Resenha: O Diário de Anne Frank

O Diário de Anne Frank foi um livro que me surpreendeu. É um clássico tão comentado e eu nem fazia ideia de que era tão bom. Nunca pensei que o diário de uma menina de 13 anos fosse mexer tanto comigo mas, ao terminar as últimas páginas, fiquei muito tempo pensando na Anne e em tudo o que ela passou.

Em seu diário, escrito entre 1943 e 1945, Anne relata todo o período em que ficou refugiada com sua família e outros judeus em um esconderijo, chamado de Anexo Secreto. Lá, eles dividiam as tarefas de casa, e tentavam sobreviver em “harmonia”, tomando todas as precauções para não serem vistos e delatados para a polícia alemã.

O período do holocausto narrado por uma adolescente que passou dois anos escondida e sem poder sentir o ar puro da manhã, nos faz repensar sobre tudo, desde as reclamações mais banais do dia a dia, até as nossas relações com os familiares e pessoas próximas.

Resenha: O Diário de Anne Frank

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

No começo, Anne se mostra uma menina arrogante, ambiciosa e fútil. Senti muita raiva dela no começo do livro, mas pensei que, afinal de contas, era uma adolescente. E, nessa idade, os pensamentos são confusos, a perspectiva da realidade passa longe e o mais importante é tentar provar uma identidade, uma força, principalmente em relação aos amigos. Engoli a chatice de Anne e prossegui com o diário.

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É incrível perceber a diferença do comportamento e das ideias da menina ao longo do livro. Apesar de muitas páginas conterem passagens irrelevantes, em que Anne conta, por exemplo, o que cada um ganhou de Natal ou a comida preferida de cada membro do Anexo, é muito interessante ver  como essa adolescente, no começo tão mimada e prepotente, se transforma em uma pessoa tão inteligente e forte, batalhando diariamente contra a fome, a tristeza e a situação de perigo.

Resenha: O Diário de Anne Frank

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Achei Anne uma garota extremamente corajosa, principalmente ao relatar suas dificuldades de relacionamento com a mãe e a irmã. Anne não suportava a mãe e, em inúmeras passagens, diz que parou de se importar com uma mulher que não sabia ser mãe e muito menos lidar com os problemas angustiantes da adolescência.

Como tudo é relatado pelo ponto de vista dela, é difícil analisar como realmente eram as pessoas ao seu redor. Mas podemos sentir que, como sempre, o egoísmo dessas pessoas imperava sobre qualquer outra coisa.

O mais triste mesmo é ler passagens do diário em que Anne sonha com o futuro. Ela planeja virar jornalista, escritora, estuda diversas línguas, diz que pretende voltar para a escola em breve… E a guerra impediu que ela fosse para frente. Sonhos que foram perdidos pelo caminho e uma vida interrompida de maneira tão drástica.

Resenha: O Diário de Anne Frank - Anne Frank

Trechos do livro O Diário de Anne Frank | Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

 

Resenha: O Diário de Anne Frank - Anne Frank

Trechos do livro O Diário de Anne Frank | Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

A última carta é, com certeza, a mais bonita e profunda, o que nos deixa ainda mais sensíveis e abalados, já que ela não conseguiu continuar a escrever. O posfácio me fez chorar e pensar em tudo o que aquelas pessoas tiveram que enfrentar durante a Segunda Guerra.

E o mais triste ainda é saber que milhares pelo mundo ainda sofrem com guerras, pobreza, fome, doenças e todo tipo de desgraça. Não dá para ler Anne Frank sem pensar “eu nunca mais vou reclamar na minha vida“.

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Resenha: O Diário de Anne Frank - Anne FrankTítulo original: Anne Frank
Autora: Anne Frank
Editora: Record
Número de páginas: 349
Ano: 2003
Gênero: Epistolar
Nota: 


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Isabela Zamboni


Resenha: Garota Exemplar – Gillian Flynn

Quando li a sinopse de Garota Exemplar, da Gillian Flynn, achei bem interessante, aquele tipo de suspense que prende do começo ao fim. O livro fez um sucesso estrondoso em 2013, portanto resolvi comprar e ver se era realmente bom. Como não sou muito sucinta para resumir o enredo do livro, essa é a sinopse oficial:

“Na manhã de seu quinto aniversário de casamento, Amy, a linda e inteligente esposa de Nick Dunne, desaparece de sua casa às margens do Rio Mississippi. Aparentemente trata-se de um crime violento, e passagens do diário de Amy revelam uma garota perfeccionista que seria capaz de levar qualquer um ao limite. Pressionado pela polícia e pela opinião pública – e também pelos ferozmente amorosos pais de Amy –, Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamentos inapropriados. Sim, ele parece estranhamente evasivo, e sem dúvida amargo, mas seria um assassino? Com sua irmã gêmea Margo a seu lado, Nick afirma inocência. O problema é: se não foi Nick, onde está Amy? E por que todas as pistas apontam para ele?”.

O livro é intercalado pela visão de Amy – a esposa desaparecida – e de Nick, o marido confuso e inexpressivo. Não vou falar muito sobre o desenrolar da trama, porque qualquer coisa que eu disser pode estragar a história, mas posso afirmar que é instigante e dá vontade de devorar todas as páginas rapidinho.

Resenha: Garota Exemplar - Gillian Flynn

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Desde o início, ficamos presos a esse mistério: “onde Amy foi parar? Por que Nick parece tão pouco preocupado com o desaparecimento da esposa? O que teria acontecido para naquela manhã?“. E em meio a essas perguntas, acompanhamos a trajetória do casal: desde o momento em que se conhecem até o tempo atual na história – mais ou menos cinco anos de relacionamento.

É interessante observar esse casamento pelo ponto de vista do casal, mas separadamente. No início, eu até simpatizava com os dois, mas conforme a leitura avança, é cada vez mais difícil saber quem fala a verdade e qual dos dois é o mais “culpado” pelo fracasso do casamento. Sim, o casamento dos dois é uma tragédia. Na verdade, é mais uma depressão – a cada página eu ficava com mais pavor desse relacionamento, que no início parecia leve e divertido, mas com o passar do tempo se transformou em algo monstruoso.

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Alguns disseram que o começo não empolga tanto, mas achei o contrário: é empolgante até o fim! A leitura flui, a vontade de conhecer os personagens aumenta e o suspense nos faz querer imaginar milhões de teorias. Só tem uma falha: o final é ruim.

Passei a semana toda (sim, li em 1 semana!) pensando na história, desejando estar em casa só para retornar à leitura. Mas, infelizmente, o final.., não sei nem como descrever. Sabe quando parece que o personagem perde o rumo? Foi o que senti com o final da série Dexter (saudades!): imaginei um monte de roteiristas sem saber o que fazer e alterando a personalidade dos personagens só para encerrar logo a história. Com o livro foi a mesma sensação. Imaginava tudo de Nick e Amy, menos esse final água com açúcar, sem profundidade e nada que justifique os acontecimentos anteriores.

O bom é que a autora mudou o final do livro na adaptação para o cinema. Garota Exemplar, na direção de David Fincher, além de bem fiel, ainda melhorou a história! O final fica bem mais coerente e cínico, um desfecho realista e crítico ao mesmo tempo. Se você ainda não assistiu, é um ótimo suspense com boas atuações e uma direção sensacional. Indico bastante! Olha só o trailer:

Garota Exemplar é um livro divertido, tranquilo de ler, empolga bastante e o suspense só aumenta no decorrer das páginas. Infelizmente, o desfecho deixou a desejar e faltou um pouco mais de “mindfuck”. São muitas páginas e personagens construídos com coerência, para encerrar a trama de uma forma tão blasé.

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Resenha: Garota Exemplar - Gillian Flynn

Título original: Gone Girl
Autora: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 448
Ano: 2013
Gênero: Suspense
Nota: 


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Isabela Zamboni


Resenha: Reparação – Ian McEwan

Posso afirmar que Reparação é um dos melhores livros que li nos últimos tempos. Depois de conhecer Enclausurado, do Ian McEwan, gostei tanto do estilo do autor que aproveitei para comprar a obra mais conhecida dele. Não me arrependo, e todo o valor que Reparação recebe é merecido. Isso porque eu já tinha assistido ao filme primeiro (lá em 2008), mas isso não tirou a imersão nem por um segundo!

Resenha: Reparação - Ian McEwan

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

A trama é fascinante e arrebatadora, em diversos sentidos. Mas vou explicar o porquê: a história gira em torno de Briony Tallis, pré-adolescente que nutre a ambição de se tornar escritora. No dia mais quente do verão de 1935, numa casa de campo da Inglaterra, Briony vê pela janela uma cena incompreensível: sua irmã mais velha – Cecilia – tira a saia e a blusa para mergulhar, de calcinha e sutiã, na fonte do quintal, na frente de um amigo de infância – Robbie – filho da arrumadeira da família.

A partir desse episódio e de uma sucessão de equívocos, a aprendiz de romancista, movida por uma imaginação fértil, comete um crime que marcará o futuro de toda a família — e Briony passará o resto da vida tentando desfazer o mal que causou.

Os acontecimentos durante a primeira parte do livro são marcantes: é inacreditável considerar as coisas que Briony faz com sua imaginação fértil de criança mimada. As acusações que ela faz, as cenas que presencia e sua petulância com a família a tornam uma personagem detestável.

No entanto, apesar de cometer muitos erros, ao longo de toda a história ela tenta repará-los, mesmo que não tenha a coragem necessária para isso. O nome “reparação” não é à toa, já que todos os personagens tentam, de alguma forma, reparar ou remendar tudo aquilo que é – ou foi – quebrado em suas vidas.

O livro aborda assuntos intensos, como a culpa, o perdão, os horrores da guerra, o amor que ultrapassa qualquer barreira, a esperança que vive no coração dos personagens, além de tratar também de temas como desigualdade, ascensão social e ambição. Não estou exagerando, Reparação é sobre tudo isso, mesmo!

Resenha: Reparação - Ian McEwan

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Mas o mais interessante no estilo de Ian McEwan são as sutilezas: considerando que Briony é a protagonista que sempre sonhou em ser escritora, a obra propõe diferentes apontamentos em relação à própria natureza da literatura, seus poderes e limitações. A metalinguagem é constante, além da relação entre ética e estética. A sofisticação do autor é notável, sempre tecendo a trama com suas minúcias e pequenos detalhes, transformando a narrativa em um drama intenso.

Também não posso deixar de comentar sobre o romance visceral em Reparação: Cecilia e Robbie, apesar dos acontecimentos trágicos que rondam suas vidas, formam um casal apaixonado daqueles de aquecer o coração.

O tempo todo torcemos para que fiquem juntos, superem as tristezas e pesos que carregam nas costas e, praticamente o livro inteiro separados por conta da Segunda Guerra, é quase possível sentir a dor e as aflições dos personagens. Sem contar que, em determinado momento, os horrores da guerra são narrados de forma tão brutal e realista, que é impossível não sofrer durante a leitura. Não espere uma leitura suave, apesar da escrita envolvente do autor.

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O livro é separado por partes: os acontecimentos do verão de 1935, a Segunda Guerra e, logo no finalzinho, há um grande salto no tempo, para 1999. Não vou contar detalhes para não perder a graça, mas na hora que li essa parte, a melancolia que bateu foi tão grande, que precisei fazer uma pausa. Reparação mexeu demais comigo e não conseguia parar de pensar nos personagens e naquela história arrebatadora por dias.

Aproveitei então para rever o filme com Keira Knightley, James McAvoy e Saoirse Ronan, traduzido no Brasil como Desejo e Reparação. Confesso que fiquei bem feliz com a adaptação, que trouxe a essência do livro. Porém, se você ficou com vontade de ler, não recomendo assistir ao filme primeiro, porque perde bastante a graça.

Confira o trailer de Desejo e Reparação:

Reparação mostra como pequenos atos que parecem inofensivos podem não apenas afetar e marcar profundamente a vida de alguém, mas trazer amargos arrependimentos. Briony é uma personagem que luta contra seus demônios, depois da terrível escolha que fez durante sua fase de pré-adolescente. E até durante a fase adulta a protagonista ainda é uma pessoa egocêntrica e covarde – apesar de praticamente ter acabado com a vida de Cecilia, por quem nutria bastante afeto, ainda sentia medo de admitir suas falhas e pedir perdão.

Resenha: Reparação - Ian McEwan

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Infelizmente só encontrei o livro com a capa do filme, mas essa edição é ótima! Como ela foi feita para ser econômica, as  letras são um pouco pequenas, mas nada que incomode demais. Terminei a leitura em poucos dias, apesar de ficar emocionalmente afetada (haha)! Recomendo bastante para quem procura uma obra de tirar o fôlego.

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Resenha: Reparação - Ian McEwanTítulo original: Atonement
Autora: Ian McEwan
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 272
Ano: 2011
Gênero: Romance/Literatura Estrangeira
Nota: 


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Isabela Zamboni


Resenha: A Mecânica do Coração – Mathias Malzieu

Um dos casos em que assisti o filme primeiro e depois li o livro. Na verdade, fiquei SUPERFELIZ quando “descobri” que Jack e a Mecânica do Coração era baseado em um livro. E foi difícil de encontrar: não tinha disponível em lugar NENHUM, haha! Mas a espera valeu demais!

Resenha: A Mecânica do Coração - Mathias Malzieu

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Logo nas primeiras páginas, o livro me ganhou! A ambientação que Mathias faz de Edimburgo, na Escócia, é uma das melhores que já li na vida. E não por ser muito detalhista, mas por ser superpoética! Maravilhosa mesmo.

Aliás, o livro inteiro tem uma pegada lírica e encantadora. A escrita de Mathias me surpreendeu muito positivamente. Segundo o jornal britânico The Guardian, “a prosa gótica-punk de Malzieu se destaca… repleta de metáforas impressionantes”.

E é verdade: em diversas passagens do livro, o autor utiliza essa figura de linguagem para nos fazer refletir:

– Seu coração não passa de uma prótese, é mais frágil que um coração normal e será sempre assim. As emoções não são tão bem filtradas pelos mecanismos do relógio quando seriam pelas tecidos. Você realmente precisa ser muito cauteloso. O que aconteceu na cidade quando você viu aquela pequena cantora confirma o que eu temia: o amor é perigosíssimo para você. (p. 31)

A Mecânica do Coração conta a história de Jack, um garoto que nasceu “na noite mais fria do mundo”. Como a mãe biológica não pode criá-lo, o bebê acabou ficando sob os cuidados da parteira, Madelaine.

Em seus primeiros momentos de vida, graças ao frio, o coração de Jack para e tem que ser substituído às pressas por um relógio. Pela fragilidade do objeto, Jack fica proibido de sentir qualquer tipo de emoção forte, seja raiva, amor, alegria, frustração, medo etc.

Em primeiro lugar, não toque nos seus ponteiros. Em segundo lugar, controle sua raiva. Em terceiro, nunca, mas nunquinha mesmo, se apaixone. Pois, nesse caso, o grande ponteiro das horas transpassará para sempre pele no relógio de seu coração, seus ossos implodirão, e a mecânica do coração voltará a emperrar. (p. 34)

Os anos passam e tudo corre bem, até que Jack conhece a cantora e dançarina Miss Acácia. É a partir daí que o garoto conhece a emoção mais quente do mundo: “Eu me apaixono imperceptivelmente. Perceptivelmente também. No bojo do meu relógio, é o dia mais quente do mundo.” (p. 31).

Resenha: A Mecânica do Coração - Mathias Malzieu

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

A partir daí, a trama ganha ares de aventura, ao mesmo tempo que se torna cada vez mais sombria. Os encontros e desencontros da vida fazem com que a mecânica do coração de Jack seja testada a cada página. Em diversos momentos, é possível se identificar com o personagem principal, afinal, quem nunca tentou proteger o próprio coração para evitar qualquer tipo de dor e tristeza?

– Justamente, o medo de se machucar só aumenta as chances de você se machucar. (p. 70)

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Como acompanhamos a vida de Jack durante os anos de sua puberdade, muitas vezes, acabamos percebendo certos traços na personalidade do garoto que acabam surgindo ou desaparecendo, fazendo com que em poucas páginas, o leitor tenha compaixão por ele para, pouco depois, passar a odiá-lo.

– Será que posso voltar o curso do tempo invertendo o sentido dos meus ponteiros?

– Não, vai forçar suas engrenagens e sentir uma dor do capeta. Mas nada é capaz disso. É impossível retroceder no tempo até os nossos atos passados, mesmo com um relógio no coração. (p. 54)

Apesar de parecer, A Mecânica do Coração não é um livro infantil. Ele é cheio de meandros, metáforas, reflexões sobre vida e amor, além de ser cheio de lascívia.

Resenha: A Mecânica do Coração - Mathias Malzieu

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Você sabia dos riscos de entregar as chaves do seu coração a uma faísca, garoto!

– Quero que você me enxerte um coração novo e ponha o contador a zero. Nunca mais quero me apaixonar na vida. (p. 159)

No final das contas, nosso coração não é assim tão diferente do coração-de-relógio de Jack. “Respondo-lhe que a mecânica do coração não pode funcionar sem emoções, mas não me aventuro adiante nesse terreno movediço” (p. 103). Um livro surpreendente, de linguagem fácil e fortes emoções.

Confira o trailer da animação:

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Resenha: A Mecânica do Coração - Mathias Malzieu Título original: La Mécanique du coeur
Autora: Mathias Malzieu
Editora: Record
Número de páginas: 192
Ano: 2011
Gênero: Romance
Nota: 


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Escrito por:

Melissa Marques


Resenha: A Máquina do Tempo – H.G. Wells

Histórias sobre viagem no tempo geralmente são legais e, se foram escritas por H.G. Wells, são melhores ainda! Depois de ler o incrível O Homem Invisível, gostei bastante do estilo do autor e peguei para ler o e-book de A Máquina do Tempo, romance publicado pela primeira vez em 1895.

Resenha: A Máquina do Tempo - H.G. Wells

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Esse livro foi praticamente o precursor de histórias sobre viagens no tempo. A trama é sobre o “Viajante do Tempo”, personagem sem nome, um cientista que inventa a Máquina do Tempo e viaja até ao ano 802.700, onde encontra tudo muito diferente. O personagem – que vivia no final da época vitoriana – narra a quatro amigos durante um jantar como foi esse passeio no futuro e relata o que ele encontrou.

O Viajante vai parar em uma época em que as criaturas que lá viviam pareciam viver de forma harmoniosa, bem diferente dos homens da Londres do século XIX. Ao chegar nesse local belo, que cresceu sobre ruínas, o protagonista pensa poder estudar estes magníficos seres, desvendar-lhes os segredos e regressar ao seu tempo em seguida. Até descobrir que a sua invenção, o seu passaporte para a fuga, tinha sido roubada. É a partir daí que se iniciam os conflitos, já que o personagem precisará enfrentar alguns desafios para encontrar a máquina desaparecida.

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É bem interessante conhecer a perspectiva de um homem do século XIX a respeito do futuro. H.G. Wells imaginou uma distopia interessante, sem apelar para tecnologia em excesso ou para elementos futuristas. Na verdade, sua visão a respeito do futuro é um pouco mais trágica: não existem mais seres humanos, mas criaturas que descendem destes e vivem em um local aparentemente tranquilo, mas que esconde uma selvageria.

O livro mistura um pouco de política, ciência, filosofia e aventura: ou seja, é um prato cheio! Além de atiçar a curiosidade a respeito do que o Viajante do Tempo vai encontrar, também é possível refletir a respeito de várias questões: como seria uma sociedade no futuro? Será que um dia vamos encontrar a harmonia para viver em comunidade? Como estaria a Terra, em questões ambientais? Será que a inteligência do homem vai levá-lo até onde? A tecnologia vai tomar conta de tudo ou conduzirá a humanidade ao colapso?

O agente especial Dale Cooper recomenda esse livro! FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

A parte da aventura também é bem divertida: em determinados momentos da história, o Viajante passa por perigos e situações de medo muito intensas. A partir disso, ele precisa encontrar soluções para se proteger e achar uma maneira de encontrar a Máquina do Tempo.

O livro é bem curtinho, tem apenas 99 páginas, então a leitura é rápida! Lembrando que esse livro é BEM DIFERENTE das adaptações para o cinema. O filme de 2002, por exemplo, dá uma bela mudada na história. Não existe uma narrativa de romance com nenhuma mulher no livro de H.G Wells, nem homens de cabelo branco que vivem embaixo da terra. Existe também a adaptação de 1961, que parece ser um pouco mais parecida, mas ainda assim traz mudanças significativas e, como sempre em Hollywood, recai no relacionamento amoroso entre o protagonista e uma mulher.

Porém, se você procura um ótimo livro sobre viagem no tempo, já encontrou! Boa leitura 🙂

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Resenha: A Máquina do Tempo - H.G. WellsTítulo original: The Time Machine
Autor:  H. G. Wells
Editora: Livraria Francisco Alves
Número de páginas: 99
Ano: 1981
Gênero: Ficção científica/Literatura estrangeira
Nota: 


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Escrito por:

Isabela Zamboni


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