Resenha: Ninguém Vira Adulto de Verdade – Sarah Andersen

Resenha: Ninguém Vira Adulto de Verdade - Sarah Andersen

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Sabe aquele livro que, de cara, gera uma identificação absurda com o leitor? Ao começar Ninguém Vira Adulto de Verdade, da autora Sarah Andersen, tive certeza que minha vida estava sendo observada durante esses 25 anos. Não só pela protagonista dos quadrinhos ser uma baixinha-de-cabelo-curto-dona-de-um-coelho (como eu), mas pelas situações retratadas no livro. Inúmeras já aconteceram comigo. Ao terminar de ler, me senti um belo chichêzão.

Enquanto lia, tirava fotos das páginas e ia mandando pro meu namorado via WhatsApp. A resposta foi: “puta merda, igualzinha!“. Acho que Sarah tem o dom de resumir a geração dos 20-e-poucos-anos através de seus quadrinhos. Confesso que nunca tive muito contato com a obra da ilustradora, porém, já havia visto alguns desenhos circulando no Facebook.

Resenha: Ninguém Vira Adulto de Verdade - Sarah Andersen

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

A fanpage Sarah’s Scribbles conta com mais de 1 milhão de likes, e o livro já tem tradução para 9 idiomas, com mais vindo por aí! Com certeza, pessoas do mundo todo ainda poderão se identificar com as histórias da autora.

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Aliás, em Ninguém Vira Adulto de Verdade, Sarah aborda de forma engraçada e simplista alguns dos dilemas que enfrentamos no dia a dia, além de situações constrangedoras que, infelizmente, a gente acaba passando!

O traço infantil de Sarah é fofo, e ajuda a reforçar o título do livro. O projeto gráfico também ficou show: livro capa dura, com ótimos espaçamentos entre as tirinhas, papel de qualidade… Enfim, uma boa aposta do selo Seguinte.

Resenha: Ninguém Vira Adulto de Verdade - Sarah Andersen

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

A personagem é cativante, bem-humorada, irônica. É engraçada a forma que a autora personifica o coelho, fazendo dele “alguém” relevante para as tirinhas, muitas vezes, como se fosse a própria extensão da consciência da garota. Além disso, Ninguém Vira Adulto de Verdade aborda certas questões feministas e, principalmente, misoginia, de uma forma bem explicativa e “ilustrada”, deixando a obra  ainda mais relevante.

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* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora

Resenha: Ninguém Vira Adulto de Verdade - Sarah AndersenTítulo original: Adulthood is a myth
Autora: Sarah Andersen
Editora: Seguinte
Número de páginas: 120
Ano: 2016
Gênero: HQ
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Melissa Marques


Resenha: Zootopia – Disney

Resenha: Zootopia - Disney

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O filme Zootopia estreou em 2016 e conta a história da coelha Judy Hopps, que sonha em se tornar policial na cidade que dá nome ao longa. Como assisti ao filme – e fiquei encantada – assim que soube do lançamento da HQ com capa dura, corri para garantir o meu exemplar.

A história da HQ é exatamente a MESMA do filme, então, para quem assistiu, não tem nenhuma surpresa. Os diálogos são os mesmos: superfáceis e ideais para os pais que lerão para as crianças.

Resenha: Zootopia - Disney

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Zootopia é ideal para ensinar aos pequenos lições como empenho, sonhos e amizade. Tudo de uma forma muito fofa e com desenhos  superbonitinhos! As crianças vão AMAR!

No início, a HQ introduz um pouco cada um dos personagens principais.

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Resenha: Zootopia - Disney

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

 A edição é bem legal: conta com verniz nos personagens da capa (Judy  Hopps e Nick Wild), ilustrações de silhuetas nas contracapas (acima), papel de qualidade no miolo

Enfim, para quem – como eu – curte colecionar HQs, esse também é um bom item para ter na coleção!

Resenha: Zootopia - Disney

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Resenha: Zootopia - DisneyTítulo original: Zootopia
Autor: Disney
Editora: Media Pixel
Número de páginas: 56
Ano: 2016
Gênero: Infantil
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Melissa Marques


Resenha: O Filho de Mil Homens – Valter Hugo Mãe

Li O Filho de Mil Homens por indicação de um amigo e tive a melhor surpresa possível! O autor português Valter Hugo Mãe utiliza a língua portuguesa com tanta maestria que suas palavras permanecem mesmo após o fim da leitura. É incrível!

Resenha: O Filho de Mil Homens - Valter Hugo Mãe

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José Saramago, em 2007, comparou a experiência de ler este livro a “assistir a um novo parto da língua portuguesa“. Exato: é como uma nova língua, um português transformado, com uma sentença mais poética e sensível do que a outra. Um livro para agarrar e não soltar mais. A prosa fantástica de Valter Hug Mãe é leve e sutil, com personagens densos, bem-construídos e que nos fazem pensar (e sonhar) a cada segundo.

Durante o processo de leitura fiquei tão encantada, que parava pra ler diversas vezes o mesmo parágrafo. Coloquei muitos adesivos para me lembrar das lindas citações e colocá-las aqui no blog. Mas, antes de mais nada, vamos à sinopse:

Com vontade imensa de ser pai, o pescador Crisóstomo, um homem de quarenta anos, conhece o órfão Camilo, que um dia aparece em sua traineira. Ao redor dos dois, outros personagens testemunham a invenção e construção de uma família em vinte capítulos. Valter Hugo Mãe, ao falar de uma aldeia rural e dos sonhos anulados de quem vive nela, atravessa temas como solidão, preconceitos, vontades reprimidas, amor e compaixão.

As personagens são complexas e apaixonantes. Isaura, Crisóstomo, Camilo, Matilde, Mininha, são os moradores de um vilarejo sofrido – apenas pessoas comuns tentando o melhor de si para encontrar a felicidade.

Resenha: O Filho de Mil Homens - Valter Hugo Mãe

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Não conseguia parar de devorar as páginas, apenas para descobrir um final incrível – desfecho emocionante para uma história trágica de início. Não vou revelar detalhes, mas pense num livro que vai te transformar.  São diferentes temáticas em pouco mais de 200 páginas: machismo, preconceito, solidão, tristeza, família… Aliás, o novo conceito de família que esta obra aborda é perfeita para os dias de hoje.

Ser o que se pode é a felicidade. (p.77)

O Crisóstomo disse ao Camilo: todos nascemos filhos de mil pais e de mais mil mães, e a solidão é sobretudo a incapacidade de ver qualquer pessoa como nos pertencendo, para que nos pertença de verdade e se gere um cuidado mútuo. Como se os nossos mil pais e mais as nossas mil mães coincidissem em parte, como se fôssemos por aí irmãos, irmãos uns dos outros. (p.188)

Se você procura uma leitura enriquecedora, encontrou o livro certo! Sem contar que a edição da Globo Livros é incrível, tanto no acabamento, como na diagramação e no papel mais encorpado.

Para comprar o livro, é só acessar o link abaixo:

Não vejo a hora de ler os outros livros do Valter Hugo Mãe 🙂

Resenha: O Filho de Mil Homens - Valter Hugo Mãe

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Resenha: O Filho de Mil Homens - Valter Hugo MãeTítulo original: O Filho de Mil Homens
Autor: Valter Hugo Mãe
Editora: Globo Livros
Número de páginas: 224
Ano: 2016
Gênero: Romance
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


Resenha: E não sobrou nenhum – Agatha Christie

Comecei E não sobrou nenhum por indicação de amigos e blogueiros literários. Todas as resenhas que li até hoje sobre a obra sempre foram otimistas e categóricas: trata-se do melhor romance policial da Rainha do Crime! Talvez tenha iniciado a leitura com a expectativa altíssima. Não me desiludi, mas também não achei absolutamente genial – como achei Assassinato no Expresso do Oriente.

Resenha: E não sobrou nenhum - Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Vale lembrar que E não sobrou nenhum era, antigamente, conhecido como O caso dos dez negrinhos. Por questões óbvias para a atualidade, acharam melhor revisitar a obra.

No começo, somos apresentados a dez personagens principais, e acompanhamos sua viagem de trem a Ilha do Soldado, a convite de um anfitrião bastante peculiar.

Literalmente entramos na cabeça dessas pessoas: ouvimos seus desejos e pensamentos mais íntimos e sombrios.

Ao chegarem, uma série de eventos estranhos começam a acontecer: o anfitrião não dá às caras – ninguém nunca o viu pessoalmente -, a Ilha fica extremamente isolada e, durante a primeira noite na casam em um jantar, todos os convidados ouvem, através de um sistema de som, inúmeras acusações seríssimas sobre assassinatos que cada um teria cometido.

À partir daí, o caos se instaura.

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RESENHA: MORTE NA MESOPOTÂMIA – AGATHA CHRISTIE
RESENHA: ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE – AGATHA CHRISTIE

Resenha: E não sobrou nenhum - Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

A Ilha também é repleta de simbolismos: chama-se Ilha do Soldado, cada quarto conta com um poema infantil sobre soldadinhos e, na mesa de jantar, dez estátuas de soldados encaram os convidados.

Para piorar o clima, acontece a primeira morte. Cada uma delas, coincidentemente, ocorre exatamente como descrito no poema “E não sobrou nenhum”, que está presente em cada um dos quartos dos hóspedes.

Dez soldadinhos saem para jantar, a fome os move;
Um deles se engasgou, e então sobraram nove.

Nove soldadinhos acordados até tarde, mas nenhum está afoito;
Um deles dormiu demais, e então sobraram oito.

Oito soldadinhos vão passear e comprar chiclete;
Um não quis mais voltar, e então sobraram sete.

Sete soldadinhos vão rachar lenha, mas eis;
Que um deles cortou-se ao meio, e então sobraram seis.

Seis soldadinhos com a colmeia, brincando com afinco;
A abelha pica um, e então sobraram cinco.

Cinco soldadinhos vão ao tribunal, ver julgar o fato;
Um ficou em apuros, e então sobraram quatro.

Quatro soldadinhos vão ao mar; um não teve vez;
Foi engolido pelo arenque defumado, e então sobraram três.

Três soldadinhos passeando no zoo, vendo leões e bois;
O urso abraçou um, e então sobraram dois.

Dois soldadinhos brincando ao sol, sem medo algum;
Um deles se queimou, e então sobrou só um.

Um soldadinho fica sozinho, só resta um;
Ele se enforcou,
E não sobrou nenhum.

Resenha: E não sobrou nenhum - Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Além disso, a cada morte, uma das estatuetas de soldado acaba sumindo.

Quem estaria por trás disso tudo? Quem é o próximo a morrer? Eles conseguirão fugir da Ilha antes de todos serem mortos? E o mais importante: como todos os assassinatos foram planejados e executados?

Ao longo da história, é claro, você tenta responder essas e outras questões e, mais uma vez, acaba se surpreendendo com o fim da narrativa.

A BBC, inclusive, fez uma minissérie especial adaptando o livro para a tv. Confira um trecho de quando os convidados chegam na ilha:

Sensacional, né? Adorei e já quero assistir!

Capa do livro E não sobrou nenhum - Agatha Christie

Título original: And Then There Were None
Autora: Agatha Christie
Editora: Globo Livros
Número de páginas: 400
Ano: 2014
Gênero: Ficção/Policial
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Melissa Marques


Resenha: O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares – Ransom Riggs

Gostaria de começar essa resenha dizendo que… EU ADOREI ESSE LIVRO!

Sério. No começo não estava esperando muito. Mas conforme fui lendo e me aprofundando na história, acabei sendo fisgada!

Resenha: O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares - Ransom Riggs

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O livro (que irei abreviar como O Orfanato) conta a história do jovem Jacob. Ele vive uma vida superchata, monótona, enquanto trabalha em uma rede gigantesca de farmácias herdadas pela família, e conclui o ensino médio sem grandes dificuldades ou feitos. Ele é bem “na média”, normalzão, sabe? Tem apenas um amigo e não aguenta mais essa vida paradona.

“tentei me convencer da sorte que tinha pela vida segura e nem um pouco extraordinária que eu nada fizera para merecer”.

Por outro lado, atualmente, apenas uma coisa consegue movimentar a vida do rapaz: a saúde do avô, senhor Portman, que vai de mal a pior. Os dois têm uma ligação íntima muito forte. Inclusive, Jacob afirma, diversas vezes, que o avô é a pessoa mais importante do mundo para ele.

Quando Jacob era pequeno, Portman gostava de lhe contar histórias sobre um lugar mágico e incrível…

SAIBA MAIS

O LAR DAS CRIANÇAS PECULIARES: CONFIRA O TRAILER OFICIAL LEGENDADO 

“Era um lugar encantado, contava ele, projetado para manter as crianças protegidas dos monstros, em uma ilha onde o sol brilhava todos os dias e ninguém jamais adoecia ou morria. Todos viviam juntos em uma casa grande protegida por uma ave velha e sábia, pelo menos era isso que dizia a história. […] Havia uma garota que podia voar, um menino que tinha abelhas vivendo dentro dele, um irmão e uma irmã que podiam erguer facilmente pedras enormes”.

Resenha: O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares - Ransom Riggs

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Portman, inclusive, chegou a mostrar diversas fotos desse lugar e dessas pessoas para Jacob. Porém, com tempo e maturidade, o jovem passou a desacreditar nas histórias oníricas do avô.

Já dá para imaginar o que acontece quando essa figura paterna morre – de um forma supertrágica, inclusive – né? A vida de Jacob muda COMPLETAMENTE e ele parte em busca de respostas.

PAUSA IMPORTANTE: achei INCRÍVEL o autor abordar aqui a temática da depressão de uma forma tão aberta. Fiquei imaginando se, em algum ponto da vida, o próprio Ransom Riggs não teria sofrido com a doença. Ele descreve sentimentos, solidão, medo, vazio, tratamentos… Tudo de uma forma bastante realista. Ponto a favor! Temos que falar sobre depressão!

Enfim, é com todo esse luto que Jacob parte para descobrir a verdade sobre o avô, o orfanato que ele tanto falava, sobre “monstros”, e claro: sobre si mesmo!

“E foi assim que alguém extremamento suscetível a pesadelos, terrores noturnos, arrepios, ataques de pânico e a ver coisas que na verdade não estão ali se convenceu a fazer uma última excursão à casa […].

É nesse momento que Jacob tem seu primeiro contato com as crianças peculiares e a Srta. Peregrine. Não vou detalhar a história, mas é importante dizer que ele fica “indo e vindo” entre sua vida fadada à mesmice e o mundo mágico do orfanato.

Resenha: O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares - Ransom Riggs

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

A partir de então, o garoto deve juntar forças com os peculiares para defender o local das ameaças de etéreos (“sombras malignas” que um dia já foram peculiares. Atualmente se alimentam de outros peculiares, humanos, animais… Enfim, qualquer ser vivo.) e acólitos (Ex-etéreos que se tornam uma espécie de servo. Podem assumir qualquer tipo de forma humana. Geralmente são eles quem conseguem os “banquetes” para os etéreos, já que costumam enganar os humanos com facilidade).

Até a 100ª página, O Orfanato tratou muito sobre a vida de Portman e de seu relacionamento com o neto. A partir da metade do livro, o foco foi bem mais a vida no orfanato com a Srta. Peregrine. Na terceira parte, tudo passa a ficar mais sombrio: segredos são revelados, acontecem alguns plots e perseguições que – assumo – ao imaginar, me deixaram sem ar!

“Tudo começava a fazer sentido, apesar de só um pouco”.

O livro termina de forma rápida e já indicando uma continuação (lançada esse ano pela Editora Intrínseca: Cidade dos Etéreos – Ransom Riggs). E me deixou querendo acompanhar o restante da aventura!

“A porta de nossas gaiolas havia explodido.

Agora estávamos juntos naquele abismo”.

A 2ª Guerra Mundial é pano de fundo do livro e, de certa forma, foi muito bem aproveitada sem cair no clichê ou no piegas. As fotografias – todas originais, vindas de colecionadores de fotos antigas – dão um ar macabro ao livro. Realmente, um trabalho digno de Tim Burton! Uma jornada do herói muito bem contada.

Resenha: O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares - Ransom RiggsTítulo original: Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children
Autor: Ransom Riggs
Editora: LeYa
Número de páginas: 336
Ano: 2012
Gênero: Fantasia
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Escrito por:

Melissa Marques


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