Resenha

Resenha: Jogo Perigoso – Stephen King

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Mais um livro do Stephen King! Pois é, virei fã mesmo do autor. Demorei a vida inteira pra ler, mas agora que comecei, não quero mais parar! Depois de Sobre a Escrita e O Iluminado, agora foi a vez de Jogo Perigoso, livro de 1992. Quando li a premissa, já fiquei curiosa na hora! Vou resumir um pouco da história pra vocês:

Jessie Mahout vai passar um fim de semana ao lado do marido Gerald em uma casa de veraneio do casal, localizada no lago Kashwakamak. Durante uma brincadeira sexual, Gerald prende Jessie com algemas na cama. Porém, ela desiste do jogo, diz ao marido que não quer mais fazer sexo naquele momento, mas… Ele recusa-se a remover as algemas. Em um acesso de raiva, Jessie dá um chute no marido, que, ao mesmo tempo tem um infarto fulminante e cai morto no chão. Agora reflita comigo: ela está em um casa do lago, no meio do nada, sozinha, com o marido morto, semi-nua e presa com algemas na cama. QUE TENSO!

Durante todo o livro, conferimos Jessie tentando escapar e sobreviver. Também somos apresentados a diferentes vozes em sua cabeça, que acabam a ajudando a descobrir o que ela deve fazer – como se seu próprio subconsciente conversasse com ela. Conhecemos a “Esposinha Perfeita”, a feminista Ruth, voz de uma ex-colega de faculdade de Jessie, entre outras vozes internas que acabam aumentando ainda mais o clima de tensão do livro.

Do lado de fora da casa, há um cachorro vira-lata que não para de latir, ouve-se um barulho de motoserra ao longe e um mergulhão que não para de fazer barulho no lago. A porta do quarto também está semi-aberta e bate com o vento, criando um barulho irritante para a personagem.

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Li outras resenhas de pessoas que acharam o livro desanimado, parado e etc. Pelo contrário! Achei que a narrativa flui, dá muita vontade de saber o que vai acontecer e, ao mesmo tempo, choca e surpreende. Não apenas por ser uma história de sobrevivência, mas principalmente pela mensagem do livro, que usa essa situação de Jessie para criticar o machismo e o abuso sexual.

Jogo Perigoso não é somente um livro de suspense. Ele é um livro importante, principalmente no contexto que estamos vivendo hoje, nessa luta contra preconceitos, racismos, machismos e abusos sexuais. Escrito em 1992, ele não poderia ser mais atual: Stephen King critica aqui muitas atitudes grotescas dos homens e da sociedade em relação às mulheres. Desde incesto, até à questão da mulher ser uma ‘esposinha perfeita’ e aguentar relacionamentos abusivos. A crítica social em Jogo Perigoso é muito forte, especialmente em relação aos ridículos moldes familiares que, muitas vezes, criam as meninas para serem indefesas, donas de casa e aceitarem qualquer tipo de abuso masculino como algo normal ou a ser escondido.

Resenha: Jogo Perigoso - Stephen King
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Enquanto acompanhamos a tensa batalha de Jessie para escapar daquela situação humilhante e constrangedora, também sofremos e nos revoltamos com ela, principalmente quando conhecemos seu passado traumático, arrepiante até o último fio de cabelo. São cenas horrorosas, que mexem com nosso psicológico (mesmo!). Eu fiquei sem dormir uma noite, sério! Hahaha! Por dois motivos: por causa de algo MUITO assustador que surge no quarto de Jessie e por conta de seu passado repugnante. Stephen King sabe chocar como ninguém.

O único problema desse livro… É o final. Pense no fim mais decepcionante do mundo, pior que do livro A Filha, que resenhei aqui no blog faz pouco tempo. Na verdade, eu não entendi porque o Stephen King fez aquilo – talvez tenha sido até uma “ordem” do editor dele, não sei, mas destruiu praticamente tudo que foi construído ao longo do livro. Depois de tanto suspense, elementos que mexem com o psicológico da personagem (e com o nosso também), ele resolve dar uma explicação literal e racional para tudo o que aconteceu. É como se fosse um banho de água fria. PRA QUÊ???

Enfim, leiam Jogo Perigoso porque é excelente, mas tentem ignorar o final – vocês vão me entender se chegarem até as últimas páginas.

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Resenha: Jogo Perigoso - Stephen King

Título original: Gerald’s Game
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Número de páginas: 336
Ano: 2013
Gênero: Terror
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia

Resenha

Resenha: A Filha – Jane Shemilt

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O que dizer deste livro que devorei em poucos dias? Sou muito fã de romance policial/thriller/suspense/mistério/investigação ou como você quiser chamar. Desde pequena sou viciadíssima em histórias de detetive – Sherlock Holmes,  livros da Agatha Christie, Sidney Sheldon etc. Então, quando peguei o A Filha na mão e vi que era um romance policial, claro que já comecei a ler. Vou dizer pra vocês que não são todos que me empolgam, mas esse – como o encarte nos adianta – é VICIANTE!

A autora Jane Shemilt tem um estilo muito bom. A leitura prende do começo ao fim, não dá vontade de parar, tudo o que queremos saber é o que vai acontecer! Mas, antes de começar a me empolgar aqui, deixa eu falar um pouquinho da história do livro.

Em A Filha, acompanhamos a vida da família Malcolm: a mãe Jenny, o pai Ted, e os filhos Theo, Ed e Naomi. Jenny e Ted são médicos e estão sempre trabalhando, enquanto os filhos estão atarefados com atividades escolares. Theo e Ed são gêmeos, prestes a entrar na universidade, enquanto Naomi tem apenas 15 anos e é a atriz principal de uma peça da escola.

A narrativa é em primeira pessoa, pelos olhos de Jenny, que leva uma vida considerada normal e nos eixos – tem bastante dinheiro, é bem sucedida no trabalho e sua família é aparentemente inabalável. Até que um dia Naomi vai se apresentar na peça de teatro da escola e não volta para casa. A partir daí, vemos uma mãe abalada, desesperada e triste, em busca da filha que sumiu sem deixar rastros.

O livro intercala o passado com o presente, o que já empolga bastante (adoro linha temporal desfragmentada). A trama se passa em Bristol e Dorset, pequenas cidades da Inglaterra. A autora, por ser britânica, apresenta descrições bem precisas das estações do ano, do clima e das paisagens locais, criando uma atmosfera melancólica e triste. Sempre acompanhamos descrições de chuvas, ventos frios, tempestades e folhas caindo para marcar a passagem do tempo. Eu acho incrível, pois adoro esse tipo de clima e acredito que esse recurso enriquece a narrativa.

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O que mais gostei mesmo foi acompanharmos essa história pelo ponto de vista de uma mãe ingênua. O tempo todo Jenny acredita que Naomi é perfeita, que conhece sua filha como ninguém, que a garota é um anjo, boa aluna, talentosa, esforçada, incrível. Mas, pelo contrário, a menina esconde tantos segredos que dá até desespero de saber O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO! Lembra bastante a Laura Palmer, da série Twin Peaks.

Enquanto sofre dia após dia com o desaparecimento da garota, Jenny ainda tem que lidar com os outros dois filhos e os problemas do casamento. Em uma narrativa eletrizante, só queremos devorar as páginas para chegar ao final e entender por que Naomi sumiu e o que realmente acontecia no dia a dia dessa família, que, ao contrário do que parece, não é nada  feliz.

Mas, infelizmente, tenho algumas críticas negativas. Alguns personagens são inseridos na história da metade pra frente apenas para tapar buracos e criar uma justificativa para o que Jenny vai fazer. Não serviu de nada, poderia ter cortado e diminuído algumas páginas. Mas, isso ainda dá pra relevar, né? O problema é justamente a resolução do mistério. Você lê página atrás de página para ver um final incrível, para falar ‘AAH EU SEMPRE SOUBE’ ou ficar surpreso, indignado, esperançoso… mas… NÃO.

O final de A Filha foi decepcionante pra mim. Parece que a autora não sabia o que fazer e correu pra acabar logo, colocando um desfecho pobre e, digamos assim, caricato. Não fez muito sentido, sabe? E por mais que a gente queira compreender o que se passou na cabeça de Naomi, não vamos saber não, amigos. Tudo bem que a narrativa é pelo ponto de vista da mãe, então complica saber, mas o TEMPO INTEIRO os outros personagens dão dicas, falam sobre Naomi, comentam coisas do tipo “nossa, você não faz mesmo ideia de quem é a verdadeira Naomi”. Jane Shemilt cria um suspense enorme em volta da personalidade da menina, mas, no fim das contas, o mistério permanece. Não vamos saber quem é realmente A Filha.

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

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Resenha: A Filha - Jane Shemilt

Título original: Daughter
Autor: Jane Shemilt
Editora: Harper Collins Brasil
Número de páginas: 320
Ano: 2015
Gênero: Thriller
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia

Resenha

Resenha: Os Assassinos do Cartão-Postal – James Patterson e Liza Marklund

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Em 2014 tive o prazer de conferir a Bienal do Livro em SP e, aproveitando que estava lá a trabalho, passei em alguns estandes para comprar livros. Em um deles, mais especificamente da editora Arqueiro, encontrei um livro por R$9,90. Na capa, dizia que o escritor era o “o autor de mistério e suspense mais famoso do mundo”. Achei no mínimo curioso e, como o preço estava bacana, resolvi comprar Assassinos do Cartão-Postal, de James Patterson e Liza Marklund.

Pesquisei no Google e descobri que o James Patterson é realmente muito famoso. Sempre em primeiro na lista dos best-sellers nova-iorquinos, seus livros já viraram filmes (um deles com Morgan Freeman no papel principal) e, inclusive, além de suspense, ele também escreve fantasia para o público infanto-juvenil. 

Antes de começar o livro Os Assassinos do Cartão-Postal , imaginei que fosse algo bem bobinho. Mas é um bom suspense, com personagens carismáticos e uma trama envolvente. A história é sobre o detetive norte-americano Jacob Kanon, que está na Europa para investigar o assassinato de sua filha Kimmy. Na verdade, Kimmy é apenas uma peça de um doentio quebra-cabeças. Em toda a Europa, jovens casais são encontrados mortos com a garganta cortada. Os assassinatos não parecem ter qualquer conexão, além de cartões-postais enviados para os jornais locais dias antes da descoberta de cada crime. Na tentativa de salvar as próximas vítimas, Jacob vai se unir à jornalista Dessie Larsson, que acaba de receber um cartão-postal em Estocolmo. (Fonte: Arqueiro)

Apesar de ser uma boa história, infelizmente ela cai no velho clichê. Suécia, jornalista, policial, serial killers… já existe um milhão de outras tramas iguais a essa. Envolver obras de arte na trama também é bem comum (vide Dan Brown) e nada original. O final também é previsível, deixando aquele “ok, é só isso?” depois que acaba.

Com 300 páginas, Os Assassinos do Cartão-Postal poderia ser condensado em 200, já que boa parte é enrolação. Os personagens são bacanas, mas é aquele tipo de livro já escrito para virar filme. A linguagem é simples, o ritmo é bom, mas só consigo imaginar aquilo como um roteiro. Entendo o sucesso que Patterson faz, porque o jeito que ele escreve envolve o leitor na história, o que é um ponto muito positivo. Mas, de qualquer forma, não acrescenta nada de novo: faltou uma trama mais difícil de desenrolar, uma teia mais complexa e minuciosa.

Outra coisa que me incomodou foram os assassinos: suas motivações são fracas e mal explicadas. A personalidade dos dois também foi pouco trabalhada; apesar de o autor ter criado uma explicação para a loucura dos dois, é ligeiramente forçado e não convence. Faltou um desenvolvimento melhor de personagem, principalmente quando se trata dos assassinos da história.

Indico a leitura para quem, como eu, é fissurado em suspenses. Mas, o problema de quem é viciado nesse gênero é justamente esse: o vício nos faz adivinhar tudo, então dificilmente uma história será inesperada e intrigante.

Obs: comprei o livro físico na Bienal, mas acabei trocando por outro no sebo… por isso a foto do Kindle!

Resenha: Os Assassinos do Cartão-Postal

 

Título original: The Postcard Killers
Autor: James Patterson e Liza Marklund
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 304
Ano: 2014
Gênero: Policial
Nota1 estrela1 estrelaestrela vaziaestrela vaziaestrela vazia

Resenha

Resenha: Assassinato no Expresso do Oriente – Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

CHEGA DE JULGAMENTOS! Nunca mais serei alvo de risos contidos e olhos esbugalhados me perguntando: “COMO ASSIM, VOCÊ NUNCA LEU AGATHA CHRISTIE?”. Pois é, minha gente! Minha hora de brilhar ler um livro da Rainha do Crime chegou! Meu escolhido foi o famoso Assassinato no Expresso do Oriente, edição da Nova Fronteira!

Resenha: Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Vou falar bem ~de boas~ sobre o enredo, já que não é novidade pra ninguém, a não ser pra mim, né? haha

Resumindo (muito bem resumido), em uma viagem de trem à Londres, durante uma parada por causa de uma nevasca, o corpo de um dos passageiros é encontrado com 12 facadas e cabe ao detetive Hercule Poirot solucionar o crime antes da polícia iugoslava.

O que mais me espantou (aka: me deixou “de cara”) foi o fato de Assassinato no Expresso do Oriente ter “apenas” (digo apenas por que, para um leitor acostumado com livros de mais de 300 páginas, esse pode ser considerado pequeno) 200 páginas e tantas ideias borbulhantes e reviravoltas.

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Posso dizer que cheguei a suspeitar de cada um dos viajantes do Expresso do Oriente. Pra depois, claro, pensar: “que idiota, claro que não!”. Fiquei sem comer, sem dormir (de domingo pra segunda dormi 3h, valeu, Agatha!), sem sair! Haha. Gente, sério. O negócio é incrível, tenso, e você NÃO PODE PARAR! ~não para, não para, não para, não!~

Eu, muito ligeira, sagaz e espertona, tinha certeza – ou uma boa aposta – sobre como terminaria o livro. E olha, posso dizer: NÃO TEM NADA A VER COM O QUE EU PENSEI. RISOS.

Resenha: Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Ou tem. Até tem. Mas o fim você só vai descobrir lendo Assassinato no Expresso do Oriente.
No decorrer do livro, como a maioria dos suspenses policiais, a autora lança diversas dicas, mas que você só acaba percebendo quando chega na última página.

Resumindo, Agatha, fofa… Você merece totalmente o título. Você é linda, rainha, querida, lacradora, diva e muito mais. Te considero pakas.

PS: Senti falta de uma notinha de rodapé traduzindo algumas frases em francês.
PS²: Li várias resenhas apontando o livro como um dos melhores da Agatha, então, se você ainda não leu, vale a pena tirar umas horinhas para se dedicar ao crime 😉 #tôprocrime

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Assassinato no Expresso do Oriente foi adaptado para os cinemas! Confira o trailer legendado:

Assassinato no expresso do oriente - Agatha ChristieTítulo original: Murder on the Orient Express
Autor: Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 200
Ano: 2014
Gênero: Ficção / Policial
Nota