Resenha

Resenha: Assassinatos na Rua Morgue – Edgar Allan Poe

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O livro Assassinatos na Rua Morgue foi meu primeiro contato com Edgar Allan Poe. A obra, publicada pela L&PM Pocket, reúne diversos contos do autor, deixando para as últimas páginas a famosa história que dá nome ao livro.

Fiquei fascinada pela escrita de Poe e é notável como muitas, mas muitas obras atuais ainda se baseiam no poeta e escritor norte-americano. Quem ama romances policiais e histórias de mistério consegue notar quantos personagens e histórias derivam dos contos do autor.

Assassinatos na Rua Morgue foi lançado em 1840 e influenciou personagens famosíssimos da literatura, incluindo Sherlock Holmes (de Arthur Conan Doyle) e Hercule Poirot (de Agatha Christie). Ou seja: é a origem das apaixonantes histórias de detetive, onde tudo começou.

No conto, o francês Monsieur C. Auguste Dupin, com a ajuda do narrador da história (algo que lembra uma relação Sherlock – Watson), utiliza seu próprio sistema de dedução para solucionar um crime. Observando os fatos e analisando atentamente o testemunho das pessoas que estavam no local onde os assassinatos foram cometidos, Dupin passa por cima da polícia francesa e consegue com muita precisão solucionar um caso que parecia impossível.

Aos poucos, vamos acompanhando o pensamento rápido do personagem, que levanta questões intrigantes e nos faz, junto com ele, tentar desvendar o bizarro mistério. O conto é muito empolgante! Utilizando uma linguagem madura, inteligente e que estimula a imaginação do leitor, somos induzidos a levantar inúmeros questionamentos a respeito do acontecido.

E o mérito não vai apenas para o Assassinatos na Rua Morgue. Os outros contos incluídos no livro, como “O Gato Preto”, “Hop-Frog ou Os oito orangotangos acorrentados” e “Nunca aposte sua cabeça com o diabo” são tão bons quanto o conto principal. Já os contos “Os fatos que envolveram o caso de Mr. Valdemar” e “O demônio da perversidade” são interessantes também, mas não me cativaram tanto.

Assassinatos na Rua Morgue - Edgar Allan Poe
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Não adianta contestar: existe algo intrigante na escrita de Poe. A linguagem pode parecer rebuscada para os dias atuais, mas ainda assim tem algo de impressionante que instiga a leitura. Durante a leitura do “Gato Preto”, fiquei mal, assustada e com muita vontade de saber o que iria acontecer. Ele sabe como aumentar nossa curiosidade e as páginas fluem rapidamente.

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Percebi também o quanto Poe adora relacionar animais com suas histórias. Em quase todos os contos, há algum animal envolvido – gatos, orangotangos, corvos… acho isso bem curioso e, obviamente, metafórico. As tramas sempre trazem aquele clima sombrio de histórias antigas, que misturam alquimia, experimentos esquisitos e todas as nuances de uma mente humana perturbada, fazendo sempre um paralelo com animais selvagens que se deixam levar pelo instinto. Recomendo fortemente a leitura, principalmente se você é fã de histórias de detetive, terror e mistério.

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Assassinatos na Rua Morgue

 

Título original: The Murders in the Rue Morgue
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: L&PM Pocket
Número de páginas: 160
Ano: 201o
Gênero: Terror/Clássico
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia

Resenha

Resenha: A Redoma de Vidro – Sylvia Plath

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath, conta a história de Esther Greenwood, uma mulher brilhante, bonita e talentosa, mas lentamente em declínio, se sentindo cada dia mais sufocada e presa dentro de si mesma. A obra de Plath nos leva para uma viagem dentro de uma psique obscura e perturbada, utilizando as palavras com tamanha intensidade, que o sofrimento da personagem torna-se quase palpável.

“Eu via os dias do ano se estendendo diante de mim como uma série de caixas brancas e brilhantes, separadas uma da outra pela sombra escura do sono. Só que agora a longa perspectiva das sombras, que distinguia uma caixa da outra, tinha subitamente desaparecido, e eu via os dias cintilando à minha frente como uma avenida clara, larga e desolada até o infinito.”

A narrativa em primeira pessoa enfatiza a alienação da personagem – dela mesma, da sociedade e do mundo em que vive. No início, acompanhamos a trajetória de Esther durante um estágio em uma revista de moda de Nova York – trabalho cheio de glamour, jazz, roupas caras, festas e homens. Mas, para a protagonista, nada disso importa, já que a sensação de vazio nunca passa.

“Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia.”

A história é contada de maneira simples, porém com uma temática complexa. O estilo de Plath é irônico, engraçado, direto e, ao mesmo tempo, poético. As páginas fluem rapidamente e a personagem é cativante com seu espírito perturbado, porém sagaz.

Resenha: A Redoma de Vidro - Sylvia Plath
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

As revistas de moda e a mídia em geral influenciam diretamente as mulheres em relação à sua imagem e o papel que “devem” desempenhar na sociedade da década de 50. Ao mesmo tempo, o livro mostra como pode ser cansativa a vida de mulheres que precisam ao mesmo tempo buscar uma carreira de sucesso e ainda serem mães/donas de casa perfeitas. Qual é, na verdade, seu papel no mundo? O que é mais importante? Casamento ou carreira?

“…estaria sempre sob a mesma redoma de vidro, sendo lentamente cozida em meu próprio ar viciado.”

A Redoma de Vidro é um retrato cru de uma jovem passando por uma severa depressão. Contudo, na época em que Esther vivia, os médicos e psiquiatras acreditavam que a terapia de choque e a internação em clínicas que faziam uso de medicamentos pesados seria a solução para qualquer doença mental. A desinformação e a falta de empatia das pessoas ao redor da protagonista só servem para piorar sua situação, principalmente sua mãe, que se mostra (aos olhos da personagem) uma pessoa fria e desinteressada nos problemas da filha.

“Respirei fundo e ouvi a batida presunçosa do meu coração. Eu sou, eu sou, eu sou.”

Filmes como “Um Estranho no Ninho” (1975) e “Garota, Interrompida” (1999) abordam temáticas similares à obra de Plath. A vida no hospício e as torturas psicológicas vividas pelos personagens destes longas-metragens lembram o sofrimento de Esther, que passa por situações parecidas na trama do livro.

Resenha: A Redoma de Vidro - Sylvia Plath
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O mais triste é saber que A Redoma de Vidro é o único e último romance de Sylvia Plath, que suicidou-se pouco tempo depois. Muitos dizem que a obra é uma autobiografia da autora, que passava por crises graves de depressão. Recomendo a leitura, pois nem sempre conseguimos entender o sofrimento causado por uma doença tão terrível, e é mais que necessário tratar dessa temática na atualidade.

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A redoma de vidro - Sylvia Plath

Título original: The Bell Jar
Autora: Sylvia Plath
Editora: Globo Livros
Número de páginas: 280
Ano: 2010
Gênero: Ficção / Thriller Psicológico
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela

Resenha

Resenha: A Menina Submersa: Memórias – Caitlín R. Kiernan

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Comecei a leitura de A Menina Submersa com altas expectativas. Li muitas resenhas em blogs falando o quanto esse livro era bom, que se tratava de uma história densa, uma viagem na mente de uma personagem com esquizofrenia. E tudo isso é verdade, apesar de ser uma leitura lenta, sem ritmo e muitas vezes irritante.

A protagonista India Morgan Phelps, também chamada de Imp (em inglês, Imp significa “diabinho” ou “duende”, mas na tradução esse detalhe se perdeu) tenta construir sua história em uma antiga máquina de escrever. Sem se importar com a cronologia, India tenta montar uma linha de acontecimentos de sua vida, junto com seus devaneios e sentimentos mais profundos. Ela sofre de esquizofrenia e tem altas tendências suicidas, assim como sua mãe Rosemary e sua avó Caroline.

Dessa forma, é difícil delimitar uma sinopse para este livro, já que A Menina Submersa é na verdade uma obra metalinguística: a personagem, ao escrever suas memórias, conversa com si mesma entre as páginas. Ou seja, acompanhamos a narrativa dentro da mente de Imp, que não consegue delimitar com clareza o que realmente aconteceu em sua vida ou o que, na verdade, foi uma ilusão de sua mente perturbada.

O livro ganhou o Bram Stoker Award, premiação que elege os melhores livros de terror e suspense de cada ano. E realmente ele traz uma inquietação, um clima de terror misturado com um drama melancólico. Seu conteúdo de reflexão é rico, assim como suas infinitas referências à arte, literatura e música.

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O problema é que não foi uma leitura agradável. Se o livro tivesse 100 páginas a menos, acredito que seria mais bem resolvido. Muitas e muitas páginas reforçam aquilo que já sabemos, loucuras e loucuras sem parar, num ritmo desenfreado, porém entediante. Não consegui ler muito por dia. O ritmo da narrativa é arrastado e cansativo, os personagens passam longe de serem carismáticos (apesar de densos e de personalidade forte, não tiro esse mérito), mas ler esse livro foi praticamente tomar um sonífero.

Resenha: A Menina Submersa
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O fluxo de consciência, recurso utilizado por autores incríveis como Virginia Woolf, é o estilo adotado por Kiernan para tentar traduzir a vida de uma garota esquizofrênica. No começo fiquei bastante interessada, é uma leitura que te leva a querer mais, conhecer a história de Imp. Mas é da metade pra frente que esse recurso torna-se enfadonho e o livro se arrasta a passos de tartaruga para um final que não podia ser muito diferente.

Se você gosta bastante de livros introspectivos, provavelmente vai adorar A Menina Submersa. Se, como eu, você prefere uma narrativa mais fluida, com acontecimentos marcantes, provavelmente vai se sentir entediado.

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A Menina Submersa

 

Título original: The Drowning Girl
Autor: Caitlín R. Kiernan
Editora: Darkside Books
Número de páginas: 320
Ano: 2014
Gênero: Ficção/Thriller
Nota1 estrela1 estrelaestrela vaziaestrela vaziaestrela vazia

Resenha

Resenha: A Volta do Parafuso – Henry James

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Para quem busca um thriller psicológico de altíssima qualidade literária, A Volta do Parafuso (ou A Outra Volta do Parafuso) é primordial. O livro é bem curto, portanto a leitura é rápida. Só alerto para a linguagem rebuscada do autor: inúmeras descrições e ritmo bem lento, o que pode tornar a experiência cansativa.

A Volta do Parafuso conta a história de uma jovem mulher que consegue seu primeiro emprego como preceptora de duas crianças aparentemente belas e inocentes. A menina Flora e o menino Miles são ingênuos, charmosos e encantadores, cativando a jovem logo de início. No entanto, aos poucos, começamos a ver um lado peculiar dessas crianças, que moram em uma imensa casa afastada, em um local chamado Bly. A propriedade é extensa, porém levemente assustadora e melancólica.

Durante sua estadia em Bly, a preceptora começa a perceber fenômenos estranhos: “figuras” distantes que lançam olhares de cima de torres escuras e janelas empoeiradas – supostamente fantasmas silenciosos que, a cada dia, se aproximam mais dela e das crianças.

Com uma sensação de horror crescente, a protagonista percebe que as criaturas desejam, na verdade, corromper as crianças, buscando adulterar seus corpos e mentes inocentes. Mas isso não é o pior: o horror se instala na mente da personagem quando ela supõe que Miles e Flora não sentem nem um pouco de medo das assombrações que rondam a casa, pelo contrário: desejam a presença dos fantasmas.

A princípio, a escrita densa e cansativa de Henry James pode fazer com que o leitor desista do livro. Porém, ao terminar a pequena obra, são tantos elementos e questões a serem levantadas, que, no fim das contas, vale muito a pena. As teorias de Freud permeiam o livro todo, interferindo na nossa percepção da realidade.

O autor é brilhante principalmente porque não sabemos se o pequeno Miles é uma criança arrogante e mal comportada; se a preceptora tem distúrbios sexuais graves; se existe alguma força maligna na casa ou se os fantasmas realmente vagam pela propriedade. Quem sabe? São indícios e pistas diferentes que nos conduzem a diferentes encruzilhadas.

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O narrador personagem é a peça-chave para a compreensão do livro. Nós, leitores, vemos e percebemos tudo pelos olhos da protagonista. Portanto, dificilmente saberemos qual é a realidade dos acontecimentos: tudo é alterado pelo contexto da personagem e seus valores morais. Seus incômodos e perturbações muitas vezes parecem sem fundamento, desprovidos de lógica. O desespero da protagonista traz uma sensação incômoda: nunca sabemos o que esperar ou o que realmente está acontecendo. É angustiante!

Existe um filme baseado no livro A Volta do Parafuso chamado Os Inocentes, de 1961. Apesar de transpor fielmente o clima arrepiante e sombrio do livro, o longa não abre espaço para a imaginação, criando situações literais que destroem o trunfo da obra literária. Ainda assim, é um filme interessante e perturbador, perfeito para quem gosta do gênero terror. No entanto, recomendo a leitura primeiro, para abrir espaço à imaginação. Confira o filme completo no youtube:

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Resenha: A Outra Volta do Parafuso - Henry JamesTítulo original: Turn of the Screw
Autor: Henry James
Editora: Hedra
Número de páginas: 179
Ano: 2010
Gênero: Clássico/Thriller
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia