Resenha

Resenha: O Príncipe – Maquiavel

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Aposto que você, em algum momento da vida, ouviu a frase “os fins justificam os meios”. Essa citação famosa tem origem no livro O Príncipe, de Maquiavel. Considerado o fundador da ciência política moderna, Maquiavel escreve em 1513 uma obra que transformou para sempre a História.

Publicado na época do Renascimento, somente muitos anos após a morte do autor, o livro tenta definir as formas de governo, as virtudes do soberano e uma nova ética do fazer político. 

Resenha

Resenha: As Aventuras de Pi – Yann Martel

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Como quase todo mundo, me interessei em ler o livro As Aventuras de Pi, de Yann Martel, depois de assistir ao incrível filme de Ang Lee, lançado em 2012. A surpresa foi boa: apesar de serem muito semelhantes, o livro traz algumas reflexões interessantes que não são apresentadas no longa-metragem.

Para quem não conhece, a sinopse é a seguinte: “O livro narra a trajetória do jovem Pi Patel, um garoto cuja vida é revirada quando seu pai, dono de um zoológico na Índia, decide embarcar em um navio rumo ao Canadá. Durante a viagem, um trágico naufrágio deixa o menino à deriva em um bote, na companhia de um tigre-de-bengala, um orangotango, uma zebra e uma hiena. A luta de Pi pela sobrevivência ao lado de animais perigosos e sobre um imenso oceano é de uma força poucas vezes vista na literatura mundial.”

As Aventuras de Pi é dividido em três partes: na primeira, a vida de Pi antes do naufrágio molda a narrativa. Pi(scine) Patel relata em primeira pessoa a infância em sua cidade natal, Pondicherry, na Índia. Conta sobre seus dias entre a escola, as aulas de natação com o tio e as tardes no zoológico do pai. Essa primeira parte é cativante, já que muitos capítulos mostram curiosidades e relatos sobre zoológicos e as dificuldades de mantê-los. Aprendi muita coisa que não fazia ideia – e algumas dessas informações mudaram minha perspectiva sobre o contato entre animais-humanos-natureza.

Outro ponto importante levantado na primeira parte é que o autor anuncia que a “história de Pi vai te fazer acreditar em Deus”. Porém, ele também revela que não pretende fazer uma pregação religiosa. Pi, na verdade, segue três religiões diferentes, apesar de ser filho de ateus. Pi é fascinado por Deus e tenta encontrá-lo em qualquer lugar, sem preconceitos religiosos. As particularidades de cada religião são mostradas com respeito e beleza, expressando o quanto a espiritualidade do personagem está acima de hostilidades em relação a qualquer tipo de crença.

A segunda parte – e a mais conhecida – é quando inicia-se o naufrágio, evento que vai colocar a fé de Pi à prova. Ao partir para uma viagem com sua família – e os animais do zoológico – o navio naufraga e Piscine é o único sobrevivente. Ele consegue encontrar um bote e se salvar, mas junto com outros animais. Todos morrem com o passar do tempo, exceto um: o tigre-de-bengala chamado Richard Parker. 

Pi é magro, vegetariano, sensível e passa sete meses à deriva. É muito tempo tentando sobreviver, encontrar ajuda e ao mesmo tempo conviver com Richard Parker. São várias páginas de reflexões, pensamentos íntimos do personagem e formas de entender a batalha que Pi trava consigo mesmo – tudo isso em uma pequena embarcação, rodeado de água do mar e debaixo de um sol excruciante.

Para comprar o livro, é só clicar no link abaixo:

Em alguns momentos, confesso, a leitura fica um pouco maçante e perde o ritmo. Apesar de o tigre-de-bengala ser um elemento de constante tensão durante a narrativa, em determinado momento a história começa a cansar. Claro que isso não retira o mérito de As Aventuras de Pi, porém é importante manter a perseverança para chegar ao final.

Resenha: As Aventuras de Pi - Yann Martel
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

O livro é incrível porque é uma grande alegoria, trazendo lições e significados diferentes sobre o que entendemos sobre a vida, morte, espiritualidade, perseverança, fé. Em diversas situações, As Aventuras de Pi apresenta também elementos surreais – não é possível saber com certeza o que é realidade ou imaginação.

Na terceira parte do livro, encontramos o desfecho final, o relato de Pi após sua permanência no mar. Não há como saber qual interpretação é a verdadeira nesta história. Será que tudo o que ele passou foi real? Ele realmente visitou aqueles lugares? Havia mesmo um tigre no barco? Martel passa 400 páginas levando- nos a grandes aventuras e ainda dando uma lição fantástica sobre fé. O final, na verdade, é você quem decide.

LEIA TAMBÉM

Resenha: As Aventuras de Pi - Yann MartelTítulo original: Life of Pi
Autor: Yann Martel
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 372
Ano: 2012
Gênero: Literatura estrangeira
Nota

Resenha

Resenha: Pollyanna – Eleanor H. Porter

Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Eu não fui uma criança que leu o clássico Pollyanna, da autora norte-americana Eleanor H. Porter. Porém, aos 27 anos, recebi essa edição fofíssima da Editora Nova Fronteira (que traduziu o título para Poliana) e resolvi conhecer a história que ficou na lembrança de tantas garotas. Não me decepcionei, já que é uma história superpositiva e muito fofa!

É impossível não querer ser amiga de Poliana! Ela é uma menininha alegre que, ao se tornar órfã, vai morar com sua tia Paulina, uma mulher carrancuda e que acredita que deve viver em função dos “deveres” e nunca da diversão. A chegada de Poliana na casa transforma todo o ambiente, apesar de sua tia ir contra tudo o que a garota diz.

No começo, Poliana se instala em um quartinho no porão, bem solitário, mas ainda assim mantém seu otimismo. Ela constrói uma relação de amizade muito forte com os empregados da casa e, aos poucos, vai conhecendo a vizinhança e levando seu bom humor e felicidade a todos.

Para comprar o livro, é só clicar no link abaixo:

A alegria de Poliana é contagiante, principalmente por causa do  “jogo do contente“. O jogo é simples: sempre que você se sentir triste ou acreditar que sua vida é ruim, é só lembrar de alguma coisa que você possa agradecer ao invés de reclamar. Por exemplo: se você ganha um presente de aniversário que não gostou, pense que pelo menos você recebeu um presente de alguém, pois muitas pessoas não têm essa oportunidade.

Pollyanna é também uma garota muito falante, que não para um segundo de conversar. Em alguns momentos até irrita um pouco, mas é só lembrar que faz parte da ingenuidade da personalidade dela, que passa.

Resenha: Poliana - Eleanor H. Porter
Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Porém, apesar de tantos agradecimentos e otimismo de Poliana, ela passa por maus bocados após sofrer um acidente que pode mudar toda sua vida. Não vou entrar em detalhes para não estragar a história, mas ainda assim, por um momento, Poliana quase desiste de seu bom humor e não consegue mais se contentar com as coisas boas da vida.

O livro traz uma mensagem bacana: é importante enxergar não somente as coisas ruins, mas também os pequenos detalhes que nos trazem felicidade na vida. Estamos tão acostumados a reclamar o tempo todo que nunca paramos para agradecer o que temos de bom. É um livro fofíssimo para crianças e pré-adolescentes.

Resenha: Poliana - Eleanor H. Porter
A edição é muito colorida! – Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Se você ainda não leu e gostaria de conhecer a história leve e divertida de Poliana, indico bastante!

LEIA TAMBÉM

Resenha: Poliana - Eleanor H. PorterTítulo original: Pollyanna
Autor: Eleanor H. Porter
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 192
Ano: 2018
Gênero: Infanto Juvenil
Nota

Resenha

Resenha: Fronteiras – Sonia Rodrigues

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Ao receber o livro Fronteiras, não fazia a menor ideia do que esperar dele. Quando li a sinopse, que contava a história de uma mãe que mudou-se para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor e deixou os dois filhos menores de idade para trás, esperava algo bem pesado e, no mínimo, diferente! A autora Sonia Rodrigues é filha de Nelson Rodrigues, autor que gosto muito! Isso me deixou com vontade de conferir esse livro, que no fim me deixou confusa. Ainda não sei dizer pra vocês se gostei ou não.

Pense em um livro em que você praticamente odeia todos os personagens. Não o tempo todo, mas boa parte. É um livro que causa revolta, indignação, raiva. Acho que é um ponto positivo, já que Sonia pretendia mostrar como é um inferno a vida de crianças abandonadas e que sofreram com muita violência.

Na história, Letícia, 16 anos, e Thomas, de 10, são deixados pela mãe Amanda, que parte para os Estados Unidos em busca de melhores condições de vida para a família. Ela deixa os dois morando sozinhos em um apartamento e promete que vai guardar o máximo de dinheiro possível para comprar as passagens, prometendo uma vida incrível para todos em Santa Barbara, na Califórnia. O motivo da fuga de Amanda é o ex marido Mark, pai de Thomas e padrasto de Letícia, que violentava os três. Enquanto fogem de Mark e tentam viver uma vida “normal”, Letícia precisa cuidar do irmão mais novo e ainda lidar com todos os conflitos da adolescência. Ela conta com a ajuda de Felício, ex policial que ajudou ela, o irmão e a mãe a fugirem de Mark no passado.

Durante as 300 páginas do livro, dá vontade de socar a cara de cada um dos personagens. Amanda é a mulher mais egoísta, idiota e irresponsável do mundo. Ela simplesmente abandona os filhos e começa a curtir a vida nos EUA, sem se preocupar com as crianças que largou para trás. No decorrer da história, ela só comete atitudes estúpidas e ainda acha que está sempre certa. Letícia é uma garota transtornada, que está passando por uma fase complexa da adolescência, descobrindo sua maturidade sexual, tendo que se privar de amizades e vida social para tomar conta do irmãozinho inocente. E Thomas é uma criança totalmente perdida, confusa e que não faz ideia do tamanho do problema em que está inserido. Felício é um cara bacana, mas que também não é dos melhores: não sabe se ajuda ou não Letícia, e inclusive a tensão sexual entre os dois é enorme. Observação: ele tem 32 anos e ela 16.

Mark é um típico psicopata que seduz mulheres carentes para conseguir o que quer. Ele passa boa parte do livro correndo incessantemente atrás do filho Thomas e querendo se vingar de Amanda. Acompanhamos a trajetória desses personagens, que passam por situações tão horríveis que só lendo pra saber.

Resenha: Fronteiras - Sonia Rodrigues
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Eu gostei da forma como os diferentes tipos de fronteiras são relatados. Fronteiras não somente físicas (Brasil – Estados Unidos, São Paulo – Rio), mas fronteiras entre sonhos e realidade, verdade ou mentira, ilusão ou crença, coragem e medo… É um livro triste. São relações humanas complicadas, envolvendo traição, abandono, abuso, violência sexual e famílias dilaceradas. Achei ótimo a autora mostrar esse universo que muitas vezes nem lembramos que existe.

Mas, como eu disse no começo do texto, alguma coisa não me agradou nesse livro. Achei ele longo demais, demora muito pra desenrolar E, no final, tudo acontece da forma mais corrida possível. Tipo novela, que acontece tudo no último capítulo. Na verdade, muitas vezes “Fronteiras” me lembrou novela das nove, sabe? Muito sexo, conflitos de relacionamento, núcleos diferentes. Eu simplesmente não queria saber de alguns personagens, eram descartáveis e desnecessários. Algumas situações pareciam exageradas e a personalidade de Thomas, por exemplo, foi muito instável. Com exceção de Letícia, que tinha personalidade forte e suas ações faziam sentido, o restante dos personagens eram meio bipolares e estranhos. Enfim, Fronteiras é um livro bom, tem subtextos interessantes, mas não é carismático. De qualquer forma, vale a leitura para tentar entender melhor a vida de pessoas em situações ilegais.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

LEIA TAMBÉM

Resenha Fronteiras Sonia Rodrigues

Título original: Fronteiras
Autora: Sonia Rodrigues
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 300
Ano: 2015
Gênero: Romance
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia

Resenha

Resenha: Assassinato no Expresso do Oriente – Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

CHEGA DE JULGAMENTOS! Nunca mais serei alvo de risos contidos e olhos esbugalhados me perguntando: “COMO ASSIM, VOCÊ NUNCA LEU AGATHA CHRISTIE?”. Pois é, minha gente! Minha hora de brilhar ler um livro da Rainha do Crime chegou! Meu escolhido foi o famoso Assassinato no Expresso do Oriente, edição da Nova Fronteira!

Resenha: Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Vou falar bem ~de boas~ sobre o enredo, já que não é novidade pra ninguém, a não ser pra mim, né? haha

Resumindo (muito bem resumido), em uma viagem de trem à Londres, durante uma parada por causa de uma nevasca, o corpo de um dos passageiros é encontrado com 12 facadas e cabe ao detetive Hercule Poirot solucionar o crime antes da polícia iugoslava.

O que mais me espantou (aka: me deixou “de cara”) foi o fato de Assassinato no Expresso do Oriente ter “apenas” (digo apenas por que, para um leitor acostumado com livros de mais de 300 páginas, esse pode ser considerado pequeno) 200 páginas e tantas ideias borbulhantes e reviravoltas.

Clique e adquira o seu exemplar de Assassinato no Expresso do Oriente:

Posso dizer que cheguei a suspeitar de cada um dos viajantes do Expresso do Oriente. Pra depois, claro, pensar: “que idiota, claro que não!”. Fiquei sem comer, sem dormir (de domingo pra segunda dormi 3h, valeu, Agatha!), sem sair! Haha. Gente, sério. O negócio é incrível, tenso, e você NÃO PODE PARAR! ~não para, não para, não para, não!~

Eu, muito ligeira, sagaz e espertona, tinha certeza – ou uma boa aposta – sobre como terminaria o livro. E olha, posso dizer: NÃO TEM NADA A VER COM O QUE EU PENSEI. RISOS.

Resenha: Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Ou tem. Até tem. Mas o fim você só vai descobrir lendo Assassinato no Expresso do Oriente.
No decorrer do livro, como a maioria dos suspenses policiais, a autora lança diversas dicas, mas que você só acaba percebendo quando chega na última página.

Resumindo, Agatha, fofa… Você merece totalmente o título. Você é linda, rainha, querida, lacradora, diva e muito mais. Te considero pakas.

PS: Senti falta de uma notinha de rodapé traduzindo algumas frases em francês.
PS²: Li várias resenhas apontando o livro como um dos melhores da Agatha, então, se você ainda não leu, vale a pena tirar umas horinhas para se dedicar ao crime 😉 #tôprocrime

LEIA TAMBÉM

Assassinato no Expresso do Oriente foi adaptado para os cinemas! Confira o trailer legendado:

Assassinato no expresso do oriente - Agatha ChristieTítulo original: Murder on the Orient Express
Autor: Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 200
Ano: 2014
Gênero: Ficção / Policial
Nota