Resenha: Laços de Família – Clarice Lispector

O que dizer desse livro de contos da Clarice Lispector? UAU. Eu já tinha lido A Hora da Estrela, mas Laços de Família é um livro arrebatador! É curtinho (136 páginas) e dividido em vários contos. Não consigo nem explicar pra vocês o que foi ler este livro. Clarice Lispector tem um estilo tão único e irreverente, que é difícil contar o que cada conto significa ou representa. São muitas interpretações e somente lendo (com calma) é que podemos realmente discutir os textos da autora.

Resenha: Laços de Família - Clarice Lispector

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Segundo a sinopse oficial, “esta obra reúne contos onde as personagens – sejam adultos ou adolescentes – debatem-se nas cadeias de violência que podem emanar do círculo doméstico. Homens ou mulheres, os laços que os unem são, em sua maioria, elos familiares ao mesmo tempo de afeto e de aprisionamento”.

Para comprar o livro, é só acessar o link abaixo:

Cada conto é um abismo: você pode ler e reler, mas sempre vai encontrar novos significados. Alguns contos te deixam tão desolado, que é como se fosse um soco na cara. Dá aquele mal estar, sabe? Não porque ele trata de algo horrível, pelo contrário: por se tratar de coisas tão corriqueiras e situações comuns. Clarice nos tira da zona de conforto, nos mostra coisas que achávamos que estavam enterradas dentro de nós. Não espere histórias com começo, meio e fim ou uma sucessão linear de acontecimentos. A leitura é mais abstrata, o vocabulário é precioso (alta literatura!) e o livro é impressionante – logo no primeiro conto já podemos conferir que se trata de uma obra onírica e intensa.

Resenha: Laços de Família - Clarice Lispector

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Desde um encontro de família para comemorar o aniversário da avó de 89 anos, até a culpa de um homem por ter abandonado seu cachorro, encontramos nesta obra desdobramentos de personagens que buscam algo além: a autora trata da solidão, da morte, da rotina e da falha da comunicação que temos, muitas vezes, com pessoas que estão ao nosso lado. Sei que tudo o que eu escrevi parece trivial, mas dê uma chance para essa obra maravilhosa, com um conteúdo tão incrível que não dá nem pra descrever.

Resenha: Laços de Família - Clarice LispectorTítulo original: Laços de Família
Autora: Clarice Lispector
Editora: Rocco
Número de páginas: 136
Ano: 2009
Gênero: Contos
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


Resenha: Coraline – Neil Gaiman

Já tinha visto o filme da Coraline, mas resolvi ler o livro para ver se era tão bom quanto. Claro que por se tratar de Neil Gaiman, com certeza seria bom (sou fã mesmo) e realmente não decepciona! É um livro infanto-juvenil, uma versão moderna e mais obscura de Alice, mas que consegue se tornar único e indicado para qualquer faixa etária.

livro coraline neil gaiman

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Coraline é uma garota que se muda para um apartamento com os pais e, durante suas férias, vive entediada. Seus pais trabalham em casa e não dão muita atenção para a garota, que vive perambulando pelas redondezas e visitando os vizinhos excêntricos. Coraline não gosta da comida que seu pai faz, não sabe o que fazer para passar o tempo e está cansada de ficar à toa.

Em uma tarde chuvosa, enquanto sua mãe está no mercado fazendo compras, Coraline decide bisbilhotar a sala de visitas (onde os móveis antigos de sua avó ficam amontoados) e resolve abrir uma porta, que antes era fechada com tijolos. Agora, os tijolos sumiram e Coraline encontra uma passagem aberta, e, aos poucos, adentra em um mundo alternativo. Seus pais, vizinhos e apartamento são semelhantes, porém com novas características.

Os novos pais de Coraline têm botões no lugar de olhos; fazem comidas deliciosas para ela o dia inteiro e adoram brincar. No entanto, com o tempo, a garota percebe que seus pais verdadeiros fazem falta e agora ela precisa descobrir uma forma de ir embora desse mundo e encontrar o caminho de volta para casa.

livro coraline neil gaiman

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Já vi muitas resenhas por aí contando que o livro desperta medo. É um pouco assustador, sim, mas não chega nem perto de dar medo. Eu acho que a fantasia foi utilizada com maestria: é obscuro, fantástico e absurdo, mas sem exageros. Por ser um livro infanto-juvenil, acho que Neil Gaiman dosa bem os elementos da narrativa. Sem contar que a personagem Coraline é muito forte, uma garota audaciosa, divertida e, como ela mesmo descreve, exploradora.

Amei o personagem do gato que acompanha Coraline, também: o gato sem nome. Cada personagem é inserido com perfeição na trama e todos esbanjam personalidade forte, tornando-se memoráveis. A ação é muito bem conduzida também, dá vontade de roer todas as unhas enquanto acompanhamos a fuga de Coraline e sua vontade de retornar para a família.

O livro é curtinho, com menos de 200 páginas e contém ilustrações incríveis do Dave McKean. Recomendo a todos! ❤

Resenha Coraline Neil GaimanTítulo original: Coraline
Autor: Neil Gaiman
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 160
Ano: 2003
Gênero: Infanto-Juvenil/Terror
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: Fronteiras – Sonia Rodrigues

Ao receber este livro, não fazia a menor ideia do que esperar dele. Quando li a sinopse, que contava a história de uma mãe que mudou-se para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor e deixou os dois filhos menores de idade para trás, esperava algo bem pesado e, no mínimo, diferente! A autora Sonia Rodrigues é filha de Nelson Rodrigues, autor que gosto muito! Isso me deixou com vontade de conferir esse livro, que no fim me deixou confusa. Ainda não sei dizer pra vocês se gostei ou não.

Pense em um livro em que você praticamente odeia todos os personagens. Não o tempo todo, mas boa parte. É um livro que causa revolta, indignação, raiva. Acho que é um ponto positivo, já que Sonia pretendia mostrar como é um inferno a vida de crianças abandonadas e que sofreram com muita violência.

Resenha: Fronteiras - Sonia Rodrigues

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Na história, Letícia, 16 anos, e Thomas, de 10, são deixados pela mãe Amanda, que parte para os Estados Unidos em busca de melhores condições de vida para a família. Ela deixa os dois morando sozinhos em um apartamento e promete que vai guardar o máximo de dinheiro possível para comprar as passagens, prometendo uma vida incrível para todos em Santa Barbara, na Califórnia. O motivo da fuga de Amanda é o ex marido Mark, pai de Thomas e padrasto de Letícia, que violentava os três. Enquanto fogem de Mark e tentam viver uma vida “normal”, Letícia precisa cuidar do irmão mais novo e ainda lidar com todos os conflitos da adolescência. Ela conta com a ajuda de Felício, ex policial que ajudou ela, o irmão e a mãe a fugirem de Mark no passado.

Durante as 300 páginas do livro, dá vontade de socar a cara de cada um dos personagens. Amanda é a mulher mais egoísta, idiota e irresponsável do mundo. Ela simplesmente abandona os filhos e começa a curtir a vida nos EUA, sem se preocupar com as crianças que largou para trás. No decorrer da história, ela só comete atitudes estúpidas e ainda acha que está sempre certa. Letícia é uma garota transtornada, que está passando por uma fase complexa da adolescência, descobrindo sua maturidade sexual, tendo que se privar de amizades e vida social para tomar conta do irmãozinho inocente. E Thomas é uma criança totalmente perdida, confusa e que não faz ideia do tamanho do problema em que está inserido. Felício é um cara bacana, mas que também não é dos melhores: não sabe se ajuda ou não Letícia, e inclusive a tensão sexual entre os dois é enorme. Observação: ele tem 32 anos e ela 16.

Mark é um típico psicopata que seduz mulheres carentes para conseguir o que quer. Ele passa boa parte do livro correndo incessantemente atrás do filho Thomas e querendo se vingar de Amanda. Acompanhamos a trajetória desses personagens, que passam por situações tão horríveis que só lendo pra saber.

Resenha: Fronteiras - Sonia Rodrigues

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Eu gostei da forma como os diferentes tipos de fronteiras são relatados. Fronteiras não somente físicas (Brasil – Estados Unidos, São Paulo – Rio), mas fronteiras entre sonhos e realidade, verdade ou mentira, ilusão ou crença, coragem e medo… É um livro triste. São relações humanas complicadas, envolvendo traição, abandono, abuso, violência sexual e famílias dilaceradas. Achei ótimo a autora mostrar esse universo que muitas vezes nem lembramos que existe.

Mas, como eu disse no começo do texto, alguma coisa não me agradou nesse livro. Achei ele longo demais, demora muito pra desenrolar E, no final, tudo acontece da forma mais corrida possível. Tipo novela, que acontece tudo no último capítulo. Na verdade, muitas vezes “Fronteiras” me lembrou novela das nove, sabe? Muito sexo, conflitos de relacionamento, núcleos diferentes. Eu simplesmente não queria saber de alguns personagens, eram descartáveis e desnecessários. Algumas situações pareciam exageradas e a personalidade de Thomas, por exemplo, foi muito instável. Com exceção de Letícia, que tinha personalidade forte e suas ações faziam sentido, o restante dos personagens eram meio bipolares e estranhos. Enfim, “Fronteiras” é um livro bom, tem subtextos interessantes, mas não é carismático. De qualquer forma, vale a leitura para tentar entender melhor a vida de pessoas em situações ilegais.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Resenha Fronteiras Sonia Rodrigues

Título original: Fronteiras
Autora: Sonia Rodrigues
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 300
Ano: 2015
Gênero: Romance
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: A mulher perfeita é uma vaca – Anne-Sophie e Marie-Aldine Girard

Resenha: A mulher perfeita é uma vaca

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Minha expectativa com A Mulher Perfeita é Uma Vaca era a melhor possível. Talvez, por isso, tenha ficado tão decepcionada! Esperava algo na linha que o próprio subtítulo propõe: Guia de sobrevivência para mulheres normais, ou seja: você não precisa de encaixar em nenhum padrão, já que a mulher ideal existe apenas na nossa cabeça. Mas o livro é beeem diferente disso.

Não faz o menor sentido atacar algo que você não acredita, certo? Exemplo, se eu não acredito no Coelho da Páscoa, não vou dedicar à escrita de um livro inteiro sobre ele e, principalmente, passar hoooras atacando-o. Pois é. Achei sem sentido. E grosseiro. Foram pouquíssimas as vezes que realmente me identifiquei com as autoras, geralmente em partes mais amenas do livro.

Resenha: A mulher perfeita é uma vaca

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

A verdade é que não me dou muito bem com guias – com algumas exceções, pois não gosto muito da fórmula “faça tal coisa, seja de tal forma”. Geralmente livros com esse tipo de conteúdo tendem a ser mais engessados. É o caso, por exemplo, de outras leituras como A Parisiense, e Como Ser uma Parisiense em Qualquer Lugar do Mundo. Livros que também não indico.

Poxa, temos um caminho tão grande até a real sororidade! Livros assim simplesmente não ajudam em nada: colocam na cabeça da mulher “normal” que a mulher “perfeita” deve ser combatida. E não, esse não é o caminho: as mulheres (todas) devem ser admiradas e copiadas por seus pontos fortes e não invejadas ou diminuídas, principalmente por outras mulheres!

O livro pode até ter sido escrito com o DESEJO de ser algo engraçado. Mas, infelizmente – no meu ponto de vista – acabou se tornando o puro ~creme do chorume~ que estamos acostumados a ver diariamente nas redes socias.

Confira abaixo algumas fotos de trechos (absurdos!) do livro:

Resenha: A mulher perfeita é uma vaca

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O ERRO: Posso começar a frase que eu quiser, do jeito que eu quiser.

Resenha: A mulher perfeita é uma vaca

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O ERRO: Posso usar a roupa / acessório que eu quiser, e isso não diz respeito a ninguém a não ser eu mesma.

Resenha: A mulher perfeita é uma vaca

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O ERRO: PARA DE CAGAR REGRA, POR FAVOOOR!!! Resumindo: um erro atrás do outro.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Resenha: A mulher perfeita é uma vacaTítulo original: La Femme Parfaite est une Connasse!
Autoras: Anne-Sophie e Marie-Aldine Girard
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 160
Ano: 2015
Gênero: Guia
Nota: 1 estrelaestrela vaziaestrela vaziaestrela vaziaestrela vazia


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Melissa Marques


Resenha: Macbeth – William Shakespeare

Ok, vamos começar uma resenha bem sincera: ler Shakespeare não é nem um pouco fácil! Confesso que já li as adaptações de Otelo e Hamlet, mas nunca o texto original. Agora, beirando meus 25 anos, fiquei com vontade de topar o desafio de ler Macbeth, mas com a tradução do texto de 1603. 

Tudo começou porque vi o trailer incrível do filme que vai estrear em breve, então quis ler o livro primeiro. Olha só como parece ser bom:

Macbeth é uma das tragédias shakesperianas mais curtas, que conta a história de um regicídio. A obra já ganhou muitas adaptações cinematográficas, peças de teatro, filmes para TV, quadrinhos, ópera, entre outras mídias. É uma trama densa que agora tomou mais uma forma, com os atores Michael Fassbender e Marion Cotillard.

++ O TRABALHO DE ALGUNS AUTORES ANTES DE SEREM FAMOSOS

O livro é bem curto (comprei o e-book por R$1,99 na Amazon), mas é necessário muito foco e atenção. A linguagem é rebuscada e antiga, muitas vezes a ordem das frases é invertida e o vocabulário é tão rico que usei o dicionário do kindle várias vezes. Não é fácil, porém não é impossível. É uma trama bem desenvolvida, com personagens marcantes e uma sucessão de acontecimentos recheada de intrigas. Não costumo ler peças de teatro, mas elas são envolventes e oferecem um outro tipo de olhar e interpretação.

+WILLIAM SHAKESPEARE ERA MACONHEIRO?

Macbeth é um excelente general que chega a ser promovido para thane (termo da época designado para quem fazia serviços aristocráticos para o rei), mas por conta da ambição de sua esposa Lady Macbeth, acaba sucumbindo à ganância e à vontade de arrancar o trono de Duncan, o rei da Escócia. A partir disso, vemos Macbeth se tornar um homem tirano, amargo, violento e poderoso, buscando eliminar qualquer um que entre em seu caminho. Shakespeare pegou a história emprestada de diversos relatos existentes nas Crônicas da Inglaterra, Escócia e Irlanda, portanto o cenário já é interessante por si só. Ainda existem alguns personagens mitológicos como as bruxas, que fazem um tipo de “premonição” para Macbeth, logo no primeiro ato da peça.

Macbeth é uma ótima peça, que ajuda tanto a melhorar o vocabulário e o raciocínio, como a apreciar uma boa trama, com um enredo interessante e reflexões bacanas sobre ganância, traição e vaidade.

Resenha: Macbeth - William ShakespeareTítulo original: Macbeth
Autor: Shakespeare
Editora:  LL Library
Número de páginas: 121
Ano: 2013
Gênero: Teatro
Nota:EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Isabela Zamboni


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