Resenha

Resenha: Surpreendente!, de Maurício Gomyde

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Estava pensando sobre como é bom poder acompanhar de perto o desenvolvimento da literatura nacional. Quando conheci Maurício Gomyde, através de seu primeiro livro O Mundo de Vidro, tive certeza de que o autor iria longe. Muitos anos depois do primeiro lançamento, agora já consagrado entre os romancistas brasileiros, o autor lançou seu livro Surpreendente! pela Intrínseca que, para mim, tornou-se sua obra-prima instantânea.

Vou explicar o motivo.

Pedro, o protagonista de Surpreendente! é a representação perfeita da juventude dos “20 e poucos anos” atuais. Se antigamente, ao pensar no futuro, essa galera imaginava estar com a vida “feita” aos 30, a realidade é beeem diferente disso.

Recém-formado em audiovisual, o garoto acaba perdendo um dos empregos que mantinha em um dos últimos cineclubes da cidade de São Paulo. O casamento dos pais – e tudo o que ele entendia por “família”- estava desmoronando. Uma antiga doença voltou a dar as caras. E, para piorar, o prazo para participar de um concurso cinematográfico (talvez a última oportunidade de provar seu valor como diretor de filmes) estava se esgotando.

“- Presta atenção nisto: você foi um presente que apareceu na minha vida – Carlo repetiu – Mesmo se eu acabar sozinho, sempre vou ter você. 

Pedro jamais ouvira o pai falar daquela maneira, e ele próprio nunca encontrara jeito para se abrir e dizer o quanto amava o pai. 

Um abraço forte e demorado deu conta de responder”, p. 43.

Em meio a esse turbilhão de emoções e acontecimentos, Pedro conhece a doce Cristal, que conquista a atenção do garoto instantaneamente. A química entre os dois personagens é bastante “real”, isto é, poderia acontecer com qualquer um. Além disso, eles partilham diversos momentos significativos juntos, o que faz com que o carinho e a amizade dos dois cresça e se torne tão importante quanto a de outro personagem.

“Nossa vida é feita de um monte de momentos esquecíveis, entremeados por pouquíssimos inesquecíveis. Por que não darmos a nós mesmos o presente de tentar viver um inesquecível?”, p. 49.

Fit. O amigo-fiel-escudeiro-melhor-editor-do-mundo de Pedro. Um surperparceiro que topa todas as ideias ~loucas~ de seu companheiro. Os dois se conheceram durante a faculdade e desde então, não se desgrudaram. Quem nunca, né? 🙂

Resenha: Surpreendente! - Maurício Gomyde
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Outra personagem importante em Surpreendente! é Mayla. A garota é sobrinha da dona do cineclube (aquele, que eu citei ali em cima!), e está sempre disposta a ajudar, com mil ideias mirabolantes na cabeça. O outro emprego de Pedro é em uma videolocadora na periferia da cidade. E esse acaba sendo um dos temas recorrentes durante as brigas dos pais do garoto.

“Meu destino está ligado àquele lugar. Se eu conseguir convencer um jovem da periferia a alugar um clássico, e depois ele me contar algo surpreendente sobre o filme, terei cumprido minha missão na Terra”, p.28.

Como na vida nem tudo são flores, Pedro acaba precisando MUITO da ajuda dos três amigos. Em um momento de desespero, o garoto resolve seguir rumo ao interior do Brasil – precisamente, Pirenópolis – GO – para tentar achar respostas, a si mesmo, e o sentido de tudo o que está acontecendo em sua vida.

Para comprar o livro, é só clicar no link abaixo:

 

“Aqui começa o maior filme de todos os tempos sobre as chances que o mundo coloca na vida das pessoas. Que as lições sejam aprendidas e voltemos milhões de vezes melhores do que quando partimos […]”, p. 146.

A sétima arte é parte integrante do livro. Filmes, trilhas sonoras, cenas icônicas: tudo tem uma razão de ser e de estar na trama e fazem toda a diferença na hora de contextualizar o leitor.

Resenha: Surpreendente! - Maurício Gomyde
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

É um livro emocionante, sensível e cheio de significados.

“Compreender o mundo é tarefa complicada para qualquer pessoa, enxergue ela ou não. Então você não está melhor nem pior do que ninguém. E lembre-se: muita gente vê tudo, mas não enxerga nada”, p. 50.

A roadtrip feita pelos amigos é, realmente, uma viagem de autoconhecimento. Muitas coisas acontecem durante o período que os quatro passam juntos. Histórias que, com certeza, marcaram também o leitorSurpreendente! é, sem dúvidas, o melhor livro do autor até agora.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Confira o booktrailer:

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Resenha: Surpreendente! - Maurício GomydeTítulo original: Surpreendente!
Autor: Maurício Gomyde
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 272
Ano: 2015
Gênero:
Nota: 1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia

Entrevistas

Entrevista: Maurício Gomyde, autor de Surpreendente!

FOTO: Leo Aversa / Divulgação Instrínseca

Há alguns anos, os críticos diziam: ‘Maurício Gomyde é o Nicholas Sparks brasileiro’. No começo de sua carreira como autor, o paulistano “naturalizado” brasiliense apostava na fórmula romance + drama para ganhar notoriedade entre o público brasileiro. Foi sucesso na autopublicação, sempre com o apoio de ações e mídias online, e acabou sendo convidado para fazer parte do time da Editora Novo Conceito. Agora, Maurício lança seu sexto livro, Surpreendente!, pela Editora Intrínseca. O livro mostra um autor mais maduro, sem floreios, e com um talento nato para contar boas – e emocionantes – histórias. Confira como foi o nosso bate-papo com Maurício Gomyde:

Entrevista: Maurício Gomyde, autor de Surpreendente!, da Intrínseca

Resenhas: Como começou seu envolvimento com a literatura? Como decidiu ser escritor?

Maurício: Acho que foi como acontece com a maioria dos escritores: o envolvimento desde a infância. Minha família é muito leitora, o contato com livros começou cedo. Tive muita sorte de frequentar uma escola, no ensino fundamental, que tinha aulas de redação. Aprendi muito, era obrigado a produzir muitos textos (simples, claro!). Sempre escrevi para mim, e um dia resolvi pegar um de meus textos e jogá-lo de verdade no papel. Deixei de ser pedra para virar vidraça. Tornou-se “O Mundo de Vidro”, cuja primeira edição saiu em 2002.

Resenhas: Como tomou a decisão de “mudar de casa”? (Ir da Novo Conceito para a Intrínseca)

Maurício: A Intrínseca sempre foi um desejo secreto. Desde a primeira vez que tive contato com os títulos da editora, senti que ali era uma casa onde minhas histórias teriam bom abrigo. Mas fiquei na minha, nunca mandei livros para eles. Depois de lançar “A Máquina de Contar Histórias”, pela Novo Conceito, conversei com minha agente e revelei aquele desejo. Acabou que deu muito certo, a editora gostou do texto e da proposta. Estamos ainda em lua-de-mel, mas acho que será um casamento de sucesso, porque a editora aposta de verdade e a história ficou bacana. Vamos ver no que vai dar.

Surpreendente!, de Maurício Gomyde
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Resenhas: Como foi a sua experiência na Bienal com a nova editora?

Maurício: A Bienal do Rio foi apenas minha segunda grande feira. Como sou oriundo do mercado de autopublicação, nunca tinha participado do evento no Rio. Fiquei muito bem impressionado com o calor do público, a feira estava abarrotada e o estande da Intrínseca esteve sempre lotado. A experiência foi a melhor possível, tive recepção calorosa por parte dos profissionais da editora e da turma que trabalhou no estande. Os eventos que a editora programou foram bons e muitos livros foram vendidos. Acho que foi um belo start para o Surpreendente!

Resenhas: Você vê alguma mudança no desenvolvimento da literatura nacional através dos anos? (De quando lançou seu primeiro romance até hoje…)

Maurício: A internet proporcionou literalmente um novo mercado para a literatura (tanto nacional quanto estrangeira). Uma infinidade de novos autores foi e vem sendo gestada nas redes sociais, e isso proporciona o aparecimento de gente que, em outra situação, ficaria escondida em suas cidades. Desde quando lancei meu primeiro romance (em 2002), muita coisa mudou. Naquele tempo a coisa era muito no estilo “dar nó em pingo d’água”, fazer lançamento em livraria que só abria espaço depois de muita insistência, tentar vender livros para parentes e etc. rs Hoje você consegue criar uma plataforma consistente e se divulgar. E as editoras estão procurando bons escritores. Portanto, é mãos-à-obra e escrever.

Resenhas: Em “A Máquina de Contar Histórias”, o protagonista acaba se esquecendo da família para viver o sonho de ser um grande autor. Isso já aconteceu com você em algum momento da vida?

Maurício: Não, de forma alguma. Eu não deixo o trabalho (seja o trabalho de escritor ou meu outro trabalho) contaminar a minha relação com minha família. Elas são o mais importante. Se eu estivesse começando a chegar nesse ponto, certamente eu pararia e diria “êpa, vamos com calma!”.

Entrevista: Maurício Gomyde
FOTO: Pedro Santos e Rafael Facundo

Resenhas: Surpreendente! é… Surpreendente. E seus outros livros, como você os definiria em apenas uma palavra?

Maurício:

O mundo de vidro: Diversão.
Ainda não te disse nada: Sonho.
O rosto que precede o sonho: Emoção.
Dias melhores para sempre: Superação.
A máquina de contar histórias: Família.

Resenhas: Surpreendente! também é um livro sobre uma roadtrip. As experiências de Pedro nessa viagem são relatadas com muita precisão. Você já havia feito o mesmo caminho ou feito uma roadtrip com amigos para relatar as experiências no livro? Se sim, como foi?

Maurício: Basicamente, conheço o universo do cinema, conheço o universo da amizade (tenho muitos amigos verdadeiros), conheço a estrada que os 4 percorrem (até Pirenópolis), vou muito aos cenários em que se passa a história. Fiz muuuuitas roadtrips com minhas bandas. Sou baterista e corri o Brasil fazendo shows. Quando estava escrevendo, eu lembrava dos perrengues da estrada, dos lugares péssimos onde dormíamos ou comíamos. Acho que o envolvimento na hora de escrever vinha dessas lembranças maravilhosas.

Resenhas: O cinema e a música sempre foram temas fortes e presentes em seus livros. Agora em Surpreendente!, ainda mais. Se o livro fosse adaptado para o cinema, quem seriam os atores brasileiros escolhidos para viver os personagens principais da trama?

Maurício: Nossa, eu nunca havia pensado nisso!!! Acho que a única que eu teria em mente hoje, para viver a Cristal, seria a Bianca Müller. Ela fez o booktrailer muito bem e os olhos são exatamente os olhos da personagem. Os outros três não imagino agora, mas o Pedro teria de ser um ator capaz de realizar as interpretações complexas de alguém que está ficando cego; o Fit, deveria ser um jovem meio maluco, com visual descolado; e a Mayla, uma menina mais nova, em torno de 18 anos, com o jeito um pouco inocente. Precisaria pensar… rsrsrs.

Resenhas: O que você está lendo atualmente?

Maurício Gomyde: Tenho um ritual: sempre, entre um livro e outro, releio o “A Jornada do Escritor”. Estou fazendo isso no momento. Recentemente li “Todo Dia”, do David Levithan; a versão “sem cortes” do “On the Road”, do Kerouac; e o “Como eu era antes de você”, da Jojo Moyes. Pretendo, em seguida, ler os livros dos meus amigos escritores brasileiros que comprei na bienal (só comprei nacional dessa vez).

Maurício Gomyde
FOTO: Divulgação / Editora Intrínseca

Resenhas: Uma dica para quem está no começo da carreira como escritor…

Maurício: Acho que o escritor deve viver intensamente a história que está escrevendo. Quem é o personagem? O que ele faz? O que escuta? Onde mora? Que filme vê? Que livros lê? Faça exatamente como seu personagem, tente ser como ele. Pesquise muito, mesmo que você não vá escrever sobre aquelas coisas diretamente. Assim, no fim da história, você terá um personagem consistente e crível. E, melhor, você terá aprendido um monte de coisas novas. O resto é consequência.

Resenhas: Quais são os seus projetos?

Maurício: Pretendo cair de cabeça na divulgação do Surpreendente!, viajar, fazer eventos, ir a livrarias, cuidar das redes sociais. Gosto de focar no projeto atual, sempre. Se ele não der certo, não adiantará muito ter projetos futuros. Uma coisa de cada vez.

Resenhas: Se pudesse publicar apenas mais um livro, qual seria o tema principal dele?

Maurício: Acho que eu faria um apanhado de tudo o que já fiz nos seis livros, bateria em um liquidificador, criaria um personagem bem bacana e contaria sua história como se eu mesmo fosse ele. Afinal de contas, tudo o que já escrevi, em suma, acaba sendo sobre mim mesmo e as coisas em que acredito.

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