Resenha

Resenha: Os Assassinos do Cartão-Postal – James Patterson e Liza Marklund

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Em 2014 tive o prazer de conferir a Bienal do Livro em SP e, aproveitando que estava lá a trabalho, passei em alguns estandes para comprar livros. Em um deles, mais especificamente da editora Arqueiro, encontrei um livro por R$9,90. Na capa, dizia que o escritor era o “o autor de mistério e suspense mais famoso do mundo”. Achei no mínimo curioso e, como o preço estava bacana, resolvi comprar Assassinos do Cartão-Postal, de James Patterson e Liza Marklund.

Pesquisei no Google e descobri que o James Patterson é realmente muito famoso. Sempre em primeiro na lista dos best-sellers nova-iorquinos, seus livros já viraram filmes (um deles com Morgan Freeman no papel principal) e, inclusive, além de suspense, ele também escreve fantasia para o público infanto-juvenil. 

Antes de começar o livro Os Assassinos do Cartão-Postal , imaginei que fosse algo bem bobinho. Mas é um bom suspense, com personagens carismáticos e uma trama envolvente. A história é sobre o detetive norte-americano Jacob Kanon, que está na Europa para investigar o assassinato de sua filha Kimmy. Na verdade, Kimmy é apenas uma peça de um doentio quebra-cabeças. Em toda a Europa, jovens casais são encontrados mortos com a garganta cortada. Os assassinatos não parecem ter qualquer conexão, além de cartões-postais enviados para os jornais locais dias antes da descoberta de cada crime. Na tentativa de salvar as próximas vítimas, Jacob vai se unir à jornalista Dessie Larsson, que acaba de receber um cartão-postal em Estocolmo. (Fonte: Arqueiro)

Apesar de ser uma boa história, infelizmente ela cai no velho clichê. Suécia, jornalista, policial, serial killers… já existe um milhão de outras tramas iguais a essa. Envolver obras de arte na trama também é bem comum (vide Dan Brown) e nada original. O final também é previsível, deixando aquele “ok, é só isso?” depois que acaba.

Com 300 páginas, Os Assassinos do Cartão-Postal poderia ser condensado em 200, já que boa parte é enrolação. Os personagens são bacanas, mas é aquele tipo de livro já escrito para virar filme. A linguagem é simples, o ritmo é bom, mas só consigo imaginar aquilo como um roteiro. Entendo o sucesso que Patterson faz, porque o jeito que ele escreve envolve o leitor na história, o que é um ponto muito positivo. Mas, de qualquer forma, não acrescenta nada de novo: faltou uma trama mais difícil de desenrolar, uma teia mais complexa e minuciosa.

Outra coisa que me incomodou foram os assassinos: suas motivações são fracas e mal explicadas. A personalidade dos dois também foi pouco trabalhada; apesar de o autor ter criado uma explicação para a loucura dos dois, é ligeiramente forçado e não convence. Faltou um desenvolvimento melhor de personagem, principalmente quando se trata dos assassinos da história.

Indico a leitura para quem, como eu, é fissurado em suspenses. Mas, o problema de quem é viciado nesse gênero é justamente esse: o vício nos faz adivinhar tudo, então dificilmente uma história será inesperada e intrigante.

Obs: comprei o livro físico na Bienal, mas acabei trocando por outro no sebo… por isso a foto do Kindle!

Resenha: Os Assassinos do Cartão-Postal

 

Título original: The Postcard Killers
Autor: James Patterson e Liza Marklund
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 304
Ano: 2014
Gênero: Policial
Nota1 estrela1 estrelaestrela vaziaestrela vaziaestrela vazia

Curiosidades

TBR Book Jar – o que é e por que aderir

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Muitos blogueiros utilizam a expressão TBR Book Jar “referindo-se a um pequeno jarro repleto de papéizinhos. Esse costume já existe faz algum tempo, mas só conheci agora. Pra quem não sabe, TBR significa “to be read“, ou seja, “para ser lido”. E “book jar” nada mais é do que “jarro de livros”.

Daí você me pergunta: “mas pra que serve isso?”, e eis que a resposta é supersimples: é só um meio de você se controlar e não gastar seu salário inteiro em livrarias. É normal se empolgar com livros e acabar comprando mais do que é possível ler. E a TBR Book Jar é pra ajudar justamente nisso: você coloca em vários papeizinhos todos os livros que você tem e ainda não leu. Depois, é só sortear e começar a ler um por um os livros “esquecidos” da sua estante. Em vez de comprar sem parar, é hora de começar a ler todas as obras que você já tem. Assim você economiza dinheiro e ainda relembra o porquê de ter comprado aquele livro.

TBR BOOK JAR – O QUE É E POR QUE ADERIR
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

decoração da estante ou do seu quarto mais bonita 🙂

TBR BOOK JAR – O QUE É E POR QUE ADERIR
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Eu escolhi para a minha TBR Jar (que ainda está incompleta) um copo que eu tinha aqui em casa do Starbucks. Como o copo é transparente, fica legal colocar papéis coloridos dentro.

TBR BOOK JAR – O QUE É E POR QUE ADERIR
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Na internet também encontrei algumas inspirações de TBR Book Jar:

TBR BOOK JAR – O QUE É E POR QUE ADERIR
O TBR Jar da Priscila Guerra, do blog Stuck on Them
TBR BOOK JAR – O QUE É E POR QUE ADERIR
TBR da Nat, do blog Mi Libreto Rosa
TBR BOOK JAR – O QUE É E POR QUE ADERIR
TBR Book Jar da Gabriela Cubayachi, do blog e aí beleza

 

E aí, curtiu a ideia da TBR Book Jar? Conta pra gente nos comentários!

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Resenha

Resenha: O Dia de Chu – Neil Gaiman e Adam Rex

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Depois de ler O Oceano no Fim do Caminho, fiquei com uma ótima primeira-impressão de Neil. E fiquei superfeliz ao receber O Dia de Chu, por dois motivos: 1) há anos eu não lia um livro infantil e 2) é escrito por Gaiman.

O livro conta a história de Chu, um bebê panda superfofo que tem um grande problema: quando ele espirra, “coisas ruins acontecem”.

Para uma criança o livro é incrível: as ilustrações feitas por Adam Rex são magníficas, coloridas, cheias de detalhes, chamativas, bonitinhas e engraçadas. O livro é – como é de se esperar – extremamente visual e o trabalho do ilustrador é notável!

Resenha: O Dia de Chu - Neil Gaiman
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Os pequenos com certeza irão adorar e O Dia de Chu tem tudo para se tornar um daqueles livros que somos obrigados a ler diariamente até as crianças adormecerem, sabe? <3

Mas a história por trás do pequeno Chu também dá uma lição aos  pais (principalmente aos de primeira-viagem): você pode tentar proteger seus filhos, mas existem coisas que estão fora do seu alcance. E isso nós aprendemos em 34 páginas realmente satisfatórias.

Para comprar O Dia de Chu, é só clicar no link abaixo:

Fico feliz ao ver a desenvoltura de Neil como autor. Ele permeia entre o infantil, o juvenil e o adulto sem a menor dificuldade. E isso, com certeza, poucos conseguem.

Resenha: O Dia de Chu - Neil Gaiman
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

SINOPSE:

Chu é um filhote de panda fofinho como todo filhote de panda. O que há de diferente com ele – além de sua camiseta verde e de seus charmosos óculos amarelos estilo aviador – é que Chu é um pouco alérgico. E quando ele espirra, coisas ruins podem acontecer. Sem dizer exatamente que coisas são essas, o cultuado escritor britânico Neil Gaiman vai prendendo a atenção dos pequenos em O dia de Chu, que acompanha um dia de fortes emoções na vida desse simpático filhote.

Carinhosos e cuidadosos, os pais de Chu sabem que coisas ruins podem acontecer quando o filhote sente aquela coceirinha no nariz. E se atentam para qualquer sinal de que ele possa espirrar. Mas não é que às vezes as coisas acontecem quando menos esperamos?! Ou será que Chu gosta mesmo é de confundir seus pais (e o leitor)?

O dia de Chu começa com uma visita à biblioteca cheia de livros empoeirados, passa por um almoço no restaurante Moby Dinner, onde há um forte cheiro de pimenta no ar, e termina com um animado espetáculo de circo. Será que Chu vai espirrar hoje?

O próximo título da série terá como tema principal a ida de Chu à escola.

Confira o booktrailer do livro O Dia de Chu:

* O livro foi enviado pela assessoria da marca, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

LEIA TAMBÉM

O dia de Chu - Neil Gaiman e Adam RexTítulo original: Chu’s Day
Autor: Neil Gaiman e Adam Rex
Editora: ROCCO Pequenos Leitores
Número de páginas: 32
Ano: 2013
Gênero: Infantil
Nota: 1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela

Resenha

Resenha: Morte na Mesopotâmia – Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Depois de viciar na série Sherlock, da BBC, me deu saudade de ler Agatha Christie. Já havia lido alguns livros da autora na adolescência, mas não lembrava direito de seu estilo. Peguei então Morte na Mesopotâmia, um dos títulos que eu lembro ser um dos mais conhecidos. Não me arrependi, pois a história é muito empolgante e divertida de ler.

O livro é mais um dos casos de Hercule Poirot, o detetive belga tão icônico que aparece em boa parte das obras da autora. Na história, a enfermeira Amy Leatheran narra sua experiência com a paciente Louise Leidner, uma mulher que sofria de angústia nervosa e era casada com o famoso arqueólogo Eric Leidner. A trama se passa em uma cidade árabe, durante uma escavação comandada por Leidner e sua equipe. Durante a história, ficamos tensos o tempo inteiro, querendo saber porque Louise sofria tantas paranoias e angústias e por qual motivo o clima entre as pessoas da escavação estava tão estranho.

Depois que um dos membros da equipe da escavação é brutalmente assassinado, é hora de Poirot entrar em cena e tentar descobrir quem teria motivos para realizar tal façanha, além de tentar explicar por que aquelas pessoas viviam em um clima tão pesado.

Para comprar Morte na Mesopotâmia, é só clicar no link abaixo:

Morte na Mesopotâmia é aquela típica história de detetives que fascina e encanta. Um grupo de pessoas. Todas agindo de forma esquisita. De repente, um assassinato cometido por um deles e ninguém sabe como reagir. Um detetive entra em cena para tirar todo mundo do sério fazendo perguntas indiscretas. Análises minuciosas de cada detalhe do dia do assassinato, a fim de montar o quebra-cabeça. Ou seja: a narrativa perfeita para quem, como eu, é fascinado por solucionar mistérios.

Quem lê bastante Agatha Christie, geralmente adivinha rápido quem é o verdadeiro assassino. Sempre há o misdirection, isto é, a autora faz você odiar um personagem para desconfiar dele, mas com certeza está tirando o seu foco do verdadeiro assassino, geralmente aquela pessoa que todo mundo descarta logo de primeira. Nesse livro, me deixei levar e nem tentei adivinhar nada. Quis embarcar na jornada de Poirot e apenas admirar o personagem como um detetive muito astuto e divertido.

Resenha: Morte da Mesopotâmia - Agatha Christie
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Outro ponto positivo é conferir a história pelos olhos da enfermeira, alguém que chegou de fora da expedição e relata com detalhes tudo o que viu durante o tempo que passou ali. Amy Leatheran é uma mulher muito íntegra, correta, mas por vezes ingênua. Não conseguia ver o que estava diante de seus olhos e confiava bastante na bondade do ser humano. É divertido ver como ela ajuda Poirot no caso, que sempre a deixa bastante intrigada.

Por ser tipicamente britânico, também é divertido ver como os personagens são extremamente polidos e educados. Todos se preocupam demais com tentar parecer uma boa pessoa e despejar moralismo. Portanto, todo mundo que sai um pouco da linha ou age com sinceridade, aos olhos da enfermeira, é um indivíduo rude e grosseiro. A narradora vive fazendo comentários do tipo “ela não é uma dama”, ou “fulano deveria agir com mais respeito”. Parece que pessoas muito espontâneas incomodam de verdade a enfermeira.

Enfim, se você procura uma narrativa animada, fluente e com personagens ótimos, Morte na Mesopotâmia é o livro pra você. Só tente não adivinhar tão cedo quem é o assassino, senão perde toda a graça.

LEIA TAMBÉM

Capa do livro Morte na Mesopotâmia

Título original: Murder in Mesopotamia
Autor: Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 220
Ano: 2014
Gênero: Ficção/Policial
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia

Resenha

Resenha: CASH – Johnny Cash e Patrick Carr

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Olá, ele é o Johnny Cash. Não, não tinha como começar essa resenha de outro jeito.

Subverti a ordem das coisas e acabei conhecendo melhor a obra de Cash através do filme Johnny e June (Walk the line, 2005). É claro que eu já havia ouvido um ou outro sucesso do cantor – até por que, não vivo numa bolha – mas nunca parei para escutar a obra, analisar, e claro: me apaixonar.

Enfim, logo depois de assistir ao filme (que tem interpretações e músicas belíssimas), foquei meus dias na descoberta do Sr. Cash e de sua obra: ouvi incessantemente os cds, assisti ao filme mais umas 5x, e devorei a autobiografia CASH.

Talvez o único comentário que eu possa tecer sobre esse homem, possa se resumir em uma palavra: dualidade. Johnny era o anjo e o demônio, era o bem e o mal, era caridoso e egoísta, humilde e arrogante, e muitos outros adjetivos mais. Isso fica claro desde o início do livro.

O bom de uma autobiografia é a visão do autor sobre ele mesmo. Enquanto eu, lendo, pensava “caramba, que homem incrível!”, Johnny dizia sobre si mesmo: “eu tenho uma certa responsabilidade sobre o country, mas não é tudo isso o que as pessoas falam”. OI?

Para comprar o livro, só clicar no link abaixo:

Enquanto lia, tive a impressão de estar sentada ao lado do avô de alguma amiga, enquanto ele me contava histórias e tomávamos uma xícara de chá. Acho que isso resume bem o tipo de biografia que você encontrará em CASH. O livro aborda a vida do astro sob uma perspectiva completamente nova: a dele mesmo.

Johnny tece poucos comentários sobre o sucesso, e foca a biografia em seus amigos, familiares, Deus, e claro, sua vida na estrada – que, para o astro, foi um dos motivos de ter chego “tão longe”.

Para saber mais:

  • Out Among the Stars – o novo álbum (póstumo) de Cash foi lançado em março de 2014 conta com o single “She used to love me a lot“. Imperdível!
  • Johnny e June – pra quem ainda não assistiu, vale a pena! Com Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon interpretando Cash e sua mulher. Confira o trailer.

CASH - Johnny Cash e Patrick Carr

 

Título original: CASH
Autor: Johnny Cash e Patrick Carr
Editora: Leya
Número de páginas: 280
Ano: 2013
Gênero: Autobiografia
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela