Resenha: A Mecânica do Coração – Mathias Malzieu

Um dos casos em que assisti o filme primeiro e depois li o livro. Na verdade, fiquei SUPERFELIZ quando “descobri” que Jack e a Mecânica do Coração era baseado em um livro. E foi difícil de encontrar: não tinha disponível em lugar NENHUM, haha! Mas a espera valeu demais!

Resenha: A Mecânica do Coração - Mathias Malzieu

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Logo nas primeiras páginas, o livro me ganhou! A ambientação que Mathias faz de Edimburgo, na Escócia, é uma das melhores que já li na vida. E não por ser muito detalhista, mas por ser superpoética! Maravilhosa mesmo.

Aliás, o livro inteiro tem uma pegada lírica e encantadora. A escrita de Mathias me surpreendeu muito positivamente. Segundo o jornal britânico The Guardian, “a prosa gótica-punk de Malzieu se destaca… repleta de metáforas impressionantes”.

E é verdade: em diversas passagens do livro, o autor utiliza essa figura de linguagem para nos fazer refletir:

– Seu coração não passa de uma prótese, é mais frágil que um coração normal e será sempre assim. As emoções não são tão bem filtradas pelos mecanismos do relógio quando seriam pelas tecidos. Você realmente precisa ser muito cauteloso. O que aconteceu na cidade quando você viu aquela pequena cantora confirma o que eu temia: o amor é perigosíssimo para você. (p. 31)

A Mecânica do Coração conta a história de Jack, um garoto que nasceu “na noite mais fria do mundo”. Como a mãe biológica não pode criá-lo, o bebê acabou ficando sob os cuidados da parteira, Madelaine.

Em seus primeiros momentos de vida, graças ao frio, o coração de Jack para e tem que ser substituído às pressas por um relógio. Pela fragilidade do objeto, Jack fica proibido de sentir qualquer tipo de emoção forte, seja raiva, amor, alegria, frustração, medo etc.

Em primeiro lugar, não toque nos seus ponteiros. Em segundo lugar, controle sua raiva. Em terceiro, nunca, mas nunquinha mesmo, se apaixone. Pois, nesse caso, o grande ponteiro das horas transpassará para sempre pele no relógio de seu coração, seus ossos implodirão, e a mecânica do coração voltará a emperrar. (p. 34)

Os anos passam e tudo corre bem, até que Jack conhece a cantora e dançarina Miss Acácia. É a partir daí que o garoto conhece a emoção mais quente do mundo: “Eu me apaixono imperceptivelmente. Perceptivelmente também. No bojo do meu relógio, é o dia mais quente do mundo.” (p. 31).

Resenha: A Mecânica do Coração - Mathias Malzieu

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A partir daí, a trama ganha ares de aventura, ao mesmo tempo que se torna cada vez mais sombria. Os encontros e desencontros da vida fazem com que a mecânica do coração de Jack seja testada a cada página. Em diversos momentos, é possível se identificar com o personagem principal, afinal, quem nunca tentou proteger o próprio coração para evitar qualquer tipo de dor e tristeza?

– Justamente, o medo de se machucar só aumenta as chances de você se machucar. (p. 70)

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Como acompanhamos a vida de Jack durante os anos de sua puberdade, muitas vezes, acabamos percebendo certos traços na personalidade do garoto que acabam surgindo ou desaparecendo, fazendo com que em poucas páginas, o leitor tenha compaixão por ele para, pouco depois, passar a odiá-lo.

– Será que posso voltar o curso do tempo invertendo o sentido dos meus ponteiros?

– Não, vai forçar suas engrenagens e sentir uma dor do capeta. Mas nada é capaz disso. É impossível retroceder no tempo até os nossos atos passados, mesmo com um relógio no coração. (p. 54)

Apesar de parecer, A Mecânica do Coração não é um livro infantil. Ele é cheio de meandros, metáforas, reflexões sobre vida e amor, além de ser cheio de lascívia.

Resenha: A Mecânica do Coração - Mathias Malzieu

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Você sabia dos riscos de entregar as chaves do seu coração a uma faísca, garoto!

– Quero que você me enxerte um coração novo e ponha o contador a zero. Nunca mais quero me apaixonar na vida. (p. 159)

No final das contas, nosso coração não é assim tão diferente do coração-de-relógio de Jack. “Respondo-lhe que a mecânica do coração não pode funcionar sem emoções, mas não me aventuro adiante nesse terreno movediço” (p. 103). Um livro surpreendente, de linguagem fácil e fortes emoções.

Confira o trailer da animação:

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Resenha: A Mecânica do Coração - Mathias Malzieu Título original: La Mécanique du coeur
Autora: Mathias Malzieu
Editora: Record
Número de páginas: 192
Ano: 2011
Gênero: Romance
Nota: 


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Escrito por:

Melissa Marques


Resenha: Em Águas Sombrias – Paula Hawkins

Quando comecei a ler Em Águas Sombrias, tive uma esperança de que a autora Paula Hawkins faria um trabalho superior ao de A Garota no Trem. Apesar de não achar o melhor livro da vida, eu até gostei de ler o bestseller que virou filme com a Emily Blunt, então me empolguei para ler o lançamentoSinto dizer que o livro não me agradou.

Mas, vamos aos motivos! Eu sou superfã de suspense e histórias de mistério. Adoro tudo que envolve esse universo: detetives, pistas sobre homicídios, personagens obscuros, tentar adivinhar o que aconteceu… Mas esse livro não cria aquele ar divertido e nem um clima de tensão. São vários personagens que vivem em Beckford, uma pequena cidade na Inglaterra, tentando entender supostos suicídios de mulheres que morreram afogadas. O rio é um personagem importante na história, pois é ao redor dele que se seguem todas as subtramas.

Resenha: Em Águas Sombrias - Paula Hawkins

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Cada capítulo é narrado por um personagem diferente, então são vários pontos de vista sobre o mesmo assunto. Até aí achei uma boa escolha, porque conseguimos entender um pouquinho do que aconteceu naquela cidade pelos olhos de pessoas com personalidades bem distintas. Tudo gira em torno da morte de Nel Abbot, uma mulher atraente que estava escrevendo um livro sobre as mulheres que morreram afogadas no rio. Sua morte altera a vida de muitas pessoas em Beckford: de sua filha Lena, sua irmã Jules, o policial Sean, a policial forasteira Erin, funcionários da escola, a família de uma garota que se suicidou, entre tantos outros personagens.

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Um dos problemas é que não tem como criar empatia por ninguém. Você passa cada página querendo dar um soco na cara de cada um dos personagens. No máximo dá para entender um pouco a Jules, uma moça que tem um passado traumático e tenta lidar com a morte da irmã. Fora isso… Não sei se esse era o objetivo da autora, mas odiar os personagens é bem irritante: não dá vontade de continuar a leitura.

O motivo dos assassinatos, quem matou quem, também é óbvio desde a metade. Quem está acostumado com histórias de mistério consegue descobrir bem rápido. Outro ponto crucial: o livro enrola demais, dava para cortar pelo menos umas 50 páginas, sem dó. Quase no fim é que a trama finalmente começa a se desenrolar e os pontos a se unirem. Cansa demais!

Mas o que mais me tirou do sério mesmo foram os melodramas e a personagem central da história: a Lena. Que menina INSUPORTÁVEL. Logo no começo, na primeira página, Paula Hawkins dedica o livro “para todas as encrenqueiras”. Muitas mulheres do livro são encrenqueiras, realmente, principalmente as protagonistas. Porém, rola um exagero. Elas não são apenas encrenqueiras: são egoístas, grosseiras, chatas e insensíveis. O que parece “coragem”, na verdade é narcisismo. A autora até tenta colocar uns traços de feminismo e lições de moral no livro, mas não funciona. É muito mal encaixado.

Resenha: Em Águas Sombrias - Paula Hawkins

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

A amizade entre Lena e Katie é tão forçada que dá até nervoso de ler. Aliás, os relacionamentos interpessoais aqui não funcionam de maneira nenhuma. É um livro desconexo, com uma história pobre. Para ser bem sincera, em certos momentos achei Em Águas Sombrias brega. Alguns diálogos e reflexões dos personagens me deixaram com vergonha.

Parece que o que Paula Hawkins conquistou com A Garota no Trem, ela errou muito feio com Em Águas Sombrias. Fico triste, porque realmente tentei gostar desse livro. O final também não surpreende, é bem vazio. Porém, pode funcionar para quem é fã da autora ou que curta histórias dramáticas com vários personagens “encrenqueiros”.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora

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Resenha: Em Águas Sombrias - Paula HawkinsTítulo original: Into The Water
Autora: Paula Hawkins
Editora: Record
Número de páginas: 364
Ano: 2017
Gênero: Policial/Suspense
Nota:


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Escrito por:

Isabela Zamboni