Resenha

Resenha: Mulherzinhas – Louisa May Alcott

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

O livro Mulherzinhas é um daqueles clássicos que já foram citados milhares de vezes no cinema, na TV e em outros livros. Com várias adaptações, a obra de Louisa May Alcott tornou-se uma referência mundial na literatura jovem/infantil. A história das irmãs Jo, Amy, Beth e Meg fascina até hoje, com personagens únicas de personalidades fortes.

Resenha

Resenha: A Ilha do Doutor Moreau – H. G. Wells

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

A Ilha do Doutor Moreau foi meu primeiro contato com H. G. Wells. Uma das características mais marcantes nas obras do autor é a forma que ele descreve os fatos: é tão verossímil que, muitas vezes, acaba confundindo o leitor. Logo no começo da narrativa me peguei pensando “Mas, espera, isso aconteceu mesmo? Ele está misturando ficção e realidade? É tudo realidade? É tudo ficção?“. HAHAHA Deu tela azul aqui, galera.

Em A Ilha do Doutor Moreau conhecemos Pendrick, um náufrago, socorrido por um navio com a tripulação extremamente esquisita – em vários sentidos – e, muitas vezes, hostil. Ele é salvo por Montgomery que, a princípio, se mostra ao menos levemente preocupado com a vida do homem que acabara de salvar.

“É quando o sofrimento encontra uma voz e faz nossos nervos estremecerem que a piedade vem nos perturbar.” p. 40.

Extremamente debilitado, Pendrick é colocado junto com a carga viva do navio, que conta com diversos coelhos, cães do mato, e até um puma. Todos os animais seriam posteriormente levados à uma ilha, a A Ilha do Doutor Moreau.

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Pendrick e o capitão – um beberrão sem perspectivas – têm inúmeras brigas e, por isso, o homem acaba sendo largado novamente no mar, porém, próximo ao destino final de Montgomery e seus animais.

Mais uma vez compadecido com a situação de Pendrick, Montgomery resolve levá-lo junto com sua carga animalesca. É neste momento que a história engata, e conhecemos Dr. Moreau e suas criaturas. A princípio, Pendrick fica confuso e atormentado com os habitantes da ilha e, aos poucos, acaba entendendo o que se passa por lá.

Resenha: A Ilha do Doutor Moreau - H. G. Wells
FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

“Seria possível, pensei, que algo como a vivissecção de homens estivesse sendo conduzido ali?” p.53.

A narrativa toma um ritmo mais ágil e cheio de suspense.

H. G. Wells – que era formado em Biologia – acaba trazendo, através da ficção – diversos questionamentos sobre religião, ética científica, moralidade e a dicotomia do instinto versus a consciência.

“Não ficar de quatro; essa é a Lei. Não somos homens?
Não sugar a bebida; essa é a Lei. Não somos homens?
Não comer peixe nem carne; essa é a Lei. Não somos homens?
Não arranhar a casca das árvores; essa é a Lei. Não somos homens?
Não caçar outros homens; essa é a Lei. Não somos homens?

[…]

Dele é a Casa de Dor.
Dele é a mão que faz.
Dele é a mão que fere.
Dele é a mão que cura.”

p. 62.

Em alguns momentos a obra acabou me lembrando muito o famoso A Revolução dos Bichos, obviamente, no que tange a humanização dos animais. Além disso, também há um toque de Frankenstein, ao entendermos as experiências feitas por Moreau, seus anseios, medos e motivações.

“Uma mente verdadeiramente aberta ao que a ciência tem a ensinar deve reconhecer que é uma coisa pequena. Pode ser que, exceto neste pequeno planeta, esta pitada de poeira cósmica, invisível muito antes que se possa alcançar a estrela mais próxima… pode ser, repito, que em nenhum outro lugar exista essa coisa chamada dor.” p. 78.

Uma obra bastante complexa, com um ritmo narrativo que instiga o leitor a sempre estar alerta. Sem contar que, em poucas páginas, podemos perceber a destreza de Wells como autor, além de seus conhecimentos técnicos, que deixam a história ainda mais robusta.

*  Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

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Resenha: A Ilha do Doutor Moreau - H. G. WellsTítulo original: The Island of Dr. Moreau
Autor: H. G. Wells
Editora: ViaLeitura
Número de páginas: 144
Ano: 2018
Gênero: Ficção
Nota: 

Resenha

Resenha: Carmilla – A Vampira de Karnstein – Sheridan Le Fanu

Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Eu sempre adorei livros de suspense/terror, e até já resenhei o Drácula de Bram Stoker aqui no blog. Mas eu nem imaginava que o livro Carmilla – A Vampira de Karnstein, do autor irlandês Sheridan Le Fanu, foi uma das mais famosas histórias sobre vampiros que influenciou diversos autores posteriormente.

Carmilla, além de trazer aquela conhecida história de criaturas assustadoras que atacam pessoas durante à noite em pequenos vilarejos, tem um belo diferencial: a vampira de Karnstein sente forte atração por mulheres. Ou seja: ela foi considerada a primeira vampira lésbica. Agora imagine uma obra que foi escrita em 1872 narrando a história de duas jovens que se apaixonam de uma forma “inexplicável” (e bem sutil, diga-se de passagem). Bem à frente de seu tempo, Sheridan Le Fanu foi bem ousado para a época, trazendo um novo de ponto de vista para os contos de vampiro.

A narrativa é pelo ponto de vista da jovem Laura, que vive isolada com o pai em um castelo na Estíria – região do antigo império austro-húngaro. No entanto, a chegada de uma hóspede inesperada e belíssima – chamada Carmilla – desperta os sentimentos amorosos da jovem Laura, ao mesmo tempo que lhe causará certo terror ao trazer de volta antigos pesadelos da infância. Carmilla é um conto sobre sedução e horror, criaturas ancestrais e o despertar da maturidade, amor e repulsa.

A narrativa é bem tensa: pouco a pouco conhecemos detalhes do misterioso passado de Carmilla. Também é nítida a paixão ingênua de Laura, que vive na solidão e se apaixona prontamente pela hóspede, sem entender o porquê de tamanha atração e magnetismo.

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Todas as características de livros sobre vampiros estão aqui: situações estranhas que acontecem ao redor do schloss (castelo em que vive Laura e seu pai), vizinhos e conhecidos morrendo subitamente, pessoas adoecendo, pesadelos constantes, terrores noturnos e muito mais.

Resenha: Carmilla - A Vampira de Karnstein - Sheridan Le Fanu
Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Se você procura elementos de ação, só vai encontrar no final. Carmilla é mais voltado para as famosas lendas de vampiros – ou revenants – e sua percepção no imaginário europeu da época. O livro faz o estilo romance vitoriano/gótico, então se você gosta desse gênero literário, vai adorar a obra!

LEIA TAMBÉM

Resenha: Carmilla - A Vampira de Karnstein - Sheridan Le FanuTítulo original: Carmilla
Autor: Sheridan Le Fanu
Editora: Edipro/Via Leitura
Número de páginas: 93
Ano: 2018
Gênero: Romance gótico/Terror
Nota

Curiosidades

Curiosidades sobre Frankenstein que você nem imaginava

Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Em 2018, a clássica obra de Mary Shelley, Frankenstein, completa 200 anos. Publicada originalmente em 1818, quando a autora tinha apenas 20 anos, revolucionou o gênero literário dos contos de terror. A obra mistura elementos de terror e ficção cientifica e rapidamente tornou-se um grande clássico da literatura gótica. Confira algumas curiosidades sobre Frankenstein e apaixone-se ainda mais pela obra!

Confira 10 curiosidades sobre Frankenstein que você nem imaginava:

1. Frankenstein surgiu de uma aposta?

Em 1816, Mary Shelley, John Polidori, Percy Shelley e Lord Biron (os dois últimos considerados uns dos maiores poetas da língua inglesa), fizeram uma aposta entre amigos de quem conseguiria escrever a melhor história de horror de todos os tempos. Nesta ocasião, Mary escreveu o clássico Frankenstein, o que a tornaria “a mãe da ficção cientifica”.

2. Quem escreveu Frankenstein?

Apesar de hoje em dia todos conhecerem Mary Shelley como a criadora do famoso monstro, mas nem sempre foi assim. Isso porque a primeira publicação da obra foi lançada de forma anônima. Os motivos para Mary ter feito isso ainda são discutidos. Alguns defendem que a autora preferiu o anonimato por temer críticas enviesadas por ser uma jovem mulher. Outros acreditam que foi devido a fama de seus pais: Mary é filha do filósofo William Godwin e da feminista Mary Wollstonecraft.

3. O monstro não chama Frankenstein? Como assim?

Frankenstein na realidade é o nome do cientista que criou o monstro, o Dr. Victor Frankenstein. Na história original o monstro não tem nome, sendo chamado de “O monstro”, “A criatura”, ou “Aquilo”.

Victor Frankenstein na série Penny Dreadful

 

4. Frankenstein e a bioética

Na história, o monstro é concebido de forma desumana, movido unicamente pela ambição do cientista. A criatura não recebe sequer um nome e é altamente desprezada pela sociedade. Inclusive, esse é um dos temas no qual Frankenstein é debatido até hoje: o da bioética. Este ano, o The Royal Institution (fundado em Londres em 1799) irá organizar um congresso devido os 200 anos de Frankenstein, para discutir, entre outros temas, a bioética e a biotecnologia.

5. A obra de Mary Shelley e a transfusão de sangue

No ano de 1818, foi realizada a primeira transfusão de sangue com sucesso. Mesmo assim o processo, por décadas, foi considerado como um procedimento bastante arriscado. O desenvolvimento de novas técnicas e descobertas cientificas da medicina sempre geraram muitos debates. E na obra, Mary traz ao público algumas dessas discussões que estavam surgindo na época.

6. Frankenfoods?

A obra de Mary Shelley inspirou não somente grandes nomes da cultura, mas também ultrapassou barreiras e chegou ao ramo alimentício. Frankenfood, ou comida Frankenstein, é o termo derivado em inglês para alimentos geneticamente modificados, que são mais conhecidos como transgênicos. O nome Frankenfood é usado normalmente por críticos dessa descoberta, como Paul McCartney em sua campanha “Say no to GMO” (diga não para o Organismo Geneticamente Modificado).

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7. A criatura de Frankenstein não é verde

Na obra original de Mary Shelley, o monstro não é da cor verde, como estamos habituados a ver nas inúmeras adaptações cinematográficas do livro, mas sim a criatura é descrita com um tom de pele “amarelo pálido”, uma cor cadavérica. Assim como é visto na versão interpretado por David Prowse, de 1970, e Penny Dreadful, exibida no Brasil pela HBO e tem a versão também disponível no Netflix.

O que seria de Dr. Frankenstein sem sua Criatura?

8. Frankenstein realmente existe?

Sim, Frankenstein realmente existe, e não, não é da maneira que as pessoas pensam. Na verdade, Frankenstein é o nome de um castelo que fica localizado na região de Darmstand, na Alemanha. Inclusive, o local foi visitado por Mary Shelley na época, e o nome foi usado de inspiração para sua obra.
A melhor parte disso é que o castelo ainda existe – pelo menos em parte. A edificação hoje encontra-se em ruínas, porém ainda existem algumas torres de pé e partes do castelo ainda podem ser visitadas. O local possui um pátio enorme, uma pequena lanchonete e uma área para piquenique com mesinhas.

A inspiração do nome veio do castelo localizado em Darmstadt, Alemanha – Foto: Wikipedia

9. Assistente Igor

O assistente Igor, que nas adaptações cinematográficas é criado para dialogar com o Dr. Victor, e também serve, em alguns momentos, como alívio cômico na história, de nada tem a ver com o personagem da literatura. Na obra, o assistente é descrito como recluso e que cada vez mais passa a se distanciar da sociedade.

Daniel Radcliffe interpretou Igor na adaptação para o cinema de 2015

10. O que a aposta rendeu no final?

Já foi citado que a motivação para Mary Shelley começar a produzir esta obra de terror foi uma aposta feita entre amigos. Porém, na aposta, além de Mary, também participa o escritor Percy Shelley. O sobrenome do autor não é mera semelhança, pois Mary e ele se casaram alguns anos depois. Além do Frankenstein, a aposta também rendeu o início de outro gênero de terror literário que é aclamado até hoje, o dos vampiros. Já que John Polidori escreveu The Vampyre, que seria a primeira obra literária sobre o tema.

Sou suspeita para falar, porque AMO esse livro! E vocês, já conheciam essas curiosidades sobre Frankenstein? Comente!

Fonte: Via Leitura/Edipro

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Resenha

Resenha: Frankenstein – Mary Shelley

Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Sempre tive vontade de ler Frankenstein, Drácula e afins. Aos 13 anos li O Médico e o Monstro, mas na época não continuei os romances góticos do século XIX. Misturando terror e suspense com alegorias e referências ao subconscienteà Revolução Industrial e ao advento da ciência, esse tipo de literatura é riquíssima. Ao mesmo tempo em que te prende em uma narrativa que flui, também intercala com reflexões e pensamentos que não são exclusivos daquela época e são válidos até hoje.

Optei pelo Frankenstein porque conhecia a história bem por cima, sem muitos detalhes da obra original. Assistir à série Penny Dreadful me incentivou ainda mais, porque o Victor Frankenstein e a “criatura” da série são personagens interessantes.

Quando terminei de ler, a princípio Frankenstein me pareceu um excelente livro, uma história fechadinha e bem finalizada. No entanto, parando para pensar a respeito, é um livro tão recheado de alegorias que fica complicado classificá-lo como apenas uma história de um cientista que deu vida à uma criatura destruidora.

A história é bem conhecida: Victor Frankenstein é um cientista ambicioso que almeja sucesso na profissão e tem uma sede eterna pelo saber. Sempre instigado a entender a origem da vida e os mistérios da morte, resolve dar vida à sua própria criação, com o objetivo de mostrar seu potencial no meio científico.

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Ele acredita ser capaz de criar um ser humano, como se moldasse um boneco de argila. Mas depois que a criatura ganha vida e torna-se tenebrosa, ele imediatamente se arrepende e a abandona, fugindo para longe e tentando viver como se aquilo nunca tivesse acontecido. Com o tempo, a criatura volta em busca de Frankenstein e, claro, de respostas; basicamente tentando entender por qual motivo os humanos o rejeitam tanto, sempre pedindo ajuda para diminuir seu sofrimento.

Resenha: Frankenstein - Mary Shelley
Foto: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

O mais interessante é que a criatura é digna de pena. Inicialmente, um capricho equivocado de Frankenstein, um “demônio” como ele mesmo o intitula; um ser deformado, gigantesco, de voz rouca e rosto assustador. Porém, ele só deseja ser aceito e amado, como qualquer outro humano. Quer se integrar na sociedade, viver uma vida normal, andar em locais públicos sem ser massacrado, ganhar o reconhecimento de seu criador. E tudo isso lhe é negado; Frankenstein o rejeita totalmente, morrendo de medo de sua própria criação e sentindo remorso todos os dias pela sua falha.

Ao mesmo tempo em que o objetivo da autora Mary Shelley era vencer um concurso de história de terror mais assustadora, ela conseguiu unir o sentimento aterrorizante à crítica do indivíduo que tem medo de sua própria criação. Frankenstein e a criatura não são mais do que duas partes do mesmo ser. Um, movido pelo medo, ceticismo e frieza. O outro, a externalização dos sentimentos, a emoção. E as emoções fortes não são inerentes do humano, mas sim da criatura.

O livro é angustiante. Dá para sentir na pele o nervosismo, o medo, a ansiedade do arrependido cientista. Acompanhamos sua trajetória desde a infância, até sua derrocada, quando está enfermo e cego pela vingança. O monstro é incrivelmente inteligente e amável, mas de tanto ser rejeitado e escorraçado, se transforma verdadeiramente em um demônio.

A história é contada por meio de diários e cartas, como era de costume daquela época – o que não deixa de ser uma leitura envolvente. Com poucas páginas, é rapidinho de ler e apresenta passagens memoráveis, como esta:

“Repousamos – um sonho tem o poder de envenenar o sono.
Acordamos – um pensamento fugidio conspurca o dia.
Sentindo, imaginando, ou raciocinando, rindo ou chorando, aceitamos a mágoa, ou repelimos nossas preocupações.
Mas tudo permanece no mesmo: pois alegre ou triste,
O caminho da partida ainda fica livre.
O ontem do homem talvez jamais seja como o seu amanhã:
Nada perdura, a não ser a instabilidade.

Quem ainda tem aquela ideia do monstro verde criado em uma noite de tempestade pode deixar essa concepção de lado; Frankenstein vai muito além disso. Outro erro comum é chamar a criatura de Frankenstein, sendo que o nome é de seu criador.

E aí, vai encarar a leitura?

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Resenha: Frankenstein - Mary ShelleyTítulo original: Frankenstein
Autor: Mary Shelley
Editora: Edipro
Número de páginas: 224
Ano: 2017
Gênero: Terror
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