Resenha

Resenha: Frankenstein – Mary Shelley

Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Sempre tive vontade de ler Frankenstein, Drácula e afins. Aos 13 anos li O Médico e o Monstro, mas na época não continuei os romances góticos do século XIX. Misturando terror e suspense com alegorias e referências ao subconscienteà Revolução Industrial e ao advento da ciência, esse tipo de literatura é riquíssima. Ao mesmo tempo em que te prende em uma narrativa que flui, também intercala com reflexões e pensamentos que não são exclusivos daquela época e são válidos até hoje.

Optei pelo Frankenstein porque conhecia a história bem por cima, sem muitos detalhes da obra original. Assistir à série Penny Dreadful me incentivou ainda mais, porque o Victor Frankenstein e a “criatura” da série são personagens interessantes.

Quando terminei de ler, a princípio Frankenstein me pareceu um excelente livro, uma história fechadinha e bem finalizada. No entanto, parando para pensar a respeito, é um livro tão recheado de alegorias que fica complicado classificá-lo como apenas uma história de um cientista que deu vida à uma criatura destruidora.

A história é bem conhecida: Victor Frankenstein é um cientista ambicioso que almeja sucesso na profissão e tem uma sede eterna pelo saber. Sempre instigado a entender a origem da vida e os mistérios da morte, resolve dar vida à sua própria criação, com o objetivo de mostrar seu potencial no meio científico.

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Ele acredita ser capaz de criar um ser humano, como se moldasse um boneco de argila. Mas depois que a criatura ganha vida e torna-se tenebrosa, ele imediatamente se arrepende e a abandona, fugindo para longe e tentando viver como se aquilo nunca tivesse acontecido. Com o tempo, a criatura volta em busca de Frankenstein e, claro, de respostas; basicamente tentando entender por qual motivo os humanos o rejeitam tanto, sempre pedindo ajuda para diminuir seu sofrimento.

Resenha: Frankenstein - Mary Shelley
Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

O mais interessante é que a criatura é digna de pena. Inicialmente, um capricho equivocado de Frankenstein, um “demônio” como ele mesmo o intitula; um ser deformado, gigantesco, de voz rouca e rosto assustador. Porém, ele só deseja ser aceito e amado, como qualquer outro humano. Quer se integrar na sociedade, viver uma vida normal, andar em locais públicos sem ser massacrado, ganhar o reconhecimento de seu criador. E tudo isso lhe é negado; Frankenstein o rejeita totalmente, morrendo de medo de sua própria criação e sentindo remorso todos os dias pela sua falha.

Ao mesmo tempo em que o objetivo da autora Mary Shelley era vencer um concurso de história de terror mais assustadora, ela conseguiu unir o sentimento aterrorizante à crítica do indivíduo que tem medo de sua própria criação. Frankenstein e a criatura não são mais do que duas partes do mesmo ser. Um, movido pelo medo, ceticismo e frieza. O outro, a externalização dos sentimentos, a emoção. E as emoções fortes não são inerentes do humano, mas sim da criatura.

O livro é angustiante. Dá para sentir na pele o nervosismo, o medo, a ansiedade do arrependido cientista. Acompanhamos sua trajetória desde a infância, até sua derrocada, quando está enfermo e cego pela vingança. O monstro é incrivelmente inteligente e amável, mas de tanto ser rejeitado e escorraçado, se transforma verdadeiramente em um demônio.

A história é contada por meio de diários e cartas, como era de costume daquela época – o que não deixa de ser uma leitura envolvente. Com poucas páginas, é rapidinho de ler e apresenta passagens memoráveis, como esta:

“Repousamos – um sonho tem o poder de envenenar o sono.
Acordamos – um pensamento fugidio conspurca o dia.
Sentindo, imaginando, ou raciocinando, rindo ou chorando, aceitamos a mágoa, ou repelimos nossas preocupações.
Mas tudo permanece no mesmo: pois alegre ou triste,
O caminho da partida ainda fica livre.
O ontem do homem talvez jamais seja como o seu amanhã:
Nada perdura, a não ser a instabilidade.

Quem ainda tem aquela ideia do monstro verde criado em uma noite de tempestade pode deixar essa concepção de lado; Frankenstein vai muito além disso. Outro erro comum é chamar a criatura de Frankenstein, sendo que o nome é de seu criador.

E aí, vai encarar a leitura?

LEIA TAMBÉM

Resenha: Frankenstein - Mary ShelleyTítulo original: Frankenstein
Autor: Mary Shelley
Editora: Edipro
Número de páginas: 224
Ano: 2017
Gênero: Terror
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela

Listas

Livros da Era Vitoriana que você precisa conhecer

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Sempre fui apaixonada por tudo que envolve a Era Vitoriana. A literatura inglesa é um dos meus maiores fascínios e claro que os livros da Era Vitoriana estão sempre na minha lista de favoritos! Mas você sabe quais são os livros da Era Vitoriana e seus principais autores? Dei uma bela pesquisada e também coloquei algumas sugestões de livros desse período para quem curte esse estilo literário. Confira:

Características da Era Vitoriana na literatura

Antes de sugerir os livros, é sempre bom entender o contexto em que os autores estavam inseridos. A Era Vitoriana (1837-1901) foi de grande importância na história inglesa – foi marcada por grande efervescência política e intelectual, além das conquistas coloniais. Na Era Vitoriana, a Inglaterra tornou-se um dos países mais ricos e poderosos do mundo. Esse período também foi importante na Literatura: enquanto a poesia dominou o romantismo, na Era Vitoriana o romance ganhou destaque.

Os romances vitorianos geralmente oferecem retratos idealizados de vidas difíceis, nas quais o trabalho duro, a perseverança, o amor e a sorte vencem no final. Existem também grandes contrastes: o país passava por uma euforia de novas tecnologias. A sociedade sofria com o medo da modernização, da alta tecnologia e as mudanças radicais que ela acarretava. Portanto, pode-se dizer que foi uma época de transição: o novo abrindo espaço e enfrentando a resistência de uma sociedade tradicional.

Em grande parte dos romances, há um arco de crescimento das personagens – elas evoluem, melhoram e geralmente há uma lição de moral durante a narrativa. Apesar de essa fórmula ter sido usada muitas vezes, principalmente nos primeiros livros deste período, conforme o século progredia, surgiram algumas transformações no estilo dos escritores.

Charles Dickens (1812-1870) dominou a primeira metade do reino de Vitória: o seu primeiro romance, As Aventuras do Sr. Pickwick, foi publicado em 1836 e o seu último, Our Mutual Friend, entre 1864 e 1865. O romance Feira das Vaidades, de William Thackeray (1811-1863) também foi um marco na Era Vitoriana, assim como as famosas obras das Irmãs Brontë (que eu sou APAIXONADA): Charlotte (1816-55), Emily (1818-48) e Anne (1820-49). 

Livros da Era Vitoriana que você precisa conhecer
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Muitos autores se destacaram nessa época: Thomas Love Peacock, sir Arthur Conan Doyle (nosso amado autor e criador de Sherlock Holmes), Wilkie Collins, Walter Scott, Lewis Carroll e Robert Louis Stevenson.

Mais tarde, em 1872, surgiu o romance Middlemarch de George Eliot (1819-80) e o maior romancista dos últimos anos do reinado de Vitória foi Thomas Hardy (1840-1928) que publicou o seu primeiro romance, Under the Greenwood Tree, em 1872 e o seu último, Jude the Obscure, em 1895.

Outras peças e autores da época incluem adaptações para os palcos do Frankenstein de Mary Shelley e do novo gênero de romances sobre vampiros. E claro que Drácula, de Bram Stoker, também surgiu nessa época (1897).Mais um autor notável foi Oscar Wilde, que além de peças de teatro, escreveu o memorável Retrato de Dorian Gray.

Acho que já deu para perceber quantos livros bons foram publicados na Era Vitoriana e sua importância para a Literatura. Agora vamos às indicações!

Livros da Era Vitoriana que você precisa conhecer

Drácula – Bram Stoker

Não tem como falar de literatura gótica ou Era Vitoriana sem lembrar do clássico Drácula. Aposto que pelo menos alguma adaptação dessa obra você já viu! E claro que o livro é ótimo – apesar de alguns momentos cansativos. Se quiser ler a resenha de Drácula, é só clicar aqui.

Livros da Era Vitoriana que você precisa conhecer
FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

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O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë

Muita gente gosta desse livro, muitos odeiam. Eu sou apaixonada e desde que li pela primeira vez, entrou na minha lista dos favoritos da vida. Esse livro teve um boom há alguns anos por causa da saga Crepúsculo, e pode ter desapontado quem procurava alguma coisa mais ‘fofa’. O Morro é uma história triste, tensa, melancólica e que faz um retrato da época de forma bem pessimista. Claro que sem deixar de lado todo o fator do ‘amor impossível’.

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Jane Eyre – Charlotte Brontë

Outro livro das irmãs Brontë, que foi um dos grandes marcos da literatura vitoriana. Jane é sofrida, mas uma mulher guerreira, que faz de tudo para conseguir se tornar uma pessoa melhor e vencer os contratempos de uma educação rígida. Eu já fiz a resenha desse clássico incrível aqui no blog.

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O Médico e o Monstro – Robert Louis Stevenson

Dr. Jekyll e Mr. Hyde também já foi adaptado milhares de vezes, o que torna a obra de Stevenson um grande marco na literatura. Apesar de ser um livro bem pequeno, também traz questões bem pertinentes relacionadas ao período histórico, principalmente o medo da tecnologia e o avanço rápido da medicina. Para ler a resenha de O Médico e o Monstro, é só acessar este link.

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Longe Deste Insensato Mundo – Thomas Hardy

Thomas Hardy tem poucas obras traduzidas no Brasil, apesar de ser um autor renomado e de grande importância para a literatura inglesa. Recentemente, foi lançada uma adaptação de Longe Deste Insensato Mundo no cinema, com a ótima Carey Mulligan no papel principal. Um ótimo livro que também faz jus à sua fama!

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Grandes Esperanças – Charles Dickens

Dickens é um dos maiores escritores de todos os tempos e foi durante a Era Vitoriana que se consagrou. Ele foi um dos poucos escritores a ser reconhecido em vida e ganhou bastante prestígio na sociedade. Suas obras são retratos de uma Inglaterra que vivia uma desigualdade como jamais vista – a pobreza e a ascensão social marcam várias obras do autor. Grandes Esperanças é uma ótima opção para quem deseja começar no universo de Dickens. Para ler a resenha desta obra,clique aqui.

Livros da Era Vitoriana que você precisa conhecer
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O Signo dos Quatro – Sir Arthur Conan Doyle

São inúmeras as obras com o detetive Sherlock Holmes, mas O Signo dos Quatro é uma das mais famosas. Para entrar no universo de Sherlock e Watson, é uma boa pedida. Os livros de Conan Doyle são muito tranquilos de ler e trazem uma empolgação sem fim! Sabe aquele tipo de livro que vicia? Pois é! Os livros da Era Vitoriana mais famosos com certeza são os de Sherlock Holmes.

Livros da Era Vitoriana que você precisa conhecer
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Razão e Sensibilidade – Jane Austen

Jane Austen é uma autora consagrada, mas que também só recebeu prestígio anos após sua morte. Mais conhecida por Orgulho e Preconceito, seus escritos são estudados até hoje e remontam a uma Inglaterra dos bons costumes, onde a moral das personagens é sempre questionada. Razão e Sensibilidade é um dos melhores livros da autora e merece ser lido já!

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A Senhora De Wildfell Hall – Anne Brontë

Claro que também devemos citar a terceira irmã Brontë na lista de livros da Era Vitoriana. Apesar de ser menos conhecida do que suas irmãs, suas obras também merecem destaque. A Senhora de Wildfell Hall desafia as convenções sociais do século XIX com uma protagonista forte e à frente de seu tempo, uma mulher empoderadíssima. 

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Claro que se eu fosse listar mais, esse post ficaria maior do que já está! Além das sugestões acima, vale também conhecer aqueles citados anteriormente: Retrato de Dorian Gray, Frankenstein, Middlemarch e etc. E você, gosta desse estilo literário? Quais livros da Era Vitoriana você já leu? Conta pra gente nos comentários!

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Resenha

Resenha: O Médico e o Monstro – Robert Louis Stevenson

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Depois que assisti à série Penny Dreadful – que infelizmente já acabou, e eu AINDA NÃO SUPEREI – fiquei com ainda mais vontade de reler ou conhecer livros voltados para o terror na era vitoriana (que específica!). Foi pensando nisso que resolvi reler O Médico e o Monstro, do autor escocês Robert Louis Stevenson. Eu li quando ainda era adolescente, então não me lembrava de praticamente nada. Mas foi bom ter relido agora e vou contar pra vocês o porquê!

Depois de ler Frankenstein, Drácula, e livros do H.G. Wells, agora foi a vez de conhecer a história do Dr. Jekyll e Mr. Hyde, que já virou referência para diversas de narrativas de terror. Esse estilo de literatura foi gerada pelo crescente desenvolvimento científico no século XIX: é uma reminiscência da literatura gótica (ou de terror) com temas que assombravam as pessoas na era vitoriana. Obras como as já citadas nesse parágrafo exploravam um terror mais moderno e científico, envolvendo tecnologia e aparelhos, como trens, máquinas de escrever e etc. Obras como Drácula, Frankenstein e o Médico e o Monstro estão dentro de uma época específica – entre 1760 e 1820 – em um período que consta como a passagem do neoclassicismo para o romantismo.

Enfim, depois de contextualizar, agora é a hora de falar um pouquinho sobre O Médico e o Monstro. Apesar de eu AMAR esse estilo literário, o livro de Stevenson foi o que menos me agradou. Ele mais parece um conto do que um romance – é bem curtinho, 112 páginas – e realmente trata de um assunto interessante e misterioso.

O estranho Mr. Hyde é um homem abominável e pavoroso, mas que tem “passe livre” para a casa do famoso Dr. Jekyll, um respeitado homem da sociedade. Cabe ao advogado Mr. Utterson desvendar o motivo pelo qual seu amigo Jekyll é amigo de Mr. Hyde, um possível criminoso e ser aterrorizante.

Enfim, é basicamente isso. Por ser uma história bem conhecida, você já começa a leitura sabendo do final, mas, fora isso, é uma boa experiência, porém, sem nada de muito empolgante.

Resenha: O Médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Adoro a linguagem utilizada por Stevenson, um cavalheirismo absurdo, típico do Reino Unido. As descrições são poucas, porém precisas, e a narrativa flui muito bem. O ponto alto do livro é o final, com duas cartas (outro elemento comum nesse estilo de literatura) que explicam basicamente tudo o que o Dr. Jekyll estava passando, assim como suas descobertas científicas.

Aqui encontramos um embate psicológico do personagem, que tenta justificar seus erros afirmando que finalmente ele se sentia livre das amarras da sociedade e da sua personalidade corretíssima. É uma reflexão pontual e interessante, trazendo muito valor à obra. Porém, como já comentei, nada muito tocante.

Claro que precisamos levar em consideração que não vivemos mais naquela época de medo e incertezas – ou vivemos ainda? –  por isso o contexto pode não trazer tanta familiaridade. No entanto, esse livro é, sim, muito bom, mas que pode passar batido em relação a outros tão melhores, como é o caso de Frankenstein. Por isso, a obra de Stevenson deve ser lida e contemplada, mas, pelo gosto pessoal, foi um livro que não me tirou do lugar-comum.

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LEIA TAMBÉM

Resenha: O Médico e o Monstro - Robert Louis StevensonTítulo original: Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde
Autor: Robert Louis Stevenson
EditoraL&PM Pocket
Número de páginas: 112
Ano: 2002
Gênero: Terror
NotaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia

Resenha

Resenha: Grandes Esperanças – Charles Dickens

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Provavelmente você já ouviu falar de David Copperfield, Oliver Twist e obviamente, daquela história de Natal dos fantasmas do passado… Um Cântico de Natal. E de Grandes Esperanças? Todas obras do mesmo brilhante autor: Charles Dickens. E se você nunca leu nenhum trabalho dele, pode começar agora!

Nascido em Portsmouth, Inglaterra, Dickens é um dos autores mais importantes da literatura britânica e mundial. Escreveu suas obras durante o período vitoriano, entre 1812 e 1870. Uma curiosidade é que poucos autores se tornaram conhecidos em vida, mas Dickens foi um deles. Fez sua fama em vida, que perdura até hoje, 144 anos após sua morte. Com seu estilo poético, Dickens é leitura obrigatória para os amantes da literatura.

Grandes Esperanças, escrito em 1860, revela uma fase mais madura do autor, que com maestria descreve a vida do personagem Pip (Philip Pirip) em três partes: sua infância penosa; a descoberta da vida adulta; e o desenrolar de suas grandes esperanças.

Grandes Esperanças - Charles Dickens
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Na primeira fase do livro, somos apresentados a um dos personagens mais interessantes da história: Joe, o marido da irmã de Pip. Em um misto de tristeza e companheirismo, Pip é apegado a Joe, ao mesmo tempo em que sente vontade de fugir daquela vida tenebrosa que leva no charco.

Após alguns anos, quando Pip consegue sair de casa com a ajuda de um benfeitor que resolve manter sua identidade em segredo, começa enfrentar as dificuldades da vida em Londres, um novo mundo que nasce à sua volta. E quando finalmente conhece o benfeitor que o tirou daquela vida de pobreza, a vida de Pip se transforma completamente: agora ele precisará lidar com novos problemas, se afastando cada vez mais de seus sonhos e suas grandes esperanças.

Não vou revelar muitas partes da história para não perder a graça. A parte 1 é interessantíssima e faz você querer ler mais e mais. A segunda parte já é um pouco mais complicada, por ser mais descritiva e introspectiva, mostrando minuciosidades da vida do protagonista. Já a terceira parte é quando o livro engata e nos faz sentir uma mistura de raiva e empatia pelo jovem Pip, que acompanhamos desde os sete anos de idade e que agora se encaminha para os 25 anos.

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O mais interessante em Dickens é a linguagem que este utiliza. Longe de uma literatura piegas, ele traz uma abordagem bem diferente das tramas “água com açúcar” dos romances atuais. A sucessão dos acontecimentos não é o mais importante; dificilmente você encontrará sequências de ação. O desenvolvimento do personagem é a principal questão e qualidade de “Grandes Esperanças”. Com um vocabulário bem diversificado (é necessário um dicionário ao lado ou ler o tempo todo as notas de rodapé), a leitura é rica, principalmente pelas inúmeras citações e alusões a outros autores e obras, desde livros até peças de teatro. A edição que eu li da Penguin é excelente, pois contém uma lista extensa de referências e explicações de diversas passagens do livro.

Por mais que pareça que os eventos demoram para acontecer, o mistério criado em volta dos personagens é magnífico: te faz querer ler mais e mais, conhecer a fundo aquelas pessoas misteriosas e, claro, desvendar o principal mistério do livro: quem é, afinal, o benfeitor de Pip? Quem o ajudou a buscar suas grandes esperanças?

Os questionamentos do personagem em relação a seu passado, seu comportamento arrogante e suas crises de consciência são recorrentes. Pip vive em uma eterna indecisão e intensa tristeza, principalmente em relação à mulher que ama: a belíssima Estella, jovem que conheceu na infância e por quem nutre um amor infantil até a vida adulta.

Sem mais delongas, deixo o prazer da leitura para vocês. Leiam Grandes Esperanças! Quando terminei o livro, fiquei com aquele vazio. Nenhum autor me comovia, nenhum outro livro me dava prazer em ler. Acho que vale o esforço.

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Resenha: Grandes Esperanças - Charles Dickens

Título original: Great Expectations
Autor: Charles Dickens
Editora: Penguin Companhia
Número de páginas: 704
Ano: 2012
Gênero: Clássico
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela