Resenha

Resenha: A Época da Inocência – Edith Wharton

Sou viciada em romances do século XIX, mas A Época da Inocência foi uma das obras que demorei para demonstrar interesse. Assisti ao filme primeiro, de Martin Scorsese, mas na época não gostei muito. Esperei alguns anos para começar a leitura e esquecer completamente a história para dar início à trama de Newland Archer e Ellen Olenska. Confesso que a leitura já me prendeu no início, especialmente por conta da ironia da autora Edith Wharton, que consegue retratar com perfeição a hipocrisia da high society nova-iorquina nos idos de 1870.

Vamos à sinopse?

Resenha

Resenha: Uma Canção de Natal – Charles Dickens

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

O livro Uma Canção de Natal é um clássico! Já havia lido há alguns anos, com o título Um Cântico de Natal. Neste ano, a Penguin-Companhia relançou a obra de Dickens com uma nova tradução e um ensaio introdutório que trouxe informações interessantes sobre o processo de criação do livro.

Uma Canção de Natal praticamente reinventou o espírito natalino. Com a crescente industrialização da Inglaterra e o aumento da desigualdade nas cidades – especialmente em Londres -, Dickens escreveu em poucos dias a história que traria uma nova luz sob o verdadeiro sentido desta data: a compaixão.

Resenha

Resenha: Mulheres e Ficção – Virginia Woolf

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

O livro Mulheres e Ficção, de Virginia Woolf, trata-se de uma coletânea de ensaios da escritora, com diversos textos sobre o papel das mulheres na literatura através dos séculos, especialmente na literatura inglesa. Nas palavras de Woolf, “o título deste artigo pode ser lido de dois modos: em alusão as mulheres  e à ficção que elas escrevem, ou às mulheres e a ficção que é escrita sobre elas”.

Resenha

Resenha: A Mulher de Trinta Anos – Honoré de Balzac

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

O termo “mulher balzaquiana” é muito utilizado em diversos livros sobre clássicos de literatura. E foi a partir dessa curiosidade que fui conhecer A Mulher de Trinta Anos, de Honoré de Balzac.

[Sem contar que, como estou chegando perto dos 30 anos, a curiosidade atiçou ainda mais! Haha! ]

A história de Julie veio antes de famosas personagens como Emma Bovary e Anna Kariênina, tornando-se referência quando o assunto envolve protagonistas mulheres infelizes no casamento em pleno século XIX. Não que a infelicidade no casamento não seja um tópico recente, infelizmente, mas naquela época era comparado a uma escravidão/prisão, sem que as mulheres tivessem escolha de separar ou ter uma vida de liberdade.

A sinopse do livro é a seguinte: “Contrariando os conselhos do pai, Julie julga-se apaixonada e decide se casar ainda muito jovem com um coronel do exército napoleônico. Em pouquíssimo tempo, descobre-se infeliz no casamento e na maternidade. A isso se seguem as paixões por outros homens, e anuncia-se o destino trágico da protagonista. Mas A mulher de trinta anos não é a história particular de Julie, e sim a de alguém em quem convergem as contradições do que representava ser mulher no século XIX e, por extensão, as contradições da própria sociedade moderna.”

Para comprar, é só clicar no link abaixo:

O livro começa mostrando uma Julie ingênua, infantil, apaixonada pela aparências. Esse início é uma parte bem rápida, e logo já conhecemos a protagonista casada e infeliz. Sua filha, Hèlene, é sua única esperança, já que sua vida não seria nada como ela imaginava – apesar de seu pai ter lhe aconselhado que seria uma má ideia casar com o general.

Durante a leitura, vemos Julie passar seus dias melancólicos trancafiados dentro de casa, sem a mínima vontade de viver. A depressão é bem forte na personagem, que sente o prazer pela vida se esvair, até encontrar um homem por quem se apaixona perdidamente.

“As moças costumam criar nobres, encantadoras imagens, figuras totalmente ideais, e forjam ideias quiméricas sobre os homens, sobre os sentimentos, sobre o mundo; depois atribuem inocentemente a um caráter as perfeições com que sonharam e a ele se entregam; amam no homem de sua escolha essa criatura imaginária; porém, mais tarde, quando já não há tempo de se livrar da desgraça, a aparência enganadora que embelezaram, o primeiro ídolo enfim transforma-se num esqueleto odioso.”

Não vou contar toda a história para não perder a graça, mas durante a narrativa, Julie se apaixona mais de uma vez (mantém casos extraconjugais), nutre esperanças e sofre grandes tragédias. No entanto, o casamento e a maternidade a sufocam a cada dia, fazendo-a resignar-se de sua condição. Ela se entrega à tristeza e até mesmo seus filhos a tornam uma mulher amarga e sem esperança. Seu marido também é infiel e não faz a menor questão de manter um casamento feliz.

Resenha: A Mulher de Trinta Anos - Honoré de Balzac
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

“Embora se sentisse jovem, a massa de seus dias sem alegrias lhe caía na alma, a esmagava e a fazia velha antes do tempo. Perguntava ao mundo, por um grito de desespero, o que ele lhe dava em troca do amor que a ajudara a viver e que ela perdera.”

A passagem do tempo é importante na trama, que desenvolve-se lentamente em alguns pontos, mas de repente avança pelo menos uns dez anos de uma só vez. A Mulher de Trinta Anos é então chamada de Juliette, uma mudança feita pelo autor para que a reconhecêssemos como uma mulher mudada, mais madura, menos sedutora, mas eloquente e perspicaz. Julie ficou no passado, Juliette é uma nova mulher – porém com os mesmos assombros do passado.

“Somos nós, mulheres, mais maltratadas pela civilização do que seríamos pela natureza.”

O livro traz algumas reviravoltas bem estranhas mais para o final. Sabe quando muda o tom? De repente até o narrador se transforma, paramos de acompanhar a história de Juliette e de repente seguimos sua filha e o general, seu marido. A relação entre os dois é bem íntima, mas também segue um rumo inusitado.

A relação de Julie com Hèlene é terrível; quando bebê, esta era a única esperança da protagonista. Na vida adulta, as duas carregam um mal-estar proveniente de um acidente do passado, transformando-as e fazendo com que elas se afastem, criando rivalidades e desavenças.

“Será que a família existe, senhor? Nego a família numa sociedade que, na morte do pai ou da mãe, divide os bens e diz a cada um para ir cuidar da vida. A família é uma associação temporária e fortuita que a morte dissolve prontamente. Nossas leis destruíram as casas, as heranças, a perenidade dos exemplos e das tradições. Só vejo escombros ao meu redor.”

Mas não temos somente Hèlene na história; com o passar dos anos, Juliette tem mais cinco filhos, mas se apega a apenas uma, a mais jovem. A partir de então temos a mulher de 50 anos, que vive reclusa e não faz a menor questão de interagir na sociedade, virando alvo de fofocas.

Inclusive, Balzac não cansa de criticar a sociedade francesa, especialmente a parisiense. O autor insere comentários ácidos o tempo todo durante a narrativa, mostrando a mesquinhez e ignorância da alta sociedade da época.

“Será a tristeza, será a felicidade que confere à mulher de trinta anos, à mulher feliz ou infeliz, o segredo dessa presença eloquente?”

A Mulher de Trinta Anos, na verdade, não é a história particular de Julie, mas sim uma representação da mulher do século XIX, na qual convergem os movimentos, conflitos e contradições de um modelo social em transformação. Balzac rompe paradigmas ao mostrar o mundo vazio de aparências em que vivia a maior parte da sociedade europeia, especialmente as mulheres que eram aprisionadas em casamentos arranjados.

“Lágrimas de desespero rolavam de seus olhos; pois sentimos mais tristeza com uma traição que frustra um resultado decorrente de nosso talento do que com uma morte iminente.”

O termo “mulher balzaquiana” é muito utilizado hoje, mas de forma distorcida; Julie d’Aiglemont viveu uma vida vazia, frágil, covarde e amarga. Ou seja: utilizar esse termo para qualquer mulher que completa trinta anos não faz muito sentido, sendo que nos dias de hoje as mulheres têm muito mais opções do que uma vida de correntes e grilhões nos relacionamentos.

“O céu e o inferno são dois grandes poemas que formulam os dois únicos pontos em torno dos quais gira nossa existência: a alegria ou a dor.”

Apesar de ser uma obra com personagens confusos e contraditórios, uma narrativa lenta e por vezes cansativa, vale a leitura, principalmente por ser um livro que trouxe referências para obras incríveis da literatura mundial.

LEIA TAMBÉM

Resenha: A Mulher de Trinta Anos - Honoré de BalzacTítulo original: La Femme de Trente Ans
Autor: Honoré de Balzac
EditoraPenguin – Companhia das Letras
Número de páginas: 240
Ano: 2015
Gênero: Literatura Estrangeira
Nota

Resenha

Resenha: Noites Brancas – Fiódor Dostoiévski

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Noites Brancas é uma novela de Dostoiévski, de 1848, um pouco antes de o autor ser preso e mudar radicalmente seu estilo literário. A história se passa em São Petersburgo, no século XIX, em que um homem solitário vaga pela cidade, deixando que os sentimentos passem por ele, enquanto caminha pelas ruas, esquinas e calçadas.

Um dia, durante uma caminhada noturna, encontra uma mulher chorando, encostada no parapeito de um canal. Ao ajudá-la, começa a se aproximar da moça e dá início a um amor terno e delicado pela jovem chamada Nástienka. A tênue claridade das noites de verão na Rússia é quase como uma personagem da trama, e, quanto mais o narrador (anônimo) se aproxima de Nástienka, mais parece se afastar de sua vida anterior.

A narrativa envolve quatro encontros dos dois, e a intimidade entre eles só cresce. O amor começa a surgir – principalmente da parte do narrador – e aumentar, até que um acontecimento altera o rumo dessa conturbada relação. O desfecho do livro é de cortar o coração – e aposto que muitas pessoas vão se identificar com o protagonista.

A novela de 1848 é vista como uma das obras-primas de Dostoiévski no gênero breve, em um estilo bem diferente daquele encontrado em Crime e Castigo. Confesso que passou longe daquilo que imaginei: é um romantismo exagerado, melancólico, dramático. A própria personalidade do narrador sem nome e de Nástienka remonta àqueles romances recheados de melodrama, intensos, com palavras doces e apaixonadas, quase surreais.

Resenha: Noites Brancas - Fiódor Dostoiévski
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

As noites brancas de São Petersburgo, segundo o prefácio de Rubens Figueiredo, se referem a um fenômeno climático que marca a cidade em certa fase do verão: o sol nunca chega a se pôr completamente e as noites conservam uma constante luminosidade de crepúsculo. Essa atmosfera ajuda a diluir as referências do tempo e a “luz branca” confere um contorno onírico e irreal aos personagens e ambientes.

O livro foi escrito em 1848 e o autor foi preso em 1849 – Dostoiévski foi detido em abril de 1849 por participar do Círculo Petrashevski, sob acusação de conspirar contra o czar Nicolau I.O czar mostrou-se, depois das revoluções de 1848 na Europa, vigoroso contra qualquer organização clandestina que pudesse pôr em risco seu reinado. Foi apenas 10 anos depois, no final de dezembro de 1859, que o autor regressou com sua família (sua esposa e o enteado) a São Petersburgo.

Para comprar o livro, é só clicar no link abaixo:

O retorno não foi dos mais fáceis, tendo em vista que sua longa ausência não só o afastou dos antigos contatos de São Petersburgo, como também de toda a produção cultural russa, incluindo a literatura e o jornalismo, uma vez que o acesso aos livros era bem difícil durante o tempo em que cumpriu pena. Isso foi determinante para que o autor mudasse radicalmente seu estilo, deixando de lado o viés romântico que usou no passado.

Portanto, pode-se dizer que a novela Noites Brancas é um marco na carreira do escritor – e por isso uma obra importante do gênero. Como é bem curtinha e se passa em poucos cenários, também já foi adaptada para o teatro, o que com certeza deve ser uma experiência interessante. Se você já assistiu à peça, não esqueça de nos contar o que achou!

Essa edição da Penguin traz também o conto Polzunkov como apêndice, escrito no mesmo ano, que mostra uma faceta mais caricata de Dostoiévski.

Para ser bem sincera, foi um livro que não me surpreendeu e não me tocou. Entendo sua importância, mas já prefiro, por exemplo, O Jogador, que tem uma proposta mais interessante.

E você, já leu? Comente!  🙂

LEIA TAMBÉM

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Resenha: Noites Brancas - Fiódor DostoiévskiTítulo original: White Nights (Short Story)
Autor: Fiódor Dostoiévski
Editora: Penguin Companhia
Número de páginas: 112
Ano: 2018
Gênero: Literatura Estrangeira / Romance
Nota: