Resenha: Fronteiras – Sonia Rodrigues

Ao receber este livro, não fazia a menor ideia do que esperar dele. Quando li a sinopse, que contava a história de uma mãe que mudou-se para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor e deixou os dois filhos menores de idade para trás, esperava algo bem pesado e, no mínimo, diferente! A autora Sonia Rodrigues é filha de Nelson Rodrigues, autor que gosto muito! Isso me deixou com vontade de conferir esse livro, que no fim me deixou confusa. Ainda não sei dizer pra vocês se gostei ou não.

Pense em um livro em que você praticamente odeia todos os personagens. Não o tempo todo, mas boa parte. É um livro que causa revolta, indignação, raiva. Acho que é um ponto positivo, já que Sonia pretendia mostrar como é um inferno a vida de crianças abandonadas e que sofreram com muita violência.

Resenha: Fronteiras - Sonia Rodrigues

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Na história, Letícia, 16 anos, e Thomas, de 10, são deixados pela mãe Amanda, que parte para os Estados Unidos em busca de melhores condições de vida para a família. Ela deixa os dois morando sozinhos em um apartamento e promete que vai guardar o máximo de dinheiro possível para comprar as passagens, prometendo uma vida incrível para todos em Santa Barbara, na Califórnia. O motivo da fuga de Amanda é o ex marido Mark, pai de Thomas e padrasto de Letícia, que violentava os três. Enquanto fogem de Mark e tentam viver uma vida “normal”, Letícia precisa cuidar do irmão mais novo e ainda lidar com todos os conflitos da adolescência. Ela conta com a ajuda de Felício, ex policial que ajudou ela, o irmão e a mãe a fugirem de Mark no passado.

Durante as 300 páginas do livro, dá vontade de socar a cara de cada um dos personagens. Amanda é a mulher mais egoísta, idiota e irresponsável do mundo. Ela simplesmente abandona os filhos e começa a curtir a vida nos EUA, sem se preocupar com as crianças que largou para trás. No decorrer da história, ela só comete atitudes estúpidas e ainda acha que está sempre certa. Letícia é uma garota transtornada, que está passando por uma fase complexa da adolescência, descobrindo sua maturidade sexual, tendo que se privar de amizades e vida social para tomar conta do irmãozinho inocente. E Thomas é uma criança totalmente perdida, confusa e que não faz ideia do tamanho do problema em que está inserido. Felício é um cara bacana, mas que também não é dos melhores: não sabe se ajuda ou não Letícia, e inclusive a tensão sexual entre os dois é enorme. Observação: ele tem 32 anos e ela 16.

Mark é um típico psicopata que seduz mulheres carentes para conseguir o que quer. Ele passa boa parte do livro correndo incessantemente atrás do filho Thomas e querendo se vingar de Amanda. Acompanhamos a trajetória desses personagens, que passam por situações tão horríveis que só lendo pra saber.

Resenha: Fronteiras - Sonia Rodrigues

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Eu gostei da forma como os diferentes tipos de fronteiras são relatados. Fronteiras não somente físicas (Brasil – Estados Unidos, São Paulo – Rio), mas fronteiras entre sonhos e realidade, verdade ou mentira, ilusão ou crença, coragem e medo… É um livro triste. São relações humanas complicadas, envolvendo traição, abandono, abuso, violência sexual e famílias dilaceradas. Achei ótimo a autora mostrar esse universo que muitas vezes nem lembramos que existe.

Mas, como eu disse no começo do texto, alguma coisa não me agradou nesse livro. Achei ele longo demais, demora muito pra desenrolar E, no final, tudo acontece da forma mais corrida possível. Tipo novela, que acontece tudo no último capítulo. Na verdade, muitas vezes “Fronteiras” me lembrou novela das nove, sabe? Muito sexo, conflitos de relacionamento, núcleos diferentes. Eu simplesmente não queria saber de alguns personagens, eram descartáveis e desnecessários. Algumas situações pareciam exageradas e a personalidade de Thomas, por exemplo, foi muito instável. Com exceção de Letícia, que tinha personalidade forte e suas ações faziam sentido, o restante dos personagens eram meio bipolares e estranhos. Enfim, “Fronteiras” é um livro bom, tem subtextos interessantes, mas não é carismático. De qualquer forma, vale a leitura para tentar entender melhor a vida de pessoas em situações ilegais.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Resenha Fronteiras Sonia Rodrigues

Título original: Fronteiras
Autora: Sonia Rodrigues
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 300
Ano: 2015
Gênero: Romance
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: A mulher perfeita é uma vaca – Anne-Sophie e Marie-Aldine Girard

Resenha: A mulher perfeita é uma vaca

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Minha expectativa com A Mulher Perfeita é Uma Vaca era a melhor possível. Talvez, por isso, tenha ficado tão decepcionada! Esperava algo na linha que o próprio subtítulo propõe: Guia de sobrevivência para mulheres normais, ou seja: você não precisa de encaixar em nenhum padrão, já que a mulher ideal existe apenas na nossa cabeça. Mas o livro é beeem diferente disso.

Não faz o menor sentido atacar algo que você não acredita, certo? Exemplo, se eu não acredito no Coelho da Páscoa, não vou dedicar à escrita de um livro inteiro sobre ele e, principalmente, passar hoooras atacando-o. Pois é. Achei sem sentido. E grosseiro. Foram pouquíssimas as vezes que realmente me identifiquei com as autoras, geralmente em partes mais amenas do livro.

Resenha: A mulher perfeita é uma vaca

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

A verdade é que não me dou muito bem com guias – com algumas exceções, pois não gosto muito da fórmula “faça tal coisa, seja de tal forma”. Geralmente livros com esse tipo de conteúdo tendem a ser mais engessados. É o caso, por exemplo, de outras leituras como A Parisiense, e Como Ser uma Parisiense em Qualquer Lugar do Mundo. Livros que também não indico.

Poxa, temos um caminho tão grande até a real sororidade! Livros assim simplesmente não ajudam em nada: colocam na cabeça da mulher “normal” que a mulher “perfeita” deve ser combatida. E não, esse não é o caminho: as mulheres (todas) devem ser admiradas e copiadas por seus pontos fortes e não invejadas ou diminuídas, principalmente por outras mulheres!

O livro pode até ter sido escrito com o DESEJO de ser algo engraçado. Mas, infelizmente – no meu ponto de vista – acabou se tornando o puro ~creme do chorume~ que estamos acostumados a ver diariamente nas redes socias.

Confira abaixo algumas fotos de trechos (absurdos!) do livro:

Resenha: A mulher perfeita é uma vaca

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O ERRO: Posso começar a frase que eu quiser, do jeito que eu quiser.

Resenha: A mulher perfeita é uma vaca

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O ERRO: Posso usar a roupa / acessório que eu quiser, e isso não diz respeito a ninguém a não ser eu mesma.

Resenha: A mulher perfeita é uma vaca

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O ERRO: PARA DE CAGAR REGRA, POR FAVOOOR!!! Resumindo: um erro atrás do outro.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Resenha: A mulher perfeita é uma vacaTítulo original: La Femme Parfaite est une Connasse!
Autoras: Anne-Sophie e Marie-Aldine Girard
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 160
Ano: 2015
Gênero: Guia
Nota: 1 estrelaestrela vaziaestrela vaziaestrela vaziaestrela vazia


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Melissa Marques


Resenha: Macbeth – William Shakespeare

Ok, vamos começar uma resenha bem sincera: ler Shakespeare não é nem um pouco fácil! Confesso que já li as adaptações de Otelo e Hamlet, mas nunca o texto original. Agora, beirando meus 25 anos, fiquei com vontade de topar o desafio de ler Macbeth, mas com a tradução do texto de 1603. 

Tudo começou porque vi o trailer incrível do filme que vai estrear em breve, então quis ler o livro primeiro. Olha só como parece ser bom:

Macbeth é uma das tragédias shakesperianas mais curtas, que conta a história de um regicídio. A obra já ganhou muitas adaptações cinematográficas, peças de teatro, filmes para TV, quadrinhos, ópera, entre outras mídias. É uma trama densa que agora tomou mais uma forma, com os atores Michael Fassbender e Marion Cotillard.

++ O TRABALHO DE ALGUNS AUTORES ANTES DE SEREM FAMOSOS

O livro é bem curto (comprei o e-book por R$1,99 na Amazon), mas é necessário muito foco e atenção. A linguagem é rebuscada e antiga, muitas vezes a ordem das frases é invertida e o vocabulário é tão rico que usei o dicionário do kindle várias vezes. Não é fácil, porém não é impossível. É uma trama bem desenvolvida, com personagens marcantes e uma sucessão de acontecimentos recheada de intrigas. Não costumo ler peças de teatro, mas elas são envolventes e oferecem um outro tipo de olhar e interpretação.

+WILLIAM SHAKESPEARE ERA MACONHEIRO?

Macbeth é um excelente general que chega a ser promovido para thane (termo da época designado para quem fazia serviços aristocráticos para o rei), mas por conta da ambição de sua esposa Lady Macbeth, acaba sucumbindo à ganância e à vontade de arrancar o trono de Duncan, o rei da Escócia. A partir disso, vemos Macbeth se tornar um homem tirano, amargo, violento e poderoso, buscando eliminar qualquer um que entre em seu caminho. Shakespeare pegou a história emprestada de diversos relatos existentes nas Crônicas da Inglaterra, Escócia e Irlanda, portanto o cenário já é interessante por si só. Ainda existem alguns personagens mitológicos como as bruxas, que fazem um tipo de “premonição” para Macbeth, logo no primeiro ato da peça.

Macbeth é uma ótima peça, que ajuda tanto a melhorar o vocabulário e o raciocínio, como a apreciar uma boa trama, com um enredo interessante e reflexões bacanas sobre ganância, traição e vaidade.

Resenha: Macbeth - William ShakespeareTítulo original: Macbeth
Autor: Shakespeare
Editora:  LL Library
Número de páginas: 121
Ano: 2013
Gênero: Teatro
Nota:EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: O Iluminado – Stephen King

Parece até meio sem noção fazer uma resenha do Iluminado, né? Afinal, quem nunca viu o filme ou já leu esse clássico do Stephen King? E mesmo se a pessoa não tenha visto/lido, com certeza já ouviu falar ou sabe mais ou menos a história. Mas não importa! Quis fazer essa resenha porque esse foi meu primeiro contato verdadeiro com o autor (já tinha lido Os Olhos do Dragão e Sobre a Escrita, mas não é a mesma coisa) que todo mundo fala: o mestre do horror, do suspense, do thriller psicológico. E vou confessar que gostei muito! Mais do que eu esperava.

Resenha: O Iluminado - Stephen King

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O Iluminado não é somente uma história de horror – o que mais me “pegou”, na verdade, foi a tensão. Meu Deus, que livro TENSO! Eu quase roí todas as minhas unhas e sempre me pegava com o cenho franzido enquanto lia. O livro é bem grande, com mais de 400 páginas, mas não dá vontade de parar de ler. Só que o mais legal disso tudo é que o livro demooooora pra desenrolar. Pode parecer uma característica negativa, mas é isso que o torna tão interessante. Por conta dessa demora, os personagens são muito bem construídos e complexos; nossas expectativas aumentam em relação ao que pode acontecer em breve; o clima de suspense se constrói no ritmo certo; e somos envolvidos com tanto ardor na história que, mesmo depois que o capítulo acaba, ela continua na nossa cabeça.

A história é sobre o ex-alcoólatra e agora desempregado Jack Torrance, que aceita um emprego como zelador do afastado Hotel Overlook para conseguir sustentar sua esposa Wendy e seu filho Danny. Danny é uma criança especial, sensível e que consegue perceber coisas que outras pessoas não conseguem. Wendy é uma mãe preocupada e uma esposa atormentada por conta do alcoolismo do marido, que já trouxe problemas demais para a família. E Jack é um personagem único, pois ao mesmo tempo em que luta contra seu temperamento difícil, ainda se esforça para manter a união familiar. O problema é quando eles chegam ao Hotel Overlook para passar o inverno: todos os funcionários vão embora e os três ficam sozinhos no lugar, onde começam a acontecer eventos bizarros e perturbadores.

++RESENHA: O HOMEM INVISÍVEL, DE HG WELLS

++RESENHA: FRANKENSTEIN, DE MARY SHELLEY

Engraçado é que mesmo os personagens sendo um tanto odiosos (às vezes dá vontade de socar a cara deles), a empatia surge mesmo assim. Adoro quando o autor consegue fazer a gente entender o lado de pessoas atormentadas, que têm seu lado ruim, mas que também se esforçam para conseguir lidar com seus problemas. O Iluminado é, acima de tudo, um drama familiar, em um contexto de suspense muito interessante.

Eu sempre ouvi falar que o Stephen King detestou a adaptação do Kubrick para o cinema, o que me deixou meio incrédula. O filme do Kubrick é tão bom, tão intenso! Por que ele não gostou? Simples: porque o filme é COMPLETAMENTE DIFERENTE do livro. Claro que o contexto geral é o mesmo, algumas coisas similares acontecem, mas falando sério: parece que eu vi duas histórias parecidas, mas não uma adaptação. Acho que é melhor falar que o Kubrick dirigiu uma reinterpretação do livro. Obviamente que a linguagem cinematográfica é diferente da linguagem do livro, mas ainda assim, foram trabalhos bem divergentes. Portanto, os dois são bons, com algumas partes em comum, mas que podem ser apreciados de forma separada.

Enfim, terminei a leitura desse livro e já virei fangirl do Stephen King. Ele não é o rei da alta literatura, mas como bom contador de histórias é impecável. Adorei e recomendo muito (se você não tiver medo, claro).

Resenha: O Iluminado - Stephen King

Resenha: O Iluminado - Stephen KingTítulo original: The Shining
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Número de páginas: 463
Ano: 2012
Gênero: Suspense/Terror
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


Resenha: O Zen e a Arte da Escrita – Ray Bradbury

Já falei aqui no blog sobre alguns livros que servem como ajuda para escritores iniciantes. E o primeiro da lista foi este que vou resenhar agora: O Zen e a Arte da Escrita, de Ray Bradbury. É uma leitura prazerosa, leve e divertida, sem contar que também ajuda bastante os futuros escritores ou até mesmo quem deseja se expressar melhor.

Diferente do livro do Stephen King que comentei aqui, a obra de Bradbury é mais subjetiva. O livro é separado em pequenos ensaios que o autor escreveu ao longo da carreira, comentando sobre suas histórias, o processo criativo da escrita, dicas para quem deseja começar sua própria trajetória, entre outros relatos. É como se fosse um bate papo informal de Bradbury com nós, meros leitores. Digo isso porque o Bradbury é FODA e sabe escrever como ninguém (sou apaixonada por Fahrenheit 451).

Resenha: O Zen e a Arte da Escrita Ray Bradbury

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas a La Carte

Ele é tão simpático e dá dicas tão aproveitáveis, que dá vontade de pegar um bloquinho e sair anotando ideias. Ao contrário do livro do Stephen King, que oferece dicas bem mais diretas, Bradbury filosofa mais sobre a arte de contar histórias. Ele fala um pouco sobre sua infância, de como teve as ideias para seus livros, as dificuldades que passou no começo da carreira… E também fala de autores célebres que o influenciaram.

Bradbury quer que seu leitor conheça coisas novas, explore novos mundos, saia da zona de conforto. Nos ensina a abrir a mente, tentar encontrar em nosso subconsciente, histórias inexploradas, prontas para nascer. O livro é curtinho, bem didático e funciona mais como um conselho de um amigo do que qualquer outra coisa.

Me encantei e quero logo ler mais livros dele! Próximo da lista: As Crônicas Marcianas.

Resenha: O Zen e a Arte da Escrita - Ray Bradbury

Título original: Zen in the Art of Writing: Essays on Creativity
Autor: Ray Bradbury
Editora: LeYa Brasil
Número de páginas: 168
Ano: 2011
Gênero: Biografia/Não-ficção
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Isabela Zamboni


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