Resenha

Resenha: O Assassino Cego – Margaret Atwood

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

O livro O Assassino Cego, de Margaret Atwood, é uma das melhores leituras que eu fiz nos últimos tempos, sem dúvida. Já entrou para a lista dos favoritos e não consigo deixar de pensar na história, nos personagens e nessa trama tão densa, intrigante e delicada. Não é somente com O Conto da Aia que a autora canadense impressiona. O livro de 2001 – sem nenhuma reedição até o momento – é uma excelência.

Vamos à sinopse:

“Assombrada, aos nove anos, pela imagem da mãe, que no leito de morte lhe pede que tome conta da irmã menor, aos dezoito anos Iris Chase Griffen é literalmente vendida a um industrial. Já idosa, Iris divaga a respeito desses eventos e dos momentos que sucederam o suicídio da irmã Laura. Precisa em sua crítica social, a autora expõe nesse romance a maneira pela qual as mulheres são usadas pelos homens e como o poder concedido pela riqueza pode ser utilizado como arma mortal.”

Optei por essa sinopse porque tem uma outra que CONTA PRATICAMENTE O FINAL do livro, então melhor explicar resumidamente para não dar nenhum spoiler (aliás, o que acontece com algumas sinopses por aí, não é mesmo? Como podem dar detalhes cruciais da obra?).

O Assassino Cego é uma prosa que nos deixa inebriados e sem fôlego. Intercalando diversas vozes, adentramos na vida das irmãs Íris e Laura, garotas que desde a infância são atormentadas por problemas familiares e um certo tipo de abandono. Logo no início já sabemos que Laura, a irmã mais nova, comete suicídio e deixa para Íris algumas lembranças, que vão desencadear toda a trama.

O livro intercala notícias de jornais, trechos do aclamado livro póstumo O Assassino Cego – de autoria de Laura – e lembranças de Íris, que com 83 anos e sofrendo de problemas de saúde, escreve detalhes de seu passado em um diário.

“Eles mal olharam para mim. Devem ter me achado uma coisa pitoresca, mas suponho que o nosso destino seja o de nos tornarmos algo pitoresco aos olhos dos mais jovens. A menos que haja sangue no chão, é claro. Guerra, peste, crime, qualquer tipo de calamidade ou violência, é isso que eles respeitam. Sangue quer dizer que fomos sérios.”

p. 48

O livro O Assassino Cego fez Laura ser uma escritora famosa e aclamada após sua morte, já que nunca foi reconhecida em vida. Iris vive na cidade de Port Ticonderoga, em que passou toda a juventude – e sempre passeia pelo cemitério da família Chase, a fim de revisitar o passado de seus familiares. Lá, em diversos momentos encontra fãs de Laura que deixam flores e lembranças no túmulo; isso faz Íris lembrar ainda mais com saudade da irmã, que foi uma mulher sensível, excêntrica e com uma personalidade curiosa.

Eu não consigo descrever o quanto esse livro é arrebatador. Conforme avançava na leitura, mais triste e melancólica eu me sentia, mas mesmo assim não conseguia parar de ler. A história das irmãs Chase envolve tantos tipos de abusos que fica difícil não chorar, se emocionar e se sentir desolada. Não estou exagerando, em diversos momentos rolaram lágrimas.

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Íris relata os principais acontecimentos que fizeram a história de quatro gerações dos Chase: da ascensão social, conquistada com a fábrica de botão fundada pelo avô Benjamin em 1870, até o seu casamento por interesse em 1935, com o rico industrial Richard Griffen. Não é um casamento por interesse de Íris, mas de seu pai, que estava à beira da falência e tentou encontrar uma solução para que as filhas perseverassem. No período pré Segunda Guerra, as moças não tinham muito futuro além de depender de um casamento arranjado com um homem rico. Mas o mais absurdo é que Richard já tinha 35 anos, enquanto Íris acabava de fazer 18.

Esse casamento comprometeu a felicidade das duas irmãs. No livro, Íris divaga a respeito desses eventos, fazendo uma retrospectiva de vida, e dos momentos que sucederam ao suicídio de Laura. Cada palavra parece perfurar, tamanho poder de observação de Margaret Atwood. A autora é capaz de transformar detalhes em metáforas incríveis, repletas de sarcasmo e crítica social.

“Que invenções elas são, as mães. Espantalhos, bonecos de cera para espetarmos agulhas, diagramas toscos. Nós lhes negamos uma existência independente, nós as inventamos para satisfazer nossos caprichos – nossas necessidades, nossos desejos, nossas fraquezas. Agora que também fui mãe, eu sei.”

p. 98

Vale ressaltar que adoro dramas familiares. Mas essa obra não é somente sobre uma família e suas gerações, mas sobre luto, perda, solidão, lembranças, saudade. Uma comunidade devastada por guerras e opressão, mulheres tentando sobreviver a um pandemônio, em que são trocadas e vendidas como se fossem mercadorias.

Por sorte, eu ganhei o livro de presente de Natal do meu marido, porque o preço dele está acima da média. Por não ter nenhuma versão recente, virou quase uma relíquia. Então, infelizmente você vai ter que desembolsar uma graninha ou encontrar em algum sebo a edição antiga da Rocco.

“Por que será que queremos tanto celebrar a nossa memória? Mesmo enquanto ainda estamos vivos. Queremos afirmar nossa existência, como cachorros mijando em hidrantes. Exibimos nossos retratos emoldurados, nossos diplomas em papel vegetal, nossas taças prateadas; bordamos nossos monogramas nos lençóis, gravamos nossos nomes em árvores, ou os rabiscamos nas paredes dos banheiros. É sempre o mesmo impulso. O que esperamos conseguir com isso? Aplauso, inveja, respeito? Ou simplesmente atenção, seja de que tipo for?

No mínimo, queremos uma testemunha. Não podemos suportar a ideia de as nossas próprias vozes silenciando finalmente, como um rádio sem bateria.”

p. 100
Resenha: O Assassino Cego - Margaret Atwood
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

“A única forma de escrever a verdade é supor que o que você colocar no papel jamais será lido. Nem por outra pessoa nem por você mesma mais tarde. Senão você começa a se desculpar. Você tem de ver as palavras emergindo como um longo arabesco de tinta do dedo indicador da sua mão direita; e ver a sua mão esquerda apagando-o.

Impossível, é claro.”

p. 271

Outro elemento que deixou a obra de Atwood ainda melhor: o final é recheado de reviravoltas e faz o leitor pensar “como eu não percebi isso antes?”. Em alguns momentos eu supus o que estava acontecendo, mas ainda assim, nas últimas páginas, você pode se chocar com os fatos que, finalmente, são colocados em seus devidos lugares.

“Tempo: frio e velho tempo, velhas dores, depositando-se em camadas como lodo no fundo de um lago.”

p. 286

Ler O Assassino Cego é como ser levado pelas ondas. Você é arrastado para dentro de uma história bela, primorosa, mas com tantos percalços, tristezas e acontecimentos marcantes, que fica difícil se desvencilhar e encontrar terra firme.

Eu fiquei realmente impressionada e recomendo que você comece ler agora mesmo!

LEIA TAMBÉM

Resenha: O Assassino Cego - Margaret AtwoodTítulo original: The Blind Assassin
Autora: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Número de páginas: 496
Ano: 2001
Gênero: Literatura Estrangeira
Nota: *****

Resenha

Resenha: Harry Potter and The Cursed Child – Jack Thorne, John Tiffany e J.K. Rowling

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Minha criança interior gritou quando vi que mais um livro de Harry Potter seria lançado! A continuação da história, que se passa 19 anos depois de As Relíquias da Morte, resultou em uma peça de teatro que só foi exibida em Londres. Porém, os autores resolveram lançar o livro com o roteiro da peça e, tchãran, temos o oitavo livro da saga: Harry Potter and the Cursed Child.

Na impaciência, comprei o livro em inglês mesmo. A edição da Scholastic é incrível, de capa dura, com letras douradas na lombada e tudo mais. O papel é grosso, muito bom de manusear e o livro é caprichado: compensa o preço salgado (paguei 70 reais na Amazon). A versão brasileira, intitulada Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, foi lançada pela Rocco.

Olha só que linda essa edição (coloquei a jacket em cima para mostrar com detalhe):

Enfim, mas vamos falar da história do livro! A leitura é bem rápida, pois o livro é uma peça de teatro, baseado inteiro em diálogos e descrições das ações realizadas no palco. Em Harry Potter and The Cursed Child conhecemos um pouco da vida do trio Harry Potter, Rony e Hermione aos 40 anos, com filhos que agora estão a caminho de Hogwarts.

Albus, um dos três filhos de Harry e Gina, é o protagonista, assim como Scorpius, o filho de Draco Malfoy.  O livro irá tratar mais da relação conturbada entre pai e filho (Harry-Albus/Draco-Scorpius) do que qualquer outra coisa, mas também garante aventura, laços fortes de amizade sendo criados e muita, muuuuita nostalgia.

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Enquanto eu lia essa peça, me trazia uma sensação muito boa de saudade e nostalgia, da época em que Harry Potter me entretia por horas e horas. Minha infância e adolescência se sentiram agraciadas com essa história fofa e divertida sobre uma nova geração que chega a Hogwarts. Em várias passagens os autores revivem momentos marcantes dos livros anteriores, aumentando ainda mais a vontade de reler tudo.

Resenha: Harry Potter and The Cursed Child jack thorne jk rowling
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

A história em si é um pouco fraca: alguns personagens não fazem diferença nenhuma e obviamente estão ali só para agradar os fãs (como é o caso do Rony, infelizmente). As motivações da rebeldia de Albus não me convenceram, mas ainda assim, o livro é interessante, principalmente por apresentar uma nova perspectiva sobre os Malfoy. Harry Potter and the Cursed Child pode ser definido como um passatempo nostálgico.

Se você está esperando uma grande aventura com muitas reviravoltas, como nos livros anteriores, abaixe as expectativas! Como já comentei, é baseado na peça, portanto a linguagem é bem diferente, assim como os personagens não são trabalhados com tanta originalidade. Mas vale a pena a leitura, é claro, porque você vai morrer de saudade! <3

Dica: Se você quer ler Harry Potter e a Criança Amaldiçoada e também outros livros com um preço bem bacana, é só utilizar os cupons do site Cupom Valido e aproveitar para comprar livros e mais livros com desconto ?!

LEIA TAMBÉM

Resenha: Harry Potter and The Cursed Child - Jack Thorne e J.K. RowlingTítulo original: Harry Potter and The Cursed Child
Autor: Jack Thorne, John Tiffany J.K. Rowling
Editora: Scholastic Inc.
Número de páginas: 320
Ano: 2016
Gênero: Teatro
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Matérias

Tudo sobre “O Livro Delas”

Trabalho com jornalismo literário há alguns anos através da todateen com coberturas de eventos (Alô, Bienal <3), divulgações de lançamentos literários, apostas da área, resenhas, e claro: entrevistas com autores. Durante esse meu trabalho, tive a oportunidade de conversar com diversos profissionais do mercado editorial, entre eles, a jornalista e assessora de imprensa Renata Frade.

A Re (fazendo a íntima!), me convidou para participar de um projeto superlegal e multimídia chamado Lit Girls Br. Trata-se de um projeto “multiplataforma inovador e inédito no Brasil. É mais do que o registro de um momento literário especial. Visa estreitar as relações entre autoras e leitores e provocar ainda mais compartilhamento sobre literatura nacional pelo celular, tablet, computador, livros, blogs, cadernos, diários, mídias sociais e o que mais vier por aí“, afirma a jornalista no site oficial do Lit Girls.

A ideia é discutir e apoiar a cultura literária brasileira. Para isso, contamos com nomes de peso, como: Bianca Carvalho, Carolina Estrella, Chris Melo, Fernanda Belém, Fernanda França, Graciela Mayrink, Leila Rego, Lu Piras e Tammy Luciano.

Tudo sobre "O Livro Delas", com participação de Melissa Marques
FOTO: Divulgação / Editora ROCCO

O primeiro lançamento do LitGirls é “O Livro Delas“: uma coletânea de contos deliciosos sobre vivências cotidianas,  amor, amizade, experiências familiares felizes e dramáticas, viagens, entre outros. E… Tem uma entrevista COMIGO, comentando sobre o mercado editorial, na versão e-book! Clique aqui para espiar e comprar!

Saca só o comentário do autor Maurício Gomyde sobre a obra: “Nove mulheres. Nove escritoras: Bianca, Chris, Carolina, Graciela, duas Fernandas, Leila, Lu e Tammy. Nove personalidades da nova e pujante literatura nacional. Nove contos independentes, mas entrelaçados pelo absoluto domínio, das nove, da arte de contar belas histórias. Modernas, profundas, leves, intensas. Um pêndulo entre a doçura e a aspereza, entre o romance e o suspense, entre o leitor e as nove. Cada trama daria um bom livro, se assim desejassem. Mas que, condensadas em contos irresistíveis, cumprem à risca o ditado menos é sempre muito mais. Histórias para serem saboreadas num domingo à tarde, num sábado à noite ou no meio de uma semana qualquer. Sobre mim, sobre você, sobre elas próprias, talvez. Sem nove horas, direto ao ponto”.

 A obra foi impressa pela Fábrica231, selo da grande Editora ROCCO.

Resenha

Resenha: Um Cartão – Sentimentos Cotidianos – Pedro Henrique

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

POSITIVIDADE. O mundo anda precisando, né? E é exatamente essa a aposta de Pedro, autor do livro Um Cartão.

A ideia surgiu simples e foi colocada em prática através de um perfil no Instagram. Hoje em dia o @umcartao já conta com mais de 600 mil seguidores. Com uma pegada leve, Pedro busca, a cada imagem, transmitir sentimentos bons e muita positividade!

O livro, lançamento da Fábrica231, selo de entretenimento da ROCCO, segue a mesma pegada: conta com diversos cartões destacáveis, com o verso em branco, ideal para quem quer deixar a própria mensagem e sair espalhando amor por aí 😉

Resenha: Um Cartão - Pedro Henrique
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

São frases novas, criadas para o livro, e algumas imagens já conhecidas do público que acompanha o @umcartao, que ficaram famosas em sua página no Instagram.

O livro é uma ótima pedida para presentear: pode ser dado inteiro para uma pessoa ou, dar um destino diferente para cada um dos cartões.

Para comprar o livro, é só clicar no link abaixo:

Além disso, também é possível criar uma decoração-fofa para algum cômodo da sua casa, dando vida a alguma parede branquinha sem-graça. (Como eu fiz com a do meu quarto, olha só):

Resenha: Um Cartão - Pedro Henrique
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

É só escolher as frases que mais traduzem os seus sentimentos e deixar a criatividade fluir: dá para colocar em quadrinhos, fazer um desenho diferente na parede usando algum padrão… Enfim, são diversas possibilidades!

São frases sobre amor, carinho, família, amizade… Com certeza você vai achar uma que te toque de uma forma especial ou que te faça lembrar de alguém de um jeito diferente.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

LEIA TAMBÉM

Resenha: Um Cartão - Pedro HenriqueTítulo original: Um Cartão
Autor: Pedro Henrique
Editora: Fábrica 231
Número de páginas: 192
Ano: 2015
Gênero: Fotografia
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia