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Entrevista: André Diniz, autor de “O Idiota”, adaptação do clássico de Dostoiévski para os quadrinhos

FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

Finalista Jabuti 2019André Diniz teve a difícil tarefa de adaptar uma obra complexa, escrita há 150 anos: O Idiota, de Fiódor Dostoiévski. Conversamos com o ilustrador e roteirista sobre a obra, depressão, engajamento, entre outros assuntos. Confira:

Resenhas: Em um mundo onde assumir medos e problemas são sinais de fraqueza, fiquei bastante interessada ao ler um entrevista sua ao jornal O Globo onde afirma que interrompeu a produção “por conta de uma depressão e estafa crônicos”. Como você lida, hoje em dia, com a interferência desses problemas? Pergunto, pois, em tempos de “felicidade de Instagram”, um artista assumir a vulnerabilidade é um tanto subversivo…

André: Hoje está mais tranquilo, a partir do momento em que o problema foi identificado. Comecei em 2013 a sentir uma estafa física e mental crônicos, mas fui levando até parar por completo em 2014. Fiz uma série de exames e consultas em diferentes especialistas, sempre buscando uma causa física à minha fadiga, isso me tomou um ano. Até o momento em que a minha mulher questionou se não seria depressão. Até aquele momento, me faltava informação sobre o tema. Não no sentido de compreender quem sofre a doença, mas de saber identificá-la.

Eu associava depressão à tristeza profunda, a não querer viver, e são de fato sintomas ou causas (ou os dois ao mesmo tempo) bem comuns. Mas a minha era uma depressão sem tristeza, mais pelo esgotamento e apatia. Se eu ganhasse na loteria ou perdesse dinheiro, OK. Veio, curiosamente, numa ótima fase profissional e pessoal da minha vida. Por essas questões, não me ocorreu procurar um psiquiatra até o toque da minha mulher.

A partir do momento em que me recuperei um pouco, ao ponto ao menos de conseguir voltar a escrever, comecei a falar publicamente sobre isso. Primeiro, pela informação que me seria tão preciosa no começo de tudo, mas que me faltou. Fiquei assustado com a quantidade de pessoas, leitores, colegas, amigos, que confessavam a mim estar passando pelo mesmo processo, sem sequer imaginar que isso poderia, talvez, ser uma depressão.

Outra razão pela qual passei a falar disso e até trazer ao meu trabalho é que eu passei a conhecer uma nova visão da vida e fatalmente isso vai se refletir no meu trabalho. A minha forma de ver o mundo e as pessoas era um. Veio a depressão e passou a ser outra, bem mais negativa. Vieram os remédios e o mundo mudou, agora tudo era lindo. Depois de um ano de tratamento, volto a ver tudo de forma mais equilibrada, mas diferente. Isso foi uma aula que eu tive de como as convicções, ódios, medos, problemas e paixões são voláteis.

Resenhas: Como esse processo – encarar a depressão e a estafa – interferiram no seu trabalho?

André: Por incrível que pareça, houve um saldo positivo. Entre 2014 e 2015, eu não consegui produzir praticamente nada. Quando retornei, em 2016, após o tratamento (confesso que sair de São Paulo para Lisboa ajudou), iniciei o período mais produtivo que já tive, com uma nova linha de desenho que me é muito mais prazerosa de fazer.

De maio de 2016 até agora, fiz O idiota, Matei meu pai e foi estranho e Malditos amigos, três álbuns de HQ que somam cerca de 800 páginas ao todo, uma marca que nunca imaginei conseguir. Acho que a depressão foi um momento de zerar tudo e recomeçar, com tudo mais reorganizado. Após a apatia crônica, muitas coisas voltaram a ter importância para mim, mas outras não voltaram porque não eram importantes mesmo. Esse foi o meu ganho. Claro, falando assim, parece uma história bonitinha com final feliz. Longe disso: tenho ainda algumas recaídas e elas não são nada agradáveis.

Outra consequência da depressão no meu trabalho, foi a minha HQ Malditos amigos, que lancei agora em Portugal e, em breve, lanço também no Brasil. Nela, crio um personagem fictício, um tatuador quarentão do centro velho de São Paulo, com suas próprias questões pessoais e profissionais, mas empresto a ele a minha experiência com a depressão, essa depressão das grandes cidades.

Resenhas: E sobre adaptar uma história escrita por Dostoiévski – autor que, como sabemos, aborda em suas obras (entre outros temas): niilismo, suicídio e violência – você acredita que também imprimiu um pouco desse período da sua vida no seu traço, no roteiro, nas falas do livro?

André: A partir do momento em que vivo uma experiência, em que meu conhecimento sobre algo se amplia, em que descubro a obra de um artista, que visito um lugar diferente ou que conheço uma nova pessoa, isso vai impactar em maior ou menor grau o meu trabalho, e acredito que isso se aplique a qualquer artista. O meu estilo atual de desenho, que começou no O Idiota, é mais riscado, mais rústico e sujo que o anterior, embora estilizado.

Difícil imaginar como estaria hoje o meu desenho sem essa interrupção forçada, sem essa mudança de perspectivas. Minhas histórias foram ficando cada vez mais intimistas, sem que eu percebesse isso, com personagens solitários (embora eu definitivamente não o seja na prática). Acredito que a depressão, que hoje reconheço que já estava comigo em menor grau muitos anos antes de chegar no nível crônico, tenha influenciado não só a forma de fazer a adaptação, mas até mesmo a minha identificação com a obra de Dostoiévski e com O Idiota especificamente.

Resenhas: Qual motivo o levou a escolher O Idiota como obra a ser adaptada? E Dostoiévski?

André: Li primeiramente O Jogador e me apaixonei pela obra, a ponto de começar a ler seus livros em sequência, algo que fiz raramente até hoje. O Jogador é maravilhoso, mas o melhor do Dostoiévski ainda estava por vir, e foi um fascínio progressivo, até chegar em O Idiota, que nem considero o seu melhor, mas foi o que me arrebatou. Terminei de ler e sabia desde já que eu tinha que trabalhar com esse livro.

Dostoiévski tem um ingrediente que é fundamental para mim: ele mostra o horror, o pior do ser humano, mas sempre com o humor ao lado. Para mim, o humor, mesmo aquele humor amargo, tem que estar em tudo. Malditos amigos fala da depressão, do caos e da violência nas cidades, da solidão, mas é uma história onde há um humor ao menos implícito por toda a história. Dostoiévski é mestre em tudo, inclusive na forma como o humor está presente no trágico.

Resenhas: E como você chegou nesse traço mais bruto? Ele é inspirado na arte africana e na técnica da xilogravura? Me lembrou, até mesmo, uma literatura de cordel…

André: Até 2008, a maior parte das minhas HQs eram feitas em parceria: eu entrava como roteirista e um parceiro desenhava a HQ. Eu sabia contar uma história com desenhos, mas o meu desenho não tinha um porquê de estar ali, eu não tinha ainda algo a dizer com ele, ao contrário dos meus roteiros. Aí, eu decidi apagar tudo o que eu achava que sabia sobre fazer uma página de HQ e decidi recomeçar do zero, me avaliando.

Minha mão é pesada, eu não consigo, por exemplo, trabalhar com pincel, e a ponta do lápis quebra o tempo todo. Meu olhar não é sutil: eu enxergo círculos e quadrados, não as nuances da fisionomia de alguém. Então, fui buscar referências que fizessem com que essas características fossem qualidades e não obstáculos.

Cheguei na arte africana, com uma estilização que não é necessariamente cômica, e na xilogravura, o desenho cravado na madeira, talvez a técnica de desenho mais bruta que exista. Esses dois estilos já fascinavam aos meus olhos mas eu nunca os tinha trazido propriamente ao meu desenho. No momento em que tive essa percepção, foi quando eu me encontrei como desenhista.

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Resenhas: Por falar em subversão… Em Subversivos (1999), você abordou a época da Ditadura Militar no Brasil. Dostoiévski era responsável por diversas críticas ao Império Russo. O que vemos atualmente – generalizando – são artistas que não se posicionam ou não comentam sobre assuntos políticos, por exemplo. Você se sente confortável em falar sobre o assunto? Acaba imprimindo seus ideais em suas obras? Acha que o posicionamento político do artista é necessário?

André: Acho fundamental o posicionamento do artista sobre o que quer que seja. Senão, afinal, sobre o que é a sua arte? Isso não quer dizer, porém, que o artista tenha as respostas e só seja feito de certezas. Há assuntos sobre os quais não opino porque não tenho base para isso. As minhas HQs têm mais perguntas que afirmações.

O que eu tenho de firme e convicto é a repulsa absoluta a todo tipo de hipocrisia, de autoritarismo, de preconceito, de violência, de exploração econômica, de segregação social, racial, sexual. Talvez não por acaso, problemas cada vez mais crônicos no Brasil.

Resenhas: O que te inspira? Como é o seu processo criativo?

André: Algo que me ajudou muito a domar, ao menos um pouquinho esse processo criativo foi separar o que é criação e do que é execução. Claro que isso é absolutamente impreciso, e talvez valha mais até para os desenhos do que para o roteiro, mas é um recurso precioso para mim. A parte da criação começa com angústia, há algo a ser dito mas eu não sei exatamente ainda o que nem como. É a fase que não depende só de sentar e trabalhar. Ideias às vezes vêm, às vezes não vêm, às vezes vêm quando menos se espera. Nessa etapa, rabisco as ideias em um caderno sem pautas, assim eu os anoto da forma mais livre possível, sem pensar em formatação, parágrafos e etc.

O passo seguinte já é menos angustiante e já depende de eu sentar, focar e trabalhar. Organizo as ideias selecionadas, elimino os excessos, corrijo os erros, reescrevendo aquelas ideias iniciais o mais próximo possível de uma história coerente, resumindo a história em uma ou duas páginas de texto. A partir daí, é escrever as cenas, falas e narração. Algumas cenas que dependem de pesquisa ou de um estudo mais técnico eu pulo e deixo para o final, para não quebrar o meu fluxo criativo. Faço o mesmo se preciso citar uma informação específica ou criar o nome de um figurante. Não interrompo a escrita e deixo para trabalhar nisso ao fim de tudo. Aí, releio várias vezes cortando tudo o que não é necessário, encurtando frases, falas, cenas inteiras.

O desenho tem um processo similar. Esboço personagens num caderno. Depois esboço a ideia das páginas, esboço os desenhos sem detalhes, vou acrescentando os detalhes, até finalizar. Hoje, esse processo todo, desde o roteiro até os desenhos finalizados, faço em um iPad Pro, que carrego para onde quiser.

Resenhas: Quais são os projetos que você está trabalhando atualmente? O que tem por vir?

André: Malditos amigos, que citei antes, está para vir ao Brasil, depois de ser editado em Portugal. Tainan Rocha, parceiro meu em Que Deus te abandone, desenha agora um roteiro meu, que se chama “Virginia merece”. O desenho do Tainan é algo simplesmente criminoso de tão lindo e estou mesmo ansioso para ver isso pronto. Tenho ainda um outro roteiro quase pronto para o meu próximo álbum, trabalho numa edição independente, com histórias curtas minhas e, se tudo correr bem, tenho pronto em breve algo que faz alguns anos que eu queria elaborar: um livro com dicas sobre escrever roteiros para quadrinhos.

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Entrevista com Rainbow Rowell, autora de Eleanor & Park

FOTO: Divulgação

Se nunca leu, provavelmente você já deve ter ouvido falar de algum dos livros escritos por Rainbow Rowell: Eleanor & Park (que em breve será adaptado para os cinemas!) e Fangirl são sucessos por onde passam e conquistam legiões de fãs! Conversamos com autora sobre seus livros e a recepção do público. Confira nosso bate-papo:

Entrevista com Rainbow Rowell, autora de Eleanor & Park
FOTO: Divulgação

Melissa: Como começou a escrever seu primeiro romance?

Rainbow: Meu primeiro romance, Attachments, com certeza foi um experimento. Eu estava trabalhando em um jornal e queria ver se conseguia escrever um livro. Com Eleanor & Park e Fangirl, eu sabia que conseguiria, e eu estava viciada na sensação de escrever ficção. É um esforço criativo muito puro – criar um mundo inteiro dentro de sua própria cabeça.

Melissa: Como surgiu a ideia de Eleanor & Park? E de Fangirl?

Rainbow: Eleanor & Park foi inspirado em minha própria adolescência, em meus amigos e meu bairro. Com Fangirl, eu estava lendo muitas fan-fictions de Harry Potter, e comecei a pensar como a minha adolescência teria sido diferente se eu tivesse tido acesso à Internet e ao mundo do fandom. Eu acho que teria me sentido muito menos sozinha.

Melissa: Comente um pouco sobre Landline:

Rainbow: Landline é diferente porque é sobre adultos – adultos casados. Mas ainda se parece muito com os meus outros livros. Muitas conversas, muitas brincadeiras. Com uma história de amor bem no centro de tudo. Acho que é o meu livro mais dramático – há muita coisa em jogo para Georgie, minha personagem principal. Mas também é o mais engraçado.

Melissa: Em Eleanor & Park, você aborda temas importantes como xenofobia e dificuldades familiares. Para você, qual é o papel social que os autores devem exercer?

Rainbow: Minha responsabilidade como autora é contar uma boa história. Mas a minha responsabilidade como pessoa é fazer o que eu puder para tornar o mundo mais amável e justo. Portanto, espero que isso venha através do meu trabalho.

Melissa: Quais são suas fontes de inspiração?

Rainbow: Eu encontro inspiração em minha própria vida. Meus livros geralmente acabam sendo sobre algo que eu estou passando na minha vida – mesmo parecendo que os personagens estão passando por algo completamente diferente.

Melissa: Seus personagens masculinos são apaixonantes. Você se inspira em alguém da “vida real” para criá-los?

Rainbow: Obrigada. Eu acho que sou inspirada por todos os homens da minha vida – meu marido, meus irmãos, meu padrasto, meus amigos. Eles são caras sensíveis que acreditam no amor.

 

Melissa: Os direitos de Eleanor & Park foram comprados e, em breve, veremos essa história no cinema. Quais atores seriam perfeitos para interpretar os personagens principais?

Rainbow: Não consigo pensar em nenhum! Eleanor e Park não são os tipos de personagens que costumamos ver em filmes. Por isso, é difícil pensar em uma atriz ruiva e gordinha ou um jovem ator coreano. Espero que os dois papéis sejam interpretados por atores relativamente desconhecidos.

Melissa: Assim como Cath, você também é louca por fanfics? Quais você acompanha?

Rainbow: Eu sou! Eu leio fan-fictions de Harry Potter e Sherlock.

Melissa: Quais são seus projetos? O que podemos esperar pela frente?

Rainbow: Estou trabalhando agora em um romance YA de fantasia. E depois será uma colaboração em um graphic novel com a premiada artista Faith Erin Hicks.

Bate-bola com Rainbow

  • Livro favorito: Lugar Nenhum, de Neil Gaiman
  • Autores favoritos: Neil Gaiman, Marian Keyes, Sarah Waters
  • Livro YA favorito: Os Magos, de Lev Grossman
  • O que você está lendo atualmente? Estranha Presença, de Sarah Waters

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Entrevista: Melissa Marques | Tradução: Thaís Tardivo | Conteúdo original publicado no site todateen.

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Entrevista: Babi A. Sette, autora de O Despertar do Lírio

FOTO: Divulgação

Um livro lindo, sensível e surpreendente: é o que você vai encontrar ao ler Entre o Amor e o Silêncio, da paulistana Babi A. Sette. A autora está conquistando uma legião de fãs e admiradores com suas histórias que mesclam romance e sobrenatural. Se você ainda não conhece, com certeza, vai se apaixonar. Agora, Babi aposta no lançamento O Despertar do Lírio para continuar fazendo os leitores sonharem! Confira a entrevista:

Entrevista: Babi A. Sette, autora de O Despertar do Lírio
FOTO: Divulgação

Melissa: Como surgiu a ideia de escrever Entre o Amor e o Silêncio? Quais são suas fontes de inspiração?

Babi: A ideia surgiu com a imagem de um homem em coma e uma mulher lendo para ele. Eu sabia que ela estava apaixonada por esse homem. Soube também que era o começo de uma nova história. Minha fonte de inspiração é o amor.

Melissa: No seu livro Entre o Amor e o Silêncio você aborda o tema “trabalho voluntário”. Você já foi voluntária alguma vez? Indica esse tipo de trabalho?

Babi: Já fui voluntária e acho que é uma grande oportunidade de troca. Indico a quem se sinta compelido a fazer com o coração. Isso porque, como em qualquer trabalho, tem que existir o comprometimento e a doação pessoal. Mas, também não acho quem não faz trabalho voluntário é mais ou menos nobre do que quem faz. Acho que tudo na vida é como você faz e não o que você faz.

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Melissa: Seu romance tem uma carga dramática bem forte. Você gosta de “livros que fazem chorar”?

Babi: Acredito que a vida tem uma carga emocional muito forte, então, gosto de encontrar isso na arte. Mas, para mim, o final tem que valer a pena. Sendo sincera, não gosto de finais tristes, prefiro aqueles finais que nos enchem de esperança e que nos fazem suspirar.

Melissa: Muitas garotas, assim como a personagem Francesca, idealizam os homens. Qual o seu conselho para que elas lidem com isso de forma saudável?

Babi: Talvez entender que uma relação saudável não é feita de dois seres incompletos que necessitam um do outro para estar bem, e sim, de uma relação que é feita de duas pessoas completas que somam por estarem juntas.

Melissa: Seu livro foi lançado durante a Bienal do Livro de 2014 e a primeira edição esgotou em poucos meses. Como você se sente?

Babi: Realizada, grata, estimulada a prosseguir, com a certeza de que quando estamos no caminho certo, tudo flui e acontece para que continuemos nesse caminho.

Confira o booktrailer de O Despertar do Lírio:

Melissa: A internet, sem dúvidas, aproximou autores e leitores. Como é a resposta do seu público? Você costuma conversar com eles sobre a obra?

Babi: Sempre. Adoro o contato e não respondo isso porque parece politicamente correto e sim, porque é verdade. O contato e o carinho do público completam o final feliz da minha história.

Melissa: Qual é o seu conselho amoroso para as garotas que sofrem com desilusões amorosas?

Babi: Acho que posso dar esse conselho, porque eu fui uma menina novinha que sofria por amor. Vivia apaixonada e estava constantemente sofrendo por isso. O conselho seria: ame-se, valorize quem você é de verdade. A pessoa ideal é quem se encanta pela sua verdade. Seja a sua melhor companhia. Quando estamos bem conosco, largamos a ânsia da procura e quando paramos de buscar, encontramos aquilo ou aquele que nos esperava.

Melissa: O que vocês está lendo atualmente? Indique uma obra pra gente!

Babi: Eu acabei agora Para onde ela foi, da Gayle Forman , é a sequência do Se eu ficar. Indico esta série.

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Entrevista: Melissa Ladeia Marques | Conteúdo original publicado no site todateen.

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Entrevista: Nicholas Sparks

Nicholas Sparks na mesa de autógrafos do lançamento de Dois a Dois FOTO: Reprodução / Facebook e Roberto Filho.

Seu primeiro livro publicado permaneceu durante 56 semanas consecutivas nas listas de mais lidos dos Estados Unidos, ele é considerado o “Autor Best-Seller nº 1” e já soma cerca de 50 milhões de livros vendidos no mundo todo! Isso mesmo, conversamos com o autor Nicholas Sparks sobre seus livros, adaptações para o cinema e, como não poderia faltar, sobre o seu tema preferido: o amor!

Confira o bate-papo com Nicholas Sparks:

Melissa: Quando você assiste a um filme baseado em uma obra sua, sente que os atores e atrizes foram fiéis ao interpretar as personagens dos livros? Como você se sente quando isso não acontece?

Nicholas Sparks: Eu tenho muita sorte e me sinto abençoado com performances de alta qualidade, em todos os sentidos. Ao olhar para trás, eu não me lembro de ter achado que as escolhas de elenco fossem um erro. E ainda melhor, todos os envolvidos – incluindo os atores e atrizes – trazem muito talento e colocam um grande esforço para tornar os personagens tão interessantes, críveis e memoráveis.

Melissa: Quando você escreve um livro – já sabendo que será adaptado – você já pensa no ator ou atriz que irá interpretar as personagens?

Nicholas Sparks: Como regra geral, eu não sei. E, às vezes, eu fico tão surpreso quanto qualquer outra pessoa diante da escolha do elenco. Mas de vez em quando eu acabo sabendo quem vai estrelar o filme.

Melissa: Hoje em dia, as pessoas estão se tornando cada vez mais independentes e individualistas. Porém, as grandes histórias de amor continuam fazendo sucesso. Você acredita que o amor seja realmente natural ou uma boa fórmula para vender livros?

Nicholas: O amor é um dos muitos tópicos ou temas maravilhosos a explorar na literatura. Sempre foi e eu tenho a sensação de que sempre será, não importa o quanto o mundo mude no futuro. Emoções, afinal, são parte da experiência humana.

Melissa: Você tem vontade de atingir um público mais masculino?

Nicholas: Eu não penso em escrever algo nesse caminho. Meu objetivo é, simplesmente, escrever o melhor romance que eu puder, um que qualquer pessoa – homem ou mulher – possa desfrutar.

Entrevista: Nicholas Sparks, autor do lançamento Dois a Dois
Nicholas Sparks durante lançamento do livro “Dois a Dois” na livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista, em São Paulo. FOTO: Reprodução / Facebook e Roberto Filho.

Melissa: Você acha que as mulheres sentem falta de mais romantismo por parte dos homens?

Nicholas: Tenho certeza de que muitas mulheres sentem falta de homens mais românticos. Mas sei que eles existem! É que talvez a maioria deles já esteja comprometida!

Melissa: Você pensa em escrever um romance mais picante, agora que esse assunto está em pauta?

Nicholas Sparks: Estou feliz com o tipo de romances que escrevo. E nas livrarias há espaço para todos.

Melissa: Na maioria de seus livros, as mulheres são personagens muito fortes. Como você vê as mulheres?

Nicholas Sparks: Eu adoro as mulheres, obviamente. Eu tive uma ótima mãe, me casei com uma mulher maravilhosa e eu tenho duas filhas incríveis. Eu também trabalho com um grande número de mulheres inteligentes e criativas e considero-as entre os meus amigos mais próximos. Quanto às personagens femininas de meus romances, muitos de seus atributos são extraídos de minha esposa.

Melissa: Como você consegue entender tão bem os sentimentos femininos?

Nicholas: Já me perguntaram isso antes, mas eu nunca sei como responder. O que eu posso dizer é isso: quando eu estou escrevendo um romance, eu raramente penso em o que é “masculino” ou “feminino”. Eu simplesmente tento criar personagens críveis.

Melissa: Você acredita que o amor é um sentimento que está acima das relações? (independente de as pessoas ficarem juntas ou não no final da “história”)

Nicholas: As emoções são sempre parte de qualquer relacionamento e o amor é uma das emoções mais primárias. Eu não tenho certeza que é possível “amar” alguém sem realmente conhecê-lo.

Melissa: Você se espelhou em alguma história real para criar seus livros? Quais?

Nicholas: Às vezes, as histórias foram inspiradas em fatos reais, outras vezes, os personagens são desenhados a partir de pessoas que eu conheço. Com isso dito, algumas histórias são mais “ficcionais” que outras. Querido John, por exemplo, foi inspirado em meu primo, enquanto Um Homem de Sorte foi, na maior parte, ficção.

Entrevista: Nicholas Sparks, autor do lançamento Dois a Dois
Nicholas Sparks durante lançamento do livro “Dois a Dois” na livraria da Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, RJ. FOTO: Reprodução / Facebook e Roberto Filho.

Melissa: Se você pudesse escolher um dos seus livros para simbolizar toda a sua obra, qual seria?

Nicholas: Acho que teria que ser Três Semanas com Meu Irmão. Ao ler isso, eu acho que as pessoas vão entender por que eu escrevo esses romances.

Melissa: No Brasil, temos uma cultura muito forte de assistir novelas, assim como vocês têm de assistir séries. Você já pensou em criar algo voltado para o público televisivo?

Nicholas: Sim. Eu criei uma empresa de produção no início deste ano e já vendi três projetos diferentes. Eu gosto da ideia de contar uma história mais longa e a televisão oferece uma excelente maneira de fazer isso.

Melissa: O que você gosta de ler? Indique um livro para nosso público.

Nicholas: Eu leio bem mais do que cem livros por ano e, no final, eu acho que o que estou procurando é uma história maravilhosa, contada maravilhosamente. Alguns dos meus favoritos nos últimos anos incluem: A Passagem, de Justin Cronin, Extraordinário, por RJ Palaccio, e A Arte de Correr na Chuva, de Garth Stein.

Melissa: Se você pudesse ter escrito o roteiro de um filme, qual seria?

Nicholas: Casablanca ou Ghost – Do Outro Lado da Vida. Eu acho que ambos os filmes são ótimos.

Melissa: Como é o processo de criação de um livro? Você ouve música? Tem um escritório? Escreve de pijama?

Nicholas: Eu costumo ir ao meu escritório – que fica em cima da garagem – por volta de 9h30, e começo a escrever perto das 10h. Escrevo até às 15h ou 16h, e em seguida, faço o trabalho do escritório – telefonemas, e-mails, etc.

Melissa: Você acha que a forma como as pessoas vivem romances é diferente, dependendo de onde elas estão? (por ex, num lugar mais tradicional como a Carolina do Norte versus um lugar mais cosmopolita como Nova Iorque).

Nicholas: A diferença é menor do que você imagina quando duas pessoas sentem uma atração uma pelo outra. Depois disso, as emoções são praticamente sentidas da mesma forma em toda parte.

6 PERGUNTAS RÁPIDAS PARA NICHOLAS SPARKS

  1. Harry Potter ou Crepúsculo? Harry Potter.
  2. Amor ou Paixão? Ambos.
  3. Uma lembrança do Brasil… Cartões postais.
  4. Algo que você não vive sem? Minha família.
  5. Matéria preferida na época do colégio? Matemática.
  6. Um conselho para as meninas que estão sofrendo por amor? Seja seletiva, você vale a pena.

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Entrevista e tradução: Melissa Ladeia Marques | Conteúdo original publicado no site todateen.

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Entrevista: Cornelia Funke, autora da série Reckless

FOTO: Divulgação

Cornelia Funke é um dos nomes mais famosos entre os autores de literatura fantástica e juvenil. Se você ainda não conhece a qualidade do texto e a sensibilidade da autora ao criar mundos e personagens tão extraordinários – e ao mesmo tempo, tão parecidos com o nosso mundo e conosco – termine o livro que estiver lendo e dedique um tempo para começar uma das obras da alemã. Parafraseando John Green, eu leria qualquer coisa que essa mulher escrevesse, inclusive sua lista de compras do mercado. Não existe a possibilidade de não se apaixonar pelas histórias e ilustrações (também feitas por ela!) de cada livro.

Confira a entrevista que fizemos com Cornelia Funke e torne-se fã você também:

Melissa: Quais gêneros literários você mais gosta?

Cornelia: Eu amo todos eles. Eu sou uma “comedora de livros”, então, é claro, eu não como o mesmo prato todos os dias! 🙂 Eu amo fantasia, ficção científica, suspense, poesia, não-ficção… Eu me alimento de Galsworthy, Kipling, Dickens, Stendhal, Maupassant, Neruda e Garcia Lorca. E é claro: eu leio muito para pesquisa. Cerca de 50 livros para cada livro que eu escrevo.

Melissa: Na trilogia Mundo de Tinta você retrata perfeitamente os mais diversos sentimentos dos “bookaholics”. Como surgiu o seu amor pela leitura?

Cornelia: Você tem a chave para essa pergunta em minha primeira resposta. Quando o mundo onde você cresce é um pouco pequeno, a imaginação fica faminta, e essa fome eu alimentei com livros e filmes. Eu continuo amando os dois. Eu amo histórias de qualquer tipo. Elas me fizeram entender o mundo e me mostraram o mundo com os olhos dos outros: humanos, animais, plantas 🙂

Entrevista: Cornelia Funke, autora da série Reckless
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Melissa: E como era a sua relação com os seus filhos quando eles eram crianças? Você lia para eles? Que tipo de história?

Cornelia: Sim, eu lia para meus filhos desde quando eles eram bem pequenos e, em um determinado momento, eles se tornaram meus críticos mais importantes. É claro que você também pode encontrá-los como personagens em meus livros, ou eles (os livros) são dedicados aos meus filhos. Minha filha continua sendo minha editora mais importante e minha primeira leitora, meu filho é o herói de muitas de minhas histórias. Eu lia HQs, fantasia e meus próprios livros para eles… o que eles escolhiam. Eu lia Harry Potter muitas e muitas vezes até eles decidirem ler por conta própria ou ouvi-los em audiobooks 🙂 Como eu, eles amam as “palavras faladas” tanto quanto as palavras escritas e meu filho ouviu a maioria dos meus livros em vez de lê-los.

Melissa: Você costuma ler críticas literárias ou blogs especializados no assunto? Quais?

Cornelia Funke: Não, eu admito, quase nunca. Eu amo ouvir meus leitores diretamente e às vezes uma resenha explica certos aspectos do livro de uma forma que te faz muito feliz – essas reações dos leitores mostram que alguém realmente “viajou na sua cabeça” – mas eu prefiro escrever do que ler sobre a minha escrita.

Melissa: Quais são os seus projetos? Outros livros em mente?

Cornelia: Eu estou revisando o terceiro livro da saga MirrorWorld (Mundo do Espelho). Ele se chamará Heartless (Sem Coração, em tradução literal), mas o título de trabalho é The Golden Yarn (O Fio de Ouro, em tradução literal) . Eu viajo nos folclores russos nesse livro. O quarto livro me levará para a Ásia e o quinto, espero que, para Califórnia, México e… Brasil! Então eu preciso ler sobre seus mitos e folclores!

Melissa: O que está lendo atualmente?

Cornelia: Livros de Daumier e Henry Fox Talbot, um dos inventores da fotografia – ambos parte da minha pesquisa para MirrorWorld (Mundo do Espelho), e sobre como isso era no mundo de 1860. Aliás, tenho uma pergunta para meu leitores brasileiros: o que é o Brasil por trás do espelho?

Entrevista: Cornelia Funke, autora da série Reckless
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Melissa: Algum personagem da trilogia “Mundo de Tinta” se parece mais com você? Por que?

Cornelia Funke: O personagem que mais me sinto próxima não é de Mundo de Tinta, mas de MirrorWorld (bom… Mundo de Tinta é, na verdade, o passado de MirrorWorld – ou Mundo do Espelho): é uma raposa, ou, para chamá-la por seu nome humano, Celeste Auger, o metamorfo que é ao mesmo tempo uma mullher e uma raposa e que é uma verdadeira aventureira.

Melissa: Qual seria a sua melhor dica para quem quer começar a escrever profissionalmente?

Cornelia: Tenha sempre um caderno e uma caneta com você. As ideias sempre vêm em horas e momentos errados e você precisa pegá-las. Seja curioso sobre tudo – dentro e fora de você. Alimente sua imaginação com a sua vida. Não viva apenas nos livros. Faça a sua escrita expressar o que você sente sobre o mundo. E… tente escrever à mão. Você se surpreenderá com a diferença de escrever em um computador. Deixe-o para seu segundo rascunho. E aí, reescreva, reescreva, reescreva… Eu faço isso pelo menos oito vezes para cada livro.

Melissa: Seus livros falam com crianças e adultos. Para você, qual é a importância da fantasia para as diversas fases da vida?

Cornelia Funke: Eu acredito que a fantasia se aproxime muito mais da verdade sobre vida, morte e o mundo do que as reportagens sobre a nossa chamada “realidade”. É necessário alimentar a fantasia com realidade, mas eu acredito na imaginação humana como uma ferramenta para entender e descrever as experiências humanas. Afinal, nós somos, provavelmente, as únicas criaturas neste planeta que conseguem imaginar ser um animal, um humano, uma planta ou até uma pedra! 🙂

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Entrevista e tradução: Melissa Ladeia Marques | Conteúdo original publicado no site todateen.