Resenha: Mulheres – Carol Rossetti

Resenha: Mulheres - Carol Rossetti

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Mulheres é um daqueles projetos despretensiosos: ele nasceu na internet e acabou tomando forma física através de um livro. Participei de um bate-papo com a autora no SESC Bauru e acabei adquirindo meu exemplar.

Muitas das ilustrações do livro também são parte da fanpage de Carol. O complemento aqui, ao meu ver, são os textos que iniciam cada tema em que o livro é dividido – Corpo, Moda, Identidade, Escolhas, Amores e Valentes.

“Há mulheres que não são ativistas, que nunca ouviram falar em feminismo, que nunca discutiram racismo. Mulheres que lutam de formas diferentes, a partir de ideias que não conhecemos. Existem mulheres que têm vergonha de compartilhar suas escolhas por medo de serem julgadas. E mulheres que discordam de tudo isso que eu disse até aqui”.

As ilustrações abordam temas do cotidiano feminino, com uma visão objetiva e, até mesmo, didática. Afinal, como a própria autora afirma: ninguém é 100% desconstruído. Esse é, na verdade, um exercício diário de aprendizado.

Resenha: Mulheres - Carol Rossetti

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Clique abaixo e compre o seu exemplar:

No livro, Carol aborda temas atuais e supernecessários, como o machismo, a gordofobia, o racismo, e outros preconceitos ainda mais velados em nossa sociedade. Deficiências, amadurecimento, escolhas… São diversos pontos importantes abordados em Mulheres.

Resenha: Mulheres - Carol Rossetti

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

“É necessário encontrar a sua forma de lutar. Todos os personagens que eu criar eu vou tratar sobre representatividade. Quero colocar personagens trans, negros… trans-negros-gordos”. (Carol Rossetti, em entrevista ao Resenhas à la Carte).

Para mim, um dos únicos problemas do livro é que ele não tem páginas numeradas. Então, se eu quiser achar uma ilustração específica, preciso folheá-lo inteiro novamente até achá-la.

Resenha: Mulheres - Carol Rossetti

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

De forma criativa e com belas ilustrações, Carol Rossetti dá umas boas cutucadas e nos faz refletir sobre os julgamentos enraizados que (nós, Mulheres) temos que enfrentar no dia a dia.

LEIA TAMBÉM

Resenha: Mulheres - Carol RossettiTítulo original: Mulheres
Autora: Carol Rossetti
Editora: Sextante
Número de páginas: 160
Ano: 2015
Gênero: Ilustração
Nota: 


Comente!
Escrito por:

Melissa Marques


Resenha: #GIRLBOSS – Sophia Amoruso

Conheci #GIRLBOSS/ Nasty Gal / Sophia Amoruso através da Netflix. A recém-lançada série conta a história da garota que, com menos de 30 anos, criou um império varejista de moda que fatura milhões. Aliás, se você não sabe do que estou falando, dá o play aí embaixo:

De início, posso assegurar que o livro é anos-luz diferente da série. Digamos que ela retrate 12% da verdadeira história de Sophia (chutando alto!). Muita coisa foi alterada para se tornar mais cômica ou caricata. Mas estamos aqui para falar sobre o LIVRO!

Segundo a própria autora, não se trata de uma biografia, uma autoajuda ou um manifesto feminista. Na verdade, é um livro sobre negócios / administração, com um pouquinho de tudo isso na receita.

Resenha: #GIRLBOSS - Sophia Amoruso

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Apesar de se encaixar perfeitamente no padrão “classe média”, desde muito pequena, Sophia sentia dificuldade em seguir o que era imposto: não aprendia absolutamente nada na escola, não sentia segurança para se comunicar e fazer amigos, foi diagnosticada com depressão e TDA durante a adolescência e, já na fase adulta, além de descartar a possibilidade de fazer uma faculdade, não conseguia se manter em um emprego por mais de 2 meses.

Clique para adquirir o seu:

Esses anos são narrados sem rodeios no livro. Todas essas informações servem de introdução e base para a Sophia Amoruso que conhecemos no livro: através do desespero de se ver “sem futuro”, ela acaba criando uma lojinha no eBay para descolar uns trocados.

O que realmente importa é que Sophia não é uma empreendedora de palco – como estamos acostumados a ver aos montes. Ela criou a empresa do nada, foi fazendo testes e adaptando estratégias para, finalmente, alcançar o famoso patamar de “executiva de 100 milhões de dólares, CEO da Nasty Gal“. Sem investidor anjo, sem atalhos, apenas ela e o eBay.

Resenha: #GIRLBOSS - Sophia Amoruso

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Uma das grandes sacadas de Sophia foi ter dado atenção aos mínimos detalhes de um anúncio. Acredite: algo que hoje fazemos de olhos fechados (palavras-chave, descrição do item, título com foco em SEO), antigamente – não tão antigamente assim – era um superdiferencial e uma das peças mais importantes para o destaque da Nasty Gal Vintage no site.

Até o capítulo 6 o ritmo da narrativa é bom, porém, nele começa aquele papo de “acredite nos seus sonhos“, “seja positiva“, “lance para o universo” e, honestamente, eu tenho MUITA preguiça disso. HAHA.

Enfim, não é um livro para quem ama ser CLT, sabe? Indico para quem se sente insatisfeito, perdido, e está tentando achar novas visões de negócios. Sophia não traz uma fórmula, mas dá dicas básicas interessantes sobre administração e finanças, tudo com uma pitada pessoal.

Resenha: #GIRLBOSS - Sophia Amoruso

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Vale ler as matérias abaixo e tirar suas próprias conclusões sobre a “verdadeira” Sophia:

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora

LEIA TAMBÉM

Resenha: #GIRLBOSS - Sophia AmorusoTítulo original: #GIRLBOSS
Autora: Sophia Amoruso
Editora: Seoman
Número de páginas:  248
Ano: 2015
Gênero: Administração
Nota: 


Comente!
Escrito por:

Melissa Marques


Resenha: Onde Vivem os Monstros – Maurice Sendak

Resenha: Onde Vivem os Monstros - Maurice Sendak

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Onde Vivem os Monstros é um daqueles livros disfarçados de “infantil”, mas que tem a leitura indispensável para pessoas de todas as idades. Se você ainda não conhece a história de Max e seus monstros, vale muito a pena dedicar alguns minutos para a leitura dessa obra incrível escrita e ilustrada por Maurice Sendak.

Max é um garoto como muitas crianças que conhecemos: rebelde, birrento e respondão. Certo dia, a mãe pede para que ele pare de brincar com sua fantasia de lobo e vá jantar. Ele brada e acaba ficando sem jantar e de castigo. Tudo muda quando o quarto de Max começa a se transformar em floresta, e até um barquinho surge para levá-lo para Onde Vivem os Monstros.

Resenha: Onde Vivem os Monstros - Maurice Sendak

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

No lugar recém descoberto, Max encontra criaturas fantásticas – e monstruosas! Que, de certa maneira, tem diversas características parecidas com as suas próprias. E, com um rugido, ele é declarado Rei dos Monstros.

Lá, apesar de toda a bagunça e diversão sem limites, Max é obrigado a confrontar seus medos e inseguranças. O garoto passa a questionar os monstros e a si mesmo. E é assim que acaba percebendo que sente saudade de casa.

Clique para comprar Onde Vivem os Monstros com um superdesconto:

A história é leve, mas cheia de detalhes que podem ser explorados. É um livro com foco em crianças bem pequenas, com frases curtas e ilustrações que chamam a atenção. Tudo muito encantador <3

Resenha: Onde Vivem os Monstros - Maurice Sendak

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

A obra já foi citada por escritores e outros artistas como fonte de inspiração. Até mesmo Barack Obama assumiu ser um dos adoradores da escrita e das belas ilustrações de Maurice Sendak.

A edição da falecida Cosac Naify é excelente: capa dura, folhas mais grossas e impressão primorosa. Portanto, se você quer garantir essa obra de arte na sua estante, é melhor correr pra Amazon e adquirir a sua (já que eles não imprimem mais, né).

Confira o trailer legendado de Onde Vivem os Monstros:

LEIA TAMBÉM

Resenha: Onde Vivem os Monstros - Maurice SendakTítulo original: Where the Wild Things Are
Autor: Maurice Sendak
Editora: Cosac Naify
Número de páginas: 46
Ano: 2009
Gênero: Infantil
Nota: 


Comente!
Escrito por:

Melissa Marques


Resenha: O Primeiro e o Último Verão – Letícia Wierzchowski

Sempre tive curiosidade de ler algo escrito por Letícia Wierzchowski, responsável pelo famoso A Casa das Sete Mulheres – que chegou a ser adaptado para a TV – e mais de 25 ficções. Apesar de ter Sal (de sua autoria), outros livros acabavam passando na frente na hora da leitura.

Quando comecei O Primeiro e o Último Verão, não sabia o que esperar. A partir da sinopse, notei que seria uma história sobre amadurecimento, e sobre como esse processo – tão peculiar para cada um de nós – acaba, na verdade, funcionando como um rito de passagem bastante comum a todos.

Resenha: O Primeiro e o Último Verão - Letícia Wierzchowski

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Saímos da duna de mãos dadas, e acho que nunca me senti tão adulta como naquele instante. Eu tinha beijado o Deco. Não apenas uma, mas duas vezes. Era como se eu tivesse passado por um misterioso ritual de iniciação e tivesse sido aprovada – minha infância parecia ter ficado realmente para trás, escondida sob um cômoro de areia num canto qualquer da praia de Pinhal. (p. 36)

A história, narrada pela personagem Clara, tem uma premissa simplista: um recorte da vida da garota durante seus 14 anos. Anualmente, entre dezembro e fevereiro, Clara e a família viajavam rumo ao litoral norte gaúcho para relaxar e encontrar amigos na Praia do Pinhal.

Lá, a garota ficava hospedada na casa de praia da família, construída por seu avô há muitos anos. Assim como a casa tem alicerces que a moldam, alguns acontecimentos vão marcando a vida de Clara e moldando suas escolhas, reações e futuro. Dores e amores de uma idade onde começamos a descobrir quem somos e qual o nosso papel no mundo (um dia a gente descobre?).

Fiquei ali parada, no meio da sala. Eu tinha um amor novo em folha e bem vivo dentro de mim, e doía testemunhar aquilo. Meus pais. Eles já não se queriam ou, ao menos, já não se achavam. Pareciam tatear no escuro de um casamento dolorido, prestes a se desfazer. (p. 48)

É impossível ler O Primeiro e o Último Verão e não se identificar, principalmente se você nasceu na década de 90 ou pouco antes dela: provavelmente é o momento histórico do livro – que cita o envio de cartas, as ligações feitas em telefones no meio da sala de estar (o único da casa), as brincadeiras de rua, entre outros – que a maioria dos adultos teve contato.

Resenha: O Primeiro e o Último Verão - Letícia Wierzchowski

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

A escrita é leve e divertida. Confesso que não esperava e fui surpreendida positivamente. O livro dialoga tanto com os mais jovens que, provavelmente, estão vivendo esse tipo de experiência no momento (de formas diferentes das “da minha época”), quanto com quem já transitou por essa fase. As descrições não são muito detalhistas, mas muita coisa subentendida acaba dando um tom mais poético ao livro.

A forma como Clara, ainda adolescente, tem que lidar com a morte metafórica do casamento de seus pais, é dolorosa. Ao mesmo tempo em que a garota tem que aprender a lidar com seus problemas, medos e inseguranças.

Mas reconhecia os sinais de crise, como uma tempestade se armando no horizonte, e tentava disfarçar as coisas para proteger minhas duas  irmãs. (p. 53)

A narrativa me lembrou muito Pequenas Grandes Mentiras que, aliás, também se passa em uma praia. Fiquei esperando o desfecho trágico, que chegou de forma rápida e não muito criativa. De qualquer forma, O Primeiro e o Último Verão é um livro nostálgico e cheio de belas metáforas.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

LEIA TAMBÉM

Resenha: O Primeiro e o Último Verão - Letícia WierzchowskiTítulo original: O Primeiro e o Último Verão
Autora: Letícia Wierzchowski
Editora: Globo Livros
Número de páginas: 152
Ano: 2017
Gênero: Romance
Nota:


Comente!
Escrito por:

Melissa Marques


Resenha: Perdida: Um Amor Que Ultrapassa As Barreiras do Tempo – Carina Rissi

Resenha: Perdida: Um Amor Que Ultrapassa As Barreiras do Tempo - Carina Rissi

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Sempre gostei muito de romances com viagem no tempo. É uma combinação um pouco difícil de ser encontrada, portanto, quando comecei Perdida estava bem empolgada (ainda mais por ter ouvido / lido tantas críticas positivas).

O livro conta a história de Sofia Alonzo, uma jovem dos anos 2000 que tem dificuldade para se encaixar. Ela acaba levando os dias no automático, sem nenhum acontecimento relevante. Tudo muda na vida da garota quando ela acaba caindo – literalmente – no século XVIII e conhecendo o cavalheiro Ian Clarke – lindo, responsável, educado, entre outros atributos.

– Vejo que está um pouco atordoada! Vamos até minha casa. Descanse um pouco e, depois que falar com o médico, prometo que farei o possível para ajudá-la, está bem? – sua voz baixa e rouca, olhos intensos, não me deixaram outra escolha.

Clique para adquirir seu exemplar: 

Podemos perceber o trabalho de pesquisa de Carina Rissi para tentar descrever ao máximo os modos, costumes, roupas, trejeitos e linguagem de séculos atrás, porém… o fato de não ter abordado de forma alguma a questão da escravidão me deixou um pouco decepcionada. Sei que não é o foco do livro – de forma alguma – mas é uma questão delicada que vale MUITO ser abordada, principalmente se levarmos em conta o papel social dos autores.

A dinâmica dos personagens é bem divertida: Sofia e Ian têm seus momentos de briga e redenção, brincadeiras, silêncios, assim como qualquer outro casal. Na história, ninguém é “perfeito” (exceto Elisa e sua postura invejável? haha), o que gera uma identificação com o público.

– Sabe, Ian, você é muito estranho!

– Sem querer ofendê-la, senhorita, o mesmo se aplica a você!

É um livro extremamente leve, de leitura fácil e rápida: as quase 400 páginas passam voando! Isso é bom para atrair um público mais jovem que, sem dúvidas, é o desejo de Carina. Apesar de divertido, o livro perde um pouco a identidade: o romance de época ganha uma pegada conto de fadas com pinceladas softporn e deixa o leitor um pouco confuso.

Resenha: Perdida: Um Amor Que Ultrapassa As Barreiras do Tempo - Carina Rissi

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Talvez por Perdida ser mais antiguinho, acredito que alguns comentários que reforçam estereótipos – feitos pela personagem principal – não passariam das mãos dos editores. É o caso de alguns trechos em que Sofia reclama de seu cabelo “de vassoura” e faz outros comentários como “fulana tem o corpo perfeito”, e esse tipo de coisa. Além disso, o fato de Sofia querer “largar tudo” para ficar com um cara que ela acabou de conhecer me deixou um pouco incomodada.

Abracei-o mais forte, querendo que o tempo parasse, que a vida não seguisse em frente, que nossa dança nunca terminasse.

Com diversos núcleos que ainda podem ser explorados, Perdida já conta com mais três sequências: Encontrada, Destinado e Prometida. O projeto de adaptação do livro para os cinemas está embargado. Até então, a data de estreia seria o primeiro trimestre de 2017, porém, nenhuma novidade foi divulgada.

LEIA TAMBÉM

Resenha: Perdida: Um Amor Que Ultrapassa As Barreiras do Tempo - Carina RissiTítulo original: Perdida: Um Amor Que Ultrapassa As Barreiras do Tempo
Autora: Carina Rissi
Editora: Verus Editora
Número de páginas: 364
Ano: 2013
Gênero: Romance
Nota: 


Comente!
Escrito por:

Melissa Marques


Página 2 de 1612345...10...Última »