Entrevista com Rainbow Rowell, autora de Eleanor & Park

Se nunca leu, provavelmente você já deve ter ouvido falar de algum dos livros escritos por Rainbow Rowell: Eleanor & Park (que em breve será adaptado para os cinemas!) e Fangirl são sucessos por onde passam e conquistam legiões de fãs! Conversamos com autora sobre seus livros e a recepção do público. Confira nosso bate-papo:

Entrevista com Rainbow Rowell, autora de Eleanor & Park

FOTO: Divulgação

Melissa: Como começou a escrever seu primeiro romance?

Rainbow: Meu primeiro romance, Attachments, com certeza foi um experimento. Eu estava trabalhando em um jornal e queria ver se conseguia escrever um livro. Com Eleanor & Park e Fangirl, eu sabia que conseguiria, e eu estava viciada na sensação de escrever ficção. É um esforço criativo muito puro – criar um mundo inteiro dentro de sua própria cabeça.

Melissa: Como surgiu a ideia de Eleanor & Park? E de Fangirl?

Rainbow: Eleanor & Park foi inspirado em minha própria adolescência, em meus amigos e meu bairro. Com Fangirl, eu estava lendo muitas fan-fictions de Harry Potter, e comecei a pensar como a minha adolescência teria sido diferente se eu tivesse tido acesso à Internet e ao mundo do fandom. Eu acho que teria me sentido muito menos sozinha.

Melissa: Comente um pouco sobre Landline:

Rainbow: Landline é diferente porque é sobre adultos – adultos casados. Mas ainda se parece muito com os meus outros livros. Muitas conversas, muitas brincadeiras. Com uma história de amor bem no centro de tudo. Acho que é o meu livro mais dramático – há muita coisa em jogo para Georgie, minha personagem principal. Mas também é o mais engraçado.

Melissa: Em Eleanor & Park, você aborda temas importantes como xenofobia e dificuldades familiares. Para você, qual é o papel social que os autores devem exercer?

Rainbow: Minha responsabilidade como autora é contar uma boa história. Mas a minha responsabilidade como pessoa é fazer o que eu puder para tornar o mundo mais amável e justo. Portanto, espero que isso venha através do meu trabalho.

Melissa: Quais são suas fontes de inspiração?

Rainbow: Eu encontro inspiração em minha própria vida. Meus livros geralmente acabam sendo sobre algo que eu estou passando na minha vida – mesmo parecendo que os personagens estão passando por algo completamente diferente.

Melissa: Seus personagens masculinos são apaixonantes. Você se inspira em alguém da “vida real” para criá-los?

Rainbow: Obrigada. Eu acho que sou inspirada por todos os homens da minha vida – meu marido, meus irmãos, meu padrasto, meus amigos. Eles são caras sensíveis que acreditam no amor.

 

Melissa: Os direitos de Eleanor & Park foram comprados e, em breve, veremos essa história no cinema. Quais atores seriam perfeitos para interpretar os personagens principais?

Rainbow: Não consigo pensar em nenhum! Eleanor e Park não são os tipos de personagens que costumamos ver em filmes. Por isso, é difícil pensar em uma atriz ruiva e gordinha ou um jovem ator coreano. Espero que os dois papéis sejam interpretados por atores relativamente desconhecidos.

Melissa: Assim como Cath, você também é louca por fanfics? Quais você acompanha?

Rainbow: Eu sou! Eu leio fan-fictions de Harry Potter e Sherlock.

Melissa: Quais são seus projetos? O que podemos esperar pela frente?

Rainbow: Estou trabalhando agora em um romance YA de fantasia. E depois será uma colaboração em um graphic novel com a premiada artista Faith Erin Hicks.

Bate-bola com Rainbow

  • Livro favorito: Lugar Nenhum, de Neil Gaiman
  • Autores favoritos: Neil Gaiman, Marian Keyes, Sarah Waters
  • Livro YA favorito: Os Magos, de Lev Grossman
  • O que você está lendo atualmente? Estranha Presença, de Sarah Waters

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Entrevista: Melissa Marques | Tradução: Thaís Tardivo | Conteúdo original publicado no site todateen.


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Melissa Marques


Entrevista: Nicholas Sparks, autor do lançamento Dois a Dois

Seu primeiro livro publicado permaneceu durante 56 semanas consecutivas nas listas de mais lidos dos Estados Unidos, ele é considerado o “Autor Best-Seller nº 1” e já soma cerca de 50 milhões de livros vendidos no mundo todo! Isso mesmo, conversamos com o autor Nicholas Sparks sobre seus livros, adaptações para o cinema e, como não poderia faltar, sobre o seu tema preferido: o amor!

Entrevista: Nicholas Sparks, autor do lançamento Dois a Dois

Nicholas Sparks na mesa de autógrafos durante lançamento de Dois a Dois FOTO: Reprodução / Facebook e Roberto Filho.

Confira o bate-papo:

Melissa: Quando você assiste a um filme baseado em uma obra sua, sente que os atores e atrizes foram fiéis ao interpretar as personagens dos livros? Como você se sente quando isso não acontece?

Nicholas: Eu tenho muita sorte e me sinto abençoado com performances de alta qualidade, em todos os sentidos. Ao olhar para trás, eu não me lembro de ter achado que as escolhas de elenco fossem um erro. E ainda melhor, todos os envolvidos – incluindo os atores e atrizes – trazem muito talento e colocam um grande esforço para tornar os personagens tão interessantes, críveis e memoráveis.

Melissa: Quando você escreve um livro – já sabendo que será adaptado – você já pensa no ator ou atriz que irá interpretar as personagens?

Nicholas: Como regra geral, eu não sei. E, às vezes, eu fico tão surpreso quanto qualquer outra pessoa diante da escolha do elenco. Mas de vez em quando eu acabo sabendo quem vai estrelar o filme.

Melissa: Hoje em dia, as pessoas estão se tornando cada vez mais independentes e individualistas. Porém, as grandes histórias de amor continuam fazendo sucesso. Você acredita que o amor seja realmente natural ou uma boa fórmula para vender livros?

Nicholas: O amor é um dos muitos tópicos ou temas maravilhosos a explorar na literatura. Sempre foi e eu tenho a sensação de que sempre será, não importa o quanto o mundo mude no futuro. Emoções, afinal, são parte da experiência humana.

Melissa: Você tem vontade de atingir um público mais masculino?

Nicholas: Eu não penso em escrever algo nesse caminho. Meu objetivo é, simplesmente, escrever o melhor romance que eu puder, um que qualquer pessoa – homem ou mulher – possa desfrutar.

Entrevista: Nicholas Sparks, autor do lançamento Dois a Dois

Nicholas Sparks durante lançamento do livro “Dois a Dois” na livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista, em São Paulo. FOTO: Reprodução / Facebook e Roberto Filho.

Melissa: Você acha que as mulheres sentem falta de mais romantismo por parte dos homens?

Nicholas: Tenho certeza de que muitas mulheres sentem falta de homens mais românticos. Mas sei que eles existem! É que talvez a maioria deles já esteja comprometida!

Melissa: Você pensa em escrever um romance mais picante, agora que esse assunto está em pauta?

Nicholas: Estou feliz com o tipo de romances que escrevo. E nas livrarias há espaço para todos.

Melissa: Na maioria de seus livros, as mulheres são personagens muito fortes. Como você vê as mulheres?

Nicholas: Eu adoro as mulheres, obviamente. Eu tive uma ótima mãe, me casei com uma mulher maravilhosa e eu tenho duas filhas incríveis. Eu também trabalho com um grande número de mulheres inteligentes e criativas e considero-as entre os meus amigos mais próximos. Quanto às personagens femininas de meus romances, muitos de seus atributos são extraídos de minha esposa.

Melissa: Como você consegue entender tão bem os sentimentos femininos?

Nicholas: Já me perguntaram isso antes, mas eu nunca sei como responder. O que eu posso dizer é isso: quando eu estou escrevendo um romance, eu raramente penso em o que é “masculino” ou “feminino”. Eu simplesmente tento criar personagens críveis.

Melissa: Você acredita que o amor é um sentimento que está acima das relações? (independente de as pessoas ficarem juntas ou não no final da “história”)

Nicholas: As emoções são sempre parte de qualquer relacionamento e o amor é uma das emoções mais primárias. Eu não tenho certeza que é possível “amar” alguém sem realmente conhecê-lo.

Melissa: Você se espelhou em alguma história real para criar seus livros? Quais?

Nicholas: Às vezes, as histórias foram inspiradas em fatos reais, outras vezes, os personagens são desenhados a partir de pessoas que eu conheço. Com isso dito, algumas histórias são mais “ficcionais” que outras. Querido John, por exemplo, foi inspirado em meu primo, enquanto Um Homem de Sorte foi, na maior parte, ficção.

Entrevista: Nicholas Sparks, autor do lançamento Dois a Dois

Nicholas Sparks durante lançamento do livro “Dois a Dois” na livraria da Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, RJ. FOTO: Reprodução / Facebook e Roberto Filho.

Melissa: Se você pudesse escolher um dos seus livros para simbolizar toda a sua obra, qual seria?

Nicholas: Acho que teria que ser Três Semanas com Meu Irmão. Ao ler isso, eu acho que as pessoas vão entender por que eu escrevo esses romances.

Melissa: No Brasil, temos uma cultura muito forte de assistir novelas, assim como vocês têm de assistir séries. Você já pensou em criar algo voltado para o público televisivo?

Nicholas: Sim. Eu criei uma empresa de produção no início deste ano e já vendi três projetos diferentes. Eu gosto da ideia de contar uma história mais longa e a televisão oferece uma excelente maneira de fazer isso.

Melissa: O que você gosta de ler? Indique um livro para nosso público.

Nicholas: Eu leio bem mais do que cem livros por ano e, no final, eu acho que o que estou procurando é uma história maravilhosa, contada maravilhosamente. Alguns dos meus favoritos nos últimos anos incluem: A Passagem, de Justin Cronin, Extraordinário, por RJ Palaccio, e A Arte de Correr na Chuva, de Garth Stein.

Melissa: Se você pudesse ter escrito o roteiro de um filme, qual seria?

Nicholas: Casablanca ou Ghost – Do Outro Lado da Vida. Eu acho que ambos os filmes são ótimos.

Melissa: Como é o processo de criação de um livro? Você ouve música? Tem um escritório? Escreve de pijama?

Nicholas: Eu costumo ir ao meu escritório – que fica em cima da garagem – por volta de 9h30, e começo a escrever perto das 10h. Escrevo até às 15h ou 16h, e em seguida, faço o trabalho do escritório – telefonemas, e-mails, etc.

Melissa: Você acha que a forma como as pessoas vivem romances é diferente, dependendo de onde elas estão? (por ex, num lugar mais tradicional como a Carolina do Norte versus um lugar mais cosmopolita como Nova Iorque).

Nicholas: A diferença é menor do que você imagina quando duas pessoas sentem uma atração uma pelo outra. Depois disso, as emoções são praticamente sentidas da mesma forma em toda parte.

6 PERGUNTAS RÁPIDAS

  1. Harry Potter ou Crepúsculo? Harry Potter.
  2. Amor ou Paixão? Ambos.
  3. Uma lembrança do Brasil… Cartões postais.
  4. Algo que você não vive sem? Minha família.
  5. Matéria preferida na época do colégio? Matemática.
  6. Um conselho para as meninas que estão sofrendo por amor? Seja seletiva, você vale a pena.

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Entrevista e tradução: Melissa Ladeia Marques | Conteúdo original publicado no site todateen.


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Melissa Marques


Entrevista: Cornelia Funke, autora da série Reckless

Entrevista: Cornelia Funke, autora da série Reckless

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Cornelia Funke é um dos nomes mais famosos entre os autores de literatura fantástica e juvenil. Se você ainda não conhece a qualidade do texto e a sensibilidade da autora ao criar mundos e personagens tão extraordinários – e ao mesmo tempo, tão parecidos com o nosso mundo e conosco – termine o livro que estiver lendo e dedique um tempo para começar uma das obras da alemã. Parafraseando John Green, eu leria qualquer coisa que essa mulher escrevesse, inclusive sua lista de compras do mercado. Não existe a possibilidade de não se apaixonar pelas histórias e ilustrações (também feitas por ela!) de cada livro.

Confira a entrevista que fizemos com Cornelia e torne-se fã você também:

Melissa: Quais gêneros literários você mais gosta?

Cornelia: Eu amo todos eles. Eu sou uma “comedora de livros”, então, é claro, eu não como o mesmo prato todos os dias! 🙂 Eu amo fantasia, ficção científica, suspense, poesia, não-ficção… Eu me alimento de Galsworthy, Kipling, Dickens, Stendhal, Maupassant, Neruda e Garcia Lorca. E é claro: eu leio muito para pesquisa. Cerca de 50 livros para cada livro que eu escrevo.

Melissa: Na trilogia Mundo de Tinta você retrata perfeitamente os mais diversos sentimentos dos “bookaholics”. Como surgiu o seu amor pela leitura?

Cornelia: Você tem a chave para essa pergunta em minha primeira resposta. Quando o mundo onde você cresce é um pouco pequeno, a imaginação fica faminta, e essa fome eu alimentei com livros e filmes. Eu continuo amando os dois. Eu amo histórias de qualquer tipo. Elas me fizeram entender o mundo e me mostraram o mundo com os olhos dos outros: humanos, animais, plantas 🙂

Entrevista: Cornelia Funke, autora da série Reckless

FOTO: Divulgação

Melissa: E como era a sua relação com os seus filhos quando eles eram crianças? Você lia para eles? Que tipo de história?

Cornelia: Sim, eu lia para meus filhos desde quando eles eram bem pequenos e, em um determinado momento, eles se tornaram meus críticos mais importantes. É claro que você também pode encontrá-los como personagens em meus livros, ou eles (os livros) são dedicados aos meus filhos. Minha filha continua sendo minha editora mais importante e minha primeira leitora, meu filho é o herói de muitas de minhas histórias. Eu lia HQs, fantasia e meus próprios livros para eles… o que eles escolhiam. Eu lia Harry Potter muitas e muitas vezes até eles decidirem ler por conta própria ou ouvi-los em audiobooks 🙂 Como eu, eles amam as “palavras faladas” tanto quanto as palavras escritas e meu filho ouviu a maioria dos meus livros em vez de lê-los.

Melissa: Você costuma ler críticas literárias ou blogs especializados no assunto? Quais?

Cornelia: Não, eu admito, quase nunca. Eu amo ouvir meus leitores diretamente e às vezes uma resenha explica certos aspectos do livro de uma forma que te faz muito feliz – essas reações dos leitores mostram que alguém realmente “viajou na sua cabeça” – mas eu prefiro escrever do que ler sobre a minha escrita.

Melissa: Quais são os seus projetos? Outros livros em mente?

Cornelia: Eu estou revisando o terceiro livro da saga MirrorWorld (Mundo do Espelho). Ele se chamará Heartless (Sem Coração, em tradução literal), mas o título de trabalho é The Golden Yarn (O Fio de Ouro, em tradução literal) . Eu viajo nos folclores russos nesse livro. O quarto livro me levará para a Ásia e o quinto, espero que, para Califórnia, México e… Brasil! Então eu preciso ler sobre seus mitos e folclores!

Melissa: O que está lendo atualmente?

Cornelia: Livros de Daumier e Henry Fox Talbot, um dos inventores da fotografia – ambos parte da minha pesquisa para MirrorWorld (Mundo do Espelho), e sobre como isso era no mundo de 1860. Aliás, tenho uma pergunta para meu leitores brasileiros: o que é o Brasil por trás do espelho?

Entrevista: Cornelia Funke, autora da série Reckless

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Melissa: Algum personagem da trilogia “Mundo de Tinta” se parece mais com você? Por que?

Cornelia: O personagem que mais me sinto próxima não é de Mundo de Tinta, mas de MirrorWorld (bom… Mundo de Tinta é, na verdade, o passado de MirrorWorld – ou Mundo do Espelho): é uma raposa, ou, para chamá-la por seu nome humano, Celeste Auger, o metamorfo que é ao mesmo tempo uma mullher e uma raposa e que é uma verdadeira aventureira.

Melissa: Qual seria a sua melhor dica para quem quer começar a escrever profissionalmente?

Cornelia: Tenha sempre um caderno e uma caneta com você. As ideias sempre vêm em horas e momentos errados e você precisa pegá-las. Seja curioso sobre tudo – dentro e fora de você. Alimente sua imaginação com a sua vida. Não viva apenas nos livros. Faça a sua escrita expressar o que você sente sobre o mundo. E… tente escrever à mão. Você se surpreenderá com a diferença de escrever em um computador. Deixe-o para seu segundo rascunho. E aí, reescreva, reescreva, reescreva… Eu faço isso pelo menos oito vezes para cada livro.

Melissa: Seus livros falam com crianças e adultos. Para você, qual é a importância da fantasia para as diversas fases da vida?

Cornelia: Eu acredito que a fantasia se aproxime muito mais da verdade sobre vida, morte e o mundo do que as reportagens sobre a nossa chamada “realidade”. É necessário alimentar a fantasia com realidade, mas eu acredito na imaginação humana como uma ferramenta para entender e descrever as experiências humanas. Afinal, nós somos, provavelmente, as únicas criaturas neste planeta que conseguem imaginar ser um animal, um humano, uma planta ou até uma pedra! 🙂

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Entrevista e tradução: Melissa Ladeia Marques | Conteúdo original publicado no site todateen.


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Bate-papo com Carol Rosseti, autora do livro “Mulheres”

Ontem (14.10), rolou o lançamento do livro “Mulheres”, da Carol Rosseti, no SESC Bauru.  Durante o mês, o SESC trouxe para Bauru diversas atividades relacionadas ao tema, inclusive, uma exposição incrível com as ilustrações da Carol – que também podem ser encontradas no livro.

O lançamento foi bem legal e descontraído, com um clima bem impessoal. A Carol é uma fofa e conversou com o público presente sobre sua obra, feminismo, e muito mais! Confira os melhores momentos abaixo:

SOBRE O PROJETO “MULHERES”

Não surgiu como um projeto. Na verdade, ele foi se desenvolvendo. Percebi o potencial de conversar sobre feminismo com pessoas fora do movimento. Através das ilustrações eu consegui conversar com minhas tias, minhas avós… E com mulheres do mundo todo!

SOBRE ARTE E ATIVISMO

Arte e ativismo podem andar juntos. É uma forma que as pessoas encontram para lutar. Eu sou feminista.

É preciso trabalhar a representatividade. Meu trabalho como quadrinista é contar histórias. Isso ajuda a construir ‘o que é normal’, nós criamos um modelo que é ser normal.

Cabe reconhecermos nossos privilégios, eu reconheço os meus.

É necessário encontrar a sua forma de lutar. Todos os personagens que eu criar eu vou tratar sobre representatividade. Quero colocar personagens trans, negros… trans-negros-gordos.

Bate-papo com Carol Rosseti, autora do livro "Mulheres"

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

SOBRE CROWDFUNDING

O CORES é um crowdfunding. Ele foi feito de forma totalmente independente. Meu relacionamento com a editora foi muito bom, sem problemas, mas eu decidi fazê-lo de forma independente. Eu queria saber fazer um livro do início ao fim. Fui artista, designer, editora, publicitária… Tem que participar da logística. Foi bem desafiador. Agora eu sei o que é angústia. (Risos).

SOBRE SEXUALIDADE

As pessoas são muito múltiplas. Não dá pra definir alguém somente pela deficiência ou pela sexualidade.

SOBRE A RESPOSTA DO PÚBLICO

Alguns dos meus trabalhos tiveram uma melhora depois da resposta do público. Todos nós erramos. Eu não tenho medo de errar. As pessoas geralmente buscam se identificar com as personagens. Falar pelo outro é muito complicado. Eu apenas conto histórias.

SOBRE FEMINISMO

Acho que muita gente “perdeu o medo” da palavra feminista. Algumas ilustrações foram didáticas e acabaram trazendo termos que as pessoas não conheciam.

Bate-papo com Carol Rosseti, autora do livro "Mulheres"

Euzinha tietando a Carol! FOTO: André Turtelli

SOBRE VISIBILIDADE

Tem que ter empatia, respeito. Não dá para falar pelo outro. Mas quando estamos em um lugar de privilégio, é importante trazer visibilidade para os outros. Você tem que fazer alguma coisa com o seu privilégio, mas não existe uma fórmula certa pra isso.

Quando a temática não tem a ver com o seu cotidiano, exige um trabalho de pesquisa muito grande. Às vezes, até mesmo uma expressão tem significados diferentes em estados diferentes. O objetivo é ser acolhedor com todos que veem o projeto.

Serviço

A exposição estará disponível no SESC Bauru até 18/12. De terça a sexta, 13h às 21h30. Sábados, domingos e feriados, 9h30 às 18h30. Quem for de Bauru e região pode e deve conferir!

Se quiser comprar o livro, é só clicar no link abaixo:


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Melissa Marques


Entrevista: Maurício Gomyde, autor de Surpreendente!, da Intrínseca

Há alguns anos, os críticos diziam: “Maurício Gomyde é o Nicholas Sparks brasileiro“. No começo de sua carreira como autor, o paulistano “naturalizado” brasiliense apostava na fórmula romance + drama para ganhar notoriedade entre o público brasileiro. Foi sucesso na autopublicação, sempre com o apoio de ações e mídias online, e acabou sendo convidado para fazer parte do time da Editora Novo Conceito. Agora, Maurício lança seu sexto livro, Surpreendente!, pela Editora Intrínseca. O livro mostra um autor mais maduro, sem floreios, e com um talento nato para contar boas – e emocionantes – histórias. Confira como foi o nosso bate-papo com Maurício Gomyde:

Maurício Gomyde

FOTO: Leo Aversa / Divulgação Instrínseca

Resenhas: Como começou seu envolvimento com a literatura? Como decidiu ser escritor?

Maurício: Acho que foi como acontece com a maioria dos escritores: o envolvimento desde a infância. Minha família é muito leitora, o contato com livros começou cedo. Tive muita sorte de frequentar uma escola, no ensino fundamental, que tinha aulas de redação. Aprendi muito, era obrigado a produzir muitos textos (simples, claro!). Sempre escrevi para mim, e um dia resolvi pegar um de meus textos e jogá-lo de verdade no papel. Deixei de ser pedra para virar vidraça. Tornou-se “O Mundo de Vidro”, cuja primeira edição saiu em 2002.

Resenhas: Como tomou a decisão de “mudar de casa”? (Ir da Novo Conceito para a Intrínseca)

Maurício: A Intrínseca sempre foi um desejo secreto. Desde a primeira vez que tive contato com os títulos da editora, senti que ali era uma casa onde minhas histórias teriam bom abrigo. Mas fiquei na minha, nunca mandei livros para eles. Depois de lançar “A Máquina de Contar Histórias”, pela Novo Conceito, conversei com minha agente e revelei aquele desejo. Acabou que deu muito certo, a editora gostou do texto e da proposta. Estamos ainda em lua-de-mel, mas acho que será um casamento de sucesso, porque a editora aposta de verdade e a história ficou bacana. Vamos ver no que vai dar.

Surpreendente!, de Maurício Gomyde

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Resenhas: Como foi a sua experiência na Bienal com a nova editora?

Maurício: A Bienal do Rio foi apenas minha segunda grande feira. Como sou oriundo do mercado de autopublicação, nunca tinha participado do evento no Rio. Fiquei muito bem impressionado com o calor do público, a feira estava abarrotada e o estande da Intrínseca esteve sempre lotado. A experiência foi a melhor possível, tive recepção calorosa por parte dos profissionais da editora e da turma que trabalhou no estande. Os eventos que a editora programou foram bons e muitos livros foram vendidos. Acho que foi um belo start para o Surpreendente!

Resenhas: Você vê alguma mudança no desenvolvimento da literatura nacional através dos anos? (De quando lançou seu primeiro romance até hoje…)

Maurício: A internet proporcionou literalmente um novo mercado para a literatura (tanto nacional quanto estrangeira). Uma infinidade de novos autores foi e vem sendo gestada nas redes sociais, e isso proporciona o aparecimento de gente que, em outra situação, ficaria escondida em suas cidades. Desde quando lancei meu primeiro romance (em 2002), muita coisa mudou. Naquele tempo a coisa era muito no estilo “dar nó em pingo d’água”, fazer lançamento em livraria que só abria espaço depois de muita insistência, tentar vender livros para parentes e etc. rs Hoje você consegue criar uma plataforma consistente e se divulgar. E as editoras estão procurando bons escritores. Portanto, é mãos-à-obra e escrever.

Resenhas: Em “A Máquina de Contar Histórias”, o protagonista acaba se esquecendo da família para viver o sonho de ser um grande autor. Isso já aconteceu com você em algum momento da vida?

Maurício: Não, de forma alguma. Eu não deixo o trabalho (seja o trabalho de escritor ou meu outro trabalho) contaminar a minha relação com minha família. Elas são o mais importante. Se eu estivesse começando a chegar nesse ponto, certamente eu pararia e diria “êpa, vamos com calma!”.

Entrevista: Maurício Gomyde

FOTO: Pedro Santos e Rafael Facundo

Resenhas: Surpreendente! é… Surpreendente. E seus outros livros, como você os definiria em apenas uma palavra?

Maurício:

O mundo de vidro: Diversão.
Ainda não te disse nada: Sonho.
O rosto que precede o sonho: Emoção.
Dias melhores para sempre: Superação.
A máquina de contar histórias: Família.

Resenhas: Surpreendente! também é um livro sobre uma roadtrip. As experiências de Pedro nessa viagem são relatadas com muita precisão. Você já havia feito o mesmo caminho ou feito uma roadtrip com amigos para relatar as experiências no livro? Se sim, como foi?

Maurício: Basicamente, conheço o universo do cinema, conheço o universo da amizade (tenho muitos amigos verdadeiros), conheço a estrada que os 4 percorrem (até Pirenópolis), vou muito aos cenários em que se passa a história. Fiz muuuuitas roadtrips com minhas bandas. Sou baterista e corri o Brasil fazendo shows. Quando estava escrevendo, eu lembrava dos perrengues da estrada, dos lugares péssimos onde dormíamos ou comíamos. Acho que o envolvimento na hora de escrever vinha dessas lembranças maravilhosas.

Resenhas: O cinema e a música sempre foram temas fortes e presentes em seus livros. Agora em Surpreendente!, ainda mais. Se o livro fosse adaptado para o cinema, quem seriam os atores brasileiros escolhidos para viver os personagens principais da trama?

Maurício: Nossa, eu nunca havia pensado nisso!!! Acho que a única que eu teria em mente hoje, para viver a Cristal, seria a Bianca Müller. Ela fez o booktrailer muito bem e os olhos são exatamente os olhos da personagem. Os outros três não imagino agora, mas o Pedro teria de ser um ator capaz de realizar as interpretações complexas de alguém que está ficando cego; o Fit, deveria ser um jovem meio maluco, com visual descolado; e a Mayla, uma menina mais nova, em torno de 18 anos, com o jeito um pouco inocente. Precisaria pensar… rsrsrs.

Resenhas: O que você está lendo atualmente?

Maurício: Tenho um ritual: sempre, entre um livro e outro, releio o “A Jornada do Escritor”. Estou fazendo isso no momento. Recentemente li “Todo Dia”, do David Levithan; a versão “sem cortes” do “On the Road”, do Kerouac; e o “Como eu era antes de você”, da Jojo Moyes. Pretendo, em seguida, ler os livros dos meus amigos escritores brasileiros que comprei na bienal (só comprei nacional dessa vez).

+++ CONFIRA A PLAYLIST OFICIAL CRIADA POR MAURÍCIO GOMYDE NO SPOTIFY PARA SURPREENDENTE!

Maurício Gomyde

FOTO: Divulgação / Editora Intrínseca

Resenhas: Uma dica para quem está no começo da carreira como escritor…

Maurício: Acho que o escritor deve viver intensamente a história que está escrevendo. Quem é o personagem? O que ele faz? O que escuta? Onde mora? Que filme vê? Que livros lê? Faça exatamente como seu personagem, tente ser como ele. Pesquise muito, mesmo que você não vá escrever sobre aquelas coisas diretamente. Assim, no fim da história, você terá um personagem consistente e crível. E, melhor, você terá aprendido um monte de coisas novas. O resto é consequência.

Resenhas: Quais são os seus projetos?

Maurício: Pretendo cair de cabeça na divulgação do Surpreendente!, viajar, fazer eventos, ir a livrarias, cuidar das redes sociais. Gosto de focar no projeto atual, sempre. Se ele não der certo, não adiantará muito ter projetos futuros. Uma coisa de cada vez.

Resenhas: Se pudesse publicar apenas mais um livro, qual seria o tema principal dele?

Maurício: Acho que eu faria um apanhado de tudo o que já fiz nos seis livros, bateria em um liquidificador, criaria um personagem bem bacana e contaria sua história como se eu mesmo fosse ele. Afinal de contas, tudo o que já escrevi, em suma, acaba sendo sobre mim mesmo e as coisas em que acredito.

COMPLEMENTOS

Confira o hotsite oficial do livro

Leia o primeiro capítulo de Surpreendente!

COMPRE: Amazon, Livraria Cultura, Livraria da Travessa, Livrarias Curitiba e Saraiva.


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Melissa Marques


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