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Resenha: 24 Horas na Vida de uma Mulher – Stefan Zweig

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Comecei a ler 24 Horas na Vida de uma Mulher, de Stefan Zweig, depois de encontrar a edição da Zahar disponível no Kindle Unlimited. Trata-se de uma novela – gênero situado entre o conto e o romance – bem curtinha, de apenas 107 páginas. A história foi classificada por Freud como uma “obra-prima” e conta, literalmente, um acontecimento que dura somente um dia na vida de uma mulher.

Confira a sinopse:

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Resenha: Peter Pan – J.M. Barrie

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Peter Pan é daqueles personagens que dificilmente alguém não conhece. A história do menino que não quer crescer e vive na Terra do Nunca já virou adaptações milhares de vezes, sendo a mais famosa a animação da Disney. Para ser bem sincera, eu nunca me interessei por Peter Pan, até encontrar essa edição lindona da Zahar.

A sinopse é bem famosa, aposto que você já sabe pelo menos uma parte do enredo:

Peter and Wendy – ou Peter Pan –, publicado em 1911, narra a clássica história dos irmãos Darling: Wendy, João e Miguel, que acompanham Peter Pan em uma viagem pela Terra do Nunca, onde convivem com índios e sereias, estranhos animais, enfrentam o Capitão Gancho e seus piratas, além de muitos outros perigos.

Verdadeira terra da fantasia, a ilha onde fica a Terra do Nunca é o domínio de Peter, o menino que não queria crescer, e é para lá que ele leva crianças órfãs, “que caíram de seus carrinhos de bebê e não foram procuradas”. Sua família – e, ao mesmo tempo, seus “soldados” – são os Meninos Perdidos, que, como Peter, sentem falta de uma mãe que cuide deles, os oriente, lhes conte histórias na hora de dormir, como faz a Sra. Darling, mãe de Wendy, João e Miguel. E é por isso e para isso que Peter ensina os três irmãos a voar e os leva consigo pelo céu, noite adentro, para uma vida de aventuras e de pura magia.

A questão é: para ser bem sincera, eu não gostei do livro. Provavelmente serei xingada (haha), mas, apesar de algumas partes serem emocionantes e nos fazem pensar bastante, o decorrer da narrativa é monótono e não consegui me interessar nem 1% pela Terra do Nunca. Claro que ler aos 28 anos é uma experiência BEM DIFERENTE do que ler na infância, mas ainda assim, já li diversos livros infanto-juvenis que foram mais satisfatórios.

Peter Pan é na verdade um menino vaidoso, teimoso e bem arrogante, características que irritam bastante seu inimigo Capitão Gancho. O que me surpreendeu foi que Gancho é um homem que luta contra sua própria moral – durante o decorrer da história descobrimos que teve uma infância aristocrata e sempre foi ensinado com boas maneiras – e o desleixo de Peter Pan o sempre tirou do sério por ser exatamente tudo aquilo que ele sempre detestou e temeu.

Wendy é a única garota da história, sendo muito mais inteligente (e um pouco mais velha, quase na puberdade) que João e Miguel, seus irmãos, e os meninos perdidos, que a tratam como mãe na Terra do Nunca. Uma das frases que me marcou durante a leitura foi a de Peter para Wendy:

Wendy, qualquer menina vale mais do que dez meninos.

Nessa eu tenho que concordar com Peter! Hahaha! 😂

Brincadeiras à parte, outro fato que me chocou lendo o prefácio dessa edição, foi que o irmão do autor J.M Barrie faleceu quando ainda era pequeno. Isso teria levado Barrie a eternizar o irmão na figura de Peter, o menino que nunca iria crescer e viveria altas aventuras na Terra do Nunca. Achei isso supertriste, mas faz bastante sentido. Durante a leitura, vemos como os pais das crianças ficam desolados quando elas saem ‘voando pela janela’. Os meninos que moram na Terra do Nunca não lembram de suas mães, incluindo Peter. São vários pequenos detalhes que nos levam a crer que, na verdade, as crianças morrem e vão para um tipo de paraíso.

Claro que isso é apenas uma teoria. Na verdade, existem milhares de simbologias para a história de Peter Pan: o medo do amadurecimento; o apego das crianças às mães; a menina tornando-se mulher; o comportamento infantil de Peter, que lembra o perfil de certos homens; Capitão Gancho lutando contra seus próprios questionamentos; entre tantos outros elementos que tornaram essa história um clássico analisado até hoje pela psicologia.

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Mas, apesar de tantos aspectos interessantes – principalmente a cachorrinha Naná ser a babá das crianças – eu ainda achei maçante. Ler as batalhas das crianças contra piratas, índios e sobre as aventuras da Terra do Nunca foram bem arrastadas e desinteressantes. Obviamente não sou o público-alvo, mas não empolga e fica até difícil de terminar o livro.

“Pensamentos felizes fazem a gente voar.”

Mas, o final compensou. Gostei do jeito que a história termina e confesso que até rolaram umas lágrimas. Peter Pan é um livro muito bom para refletir sobre a infância e para ensinar crianças sobre mudanças, frustrações, amadurecimento, família e amizade.

LEIA TAMBÉM

Resenha: Peter Pan - J.M. BarrieTítulo original: Peter Pan
Autor: J.M. Barrie
Editora: Zahar
Número de páginas: 253
Ano: 2013
Gênero: Literatura Estrangeira/Ficção
Nota: 

Resenha

Resenha: O Conde de Monte Cristo – Alexandre Dumas

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Como começar a descrever o quão bom é O Conde de Monte Cristo? Como explicar a forma que esse livro prende sua atenção, te deixa vidrado e completamente curioso para ler cada página? Comecei a leitura desse clássico de Alexandre Dumas em 17 de dezembro de 2017 e concluí dia 17 de janeiro de 2018. Exatamente um mês devorando as 1663 páginas dessa obra impressionante. Impossível não se apaixonar por essa história recheada de intrigas, traições, dramas, revolução, política, romance e, claro, vingança.

Resenha: O Conde de Monte Cristo - Alexandre Dumas
FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Você provavelmente já deve ter ouvido falar na história de O Conde de Monte Cristo. Já foi adaptada várias vezes para a televisão, teatro e cinema, além de ter influenciado muitas outras histórias. Sabe a série Revenge? Ou até mesmo a novela da Globo, O Outro Lado da Paraíso? Ambas foram fortemente inspiradas na trajetória do Conde, isto é, o protagonista Edmond Dantès.

Mas vamos falar um pouquinho da história: Edmond Dantès, um forte e audacioso marinheiro, é preso sob falsa acusação, em 1815, por ter ido à Ilha de Elba, onde teria recebido uma carta de Napoleão (que estava em exílio). Na verdade, Edmond foi vítima de um complô entre três pessoas: o juiz de Villefort, filho do destinatário da carta de Napoleão, que, mesmo sabendo da inocência do marinheiro, quis silenciá-lo; seu colega de trabalho Danglars, que desejava o posto de capitão do navio, já que Dantés recebeu o posto por mérito, ou seja, pura inveja; e Fernand Mondego, pescador catalão interessado em Mercedes – noiva de Dantès –  que invejava Dantès por este ser o alvo de seu amor.

“As feridas morais têm essa particularidade: elas se escondem, mas não se fecham. Sempre dolorosas, prontas a sangrar quando tocadas, elas permanecem vivas e abertas no coração.”

Após passar quatorze anos na prisão no Castelo de If, em Marselha, Edmond consegue fugir, e, depois de solto, encontra um enorme tesouro. Mas ele só conseguiu essa fortuna graças a um amigo, vizinho de cela, o abade Faria, um preso político que lhe indicou o local de um tesouro escondido, além de tê-lo educado por vários anos sobre diversas artes e ciências, como química, esgrima, línguas e história em geral. Mesmo não acreditando muito, Edmond investe na aventura e confirma a história de seu velho amigo de prisão, tornando-se milionário.

E, é claro que, a partir daí, o protagonista jura se vingar de cada um que o deixou confinado na prisão, retornando como o riquíssimo Conde de Monte Cristo e abalando a sociedade parisiense da época.

“Esperar e ter esperança.”

Como sou apaixonada por histórias de vinganças, esse livro foi um deleite muito grande! Depois que acompanhamos todo o sofrimento de Edmond, vê-lo armar uma trama complexa, destruir um por um de seus inimigos de uma forma muito inteligente, é MUITO satisfatório. Lembrando que essa vingança não é sanguinária, pelo contrário: o personagem reforça que a morte não é punição suficiente. Pesado, né?

Uma das coisas mais legais dessa história é a narrativa: é difícil descobrir qual é o verdadeiro plano do Conde de Monte Cristo e, em diversos momentos, só acompanhamos os passos do Conde pelo ponto de vista de outros personagens. Em outras partes, porém, Edmond se revela, com seus pensamentos e ações permeados pelo ódio. Apesar de o foco da trama ser no próprio Edmond e seus inimigos Villefort, Danglars e Fernand, em diversas partes conhecemos outros personagens que vão adicionando ainda mais terror e aventura ao romance.

“Não existem nem felicidade nem infelicidade neste mundo, existe a comparação de uma com a outra, só isso. Apenas aquele que atravessou o extremo infortúnio está apto a sentir a extrema felicidade. É preciso ter desejado morrer, Maximilien, para saber como é bom viver.”

Outro aspecto bem bacana do livro é que ele é contado como se fosse uma fábula. Isso se deve ao fato de que O Conde de Monte Cristo foi inicialmente publicado como folhetim e só depois reunido para um volume único. Em várias partes o narrador conversa com o leitor, como se dissesse: “aguarde e verá a vingança final”. Como a história foi publicada aos poucos, a vontade de continuar a trama é indescritível. Passei horas e horas lendo sem parar, morrendo de vontade de saber o que iria acontecer.

O livro de Alexandre Dumas também é recheado de frases imponentes, conta com uma descrição bem acurada da Paris do século XIX e o início da democracia no país, além de fazer um retrato bem fiel à aristocracia hipócrita da época. Os personagens também são bem construídos, com fortes personalidades.

A edição que escolhi foi a versão de bolso da Zahar. Comprei o e-book e não me arrependo, porque foi bem mais fácil acompanhar o calhamaço pelo Kindle! Você pode comprar abaixo também:

Não tenho dúvidas ao afirmar que esse foi um dos melhores livros que já li e que agora estou viciada em Alexandre Dumas. Se você tem vontade de ler uma história com muitas reviravoltas, O Conde de Monte Cristo é ideal! Agora só resta ler também as outras obras do autor: Os Três Mosqueteiros e o Homem da Máscara de Ferro.

Adaptações de O Conde de Monte Cristo

Eu já tinha assistido ao filme de 2002, com Jim Caviezel e Guy Pearce. Na época, gostei bastante, mas hoje vejo que muitos elementos foram alterados e a história enxugada ao máximo. Por exemplo: Edmond era muito amigo de Fernand nessa adaptação, o que não tem nada a ver. Mas, não deixa de ser divertido! Veja o trailer:

Outra adaptação que eu assisti e gostei foi a minissérie francesa de 1998, com Gerard Depardieu. Não consegui achar em português, mas ela está completa no YouTube com legendas em inglês. Vale a pena!

Existem várias outras adaptações mais antigas também, mas não conheço. E vocês, conhecem mais alguma? Bem que a Netflix poderia fazer uma série baseada no livro, não é? Renderia muitos episódios. Só nos resta sonhar! Haha!

LEIA TAMBÉM

Resenha: O Conde de Monte Cristo - Alexandre DumasTítulo original: Le Comte de Monte-Cristo
Autor:  Alexandre Dumas
Editora: Zahar
Número de páginas: 1663
Ano: 2012
Gênero: Literatura estrangeira
Nota:

Resenha

Resenha: Persuasão – Jane Austen

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Só havia lido Orgulho e Preconceito da Jane Austen lááá em 2007, e confesso que na época não gostei e penei pra terminar. Mas em Persuasão, fiz as pazes com a autora, já que percebi que, na verdade, eu é que não compreendia seu estilo e genialidade literária.

É comum associar os livros da autora a meros romances “banais” água com açúcar, mas uma segunda leitura permite uma compreensão das ironias finas nas entrelinhas, além de frases marcantes que contém uma crítica feroz à sociedade rural britânica do século XIX.

Em Persuasão, acompanhamos a protagonista Anne Elliot, filha de Sir Walter Elliot, um baronete mesquinho, esnobe e vaidoso. Anne é uma mulher inteligente, graciosa, bonita, mas ainda solteira aos 28 anos. Quando era mais nova, foi noiva de Frederick Wentworth, um jovem inteligente e ambicioso, mas que não tinha tradições ou conexões familiares importantes. Anne foi persuadida pela família a romper o relacionamento, mas 8 anos depois, terá que lidar com a volta de Frederick e uma nova vida, longe da casa onde sempre viveu.

“Mas Anne, cujo caráter elegante e trato gentil teriam lhe garantido um lugar de destaque em qualquer grupo dotado de real discernimento, não era ninguém nem aos olhos do pai, nem aos da irmã; sua palavra nada valia, seu papel era ceder sempre – ela era apenas Anne”.

A edição da Zahar que eu li tem uma apresentação bem interessante de Ricardo Lísias: um panorama que engloba tanto Persuasão como as outras obras de Austen. No texto, ele comenta que “Assim como o cenário e as personagens, o estilo de Jane Austen não varia entre seus romances. Os textos são límpidos, redigidos de forma clara e sem sobressaltos. Às vezes, as descrições ameaçam exceder-se, mas o domínio técnico da autora, incomum e vistoso, interrompe-as antes do exagero. Normalmente ela faz isso utilizando o diálogo“.

Outra observação de Lísias que concordei e acho bastante válido ressaltar é que “não estamos diante de um livro de suspense, mas logo intuímos que há muito mais por baixo da aparente placidez desses parágrafos, construídos com graça e equilíbrio“.

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“Eram esses os sentimentos e as sensações de Elizabeth Elliot; essas as preocupações que temperavam e as agitações que animavam a mesmice e a elegância, a prosperidade e o vazio de sua vida; esses os sentimentos que davam colorido à longa e tediosa residência em uma mesma comunidade rual, e preenchiam os tempos mortos, na existência de um hábito útil fora de casa, um talento ou uma realização doméstica para ocupá-los.”

Não é fácil comentar sobre a história em si, porque o livro é composto de descrições e diálogos entre personagens. Dessa forma, a ação narrativa não é o elemento primordial neste livro. É necessário ler com calma e paciência, porque Austen é uma autora que prioriza a sutileza e o olhar sobre as relações familiares e sociais da época. A política, ainda que apenas como eco, também está ali no romance, mesmo que não seja o foco da autora. Ainda segundo Lísias, “[…] para ela, as implicações de um olhar terminavam na análise do preconceito social da classe burguesa rural da Inglaterra do século XVIII“.

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Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O título “Persuasão” é bem interessante, porque o tempo todo encontramos essa palavra “pulando” das páginas, mostrando inúmeras situações em que os personagens precisam ou são persuadidos de alguma maneira. Convencer e persuadir uns aos outros, é esse o elemento principal da história de Anne Elliot, Elizabeth, Sir Walter, Wentworth, e outros personagens que tornam este livro tão encantador.

Não espere uma epopéia, uma história repleta de acontecimentos ou um texto romântico. Austen é cínica, assim como sua obra, o que a torna mais elegante e sofisticada na escrita. Não deixem de ler! 🙂

A edição que li é seguida de duas novelas inéditas em português: Lady Susan, uma narrativa epistolar em que a personagem-título, uma aristocrata deliciosamente perversa, procura manipular a todos os parentes conforme seus interesses, e Jack e Alice, que se passa em uma festa a fantasia, onde, pouco a pouco, a identidade dos convidados vai sendo revelada. Deixei as novelas de lado, portanto não posso comentar, mas essa edição é excelente, principalmente por conta das notas de rodapé e da contextualização da época e da vida de Jane Austen.

“Anne ficou convencida, pela expressão das duas moças, que isso era justamente o que elas não queriam, e mais uma vez admirou o tipo de necessidade que os hábitos familiares pareciam produzir de que tudo devia ser comunicado, e todas as atividades realizadas em conjunto, por mais indesejável e inconveniente que isso fosse.”

Só preciso ressaltar uma coisa: não abandone o livro! Por mais que, em alguns momentos, a história esfrie e não dê tanta vontade de continuar, a dica é prestar bastante atenção em cada frase do livro. O close reading (já comentei sobre isso aqui no blog) é essencial nas obras da escritora. Boa leitura!
Persuasão Jane Austen Livro
Título original:  Persuasion
Autor: Jane Austen
Editora: Zahar
Número de páginas: 300
Ano: 2012
Gênero: Clássico/Romance/Literatura Estrangeira
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