Resenha: Dia de folga – John Boyne

Dia de folga foi minha primeira experiência completa no Kindle. Digo completa, pois comecei um livro de Shakespeare no dispositivo, mas ainda não terminei.

Resenha: Dia de folga - John Boyne

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Dia de folga é um conto escrito por John Boyne que foi disponibilizado gratuitamente para plataformas digitais (baixe aqui). Em poucas páginas, acompanhamos um dia de folga do soldado Hawke, que nos transporta diretamente para o ambiente da Primeira Guerra Mundial.

“Ei, Hawke”, disse Delaney, o garoto irlandês que todo mundo chamava de Charlie Chaplin por causa da semelhança. “O que você pediu para o Papai Noel esse ano?”. “Uma noite de sono”, disse Hawke. “Eu tive uma dessas algumas semanas atrás. Mas não adiantou muita coisa. Eu continuava me sentindo morto quando acordei.

No conto, o autor não aprofunda nenhuma característica física ou psicológica do soldado. Inclusive, seus pensamentos são, em grande parte, bastante desconexos. É Natal, e Hawke vaga pelo acampamento em busca de algo para fazer. É interessante perceber como o autor consegue traçar um paralelo entre a vida de um soldado e de todas as pessoas que se sentem “engolidas pela rotina”.

“Esse era o problema dos dias de folga. Eles eram tão raros, e você esperava tanto por eles, mas quando eles chegavam, seu corpo estava tão acostumado a se mover constantemente que era quase impossível relaxar”.

Como a própria sinopse aponta, enquanto relembra os natais da infância e o conforto do seu lar, Hawke vê e ouve as bombas alemãs caindo à sua volta. Em meio a um dos piores conflitos do século XX, o jovem irá vivenciar um espírito natalino muito diferente do que estava acostumado.

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“Na Inglaterra era véspera de Natal. Talvez fosse véspera de Natal aqui também, era difícil saber”.

Vale ressaltar que em Dia de folga, Boyne não utiliza sua “voz infantil”, tão famosa e presente em outros livros, como: O menino do pijama listrado e Tormento. Porém, a temática favorita do autor – guerra – está presente, e dificilmente será esgotada.

PS: para quem já leu outros livros do autor, em Dia de Folga, é possível relembrar alguns personagens de outras histórias!

Resenha: Dia de folga - John BoyneTítulo original: Rest Day
Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 8
Ano: 2014
Gênero: Conto
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia


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Melissa Marques


Resenha: O amor é um cão dos diabos – Charles Bukowski

Resenha: O amor é um cão dos diabos - Charles Bukowski

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Para mim, algo muito importante na poesia é a identificação. E simplesmente não rolou entre Bukowski e eu. Entendo e respeito a importância do autor para a poesia, mas não necessariamente preciso gostar.

Alguns dos temas recorrentes em seus livros e poemas, são: bebidas e mulheres. Basicamente, o autor era um velho fodido que escrevia de uma forma crua e visceral sobre suas experiências. Portanto, os poemas são extremamente pessoais.

Resenha: O amor é um cão dos diabos - Charles Bukowski

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Algo que me deixou inquieta é a forma com que o autor “entende” o amor. Durante sua vida, são diversas mulheres que vêm e vão, e o autor disseca seus sentimentos através das palavras. Mas… Para mim, nada daquilo que ele aborda como “amor” é, verdadeiramente, amor (PARA. MIM.). É paixão, desejo, vontade, tesão… Mas não é amor! Fiquei imaginando como e porque o autor trata esse sentimento dessa forma e, ao mesmo tempo, fiquei pensando sobre esse meu julgamento. 

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 Assim como muitos outros autores famosos, Buk vai na contramão do que se espera. A todo instante. E esse é, provavelmente, um dos maiores pontos à favor do Velho Safado. Como a própria editora afirma em seu site oficial: “É considerado o último escritor ‘maldito’ da literatura norte-americana, uma espécie de autor beat honorário, embora nunca tenha se associado com outros representantes beat, como Jack Kerouac e Allen Ginsberg“.

Além disso, o retrato feminino em seus poemas – que coloca a mulher quase sempre na versão de “serva” – não me atrai de forma alguma. Ao contrário: chega a cansar (para não dizer que causa repulsa). Inclusive, em alguns poemas, Buk disserta sobre sua atração por meninas de 13/15 anos, ou seja, DESCULPA, MAS NÃO ROLOU.

Resenha: O amor é um cão dos diabos - Charles Bukowski

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Meus poucos poemas favoritos do livro tratam, geralmente, sobre amenidades como: trabalho, casa, mar, entre outros. Um exemplo é o Provaremos as ilhas e o mar:

Provaremos as ilhas e o mar

sei que em alguma noite
em algum quarto
logo
meus dedos abrirão
caminho
através
de cabelos limpos e
macios

canções como as que nenhuma rádio
toca

toda a tristeza, escarnecendo
em correnteza.

Foi bom ter contato com uma das obras de Bukowski, mas não voltarei a ler um poema, crônica ou livro dele tão cedo.

Resenha: O amor é um cão dos diabos - Charles BukowskiTítulo original: Love is a dog from hell
Autor: Charles Bukowski
Editora: L&PM Editores
Número de páginas: 304
Ano: 2010
Gênero: Poesia
Nota: EstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vaziaestrela vazia


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Melissa Marques


Resenha: O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald

Deu pra perceber que estou no clima dos clássicos ultimamente – e por conta disso, não pude deixar de ler O Grande Gatsby, esse livro incrível eternizado por Fitzgerald. Eu já havia conferido os dois filmes (com o Robert Redford, de 1974 e com Leonardo DiCaprio, de 2013), mas demorei para ler o livro. Posso afirmar que é maravilhoso e não importa se você já conhece a história – a obra de Fitzgerald vai te prender do começo ao fim.

grande gatsby livro capa

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O livro é bem curtinho – nessa minha edição da Penguin, quase 60 páginas são de textos de apoio e o restante é a trama narrada por Nick Carraway. O narrador em O Grande Gatsby é essencial e, por meio do ponto de vista de Nick, acompanhamos os enlaces dos personagens Jay Gatsby, Daisy, Tom Buchanan e Jordan Baker.

Nick é um jovem que saiu do Meio Oeste para trabalhar em Nova York como corretor de títulos. Chegando à cidade, descobre que é vizinho do famoso Gatsby, generoso e misterioso anfitrião que abre a sua luxuosa mansão às festas mais extravagantes. Gatsby é apaixonado por Daisy, prima de Nick, que é casada com o aristocrata esnobe Tom Buchanan.

O livro retrata com maestria a era do jazz, onde a riqueza parece estar em toda parte. O gim é a bebida nacional (apesar da lei seca) e o sexo está “pegando fogo”. No personagem de Gatsby, que conhecemos aos poucos pelo ponto de vista de Nick, vemos um homem abalado, frágil, mas que faz de tudo para recuperar o passado e reviver uma antiga paixão.

Para comprar o livro, é só acessar o link abaixo:

Fitzgerald faz críticas ferozes à aristocracia norte-americana, assim como às pessoas fúteis que frequentavam as festas de Gatsby sem conhecê-lo. O tempo todo somos apresentados à uma sociedade hipócrita, que se diz repleta de moral e bons costumes, mas que na verdade não passa de egoístas inveterados.

Resenha: O Grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald

O personagem de Gatsby é misterioso, intrigante e encanta a todos com seu charme, especialmente seu sorriso, citado várias vezes pelo narrador. Conseguimos compreender a dor deste homem que passou por múltiplas provações em sua vida, assim como também nos revoltamos com suas atitudes obsessivas e, muitas vezes, cegas.

Fitzgerald faz um retrato pessimista da América, mas ressalta aspectos importantes da cultura e sociedade da década de 1920. Nas comparações entre os bairros nobres e o “bairro das cinzas”, onde residem as classes de renda inferior, o autor consegue cutucar a ferida e sensibilizar o leitor.

A personagem de Daisy é, como o próprio Gatsby e Nick ressaltam, “a voz da riqueza“. Uma garota nascida em berço de ouro, desejada por todos os homens ao seu redor, que nunca passou por grandes dificuldades. No entanto, essa mulher aparentemente ingênua e infeliz, aceita as traições de seu marido para manter seu alto padrão de vida em uma casa luxuosa.

Resenha: O Grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald

A narrativa é deliciosa e lemos o livro de uma só vez (dependendo do tempo que você tiver disponível, claro). Dos autores da “geração perdida” – termo criado por Gertrude Stein para designar os autores norte-americanos da geração de 1883 a 1900 – Fitzgerald é um dos meus favoritos, tanto pela sua sutileza quanto pela suavidade de suas palavras. O final de O Grande Gatsby é uma facada bem dolorida. Quando encerrei a leitura, não sabia se chorava ou se ficava maravilhada. Ou seja: já entrou para os livros favoritos da vida! 

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grande gatsby livro capa

Título original: The Great Gatsby
Autor: F. Scott Fitzgerald
Editora: Penguin Companhia
Número de páginas: 256
Ano: 2011
Gênero: Romance/Literatura Estrangeira
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


Resenha: Nunca Te Vi… Sempre Te Amei (84, Charing Cross Road) – Helene Hanff

Em primeiro lugar, antes de começar esta resenha, queria deixar bem claro como fiquei indignada com a tradução do título 84, Charing Cross Road para Nunca Te Vi… Sempre Te Amei. Além de não fazer o menor sentido, o livro NÃO é sobre uma história de amor! É tudo tão errado nesse título, que já queria esclarecer logo de início: não espere aqui uma melação ou nada parecido – 84, Charing Cross Road é um livro sensacional, cativante, empolgante e que já entrou pra minha lista dos favoritos.

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Ele é bem curtinho, pouco mais de 100 páginas, mas traz uma sensação tão deliciosa! O livro é composto apenas por cartas: tudo começa quando a nova-iorquina Helene Hanff escreve uma carta para a livraria “Marks & Co.” localizada em 84, Charing Cross Road, Londres. Na primeira correspondência, ela pede o exemplar de um livro que ela gostaria de ter, já que é fanática pela literatura inglesa e não está interessada nas “edições horríveis” norte-americanas.

Quem responde suas cartas é Frank Doel, um dos funcionários da loja de livros usados. Aos poucos, satisfeita com o atendimento, os pedidos de Helene por livros raros aumentam, assim como a quantidade de cartas trocadas com os funcionários da Mark & Co. Dessa forma, a cada carta, vemos as formalidades sumindo e laços de amizade se formando.

Nunca foi tão divertido ler as correspondências de outra pessoa. Parece muito invasivo, mas é interessante como Helene consegue transformar um romance epistolar em algo tão singelo e de bom humor. Fanáticos por livros vão se identificar com as cartas de Helene, que sente uma necessidade absurda de edições raras, charmosas e com textos originais. Frank Doel é um homem educadíssimo, atencioso e polido, enquanto Helene não tem medo de dizer o que pensa e adora um sarcasmo.

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No livro, a troca de correspondências de Helene não é somente com Frank, mas com sua esposa, outros funcionários da Marks & Co. e até mesmo de outros amigos que estavam de passagem por Londres. Ela, como roteirista e escritora de livros infantis, não conseguia juntar dinheiro o suficiente para conhecer seus amigos londrinos. Então, por 10 anos lemos as cartas trocadas por essas pessoas, quase como se fôssemos amigos íntimos de todos. E, claro, dá muita vontade de comprar uma ediçãozinha na livraria de 84, Charing Cross Road.

Resenha: Nunca Te Vi... Sempre Te Amei (84, Charing Cross Road) - Helene Hanff

Reprodução/National Library of Australia, Alec Bolton

Descobri ao final do livro que essas cartas foram verdadeiras e essa livraria realmente existiu, assim como Frank Doel, sua esposa e outras pessoas que escrevem cartas para Helene, essa bibliófila que vive como escritora freelancer e junta cada moedinha para poder pagar o aluguel. E até mesmo, quem sabe, visitar Londres algum dia no futuro.

Existe um filme de 1987 muito famoso baseado nesse livro, com Anthony Hopkins e Anne Bancroft nos papéis principais. Ainda não assisti, mas já está na fila!

Uma coisa que me entristeceu foi que esse livro é uma raridade em sebos e quase não existem edições para comprar. Ele não foi reeditado por aqui e só é possível encontrar o livro em inglês por um preço salgado. Eu consegui ler porque achei em PDF, mas queria MUITO a versão física. Editoras, por favor, relancem esse livro!

Resenha: Nunca Te Vi... Sempre Te Amei (84, Charing Cross Road) - Helene Hanff

Título original: 84, Charing Cross Road
Autora: Helene Hanff
Editora: Penguin Books
Número de páginas: 112
Ano: 1970
Gênero: Epistolar
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


Resenha: Contos de Fadas – Edição Ilustrada e Comentada

Venho namorando esse livro desde 2011, quando participava de um grupo de estudos na faculdade sobre literatura. Na época não comprei, mas depois de anos, encontrei Contos de Fadas no Kindle Unlimited e comecei a ler despretensiosamente. Gostei demais e, não satisfeita com o ebook, comprei a versão capa dura da Zahar. Valeu cada centavo!

contos de fadas edição comentada e ilustrada zahar

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Em primeiro lugar, para quem ama as animações clássicas da Disney, esse livro é um prato cheio. Em Contos de Fadas encontramos as versões originais de diversos contos, como Branca de Neve, Cinderela, A Bela e a Fera, Pequena Sereia, e por aí vai. Também podemos conferir outros clássicos como Patinho Feio, Gato de Botas, Cachinhos Dourados etc. No entanto, se engana quem pensa que este é um livro feito para crianças. Na verdade, este livro destrincha os contos de fadas que conhecemos, contando suas origens, interpretações e múltiplos significados.

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A edição contém notas de rodapé de Maria Tatar, que traz informações relevantes e interessantíssimas sobre o contexto histórico da época em que essas histórias eram contadas. Os contos de fadas têm sua origem na tradição oral, são beeem antigos e quase todos oferecem algum tipo de ensinamento ou moral.

contos de fadas edição comentada e ilustrada zahar

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Alguns contos foram sensacionais. Eu não fazia ideia da história original da Pequena Sereia e gostei muito mais do que a versão da Disney, que tirou a parte crucial do conto. Não vou contar, porque não quero dar spoiler! Outro conto que eu não conhecia e que gostei bastante foi o Barba Azul. É bem pesado, mas adorei! Hahaha!

Conforme avançamos no livro, percebemos como muitos contos são parecidos e tratam praticamente da mesma história. Os contos são adaptados para cada povo, cada país e, dessa forma, muitas vezes são repetitivos. Porém, isso não tira seu mérito – é um livro delicioso de ler!  As páginas fluem e podemos ficar horas e horas sem parar, desfrutando dos contos.

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O bacana dessa edição da Zahar é sua alta qualidade. As ilustrações são feitas por artistas que viveram no começo do século XIX e até anteriormente, acrescentando a visão daquela época aos contos. O projeto editorial é incrível: a fonte utilizada, a qualidade do papel, tudo feito com muito cuidado.

contos de fadas edição comentada e ilustrada zahar

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

No final, ainda encontramos uma pequena biografia dos autores dos contos, como Hans Christian Andersen e Charles Perrault, e também dos ilustradores, como Gustave Doré e Walter Crane. 

Eu me apaixonei por esse livro e recomendo a todos! Nada melhor do que reviver os clássicos da infância e conhecer um pouquinho mais sobre cada um! 🙂

contos de fadas edição comentada e ilustrada zahar

Título original: The Annotated Classic Fairy Tales
Autora: Maria Tatar (edição, introdução e notas)
Editora: Zahar
Número de páginas: 452
Ano: 2013
Gênero: Contos
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


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