Resenha

Resenha: O Fantasma da Ópera – Gaston Leroux

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Só de ler ou ouvir o nome Fantasma da Ópera, automaticamente já ouço o som do órgão tocando aquelas notas que a princípio soam aterrorizantes, mas aos poucos transformam-se em uma música viciante. Não sabe do que estou falando? Então ouça:

“The phantom of the opera is there…inside my mind”

O musical criado por Andrew Lloyd Webber é tão famoso que fica impossível não referenciá-lo antes de começar a resenha do livro de Gaston Leroux.  Uma das histórias de terror e amor mais famosas do século XX, O Fantasma da Ópera mescla romance e suspense para narrar o triângulo amoroso entre a talentosa cantora lírica Christine Daaé, o frágil e apaixonado visconde Raoul de Chagny e o sinistro e obcecado gênio da música que habita os porões do teatro.

O livro tem um teor histórico: a narrativa conduz o leitor pelos labirintos da Ópera sob o ponto de vista de um historiador/jornalista. Os acontecimentos são relatados aos poucos, em alguns momentos de forma não-linear, como se fossem fragmentos de um quebra-cabeça. No começo do livro, confesso que demorei para engatar na leitura, porque é um pouco maçante. Mas depois dos três primeiros capítulos, a história flui e não dá mais vontade de parar!

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O Fantasma é um ser misterioso que apresenta-se para Christine Daaé como se fosse um verdadeiro Anjo da Música. Christine é a típica mocinha ingênua, pura, idealizada e romantizada, que precisa sempre de alguém para salvá-la. Prometendo ensiná-la a cantar como ninguém, Christine cai nas graças do Fantasma, que se aproveita da situação e declara que a moça é “somente sua”, impedindo que ela tenha uma vida normal.

O visconde Raoul é um amigo de infância apaixonado por Christine que tenta conquistar seu amor, mas precisa compreender se esse amor é recíproco ou se a cantora se entregou 100% ao Fantasma. Ele é um personagem insistente, que nunca se convence de que Christine não o ama, além de ser fraco e bastante dramático. Confesso que esse triângulo amoroso mais me irritou do que qualquer outra coisa, mas precisamos relevar, já que o livro foi escrito em 1910, em um contexto bem diferente do que vivemos hoje.

Resenha: O Fantasma da Ópera - Gaston Leroux
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

A parte mais interessante de O Fantasma da Ópera é tentar entender quem é o Fantasma, os motivos que o levam a agir com tanto ódio e violência (não lembrava que ele era tão psicopata, o livro o mostra como um ser asqueroso e maligno) e como ele consegue passar pela Ópera sem ser notado, fazendo com que todos questionem se ele realmente existe.

“Meu amigo, há uma virtude na música que faz com que não exista mais nada no mundo exterior fora daqueles sons que vêm tocar o coração de quem ouve.”

Além do trio principal, outros personagens integram a história com relativa importância, especialmente os diretores da Ópera. Estes assumem o comando do teatro sem imaginar o quanto teriam que sofrer com as ameaças do Fantasma. Há uma sutil crítica de Leroux aos franceses e ao estilo de vida dos parisienses em determinados momentos, como na passagem abaixo:

Quem não tiver aprendido a pôr uma máscara de alegria sobre suas dores e o disfarce da tristeza, do desgosto ou da indiferença sobre sua alegria íntima nunca será um parisiense. Se você descobrir que um de seus amigos está prostrado, não tente consolá-lo: ele dirá que já foi reconfortado. E, se acontecer algo de bom para ele, evite felicitá-lo: como acredita ter boa sorte natural, ele ficará admirado que alguém lhe fale sobre isso.

O Fantasma da Ópera também traz muitas referências musicais, principalmente de peças de teatro, óperas famosas e artistas consagrados da época. O livro ainda apresenta comentários do narrador sobre obras francesas e, em determinados momentos, acredito que faltaram notas de rodapé e contextualizações nessa edição da L&PM Pocket. Cheguei até a ignorar algumas partes, porque sabia que não iria entender os diálogos. A importância dada à música e ao teatro pelos personagens e a sociedade da época torna-se quase inexplicável nos dias de hoje.

É importante ressaltar também que o Fantasma tem uma doença inexplicável de nascença, que o transformou em um “monstro” aos olhos da sociedade. Por ter um rosto cadavérico e assustador, sempre manteve-se isolado e na mais profunda tristeza, usando uma máscara para disfarçar sua feiúra. Nunca foi amado por ninguém – nem sua mãe – e viu em Christine uma chance para conhecer o amor. Apesar de ser um psicopata, o pano de fundo do protagonista é cruel – uma característica comum dos romances góticos.

Além do musical, há também um filme de 2004 estrelado por Gerard Butler. E vamos combinar que de feio e assustador, esse Fantasma não tem nada, né?

A gente tenta fingir que você é assustador e asqueroso, tá Fantasma?

Se você gosta de histórias com pano de fundo gótico, com muita música, romance, drama e terror misturados, vai encontrar no Fantasma da Ópera um prato cheio! Recomendo  🙂

LEIA TAMBÉM

Resenha: O Fantasma da Ópera - Gaston Leroux

Título original: Le Fantôme de l’Opéra
Autora: Gaston Leroux
Editora: L&PM Pocket
Número de páginas: 336
Ano: 2013
Gênero: Romance
Nota

Resenha

Resenha: Assassinatos na Rua Morgue – Edgar Allan Poe

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O livro Assassinatos na Rua Morgue foi meu primeiro contato com Edgar Allan Poe. A obra, publicada pela L&PM Pocket, reúne diversos contos do autor, deixando para as últimas páginas a famosa história que dá nome ao livro.

Fiquei fascinada pela escrita de Poe e é notável como muitas, mas muitas obras atuais ainda se baseiam no poeta e escritor norte-americano. Quem ama romances policiais e histórias de mistério consegue notar quantos personagens e histórias derivam dos contos do autor.

Assassinatos na Rua Morgue foi lançado em 1840 e influenciou personagens famosíssimos da literatura, incluindo Sherlock Holmes (de Arthur Conan Doyle) e Hercule Poirot (de Agatha Christie). Ou seja: é a origem das apaixonantes histórias de detetive, onde tudo começou.

No conto, o francês Monsieur C. Auguste Dupin, com a ajuda do narrador da história (algo que lembra uma relação Sherlock – Watson), utiliza seu próprio sistema de dedução para solucionar um crime. Observando os fatos e analisando atentamente o testemunho das pessoas que estavam no local onde os assassinatos foram cometidos, Dupin passa por cima da polícia francesa e consegue com muita precisão solucionar um caso que parecia impossível.

Aos poucos, vamos acompanhando o pensamento rápido do personagem, que levanta questões intrigantes e nos faz, junto com ele, tentar desvendar o bizarro mistério. O conto é muito empolgante! Utilizando uma linguagem madura, inteligente e que estimula a imaginação do leitor, somos induzidos a levantar inúmeros questionamentos a respeito do acontecido.

E o mérito não vai apenas para o Assassinatos na Rua Morgue. Os outros contos incluídos no livro, como “O Gato Preto”, “Hop-Frog ou Os oito orangotangos acorrentados” e “Nunca aposte sua cabeça com o diabo” são tão bons quanto o conto principal. Já os contos “Os fatos que envolveram o caso de Mr. Valdemar” e “O demônio da perversidade” são interessantes também, mas não me cativaram tanto.

Assassinatos na Rua Morgue - Edgar Allan Poe
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Não adianta contestar: existe algo intrigante na escrita de Poe. A linguagem pode parecer rebuscada para os dias atuais, mas ainda assim tem algo de impressionante que instiga a leitura. Durante a leitura do “Gato Preto”, fiquei mal, assustada e com muita vontade de saber o que iria acontecer. Ele sabe como aumentar nossa curiosidade e as páginas fluem rapidamente.

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Percebi também o quanto Poe adora relacionar animais com suas histórias. Em quase todos os contos, há algum animal envolvido – gatos, orangotangos, corvos… acho isso bem curioso e, obviamente, metafórico. As tramas sempre trazem aquele clima sombrio de histórias antigas, que misturam alquimia, experimentos esquisitos e todas as nuances de uma mente humana perturbada, fazendo sempre um paralelo com animais selvagens que se deixam levar pelo instinto. Recomendo fortemente a leitura, principalmente se você é fã de histórias de detetive, terror e mistério.

LEIA TAMBÉM

Assassinatos na Rua Morgue

 

Título original: The Murders in the Rue Morgue
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: L&PM Pocket
Número de páginas: 160
Ano: 201o
Gênero: Terror/Clássico
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