Resenha: O Homem Invisível – H.G. Wells

Uma das melhores leituras de ficção científica/horror que já tive foi O Homem Invisível, de H.G. Wells. Sempre quis conhecer as obras desse autor e esse livro me chamou a atenção por ser um clássico. Entre “A Máquina do Tempo”, “A Ilha do Dr. Moreau”, “Guerra dos Mundos” e “O Homem Invisível”, este último foi o que mais me atraiu.

O Homem Invisível - H.G. Wells

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

E posso afirmar que vale cada página! Do começo ao fim, o livro é munido de muita tensão. Até tive pesadelos com a história, de tanto que me impressionou. Pois é! A obra de 1897 suscita medos absurdos e múltiplos questionamentos. Você já desejou ser invisível? Já pensou nas consequências que isso traria para a sua vida?

Eu nunca tinha pensado muito a respeito disso, mas o livro mostrou um outro olhar sobre esse desejo inerente do ser humano. Todo mundo já quis passar despercebido em algumas situações, assim como sentiu vontade de espionar sem ser notado. Imagine quantas possibilidades poderiam surgir para alguém invisível: um mundo de coisas para fazer! No entanto, não é bem assim: H.G. Wells, de maneira única, constrói uma narrativa arrepiante e mostra como pode ser difícil a vida de uma pessoa invisível. Ainda mais se essa pessoa for um gênio sociopata.

Logo no começo já somos apresentados ao “Estranho”, um homem que chega à uma cidadezinha na Inglaterra e deseja se hospedar em uma pequena pousada. No entanto, ele tem uma aparência assustadora, é coberto de faixas pelo corpo e age de maneira bem esquisita. A dona da pousada aceita sua estadia, apesar de sua aparência anormal, mas desconfia das atitudes grosseiras do hóspede. E, a cada página, somos apresentados a um personagem violento, muito inteligente e com atitudes cada vez mais suspeitas. Somente na metade do livro sabemos o que realmente aconteceu com o Estranho, assim como seus pensamentos mais obscuros.

Achei interessante o autor optar por um narrador observador. Geralmente nesse tipo de história os narradores são personagens, mas, nesse caso, deixou a história bem mais empolgante. Outro detalhe interessante é que conhecemos bem pouco os personagens, criando também uma certa antipatia por quase todos, mesmo odiando e temendo o protagonista. Ou seja, não nos identificamos com ninguém e ficamos apenas observando as atitudes grotescas que os seres humanos são capazes de cometer.

O Homem Invisível - H.G. Wells

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

As explicações científicas a respeito da invisibilidade também são incríveis. Sou leiga no ramo da ciência, mas é tudo tão bem detalhado que chega a ser crível alguém ser capaz de ser invisível. Aliás, tudo nesse livro é crível, mesmo se tratando de ficção. E é justamente isso que faz ele ser tão valioso.

Você já parou para pensar que, mesmo se fôssemos invisíveis, teriamos corpo físico? Lógico que algumas histórias de ficção já mostraram isso posteriormente (Harry Potter e a capa da invisibilidade, por exemplo), mas “O Homem Invisível” disserta a respeito de coisas que dificilmente levamos em consideração.

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Se fôssemos invisíveis, as roupas continuariam visíveis, ou seja, teríamos que viver nus. Outro ponto: e se você quisesse comer? Roubar é fora de questão, já que qualquer um poderia ver o alimento flutuando no vazio. E você faria barulhos, deixaria pegadas… trombaria com outras pessoas em lugares lotados. Se quisesse entrar em estabelecimentos fechados durante à noite, ou não conseguiria entrar por conta dos alarmes/trancas ou ficaria preso. Concluindo: muitas dificuldades envolvem o fato de ser invisível e o livro mostra em detalhes cada uma delas.

Então se você busca uma leitura enriquecedora e ao mesmo tempo um bom entretenimento, esse livro é recomendadíssimo.

Título original: The InResenha: O Homem Invisível - H.G.Wellsvisible Man
Autor: H.G. Wells
Editora: Alfaguara
Número de páginas: 207
Ano: 2010
Gênero: Terror/Clássico/Ficção Científica
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela


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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: O Lobo do Mar – Jack London

Estava louca pra ler O Lobo do Mar, do autor norte-americano Jack London. A edição comentada da Zahar me chamou a atenção e logo já coloquei na lista de “desejados”. No Natal de 2014 minha irmã me deu de presente e comecei a ler assim que consegui em 2015. No geral, o livro empolga bastante, a leitura é tranquila e os personagens são excelentes. Mas, me senti meio frustrada mais para o final, onde o livro deu uma reviravolta que não me agradou.

O Lobo do Mar fala sobre muitas temáticas interessantes, principalmente o medo da morte, a importância que cada um dá à própria vida, religião, criacionismo, evolução, darwinismo, etc.

“Há uma quantidade limitada de água, de terra, de ar, mas a vida que está à espera de nascer é ilimitada. A natureza é de uma prodigalidade infinita.”

A história é bem simples: o náufrago Humphrey van Weyden é resgatado pela escuna Ghost, comandada pelo capitão Wolf Larsen. No entanto, o capitão ao invés de ajudar o náufrago a desembarcar no porto mais próximo, o obriga a trabalhar no navio, onde impõe regras violentas e faz da vida de Weyden um inferno.

Resenha: O Lobo do Mar

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O embate e diálogos entre o protagonista e Wolf Larsen são as melhores partes do livro. O conteúdo é riquíssimo e recheado de reflexões. Ao mesmo tempo em que Weyden é um homem literato, civilizado e com concepções de mundo moralistas, Wolf Larsen é a figura do homem primitivo, animalesco. O clima de tensão que paira no ar, assim como a sensação de estar aprisionado e entregue ao destino, faz do livro uma obra instigante.

Porém, a partir da metade do livro, há uma pequena reviravolta na trama: o surgimento de uma nova personagem traz um baque, uma mudança completa de enredo. Senti que o autor parece ter mudado de ideia no meio do caminho, criando uma nova alternativa que não condiz muito com o restante da obra.

Resenha: O Lobo do Mar

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O que poderia ter sido uma obra fenomenal, se arrasta da metade em diante, apresentando situações cansativas e que não fazem muito sentido com a proposta inicial. O que antes era incrível e digno de se tornar um clássico da literatura, se perde em um romance pouco convincente.

“O homem é inconstante como os ventos e as correntes marinhas. Nunca se pode adivinhar. Quando a gente julga que já o conheçe e que está a impressioná-lo bem, se vira ele contra nós aos berros e nos rasga as velas todas.”

No decorrer do livro, são utilizados inúmeros termos náuticos, mostrando claramente a experiência de London como marinheiro. São tantas palavras complicadas e descrições longas de processos marítimos, que é possível cansar facilmente e acabar pulando essas partes. Confesso que em alguns momentos, enquanto Weyden descrevia os nós que fez, ou comentava sobre o ritmo da escuna, eu nem prestava muita atenção.

Um ponto interessante é que o protagonista cresce muito como pessoa, passa por uma transformação satisfatória. O que antes era um personagem fraco e debilitado, de repente se torna forte, competente e ávido por viver. As frustrações iniciais o derrubaram mas o deixaram mais maduro para lidar com o monstro que é Wolf Larsen.

Aliás, Wolf Larsen é um personagem incrível, com uma personalidade confusa, doentia e ao mesmo tempo sensível. Por vezes gostamos dele e até acreditamos que ele não é de todo mal; no entanto, quando estamos simpatizando com Larsen, ele volta a tomar atitudes absurdas. É um mix de sentimentos, parece até mesmo um episódio de Game of Thrones! haha

Resenha: O Lobo do Mar

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Mas no geral, recomendo a leitura. Inclusive, achei que somente eu não tinha aprovado o final, mas no prefácio do livro (escrito por Joca Reiners Terron), ele conta que na época que o livro foi publicado, a crítica especializada reclamou muito do final. No fim das contas, o autor revelou que alterou o final para que a obra fosse mais comercial, por isso a pitada de romance. Mas, não retira a genialidade de London em O Lobo do Mar.

“Você fala do instinto da imortalidade. Eu falo do instinto da vida, que é viver, e que, quando a morte se figura próxima e iminente, vence o instinto da imortalidade.”

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O Lobo do Mar - Jack London

 

Título original: The Sea Wolf
Autor: Jack London
Editora: Zahar
Número de páginas: 368
Ano: 2013
Gênero: Ficção
Nota1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vaziaestrela vazia


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Escrito por:

Isabela Zamboni