Resenha: Aura – Carlos Fuentes

Como uma boa apreciadora de suspense/mistério/terror, não poderia deixar de ler esse conto, que muitos dizem por aí que é assustador, medonho, aterrorizante, tenso, entre outros adjetivos. A L&PM Pocket disponibilizou esse livro no Kindle e, como era baratinho, comprei e li em mais ou menos 2 horas. Só tenho uma palavra a dizer: incrível. Não porque dá medo, pelo contrário: não achei nada aterrorizante, mas a capacidade que Carlos Fuentes tem de criar uma atmosfera é absurda. Nunca li algo parecido.

Resenha: Aura - Carlos Fuentes

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Esse conto me lembrou uma mistura de “A Volta do Parafuso” com “Grandes Esperanças“, só que mais pitoresco. É complicado falar dele sem dar spoiler, mas a premissa é a seguinte: o personagem principal, um historiador, vê um anúncio nos classificados para uma vaga de emprego que se encaixa perfeitamente com suas habilidades. Assim, ele vai direto para o local indicado no endereço e, chegando lá, encontra uma casa caindo aos pedaços. Ao entrar na propriedade, ele adentra em um corredor escuro, e vai sendo guiado por uma voz até o quarto de uma idosa, quase nos últimos dias de vida, que lhe explica exatamente o que ele deve fazer se quiser o emprego. Ele só terá que traduzir do francês as cartas de um general, o falecido esposo desta idosa, e montar um livro de memórias. O salário é bom, o trabalho é fácil, mas há apenas uma condição: ele deve morar na casa e passar o máximo de tempo possível lá dentro.

“Não tornará a olhar seu relógio, esse objeto inútil que mede falsamente um tempo concedido à vaidade humana, esses ponteiros que marcam tediosamente as longas horas inventadas para enganar o verdadeiro tempo, o tempo que corre com a velocidade insultante, mortal, que nenhum relógio pode medir.”

A sobrinha da idosa, chamada Aura, também mora na casa, uma bela jovem que faz o protagonista cair de amores por ela. Nesse conto sombrio, onírico e de atmosfera pesada, vamos sendo sufocados por essa casa enclausurante e pelas atitudes estranhas da idosa e sua sobrinha.

“Querem que estejamos a sós, senhor Montero, porque dizem que a solidão é necessária para se alcançar a santidade. Esqueceram-se de que na solidão a tentação é maior.”

A cada momento passado dentro dessa casa, ficamos mais apreensivos. É tudo muito estranho, suspeito, assustador. Não porque nada dá medo de fato, mas porque o clima que Fuentes criou faz toda a diferença: causa uma sensação de incômodo, mal-estar e também de curiosidade. Ao ler as memórias escritas pelo general, aos poucos vamos descobrindo um segredo envolvendo essa casa, essa mulher e todo o seu passado. O final, apesar de não ser tão surpreendente, é inusitado e bem desenvolvido, deixando um gostinho amargo na boca (no bom sentido).

Mas sabe o que é mais incrível na leitura deste livro? Ele é narrado em SEGUNDA PESSOA. Lemos a história e parece que somos nós ali, na pele do protagonista. Não é a visão dele, nem de um narrador. É como se fosse alguém olhando nos seus olhos e lhe dizendo o que você deve fazer, ou fez (?). Poucos autores conseguem realizar um feito narrativo envolvente e ousado como este e é por isso que você deve ler “Aura”.

Título original: AuraResenha: Aura - Carlos Fuentes
Autor: Carlos Fuentes
Editora: L&PM Pocket
Número de páginas: 80
Ano: 2005
Gênero: Conto/Mistério
Nota:EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: Assassinatos na Rua Morgue – Edgar Allan Poe

O livro Assassinatos na Rua Morgue foi meu primeiro contato com Edgar Allan Poe. A obra, publicada pela L&PM Pocket, reúne diversos contos do autor, deixando para as últimas páginas a famosa história que dá nome ao livro.

Fiquei fascinada pela escrita de Poe e é notável como muitas, mas muitas obras atuais ainda se baseiam no poeta e escritor norte-americano. Quem ama romances policiais e histórias de mistério consegue notar quantos personagens e histórias derivam dos contos do autor.

Assassinatos na Rua Morgue - Edgar Allan Poe

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Assassinatos na Rua Morgue foi lançado em 1840 e influenciou personagens famosíssimos da literatura, incluindo Sherlock Holmes (de Arthur Conan Doyle) e Hercule Poirot (de Agatha Christie). Ou seja: é a origem das apaixonantes histórias de detetive, onde tudo começou.

No conto, o francês Monsieur C. Auguste Dupin, com a ajuda do narrador da história (algo que lembra uma relação Sherlock – Watson), utiliza seu próprio sistema de dedução para solucionar um crime. Observando os fatos e analisando atentamente o testemunho das pessoas que estavam no local onde os assassinatos foram cometidos, Dupin passa por cima da polícia francesa e consegue com muita precisão solucionar um caso que parecia impossível.

Aos poucos, vamos acompanhando o pensamento rápido do personagem, que levanta questões intrigantes e nos faz, junto com ele, tentar desvendar o bizarro mistério. O conto é muito empolgante! Utilizando uma linguagem madura, inteligente e que estimula a imaginação do leitor, somos induzidos a levantar inúmeros questionamentos a respeito do acontecido.

E o mérito não vai apenas para o Assassinatos na Rua Morgue. Os outros contos incluídos no livro, como “O Gato Preto”, “Hop-Frog ou Os oito orangotangos acorrentados” e “Nunca aposte sua cabeça com o diabo” são tão bons quanto o conto principal. Já os contos “Os fatos que envolveram o caso de Mr. Valdemar” e “O demônio da perversidade” são interessantes também, mas não me cativaram tanto.

Assassinatos na Rua Morgue - Edgar Allan Poe

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Não adianta contestar: existe algo intrigante na escrita de Poe. A linguagem pode parecer rebuscada para os dias atuais, mas ainda assim tem algo de impressionante que instiga a leitura. Durante a leitura do “Gato Preto”, fiquei mal, assustada e com muita vontade de saber o que iria acontecer. Ele sabe como aumentar nossa curiosidade e as páginas fluem rapidamente.

Percebi também o quanto Poe adora relacionar animais com suas histórias. Em quase todos os contos, há algum animal envolvido – gatos, orangotangos, corvos… acho isso bem curioso e, obviamente, metafórico. As tramas sempre trazem aquele clima sombrio de histórias antigas, que misturam alquimia, experimentos esquisitos e todas as nuances de uma mente humana perturbada, fazendo sempre um paralelo com animais selvagens que se deixam levar pelo instinto. Recomendo fortemente a leitura, principalmente se você é fã de histórias de detetive, terror e mistério.

Assassinatos na Rua Morgue

 

Título original: The Murders in the Rue Morgue
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: L&PM Pocket
Número de páginas: 160
Ano: 201o
Gênero: Terror/Clássico
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia


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Escrito por:

Isabela Zamboni