Resenha: A Zona Morta – Stephen King

Quando peguei A Zona Morta para ler, não fazia ideia do que se tratava a história. Lembro de ter assistido ao filme A Hora da Zona Morta, com o Christopher Walken, há milênios, mas não lembrava de nada. Quando comecei, não consegui mais parar, assim como todo livro do Stephen King. Esse é um autor que consegue te fisgar, mesmo em um livro com 480 páginas!

Christopher Walken no filme A Zona Morta

A Zona Morta conta a história de John Smith, um professor que tem poderes “paranormais”. John sofreu um acidente na infância, bateu a cabeça e desde então sofre com alguns lampejos: toda vez que encosta em alguém, consegue sentir coisas estranhas, como prever o futuro, saber tudo sobre a vida da pessoa, entre outras coisas. Quando ainda jovem, ele sofre um acidente e fica em coma por quatro anos. Depois que acorda milagrosamente, ele vai se deparar com muitas mudanças e dificuldades, que levarão o personagem a um destino totalmente inesperado.

Resenha: A Zona Morta - Stephen King

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

John se considera amaldiçoado, já que esse “poder” só traz coisas negativas para sua vida. Muitas pessoas têm medo de encostar nele, não querem sua presença; outras ficam no seu pé para conseguir descobrir sobre suas vidas ou de outras pessoas. Ele também precisa se desvencilhar da imprensa o tempo todo, já que uns o consideram um charlatão e outros dizem que seu dom paranormal é incrível.

Na história também conhecemos outros personagens importantes na vida do protagonista: Sarah, sua namorada de antes do acidente, que se casou com outro; seu pai Herb, um homem muito bom, mas que vive um casamento conturbado; sua mãe Vera, uma fanática religiosa que acredita que a recuperação de John foi obra de Deus; Greg Stilsson, um político psicopata que cada vez mais está em ascensão com suas ideias conservadoras de direita (te lembra alguém?), entre outros. São diferentes histórias ao mesmo tempo, todas se entrelaçando com as visões paranormais de John Smith.

Achei interessante que esse é um livro que foge do terror: é um suspense misturado com drama, além de ter um viés político muito forte. O tempo todo acompanhamos as mudanças políticas nos Estados Unidos da década de 70. Inclusive, alguns presidentes como Jimmy Carter são citados, além de outros deputados e congressistas. A partir da metade do livro, ele se torna ainda mais voltado para as ideias de John em relação a Greg Stillson, político corrupto que está em ascensão.

Resenha: A Zona Morta - Stephen King

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Obviamente não vou contar o final do livro, mas vou confessar que fiquei bem triste: até rolaram umas lágrimas. Conforme vamos acompanhando a vida de John após o coma, bate uma sensação muito forte de melancolia. Um jovem divertido, alegre, inteligente que tinha tudo para prosperar, de repente se vê inválido, numa vida cansativa, com enxaquecas constantes e essa sina paranormal.

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O livro é muito bom, porém não é o meu preferido do Stephen King. Ele se torna cansativo em alguns momentos (principalmente quando foca bastante na política, assunto que me deixa um pouco exausta), mas no geral é uma leitura com partes empolgantes. E você, já leu? Recomenda? Conta pra gente nos comentários!

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* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora

Resenha: A Zona Morta - Stephen KingTítulo original: The Dead Zone
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Número de páginas: 480
Ano: 2017
Gênero: Suspense
Nota: 


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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: Sonetos de Amor – Luís Vaz de Camões

Expectativa de ler o livro: “Oba, livro pequeno! Fácil e rápido para ler“.

Realidade de ler o livro: “MEU DEUS, CAMÕES É MUITO DIFÍCIL“.

Sim, foi assim que eu me senti. HAHA!

Resenha: Sonetos de Amor - Luís Vaz de Camões

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O livro Sonetos de Amor começa justamente com uma introdução bem recheada sobre a obra camoniana. E, olha: AINDA BEM. Se com ela já foi complicado, imagina sem? Não entendam mal: o livro é incrível, cada soneto melhor que o outro. Mas o que quero dizer é que exige um certo esforço do leitor para ler e interpretar cada obra.

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É uma pena que, segundo a próprio introdução do livro, os sonetos de Camões sejam tão confusos: não eram datados, não continham a assinatura do autor, muito menos o contexto histórico ou algum tipo de dedicatória. Porém, de uma coisa podemos ter certeza: Camões amou.

“Luís de Camões amou muito, sofreu muito, teve gozo no seu sofrimento e escreveu dezenas de sonetos (e canções, elegias, odes etc.) numa repetida tentativa de entender o que era essa coisa simultaneamente terrível e sublime”

Camões endeusa cada uma das mulheres com quem se relacionou através de seus versos e, mesmo não tendo uma diva inspiradora “única”, suas amantes foram, ao meu ver, o sal de sua vida.

Resenha: Sonetos de Amor - Luís Vaz de Camões

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Apesar de rebuscado, ao abordar um tema tão universal, Camões consegue tocar facilmente qualquer tipo de leitor que já tenha experimentado a sensação de apaixonar-se, seja para a vida toda, seja um amor de metrô. E a beleza da obra é justamente essa.

Lindo e su[b]til trançado, que ficaste
Em penhor do remédio que mereço,
Se só contigo, vendo-te, endoideço,
Que fora com os cabelos que apertaste?

Aquelas tranças de ouro que ligaste,
Que os raios do Sol têm em pouco preço,
Não sei se ou para engano do que peço,
Ou para me matar as desataste.

Lindo trançado, em minhas mãos te vejo,
E por satisfação de minhas dores,
Como quem não tem outra, hei de tomar-te.

E se não for contente o meu desejo,
Dir-lhe-ei que, nesta regra dos amores,
Por o todo também se toma a parte.

Belos, líricos, intensos. De encher os olhos e o coração. Meu primeiro contato com a obra de Luís Vaz de Camões foi uma ótima introdução ao autor que ajudou a forjar a literatura portuguesa que conhecemos hoje. A edição é simples, mas bem bonita. A capa com relevo e brilho ficou bem romântica. Apesar de curta, é uma obra SENSACIONAL – e cai muito bem como presente, viu?

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* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora

Resenha: Sonetos de Amor - Luís Vaz de CamõesTítulo original: Sonetos de Amor
Autor: Luís Vaz de Camões
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 72
Ano: 2017
Gênero: Sonetos
Nota: 


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Escrito por:

Melissa Marques


Resenha: A História Secreta de Twin Peaks – Mark Frost

Sou bem fã de Twin Peaks desde que comecei a assistir à série em 2010. Como ela foi exibida na TV entre 1990 e 1991 – eu ainda estava nascendo – só fui ver bem depois, mas me apaixonei logo de cara. E quando anunciaram o revival da série para este ano, quase fiquei louca! Reassisti as duas primeiras temporadas para me preparar para a terceira: e mais uma vez gostei demais. Ainda este ano, quando a Companhia das Letras revelou que iria lançar o livro A História Secreta de Twin Peaks, fiquei alucinada e logo pedi um exemplar (somos parceiros da Cia ❤) e eles foram muito bondosos em me enviar. E o mais legal é que o livro me surpreendeu demais!

Resenha: A História Secreta de Twin Peaks - Mark Frost

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Eu não sabia o que esperar do livro – achei que seria algo no estilo ‘bastidores’ da série (mais ou menos como o livro do Downton Abbey que resenhei aqui), mas não é bem assim. A História Secreta de Twin Peaks é, na verdade, um romance epistolar e conta todos os mistérios que permeiam a cidade, desde o início de sua história. Sendo assim, acompanhamos várias cartas, documentos, notícias de jornais e outros recortes reunidos por um ‘arquivista’, que explicam vários eventos ‘estranhos’ que aconteceram em Twin Peaks, nos seus arredores e até mesmo histórias envolvendo seus moradores, até chegarmos, de fato, no enredo da série – o assassinato de Laura Palmer.

Resenha: A História Secreta de Twin Peaks - Mark Frost

Capa do livro com a “jacket”. FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

 

Resenha: A História Secreta de Twin Peaks - Mark Frost

Capa do livro sem a “jacket”. FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

O livro é um complemento à série: várias questões são respondidas e esclarecidas, principalmente em relação a alguns personagens que ganham pouco destaque em cena. Conhecer a história de Twin Peaks desde o começo é bem interessante, principalmente porque são inúmeras informações que se relacionam até com a história dos Estados Unidos em si. Podemos conferir os acontecimentos do Caso Roswell, de 1947, histórias envolvendo o FBI e a CIA e até a triste trajetória dos indígenas, quando suas terras foram tomados pelos colonizadores.

A História Secreta de Twin Peaks é um dossiê, e o mais divertido é conferir todos esses recortes junto das anotações da agente ‘TP’ (lemos o dossiê com anotações dela, é como se fosse um tipo de protagonista). Parece que o próprio leitor está investigando o caso e analisando os fatos, como um agente do FBI. Me senti “A” detetive lendo esse livro! Hahahaha!

Resenha: A História Secreta de Twin Peaks - Mark Frost

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

 

Resenha: A História Secreta de Twin Peaks - Mark Frost

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

O interessante é que Mark Frost resolveu lançar esse livro no fim de 2016, um pouco antes da estreia da terceira temporada. E essa temporada está totalmente absurda (no famoso estilo David Lynch), mas vários pontos começam a ligar se você leu este livro! Pois é! O fatídico episódio 8, que deixou todo mundo de boca aberta sem entender nada, tem relação com A História Secreta de Twin Peaks.  

Resenha: A História Secreta de Twin Peaks - Mark Frost

Olha aí a Laura Palmer! FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

 

Resenha: A História Secreta de Twin Peaks - Mark Frost

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

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Resenha: A História Secreta de Twin Peaks - Mark Frost

A edição é caprichada e o livro é muito bom! Porém, se você não acompanha Twin Peaks, não vai fazer muito sentido. É mais uma obra pra quem é fã da série e quer entender mais sobre aquele universo e os personagens da trama. Ler depois de assistir as duas primeiras temporadas é ainda melhor, porque você se prepara para o que vem na terceira. Eu amei esse livro e, se você é fã da série, com certeza vale muito a pena!

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* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora

Resenha: A História Secreta de Twin Peaks - Mark FrostTítulo original: The Secret History of Twin Peaks: A Novel
Autor: Mark Frost
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 368
Ano: 2017
Gênero: Romance Epistolar
Nota: 


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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: A Sombra do Vento – Carlos Luiz Zafón

É difícil classificar o gênero de A Sombra do Vento. O autor, Carlos Luiz Zafón, coloca de tudo um pouco nessa obra: mistério, suspense, humor, drama, romance e fantasia. Essa complexidade de gêneros e a profundidade do livro são pontos fundamentais que ajudam a torna-lo tão magnífico e arrebatador.

Resenha: A Sombra do Vento - Carlos Luiz Zafón

FOTO: Reprodução

São 399 páginas, mas, quando a leitura começa, é fácil ler essa obra em poucos dias. Quando passamos da centésima página, a história ganha traços tão complexos que fica difícil parar. A Sombra do Vento é um livro que você para e pensa, questiona e, depois que termina, continua refletindo sobre.

A Sombra do Vento é uma narrativa de ritmo eletrizante, escrita em uma prosa ora poética, ora irônica. O enredo mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo”, analisa a especialista em livros Nathalia Cardoso.

O espanhol Zafón, também famoso por outras obras, lançou esse livro em 2001. Em meio ao mix de emoções que a história traça, o leitor passa por uma montanha-russa junto com os personagens. A sinopse é um pouco complexa por si só, o que dá um indicativo do quão trabalhado, minucioso e bem escrito esse livro é.

Resenha: A Sombra do Vento - Carlos Luiz Zafón

Barcelona é a cidade onde a história é contada FOTO: Divulgação

O livro é retratado no passado. A história começa em 1945, antes de Barcelona tornar-se referência esportiva, grande centro para turistas e um lugar que nós, brasileiros em geral, amamos. Nessa época, há mais de 70 anos, a cidade ainda estava se consolidando no cenário europeu após períodos difíceis.

O personagem central é Daniel Sempere, e a história começa com ele: quando o pai de Daniel o leva para um lugar esquecido em Barcelona. Então, ele conhece uma biblioteca com formato de labirinto que abriga livros esquecidos que poucas pessoas dão valor.

Logo no primeiro livro que Daniel lê, ele se empolga e termina o romance na mesma noite. A obra em questão é A Sombra do Vento, do autor Júlian Carax. Após ficar maravilhado com o livro, Daniel busca mais informações sobre Carax, na expectativa de encontrar mais livros da mesma qualidade.

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Nessa busca por mais livros de Carax, Daniel descobre que, aos poucos, os livros somem sem deixar rastros. Comprometido a saber do paradeiro das outras obras, Daniel começa uma aventura que perdura por décadas.

Zafón tem um toque diferenciado nesse livro, pois ele consegue fazer uma narrativa que em nenhum momento é cansativa, e isso não é fácil se tratando de uma obra que passa através de muitas décadas de vida do personagem principal.

O livro é retratado, em sua maior parte, sob a narrativa pessoal de Daniel. No entanto, ele tem alguns flashbacks em que outros personagens aparecem e dão o tom momentâneo do protagonismo. Aliás, os coadjuvantes ajudam a enriquecer ainda mais a história — em especial Férmin Romero de Torres.

Férmin é o melhor amigo de Daniel na história, e ele é fundamental para o livro. É um personagem muito sensível, com uma trajetória de vida delicada e que, através da simplicidade, consegue tirar boas risadas e grandes frases.

Resenha: A Sombra do Vento - Carlos Luiz Zafón

FOTO: Reprodução

O livro é tão bem escrito que dá uma sensação de que os personagens tiveram uma história verdadeira antes daquele livro, e que continuarão a ter por muito tempo. Mérito de Zafón, que consegue orquestrar a narrativa de modo brilhante.

Outra qualidade da obra é que se trata de um livro que tem o livro como principal assunto. Em muitos momentos, Zafón encontra uma maneira de relembrar para o leitor o valor e a importância que a leitura exerce na sociedade. “Além de ser uma grandiosa homenagem ao poder dos livros, é um verdadeiro triunfo da arte de contar histórias”, relata a análise de Cardoso.

Os fãs do livro, no entanto, terão que se contentar com a versão escrita. Zafón já afirmou que não vai realizar uma adaptação da obra para o cinema.

Uma leitura madura, complexa e muito elogiada pela crítica, A Sombra do Vento é uma história que corresponde as ótimas análises.

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Título original: La Sombra Del Viento Resenha: A Sombra do Vento - Carlos Luiz Zafón
Autor:
 Carlos Luiz Zafón
Editora: Suma de Letras
Número de páginas: 399
Ano: 2001
Gênero: Romance
Nota: 

* Esse post é um publieditorial.


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Melissa Marques


Resenha: Em Águas Sombrias – Paula Hawkins

Quando comecei a ler Em Águas Sombrias, tive uma esperança de que a autora Paula Hawkins faria um trabalho superior ao de A Garota no Trem. Apesar de não achar o melhor livro da vida, eu até gostei de ler o bestseller que virou filme com a Emily Blunt, então me empolguei para ler o lançamentoSinto dizer que o livro não me agradou.

Mas, vamos aos motivos! Eu sou superfã de suspense e histórias de mistério. Adoro tudo que envolve esse universo: detetives, pistas sobre homicídios, personagens obscuros, tentar adivinhar o que aconteceu… Mas esse livro não cria aquele ar divertido e nem um clima de tensão. São vários personagens que vivem em Beckford, uma pequena cidade na Inglaterra, tentando entender supostos suicídios de mulheres que morreram afogadas. O rio é um personagem importante na história, pois é ao redor dele que se seguem todas as subtramas.

Resenha: Em Águas Sombrias - Paula Hawkins

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Cada capítulo é narrado por um personagem diferente, então são vários pontos de vista sobre o mesmo assunto. Até aí achei uma boa escolha, porque conseguimos entender um pouquinho do que aconteceu naquela cidade pelos olhos de pessoas com personalidades bem distintas. Tudo gira em torno da morte de Nel Abbot, uma mulher atraente que estava escrevendo um livro sobre as mulheres que morreram afogadas no rio. Sua morte altera a vida de muitas pessoas em Beckford: de sua filha Lena, sua irmã Jules, o policial Sean, a policial forasteira Erin, funcionários da escola, a família de uma garota que se suicidou, entre tantos outros personagens.

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Um dos problemas é que não tem como criar empatia por ninguém. Você passa cada página querendo dar um soco na cara de cada um dos personagens. No máximo dá para entender um pouco a Jules, uma moça que tem um passado traumático e tenta lidar com a morte da irmã. Fora isso… Não sei se esse era o objetivo da autora, mas odiar os personagens é bem irritante: não dá vontade de continuar a leitura.

O motivo dos assassinatos, quem matou quem, também é óbvio desde a metade. Quem está acostumado com histórias de mistério consegue descobrir bem rápido. Outro ponto crucial: o livro enrola demais, dava para cortar pelo menos umas 50 páginas, sem dó. Quase no fim é que a trama finalmente começa a se desenrolar e os pontos a se unirem. Cansa demais!

Mas o que mais me tirou do sério mesmo foram os melodramas e a personagem central da história: a Lena. Que menina INSUPORTÁVEL. Logo no começo, na primeira página, Paula Hawkins dedica o livro “para todas as encrenqueiras”. Muitas mulheres do livro são encrenqueiras, realmente, principalmente as protagonistas. Porém, rola um exagero. Elas não são apenas encrenqueiras: são egoístas, grosseiras, chatas e insensíveis. O que parece “coragem”, na verdade é narcisismo. A autora até tenta colocar uns traços de feminismo e lições de moral no livro, mas não funciona. É muito mal encaixado.

Resenha: Em Águas Sombrias - Paula Hawkins

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

A amizade entre Lena e Katie é tão forçada que dá até nervoso de ler. Aliás, os relacionamentos interpessoais aqui não funcionam de maneira nenhuma. É um livro desconexo, com uma história pobre. Para ser bem sincera, em certos momentos achei Em Águas Sombrias brega. Alguns diálogos e reflexões dos personagens me deixaram com vergonha.

Parece que o que Paula Hawkins conquistou com A Garota no Trem, ela errou muito feio com Em Águas Sombrias. Fico triste, porque realmente tentei gostar desse livro. O final também não surpreende, é bem vazio. Porém, pode funcionar para quem é fã da autora ou que curta histórias dramáticas com vários personagens “encrenqueiros”.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora

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Resenha: Em Águas Sombrias - Paula HawkinsTítulo original: Into The Water
Autora: Paula Hawkins
Editora: Record
Número de páginas: 364
Ano: 2017
Gênero: Policial/Suspense
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Escrito por:

Isabela Zamboni


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