamais ouvira o pai falar daquela maneira, e ele próprio nunca encontrara jeito para se abrir e dizer o quanto amava o pai. 

Um abraço forte e demorado deu conta de responder”, p. 43.

Resenha: Surpreendente! - Maurício Gomyde

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Em meio a esse turbilhão de emoções e acontecimentos, Pedro conhece a doce Cristal, que conquista a atenção do garoto instantaneamente. A química entre os dois personagens é bastante “real”, isto é, poderia acontecer com qualquer um. Além disso, eles partilham diversos momentos significativos juntos, o que faz com que o carinho e a amizade dos dois cresça e se torne tão importante quanto a de outro personagem.

“Nossa vida é feita de um monte de momentos esquecíveis, entremeados por pouquíssimos inesquecíveis. Por que não darmos a nós mesmos o presente de tentar viver um inesquecível?”, p. 49.

+ ENTREVISTA: MAURÍCIO GOMYDE, AUTOR DE SURPREENDENTE!, DA INTRÍNSECA

Fit. O amigo-fiel-escudeiro-melhor-editor-do-mundo de Pedro. Um surperparceiro que topa todas as ideias ~loucas~ de seu companheiro. Os dois se conheceram durante a faculdade e desde então, não se desgrudaram. Quem nunca, né? 🙂

Resenha: Surpreendente! - Maurício Gomyde

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Outra personagem importante em Surpreendente! é Mayla. A garota é sobrinha da dona do cineclube (aquele, que eu citei ali em cima!), e está sempre disposta a ajudar, com mil ideias mirabolantes na cabeça. O outro emprego de Pedro é em uma videolocadora na periferia da cidade. E esse acaba sendo um dos temas recorrentes durante as brigas dos pais do garoto.

“Meu destino está ligado àquele lugar. Se eu conseguir convencer um jovem da periferia a alugar um clássico, e depois ele me contar algo surpreendente sobre o filme, terei cumprido minha missão na Terra”, p.28.

Como na vida nem tudo são flores, Pedro acaba precisando MUITO da ajuda dos três amigos. Em um momento de desespero, o garoto resolve seguir rumo ao interior do Brasil – precisamente, Pirenópolis – GO – para tentar achar respostas, a si mesmo, e o sentido de tudo o que está acontecendo em sua vida.

“Aqui começa o maior filme de todos os tempos sobre as chances que o mundo coloca na vida das pessoas. Que as lições sejam aprendidas e voltemos milhões de vezes melhores do que quando partimos […]”, p. 146.

A sétima arte é parte integrante do livro. Filmes, trilhas sonoras, cenas icônicas: tudo tem uma razão de ser e de estar na trama e fazem toda a diferença na hora de contextualizar o leitor.

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Resenha: Surpreendente! - Maurício Gomyde

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

É um livro emocionante, sensível e cheio de significados.

“Compreender o mundo é tarefa complicada para qualquer pessoa, enxergue ela ou não. Então você não está melhor nem pior do que ninguém. E lembre-se: muita gente vê tudo, mas não enxerga nada”, p. 50.

A roadtrip feita pelos amigos é, realmente, uma viagem de autoconhecimento. Muitas coisas acontecem durante o período que os quatro passam juntos. Histórias que, com certeza, marcaram também o leitorSurpreendente! é, sem dúvidas, o melhor livro do autor até agora.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Confira o booktrailer:

Resenha: Surpreendente! - Maurício GomydeTítulo original: Surpreendente!
Autor: Maurício Gomyde
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 272
Ano: 2015
Gênero:
Nota: 1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia


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Melissa Marques


Resenha: Laços de Família – Clarice Lispector

O que dizer desse livro de contos da Clarice Lispector? UAU. Eu já tinha lido A Hora da Estrela, mas Laços de Família é um livro arrebatador! É curtinho (136 páginas) e dividido em vários contos. Não consigo nem explicar pra vocês o que foi ler este livro. Clarice Lispector tem um estilo tão único e irreverente, que é difícil contar o que cada conto significa ou representa. São muitas interpretações e somente lendo (com calma) é que podemos realmente discutir os textos da autora.

Resenha: Laços de Família - Clarice Lispector

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Segundo a sinopse oficial, “esta obra reúne contos onde as personagens – sejam adultos ou adolescentes – debatem-se nas cadeias de violência que podem emanar do círculo doméstico. Homens ou mulheres, os laços que os unem são, em sua maioria, elos familiares ao mesmo tempo de afeto e de aprisionamento”.

Para comprar o livro, é só acessar o link abaixo:

Cada conto é um abismo: você pode ler e reler, mas sempre vai encontrar novos significados. Alguns contos te deixam tão desolado, que é como se fosse um soco na cara. Dá aquele mal estar, sabe? Não porque ele trata de algo horrível, pelo contrário: por se tratar de coisas tão corriqueiras e situações comuns. Clarice nos tira da zona de conforto, nos mostra coisas que achávamos que estavam enterradas dentro de nós. Não espere histórias com começo, meio e fim ou uma sucessão linear de acontecimentos. A leitura é mais abstrata, o vocabulário é precioso (alta literatura!) e o livro é impressionante – logo no primeiro conto já podemos conferir que se trata de uma obra onírica e intensa.

Resenha: Laços de Família - Clarice Lispector

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Desde um encontro de família para comemorar o aniversário da avó de 89 anos, até a culpa de um homem por ter abandonado seu cachorro, encontramos nesta obra desdobramentos de personagens que buscam algo além: a autora trata da solidão, da morte, da rotina e da falha da comunicação que temos, muitas vezes, com pessoas que estão ao nosso lado. Sei que tudo o que eu escrevi parece trivial, mas dê uma chance para essa obra maravilhosa, com um conteúdo tão incrível que não dá nem pra descrever.

Resenha: Laços de Família - Clarice LispectorTítulo original: Laços de Família
Autora: Clarice Lispector
Editora: Rocco
Número de páginas: 136
Ano: 2009
Gênero: Contos
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


Resenha: Coraline – Neil Gaiman

Já tinha visto o filme da Coraline, mas resolvi ler o livro para ver se era tão bom quanto. Claro que por se tratar de Neil Gaiman, com certeza seria bom (sou fã mesmo) e realmente não decepciona! É um livro infanto-juvenil, uma versão moderna e mais obscura de Alice, mas que consegue se tornar único e indicado para qualquer faixa etária.

livro coraline neil gaiman

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Coraline é uma garota que se muda para um apartamento com os pais e, durante suas férias, vive entediada. Seus pais trabalham em casa e não dão muita atenção para a garota, que vive perambulando pelas redondezas e visitando os vizinhos excêntricos. Coraline não gosta da comida que seu pai faz, não sabe o que fazer para passar o tempo e está cansada de ficar à toa.

Em uma tarde chuvosa, enquanto sua mãe está no mercado fazendo compras, Coraline decide bisbilhotar a sala de visitas (onde os móveis antigos de sua avó ficam amontoados) e resolve abrir uma porta, que antes era fechada com tijolos. Agora, os tijolos sumiram e Coraline encontra uma passagem aberta, e, aos poucos, adentra em um mundo alternativo. Seus pais, vizinhos e apartamento são semelhantes, porém com novas características.

Os novos pais de Coraline têm botões no lugar de olhos; fazem comidas deliciosas para ela o dia inteiro e adoram brincar. No entanto, com o tempo, a garota percebe que seus pais verdadeiros fazem falta e agora ela precisa descobrir uma forma de ir embora desse mundo e encontrar o caminho de volta para casa.

livro coraline neil gaiman

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Já vi muitas resenhas por aí contando que o livro desperta medo. É um pouco assustador, sim, mas não chega nem perto de dar medo. Eu acho que a fantasia foi utilizada com maestria: é obscuro, fantástico e absurdo, mas sem exageros. Por ser um livro infanto-juvenil, acho que Neil Gaiman dosa bem os elementos da narrativa. Sem contar que a personagem Coraline é muito forte, uma garota audaciosa, divertida e, como ela mesmo descreve, exploradora.

Amei o personagem do gato que acompanha Coraline, também: o gato sem nome. Cada personagem é inserido com perfeição na trama e todos esbanjam personalidade forte, tornando-se memoráveis. A ação é muito bem conduzida também, dá vontade de roer todas as unhas enquanto acompanhamos a fuga de Coraline e sua vontade de retornar para a família.

O livro é curtinho, com menos de 200 páginas e contém ilustrações incríveis do Dave McKean. Recomendo a todos! ❤

Resenha Coraline Neil GaimanTítulo original: Coraline
Autor: Neil Gaiman
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 160
Ano: 2003
Gênero: Infanto-Juvenil/Terror
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: Fronteiras – Sonia Rodrigues

Ao receber este livro, não fazia a menor ideia do que esperar dele. Quando li a sinopse, que contava a história de uma mãe que mudou-se para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor e deixou os dois filhos menores de idade para trás, esperava algo bem pesado e, no mínimo, diferente! A autora Sonia Rodrigues é filha de Nelson Rodrigues, autor que gosto muito! Isso me deixou com vontade de conferir esse livro, que no fim me deixou confusa. Ainda não sei dizer pra vocês se gostei ou não.

Pense em um livro em que você praticamente odeia todos os personagens. Não o tempo todo, mas boa parte. É um livro que causa revolta, indignação, raiva. Acho que é um ponto positivo, já que Sonia pretendia mostrar como é um inferno a vida de crianças abandonadas e que sofreram com muita violência.

Resenha: Fronteiras - Sonia Rodrigues

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Na história, Letícia, 16 anos, e Thomas, de 10, são deixados pela mãe Amanda, que parte para os Estados Unidos em busca de melhores condições de vida para a família. Ela deixa os dois morando sozinhos em um apartamento e promete que vai guardar o máximo de dinheiro possível para comprar as passagens, prometendo uma vida incrível para todos em Santa Barbara, na Califórnia. O motivo da fuga de Amanda é o ex marido Mark, pai de Thomas e padrasto de Letícia, que violentava os três. Enquanto fogem de Mark e tentam viver uma vida “normal”, Letícia precisa cuidar do irmão mais novo e ainda lidar com todos os conflitos da adolescência. Ela conta com a ajuda de Felício, ex policial que ajudou ela, o irmão e a mãe a fugirem de Mark no passado.

Durante as 300 páginas do livro, dá vontade de socar a cara de cada um dos personagens. Amanda é a mulher mais egoísta, idiota e irresponsável do mundo. Ela simplesmente abandona os filhos e começa a curtir a vida nos EUA, sem se preocupar com as crianças que largou para trás. No decorrer da história, ela só comete atitudes estúpidas e ainda acha que está sempre certa. Letícia é uma garota transtornada, que está passando por uma fase complexa da adolescência, descobrindo sua maturidade sexual, tendo que se privar de amizades e vida social para tomar conta do irmãozinho inocente. E Thomas é uma criança totalmente perdida, confusa e que não faz ideia do tamanho do problema em que está inserido. Felício é um cara bacana, mas que também não é dos melhores: não sabe se ajuda ou não Letícia, e inclusive a tensão sexual entre os dois é enorme. Observação: ele tem 32 anos e ela 16.

Mark é um típico psicopata que seduz mulheres carentes para conseguir o que quer. Ele passa boa parte do livro correndo incessantemente atrás do filho Thomas e querendo se vingar de Amanda. Acompanhamos a trajetória desses personagens, que passam por situações tão horríveis que só lendo pra saber.

Resenha: Fronteiras - Sonia Rodrigues

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Eu gostei da forma como os diferentes tipos de fronteiras são relatados. Fronteiras não somente físicas (Brasil – Estados Unidos, São Paulo – Rio), mas fronteiras entre sonhos e realidade, verdade ou mentira, ilusão ou crença, coragem e medo… É um livro triste. São relações humanas complicadas, envolvendo traição, abandono, abuso, violência sexual e famílias dilaceradas. Achei ótimo a autora mostrar esse universo que muitas vezes nem lembramos que existe.

Mas, como eu disse no começo do texto, alguma coisa não me agradou nesse livro. Achei ele longo demais, demora muito pra desenrolar E, no final, tudo acontece da forma mais corrida possível. Tipo novela, que acontece tudo no último capítulo. Na verdade, muitas vezes “Fronteiras” me lembrou novela das nove, sabe? Muito sexo, conflitos de relacionamento, núcleos diferentes. Eu simplesmente não queria saber de alguns personagens, eram descartáveis e desnecessários. Algumas situações pareciam exageradas e a personalidade de Thomas, por exemplo, foi muito instável. Com exceção de Letícia, que tinha personalidade forte e suas ações faziam sentido, o restante dos personagens eram meio bipolares e estranhos. Enfim, “Fronteiras” é um livro bom, tem subtextos interessantes, mas não é carismático. De qualquer forma, vale a leitura para tentar entender melhor a vida de pessoas em situações ilegais.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Resenha Fronteiras Sonia Rodrigues

Título original: Fronteiras
Autora: Sonia Rodrigues
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 300
Ano: 2015
Gênero: Romance
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia


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Isabela Zamboni


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