Resenha

Resenha: Clube da Luta – Chuck Palahniuk

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Precisamos quebrar a primeira regra e falar sobre o Clube da Luta!

A publicação de Clube da Luta no Brasil é razoavelmente nova: o primeiro exemplar chegou às livrarias em 2012, pela LeYa, apesar de o livro ter mais de 20 anos. Portanto, muitos acabaram conhecendo a história por meio da adaptação cinematográfica feita por David Fincher.

A história é conhecida por ter um dos melhores pontos de virada da literatura moderna. O grande paradigma do livro é que, apesar de se tratar de uma obra que exalta a contracultura, Clube da Luta ficou superpopular e ganhou status de mainstream.

A obra é cheia de questionamentos sobre cultura do consumo, meios de produção, existencialismo, entre outros temas delicados e importantes.

Resenha: Clube da Luta - Chuck Palahniuk
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O narrador e personagem principal se envolve com Tyler Durden – um sujeito antagônico, mal-caráter e extremamente desprendido – em um momento conturbado de sua vida: ele está sofrendo de insônia e ansiedade. Em Tyler, ele acaba encontrando uma figura que, de certa forma, o completa e o preenche.

Os dois resolvem fundar um Clube da Luta onde – apenas homens – podem participar: a ideia é, basicamente, brigar sem nenhum motivo. Apenas pela diversão. As oito regras do grupo são extremamente simples:

1) Você não fala sobre o Clube da Luta;
2) Você não fala sobre o Clube da Luta;
3) Somente duas pessoas por luta;
4) Uma luta de cada vez;
5) Sem camisa, sem sapatos;
6) As lutas duram o tempo que for necessário;
7) Quando alguém gritar “pára!”, sinalizar ou desmaiar, a luta acaba;
8) Se for a sua primeira noite no Clube da Luta, você tem que lutar.

Outra personagem de destaque na narrativa é Marla Singer. Apática, viciada, depressiva, e sem amor-próprio. Afinal: quem se envolveria em um relacionamento como o dela e Tyler? A garota é um retrato caricato de diversos relacionamentos malfadados que, muitas vezes, as pessoas continuam persistindo.

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A selvageria e a violência em estado puro dos Clubes que se espalham pelos EUA são a válvula de escape perfeita para os problemas e a rotinas dos homens que aceitam participar deles. Porém, as coisas começam a sair do controle quando Tyler passa a arquitetar um plano de dominação através do caos nas cidades.

Enfim, não é uma leitura fácil, não pela linguagem que o autor emprega, mas pelas temáticas abordadas. Clube da Luta não tem uma fagulha de esperança, e faz questão de te mostrar isso a cada página.

Você não é um floco de neve, bonito e único. É a matéria orgânica em decomposição como todo mundo e todos fazemos parte da mesma composteira.

Resenha: Clube da Luta - Chuck Palahniuk
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

A escrita de Chuck Palahniuk é rápida, e perfeita para dar o tom ansioso e atropelado do protagonista. Uma das melhores que já li na vida, exatamente por ser uma voz tão única. Como nunca li outro livro do autor, não sei se é apenas em Clube da Luta que ele emprega isso, mas o livro é sensacional e extremamente forte.

Indico demais, principalmente essa edição de colecionador. Além de muito bem editada, ela vem com bons extras: o roteiro completo do filme, uma carta do autor e uma entrevista com o mesmo, durante a San Diego Comic-Con de 2014.

Resenha: Clube da Luta - Chuck Palahniuk
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

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Resenha: Clube da Luta - Chuck PalahniukTítulo original: Fight Club
Autor: Chuck Palahniuk
Editora: LeYa
Número de páginas: 472
Ano: 2016
Gênero: Ficção
Nota

Resenha

Resenha: O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares – Ransom Riggs

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Gostaria de começar essa resenha dizendo que… EU ADOREI ESSE LIVRO! Sério. No começo não estava esperando muito. Mas conforme fui lendo e me aprofundando na história, acabei sendo fisgada! O livro Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares (que irei abreviar como O Orfanato) conta a história do jovem Jacob. Ele vive uma vida superchata, monótona, enquanto trabalha em uma rede gigantesca de farmácias herdadas pela família, e conclui o ensino médio sem grandes dificuldades ou feitos. Ele é bem “na média”, normalzão, sabe? Tem apenas um amigo e não aguenta mais essa vida paradona.

“Tentei me convencer da sorte que tinha pela vida segura e nem um pouco extraordinária que eu nada fizera para merecer”.

Por outro lado, atualmente, apenas uma coisa consegue movimentar a vida do rapaz: a saúde do avô, senhor Portman, que vai de mal a pior. Os dois têm uma ligação íntima muito forte. Inclusive, Jacob afirma, diversas vezes, que o avô é a pessoa mais importante do mundo para ele.

Quando Jacob era pequeno, Portman gostava de lhe contar histórias sobre um lugar mágico e incrível…

“Era um lugar encantado, contava ele, projetado para manter as crianças protegidas dos monstros, em uma ilha onde o sol brilhava todos os dias e ninguém jamais adoecia ou morria. Todos viviam juntos em uma casa grande protegida por uma ave velha e sábia, pelo menos era isso que dizia a história. […] Havia uma garota que podia voar, um menino que tinha abelhas vivendo dentro dele, um irmão e uma irmã que podiam erguer facilmente pedras enormes”.

Resenha: O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares - Ransom Riggs
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Portman, inclusive, chegou a mostrar diversas fotos desse lugar e dessas pessoas para Jacob. Porém, com tempo e maturidade, o jovem passou a desacreditar nas histórias oníricas do avô.

Já dá para imaginar o que acontece quando essa figura paterna morre – de um forma supertrágica, inclusive – né? A vida de Jacob muda COMPLETAMENTE e ele parte em busca de respostas.

PAUSA IMPORTANTE: achei INCRÍVEL o autor abordar aqui a temática da depressão de uma forma tão aberta. Fiquei imaginando se, em algum ponto da vida, o próprio Ransom Riggs não teria sofrido com a doença. Ele descreve sentimentos, solidão, medo, vazio, tratamentos… Tudo de uma forma bastante realista. Ponto a favor! Temos que falar sobre depressão!

Enfim, é com todo esse luto que Jacob parte para descobrir a verdade sobre o avô, o orfanato que ele tanto falava, sobre “monstros”, e claro: sobre si mesmo!

“E foi assim que alguém extremamento suscetível a pesadelos, terrores noturnos, arrepios, ataques de pânico e a ver coisas que na verdade não estão ali se convenceu a fazer uma última excursão à casa […].

É nesse momento que Jacob tem seu primeiro contato com as crianças peculiares e a Srta. Peregrine. Não vou detalhar a história de Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares, mas é importante dizer que ele fica “indo e vindo” entre sua vida fadada à mesmice e o mundo mágico do orfanato.

Resenha: O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares - Ransom Riggs
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

A partir de então, o garoto deve juntar forças com os peculiares para defender o local das ameaças de etéreos (“sombras malignas” que um dia já foram peculiares. Atualmente se alimentam de outros peculiares, humanos, animais… Enfim, qualquer ser vivo.) e acólitos (Ex-etéreos que se tornam uma espécie de servo. Podem assumir qualquer tipo de forma humana. Geralmente são eles quem conseguem os “banquetes” para os etéreos, já que costumam enganar os humanos com facilidade).

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Até a 100ª página, O Orfanato tratou muito sobre a vida de Portman e de seu relacionamento com o neto. A partir da metade do livro, o foco foi bem mais a vida no orfanato com a Srta. Peregrine. Na terceira parte, tudo passa a ficar mais sombrio: segredos são revelados, acontecem alguns plots e perseguições que – assumo – ao imaginar, me deixaram sem ar!

“Tudo começava a fazer sentido, apesar de só um pouco”.

O livro termina de forma rápida e já indicando uma continuação (lançada pela Editora Intrínseca: Cidade dos Etéreos). E me deixou querendo acompanhar o restante da aventura!

“A porta de nossas gaiolas havia explodido.
Agora estávamos juntos naquele abismo”.

A 2ª Guerra Mundial é pano de fundo do livro e, de certa forma, foi muito bem aproveitada sem cair no clichê ou no piegas. As fotografias – todas originais, vindas de colecionadores de fotos antigas – dão um ar macabro ao livro. Realmente, um trabalho digno de Tim Burton! Uma jornada do herói muito bem contada.

E você, já leu O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares?

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Resenha: O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares - Ransom RiggsTítulo original: Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children
Autor: Ransom Riggs
Editora: LeYa
Número de páginas: 336
Ano: 2012
Gênero: Fantasia
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia

Entrevistas

Entrevista: Maria Carolina Passos e Pathy dos Reis, autoras do livro Blasfêmia

Arquivo Pessoal

Fiz aqui no blog uma resenha do livro Blasfêmia, das autoras Maria Carolina Passos e Pathy dos Reis e, enquanto lia o livro, fiquei muito curiosa em relação à algumas questões. Perguntei para as duas se elas topavam dar uma entrevista para o Resenhas e aqui está o resultado! Para quem não sabe, as autoras trabalharam juntas no canal do YouTube Galo Frito e hoje estão à frente do canal da Pathy dos Reis, com mais de 1 milhão de inscritos. Confira abaixo a entrevista:

Entrevista: Maria Carolina Passos e Pathy dos Reis, autoras do livro Blasfêmia

Resenhas: Em primeiro lugar, queria saber como foi esse processo de escrita em dupla. Como vocês se organizaram? Ainda mais morando em cidades diferentes… cada uma escrevia uma parte, ou vocês trocavam ideias e só uma escrevia, como foi?

Na verdade, a Pathy ainda morava aqui quando decidimos por esse projeto juntas, então foram várias reuniões para bolarmos a história e os personagens. Depois das pesquisas e da mudança dela, passamos a compartilhar todas as nossas anotações de forma organizada (com ficha de personagens e storyline em arquivos próprios, por exemplo) através do Google Drive. E apesar da parte escrita ter ficado mais comigo (pois já tinha certa experiência, e não queríamos que saísse um texto Frankenstein), ambas tinham acesso em tempo real a todo material, já que as pesquisas e, claro, o manuscrito também estavam no GDrive. A partir daí conversávamos constantemente sobre mudanças/melhorias e o rumo da trama de acordo com nossas expectativas iniciais.

Resenhas: O livro conta com descrições muito bacanas de uma cidade norte-americana. Alguma de vocês já morou nos Estados Unidos? Se sim, isso pode ter servido de inspiração para a criação do livro?

Nunca moramos nos EUA, só fomos a passeio (porém não para Utah). E uma descrição apurada era muito importante para nós, já que a cidade chega quase a ser uma personagem na história. Salina foi escolhida a dedo, porque combinou perfeitamente com o tom que queríamos dar. Apesar de nenhuma de nós ter estado lá de fato, pode-se dizer que a visitamos… por meio do Google Maps. Passeamos por suas ruas e arredores pelo Street View, tendo uma visão, diria até que privilegiada, de sua arquitetura, geografia e zoneamento, o que contou e muito para essas descrições.

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Resenhas: Vocês trabalham com YouTube faz tempo, né? (Pelo que eu vi, mais de 6 anos). Como surgiu a vontade de escrever o livro? Esse é um projeto antigo de vocês ou a vontade de publicar uma obra de ficção veio faz pouco tempo?

A Pathy sim, já eu entrei no mundo do YouTube em 2013 (trabalhava em uma multinacional antes). Escrever ficção sempre foi um sonho antigo, mas com a mentalidade de cidade pequena não cogitava levá-lo adiante e acabei me formando em/dedicando muitos anos ao Comércio Exterior (uma área forte em Itajaí, que é uma cidade portuária, de onde ambas somos), até decidir que era hora de arriscar, então pedi a conta para me dedicar à escrita. Já conhecia a Pathy dos Reis e o pessoal do Galo Frito, e, depois de alguns freelas pra eles, fui chamada para ser roteirista, escrevendo algumas paródias, mas focando 100% no programa da Pathy, o Pathy que te Pariu, que foi quando retomamos nossos laços. Trabalhar no Galo era muito bacana e pagava as contas, mas eu havia deixado o sonho de escritora completamente de lado, então quase 1 ano depois pedi para sair (o que coincidiu com a Pathy já pensando em se mudar para SP), e pouco depois ela saiu também. E foi aí que conversamos sobre dois projetos: eu ser roteirista para o canal solo dela (que teria uma demanda muito menor que a do Galo, dando tempo para outros afazeres), e escrevermos juntas um livro, já que ela sabia que eu saí para isso. A Pathy sempre gostou muito de ler, sobretudo o gênero policial, que escolhemos para embalar a nossa trama. E assim foi, um sonho antigo e um novo sonho se juntaram, numa união de forças e timing que não poderiam ter dado mais certo!

Entrevista: Maria Carolina Passos e Pathy dos Reis, autoras do livro Blasfêmia

Resenhas: Há bastante informação sobre mórmons no Blasfêmia. Alguma de vocês é ou já foi mórmon? Se não, como foi o processo de pesquisa para tratar sobre esse assunto no livro?

Não, mas tenho um amigo que foi mórmon (e não é mais, sobretudo, por ser gay). Procuramos fazer uma pesquisa profunda nessa questão por ser algo muito delicado, e ainda tivemos que ter atenção dobrada pelo fato de a história não se passar no presente (essa é uma religião que passou por mudanças significativas nos últimos tempos), e que, além de não ser no Brasil (de modo que se a pesquisa fosse feita apenas com fontes daqui haveria diferenças), é justamente em uma cidade de Utah, o estado mais religiosamente homogêneo dos EUA (que tem mais da metade da população mórmon). Então basicamente buscamos muitas e diferentes fontes, visões de dentro e fora da religião, relatos da época, crenças, doutrinas e práticas, terminologias, posicionamentos, e toda sua história e cultura como um todo. Mesmo sendo tudo através da Internet, depois de muita leitura, bastava fazer algumas comparações para não cair em informações desvirtuadas.

Resenhas: Quais autores de romance policial vocês gostam e indicam? Vocês se inspiraram na obra de algum autor específico para criar o Blasfêmia?

Não chegamos a ter inspiração em nenhuma obra específica, mas na época lemos os mesmos dois livros para, digamos, ficar na mesma sintonia, que foram: O Menino da Mala, também de duas autoras, Lene Kaaberbøl e Agnete Friis; e O Pacto, do Joe Hill, filho do Stephen King (autor que adoramos). Um livro do gênero que a Pathy adora é o Grau 26 – A Origem, e eu gosto de citar um autor nacional que vem se destacando muito, que é o Raphael Montes. Queria comentar também que você não foi a primeira a comparar nosso estilo ao da Gillian Flynn, o que achamos um super elogio, mesmo não tendo sido intencional.

Resenhas: Vocês trabalham bastante com roteiro e YouTube. Qual foi o maior desafio em deixar de lado esse formato e escrever um romance?

Essa pergunta me lembrou uma resenha de Blasfêmia onde a pessoa teve a sensação de o livro ser roteirizado, quase como um roteiro de filme, o que para ela funcionou de forma positiva, mas talvez seja um desafio para próximas obras: fugir completamente desse formato. Mas dificuldade quanto a isso não chegamos a sentir, mesmo porque antes de escrever roteiros (e que no caso são de humor, portanto pedem por uma perspectiva bem diferente), eu já havia escrito uma história de ficção científica em inglês para uma editora independente dos EUA, que publica em plataforma online paga, além de vários contos, em português, não publicados – bem aquele tipo, de começo de carreira, que o escritor quer que fiquem onde estão, no “fundo da gaveta” (ou melhor, nas pastas mais obscuras do computador).

Resenhas: O final de Blasfêmia deixou algumas questões em aberto. Vocês pretendem lançar continuações do livro?

Muita gente pergunta isso, e a resposta é que depende de alguns fatores, como a editora, que detém os direitos da história ainda por alguns anos, e as vendas. Da nossa parte não é segredo que gostamos muito dessa parceria, e toparíamos outra empreitada literária juntas sem dúvida. Ideias para uma continuação já ficaram pensadas desde que optamos pelo fatídico final, hehe.

Resenhas: Que dicas/conselhos vocês dão para quem sonha em escrever um livro e começar uma carreira como escritor?

Já é uma dica um tanto clichê, mas nem por isso menos valiosa: ler muito! A pessoa que quer ser escritor mas não tem paciência para ler de tudo e mais um pouco, não está no melhor caminho, para dizer o mínimo. E não basta se limitar ao gênero sobre o qual quer escrever, é importante sair da zona de conforto (é fora dela que se tem grandes inspirações para seu próprio estilo/história, por mais diferente que ela seja daquilo). Também é importante se instruir, conhecer e estudar as técnicas, mas não deixar que elas oprimam a arte, a sua característica pessoal e a sua observação das pessoas e do mundo – basta “ler” a vida a sua volta para traduzir isso em personagens, situações e sentimentos com os quais os leitores vão se identificar, enriquecendo desde histórias possíveis, com pessoas e crimes, às mais inconcebíveis, com monstros e universos inventados.

Para saber mais sobre o livro Blasfêmia e as autoras, é só acessar o site www.blasfemia.com.br.

Resenha

Resenha: Blasfêmia – Maria Carolina Passos e Pathy dos Reis

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Quando recebi Blasfêmia para resenhar, sabia que era um romance policial, por isso já fiquei interessada logo de cara.  Mas o que eu não esperava é que fosse me impressionar: não imaginava que ia ser tão bom! É um livro bem escrito, a trama é envolvente e os personagens construídos com louvor.

As autoras são brasileiras – Maria Carolina Passos e Pathy dos Reis – o que me fez imaginar que a história se passaria em São Paulo, Rio ou qualquer outra grande cidade daqui. Mas, não! O cenário de Blasfêmia é a pequena cidade de Salina, em Utah, nos Estados Unidos. A descrição da cidade e dos moradores é ótima –  lembrei bastante da minha cidade (Bauru) e de alguns cidadãos daqui. Acredito que as autoras devem ter morado um tempo lá fora, pois a familiaridade com o cenário norte-americano é grande.

Mas vamos ao que interessa: a história do livro. Como sou horrível em sinopses, vou colocar a oficial para vocês conferirem:

“Recém-divorciada e sem emprego, Claire decide aceitar o convite do amigo de infância para trabalhar na redação do pequeno jornal de Salina, cidade natal que não visitava há muitos anos. Ainda na estrada, contudo, uma notícia no rádio a pega de surpresa: um rapaz de apenas 17 anos é encontrado morto em Salina, e uma informação sobre seu estado traz à tona lembranças do assassinato do irmão de Claire. Ocorrido há mais de uma década, o caso não solucionado marcou a população local para sempre. Determinada a obter as respostas que nunca conseguiu, Claire mergulha em uma investigação que irá forçá-la a reencontrar velhas amizades, revisitar traumas antigos e enfrentar novas ameaças”.

A protagonista, Claire, é muito sofredora – tudo que há de horrível já aconteceu com ela. Conforme vamos lendo a história, entendemos o porquê de tanto azar, mas os acontecimentos na vida dessa jornalista são para deixar qualquer um morrendo de raiva e desespero. No entanto, Claire é carismática, me identifiquei bastante em alguns momentos. Também adorei o fato de que o livro detona a hipocrisia religiosa. Na cidade de Salina, a maioria da população é mórmon, então acabei conhecendo um pouquinho mais sobre essa religião. Essa parte é bem interessante, pois foge do convencional de sempre retratar cristãos.

capa livro blasfêmia
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O ritmo do livro é frenético, li MUITO rápido e me empolguei bastante conforme virava as páginas. Sabe aqueles livros que não dá vontade de parar e você quer chegar LOGO em casa para terminar? Pois é! Já li muitos livros assim que, no fim das contas, são decepcionantes, mas não é o caso de Blasfêmia.

O estilo das autoras me lembrou um pouco o da Gillian Flynn, autora de Garota Exemplar e Objetos Cortantes. Eu adoro romance policial, principalmente quando o final é satisfatório e, em Blasfêmia, o final impressiona e te pega de surpresa. Só espero que tenha continuação: o finalzinho deixou uma bela brecha para novas histórias.

capa livro blasfêmiaTítulo original: Blasfêmia
Autoras: Maria Carolina Passos e Pathy dos Reis
Editora: LeYa
Número de páginas: 272
Ano: 2015
Gênero: Romance Policial/Mistério/Suspense
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia

Matérias

O Lar das Crianças Peculiares: confira o trailer oficial legendado

Essa semana foi divulgado o primeiro trailer oficial de O Lar das Crianças Peculiares. O filme é baseado na obra de Ramson Riggs, O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares que, inclusive, teve o segundo volume da série lançado esse ano pela Intrínseca: Cidades dos Etéreos já está nas livrarias de todo o Brasil!

Livros de Ransom Riggs
Livros de Ransom Riggs Foto: Divulgação Editora LeYa e Editora Intrínseca

Confira a sinopse oficial do livro:

Tudo está à espera para ser descoberto em O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, um romance inesquecível que mistura ficção e fotografia em uma experiência de leitura emocionante. Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo, por mais impossível que pareça, ainda podem estar vivas. Uma fantasia arrepiante, ilustrada com assombrosas fotografias de época, O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares vai deliciar adultos, adolescentes e qualquer um que goste de aventuras sombrias“.

E o trailer oficial legendado:

 

Alguns dos comentários mais curtidos no YouTube não são muito animadores: “Me senti vendo uma versão do Burton dos X-Men“, afirmou um usuário. Já outros, criticaram a adaptação do título original: “‘O Lar das Crianças Peculiares’ sério? Titulo original é melhor” (sic).

A estreia do filme está prevista para o dia 30 de setembro nos Estados Unidos.