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Na Natureza Selvagem: livros lidos por Chris McCandless (Alexander Supertramp)

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Tolo? Aventureiro? Herói? Apenas humano? São inúmeras as possibilidades de descrever o rapaz que largou tudo e foi na contramão do famoso “sonho americano”. Saiba quais foram os livros lidos por Chris McCandless durante sua aventura no Alasca.

Não conhece a história real de McCandless? Então, confira:

Para a produção de Na Natureza Selvagem, Jon praticamente refaz o caminho do garoto e, inclusive, entrevista pessoas que tiveram contato com McCandless. É aflitivo ler sobre as dificuldades que Cris passou, os erros que cometeu, o julgamento dos nativos, os problemas familiares…e tudo isso é exposto de forma bem clara na narrativa. Confira a resenha completa aqui.

Livros lidos por Chris McCandless

1) Walden – Henry David Thoreau

Autobiografia de Henry D. Thoreau, Walden é a manifestação dos ideais de um dos maiores críticos da civilização industrial na história. Publicada em 1854, a obra passa por temas não superados até hoje pelo homem contemporâneo, como o direito à liberdade e o respeito à natureza. E tudo começa com um intrigante experimento social. Em 1854, buscando apartar-se de uma sociedade cada vez mais complexa, Thoreau retira-se para a propriedade de um amigo às margens do lago Walden.

Na pequena cabana na floresta, adapta as suas habitações e constrói seus móveis, planta os alimentos que consome e os prepara, faz descobertas espirituais. Por meio de uma vida simples e autossuficiente, cria sua utopia. Ainda que seja uma crítica à vida urbana do século XIX, Walden ainda é capaz de suscitar importantes reflexões sobre nosso modo de vida. Em mais de um século de existência, tornou-se uma referência para movimentos libertários, ecologistas e todos os que buscam uma vida mais harmônica.

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2) A Desobediência Civil – Henry David Thoreau

Formada por cinco textos, a edição traz, em sua abertura, aquele que dá nome ao livro: “A desobediência civil”, de 1849, responsável por inserir o pensamento político de Thoreau na história mundial. O segundo ensaio, “Onde vivi, e para quê”, foi extraído de seu livro Walden, em que retrata os anos em retiro numa floresta. Em “A escravidão em Massachusetts”, Thoreau discursa contra a prisão do escravo fugitivo Anthony Burns. O quarto ensaio, “Caminhar”, tem origem numa palestra em que o filósofo se mostra em perfeita comunhão com a natureza e consigo mesmo ao passear sem objetivo por bosques e florestas. Por fim, a “Vida sem princípios” é um apelo a outro modo de viver, distante da dedicação excessiva ao trabalho.

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3) O Homem Terminal –  Michael Crichton

Uma lesão cerebral, resultado de um acidente automobilístico, causa sérios danos ao especialista em ciência da computação Harry Benson. Ele começa a apresentar sintomas de uma doença que provoca súbitos ataques de violência, a Lesão Desinibitória Aguda (LDA). Numa tentativa de controlar esses impulsos de agressão, Benson é submetido a um revolucionário método cirúrgico em que eletrodos são implantados em seu cérebro. O objetivo do time de cirurgiões de Los Angeles, responsáveis pela experiência, é conter através de um microcomputador as perigosas crises homicidas do paciente. A cirurgia, porém, não é bem-sucedida.

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4) O Chamado Selvagem – Jack London

Buck, um robusto cão são-bernardo, vivia feliz em um sítio onde não era necessário defender seu território. Porém, sua vida muda totalmente quando um dos empregados do lugar o sequestra e vende para mineradores no Alasca. Como Buck é forte e peludo, se torna um cão de trenó, submetido a condições extremas, acossado pela violência dos homens, do ambiente e de outros cães.

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5) Caninos Brancos – Jack London

Caninos Brancos é um lobo nascido no território de Yukon, no norte congelado do Canadá, durante a corrida do ouro que atraiu milhares de garimpeiros para a região. Capturado antes de completar um ano de idade, é usado como puxador de trenó e obrigado a lutar pela sobrevivência em uma matilha hostil. Mais tarde repassado a um dono inescrupuloso, é transformado em cão de rinha e, mesmo depois de resgatado desse universo de violência, ainda precisa de um último ato de heroísmo para conseguir sua redenção e finalmente encontrar seu lugar no mundo.

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Na Natureza Selvagem: livros lidos por Chris McCandless (Alexander Supertramp)
FOTO: Unsplash

6) Guerra e Paz – Liev Tolstói

“O que é Guerra e Paz?”, questiona Liev Tolstói em um texto que detalha o processo de pesquisa e de criação de sua obra-prima. “Não é um romance, muito menos uma epopeia, menos ainda uma crônica histórica.” Ao acompanhar o percurso de cinco famílias aristocráticas russas no período de 1805 a 1820, Tolstói narra a marcha das tropas napoleônicas e seu impacto brutal sobre a vida de centenas de personagens.

Em meio a cenas de batalha, bailes da alta sociedade e intrigas veladas, destacam-se as figuras memoráveis dos irmãos Nikolai e Natacha Rostóv, do príncipe Andrei Bolkónski e de Pierre Bezúkhov, filho ilegítimo de um conde, cuja busca espiritual serve como espécie de fio condutor e o torna uma das mais complexas personalidades da literatura do século XIX. Ao descrever o cotidiano e os grandes acontecimentos que se sucederam à invasão de Napoleão em 1812, Tolstói retrata uma Rússia magistral, imponente e, sobretudo, profundamente humana.

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7) A Sonata a Kreutzer –  Liev Tolstói

O tema da infidelidade no casamento já havia ocupado Tolstói na década de 1870, quando redigiu Anna Kariênina, uma de suas obras-primas. Em A Sonata a Kreutzer, que veio à luz mais de dez anos depois, o tema retorna com uma intensidade fora do comum, potencializada pelos anos de crise religiosa do escritor. Aqui, para além da questão da fidelidade no matrimônio, Tolstói investiga de forma aguda o desequilíbrio nas relações entre homens e mulheres, e a hipocrisia de que se reveste o comportamento sexual da sociedade.

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8) Felicidade Conjugal – Liev Tolstói

Publicada em 1859, quando o escritor tinha pouco mais de trinta anos, Felicidade Conjugal é talvez a primeira obra-prima de Lev Tolstói e prenuncia um tema que terá importância na vida do autor russo – o tema do desejo, neste caso, apreendido do ponto de vista feminino.

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9) A Morte de Ivan Ilitch – Liev Tolstói

Em agosto de 1883, duas semanas antes de falecer, o escritor russo Ivan Turguêniev escreveu a Tolstói: “Faz muito tempo que não lhe escrevo porque tenho estado e estou, literalmente, em meu leito de morte. Na realidade, escrevo apenas para lhe dizer que me sinto muito feliz por ter sido seu contemporâneo, e também para expressar-lhe minha última e mais sincera súplica. Meu amigo, volte para a literatura!”.

O pedido de Turguêniev alude ao fato de que Tolstói havia então abandonado a arte e renegado toda sua obra pregressa para se dedicar à vida espiritual. Embora não se possa dizer com certeza em que medida as palavras de Turguêniev repercutiram em Tolstói, é certo que A Morte de Ivan Ilitch, publicada em 1886, foi a primeira obra literária que ele escreveu após seu retorno às letras e que se trata de um dos textos mais impressionantes de todos os tempos. Considerada por Nabokov uma das obras máximas da literatura russa e por muitos uma das mais perfeitas novelas já escritas.

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10) Doutor Jivago – Boris Pasternak

Publicado originalmente em 1957 fora da União Soviética, após ser banido pela censura do Partido Comunista, Doutor Jivago continua sendo o maior e mais importante romance da Rússia pós-revolucionária. Nele, Boris Pasternak traz à luz o drama e a imensidão da Revolução Russa pela história do médico e poeta Iúri Andréievitch Jivago em seu constante esforço de se colocar em consonância com a Revolução.

Por seus olhos hesitantes, o leitor testemunha a eclosão e as consequências deste que foi um dos eventos mais decisivos do século. Em tempos em que a simples aspiração a uma vida normal é desprovida de qualquer esperança, o amor de Jivago por Lara e sua crença no indivíduo ganham contornos de um ato de resistência. Seguindo a grande tradição do romance épico russo, Pasternak evoca um período historicamente crucial e nele retraça um panorama completo da sociedade da época.

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11) As Aventuras de Huckleberry Finn – Mark Twain

Considerado um dos maiores autores da literatura norte-americana, Mark Twain explora, em As aventuras de Huckleberry Finn, questões sérias sobre problemas sociais, políticos e morais com que precisou lidar durante a guerra civil dos Estados Unidos, muitos dos quais ainda estão presentes nos dias de hoje.

Ao escapar do pai violento e se refugiar em uma ilha, Huck Finn aproxima-se de Jim, um escravo fugido, e desenvolve com ele uma solidária relação de amizade. Em busca de liberdade, a dupla começa uma viagem pelo leito do rio Mississippi, e a cada parada envolve-se em inusitadas aventuras. Além da voz infantil de um narrador que desce em fuga pelo Mississippi, Twain desenvolve uma segunda história, que destaca a inocência perdida de uma nação.

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Esses foram alguns dos livros lidos por Chris McCandless durante seu exílio no Alasca. Você já leu algum deles? Gostou? Conta pra mim através dos comentários!

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Resenha

Resenha: Na Natureza Selvagem – Jon Krakauer

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Já resenhei esse livro na rua para tantas pessoas que me sinto sendo repetitiva ao falar dele aqui no blog. Mas Na Natureza Selvagem é assim: gera interesse em todo mundo. Pouco importa se você concorda ou não com a visão de mundo de Chris McCandless. Uma coisa é certa: você, provavelmente, vai querer saber mais e mais sobre ele.

Meu primeiro contato com a história de Chris foi através do filme Na Natureza Selvagem. Sei que a ideia não é falar sobre filmes por aqui, mas vale um parêntese: assistam hoje mesmo! Que filme sensível e emocionante! Aquela história ficou na minha mente por dias e, aquelas 2h30 de filme não foram suficientes para mim.

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Fui atrás e descobri que o famoso jornalista Jon Krakauer (Autor do sucesso No Ar Rarefeito) havia escrito uma biografia póstuma sobre McCandless. Demorei um tempo até começar a ler Na Natureza Selvagem e, acreditem, foi bastante penoso.

Como herança do jornalismo, o texto de Jon mostra diversas “facetas” dos fatos, entrevista fontes, descreve minuciosamente as paisagens. E isso torna o livro extremamente rico em detalhes, apesar das poucas páginas. Inclusive, o autor arrisca em abordar questões intrínsecas à Chris McCandless que possam tê-lo levado a se aventurar na natureza selvagem.

O importante é que, apesar do clichê, ele precisou estar perdido para se encontrar. Em uma das passagens do livro, o autor explica o pano de fundo da famosa frase “Felicidade só é real quando compartilhada” (p. 197).

Resenha: Na Natureza Selvagem - Jon Krakauer
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Durante o período de afastamento social, Chris McCandless tornou-se Alexander Supertramp, “senhor de seu próprio destino” (p.34), e deixou anotações – como um diário – esparsas nos livros que levou consigo para a viagem.

O autor, Jon Krakauer, é alpinista e carrega um grande bagagem sobre escaladas e aventuras, por isso, muitas vezes, acaba envolvido demais com a história e apela para o lado emocional. Em certo momento do livro, ele acaba citando algumas de suas histórias e de outros nômades que, por algum motivo, acabaram se embrenhando pela mata. Porém, é nesse ponto que Na Natureza Selvagem torna-se lento.

Para a produção de Na Natureza Selvagem, Jon praticamente refaz o caminho do garoto e, inclusive, entrevista pessoas que tiveram contato com McCandless. É aflitivo ler sobre as dificuldades que Cris passou, os erros que cometeu, o julgamento dos nativos, os problemas familiares… E tudo isso é exposto de forma bem clara na narrativa. Um livro reportagem bem completo, aliás.

Trilha sonora de Na Natureza Selvagem

 – A soundtrack do filme foi produzida inteiramente por Eddie Vedder (Pearl Jam):

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Resenha: Na Natureza Selvagem - Jon Krakauer

Título original: Into the Wild
Autor: John Krakauer
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 213
Ano: 1998
Gênero: Biografia
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia