Entrevista: Larissa Siriani, autora de Amor Plus Size

Conversamos com Larissa Siriani, autora de Amor Plus Size, sobre o lançamento do livro, gordofobia, dicas para quem está começando e muito mais! Confira:

Resenhas: Como descobriu que queria ser autora?

Larissa: Na verdade eu sempre gostei de escrever, e cultivava o sonho de ser escritora desde criança. Não foi exatamente uma descoberta porque o desejo sempre esteve ali. Quando decidi publicar meu primeiro livro, aos 17 anos, foi meio que como reavivar um sonho que estava escondido há algum tempo. Tive a oportunidade, e corri atrás dela.

Resenhas: Conte um pouco sobre o lançamento Amor Plus Size…

Larissa: Amor Plus Size conta a história de uma adolescente obesa que precisa lutar pra descobrir seu lugar no mundo. É sobre amor próprio e sobre as batalhas que a gente enfrenta – especialmente contra nós mesmos – pra conseguir conquistá-lo.

Entrevista: Larissa Siriani, autora de Amor Plus Size

FOTO: Divulgação

Resenhas: Como surgiu a ideia para escrever o livro com essa temática?

Larissa: Na prática, surgiu de uma noite de comilança com uma amiga, quando eu estava me sentindo particularmente mal por ter comido demais. Não sei de que maneira um pensamento levou ao outro, mas logo estava pensando em como era horrível isso de se sentir mal por comer, e pensei em todos os exemplos de que tive na vida que me ensinaram que isso é o certo, e como seria se eu tivesse alguém que me mostrasse o contrário – logo, a Maitê já estava formada na minha cabeça. Mas na verdade a ideia era uma coisa que vinha pedindo pra surgir há muito tempo. Quando comecei a acordar pros abusos que eu vinha infligindo no meu corpo, comecei a reparar no quanto a falta de representatividade era um problema. Pra alguém que, como eu, foi gorda a vida toda, faz falta ter um personagem ou pessoa que sirva como um exemplo com o qual você possa se identificar. Eu não tive isso, e queria que outras meninas tivessem.

Resenhas: Você acha importante debater a gordofobia? Já foi vítima ou conhece alguém que já sofreu com isso?

Larissa: Acho essencial! Assim como basicamente qualquer forma de preconceito, a gordofobia não é uma coisa que consiste única e exclusivamente em alguém te ofender de maneira direta por ser gorda. Tem a ver com uma série de pequenos comportamentos e ações que cercam a nossa vida. Eu sofri gordofobia quando recebi apelidos maldosos na escola, mas também sofri quando uma vendedora me dispensou em uma loja por “não ter o meu tamanho”, ou quando procurei por uma calça tamanho 50 numa loja de departamentos e não achei. Sofri quando meus médicos associaram todo e qualquer mal estar ao meu peso. Meu pai sofreu gordofobia quando teve que pagar a mais por um assento maior numa cabine de avião. Está tão fundo na nossa sociedade que já aprendemos a não ver, então é preciso sim falar sobre isso. Não se resolve um preconceito calando o oprimido. Se não falarmos hoje, nada se resolve amanhã.

Resenhas: Qual é o seu recado para quem já passou por isso?

Larissa: Lembre-se sempre que não é você que precisa se diminuir para entrar no padrão limitado dos outros – eles é que tem que se expandir pra te acolher.

Resenhas: Como é o seu contato com o público? A internet te ajudou de alguma forma?

Larissa: A internet é tudo pra mim. Comecei como escritora no extinto Orkut, publicando meus livros nas comunidades de lá, e isso me deu um gás danado pra continuar escrevendo. Publiquei de maneira independente pela primeira vez graças a um site, que só descobri por conta de uma amiga virtual que conheci num fórum sobre livros. Mais da metade do meu público me conheceu ou me conhece por causa das redes sociais. E hoje, tenho a alegria de poder ter contato direto com os leitores graças à internet. Não tem nada melhor que receber depoimentos das pessoas que leram e gostaram, ler as resenhas, discutir o livro com eles. É uma proximidade que não tem preço.

Resenhas: É seu primeiro lançamento pela Verus. Como está se sentindo?

Larissa: Agora estou mais tranquila, mas confesso que no começo eu fiquei bem apavorada, apesar de muito feliz. Ser publicada pelo Grupo Editorial Record é meu sonho desde menina, e sair pela Verus, que publica alguns dos melhores títulos da literatura nacional, foi uma honra imensa! Eu fiquei muito nervosa no começo, com medo de não entregar algo à altura, mas cada vez mais estou provando pra mim mesma que não tinha com o que me preocupar. Agora é continuar trabalhando!

Resenhas: Quem são seus autores favoritos?

Larissa: Tenho tantos!! De literatura juvenil, minhas principais referências são Meg Cabot e Paula Pimenta. Mas fora dessa esfera, também sou apaixonada por Neil Gaiman, Carlos Ruiz Zafón, Markus Zusak… acho que todo bom livro deixa sua marca na gente.

Resenhas: O que está lendo atualmente?

Larissa: O Orfanato da Srta Peregrine para Crianças Peculiares, do Ramson Riggs.

Resenhas: Algum livro ou autor para indicar?

Larissa: Poder Extra G, da Thati Machado – quem curtiu Amor Plus Size definitivamente vai curtir essa história.

Resenhas: Dicas para quem está começando?

Larissa: Estude o mercado para saber no que está se metendo, e não desista se levar alguns nãos. Escrever é metade insistência e metade aprender com os erros. Com paciência, se chega longe!

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Melissa Marques


Entrevista: Tomás Susin, um dos fundadores da “TAG: Experiências Literárias”

Você já ouviu falar na “TAG – Experiências Literárias”? Desde que fiquei sabendo desse clube de assinaturas de livros fiquei encantada na hora! A proposta é muito bacana: pagando um certo valor ao mês, você recebe um livro surpresa, que foi escolhido por algum autor ou pessoa influente no ramo literário. E o mais legal é que esse livro vem em embalagens fofas e com brindes junto!

Depois de conhecer a TAG, fiquei com muita vontade de entrevistar um dos fundadores do projeto e o Tomás Susin me respondeu contando um pouquinho mais sobre o clube de assinaturas. O nosso bate-papo você confere abaixo:

Resenhas: Como surgiu a ideia do TAG – Experiências Literárias? Quem foram os fundadores do projeto?

Foram três fundadores, eu (Tomás), o Gustavo e o Arthur. Nos conhecemos na faculdade e sempre tivemos a vontade de criar algo juntos. Na época, em 2013, os clubes de assinatura estavam surgindo, e nós resolvemos unir a vontade de empreender com a paixão pelos livros.

Entrevista: Tomás Susin, um dos fundadores da "TAG: Experiências Literárias"

Gustavo Lembert, Arthur Dambros e Tomás Susin  (Foto: Arquivo pessoal)

Resenhas: Vocês têm a proposta de convidar curadores para escolher os livros que serão enviados. Como vocês escolhem esses curadores? Como funciona essa parceria?

Escolhemos pessoas que sejam referência no cenário cultural, e que possuam “bagagem” literária para indicar ótimos livros. Entramos em contato com eles para conversar sobre livros que os marcaram e, a partir da conversa, uma obra é selecionada para ser enviada aos nossos associados.

Resenhas: O livro do mês é escolhido pelo curador, certo? Como funciona essa escolha? O curador tem total liberdade ou vocês sugerem obras também?

Os curadores tem total liberdade para indicar os livros. Normalmente, conversamos com eles sobre vários livros, até chegar ao melhor título a ser enviado aos membros do clube.

Entrevista: Tomás Susin, um dos fundadores da "TAG: Experiências Literárias"

Reprodução/Facebook TAG

Resenhas: Para vocês, qual é o maior diferencial da TAG? Qual é a proposta principal do projeto?

A TAG é um clube que encanta as pessoas. Grande parte dos nossos associados é simplesmente fã da TAG, e se apaixona ainda mais a cada caixinha que chega. Eles recebem livros que nunca comprariam, encontram novos universos de leitura, e acabam gostando de estilos literários que nunca imaginaram antes. Na TAG, os leitores encontram um grupo de outros 6 mil apaixonados por livros, compartilhando esse interesse em comum.

As pessoas se encantam com o cuidado e o carinho com que são pensados os kits e todos os outros detalhes que compõem o clube: nosso canal do Youtube, nossa página do Facebook, o grupo exclusivo para associados, e muitas outras novidades que estão por vir, ainda este ano.

Entrevista: Tomás Susin, um dos fundadores da "TAG: Experiências Literárias"

Reprodução/Facebook TAG

Resenhas: Vocês acreditam que o TAG pode estimular a leitura?

Com certeza. No clube, temos associados que já eram leitores assíduos e outros que são incentivados a alimentar o hábito da leitura com os kits enviados pela TAG.

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Isabela Zamboni


Entrevista: Maria Carolina Passos e Pathy dos Reis, autoras do livro Blasfêmia

Fiz aqui no blog uma resenha do livro Blasfêmia, das autoras Maria Carolina Passos e Pathy dos Reis e, enquanto lia o livro, fiquei muito curiosa em relação à algumas questões. Perguntei para as duas se elas topavam dar uma entrevista para o Resenhas e aqui está o resultado! Para quem não sabe, as autoras trabalharam juntas no canal do YouTube Galo Frito e hoje estão à frente do canal da Pathy dos Reis, com mais de 1 milhão de inscritos. Confira abaixo a entrevista:

Entrevista: Maria Carolina Passos e Pathy dos Reis, autoras do livro Blasfêmia

Pathy e Maria Carolina, autoras de Blasfêmia

Resenhas: Em primeiro lugar, queria saber como foi esse processo de escrita em dupla. Como vocês se organizaram? Ainda mais morando em cidades diferentes… cada uma escrevia uma parte, ou vocês trocavam ideias e só uma escrevia, como foi?

Na verdade, a Pathy ainda morava aqui quando decidimos por esse projeto juntas, então foram várias reuniões para bolarmos a história e os personagens. Depois das pesquisas e da mudança dela, passamos a compartilhar todas as nossas anotações de forma organizada (com ficha de personagens e storyline em arquivos próprios, por exemplo) através do Google Drive. E apesar da parte escrita ter ficado mais comigo (pois já tinha certa experiência, e não queríamos que saísse um texto Frankenstein), ambas tinham acesso em tempo real a todo material, já que as pesquisas e, claro, o manuscrito também estavam no GDrive. A partir daí conversávamos constantemente sobre mudanças/melhorias e o rumo da trama de acordo com nossas expectativas iniciais.

Resenhas: O livro conta com descrições muito bacanas de uma cidade norte-americana. Alguma de vocês já morou nos Estados Unidos? Se sim, isso pode ter servido de inspiração para a criação do livro?

Nunca moramos nos EUA, só fomos a passeio (porém não para Utah). E uma descrição apurada era muito importante para nós, já que a cidade chega quase a ser uma personagem na história. Salina foi escolhida a dedo, porque combinou perfeitamente com o tom que queríamos dar. Apesar de nenhuma de nós ter estado lá de fato, pode-se dizer que a visitamos… por meio do Google Maps. Passeamos por suas ruas e arredores pelo Street View, tendo uma visão, diria até que privilegiada, de sua arquitetura, geografia e zoneamento, o que contou e muito para essas descrições.

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Resenhas: Vocês trabalham com YouTube faz tempo, né? (Pelo que eu vi, mais de 6 anos). Como surgiu a vontade de escrever o livro? Esse é um projeto antigo de vocês ou a vontade de publicar uma obra de ficção veio faz pouco tempo?

A Pathy sim, já eu entrei no mundo do YouTube em 2013 (trabalhava em uma multinacional antes). Escrever ficção sempre foi um sonho antigo, mas com a mentalidade de cidade pequena não cogitava levá-lo adiante e acabei me formando em/dedicando muitos anos ao Comércio Exterior (uma área forte em Itajaí, que é uma cidade portuária, de onde ambas somos), até decidir que era hora de arriscar, então pedi a conta para me dedicar à escrita. Já conhecia a Pathy e o pessoal do Galo Frito, e, depois de alguns freelas pra eles, fui chamada para ser roteirista, escrevendo algumas paródias, mas focando 100% no programa da Pathy, o Pathy que te Pariu, que foi quando retomamos nossos laços. Trabalhar no Galo era muito bacana e pagava as contas, mas eu havia deixado o sonho de escritora completamente de lado, então quase 1 ano depois pedi para sair (o que coincidiu com a Pathy já pensando em se mudar para SP), e pouco depois ela saiu também. E foi aí que conversamos sobre dois projetos: eu ser roteirista para o canal solo dela (que teria uma demanda muito menor que a do Galo, dando tempo para outros afazeres), e escrevermos juntas um livro, já que ela sabia que eu saí para isso. A Pathy sempre gostou muito de ler, sobretudo o gênero policial, que escolhemos para embalar a nossa trama. E assim foi, um sonho antigo e um novo sonho se juntaram, numa união de forças e timing que não poderiam ter dado mais certo!

Entrevista: Maria Carolina Passos e Pathy dos Reis, autoras do livro Blasfêmia

Resenhas: Há bastante informação sobre mórmons no Blasfêmia. Alguma de vocês é ou já foi mórmon? Se não, como foi o processo de pesquisa para tratar sobre esse assunto no livro?

Não, mas tenho um amigo que foi mórmon (e não é mais, sobretudo, por ser gay). Procuramos fazer uma pesquisa profunda nessa questão por ser algo muito delicado, e ainda tivemos que ter atenção dobrada pelo fato de a história não se passar no presente (essa é uma religião que passou por mudanças significativas nos últimos tempos), e que, além de não ser no Brasil (de modo que se a pesquisa fosse feita apenas com fontes daqui haveria diferenças), é justamente em uma cidade de Utah, o estado mais religiosamente homogêneo dos EUA (que tem mais da metade da população mórmon). Então basicamente buscamos muitas e diferentes fontes, visões de dentro e fora da religião, relatos da época, crenças, doutrinas e práticas, terminologias, posicionamentos, e toda sua história e cultura como um todo. Mesmo sendo tudo através da Internet, depois de muita leitura, bastava fazer algumas comparações para não cair em informações desvirtuadas.

Resenhas: Quais autores de romance policial vocês gostam e indicam? Vocês se inspiraram na obra de algum autor específico para criar o Blasfêmia?

Não chegamos a ter inspiração em nenhuma obra específica, mas na época lemos os mesmos dois livros para, digamos, ficar na mesma sintonia, que foram: O Menino da Mala, também de duas autoras, Lene Kaaberbøl e Agnete Friis; e O Pacto, do Joe Hill, filho do Stephen King (autor que adoramos). Um livro do gênero que a Pathy adora é o Grau 26 – A Origem, e eu gosto de citar um autor nacional que vem se destacando muito, que é o Raphael Montes. Queria comentar também que você não foi a primeira a comparar nosso estilo ao da Gillian Flynn, o que achamos um super elogio, mesmo não tendo sido intencional.

Resenhas: Vocês trabalham bastante com roteiro e YouTube. Qual foi o maior desafio em deixar de lado esse formato e escrever um romance?

Essa pergunta me lembrou uma resenha de Blasfêmia onde a pessoa teve a sensação de o livro ser roteirizado, quase como um roteiro de filme, o que para ela funcionou de forma positiva, mas talvez seja um desafio para próximas obras: fugir completamente desse formato. Mas dificuldade quanto a isso não chegamos a sentir, mesmo porque antes de escrever roteiros (e que no caso são de humor, portanto pedem por uma perspectiva bem diferente), eu já havia escrito uma história de ficção científica em inglês para uma editora independente dos EUA, que publica em plataforma online paga, além de vários contos, em português, não publicados – bem aquele tipo, de começo de carreira, que o escritor quer que fiquem onde estão, no “fundo da gaveta” (ou melhor, nas pastas mais obscuras do computador).

Resenhas: O final de Blasfêmia deixou algumas questões em aberto. Vocês pretendem lançar continuações do livro?

Muita gente pergunta isso, e a resposta é que depende de alguns fatores, como a editora, que detém os direitos da história ainda por alguns anos, e as vendas. Da nossa parte não é segredo que gostamos muito dessa parceria, e toparíamos outra empreitada literária juntas sem dúvida. Ideias para uma continuação já ficaram pensadas desde que optamos pelo fatídico final, hehe.

Resenhas: Que dicas/conselhos vocês dão para quem sonha em escrever um livro e começar uma carreira como escritor?

Já é uma dica um tanto clichê, mas nem por isso menos valiosa: ler muito! A pessoa que quer ser escritor mas não tem paciência para ler de tudo e mais um pouco, não está no melhor caminho, para dizer o mínimo. E não basta se limitar ao gênero sobre o qual quer escrever, é importante sair da zona de conforto (é fora dela que se tem grandes inspirações para seu próprio estilo/história, por mais diferente que ela seja daquilo). Também é importante se instruir, conhecer e estudar as técnicas, mas não deixar que elas oprimam a arte, a sua característica pessoal e a sua observação das pessoas e do mundo – basta “ler” a vida a sua volta para traduzir isso em personagens, situações e sentimentos com os quais os leitores vão se identificar, enriquecendo desde histórias possíveis, com pessoas e crimes, às mais inconcebíveis, com monstros e universos inventados.

Para saber mais sobre o livro Blasfêmia e as autoras, é só acessar o site www.blasfemia.com.br.


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Isabela Zamboni


Entrevista: Maurício Gomyde, autor de Surpreendente!, da Intrínseca

Há alguns anos, os críticos diziam: “Maurício Gomyde é o Nicholas Sparks brasileiro“. No começo de sua carreira como autor, o paulistano “naturalizado” brasiliense apostava na fórmula romance + drama para ganhar notoriedade entre o público brasileiro. Foi sucesso na autopublicação, sempre com o apoio de ações e mídias online, e acabou sendo convidado para fazer parte do time da Editora Novo Conceito. Agora, Maurício lança seu sexto livro, Surpreendente!, pela Editora Intrínseca. O livro mostra um autor mais maduro, sem floreios, e com um talento nato para contar boas – e emocionantes – histórias. Confira como foi o nosso bate-papo com Maurício Gomyde:

Maurício Gomyde

FOTO: Leo Aversa / Divulgação Instrínseca

Resenhas: Como começou seu envolvimento com a literatura? Como decidiu ser escritor?

Maurício: Acho que foi como acontece com a maioria dos escritores: o envolvimento desde a infância. Minha família é muito leitora, o contato com livros começou cedo. Tive muita sorte de frequentar uma escola, no ensino fundamental, que tinha aulas de redação. Aprendi muito, era obrigado a produzir muitos textos (simples, claro!). Sempre escrevi para mim, e um dia resolvi pegar um de meus textos e jogá-lo de verdade no papel. Deixei de ser pedra para virar vidraça. Tornou-se “O Mundo de Vidro”, cuja primeira edição saiu em 2002.

Resenhas: Como tomou a decisão de “mudar de casa”? (Ir da Novo Conceito para a Intrínseca)

Maurício: A Intrínseca sempre foi um desejo secreto. Desde a primeira vez que tive contato com os títulos da editora, senti que ali era uma casa onde minhas histórias teriam bom abrigo. Mas fiquei na minha, nunca mandei livros para eles. Depois de lançar “A Máquina de Contar Histórias”, pela Novo Conceito, conversei com minha agente e revelei aquele desejo. Acabou que deu muito certo, a editora gostou do texto e da proposta. Estamos ainda em lua-de-mel, mas acho que será um casamento de sucesso, porque a editora aposta de verdade e a história ficou bacana. Vamos ver no que vai dar.

Surpreendente!, de Maurício Gomyde

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Resenhas: Como foi a sua experiência na Bienal com a nova editora?

Maurício: A Bienal do Rio foi apenas minha segunda grande feira. Como sou oriundo do mercado de autopublicação, nunca tinha participado do evento no Rio. Fiquei muito bem impressionado com o calor do público, a feira estava abarrotada e o estande da Intrínseca esteve sempre lotado. A experiência foi a melhor possível, tive recepção calorosa por parte dos profissionais da editora e da turma que trabalhou no estande. Os eventos que a editora programou foram bons e muitos livros foram vendidos. Acho que foi um belo start para o Surpreendente!

Resenhas: Você vê alguma mudança no desenvolvimento da literatura nacional através dos anos? (De quando lançou seu primeiro romance até hoje…)

Maurício: A internet proporcionou literalmente um novo mercado para a literatura (tanto nacional quanto estrangeira). Uma infinidade de novos autores foi e vem sendo gestada nas redes sociais, e isso proporciona o aparecimento de gente que, em outra situação, ficaria escondida em suas cidades. Desde quando lancei meu primeiro romance (em 2002), muita coisa mudou. Naquele tempo a coisa era muito no estilo “dar nó em pingo d’água”, fazer lançamento em livraria que só abria espaço depois de muita insistência, tentar vender livros para parentes e etc. rs Hoje você consegue criar uma plataforma consistente e se divulgar. E as editoras estão procurando bons escritores. Portanto, é mãos-à-obra e escrever.

Resenhas: Em “A Máquina de Contar Histórias”, o protagonista acaba se esquecendo da família para viver o sonho de ser um grande autor. Isso já aconteceu com você em algum momento da vida?

Maurício: Não, de forma alguma. Eu não deixo o trabalho (seja o trabalho de escritor ou meu outro trabalho) contaminar a minha relação com minha família. Elas são o mais importante. Se eu estivesse começando a chegar nesse ponto, certamente eu pararia e diria “êpa, vamos com calma!”.

Entrevista: Maurício Gomyde

FOTO: Pedro Santos e Rafael Facundo

Resenhas: Surpreendente! é… Surpreendente. E seus outros livros, como você os definiria em apenas uma palavra?

Maurício:

O mundo de vidro: Diversão.
Ainda não te disse nada: Sonho.
O rosto que precede o sonho: Emoção.
Dias melhores para sempre: Superação.
A máquina de contar histórias: Família.

Resenhas: Surpreendente! também é um livro sobre uma roadtrip. As experiências de Pedro nessa viagem são relatadas com muita precisão. Você já havia feito o mesmo caminho ou feito uma roadtrip com amigos para relatar as experiências no livro? Se sim, como foi?

Maurício: Basicamente, conheço o universo do cinema, conheço o universo da amizade (tenho muitos amigos verdadeiros), conheço a estrada que os 4 percorrem (até Pirenópolis), vou muito aos cenários em que se passa a história. Fiz muuuuitas roadtrips com minhas bandas. Sou baterista e corri o Brasil fazendo shows. Quando estava escrevendo, eu lembrava dos perrengues da estrada, dos lugares péssimos onde dormíamos ou comíamos. Acho que o envolvimento na hora de escrever vinha dessas lembranças maravilhosas.

Resenhas: O cinema e a música sempre foram temas fortes e presentes em seus livros. Agora em Surpreendente!, ainda mais. Se o livro fosse adaptado para o cinema, quem seriam os atores brasileiros escolhidos para viver os personagens principais da trama?

Maurício: Nossa, eu nunca havia pensado nisso!!! Acho que a única que eu teria em mente hoje, para viver a Cristal, seria a Bianca Müller. Ela fez o booktrailer muito bem e os olhos são exatamente os olhos da personagem. Os outros três não imagino agora, mas o Pedro teria de ser um ator capaz de realizar as interpretações complexas de alguém que está ficando cego; o Fit, deveria ser um jovem meio maluco, com visual descolado; e a Mayla, uma menina mais nova, em torno de 18 anos, com o jeito um pouco inocente. Precisaria pensar… rsrsrs.

Resenhas: O que você está lendo atualmente?

Maurício: Tenho um ritual: sempre, entre um livro e outro, releio o “A Jornada do Escritor”. Estou fazendo isso no momento. Recentemente li “Todo Dia”, do David Levithan; a versão “sem cortes” do “On the Road”, do Kerouac; e o “Como eu era antes de você”, da Jojo Moyes. Pretendo, em seguida, ler os livros dos meus amigos escritores brasileiros que comprei na bienal (só comprei nacional dessa vez).

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Maurício Gomyde

FOTO: Divulgação / Editora Intrínseca

Resenhas: Uma dica para quem está no começo da carreira como escritor…

Maurício: Acho que o escritor deve viver intensamente a história que está escrevendo. Quem é o personagem? O que ele faz? O que escuta? Onde mora? Que filme vê? Que livros lê? Faça exatamente como seu personagem, tente ser como ele. Pesquise muito, mesmo que você não vá escrever sobre aquelas coisas diretamente. Assim, no fim da história, você terá um personagem consistente e crível. E, melhor, você terá aprendido um monte de coisas novas. O resto é consequência.

Resenhas: Quais são os seus projetos?

Maurício: Pretendo cair de cabeça na divulgação do Surpreendente!, viajar, fazer eventos, ir a livrarias, cuidar das redes sociais. Gosto de focar no projeto atual, sempre. Se ele não der certo, não adiantará muito ter projetos futuros. Uma coisa de cada vez.

Resenhas: Se pudesse publicar apenas mais um livro, qual seria o tema principal dele?

Maurício: Acho que eu faria um apanhado de tudo o que já fiz nos seis livros, bateria em um liquidificador, criaria um personagem bem bacana e contaria sua história como se eu mesmo fosse ele. Afinal de contas, tudo o que já escrevi, em suma, acaba sendo sobre mim mesmo e as coisas em que acredito.

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Melissa Marques


Entrevista: Julia Quinn, autora da série Os Bridgertons

Entrevista com a autora Julia Quinn

FOTO: Divulgação

Julia Quinn é uma autora norte-americana conhecida por seus romances históricos, principalmente a saga Os Bridgertons, publicada pela Editora Arqueiro. Seus livros já entraram na lista de mais vendidos do The New York Times e foram traduzidos para 26 idiomas! Durante a passagem de Julia pelo Brasil, para a Bienal do Rio 2015, a autora bateu um papo com a gente. Ela foi superbacana, comentou sobre sua vida como autora e as dificuldades de escrever um romance histórico. Confira:

Resenhas: Seus personagens são britânicos. Você se inspirou em alguém da aristocracia britânica para seus livros?

Julia: Eu não tenho nenhuma ascendência britânica, mas já vivi na Inglaterra duas vezes. E claro, eu amo Downton Abbey!

Resenhas: Seus livros já foram traduzidos para 26 idiomas. Que tipos de mudanças houveram na sua vida após seus livros se tornarem bestsellers?

Julia: Não muitas mudanças, na verdade. Não é como se as pessoas reconhecessem autores andando pela rua.

Resenhas: Quais são as maiores dificuldades de escrever um romance histórico? E as vantagens?

Julia: As dificuldades e as vantagens são iguais: a pesquisa. Existe muita pesquisa a ser feita, e há muita pressão para eu que eu pegue todos os detalhes corretamente. Por outro lado, eu acho que escritores de livros contemporâneos têm que se preocupar ainda mais. Se eles escrevem algo errado, as pessoas ficam REALMENTE bravas. Por exemplo, eu li um livro há algum tempo que se passava na minha universidade e o autor escreveu o nome de um dos dormitórios errado. Aquilo realmente me irritou. Eu não li “Cinquenta Tons de Cinza”, mas a história se passa em Seattle, onde eu moro, e aparentemente a autora fez os personagens chamarem a estrada de “the 5” ao invés de “I-5”. (Californianos falam “the 5”, quem mora em Seattle diz “I-5”.) Foi só o que os meus amigos comentavam o tempo todo! (O que é meio engraçado, quando você para e pensa. Quer dizer, é Cinquenta Tons de Cinza!).

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Resenhas: Você planeja escrever em algum estilo literário diferente, além dos romances históricos?

Julia: Não tão breve, eu realmente gosto do que eu faço.

Entrevista com a autora Julia Quinn

Foto: Divulgação/Arqueiro

Resenhas: Você desistiu da faculdade de medicina para seguir seu sonho de ser escritora. Como foi tomar essa decisão? Você recomendaria a outras pessoas?

Julia: A decisão não foi tão difícil como as pessoas podem pensar. Eu já havia publicado três livros quando eu decidi deixar a faculdade de medicina, então minha carreira como escritora já havia começado. Eu não poderia te dizer se eu recomendaria isso; realmente depende da pessoa. Para mim foi a decisão correta, mas para outros pode não ser.

Resenhas: Como é seu relacionamento com as autoras Lisa Kleypas e Eloisa James?

Julia: Ambas são ótimas amigas! Eloisa e eu inclusive passamos umas férias juntas em Viena.

Resenhas: Em qual tipo de amor você acredita?

Julia: Em todos os tipos!


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Escrito por:

Isabela Zamboni


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