Frases

Conheça as melhores frases de abertura de livros

Foto: Fabiola Peñalba / Unsplash

O começo de um livro, quando impactante, é o que nos faz continuar a leitura. Nada melhor do que abrir um livro e, de repente, bater o olho em uma frase impactante, que nos faz elevar as expectativas lá em cima. Pensando nisso, separamos trechos e as melhores frases de abertura de livros famosos que, se você já leu, com certeza vai lembrar! <3

Trechos e frases de abertura de livros inesquecíveis

“Tudo no mundo começou com um sim.” – A Hora da Estrela, de Clarice Lispector

“Chamem-me simplesmente Ismael. Aqui há uns anos não me peçam para ser mais preciso —, tendo-me dado conta de que o meu porta-moedas estava quase vazio, decidi voltar a navegar, ou seja, aventurar-me de novo pelas vastas planícies líquidas do Mundo. Achei que nada haveria de melhor para desopilar, quer dizer, para vencer a tristeza e regularizar a circulação sanguínea. Algumas pessoas, quando atacadas de melancolia, suicidam-se de qualquer maneira. Catão, por exemplo, lançou-se sobre a própria espada. Eu instalo-me tranquilamente num barco.” – Moby Dick, de Herman Melville

“Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser — se viu —; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão: determinaram — era o demo.” – Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa

“Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou para conhecer o gelo.” – Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez

“Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita. Será que teve uma precursora? Sim, de fato teve. Na verdade, talvez jamais teria existido uma Lolita se, em certo verão, eu não houvesse amado uma menina primordial.” – Lolita, de Nabokov

Conheça as melhores frases de abertura de livros
Foto: Freepik

“Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu.” – Dom Casmurro, de Machado de Assis

“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.” – A Metamorfose, de Franz Kafka

“Serei eu o herói da minha própria história ou qualquer outro tomará esse lugar?” – David Copperfield, de Charles Dickens

“Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” – O Ateneu, de Raul Pompeia

“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.” – Anna Kariênina, de Tolstói

“Num buraco do chão vivia um hobbit. Não se tratava de um buraco úmido, sujo e desagradável, cheio de restos de vermes e com um cheiro repugnante, nem tão-pouco de um buraco arenoso, nu e seco, sem nada para uma criatura se sentar ou em que comer: era um buraco de hobbit e isso significa conforto.” – O Hobbit, de J. R. R. Tolkien

“Mrs. Dalloway disse que ela mesma iria comprar as flores.” –
Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf

E você, quais frases de abertura de livros você mais gosta? Conta pra gente nos comentários!

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Resenha

Resenha: O Assassino Cego – Margaret Atwood

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

O livro O Assassino Cego, de Margaret Atwood, é uma das melhores leituras que eu fiz nos últimos tempos, sem dúvida. Já entrou para a lista dos favoritos e não consigo deixar de pensar na história, nos personagens e nessa trama tão densa, intrigante e delicada. Não é somente com O Conto da Aia que a autora canadense impressiona. O livro de 2001 – sem nenhuma reedição até o momento – é uma excelência.

Vamos à sinopse:

“Assombrada, aos nove anos, pela imagem da mãe, que no leito de morte lhe pede que tome conta da irmã menor, aos dezoito anos Iris Chase Griffen é literalmente vendida a um industrial. Já idosa, Iris divaga a respeito desses eventos e dos momentos que sucederam o suicídio da irmã Laura. Precisa em sua crítica social, a autora expõe nesse romance a maneira pela qual as mulheres são usadas pelos homens e como o poder concedido pela riqueza pode ser utilizado como arma mortal.”

Optei por essa sinopse porque tem uma outra que CONTA PRATICAMENTE O FINAL do livro, então melhor explicar resumidamente para não dar nenhum spoiler (aliás, o que acontece com algumas sinopses por aí, não é mesmo? Como podem dar detalhes cruciais da obra?).

O Assassino Cego é uma prosa que nos deixa inebriados e sem fôlego. Intercalando diversas vozes, adentramos na vida das irmãs Íris e Laura, garotas que desde a infância são atormentadas por problemas familiares e um certo tipo de abandono. Logo no início já sabemos que Laura, a irmã mais nova, comete suicídio e deixa para Íris algumas lembranças, que vão desencadear toda a trama.

O livro intercala notícias de jornais, trechos do aclamado livro póstumo O Assassino Cego – de autoria de Laura – e lembranças de Íris, que com 83 anos e sofrendo de problemas de saúde, escreve detalhes de seu passado em um diário.

“Eles mal olharam para mim. Devem ter me achado uma coisa pitoresca, mas suponho que o nosso destino seja o de nos tornarmos algo pitoresco aos olhos dos mais jovens. A menos que haja sangue no chão, é claro. Guerra, peste, crime, qualquer tipo de calamidade ou violência, é isso que eles respeitam. Sangue quer dizer que fomos sérios.”

p. 48

O livro O Assassino Cego fez Laura ser uma escritora famosa e aclamada após sua morte, já que nunca foi reconhecida em vida. Iris vive na cidade de Port Ticonderoga, em que passou toda a juventude – e sempre passeia pelo cemitério da família Chase, a fim de revisitar o passado de seus familiares. Lá, em diversos momentos encontra fãs de Laura que deixam flores e lembranças no túmulo; isso faz Íris lembrar ainda mais com saudade da irmã, que foi uma mulher sensível, excêntrica e com uma personalidade curiosa.

Eu não consigo descrever o quanto esse livro é arrebatador. Conforme avançava na leitura, mais triste e melancólica eu me sentia, mas mesmo assim não conseguia parar de ler. A história das irmãs Chase envolve tantos tipos de abusos que fica difícil não chorar, se emocionar e se sentir desolada. Não estou exagerando, em diversos momentos rolaram lágrimas.

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Íris relata os principais acontecimentos que fizeram a história de quatro gerações dos Chase: da ascensão social, conquistada com a fábrica de botão fundada pelo avô Benjamin em 1870, até o seu casamento por interesse em 1935, com o rico industrial Richard Griffen. Não é um casamento por interesse de Íris, mas de seu pai, que estava à beira da falência e tentou encontrar uma solução para que as filhas perseverassem. No período pré Segunda Guerra, as moças não tinham muito futuro além de depender de um casamento arranjado com um homem rico. Mas o mais absurdo é que Richard já tinha 35 anos, enquanto Íris acabava de fazer 18.

Esse casamento comprometeu a felicidade das duas irmãs. No livro, Íris divaga a respeito desses eventos, fazendo uma retrospectiva de vida, e dos momentos que sucederam ao suicídio de Laura. Cada palavra parece perfurar, tamanho poder de observação de Margaret Atwood. A autora é capaz de transformar detalhes em metáforas incríveis, repletas de sarcasmo e crítica social.

“Que invenções elas são, as mães. Espantalhos, bonecos de cera para espetarmos agulhas, diagramas toscos. Nós lhes negamos uma existência independente, nós as inventamos para satisfazer nossos caprichos – nossas necessidades, nossos desejos, nossas fraquezas. Agora que também fui mãe, eu sei.”

p. 98

Vale ressaltar que adoro dramas familiares. Mas essa obra não é somente sobre uma família e suas gerações, mas sobre luto, perda, solidão, lembranças, saudade. Uma comunidade devastada por guerras e opressão, mulheres tentando sobreviver a um pandemônio, em que são trocadas e vendidas como se fossem mercadorias.

Por sorte, eu ganhei o livro de presente de Natal do meu marido, porque o preço dele está acima da média. Por não ter nenhuma versão recente, virou quase uma relíquia. Então, infelizmente você vai ter que desembolsar uma graninha ou encontrar em algum sebo a edição antiga da Rocco.

“Por que será que queremos tanto celebrar a nossa memória? Mesmo enquanto ainda estamos vivos. Queremos afirmar nossa existência, como cachorros mijando em hidrantes. Exibimos nossos retratos emoldurados, nossos diplomas em papel vegetal, nossas taças prateadas; bordamos nossos monogramas nos lençóis, gravamos nossos nomes em árvores, ou os rabiscamos nas paredes dos banheiros. É sempre o mesmo impulso. O que esperamos conseguir com isso? Aplauso, inveja, respeito? Ou simplesmente atenção, seja de que tipo for?

No mínimo, queremos uma testemunha. Não podemos suportar a ideia de as nossas próprias vozes silenciando finalmente, como um rádio sem bateria.”

p. 100
Resenha: O Assassino Cego - Margaret Atwood
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

“A única forma de escrever a verdade é supor que o que você colocar no papel jamais será lido. Nem por outra pessoa nem por você mesma mais tarde. Senão você começa a se desculpar. Você tem de ver as palavras emergindo como um longo arabesco de tinta do dedo indicador da sua mão direita; e ver a sua mão esquerda apagando-o.

Impossível, é claro.”

p. 271

Outro elemento que deixou a obra de Atwood ainda melhor: o final é recheado de reviravoltas e faz o leitor pensar “como eu não percebi isso antes?”. Em alguns momentos eu supus o que estava acontecendo, mas ainda assim, nas últimas páginas, você pode se chocar com os fatos que, finalmente, são colocados em seus devidos lugares.

“Tempo: frio e velho tempo, velhas dores, depositando-se em camadas como lodo no fundo de um lago.”

p. 286

Ler O Assassino Cego é como ser levado pelas ondas. Você é arrastado para dentro de uma história bela, primorosa, mas com tantos percalços, tristezas e acontecimentos marcantes, que fica difícil se desvencilhar e encontrar terra firme.

Eu fiquei realmente impressionada e recomendo que você comece ler agora mesmo!

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Resenha: O Assassino Cego - Margaret AtwoodTítulo original: The Blind Assassin
Autora: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Número de páginas: 496
Ano: 2001
Gênero: Literatura Estrangeira
Nota: *****

Resenha

Resenha: Um Quarto com Vista – E.M. Forster

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Comecei a leitura de Um Quarto com Vista, de E.M. Forster, após me interessar pela minissérie Howards End, também baseado em uma obra homônima do autor. Como achei os personagens bem diferentes e inusitados para o contexto da época, aproveitei que esse livro estava disponível no Kindle Unlimited e fui conferir o estilo do escritor britânico.

Um Quarto com Vista é dividido em duas partes: a primeira passa-se em Florença, na Itália, a segunda em Windy Corner, um bairro no interior da Inglaterra. A sinopse é bem simples:

“Lucy Honeychurch, moça ingênua e recatada, representante de uma aristocracia rural ‘impura’, filha de um advogado que construiu uma casa no campo, irá realizar um casamento de interesse com Cecyl Vyse, membro da aristocracia urbana londrina, que conheceu na Itália. Mas sua viagem acabará mudando de modo radical sua concepção de mundo e de si mesma.”

Na verdade, a sinopse oficial conta muito mais, mas achei que essa parte sintetiza melhor a obra como um todo. O livro tenta comparar a insuficiente “vida inglesa” com a beleza mítica da Itália, principalmente pelas descrições de Florença. A primeira parte é toda sobre uma pequena viagem de Lucy à cidade italiana com sua prima e dama de companhia Catherine Bartlett. Na pensão em que se hospeda, a garota se revolta (chamo de garota porque não sei exatamente sua idade, mas todos a tratam como alguém bem jovem) porque seu quarto não tem uma vista agradável, como havia reservado previamente com a dona da pensão.

A partir de sua indignação, ela conhece outros hóspedes – todos britânicos – que a acompanham em alguns momentos da viagem. Basicamente a primeira parte é somente Lucy andando por Florença ao lado de outros personagens BEM irritantes, diga-se de passagem. Dois párocos: Sr. Beebe e Sr. Eager; um senhor e seu filho – os Emersons, pai e filho, que todos consideram ‘mau educados’; Eleanor Lavish, uma mulher arrogante metida a escritora e outros personagens pouco importantes.

Lucy é uma garota mimada, bastante ingênua, quase infantil, bem dependente da prima Charlotte. Na primeira parte do livro, são poucos os acontecimentos; basicamente temos Lucy turistando pela cidade. Nessas caminhadas por Florença, surge um controverso e leve interesse de Lucy por George Emerson – um homem recatado, misterioso, mas de boa índole. Há algumas cenas em que os dois trocam algumas palavras e, em uma determinada viagem feita em grupo, os dois se aproximam com mais intensidade.

Resenha: Um Quarto com Vista - E.M. Forster
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

No entanto, antes de começar a comentar sobre a segunda parte da obra, já ressalto que essa não foi uma leitura muito prazerosa. Tive interesse em continuar – esperando algum grande acontecimento, reviravolta ou até mesmo mais profundidade em alguns temas que o autor toca de vez em quando – mas não me cativou. Os personagens não têm carisma, o ritmo da narrativa é lento e as discussões a respeito da diferença de classes na Inglaterra do começo do século XX não foram tão entusiasmantes.

Claro que E.M. Forster traz uma ironia sutil nas descrições dos personagens da pensão – é praticamente um retrato da hipocrisia inglesa, em contraste com o povo florentino, considerado mais passional. No entanto, nada que não tenha sido expresso em obras como Orgulho e Preconceito, Mrs. Dalloway ou O Amante de Lady Chatterley.

Porém, como indica o prefácio de Luiz Ruffato, “a força de Forster o leitor deve buscar não na técnica novelística mas no radicalismo de suas posições políticas, fruto talvez de sua identificação com o grupo de Bloomsbury, do qual fazia parte”. Ou seja: a narrativa em si não é o grande triunfo de Forster, mas suas críticas e ideais.

Agora vamos à segunda parte da trama: Lucy voltou para casa em Windy Corner e está noiva de Cecyl Vyse, aristocrata que conheceu durante uma viagem à Roma (logo após os passeios por Florença). O homem parece ser o símbolo da virilidade, mas nem um beijo na “amada” teve coragem de dar. Cecyl é o tipo de homem que adora falar sobre si e demonstrar o quanto sabe discutir diversos assuntos – política, economia, e até mesmo fofocas sobre o povo local – mas, na verdade, é um verdadeiro “chato”, como a própria Lucy pontua em um certo momento do livro.

“Cecil de novo. Ele não ousa permitir que uma mulher decida por si mesma. É do tipo que atrasou um milênio o destino da Europa. Durante a vida toda, ele procurará formá-la, dizer-lhe o que é encantador, divertido ou elegante, dizer-lhe o que um homem pensa em termos femininos; e a senhorita, a senhorita, de todas as mulheres, dá ouvidos a ele em vez de ouvir a própria voz.”

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Porém, casamentos naquela época eram apenas pelo status social: nem sabemos ao certo se Lucy realmente gosta de Cecyl, ou se aceitou a proposta de casamento apenas porque foi levada a isso. A influência da família era gigante – principalmente com moças jovens e que buscavam certo prestígio na sociedade.

Ainda no começo da parte 2, Lucy continua agindo com ingenuidade e lutando contra si mesma. Dá vontade de dar um chacoalhão na moça e gritar ‘ACORDA PRA VIDA!’, hahaha. Mas essa sensação de espera, de nervosismo, de tensão na narrativa é um dos pontos altos do autor. Nunca sabemos o que virá em seguida ou o que esperar dos personagens.

Segundo o texto de apoio de Ruffato, “Lucy representa a luta da mulher contra a sujeição social, o convencionalismo e a mentalidade retrógrada. E, se [Forster] demonstra, como romancista, um perfeito equilíbrio na caracterização dos personagens — mesmo a Cecil dedica alguma compreensão —, é porque sabe que “a vida é fácil de narrar, mas espantosa de se praticar”.

Mesmo que a parte 1 seja um tanto enfadonha, a parte 2 resgata o interesse do leitor. A evolução – e revelação – de Lucy, a aproximação de George e a revolta crescente com Cecil criam um novo laço de empatia; as personagens parecem mais soltas, mais vivas do que na parte 1, em que a narrativa parece progredir lentamente e sem entusiasmo. U

“Ela refletia que era impossível predizer o futuro com qualquer grau de exatidão, que é impossível ensaiar a vida. Uma falha no cenário, um rosto na platéia, uma irrupção da audiência no palco, e todos nossos gestos cuidadosamente planejados mais nada significam, ou significam coisas demais.”

O autor E.M. Forster fazia parte da classe média alta inglesa, estudou em Cambridge, morou vários anos na Itália, Grécia, Alemanha e Índia, aprofundando sua visão de mundo humanista liberal contrária à moral vitoriana da sociedade britânica: conservadora, tradicionalista, preconceituosa. Essa mesma visão de mundo faz do título do livro uma metáfora: um quarto com vista, isto é, a possibilidade de ver além.

Portanto, apesar de não ter sido tão cativante quanto eu gostaria, Um Quarto com Vista é uma obra que traz diferentes pontos de vista dos mais diversos personagens. A evolução moral e social de Lucy, George e até mesmo Cecil faz do livro uma boa alternativa para discutir as nuances e camadas da estratificação social no início do século XX.

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Resenha: Um Quarto com Vista - E.M. ForsterTítulo original: A Room With a View
Autor: E.M. Forster
Editora: Globo
Número de páginas: 286
Ano: 2006
Gênero: Literatura Estrangeira
Nota: ***

Resenha

Resenha: As Virgens Suicidas – Jeffrey Eugenides

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

As Virgens Suicidas foi um daqueles casos em que assisti ao filme primeiro. Porém, como vi o filme de Sofia Coppola há alguns anos, resolvi começar o livro do autor Jeffrey Eugenides agora, depois de “esquecer” a história. E o resultado é gratificante: essa obra da literatura norte-americana contemporânea é fantástica!

Não vou dizer que foi uma leitura rápida e prazerosa. Não porque o livro é ruim – longe disso – mas porque a carga emocional da história é grande. O título já deixa bem claro o que acontece no livro: um grupo de meninas de uma pequena cidade norte-americana se suicida. Elas são todas irmãs e, por conta da repressão dos pais, acabam tirando a própria vida. Isso já é contado desde o comecinho do livro, portanto, não é um spoiler!

A história das irmãs Lisbon é contada pelo ponto de vista de vários garotos, que são vizinhos das meninas. O interessante mesmo é o papel do narrador no livro de Eugenides: não sabemos exatamente qual dos garotos que narra ou quem ele é, ou seja, o narrador é um coro, diversas vozes narrativas englobadas em uma só.

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A mãe das garotas era muito rígida, religiosa e superprotetora. O pai, o Sr. Lisbon, é professor de matemática e segue as regras impostas pela Sra. Lisbon. Isso significa que as meninas praticamente não saem de casa, não se relacionam com pessoas que a mãe não autoriza, não podem usar as roupas que têm vontade e, principalmente, são privadas de uma juventude cheia de descobertas.

O tom do livro é melancólico e ao mesmo tempo, recheado de lirismo. O autor consegue conduzir a narrativa de uma maneira suave, mesmo tratando de um tema tão pesado. As Virgens Suicidas é um deleite: cada vez mais queremos conhecer a vida das garotas Lisbon, entender a obsessão dos garotos por elas e, principalmente, entender por que aquelas meninas se suicidaram.

Além da história de cada garota, também somos apresentados a personagens que faziam parte do subúrbio em que a família Lisbon morava. Conhecemos garotos que se relacionaram com as meninas; vizinhos que ficaram mortificados com a história da família; durante a história conferimos relatos de professores, policiais, psicólogos e diferentes pessoas que viveram durante o período do suicídio; entre tantos outros personagens secundários que dão sustância à história.

Resenha: As Virgens Suicidas - Jeffrey Eugenides
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Apesar de a sensação de tristeza constante – eu me sentia bem mal durante algumas partes do livro – As Virgens Suicidas é um livro complexo e também bem importante. Não apenas vemos as garotas Lisbon pelo ponto de vista de garotos, mas também acompanhamos uma parte essencial da história norte-americana na década de 70. É um livro fenomenal e pode ter certeza que serão 232 páginas que marcarão um pedacinho da sua vida.

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Resenha: As Virgens Suicidas - Jeffrey EugenidesTítulo original: The Virgin Suicides
Autor: Jeffrey Eugenides
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 232
Ano: 2013
Gênero: Literatura Estrangeira/Romance
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela

Resenha

Resenha: Na Natureza Selvagem – Jon Krakauer

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Já resenhei esse livro na rua para tantas pessoas que me sinto sendo repetitiva ao falar dele aqui no blog. Mas Na Natureza Selvagem é assim: gera interesse em todo mundo. Pouco importa se você concorda ou não com a visão de mundo de Chris McCandless. Uma coisa é certa: você, provavelmente, vai querer saber mais e mais sobre ele.

Meu primeiro contato com a história de Chris foi através do filme Na Natureza Selvagem. Sei que a ideia não é falar sobre filmes por aqui, mas vale um parêntese: assistam hoje mesmo! Que filme sensível e emocionante! Aquela história ficou na minha mente por dias e, aquelas 2h30 de filme não foram suficientes para mim.

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Fui atrás e descobri que o famoso jornalista Jon Krakauer (Autor do sucesso No Ar Rarefeito) havia escrito uma biografia póstuma sobre McCandless. Demorei um tempo até começar a ler Na Natureza Selvagem e, acreditem, foi bastante penoso.

Como herança do jornalismo, o texto de Jon mostra diversas “facetas” dos fatos, entrevista fontes, descreve minuciosamente as paisagens. E isso torna o livro extremamente rico em detalhes, apesar das poucas páginas. Inclusive, o autor arrisca em abordar questões intrínsecas à Chris McCandless que possam tê-lo levado a se aventurar na natureza selvagem.

O importante é que, apesar do clichê, ele precisou estar perdido para se encontrar. Em uma das passagens do livro, o autor explica o pano de fundo da famosa frase “Felicidade só é real quando compartilhada” (p. 197).

Resenha: Na Natureza Selvagem - Jon Krakauer
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Durante o período de afastamento social, Chris McCandless tornou-se Alexander Supertramp, “senhor de seu próprio destino” (p.34), e deixou anotações – como um diário – esparsas nos livros que levou consigo para a viagem.

O autor, Jon Krakauer, é alpinista e carrega um grande bagagem sobre escaladas e aventuras, por isso, muitas vezes, acaba envolvido demais com a história e apela para o lado emocional. Em certo momento do livro, ele acaba citando algumas de suas histórias e de outros nômades que, por algum motivo, acabaram se embrenhando pela mata. Porém, é nesse ponto que Na Natureza Selvagem torna-se lento.

Para a produção de Na Natureza Selvagem, Jon praticamente refaz o caminho do garoto e, inclusive, entrevista pessoas que tiveram contato com McCandless. É aflitivo ler sobre as dificuldades que Cris passou, os erros que cometeu, o julgamento dos nativos, os problemas familiares… E tudo isso é exposto de forma bem clara na narrativa. Um livro reportagem bem completo, aliás.

Trilha sonora de Na Natureza Selvagem

 – A soundtrack do filme foi produzida inteiramente por Eddie Vedder (Pearl Jam):

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Resenha: Na Natureza Selvagem - Jon Krakauer

Título original: Into the Wild
Autor: John Krakauer
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 213
Ano: 1998
Gênero: Biografia
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia