Entrevista com Rainbow Rowell, autora de Eleanor & Park

Se nunca leu, provavelmente você já deve ter ouvido falar de algum dos livros escritos por Rainbow Rowell: Eleanor & Park (que em breve será adaptado para os cinemas!) e Fangirl são sucessos por onde passam e conquistam legiões de fãs! Conversamos com autora sobre seus livros e a recepção do público. Confira nosso bate-papo:

Entrevista com Rainbow Rowell, autora de Eleanor & Park

FOTO: Divulgação

Melissa: Como começou a escrever seu primeiro romance?

Rainbow: Meu primeiro romance, Attachments, com certeza foi um experimento. Eu estava trabalhando em um jornal e queria ver se conseguia escrever um livro. Com Eleanor & Park e Fangirl, eu sabia que conseguiria, e eu estava viciada na sensação de escrever ficção. É um esforço criativo muito puro – criar um mundo inteiro dentro de sua própria cabeça.

Melissa: Como surgiu a ideia de Eleanor & Park? E de Fangirl?

Rainbow: Eleanor & Park foi inspirado em minha própria adolescência, em meus amigos e meu bairro. Com Fangirl, eu estava lendo muitas fan-fictions de Harry Potter, e comecei a pensar como a minha adolescência teria sido diferente se eu tivesse tido acesso à Internet e ao mundo do fandom. Eu acho que teria me sentido muito menos sozinha.

Melissa: Comente um pouco sobre Landline:

Rainbow: Landline é diferente porque é sobre adultos – adultos casados. Mas ainda se parece muito com os meus outros livros. Muitas conversas, muitas brincadeiras. Com uma história de amor bem no centro de tudo. Acho que é o meu livro mais dramático – há muita coisa em jogo para Georgie, minha personagem principal. Mas também é o mais engraçado.

Melissa: Em Eleanor & Park, você aborda temas importantes como xenofobia e dificuldades familiares. Para você, qual é o papel social que os autores devem exercer?

Rainbow: Minha responsabilidade como autora é contar uma boa história. Mas a minha responsabilidade como pessoa é fazer o que eu puder para tornar o mundo mais amável e justo. Portanto, espero que isso venha através do meu trabalho.

Melissa: Quais são suas fontes de inspiração?

Rainbow: Eu encontro inspiração em minha própria vida. Meus livros geralmente acabam sendo sobre algo que eu estou passando na minha vida – mesmo parecendo que os personagens estão passando por algo completamente diferente.

Melissa: Seus personagens masculinos são apaixonantes. Você se inspira em alguém da “vida real” para criá-los?

Rainbow: Obrigada. Eu acho que sou inspirada por todos os homens da minha vida – meu marido, meus irmãos, meu padrasto, meus amigos. Eles são caras sensíveis que acreditam no amor.

 

Melissa: Os direitos de Eleanor & Park foram comprados e, em breve, veremos essa história no cinema. Quais atores seriam perfeitos para interpretar os personagens principais?

Rainbow: Não consigo pensar em nenhum! Eleanor e Park não são os tipos de personagens que costumamos ver em filmes. Por isso, é difícil pensar em uma atriz ruiva e gordinha ou um jovem ator coreano. Espero que os dois papéis sejam interpretados por atores relativamente desconhecidos.

Melissa: Assim como Cath, você também é louca por fanfics? Quais você acompanha?

Rainbow: Eu sou! Eu leio fan-fictions de Harry Potter e Sherlock.

Melissa: Quais são seus projetos? O que podemos esperar pela frente?

Rainbow: Estou trabalhando agora em um romance YA de fantasia. E depois será uma colaboração em um graphic novel com a premiada artista Faith Erin Hicks.

Bate-bola com Rainbow

  • Livro favorito: Lugar Nenhum, de Neil Gaiman
  • Autores favoritos: Neil Gaiman, Marian Keyes, Sarah Waters
  • Livro YA favorito: Os Magos, de Lev Grossman
  • O que você está lendo atualmente? Estranha Presença, de Sarah Waters

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Entrevista: Melissa Marques | Tradução: Thaís Tardivo | Conteúdo original publicado no site todateen.


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Melissa Marques


Entrevista: Babi A. Sette, autora de O Despertar do Lírio

Um livro lindo, sensível e surpreendente: é o que você vai encontrar ao ler Entre o Amor e o Silêncio, da paulistana Babi A. Sette. A autora está conquistando uma legião de fãs e admiradores com suas histórias que mesclam romance e sobrenatural. Se você ainda não conhece, com certeza, vai se apaixonar. Agora, Babi aposta no lançamento O Despertar do Lírio para continuar fazendo os leitores sonharem! Confira a entrevista:

Entrevista: Babi A. Sette, autora de O Despertar do Lírio

FOTO: Divulgação

Melissa: Como surgiu a ideia de escrever Entre o Amor e o Silêncio? Quais são suas fontes de inspiração?

Babi: A ideia surgiu com a imagem de um homem em coma e uma mulher lendo para ele. Eu sabia que ela estava apaixonada por esse homem. Soube também que era o começo de uma nova história. Minha fonte de inspiração é o amor.

Melissa: No seu livro Entre o Amor e o Silêncio você aborda o tema “trabalho voluntário”. Você já foi voluntária alguma vez? Indica esse tipo de trabalho?

Babi: Já fui voluntária e acho que é uma grande oportunidade de troca. Indico a quem se sinta compelido a fazer com o coração. Isso porque, como em qualquer trabalho, tem que existir o comprometimento e a doação pessoal. Mas, também não acho quem não faz trabalho voluntário é mais ou menos nobre do que quem faz. Acho que tudo na vida é como você faz e não o que você faz.

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Melissa: Seu romance tem uma carga dramática bem forte. Você gosta de “livros que fazem chorar”?

Babi: Acredito que a vida tem uma carga emocional muito forte, então, gosto de encontrar isso na arte. Mas, para mim, o final tem que valer a pena. Sendo sincera, não gosto de finais tristes, prefiro aqueles finais que nos enchem de esperança e que nos fazem suspirar.

Melissa: Muitas garotas, assim como a personagem Francesca, idealizam os homens. Qual o seu conselho para que elas lidem com isso de forma saudável?

Babi: Talvez entender que uma relação saudável não é feita de dois seres incompletos que necessitam um do outro para estar bem, e sim, de uma relação que é feita de duas pessoas completas que somam por estarem juntas.

Melissa: Seu livro foi lançado durante a Bienal do Livro de 2014 e a primeira edição esgotou em poucos meses. Como você se sente?

Babi: Realizada, grata, estimulada a prosseguir, com a certeza de que quando estamos no caminho certo, tudo flui e acontece para que continuemos nesse caminho.

Confira o booktrailer de O Despertar do Lírio:

Melissa: A internet, sem dúvidas, aproximou autores e leitores. Como é a resposta do seu público? Você costuma conversar com eles sobre a obra?

Babi: Sempre. Adoro o contato e não respondo isso porque parece politicamente correto e sim, porque é verdade. O contato e o carinho do público completam o final feliz da minha história.

Melissa: Qual é o seu conselho amoroso para as garotas que sofrem com desilusões amorosas?

Babi: Acho que posso dar esse conselho, porque eu fui uma menina novinha que sofria por amor. Vivia apaixonada e estava constantemente sofrendo por isso. O conselho seria: ame-se, valorize quem você é de verdade. A pessoa ideal é quem se encanta pela sua verdade. Seja a sua melhor companhia. Quando estamos bem conosco, largamos a ânsia da procura e quando paramos de buscar, encontramos aquilo ou aquele que nos esperava.

Melissa: O que vocês está lendo atualmente? Indique uma obra pra gente!

Babi: Eu acabei agora Para onde ela foi, da Gayle Forman , é a sequência do Se eu ficar. Indico esta série.

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Entrevista: Melissa Ladeia Marques | Conteúdo original publicado no site todateen.


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Melissa Marques


Entrevista: Nicholas Sparks, autor do lançamento Dois a Dois

Seu primeiro livro publicado permaneceu durante 56 semanas consecutivas nas listas de mais lidos dos Estados Unidos, ele é considerado o “Autor Best-Seller nº 1” e já soma cerca de 50 milhões de livros vendidos no mundo todo! Isso mesmo, conversamos com o autor Nicholas Sparks sobre seus livros, adaptações para o cinema e, como não poderia faltar, sobre o seu tema preferido: o amor!

Entrevista: Nicholas Sparks, autor do lançamento Dois a Dois

Nicholas Sparks na mesa de autógrafos durante lançamento de Dois a Dois FOTO: Reprodução / Facebook e Roberto Filho.

Confira o bate-papo:

Melissa: Quando você assiste a um filme baseado em uma obra sua, sente que os atores e atrizes foram fiéis ao interpretar as personagens dos livros? Como você se sente quando isso não acontece?

Nicholas: Eu tenho muita sorte e me sinto abençoado com performances de alta qualidade, em todos os sentidos. Ao olhar para trás, eu não me lembro de ter achado que as escolhas de elenco fossem um erro. E ainda melhor, todos os envolvidos – incluindo os atores e atrizes – trazem muito talento e colocam um grande esforço para tornar os personagens tão interessantes, críveis e memoráveis.

Melissa: Quando você escreve um livro – já sabendo que será adaptado – você já pensa no ator ou atriz que irá interpretar as personagens?

Nicholas: Como regra geral, eu não sei. E, às vezes, eu fico tão surpreso quanto qualquer outra pessoa diante da escolha do elenco. Mas de vez em quando eu acabo sabendo quem vai estrelar o filme.

Melissa: Hoje em dia, as pessoas estão se tornando cada vez mais independentes e individualistas. Porém, as grandes histórias de amor continuam fazendo sucesso. Você acredita que o amor seja realmente natural ou uma boa fórmula para vender livros?

Nicholas: O amor é um dos muitos tópicos ou temas maravilhosos a explorar na literatura. Sempre foi e eu tenho a sensação de que sempre será, não importa o quanto o mundo mude no futuro. Emoções, afinal, são parte da experiência humana.

Melissa: Você tem vontade de atingir um público mais masculino?

Nicholas: Eu não penso em escrever algo nesse caminho. Meu objetivo é, simplesmente, escrever o melhor romance que eu puder, um que qualquer pessoa – homem ou mulher – possa desfrutar.

Entrevista: Nicholas Sparks, autor do lançamento Dois a Dois

Nicholas Sparks durante lançamento do livro “Dois a Dois” na livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista, em São Paulo. FOTO: Reprodução / Facebook e Roberto Filho.

Melissa: Você acha que as mulheres sentem falta de mais romantismo por parte dos homens?

Nicholas: Tenho certeza de que muitas mulheres sentem falta de homens mais românticos. Mas sei que eles existem! É que talvez a maioria deles já esteja comprometida!

Melissa: Você pensa em escrever um romance mais picante, agora que esse assunto está em pauta?

Nicholas: Estou feliz com o tipo de romances que escrevo. E nas livrarias há espaço para todos.

Melissa: Na maioria de seus livros, as mulheres são personagens muito fortes. Como você vê as mulheres?

Nicholas: Eu adoro as mulheres, obviamente. Eu tive uma ótima mãe, me casei com uma mulher maravilhosa e eu tenho duas filhas incríveis. Eu também trabalho com um grande número de mulheres inteligentes e criativas e considero-as entre os meus amigos mais próximos. Quanto às personagens femininas de meus romances, muitos de seus atributos são extraídos de minha esposa.

Melissa: Como você consegue entender tão bem os sentimentos femininos?

Nicholas: Já me perguntaram isso antes, mas eu nunca sei como responder. O que eu posso dizer é isso: quando eu estou escrevendo um romance, eu raramente penso em o que é “masculino” ou “feminino”. Eu simplesmente tento criar personagens críveis.

Melissa: Você acredita que o amor é um sentimento que está acima das relações? (independente de as pessoas ficarem juntas ou não no final da “história”)

Nicholas: As emoções são sempre parte de qualquer relacionamento e o amor é uma das emoções mais primárias. Eu não tenho certeza que é possível “amar” alguém sem realmente conhecê-lo.

Melissa: Você se espelhou em alguma história real para criar seus livros? Quais?

Nicholas: Às vezes, as histórias foram inspiradas em fatos reais, outras vezes, os personagens são desenhados a partir de pessoas que eu conheço. Com isso dito, algumas histórias são mais “ficcionais” que outras. Querido John, por exemplo, foi inspirado em meu primo, enquanto Um Homem de Sorte foi, na maior parte, ficção.

Entrevista: Nicholas Sparks, autor do lançamento Dois a Dois

Nicholas Sparks durante lançamento do livro “Dois a Dois” na livraria da Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, RJ. FOTO: Reprodução / Facebook e Roberto Filho.

Melissa: Se você pudesse escolher um dos seus livros para simbolizar toda a sua obra, qual seria?

Nicholas: Acho que teria que ser Três Semanas com Meu Irmão. Ao ler isso, eu acho que as pessoas vão entender por que eu escrevo esses romances.

Melissa: No Brasil, temos uma cultura muito forte de assistir novelas, assim como vocês têm de assistir séries. Você já pensou em criar algo voltado para o público televisivo?

Nicholas: Sim. Eu criei uma empresa de produção no início deste ano e já vendi três projetos diferentes. Eu gosto da ideia de contar uma história mais longa e a televisão oferece uma excelente maneira de fazer isso.

Melissa: O que você gosta de ler? Indique um livro para nosso público.

Nicholas: Eu leio bem mais do que cem livros por ano e, no final, eu acho que o que estou procurando é uma história maravilhosa, contada maravilhosamente. Alguns dos meus favoritos nos últimos anos incluem: A Passagem, de Justin Cronin, Extraordinário, por RJ Palaccio, e A Arte de Correr na Chuva, de Garth Stein.

Melissa: Se você pudesse ter escrito o roteiro de um filme, qual seria?

Nicholas: Casablanca ou Ghost – Do Outro Lado da Vida. Eu acho que ambos os filmes são ótimos.

Melissa: Como é o processo de criação de um livro? Você ouve música? Tem um escritório? Escreve de pijama?

Nicholas: Eu costumo ir ao meu escritório – que fica em cima da garagem – por volta de 9h30, e começo a escrever perto das 10h. Escrevo até às 15h ou 16h, e em seguida, faço o trabalho do escritório – telefonemas, e-mails, etc.

Melissa: Você acha que a forma como as pessoas vivem romances é diferente, dependendo de onde elas estão? (por ex, num lugar mais tradicional como a Carolina do Norte versus um lugar mais cosmopolita como Nova Iorque).

Nicholas: A diferença é menor do que você imagina quando duas pessoas sentem uma atração uma pelo outra. Depois disso, as emoções são praticamente sentidas da mesma forma em toda parte.

6 PERGUNTAS RÁPIDAS

  1. Harry Potter ou Crepúsculo? Harry Potter.
  2. Amor ou Paixão? Ambos.
  3. Uma lembrança do Brasil… Cartões postais.
  4. Algo que você não vive sem? Minha família.
  5. Matéria preferida na época do colégio? Matemática.
  6. Um conselho para as meninas que estão sofrendo por amor? Seja seletiva, você vale a pena.

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Entrevista e tradução: Melissa Ladeia Marques | Conteúdo original publicado no site todateen.


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Melissa Marques


Entrevista: Cornelia Funke, autora da série Reckless

Entrevista: Cornelia Funke, autora da série Reckless

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Cornelia Funke é um dos nomes mais famosos entre os autores de literatura fantástica e juvenil. Se você ainda não conhece a qualidade do texto e a sensibilidade da autora ao criar mundos e personagens tão extraordinários – e ao mesmo tempo, tão parecidos com o nosso mundo e conosco – termine o livro que estiver lendo e dedique um tempo para começar uma das obras da alemã. Parafraseando John Green, eu leria qualquer coisa que essa mulher escrevesse, inclusive sua lista de compras do mercado. Não existe a possibilidade de não se apaixonar pelas histórias e ilustrações (também feitas por ela!) de cada livro.

Confira a entrevista que fizemos com Cornelia e torne-se fã você também:

Melissa: Quais gêneros literários você mais gosta?

Cornelia: Eu amo todos eles. Eu sou uma “comedora de livros”, então, é claro, eu não como o mesmo prato todos os dias! 🙂 Eu amo fantasia, ficção científica, suspense, poesia, não-ficção… Eu me alimento de Galsworthy, Kipling, Dickens, Stendhal, Maupassant, Neruda e Garcia Lorca. E é claro: eu leio muito para pesquisa. Cerca de 50 livros para cada livro que eu escrevo.

Melissa: Na trilogia Mundo de Tinta você retrata perfeitamente os mais diversos sentimentos dos “bookaholics”. Como surgiu o seu amor pela leitura?

Cornelia: Você tem a chave para essa pergunta em minha primeira resposta. Quando o mundo onde você cresce é um pouco pequeno, a imaginação fica faminta, e essa fome eu alimentei com livros e filmes. Eu continuo amando os dois. Eu amo histórias de qualquer tipo. Elas me fizeram entender o mundo e me mostraram o mundo com os olhos dos outros: humanos, animais, plantas 🙂

Entrevista: Cornelia Funke, autora da série Reckless

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Melissa: E como era a sua relação com os seus filhos quando eles eram crianças? Você lia para eles? Que tipo de história?

Cornelia: Sim, eu lia para meus filhos desde quando eles eram bem pequenos e, em um determinado momento, eles se tornaram meus críticos mais importantes. É claro que você também pode encontrá-los como personagens em meus livros, ou eles (os livros) são dedicados aos meus filhos. Minha filha continua sendo minha editora mais importante e minha primeira leitora, meu filho é o herói de muitas de minhas histórias. Eu lia HQs, fantasia e meus próprios livros para eles… o que eles escolhiam. Eu lia Harry Potter muitas e muitas vezes até eles decidirem ler por conta própria ou ouvi-los em audiobooks 🙂 Como eu, eles amam as “palavras faladas” tanto quanto as palavras escritas e meu filho ouviu a maioria dos meus livros em vez de lê-los.

Melissa: Você costuma ler críticas literárias ou blogs especializados no assunto? Quais?

Cornelia: Não, eu admito, quase nunca. Eu amo ouvir meus leitores diretamente e às vezes uma resenha explica certos aspectos do livro de uma forma que te faz muito feliz – essas reações dos leitores mostram que alguém realmente “viajou na sua cabeça” – mas eu prefiro escrever do que ler sobre a minha escrita.

Melissa: Quais são os seus projetos? Outros livros em mente?

Cornelia: Eu estou revisando o terceiro livro da saga MirrorWorld (Mundo do Espelho). Ele se chamará Heartless (Sem Coração, em tradução literal), mas o título de trabalho é The Golden Yarn (O Fio de Ouro, em tradução literal) . Eu viajo nos folclores russos nesse livro. O quarto livro me levará para a Ásia e o quinto, espero que, para Califórnia, México e… Brasil! Então eu preciso ler sobre seus mitos e folclores!

Melissa: O que está lendo atualmente?

Cornelia: Livros de Daumier e Henry Fox Talbot, um dos inventores da fotografia – ambos parte da minha pesquisa para MirrorWorld (Mundo do Espelho), e sobre como isso era no mundo de 1860. Aliás, tenho uma pergunta para meu leitores brasileiros: o que é o Brasil por trás do espelho?

Entrevista: Cornelia Funke, autora da série Reckless

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Melissa: Algum personagem da trilogia “Mundo de Tinta” se parece mais com você? Por que?

Cornelia: O personagem que mais me sinto próxima não é de Mundo de Tinta, mas de MirrorWorld (bom… Mundo de Tinta é, na verdade, o passado de MirrorWorld – ou Mundo do Espelho): é uma raposa, ou, para chamá-la por seu nome humano, Celeste Auger, o metamorfo que é ao mesmo tempo uma mullher e uma raposa e que é uma verdadeira aventureira.

Melissa: Qual seria a sua melhor dica para quem quer começar a escrever profissionalmente?

Cornelia: Tenha sempre um caderno e uma caneta com você. As ideias sempre vêm em horas e momentos errados e você precisa pegá-las. Seja curioso sobre tudo – dentro e fora de você. Alimente sua imaginação com a sua vida. Não viva apenas nos livros. Faça a sua escrita expressar o que você sente sobre o mundo. E… tente escrever à mão. Você se surpreenderá com a diferença de escrever em um computador. Deixe-o para seu segundo rascunho. E aí, reescreva, reescreva, reescreva… Eu faço isso pelo menos oito vezes para cada livro.

Melissa: Seus livros falam com crianças e adultos. Para você, qual é a importância da fantasia para as diversas fases da vida?

Cornelia: Eu acredito que a fantasia se aproxime muito mais da verdade sobre vida, morte e o mundo do que as reportagens sobre a nossa chamada “realidade”. É necessário alimentar a fantasia com realidade, mas eu acredito na imaginação humana como uma ferramenta para entender e descrever as experiências humanas. Afinal, nós somos, provavelmente, as únicas criaturas neste planeta que conseguem imaginar ser um animal, um humano, uma planta ou até uma pedra! 🙂

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Entrevista e tradução: Melissa Ladeia Marques | Conteúdo original publicado no site todateen.


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Bate-papo com Carol Rosseti, autora do livro “Mulheres”

Ontem (14.10), rolou o lançamento do livro “Mulheres”, da Carol Rosseti, no SESC Bauru.  Durante o mês, o SESC trouxe para Bauru diversas atividades relacionadas ao tema, inclusive, uma exposição incrível com as ilustrações da Carol – que também podem ser encontradas no livro.

O lançamento foi bem legal e descontraído, com um clima bem impessoal. A Carol é uma fofa e conversou com o público presente sobre sua obra, feminismo, e muito mais! Confira os melhores momentos abaixo:

SOBRE O PROJETO “MULHERES”

Não surgiu como um projeto. Na verdade, ele foi se desenvolvendo. Percebi o potencial de conversar sobre feminismo com pessoas fora do movimento. Através das ilustrações eu consegui conversar com minhas tias, minhas avós… E com mulheres do mundo todo!

SOBRE ARTE E ATIVISMO

Arte e ativismo podem andar juntos. É uma forma que as pessoas encontram para lutar. Eu sou feminista.

É preciso trabalhar a representatividade. Meu trabalho como quadrinista é contar histórias. Isso ajuda a construir ‘o que é normal’, nós criamos um modelo que é ser normal.

Cabe reconhecermos nossos privilégios, eu reconheço os meus.

É necessário encontrar a sua forma de lutar. Todos os personagens que eu criar eu vou tratar sobre representatividade. Quero colocar personagens trans, negros… trans-negros-gordos.

Bate-papo com Carol Rosseti, autora do livro "Mulheres"

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

SOBRE CROWDFUNDING

O CORES é um crowdfunding. Ele foi feito de forma totalmente independente. Meu relacionamento com a editora foi muito bom, sem problemas, mas eu decidi fazê-lo de forma independente. Eu queria saber fazer um livro do início ao fim. Fui artista, designer, editora, publicitária… Tem que participar da logística. Foi bem desafiador. Agora eu sei o que é angústia. (Risos).

SOBRE SEXUALIDADE

As pessoas são muito múltiplas. Não dá pra definir alguém somente pela deficiência ou pela sexualidade.

SOBRE A RESPOSTA DO PÚBLICO

Alguns dos meus trabalhos tiveram uma melhora depois da resposta do público. Todos nós erramos. Eu não tenho medo de errar. As pessoas geralmente buscam se identificar com as personagens. Falar pelo outro é muito complicado. Eu apenas conto histórias.

SOBRE FEMINISMO

Acho que muita gente “perdeu o medo” da palavra feminista. Algumas ilustrações foram didáticas e acabaram trazendo termos que as pessoas não conheciam.

Bate-papo com Carol Rosseti, autora do livro "Mulheres"

Euzinha tietando a Carol! FOTO: André Turtelli

SOBRE VISIBILIDADE

Tem que ter empatia, respeito. Não dá para falar pelo outro. Mas quando estamos em um lugar de privilégio, é importante trazer visibilidade para os outros. Você tem que fazer alguma coisa com o seu privilégio, mas não existe uma fórmula certa pra isso.

Quando a temática não tem a ver com o seu cotidiano, exige um trabalho de pesquisa muito grande. Às vezes, até mesmo uma expressão tem significados diferentes em estados diferentes. O objetivo é ser acolhedor com todos que veem o projeto.

Serviço

A exposição estará disponível no SESC Bauru até 18/12. De terça a sexta, 13h às 21h30. Sábados, domingos e feriados, 9h30 às 18h30. Quem for de Bauru e região pode e deve conferir!

Se quiser comprar o livro, é só clicar no link abaixo:


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Melissa Marques


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