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As melhores frases e citações de Toni Morrison

Toni Morrison, a primeira escritora afro-americana a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, morreu, aos 88 anos, após uma breve doença – informou a família em um comunicado divulgado nesta terça-feira (6).

Morrison escreveu 11 romances em uma brilhante carreira literária e premiada que durou mais de seis décadas.

Resenha

Resenha: Minha Noite no Século Vinte e Outros Pequenos Avanços – Kazuo Ishiguro

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Comecei Minha Noite no Século Vinte e Outros Pequenos Avanços no intervalo de uma faxina (realidades de dona de casa, haha), e terminei borbulhando de ideias e questionamentos.

“Por que escrever um romance se ele fosse oferecer mais ou menos a mesma experiência que alguém poderia ter ao ligar a televisão? Como a ficção escrita poderia ter chances de sobreviver diante do poder do cinema e da televisão não oferecesse algo único, algo que as outras formas não eram capazes de realizar?” (p.30) 

O livro foi baseado no discurso de Kazuo Ishiguro ao vencer o Prêmio Nobel de Literatura em 2017. Assim como Faça Boa Arte, de Neil Gaiman – feito a partir de um discurso para formandos. Esses livros sempre são uma fonte rápida de inspiração, além de um verdadeiro ode à escrita.

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Em Minha Noite no Século Vinte e Outros Pequenos Avanços, o autor comenta sobre como encontrou sua “voz literária” e como ela foi responsável por deixar viva a memória de um Japão pós-guerra que o autor acreditava ter ficado vivo apenas em seu imaginário.

“[…] o Japão que existia na minha cabeça fora um constructo emocional montado por uma criança a partir da memória, da imaginação e da especulação. E, talvez, mais significante ainda, fosse o fato de perceber que, a cada ano que se passava, esse meu Japão – esse lugar precioso com  qual cresci – ficava cada vez mais fraco.” (p. 27) 

Resenha: Minha Noite no Século Vinte e Outros Pequenos Avanços - Kazuo Ishiguro
FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Mas, é claro: ninguém nasce um autor premiado e vencedor de um Nobel. Para chegar até lá, Ishiguro contou com a ajuda de mentores, rascunhou muito, e também duvidou muito de sua própria capacidade de contar histórias.

“Mas, no futuro, o que realmente queria fazer era escrever uma história sobre como uma nação ou uma comunidade enfrentava as mesmas questões. Uma nação se lembra ou se esquece da mesma maneira que um indivíduo? Ou há diferenças importantes? O que, exatamente, são as memórias de uma nação? Onde são guardadas? Como são moldadas e controladas? Há vezes em que esquecer é o único jeito de interromper ciclos de violência, ou de impedir uma sociedade de se desintegrar em caos e guerra? Por outro lado, poderiam nações estáveis e livres serem realmente erguidas sobre pilares de amnésia proposital e justiça frustrada?” (p. 42)

Em seu discurso, o autor passa rapidamente pela infância como imigrante japonês na Inglaterra – mesmo pouco tempo depois da Grande Guerra ter acabado. Comenta sobre a adolescência e os primeiros “rabiscos” como autor, sobre a entrega que a literatura exige, mas, acima de tudo, inspira através de seu exemplo.

Confira abaixo algumas frases de destaque do livro:

“[…] é essencialmente isso de que se trata o meu trabalho. Uma pessoa escrevendo em um quarto silencioso, tentando se conectar com outra pessoa que lê em outro quarto silencioso – ou não tão silencioso assim.”p. 49

“A boa escrita e a boa leitura romperão barreiras.” p. 57.

Minha Noite no Século Vinte e Outros Pequenos Avanços é um ótimo livro para quem quer se aventurar na área da escrita criativa, além de mostrar a faceta mais humana de Ishiguro.

E você? Já leu? Me conta através dos comentários!

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

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Resenha: Minha Noite no Século Vinte e Outros Pequenos Avanços - Kazuo Ishiguro Título original: My Twentieth Century Evening and Other Small Breakthroughs
Autor: Kazuo Ishiguro
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 60
Ano: 2018
Gênero: Discurso
Nota: 

Resenha

Resenha: Senhor das Moscas – William Golding

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Quando comecei a ler Senhor das Moscas, nem imaginava o rumo que a história iria tomar. O livro de William Golding foi uma ótima surpresa, com um final tão intenso que valeu pela obra inteira.

Publicado originalmente em 1954, Senhor das Moscas tornou-se um dos romances essenciais da literatura mundial. O enredo é bem simples: durante a Segunda Guerra Mundial, um avião cai numa ilha deserta, e seus únicos sobreviventes são um grupo de meninos britânicos em idade escolar.

“Eles descobrem os encantos desse refúgio tropical e, liderados pelo protagonista Ralph, procuram se organizar enquanto esperam um possível resgate. Mas, aos poucos, esses garotos ‘inocentes’ transformam a ilha numa disputa pelo poder, e sua selvageria rasga a fina superfície da civilidade, que mantinham como uma lembrança remota da vida em sociedade”, como aponta a sinopse.

No começo, a história demora a se desenvolver: são apenas meninos empolgados que estão longe dos adultos e podem brincar como quiserem na ilha. Estão livres, apenas curtindo a praia e a suposta aventura. Confesso que o começo é difícil de engatar, porque a trama se desenrola lentamente. Porém, se você passa do comecinho, não vai mais querer parar a leitura.

O protagonista Ralph vive um embate: ao mesmo tempo em que é escolhido como líder dos garotos, também sente dificuldade em ser respeitado e ouvido. Ele tenta, com a ajuda de Porquinho – um garoto gordinho asmático que sofre bullying dos outros meninos – acender uma fogueira para que a fumaça chame a atenção de navios que possam resgatá-los. No entanto, o interesse em trabalhar, manter acesa a fogueira e construir refúgios é diminuída pela presença de outro garoto, o antagonista: Jack, o caçador.

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Jack não aceita que Ralph é líder e, mesmo que em um primeiro momento ambos sejam amigos próximos, a rivalidade entre os dois só cresce. Jack não quer fazer nada além de caçar e convence outros garotos a seguirem suas ordens, segregando a turma.

Resenha: Senhor das Moscas - William Golding
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Não vou entrar em detalhes para não dar spoiler, mas acredite: esse livro vai te deixar em agonia. Não conseguia ler sem sentir um mal-estar: alguns acontecimentos são pesados e mexeram bastante com meu psicológico. A violência e a maldade que se instauram na ilha são sem precedentes, e, ao mostrar a natureza do mal e a linha tênue entre a barbárie e a civilidade, fica difícil de ser otimista com relação aos humanos vivendo em sociedade.

A história de Golding é eletrizante e traz muita reflexão. A cada segundo paramos para nos perguntar o que faríamos naquela mesma situação. Ao mesmo tempo, a narrativa do autor é fenomenal: em determinados momentos, são descrições tão intensas e líricas, que a leitura é elevada a outro nível; uma poética forte e densa dentro de um ritmo frenético.

Recomendo bastante a leitura de Senhor das Moscas e posso afirmar que já entrou pra listinha dos livros favoritos da vida! <3

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* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Resenha: O Senhor das Moscas - William GoldingTítulo original: Lord of the Flies
Autor: William Golding
Editora: Alfaguara
Número de páginas: 224
Ano: 2014
Gênero: Ficção/Romance/Distopia
Nota: 

Resenha

Resenha: Desonra – J.M. Coetzee

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Quando comecei a ler Desonra, de J.M. Coetzee, não fazia ideia do que se tratava. Já tinha visto indicações em várias listas, pessoas elogiando, resenhas positivas, mas não procurei saber exatamente como era o enredo. Posso dizer que foi um baque, porque logo nas primeiras páginas já me interessei pela história e a leitura fluiu rapidamente.

Veja a sinopse:

“O livro conta a história de David Lurie, um homem que cai em desgraça. Lurie é um professor de literatura que não sabe como conciliar sua formação humanista, seu desejo amoroso e as normas politicamente corretas da universidade onde dá aula. Mesmo sabendo do perigo, ele tem um caso com uma aluna. Acusado de abuso, é expulso da universidade e viaja para passar uns dias na propriedade rural da filha, Lucy. No campo, esse homem atormentado toma contato com a brutalidade e o ressentimento da África do Sul pós-apartheid.”

O mais engraçado é que a própria sinopse mostra como o livro tem várias facetas: a história começa de um jeito e se transforma, quase como se fosse algo vivo. A narrativa é de uma prosa econômica, bem seca, mas que tem um magnetismo impressionante. Muitas ironias, discussões a respeito de relações entre classes, sexos, história da África do Sul, academicismo, hipocrisia e uma situação social explosiva.

O protagonista David Lurie é um professor que não sente prazer em dar aulas, mas, antes de mais nada, é um pesquisador erudito, um esteta dedicado à fruição dos grandes livros e da música clássica. Rodeado de alunos desinteressados, entrega-se à inércia do emprego na Universidade da Cidade do Cabo. Porém, Lurie é o típico homem de meia-idade que busca prazer no sexo e se preocupa com aparências em primeiro lugar. Sua vida se transforma quando ele se envolve com uma aluna, que o faz perder tudo, levando-o a refugiar-se com a única filha em uma fazenda no interior.

Resenha: Desonra - J.M. Coetzee
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Acho complexo falar desse livro sem dar spoilers, mas vou tentar o possível. Lucy é uma mulher independente, que cuida da própria fazenda, tem uma namorada (que está viajando no momento em que David aparece para visitá-la), e vive no interior desde a década de 70, quando fazia parte de comunidades hippies. O relacionamento de pai e filha altera-se bruscamente depois de um fato triste e perturbador – que não vou comentar – tornando-se o mote para o desenrolar da trama.

“É assim seu temperamento. Seu temperamento não vai mudar, está velho demais para isso. Está fixo, estabelecido. O crânio, depois o temperamento: as duas partes mais duras do corpo.” (p.8)

Em determinados momentos, senti muita raiva do protagonista, mas o mais interessante é justamente isso: Desonra é um romance de formação ao contrário. David precisa se desconstruir o tempo todo, entender novas formas de vida diferentes da sua, conhecer pessoas novas e até aceitar ideias que ele refutava. O ódio foi amenizando e dava para entender alguns pensamentos e sentimentos do personagem. Eu simpatizei bem mais com Lucy e Bev, uma amiga de Lucy que mora na região (obviamente porque são mulheres que detestam o fato de ele ter assediado uma aluna).

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O livro de J.M. Coetzee, como a própria contracapa do livro aponta, “converte o romance da decadência de David Lurie numa perturbadora alegoria das desigualdades que continuaram a dilacerar a África do Sul após o colapso do regime racista.” Também traz várias discussões sobre as dificuldades que rondam o país, além de elucidar a passagem do tempo: a decadência de Lurie vem acompanhada da velhice, que não deixa de de rondá-lo.

“Ele continua ensinando porque é assim que ganha a vida; e também porque aprende a ser humilde, faz com que perceba o seu papel no mundo. A ironia não lhe escapa: aquele que vai ensinar acaba aprendendo a melhor lição, enquanto os que vão aprender não aprendem nada”. (p.10)

David traça o caminho da própria perdição com cínica lucidez quando se vê obrigado a defender a honra de sua única filha: e é esse choque que faz o personagem se transformar (na medida do possível) e entender que a vida – e seu país – vão muito além do universo “classe-média-acadêmico”.

“Ele fala italiano, fala francês, mas italiano e francês de nada lhe valem na África negra. Está desamparado, um alvo fácil, um personagem de cartoon, um missionário de batina e capacete esperando de mãos juntas e olhos virados para o céu enquanto os selvagens combinam lá na língua deles como jogá-lo dentro do caldeirão de água fervendo. O trabalho missionário: que herança deixou esse imenso empreendimento enaltecedor? Nada visível.” (p.111)

Nos últimos capítulos de Desonra, o protagonista aceita sua nova condição: um homem cuja vida transformou-se radicalmente, tentando fazer o melhor possível com o tempo que lhe resta. Uma nova reviravolta com a filha o faz retornar à fazenda, levando-o a viver seus últimos dias ao lado de Lucy. As atitudes da filha nunca fazem sentido em sua cabeça, como se ‘houvesse caído uma cortina entre as duas gerações’. No entanto, é no interior da África, cuidando de cachorros feridos ao lado de Bev, que o protagonista busca sua redenção.

J.M. Coetzee venceu o prêmio Nobel de Literatura em 2003, e seu romance mais famoso é Desonra. É também o autor de Verão, Infância e várias outras obras renomadas.

E você, já leu Desonra? O que achou? Deixe sua opinião nos comentários!

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Resenha: Desonra - J.M. CoetzeeTítulo original: Disgrace
Autor: J.M. Coetzee
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 246
Ano: 2010
Gênero: Literatura estrangeira
Nota