Resenha: A Filha – Jane Shemilt

O que dizer deste livro que devorei em poucos dias? Sou muito fã de romance policial/thriller/suspense/mistério/investigação ou como você quiser chamar. Desde pequena sou viciadíssima em histórias de detetive – Sherlock Holmes,  livros da Agatha Christie, Sidney Sheldon etc. Então, quando peguei oA Filha na mão e vi que era um romance policial, claro que já comecei a ler. Vou dizer pra vocês que não são todos que me empolgam, mas esse – como o encarte nos adianta – é VICIANTE!

A autora Jane Shemilt tem um estilo muito bom. A leitura prende do começo ao fim, não dá vontade de parar, tudo o que queremos saber é o que vai acontecer! Mas, antes de começar a me empolgar aqui, deixa eu falar um pouquinho da história do livro.

Resenha: A Filha - Jane Shemilt

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Em A Filha, acompanhamos a vida da família Malcolm: a mãe Jenny, o pai Ted, e os filhos Theo, Ed e Naomi. Jenny e Ted são médicos e estão sempre trabalhando, enquanto os filhos estão atarefados com atividades escolares. Theo e Ed são gêmeos, prestes a entrar na universidade, enquanto Naomi tem apenas 15 anos e é a atriz principal de uma peça da escola.

A narrativa é em primeira pessoa, pelos olhos de Jenny, que leva uma vida considerada normal e nos eixos – tem bastante dinheiro, é bem sucedida no trabalho e sua família é aparentemente inabalável. Até que um dia Naomi vai se apresentar na peça de teatro da escola e não volta para casa. A partir daí, vemos uma mãe abalada, desesperada e triste, em busca da filha que sumiu sem deixar rastros.

O livro intercala o passado com o presente, o que já empolga bastante (adoro linha temporal desfragmentada). A trama se passa em Bristol e Dorset, pequenas cidades da Inglaterra. A autora, por ser britânica, apresenta descrições bem precisas das estações do ano, do clima e das paisagens locais, criando uma atmosfera melancólica e triste. Sempre acompanhamos descrições de chuvas, ventos frios, tempestades e folhas caindo para marcar a passagem do tempo. Eu acho incrível, pois adoro esse tipo de clima e acredito que esse recurso enriquece a narrativa.

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O que mais gostei mesmo foi acompanharmos essa história pelo ponto de vista de uma mãe ingênua. O tempo todo Jenny acredita que Naomi é perfeita, que conhece sua filha como ninguém, que a garota é um anjo, boa aluna, talentosa, esforçada, incrível. Mas, pelo contrário, a menina esconde tantos segredos que dá até desespero de saber O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO! Lembra bastante a Laura Palmer, da série Twin Peaks.

Enquanto sofre dia após dia com o desaparecimento da garota, Jenny ainda tem que lidar com os outros dois filhos e os problemas do casamento. Em uma narrativa eletrizante, só queremos devorar as páginas para chegar ao final e entender por que Naomi sumiu e o que realmente acontecia no dia a dia dessa família, que, ao contrário do que parece, não é nada  feliz.

Mas, infelizmente, tenho algumas críticas negativas. Alguns personagens são inseridos na história da metade pra frente apenas para tapar buracos e criar uma justificativa para o que Jenny vai fazer. Não serviu de nada, poderia ter cortado e diminuído algumas páginas. Mas, isso ainda dá pra relevar, né? O problema é justamente a resolução do mistério. Você lê página atrás de página para ver um final incrível, para falar ‘AAH EU SEMPRE SOUBE’ ou ficar surpreso, indignado, esperançoso… mas… NÃO.

O final foi decepcionante pra mim. Parece que a autora não sabia o que fazer e correu pra acabar logo, colocando um desfecho pobre e, digamos assim, caricato. Não fez muito sentido, sabe? E por mais que a gente queira compreender o que se passou na cabeça de Naomi, não vamos saber não, amigos. Tudo bem que a narrativa é pelo ponto de vista da mãe, então complica saber, mas o TEMPO INTEIRO os outros personagens dão dicas, falam sobre Naomi, comentam coisas do tipo “nossa, você não faz mesmo ideia de quem é a verdadeira Naomi”. Jane Shemilt cria um suspense enorme em volta da personalidade da menina, mas, no fim das contas, o mistério permanece. Não vamos saber quem é realmente A Filha.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Resenha: A Filha - Jane Shemilt

Título original: Daughter
Autor: Jane Shemilt
Editora: Harper Collins Brasil
Número de páginas: 320
Ano: 2015
Gênero: Thriller
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: Aura – Carlos Fuentes

Como uma boa apreciadora de suspense/mistério/terror, não poderia deixar de ler esse conto, que muitos dizem por aí que é assustador, medonho, aterrorizante, tenso, entre outros adjetivos. A L&PM Pocket disponibilizou esse livro no Kindle e, como era baratinho, comprei e li em mais ou menos 2 horas. Só tenho uma palavra a dizer: incrível. Não porque dá medo, pelo contrário: não achei nada aterrorizante, mas a capacidade que Carlos Fuentes tem de criar uma atmosfera é absurda. Nunca li algo parecido.

Resenha: Aura - Carlos Fuentes

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Esse conto me lembrou uma mistura de “A Volta do Parafuso” com “Grandes Esperanças“, só que mais pitoresco. É complicado falar dele sem dar spoiler, mas a premissa é a seguinte: o personagem principal, um historiador, vê um anúncio nos classificados para uma vaga de emprego que se encaixa perfeitamente com suas habilidades. Assim, ele vai direto para o local indicado no endereço e, chegando lá, encontra uma casa caindo aos pedaços. Ao entrar na propriedade, ele adentra em um corredor escuro, e vai sendo guiado por uma voz até o quarto de uma idosa, quase nos últimos dias de vida, que lhe explica exatamente o que ele deve fazer se quiser o emprego. Ele só terá que traduzir do francês as cartas de um general, o falecido esposo desta idosa, e montar um livro de memórias. O salário é bom, o trabalho é fácil, mas há apenas uma condição: ele deve morar na casa e passar o máximo de tempo possível lá dentro.

“Não tornará a olhar seu relógio, esse objeto inútil que mede falsamente um tempo concedido à vaidade humana, esses ponteiros que marcam tediosamente as longas horas inventadas para enganar o verdadeiro tempo, o tempo que corre com a velocidade insultante, mortal, que nenhum relógio pode medir.”

A sobrinha da idosa, chamada Aura, também mora na casa, uma bela jovem que faz o protagonista cair de amores por ela. Nesse conto sombrio, onírico e de atmosfera pesada, vamos sendo sufocados por essa casa enclausurante e pelas atitudes estranhas da idosa e sua sobrinha.

“Querem que estejamos a sós, senhor Montero, porque dizem que a solidão é necessária para se alcançar a santidade. Esqueceram-se de que na solidão a tentação é maior.”

A cada momento passado dentro dessa casa, ficamos mais apreensivos. É tudo muito estranho, suspeito, assustador. Não porque nada dá medo de fato, mas porque o clima que Fuentes criou faz toda a diferença: causa uma sensação de incômodo, mal-estar e também de curiosidade. Ao ler as memórias escritas pelo general, aos poucos vamos descobrindo um segredo envolvendo essa casa, essa mulher e todo o seu passado. O final, apesar de não ser tão surpreendente, é inusitado e bem desenvolvido, deixando um gostinho amargo na boca (no bom sentido).

Mas sabe o que é mais incrível na leitura deste livro? Ele é narrado em SEGUNDA PESSOA. Lemos a história e parece que somos nós ali, na pele do protagonista. Não é a visão dele, nem de um narrador. É como se fosse alguém olhando nos seus olhos e lhe dizendo o que você deve fazer, ou fez (?). Poucos autores conseguem realizar um feito narrativo envolvente e ousado como este e é por isso que você deve ler “Aura”.

Título original: AuraResenha: Aura - Carlos Fuentes
Autor: Carlos Fuentes
Editora: L&PM Pocket
Número de páginas: 80
Ano: 2005
Gênero: Conto/Mistério
Nota:EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


Resenha: Sereia de Vidro – Marcelo Antinori

Hoje vim resenhar um livro que recebi do autor Marcelo Antinori, chamado Sereia de Vidro. Como adoramos conhecer autores nacionais – e apoiamos! – é claro que já embarquei na leitura e vim aqui contar pra vocês o que eu achei da obra.

Sereia de Vidro é o primeiro livro da coleção, que promete mais alguns volumes em breve. Quando recebi pelo correio, vi que era um livro pocket, bem curtinho! Achei até que fosse um conto, mas na verdade é só o começo de uma história que promete um desenrolar bem curioso.

Resenha: Sereia de Vidro - Marcelo Antinori

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Narrado em primeira pessoa, o livro é sobre um escritor que passa por uma crise de criatividade e procura a ajuda de uma freira que lê cartas de tarô. Nesse encontro bizarro, a freira revela algumas cartas e mostra ao protagonista que algumas pessoas podem surgir em seu caminho e novos acontecimentos podem tirá-lo de sua vida monótona.

Veja também: Resenha do livro “FRONTEIRAS”, da autora brasileira Sonia Rodrigues

Logo após esse encontro, ele conhece Ana Pérsia no metrô em São Paulo e vai almoçar com ela, o que resulta em uma tarde de amor em um hotel. Depois de passarem o dia juntos, Ana desaparece e deixa um número de telefone errado, para que ele não a encontre mais. Porém, após alguns dias, ela liga para ele para contar que está em perigo e precisa de sua ajuda. Primeiramente ele tenta fugir dessa história complicada, mas cada vez mais adentra em uma teia perigosa de acontecimentos, sem fazer ideia do que está acontecendo.

Aos poucos, esse escritor percebe que se meteu em uma situação complicadíssima e tenta ajudar Ana a fugir, mesmo sem conhecer nada sobre a vida dela. Também vamos descobrindo nuances sobre a vida particular dele e fazendo conexões entre os outros personagens da trama.

Marcelo Antinori não nos conta o nome do personagem principal em nenhum momento; como a história se passa pelo seu ponto de vista, somos deixados no escuro durante toda a narrativa: quem está atrás de Ana? Por quê? Será que as cartas de tarô estavam certas? Qual é o segredo que ela esconde? Eles se encontraram por acaso? Enfim, muitas perguntas – algumas são respondidas, outras deixadas para o próximo livro da série.

Resenha: Sereia de Vidro - Marcelo Antinori

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

É um livro curtinho, a leitura flui rapidamente, a trama é misteriosa e cria um certo clima “noir“, digamos assim. Assim como o protagonista, não sabemos o que fazer, como agir, o que está acontecendo. Esse esforço narrativo é interessante, prende a atenção e nos faz querer chegar até o final.

Só tenho algumas observações sobre o estilo do livro: achei que faltou um pouco de profundidade e descrição. Não que eu goste de livros com milhares de descrições, mas faltou clima, emoção e uma pitada de carisma. A narrativa é fria, seca e dura. Conhecemos os personagens de forma muito superficial, tudo acontece rápido demais! Como é pensado para uma série de livros, acredito que realmente é pra ser curto e veloz, mas ainda assim, senti falta de uma atmosfera mais bem trabalhada.

Sereia de Vidro tem uma premissa interessante, é criativo, ousado, mas falta fervor na narração.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Resenha: Sereia de Vidro - Marcelo AntinoriTítulo original: Sereia de Vidro
Autor: Marcelo Antinori
Editora: Bússola Pocket
Número de páginas: 71
Ano: 2015
Gênero: Romance
NotaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie

Posso afirmar, com certeza, que esse é um daqueles livros que entraram no meu TOP 10 de obras favoritas e para a lista de livros-mais-incríveis-que-já-li-na-vida. Em “Americanah“, Chimamanda Ngozi Adichie mostra como é uma escritora fenomenal, revelando não apenas uma história inspiradora, mas personagens bem estruturados, uma narrativa empolgante, temas importantes que DEVEM ser discutidos e a realidade triste de que, na verdade, o racismo está sempre presente – e, muitas vezes, nem percebemos.

Resenha: Americanah - Chimamanda Ngozi Adichie

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Sabe aquele tipo de livro que não sai da sua cabeça? Não é fácil explicar. Eu termino as páginas, passa um tempinho, vou fazer outras coisas, mas minha mente não tira aqueles personagens e nem a história da cabeça. Dá vontade de ser amiga da Ifemelu, a protagonista da trama. Queria muito dar um abraço no Obinze, o namorado de adolescência e melhor amigo da Ifem. Gostaria de estar lá, conversar com eles e dizer: “vocês são personagens incríveis”. Sou estranha, né? Hahaha, me apego demais a personagens fictícios, gente! Apesar que, não sei ao certo, mas tenho quase certeza que a Chimamanda se inspirou nela mesma para escrever esse livro.

É surpreendente o quanto do que somos depende da cama onde acordamos pela manhã, e é surpreendente o quanto isso é frágil.

Mas vamos falar sobre a trama: nesse livro incrível, acompanhamos a trajetória de Ifemelu, uma jovem da cidade de Lagos, na Nigéria, que vai estudar nos Estados Unidos. Seu país está passando por problemas, como greves de professores, desemprego e um regime militar. Chegando ao país, ao mesmo tempo em que se torna uma aluna exemplar, ela começa a perceber como pode ser difícil a vida para um imigrante, tendo que lidar com a questão racial e de gênero, além de precisar aprender uma nova rotina, com outro ritmo e novos costumes. Em paralelo, acompanhamos a vida de Obinze, seu namorado da adolescência, que também passa por problemas parecidos ao sair da Nigéria para viver na Inglaterra. Chimamanda Ngozi Adichie aposta em uma história de amor para debater questões universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero.

Aquilo lhe causava uma estranheza desorientadora, porque sua mente não mudara no mesmo ritmo que sua vida, e ele sentia um espaço oco entre si próprio e a pessoa que supostamente era.

Resenha: Americanah - Chimamanda Ngozi Adichie

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

É terrível perceber a atitude das pessoas em relação aos negros nigerianos e também de outras nacionalidades. Tratados como pessoas “exóticas”, Chimamanda ironiza a superioridade norte-americana em relação aos imigrantes e também discute a questão da estrutura de classes. Ifemelu é sempre tratada como se fosse inferior, ou não merecesse o que os brancos acham que são merecedores.

Um dos pontos que mais me marcou nesse livro foi como foi difícil para a personagem aceitar seus cabelos crespos. Depois de passar por vários relaxamentos, cortar curtinho, tentar alisar, trançar, esconder seu lindo cabelo, chorar e nem querer sair de casa por vergonha dos fios, é aterrorizante perceber como a sociedade machuca pessoas que não se encaixam no padrão do corpo magro, pele branca e cabelo liso. Ifemelu é inteligente, de personalidade forte, corajosa, divertida, mas sempre é rebaixada e, no começo de sua empreitada americana, não conseguia arranjar emprego em lugar nenhum. É desesperador.

+11 FRASES INSPIRADORAS DE CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE

O estranhamento cultural também é recorrente:  Ifemelu está sempre indignada com atitudes dos norte-americanos, a forma como se alimentam, os valores que têm intrínsecos e seu modo de tratar pessoas de outros países. O mais incrível de Americanah é ser uma ficção tão realista, que dá até uma dor na alma de pensar a quantidade de pessoas que enfrentam atitudes machistas, racistas e arrogantes todo santo dia.

Além do mais, a humildade sempre lhe parecera algo especioso, inventado para reconfortar os outros; você era elogiado por sua humildade porque não os fazia sentir-se ainda mais cheios de falhas do que já eram.

O livro é longo, contém mais de 500 páginas, mas não cansa nunca – não pra mim, pelo menos. É um romance verdadeiro, honesto, denso e encantador. Acho que a melhor palavra para descrevê-lo é encantador, quase como se nos lançasse um ~feitiço~. O jeito que Ifemelu encara o mundo, a forma como enxerga as pessoas, é fenomenal. Gostaria eu de ter um olho clínico como a dessa personagem e metade da sua convicção.

Ela achou a cidade lenta demais, a poeira vermelha demais, as pessoas satisfeitas demais com a pequenez de suas vidas.

Só o que tenho a dizer é: LEIAM AMERICANAH. Fazia muito tempo que um livro não mexia assim comigo: eu penso diferente agora, encaro o mundo com outros olhos e tento ao máximo evitar qualquer atitude ridícula que um dia já posso ter tomado – ou pensado. Americanah não é só um livro, é uma aula! Aprendi tanto que só posso agradecer à Chimamanda por ter me apresentado suas palavras e seu ponto de vista incrível sobre a sociedade.

Depois, voltariam para os Estados Unidos para brigar na internet sobre a mitologia que cada um construía de seu país, pois esse país, seu lar, agora era um lugar indistinto entre aqui e lá, e pelo menos on-line podiam ignorar a consciência de quão desimportantes haviam se tornado.

Resenha: Americanah - Chimamanda Ngozi Adichie


Título original:
 Americanah
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 516
Ano: 2014
Gênero: Romance
Nota:EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


Resenha: Surpreendente!, de Maurício Gomyde

Estava pensando sobre como é bom poder acompanhar de perto o desenvolvimento da literatura nacional. Quando conheci Maurício Gomyde, através de seu primeiro livro O Mundo de Vidro, tive certeza de que o autor iria longe. Muitos anos depois do primeiro lançamento, agora já consagrado entre os romancistas brasileiros, o autor lançou seu livro pela Intrínseca que, para mim, tornou-se sua obra-prima instantânea.

Vou explicar o motivo.

Pedro, o protagonista de Surpreendente! é a representação perfeita da juventude dos “20 e poucos anos” atuais. Se antigamente, ao pensar no futuro, essa galera imaginava estar com a vida “feita” aos 30, a realidade é beeem diferente disso.

Recém-formado em audiovisual, o garoto acaba perdendo um dos empregos que mantinha em um dos últimos cineclubes da cidade de São Paulo. O casamento dos pais – e tudo o que ele entendia por “família”- estava desmoronando. Uma antiga doença voltou a dar as caras. E, para piorar, o prazo para participar de um concurso cinematográfico (talvez a última oportunidade de provar seu valor como diretor de filmes) estava se esgotando.

“- Presta atenção nisto: você foi um presente que apareceu na minha vida – Carlo repetiu – Mesmo se eu acabar sozinho, sempre vou ter você. 

Pedro jamais ouvira o pai falar daquela maneira, e ele próprio nunca encontrara jeito para se abrir e dizer o quanto amava o pai. 

Um abraço forte e demorado deu conta de responder”, p. 43.

Resenha: Surpreendente! - Maurício Gomyde

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Em meio a esse turbilhão de emoções e acontecimentos, Pedro conhece a doce Cristal, que conquista a atenção do garoto instantaneamente. A química entre os dois personagens é bastante “real”, isto é, poderia acontecer com qualquer um. Além disso, eles partilham diversos momentos significativos juntos, o que faz com que o carinho e a amizade dos dois cresça e se torne tão importante quanto a de outro personagem.

“Nossa vida é feita de um monte de momentos esquecíveis, entremeados por pouquíssimos inesquecíveis. Por que não darmos a nós mesmos o presente de tentar viver um inesquecível?”, p. 49.

+ ENTREVISTA: MAURÍCIO GOMYDE, AUTOR DE SURPREENDENTE!, DA INTRÍNSECA

Fit. O amigo-fiel-escudeiro-melhor-editor-do-mundo de Pedro. Um surperparceiro que topa todas as ideias ~loucas~ de seu companheiro. Os dois se conheceram durante a faculdade e desde então, não se desgrudaram. Quem nunca, né? 🙂

Resenha: Surpreendente! - Maurício Gomyde

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Outra personagem importante em Surpreendente! é Mayla. A garota é sobrinha da dona do cineclube (aquele, que eu citei ali em cima!), e está sempre disposta a ajudar, com mil ideias mirabolantes na cabeça. O outro emprego de Pedro é em uma videolocadora na periferia da cidade. E esse acaba sendo um dos temas recorrentes durante as brigas dos pais do garoto.

“Meu destino está ligado àquele lugar. Se eu conseguir convencer um jovem da periferia a alugar um clássico, e depois ele me contar algo surpreendente sobre o filme, terei cumprido minha missão na Terra”, p.28.

Como na vida nem tudo são flores, Pedro acaba precisando MUITO da ajuda dos três amigos. Em um momento de desespero, o garoto resolve seguir rumo ao interior do Brasil – precisamente, Pirenópolis – GO – para tentar achar respostas, a si mesmo, e o sentido de tudo o que está acontecendo em sua vida.

“Aqui começa o maior filme de todos os tempos sobre as chances que o mundo coloca na vida das pessoas. Que as lições sejam aprendidas e voltemos milhões de vezes melhores do que quando partimos […]”, p. 146.

A sétima arte é parte integrante do livro. Filmes, trilhas sonoras, cenas icônicas: tudo tem uma razão de ser e de estar na trama e fazem toda a diferença na hora de contextualizar o leitor.

+ CONFIRA A PLAYLIST OFICIAL CRIADA POR MAURÍCIO GOMYDE NO SPOTIFY PARA SURPREENDENTE!

Resenha: Surpreendente! - Maurício Gomyde

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

É um livro emocionante, sensível e cheio de significados.

“Compreender o mundo é tarefa complicada para qualquer pessoa, enxergue ela ou não. Então você não está melhor nem pior do que ninguém. E lembre-se: muita gente vê tudo, mas não enxerga nada”, p. 50.

A roadtrip feita pelos amigos é, realmente, uma viagem de autoconhecimento. Muitas coisas acontecem durante o período que os quatro passam juntos. Histórias que, com certeza, marcaram também o leitorSurpreendente! é, sem dúvidas, o melhor livro do autor até agora.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Confira o booktrailer:

Resenha: Surpreendente! - Maurício GomydeTítulo original: Surpreendente!
Autor: Maurício Gomyde
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 272
Ano: 2015
Gênero:
Nota: 1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia


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Escrito por:

Melissa Marques


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