Resenha: Crime e Castigo – Fiódor Dostoiévski

O clássico da literatura russa, Crime e Castigo, completou 150 anos em 2016, e é um daqueles livros que se mantêm atualizados até hoje. Ele retrata a vida de Rodión Románovitch Raskólnikov, um pobre estudante de direito de  São Petersburgo.

Resenha: Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Em seu cubículo, que mais parecia um armário do que um apartamento, Ródia (como também é conhecido o personagem), acaba tornando-se uma pessoa apática e que evita ao máximo qualquer tipo de contato social.

Quebrado e necessitando de ajuda para sobreviver, Ródia envolve-se com a velha Aliena Ivánovna, uma agiota. A miséria de Ródia aliada à repugnância da “velha” acabam sendo relevantes para o desenvolvimento da trama, pois trazem à tona seu primeiro desejo de assassiná-la.

Resenha: Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Durante Crime e Castigo, Ródia retrata sua visão de como o crime cometido é justificável, pois, segundo o personagem, na história da humanidade, crimes podem se tornar “meios” para atingir um tipo de “bem maior” – algo que seja relevante para a sociedade, por exemplo, ou um tipo de pensamento vanguardista.

Essa ideia é exposta em uma conversa entre Ródia e o juiz de instrução, Porfiri Pietróvitch:

“[…] começando pelos mais antigos e continuando com os Licurgos, Sólons, Maomés, Napoleões etc., todos eles, sem exceção, foram criminosos já pelo simples fato de que, tendo produzido a nova lei, com isso violaram a lei antiga […] Mas se um deles, para realizar sua ideia, precisar passar por cima ainda de que seja de um cadáver, de sangue, a meu ver ele pode se permitir, no seu íntimo, na sua consciência passar por cima do sangue […]” p. 265 – 266

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Se tratando de um clássico como Crime e Castigo, espera-se que seja uma leitura densa, e que o tema tratado torne-o pesado. Porém, o fato de o livro ser denso não o faz chato, muito pelo contrário. Dostoiévski consegue entrar na cabeça do leitor quando insere sua tese-chave. A trama, por si só, já é “labiríntica”, segundo sua própria sinopse. No entanto, o que chama muito a atenção é a linguagem empregada pelo autor. Sua escrita é única, e varia conforme a ascendência do personagem. Há um certo tom de instabilidade no discurso de Dostoiévski, perfeitamente plausível, afinal, nas palavras do tradutor, Paulo Bezerra:

“[…] Likhatchóv aponta como centrais no estilo do romancista certa instabilidade (zíbkost) e uma sensação de inacabamento […] Desse modo, cria-se a impressão de que ele força, precipita o discurso, é desleixado ou “inapto” […] Tudo isso somado cria uma sensação de indefinição e instabilidade na feitura do discurso, […] cujo fim é estimular no leitor a ideia de inacabamento a fim de levá-lo a tirar suas próprias conclusões. […] e está diretamente associada à instabilidade do mundo e das relações sociais e humanas que sedimenta o conjunto de sua obra. […]” p.569 – 570

Resenha: Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Crime e Castigo não é um livro simples. Ele retrata diversas facetas das relações sociais humanas, e mostra como o homem é sujo e vil. Assim como também mostra a luta de diversas personagens para sobreviver em um ambiente hostil como o retratado. Sem dúvida, este é um dos melhores livros que já li. Afinal, não é à toa que, 150 anos depois, esta ainda seja uma obra atual e muito discutida.

LEIA TAMBÉM

Resenha: Crime e Castigo - Fiódor DostoiévskiTítulo original: Prestuplênie i Nakazánie
Autor: Fiódor Dostoiévski
Editora: 34
Número de páginas: 591
Ano: 2016
Gênero: Literatura estrangeira
Nota: 


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Escrito por:

Melissa Marques


Resenha: Notas Sobre Ela – Zack Magiezi

Recebi da Editora Record (através do selo Bertrand Brasil) o novo livro do autor Zack Magiezi, Notas Sobre Ela.

Resenha: Notas Sobre Ela - Zack Magiezi

FOTO: Reprodução / Bárbara Sá – Segredos Entre Amigas

Ao contrário de outros livros e autores que abordam o universo feminino de maneira contemplativa, em diversos momentos, em Notas Sobre Ela, Zack Magiezi tenta mergulhar na essência dessa mulher e, infelizmente, acaba um pouco pedante.

O livro acaba sendo muito genérico e piegas, já que o autor não tem uma “musa”, mas tenta abraçar o mundo com seus poemas. É claro, a fórmula funciona: muitas mulheres – em algum momento da vida – se identificam com os textos de Magiezi, porém, não há profundidade em seus escritos.

Boa noite.#zackmagiezi

Posted by Zack Magiezi on Wednesday, March 22, 2017

O livro é dividido em quatro partes:

  • Parte I: A infância – ou tardes de quintal;
  • Parte II: Juventude – ou os dias em que o mundo se revelou imenso;
  • Parte III: Ser adulta – ou o meio do caminho;
  • Parte IV: Velhice – ou a vida em crise (de riso).

Ele fala sobre amor, tristeza, infância, sexo… Mas não expõe o cerne de nenhuma questão. Vale ressaltar que não acompanho o trabalho de Zack Magiezi em sua fanpage, portanto, esse foi o meu primeiro contato com a obra do autor.

Resenha: Notas Sobre Ela - Zack Magiezi

FOTO: Reprodução / Anna Schermak – Pausa Para Um Café

Os poemas soam como pílulas. Pequenas doses de pensamento sobre um determinado tema. O que, de certa forma, acaba deixando o livro bastante fluído, a leitura fácil e rápida.

Aproveite para comprar:

Indico o Notas Sobre Ela para quem está começando a se interessar por poemas agora e para quem gostaria de conhecer melhor essa poesia moderna que surge através de páginas do Facebook – como Clarice Freire, autora de Pó de Lua.

perfeita para si mesma.#zackmagiezi #notassobreela

Posted by Zack Magiezi on Sunday, March 12, 2017

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

LEIA TAMBÉM

Resenha: Notas Sobre Ela - Zack MagieziTítulo original: Notas Sobre Ela
Autor: Zack Magiesi
Editora: Editora Record (selo Bertrand Brasil)
Número de páginas: 120
Ano: 2017
Gênero: Poesia
Nota: 


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Melissa Marques


Resenha: Como Falar com Garotas em Festas – Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá

Os ilustradores brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá foram convidados a transformar o conto Como Falar com Garotas em Festas, escrito por Neil Gaiman, em uma graphic novel. O resultado foi publicado pela Companhia das Letras através do selo Quadrinhos na Cia.

Resenha: Como Falar com Garotas em Festas - Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Não sabia exatamente o que esperar sobre o conteúdo do livro, mas tinha certeza de que não se tratava de um guia bobo sobre como chegar na menina. É assim: Neil Gaiman não desaponta. Não existe essa possibilidade. Então, comecei a leitura já esperando ser surpreendida.

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Como Falar com Garotas em Festas conta a história de Vic e Enn, dois amigos de 15 anos que querem chegar em uma festa. Vic é o amigo bonitão e conquistador. Já Enn é aquele cara mais fechado, na dele, e que não consegue chegar em ninguém, haha.

Através da música, os dois acabam encontrando o local. E é ali que a narrativa se desenvolve de fato: enquanto Vic puxa papo com a garota-mais-linda-da-festa, Enn tenta se manter com o mínimo de interesse em estar no lugar. Para isso, ele utiliza uma dica simples dada por seu amigo para conseguir conversar com garotas em festas: “Fala!“.

Resenha: Como Falar com Garotas em Festas - Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

A música, aliás, faz parte do cenário da graphic novel: ela dá o tom ao ambiente e é essencial para algumas cenas. Seja na sala barulhenta cheia de jovens adultos dançando e conversando, seja para trazer contexto histórico às cenas.

É claro: na narrativa não poderia faltar o tom fantástico de Neil Gaiman – assumo que me surpreendeu positivamente, além de emocionar com toda a sua poesia e metáforas incríveis.

Qual é o seu nome
Triolet
Nome bonito
É uma forma de poema. Como eu.
Você é um poema?
(p. 39)

Inclusive, Como Falar com Garotas em Festas será adaptado para o cinema. Neil Gaiman compartilhou um teaser no Instagram. Olha só:

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* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora

Resenha: Como Falar com Garotas em Festas - Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel BáTítulo original: How to Talk to Girls at Parties
Autor: Neil Gaiman
Editora: Companhia das Letras (selo Quadrinhos na Cia.)
Número de páginas: 80
Ano: 2017
Gênero: Graphic Novel
Nota: 


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Melissa Marques


Resenha: Outros Jeitos de Usar a Boca – Rupi Kaur

Assim como muitos leitores, conheci Outros Jeitos de Usar a Boca através de um vídeo da JoutJout. Apesar do título não dizer muito a que veio, resolvi dar uma chance quando entendi que se tratava de um livro de poemas.

Resenha: Outros Jeitos de Usar a Boca - Rupi Kaur

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Originalmente a obra foi publicada de forma independente pela autora, Rupi Kaur, com o título Honey and Milk (que, para mim, é bem melhor que o escolhido para a tradução brasileira, haha).

Clique abaixo para adquirir o seu exemplar:

Nele, a autora aborda temáticas femininas e feministas através de seu ponto de vista. Isso faz com que Outros Jeitos de Usar a Boca seja não somente uma coletânea de poemas, mas praticamente uma autobiografia em versos. Rupi se desfaz em cada poema: expõe seus medos, angústias, incertezas… Mas também contempla o amor, a cura e a redenção através da poesia.

“meu coração me acordou chorando ontem à noite
o que eu posso fazer eu supliquei
meu coração disse
escreva o livro (p. 6)

Resenha: Outros Jeitos de Usar a Boca - Rupi Kaur

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

“quero pedir desculpa a todas as mulheres
que descrevi como bonitas
antes de dizer inteligentes ou corajosas
fico triste por ter falado como se
algo tão simples como aquilo que nasceu com você
fosse seu maior orgulho quando seu
espírito já despedaçou montanhas
de agora em diante vou dizer coisas como
você é forte ou você é incrível
não porque eu não te ache bonita
mas porque você é muito mais do que isso” (p. 179)

Apesar dos relatos extremamente pessoaisOutros Jeitos de Usar a Boca é capaz de gerar identidade ao tratar de temas que permeiam o “universo feminino”. Ele é dividido em quatro partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura. Cada uma delas a autora relata suas experiências com abuso, violência, amor, perda, entre outros assuntos.

“você precisa
ter vontade de passar
o resto da vida
antes de tudo
com você” (p. 198)

Resenha: Outros Jeitos de Usar a Boca - Rupi Kaur

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Ao abordar temas que ainda são considerados tabu em nossa sociedade – menstruação, depilação íntima, entre outros – Rupi representa e empodera as mulheres, dando força e visibilidade ao movimento feminista.

As atrizes Luisa Arraes, Débora Nascimento, Mariana Xavier, Cris Vianna e Andreia Horta foram convidadas pela Planeta de Livros Brasil para recitar alguns poemas de Rupi. O resultado está abaixo:

Uma homenagem de Rupi Kaur a todas as mulheres na voz de cinco…

Rupi Kaur dá voz às mulheres através de sua poesia libertadora. Hoje, no Dia Internacional da Mulher, assista a uma homenagem a todas as mulheres na voz de cinco representantes da força feminina.As atrizes Luisa Arraes, Débora Nascimento, Mariana Xavier, Cris Vianna e Andreia Horta recitam poemas de Rupi Kaur, indiana radicada no Canadá que ficou conhecida por seu ativismo nas redes sociais e pelo livro “Milk and Honey”, publicado no Brasil como “outros jeitos de usar a boca” – um livro sobre a sobrevivência, o amor, o sexo, o abuso, a perda, o trauma, a cura e a feminilidade.

Posted by Planeta de Livros Brasil on Wednesday, March 8, 2017

Outros Jeitos de Usar a Boca  é, ao mesmo tempo, sensível, cruel, duro, amável, esclarecedor e cheio de representatividade. Um jornada na vida de Rupi Kaur que também representa a jornada na vida de muitas mulheres.

“fique firme enquanto dói
faça flores com a dor
você me ajudou
a fazer flores com a minha
então floresça de um jeito lindo
perigoso
escandaloso
floresça suave
do jeito que você preferir
apenas floresça

– para quem me lê” (p. 158)

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Resenha: Outros Jeitos de Usar a Boca - Rupi KaurTítulo original: Honey and Milk
Autora: Rupi Kaur
Editora: Planeta de Livros Brasil
Número de páginas: 208
Ano: 2017
Gênero: Poemas
Nota:


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Melissa Marques


Resenha: Sonetos de Amor – Luís Vaz de Camões

Expectativa de ler o livro: “Oba, livro pequeno! Fácil e rápido para ler“.

Realidade de ler o livro: “MEU DEUS, CAMÕES É MUITO DIFÍCIL“.

Sim, foi assim que eu me senti. HAHA!

Resenha: Sonetos de Amor - Luís Vaz de Camões

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O livro Sonetos de Amor começa justamente com uma introdução bem recheada sobre a obra camoniana. E, olha: AINDA BEM. Se com ela já foi complicado, imagina sem? Não entendam mal: o livro é incrível, cada soneto melhor que o outro. Mas o que quero dizer é que exige um certo esforço do leitor para ler e interpretar cada obra.

Clique abaixo para adquirir o seu:

É uma pena que, segundo a próprio introdução do livro, os sonetos de Camões sejam tão confusos: não eram datados, não continham a assinatura do autor, muito menos o contexto histórico ou algum tipo de dedicatória. Porém, de uma coisa podemos ter certeza: Camões amou.

“Luís de Camões amou muito, sofreu muito, teve gozo no seu sofrimento e escreveu dezenas de sonetos (e canções, elegias, odes etc.) numa repetida tentativa de entender o que era essa coisa simultaneamente terrível e sublime”

Camões endeusa cada uma das mulheres com quem se relacionou através de seus versos e, mesmo não tendo uma diva inspiradora “única”, suas amantes foram, ao meu ver, o sal de sua vida.

Resenha: Sonetos de Amor - Luís Vaz de Camões

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Apesar de rebuscado, ao abordar um tema tão universal, Camões consegue tocar facilmente qualquer tipo de leitor que já tenha experimentado a sensação de apaixonar-se, seja para a vida toda, seja um amor de metrô. E a beleza da obra é justamente essa.

Lindo e su[b]til trançado, que ficaste
Em penhor do remédio que mereço,
Se só contigo, vendo-te, endoideço,
Que fora com os cabelos que apertaste?

Aquelas tranças de ouro que ligaste,
Que os raios do Sol têm em pouco preço,
Não sei se ou para engano do que peço,
Ou para me matar as desataste.

Lindo trançado, em minhas mãos te vejo,
E por satisfação de minhas dores,
Como quem não tem outra, hei de tomar-te.

E se não for contente o meu desejo,
Dir-lhe-ei que, nesta regra dos amores,
Por o todo também se toma a parte.

Belos, líricos, intensos. De encher os olhos e o coração. Meu primeiro contato com a obra de Luís Vaz de Camões foi uma ótima introdução ao autor que ajudou a forjar a literatura portuguesa que conhecemos hoje. A edição é simples, mas bem bonita. A capa com relevo e brilho ficou bem romântica. Apesar de curta, é uma obra SENSACIONAL – e cai muito bem como presente, viu?

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* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora

Resenha: Sonetos de Amor - Luís Vaz de CamõesTítulo original: Sonetos de Amor
Autor: Luís Vaz de Camões
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 72
Ano: 2017
Gênero: Sonetos
Nota: 


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Melissa Marques


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