Resenha

Resenha: Mulheres e Ficção – Virginia Woolf

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

O livro Mulheres e Ficção, de Virginia Woolf, trata-se de uma coletânea de ensaios da escritora, com diversos textos sobre o papel das mulheres na literatura através dos séculos, especialmente na literatura inglesa. Nas palavras de Woolf, “o título deste artigo pode ser lido de dois modos: em alusão as mulheres  e à ficção que elas escrevem, ou às mulheres e a ficção que é escrita sobre elas”.

Frases

Frases inspiradoras dos livros de Virginia Woolf

Os livros de Virginia Woolf são incríveis e de tirar o fôlego com tantas frases lindas, inspiradoras e marcantes. Quer ver só? Confira abaixo algumas citações de livros da autora: você vai se encantar!

Frases dos livros de Virginia Woolf que você precisa conhecer

“Uma coisa é o verde na natureza; outra coisa, na literatura. Entre a natureza e as letras parece haver uma natural antipatia; basta juntá-las para que se estraçalhem.” (Orlando)

“Pois tem razão o filósofo ao dizer que entre a felicidade e a melancolia não medeia espessura maior que a de uma lâmina de faca.” (Orlando)

“O nó na minha garganta vai diminuindo. Palavras juntam-se, grudam-se, atropelam-se umas por cima das outras. Não importa quais sejam. Empurram-se e trepam uma nos ombros das outras. As isoladas, as solitárias acasalam-se, cambaleiam, multiplicam-se. Não importa o que digo. Como um pássaro a esvoaçar, uma frase cruza o espaço vazio entre nós. Pousa nos lábios dele.” (As Ondas)

“Qual é o sentido da vida? Isto era tudo – uma simples questão.” (Ao Farol)

“Via o que lhe faltava. Não era beleza; não era inteligência. Era essa coisa central, que se comunica; alguma coisa de cálido que quebra a superfície e encrespa o frio contato de homens e mulheres, ou de mulheres entre si.” (Mrs. Dalloway)

“Mas se algum dia você não vier depois do café da manhã, se algum dia avistar você em algum espelho, talvez procurando por outro homem, se o telefone toca e toca em seu quarto vazio, então, depois de indizível agonia, então – pois não tem fim a loucura do coração humano – procurarei outro, encontrarei outro você. Nesse meio tempo, vamos abolir com um sopro o tiquetaque dos relógios. Chega mais perto de mim.” (As Ondas)

“A memória é a costureira, e costureira caprichosa. A memória faz a sua agulha correr para dentro e para foram, para cima e para baixo, para cá e para lá. Não sabemos o que vem em seguida, o que virá depois. Assim, o ato mais vulgar do mundo, como o de sentar-se a uma mesa e aproximar o tinteiro, pode agitar mil fragmentos díspares, ora iluminados, ora em sombra, pendentes, oscilantes, e revirando-se como a roupa branca de uma família de catorze pessoas, numa corda ao vento.” (Orlando)

“O que é uma mulher? Eu garanto a você, eu não sei. Eu não acredito que você saiba. Eu não acredito que alguém possa saber até que ela tenha se expressado em todas as artes e profissões abertas às habilidades humanas.” (Profissões para mulheres)

“Pensamento e vida são como pólos opostos.” (Orlando)

“A vida para ambos os sexos – e eu os via abrindo caminho pelas calçadas – é árdua, difícil, uma luta perpétua. Ela exige uma coragem e força gigantescas. Mais do que qualquer coisa, talvez, criaturas de ilusão que somos, ela exige confiança em si mesmo. Sem autoconfiança, somos como bebês em seus berços. E como podemos gerar esta imponderável e inestimável qualidade o mais rápido possível? Pensando que os outros são inferiores à nós.” (Um teto todo seu)

“Terá o dedo da morte de pousar de vez em quando no tumulto da vida para evitar que ele nos despedace? Tal será a nossa condição que devamos receber, diariamente, a morte, em pequenas doses, para podermos prosseguir na empresa da vida?” (Orlando)

“Quão melhor é o silêncio; a xícara de café, a mesa. Quão melhor é sentar-me sozinho como a solitária ave marinha que abre suas asas sobre a estaca. Deixem-me ficar sentado aqui para sempre com coisas nuas, esta xícara de café, esta faca, este garfo, coisas em si, eu mesmo sendo eu mesmo. Não venham preocupar-me com suas alusões a que é tempo de fechar a casa e partir. Eu daria de boa vontade todo o meu dinheiro para que vocês não me perturbassem, mas me deixassem ficar aqui sentado, para sempre, silencioso e só.” (As Ondas)

Frases dos livros de Virginia Woolf que você precisa conhecer
Foto: Reprodução/Tumblr

 

“O nó na minha garganta vai diminuindo. Palavras juntam-se, grudam-se, atropelam-se umas por cima das outras. Não importa quais sejam. Empurram-se e trepam uma nos ombros das outras. As isoladas, as solitárias acasalam-se, cambaleiam, multiplicam-se. Não importa o que digo. Como um pássaro a esvoaçar, uma frase cruza o espaço vazio entre nós. Pousa nos lábios dele.” (As Ondas)

“Mas para ir além, por detrás do que as pessoas disseram (e esses julgamentos, como são superficiais, como são fragmentados!) em sua mente, o que significava, para ela, esta coisa que chamava de vida?”(Mrs. Dalloway)

“Por que tenho tão pouco controle? Esta é a razão de tanto desperdício e dor em minha vida.” (A Moment’s Liberty)

“Será que fui feliz demais para o bem de minha alma? E será que parte do meu descontentamento vem deste sentimento?” (A Moment’s Liberty)

“Ela se sentia muito jovem; ao mesmo tempo, inconcebivelmente velha. Passava por tudo como uma faca afiada; ao mesmo tempo, ficava de fora, contemplando. Tinha uma sensação permanente, olhando os táxis, de estar longe, longe, bem longe no mar e sozinha; sempre era invadida por essa sensação de que era muito, muito perigoso viver, ainda que por um dia.” (Mrs. Dalloway)

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“A tranquilidade tomou conta dela, a paz, o contentamento, enquanto a agulha, puxando devagar a seda até a suave pausa, juntava as dobras verdes e as prendia, delicadamente, à cintura. Tal como em um dia de verão, as ondas se formam, se desequilibram e arrebentam; se formam e arrebentam; e o mundo todo parece estar dizendo ‘isso é tudo’, de modo cada vez mais grave, até que mesmo o coração pulsando no corpo estendido na praia sob o sol também diz: isso é tudo.” (Mrs. Dalloway)

E você, recomenda quais livros de Virginia Woolf? Conta pra gente!

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Curiosidades

A última carta de Virginia Woolf

Virginia Woolf (1882 – 1941) foi autora, ensaísta e editora britânica, um dos expoentes do modernismo e extremamente relevante ao feminismo atual. Entre suas diversas obras, destacam-se: Mrs. Dalloway, Ao Farol e Orlando. A autora sofria com crises de depressão. Woolf cometeu suicídio em março de 1941. Antes, porém, deixou um bilhete para Leonard Woolf, seu companheiro. A última carta de Virginia Woolf demonstra paixão e devoção de Virginia ao marido, ao mesmo tempo que entristece com seu peso: testemunha as consequências terríveis e o poder da doença sobre a mente humana.

Confira a última carta de Virginia Woolf:

Queridíssimo,
Tenho certeza de que enlouquecerei novamente. Sinto que não podemos passar por outro daqueles tempos terríveis. E, desta vez, não vou me recuperar. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Por isso estou fazendo o que me parece ser a melhor coisa a fazer. Você tem me dado a maior felicidade possível. Você tem sido, em todos os aspectos, tudo o que alguém poderia ser. Não acho que duas pessoas poderiam ter sido mais felizes, até a chegada dessa terrível doença. Não consigo mais lutar. Sei que estou estragando a sua vida, que sem mim você poderia trabalhar. E você vai, eu sei. Veja que nem sequer consigo escrever isso apropriadamente. Não consigo ler. O que quero dizer é que devo toda a felicidade da minha vida a você. Você tem sido inteiramente paciente comigo e incrivelmente bom. Quero dizer que – todo mundo sabe disso. Se alguém pudesse me salvar teria sido você. Tudo se foi para mim, menos a certeza da sua bondade. Não posso continuar a estragar a sua vida. Não creio que duas pessoas poderiam ter sido mais felizes do que nós.
V.

Abaixo, o original em inglês:

Carta de suicídio de Virginia Woolf
Carta de suicídio de Virginia Woolf

Em 28 de março de 1941, aos 57 anos, Virginia encheu os bolsos de seu casaco com pedras e jogou-se no Rio Ouse. O corpo foi encontrado três semanas depois, em 18 de abril de 1941, por um grupo de crianças que estavam próximas a ponte de Southease.

Virginia e Leonard Woolf
Virginia e Leonard Woolf

Fonte: Update or Die

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