Curiosidades

Vantagens e desvantagens do Kindle

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Já vi muita gente perguntando se vale a pena comprar um e-reader e qual marca é a melhor. A cada dia surge um aparelho diferente e fica difícil saber qual é o melhor custo benefício, qual funciona melhor para o que cada pessoa precisa… por isso vim contar um pouco sobre minha experiência com o Kindle.

kindle aberto
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O Kindle é o precursor dos e-readers, criado pela Amazon, cujo catálogo de e-books é imenso. Infelizmente 80% desse catálogo é em inglês, mas caso você não tenha problemas com isso, é uma boa opção. O e-book geralmente é mais barato do que um livro físico, mas, mesmo assim, ainda considero os preços salgados por ser uma mídia digital.

Enfim, vamos ao que interessa: vale a pena investir em um Kindle? Tirei algumas fotos para mostrar as principais funções do e-reader e quais as vantagens e desvantagens desse aparelho.

VANTAGENS DO KINDLE

1 – Manuseio do kindle

O kindle é bem tranquilo de manusear: ele é levinho, macio e o tamanho é bom. Os cantos são arredondados e a tela tem um tamanho bacana para leitura. Cabe na bolsa, na mochila, dá para levar para qualquer lugar sem problemas. Se você passar um bom tempo lendo, mesmo assim não cansa os braços e as mãos. Livro físico cansa bem mais.

kindle leveza
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

2 – Tela

A maior dúvida de quem está querendo comprar o kindle geralmente é em relação à tela. É muito brilhante? Não dói o olho? Dá pra ler em qualquer luz ambiente? Na versão que eu tenho, a paperwhite, é possível ajustar a luminosidade da tela. Então você escolhe se prefere deixá-la mais clara, mais escura… dá para ler deitado num quarto escuro com a luz brilhando no rosto (sem doer os olhos) e também ler sob a luz do sol e enxergar tudo direitinho. A tela é perfeita para leitura, beeem diferente de computadores, tablets e celulares. Ela foi feita para não cansar a vista.

kindle controle de luz
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte
kindle controle de luz
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O touch também é bom. Não é parecido com tablet, é um pouco mais “duro” ao toque, mas é justamente para você não trocar de página sem querer. É preciso arrastar mais os dedos para clicar ou avançar na leitura. O toque também é bem macio, parece que você está encostando em papel mesmo.

3 – Principais funções

A maior vantagem do kindle, pra mim, é que ele tem muuuitas opções diferentes que ajudam na hora da leitura. E algumas bem interessantes, que mudam o jeito de interagir com os livros. Apesar de não conseguir “pegar” o livro, colocá-lo na estante ou manuseá-lo, admirar uma capa, sentir o cheiro, toda aquela belezinha de um livro físico, o e-book tem muitas vantagens sim.

  • Dicionário

Não entendeu uma palavra? É só selecioná-la que o dicionário abre automaticamente. E pode ser inglês, português, o dicionário que você escolher. Tem a opção de procurar na wikipédia também, caso o dicionário não identifique alguma expressão ou palavra pouco usual. Claro que é preciso estar conectado ao Wi-Fi para isso, mas não torra a bateria. Pelo contrário. Mesmo se você usar todos os dias, a bateria dura no mínimo uns 15 dias sem precisar carregar. Uma beleza. Alguns modelos do Kindle também têm 3G, mas é mais caro, então achei bobeira e comprei só com Wi-Fi mesmo.

kindle dicionário
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte
  • Marcar páginas/citações

No kindle, também é possível selecionar frases que você quer salvar (como se fosse grifar mesmo) e adicionar notas, escrever observações suas. Também dá para marcar páginas específicas, caso você queira lembrar da página inteira, não apenas de um trecho. Outra função disponível é compartilhar nas redes sociais.

kindle função selecionar texto
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte
  • Fonte e tamanho

Outra coisa linda do kindle: você consegue aumentar a fonte, alterar o estilo dela e ainda mudar o espaçamento. Ou seja: escolher aquela que mais te agrada. Não é uma diagramação fixa, ela é maleável e superfácil de mexer. Minha irmã, por exemplo, adorou o fato de poder ler com letras gigantescas. Eu prefiro letras medianas, mas enfim, ele possibilita essa customização bacana.

kindle tamanho da fonte
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte
  • Loja virtual

Ficou com vontade de comprar um livro novo? É só acessar a loja da Amazon e comprar. Você coloca suas informações de cartão de crédito, tipo Google Play ou App Store e, assim que clicar em “comprar”, o livro já é transferido para o kindle em segundos. Perfeito para quando você está louco para ler um livro e não tem paciência de procurar em alguma loja ou esperar ele chegar pelo correio.

kindle loja virtual amazon
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

A loja virtual é separada por gênero, o que facilita bastante. Ela oferece uma quantidade considerável de livros gratuitos também, principalmente clássicos da literatura. O único problema que encontrei é a falta de livros em português. Uma vez fui baixar um livro e era português de Portugal… um belo erro da loja, que não avisa qual português que é. Mas no site da Amazon dá pra comprar também, da mesma forma. Acho que é melhor para visualizar exatamente o que você quer.

kindle loja virtual amazon
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte
  • Dicionário próprio e livro de recortes

O kindle cria um documento com todas as suas marcações, de diferentes livros. Então caso você queira rever ou dar uma olhadinha, estão todos salvos, inclusive com o número da página. Outra função legal é que ele armazena todas as palavras que você já buscou no dicionário e faz uma espécie de lista para você incrementar seu vocabulário. Ou seja: marcou uma palavra estranha e esqueceu o significado de novo? Ele salvou para você.

kindle meus recortes
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte
kindle meus recortes
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte
  • Tempo de leitura e progresso

Se você quer dormir logo mas não sabe se o capítulo vai demorar para acabar, o kindle calcula, pelo seu toque, quanto tempo você demora para ler cada página. Ou seja: depois de tirar uma média, ele te mostra quando tempo falta para terminar o livro ou o capítulo. Ele também mostra o progresso da leitura. Na foto abaixo, por exemplo, eu já tinha lido 40% do livro. É legal para você saber mais ou menos quanto tempo vai se dedicar àquela leitura.

kindle função tempo de capítulo
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Ele também sincroniza automaticamente, isto é, se você parar a leitura no meio e desligar, ele volta de onde você parou.

  • Outras funções

Se você cansar de segurar o kindle na vertical, ele também tem o “modo retrato”, ou seja, você consegue ler com ele na horizontal. Eu uso bastante dessa forma, porque relaxa mais o braço e consigo segurar o aparelho com as duas mãos. Como leio bastante deitada, acho bem mais confortável. Aliás, o kindle é sinônimo de conforto. Sabe quando você está com aquele livro mega pesado, de noite e a luz não ajuda nem um pouco? Dói a vista, o braço cansa, a página fica na sombra, qualquer posição parece desconfortável…o kindle matou tudo isso. Dá para ter a luz ideal, o peso ideal, tudo na medida certa. É maravilhoso, gente, sério.

kindle modo retrato
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Do jeito que eu descrevi o e-reader, parece um publieditorial, né? Hahaha, mas não. O kindle também tem suas limitações.

DESVANTAGENS DO KINDLE

O PDF nele é ruim. Não dá pra interagir com a página, fica um documento estático e, se a letra for pequena, esquece.

Ler quadrinhos também é uma opção pouco viável. O kindle paperwhite é branco e preto, então se quiser cores, imagens, é bem ruim de visualizar. Não compensa.

O kindle só aceita o formato mobi, o que é bem restrito. Não dá para ler epub ou outros formatos. Claro que existem programas que convertem, mas geralmente muda toda a formatação e fica bem esquisito na hora de ler, com espaçamentos deslocados, etc. Então se você quiser acesso a e-books, tem que ser da Amazon. Mas como o catálogo deles é imenso, como já citei, menos mal.

kindle aberto
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Há quem reclame do preço elevado do aparelho. Atualmente, ele custa em torno de R$400, sem 3G. Mas eu não acho ruim não, se você for levar em conta a quantidade de livros gratuitos que dá para carregar nele… a biblioteca é tão extensa que cabem mais de 1000 livros. Então, não vejo problema. Só parcelar em 10x. Hahaha

Em suma, recomendo fortemente o kindle, principalmente para os amantes da leitura. Ele é bom para viajar, para ler em casa, no ônibus, qualquer lugar. E você ainda leva sua biblioteca junto com você!

Preconceito com e-reader nunca mais!

Ficou com vontade de comprar um Kindle? É só clicar no link abaixo:

 

Obs: a capinha eu comprei separado no ebay, mas têm várias superlegais na Amazon!

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Resenha

Resenha: Caligrafia Silenciosa – George Popescu

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Resenhar um livro de poesias é um desafio para mim. Foram poucas vezes na minha vida de leitora que me deparei com versos; gosto mais de prosa, narrativa, personagens. Porém, o que seria da vida sem dificuldades e novas experiências? Foi pensando nisso que escolhi o livro Caligrafia Silenciosa, do autor romeno George Popescu.

George Popescu nasceu na Romênia em 1948, é poeta, crítico e tradutor. É formado em filologia e faz parte da União Romena dos Escritores. Quando comecei ler seus poemas – separados em duas partes pelo organizador – e também poeta Marco Lucchesi – consegui sentir algo bem forte. As palavras são bem intensas, as estrofes nos fazem perder horas pensando. E é justamente esse o intuito da poesia, não é mesmo? Transformar sentimentos em palavras.

O primeiro bloco do livro Caligrafia Silenciosa foi escrito entre a Itália e a Romênia, de 2002 a 2005; e a segunda parte, “Ars Moriendi”, foi concebido por George Popescu a partir de uma viagem ao Rio de Janeiro e a São Paulo, em 2005, para uma série de conferências literárias.

Para comprar o livro, é só clicar no link abaixo:

 

Segundo o autor, a poesia é “a divisão silábica das coisas vividas”. Não poderia concordar mais. Como escrever com intensidade e paixão sem vivência? Ao virar as páginas, conseguimos entrar na pele de Popescu, vivenciar aqueles momentos da mesma forma que ele deve ter experimentado.

“A vida? Um resto de fotografia com rastros de vento enlameado (p.35)”

Eu gostei bastante da primeira parte do livro. Os poemas de Caligrafia Silenciosa são bastante contemplativos, parece que estamos acompanhando a trajetória de uma pessoa que deseja se despedir desse mundo. Mas o mais interessante é que ele mostra seu desejo pela morte não de uma forma triste ou melancólica; mas sim como um esforço de valorizar a vida, de mostrá-la na sua forma mais crua e perfeita.

Caligrafia Silenciosa - George Popescu
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

“A morte chega e vai-se embora:

detém-se aqui como num breve refúgio –

ela também mortal por algumas horas

se abeira intermitente e vai-se embora

volta e se demora conosco

para medir este ou aquele

quem briga com os vizinhos

quem não pagou o imposto de renda

desta vida tão miserável… “(p.32-33)

Outro fator interessante do livro é que ele faz parte da coleção “Espelho do Mundo”, da Editora Rocco. Por conta disso, a diagramação funciona como um espelho: na página da direita lemos a tradução, na esquerda a poesia original em romeno. Achei a escolha bem pertinente e deu um charme a mais à edição.

Sem mais delongas, só tenho a dizer que foi um livro que me surpreendeu. Não esperava muita coisa, mas tornou-se uma leitura prazerosa. Hora de começar a descobrir mais obras poéticas!

*Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

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Caligrafia Silenciosa - George Popescu

Título original: 
Autor: George Popescu – organização Marco Lucchesi
Editora: Rocco
Número de páginas: 80
Ano: 2015
Gênero: Poesia
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia

Resenha

Resenha: Grandes Esperanças – Charles Dickens

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Provavelmente você já ouviu falar de David Copperfield, Oliver Twist e obviamente, daquela história de Natal dos fantasmas do passado… Um Cântico de Natal. E de Grandes Esperanças? Todas obras do mesmo brilhante autor: Charles Dickens. E se você nunca leu nenhum trabalho dele, pode começar agora!

Nascido em Portsmouth, Inglaterra, Dickens é um dos autores mais importantes da literatura britânica e mundial. Escreveu suas obras durante o período vitoriano, entre 1812 e 1870. Uma curiosidade é que poucos autores se tornaram conhecidos em vida, mas Dickens foi um deles. Fez sua fama em vida, que perdura até hoje, 144 anos após sua morte. Com seu estilo poético, Dickens é leitura obrigatória para os amantes da literatura.

Grandes Esperanças, escrito em 1860, revela uma fase mais madura do autor, que com maestria descreve a vida do personagem Pip (Philip Pirip) em três partes: sua infância penosa; a descoberta da vida adulta; e o desenrolar de suas grandes esperanças.

Grandes Esperanças - Charles Dickens
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Na primeira fase do livro, somos apresentados a um dos personagens mais interessantes da história: Joe, o marido da irmã de Pip. Em um misto de tristeza e companheirismo, Pip é apegado a Joe, ao mesmo tempo em que sente vontade de fugir daquela vida tenebrosa que leva no charco.

Após alguns anos, quando Pip consegue sair de casa com a ajuda de um benfeitor que resolve manter sua identidade em segredo, começa enfrentar as dificuldades da vida em Londres, um novo mundo que nasce à sua volta. E quando finalmente conhece o benfeitor que o tirou daquela vida de pobreza, a vida de Pip se transforma completamente: agora ele precisará lidar com novos problemas, se afastando cada vez mais de seus sonhos e suas grandes esperanças.

Não vou revelar muitas partes da história para não perder a graça. A parte 1 é interessantíssima e faz você querer ler mais e mais. A segunda parte já é um pouco mais complicada, por ser mais descritiva e introspectiva, mostrando minuciosidades da vida do protagonista. Já a terceira parte é quando o livro engata e nos faz sentir uma mistura de raiva e empatia pelo jovem Pip, que acompanhamos desde os sete anos de idade e que agora se encaminha para os 25 anos.

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O mais interessante em Dickens é a linguagem que este utiliza. Longe de uma literatura piegas, ele traz uma abordagem bem diferente das tramas “água com açúcar” dos romances atuais. A sucessão dos acontecimentos não é o mais importante; dificilmente você encontrará sequências de ação. O desenvolvimento do personagem é a principal questão e qualidade de “Grandes Esperanças”. Com um vocabulário bem diversificado (é necessário um dicionário ao lado ou ler o tempo todo as notas de rodapé), a leitura é rica, principalmente pelas inúmeras citações e alusões a outros autores e obras, desde livros até peças de teatro. A edição que eu li da Penguin é excelente, pois contém uma lista extensa de referências e explicações de diversas passagens do livro.

Por mais que pareça que os eventos demoram para acontecer, o mistério criado em volta dos personagens é magnífico: te faz querer ler mais e mais, conhecer a fundo aquelas pessoas misteriosas e, claro, desvendar o principal mistério do livro: quem é, afinal, o benfeitor de Pip? Quem o ajudou a buscar suas grandes esperanças?

Os questionamentos do personagem em relação a seu passado, seu comportamento arrogante e suas crises de consciência são recorrentes. Pip vive em uma eterna indecisão e intensa tristeza, principalmente em relação à mulher que ama: a belíssima Estella, jovem que conheceu na infância e por quem nutre um amor infantil até a vida adulta.

Sem mais delongas, deixo o prazer da leitura para vocês. Leiam Grandes Esperanças! Quando terminei o livro, fiquei com aquele vazio. Nenhum autor me comovia, nenhum outro livro me dava prazer em ler. Acho que vale o esforço.

LEIA TAMBÉM

Resenha: Grandes Esperanças - Charles Dickens

Título original: Great Expectations
Autor: Charles Dickens
Editora: Penguin Companhia
Número de páginas: 704
Ano: 2012
Gênero: Clássico
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela

Resenha

Resenha: O Homem Invisível – H.G. Wells

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Uma das melhores leituras de ficção científica/horror que já tive foi O Homem Invisível, de H.G. Wells. Sempre quis conhecer as obras desse autor e esse livro me chamou a atenção por ser um clássico. Entre “A Máquina do Tempo“, “A Ilha do Dr. Moreau”, “Guerra dos Mundos” e “O Homem Invisível”, este último foi o que mais me atraiu.

E posso afirmar que vale cada página! Do começo ao fim, o livro é munido de muita tensão. Até tive pesadelos com a história, de tanto que me impressionou. Pois é! A obra de 1897 suscita medos absurdos e múltiplos questionamentos. Você já desejou ser invisível? Já pensou nas consequências que isso traria para a sua vida?

Eu nunca tinha pensado muito a respeito disso, mas o livro mostrou um outro olhar sobre esse desejo inerente do ser humano. Todo mundo já quis passar despercebido em algumas situações, assim como sentiu vontade de espionar sem ser notado. Imagine quantas possibilidades poderiam surgir para alguém invisível: um mundo de coisas para fazer! No entanto, não é bem assim: H.G. Wells, de maneira única, constrói uma narrativa arrepiante e mostra como pode ser difícil a vida de uma pessoa invisível. Ainda mais se essa pessoa for um gênio sociopata.

Para comprar o livro, é só clicar no link abaixo:

Logo no começo já somos apresentados ao “Estranho”, um homem que chega à uma cidadezinha na Inglaterra e deseja se hospedar em uma pequena pousada. No entanto, ele tem uma aparência assustadora, é coberto de faixas pelo corpo e age de maneira bem esquisita. A dona da pousada aceita sua estadia, apesar de sua aparência anormal, mas desconfia das atitudes grosseiras do hóspede. E, a cada página, somos apresentados a um personagem violento, muito inteligente e com atitudes cada vez mais suspeitas. Somente na metade do livro sabemos o que realmente aconteceu com o Estranho, assim como seus pensamentos mais obscuros.

Achei interessante o autor optar por um narrador observador. Geralmente nesse tipo de história os narradores são personagens, mas, nesse caso, deixou a história bem mais empolgante. Outro detalhe interessante é que conhecemos bem pouco os personagens, criando também uma certa antipatia por quase todos, mesmo odiando e temendo o protagonista. Ou seja, não nos identificamos com ninguém e ficamos apenas observando as atitudes grotescas que os seres humanos são capazes de cometer.

O Homem Invisível - H.G. Wells
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

As explicações científicas a respeito da invisibilidade também são incríveis. Sou leiga no ramo da ciência, mas é tudo tão bem detalhado que chega a ser crível alguém ser capaz de ser invisível. Aliás, tudo nesse livro é crível, mesmo se tratando de ficção. E é justamente isso que faz ele ser tão valioso.

Você já parou para pensar que, mesmo se fôssemos invisíveis, teriamos corpo físico? Lógico que algumas histórias de ficção já mostraram isso posteriormente (Harry Potter e a capa da invisibilidade, por exemplo), mas “O Homem Invisível” disserta a respeito de coisas que dificilmente levamos em consideração.

Se fôssemos invisíveis, as roupas continuariam visíveis, ou seja, teríamos que viver nus. Outro ponto: e se você quisesse comer? Roubar é fora de questão, já que qualquer um poderia ver o alimento flutuando no vazio. E você faria barulhos, deixaria pegadas… trombaria com outras pessoas em lugares lotados. Se quisesse entrar em estabelecimentos fechados durante à noite, ou não conseguiria entrar por conta dos alarmes/trancas ou ficaria preso. Concluindo: muitas dificuldades envolvem o fato de ser invisível e o livro mostra em detalhes cada uma delas.

Então se você busca uma leitura enriquecedora e ao mesmo tempo um bom entretenimento, esse livro é recomendadíssimo.

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Resenha: O Homem Invisível - H.G. WellsTítulo original: The Invisible Man
Autor: H.G. Wells
Editora: Zahar
Número de páginas: 200
Ano: 2017
Gênero: Terror/Ficção Científica
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela

Resenha

Resenha: Lolita – Vladimir Nabokov

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita. Será que teve uma precursora? Sim, de fato teve. Na verdade, talvez jamais teria existido uma Lolita se, em certo verão, eu não houvesse amado uma menina primordial.

Com um início desses, impossível não querer continuar Lolita, o clássico escrito por Nabokov. Lolita é referência na literatura mundial e não apenas ousou ao mostrar o ponto de vista de um pedófilo sobre amor e o sexo, como se tornou um marco na história. O livro de Nabokov foi recusado inúmeras vezes até ser publicado em Paris, no ano de 1955.

O protagonista Humbert Humbert trabalha como professor de literatura e se apaixona pela rebelde Dolores Haze, também conhecida como Lolita, uma menina de 12 anos. Depois de se casar com Charlotte Haze e se tornar padrasto da menina, Humbert se envolve sexualmente com Lolita, a quem intitula “ninfeta” – uma menina que está na transição para a fase adulta, isto é: uma garota com o corpo em desenvolvimento.

Logo no começo, sabemos que Humbert escreveu sua história enquanto estava na prisão, ou seja, este é um narrador não confiável: conhecemos Lolita por meio do ponto de vista do homem de meia-idade. É justamente aí que reside o triunfo da obra: vemos o mundo por meio do olhar de um pedófilo, um homem desesperado e cego pelo amor e luxúria, uma pessoa desnorteada e obsessiva.

Resenha: Lolita - Vladmir Nabokov
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Não nego que Humbert é realmente apaixonado por Lolita, mesmo que de forma doentia. Aos olhos de qualquer um, Lolita seria apenas uma menina rebelde, mal-educada e magricela de 12 anos. Aos olhos do protagonista, Lolita é endeusada e descrita de forma esplêndida: cabelos cor de mel, pele aveludada, usando apenas uma soquete. O estilo de Nabokov é riquíssimo, com um vocabulário extenso, amplas descrições que não caem na mesmice ou no tédio… um jeito único de narrar a história.

Para comprar o livro, é só clicar no link abaixo:

No começo, fiquei com asco do personagem, já que este frequentava parquinhos para observar meninas brincando e pensando em como elas seriam em cima de seu colo (quão nojento é isso?). Mas, como não me choco facilmente, avancei na leitura e percebi o quão interessante é a narrativa proposta pelo autor. Odiamos Humbert Humbert por suas atitudes grotescas em relação a Lolita e outras ninfetas, mas também é possível se solidarizar com o protagonista em alguns momentos. Lolita também é uma menina insuportável, mas que conseguimos compreendê-la, já que sua infância foi arruinada e sua vida virou de cabeça para baixo.

Resenha: Lolita - Vladmir Nabokov
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O medo constante do protagonista em ser descoberto, as loucuras que fez pela menina, todo seu êxtase sexual ao encostar na pele da garota, são descritos de uma forma incrível. Dificilmente nos deparamos com livros tão meticulosos e perfeccionistas, mas Lolita é um bom exemplo. Alguns podem achar certas partes descritivas maçantes, principalmente quando Humbert se delonga ao registrar a paisagem norte-americana, mas nada que tire o prazer da leitura.

Depois de Frankenstein, Dorian Gray e Grandes Esperanças, adicionei mais um clássico para minha lista e não me arrependo nem um pouco. Obs: já tinha assistido ao filme de Kubrick, mas, apesar de bom, nem se compara ao livro (como sempre). Leiam e depois assistam, a experiência com certeza é bem melhor 🙂

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Resenha: Lolita - Vladimir Nobokov

Título original: Lolita
Autor: Vladimir Nobokov
Editora:Alfaguara
Número de páginas: 392
Ano: 2011
Gênero: Ficção/Clássico
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela