Resenha: Se só me restasse uma hora de vida – Roger-Pol Droit

Resenha: Se só me restasse uma hora de vida - Roger-Pol Droit

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Assumo: comprei o livro pela capa.

Sem nem mesmo saber a sinopse ou a quantidade de páginas do livro, já havia colocado como “desejado” na minha lista do Skoob (já me segue por lá?).

E “Se só me restasse uma hora de vida” (Si je n’avais plus qu’une heure à vivre, em francês) foi uma agradável surpresa! Comecei a leitura na sala de espera para um exame de rotina (coincidência, juro! haha) e, até então, pensei que se tratava de pura ficção.

O livro é, na verdade, um breve estudo sobre a filosofia do morrer.

Em certos momentos ele pode até ser confundido com autoajuda, mas isso não desmerece – de forma alguma – a obra: posso afirmar que “Se só me restasse uma hora de vida” é um bálsamo, um oásis no deserto, uma flor no meio de espinhos: depois de ler tantos livros ruins, mal escritos e sem sentido em 2014, Roger-Pol Droit trouxe exatamente o que eu precisava.

A leitura é fluida e rápida, apesar de tantos questionamentos e “densidade” no assunto. Morte. Ninguém gosta de falar dela, não é mesmo? Mas o autor faz um exercício incrível de – em poucas páginas – mergulhar nos pensamentos de uma mente que sabe que tem apenas alguns momentos de vida pela frente.

No que você pensaria? O que faria? Pediria perdão? Desculpa? Ligaria para aquele parente distante? Curtiria os filhos? O namorado? Rezaria para o seu Deus? Imploraria por misericórdia?

a morte não pode ser ensinada, não pode, em sentido algum, de maneira nenhuma, ser objeto de algum tipo de treinamento, só o que se pode, contemplar é preparar-se para fazer boa figura, condicionar-se para atravessar com dignidade a suprema prova, a luta final, o suposto combate da agonia, essa palavra que lembra guerra e confronto

Os recursos estilísticos usados por Roger-Pol Droit também chamam a atenção: não existem parágrafos ou muitas pontuações. O livro, a todo instante, nos dá uma sensação de urgência. O autor transita entre suas ideias. Faz cortes, retoma, pensa melhor e desfaz tudo. Essa mistura faz o leitor entrar, ainda mais, no universo particular de quem escreve.

Um ótimo “respiro literário” nesse fim de ano! Um maravilhoso brinde à vida!

Não faça como eu e confira a sinopse antes de comprar:

Esse pensamento, tão urgente e profundo, surge em algum momento da vida de cada um de nós e coloca em perspectiva todas as nossas prioridades e problemas. Mas e se essa fosse mais do que uma simples suposição? E se tivéssemos, de fato, apenas mais uma hora? E se você também tivesse apenas um breve momento para fazer um balanço, lembrar-se, encontrar aquilo que mais importa? E se só restasse uma hora para esquecer as ilusões e, finalmente, viver?

Roger-Pol Droit propõe neste livro um exercício radical, decisivo, que vale todas as lições de filosofia e sabedoria. De forma brilhante, o autor nos faz mergulhar em nossa própria consciência, para que, ao fim, possamos descobrir o que é essencial para nós.

Se só me restasse uma hora de vida - Roger-Pol Droit

Título original: Si je n’avais plus qu’une heure à vivre
Autor: Roger-Pol Droit
Editora: Bertrand Brasil
Número de páginas: 98
Ano: 2014
Gênero: Filosofia
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela


Comente!
Escrito por:

Melissa Marques


Resenha: Assassinatos na Rua Morgue – Edgar Allan Poe

O livro Assassinatos na Rua Morgue foi meu primeiro contato com Edgar Allan Poe. A obra, publicada pela L&PM Pocket, reúne diversos contos do autor, deixando para as últimas páginas a famosa história que dá nome ao livro.

Fiquei fascinada pela escrita de Poe e é notável como muitas, mas muitas obras atuais ainda se baseiam no poeta e escritor norte-americano. Quem ama romances policiais e histórias de mistério consegue notar quantos personagens e histórias derivam dos contos do autor.

Assassinatos na Rua Morgue - Edgar Allan Poe

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Assassinatos na Rua Morgue foi lançado em 1840 e influenciou personagens famosíssimos da literatura, incluindo Sherlock Holmes (de Arthur Conan Doyle) e Hercule Poirot (de Agatha Christie). Ou seja: é a origem das apaixonantes histórias de detetive, onde tudo começou.

No conto, o francês Monsieur C. Auguste Dupin, com a ajuda do narrador da história (algo que lembra uma relação Sherlock – Watson), utiliza seu próprio sistema de dedução para solucionar um crime. Observando os fatos e analisando atentamente o testemunho das pessoas que estavam no local onde os assassinatos foram cometidos, Dupin passa por cima da polícia francesa e consegue com muita precisão solucionar um caso que parecia impossível.

Aos poucos, vamos acompanhando o pensamento rápido do personagem, que levanta questões intrigantes e nos faz, junto com ele, tentar desvendar o bizarro mistério. O conto é muito empolgante! Utilizando uma linguagem madura, inteligente e que estimula a imaginação do leitor, somos induzidos a levantar inúmeros questionamentos a respeito do acontecido.

E o mérito não vai apenas para o Assassinatos na Rua Morgue. Os outros contos incluídos no livro, como “O Gato Preto”, “Hop-Frog ou Os oito orangotangos acorrentados” e “Nunca aposte sua cabeça com o diabo” são tão bons quanto o conto principal. Já os contos “Os fatos que envolveram o caso de Mr. Valdemar” e “O demônio da perversidade” são interessantes também, mas não me cativaram tanto.

Assassinatos na Rua Morgue - Edgar Allan Poe

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Não adianta contestar: existe algo intrigante na escrita de Poe. A linguagem pode parecer rebuscada para os dias atuais, mas ainda assim tem algo de impressionante que instiga a leitura. Durante a leitura do “Gato Preto”, fiquei mal, assustada e com muita vontade de saber o que iria acontecer. Ele sabe como aumentar nossa curiosidade e as páginas fluem rapidamente.

Percebi também o quanto Poe adora relacionar animais com suas histórias. Em quase todos os contos, há algum animal envolvido – gatos, orangotangos, corvos… acho isso bem curioso e, obviamente, metafórico. As tramas sempre trazem aquele clima sombrio de histórias antigas, que misturam alquimia, experimentos esquisitos e todas as nuances de uma mente humana perturbada, fazendo sempre um paralelo com animais selvagens que se deixam levar pelo instinto. Recomendo fortemente a leitura, principalmente se você é fã de histórias de detetive, terror e mistério.

Assassinatos na Rua Morgue

 

Título original: The Murders in the Rue Morgue
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: L&PM Pocket
Número de páginas: 160
Ano: 201o
Gênero: Terror/Clássico
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia


Comente!
Escrito por:

Isabela Zamboni


Página 15 de 15« Primeira...1112131415