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Resenha: Madame Bovary – Gustave Flaubert

Madame Bovary é aquele livro que todo mundo já ouviu falar na escola: é o marco do realismo, foi muito polêmico na sua época, é um clássico da literatura mundial… mas quando estamos no colegial nos preparando para o vestibular, a leitura desse livro passa longe de ser prazerosa. Aliás, quase tudo que vira obrigação perde a graça, né?

Resenha: Madame Bovary - Gustave Flaubert

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Mas eu, pelo contrário, não li Madame Bovary na época do colégio: li agora, aos 24 anos, pós-faculdade. E posso afirmar que essa obra é incrível, não somente no seu estilo, mas também no forte conteúdo. Incrivelmente, o livro foi escrito em 1857, mas MUITAS coisas se assemelham aos dias de hoje. Como diria o autor Gustave Flaubert, “Emma Bovary c’est moi” (Emma Bovary sou eu).

Madame Bovary conta a história da triste e solitária Emma, uma moça criada no campo que tem grandes sonhos burgueses. Emma é muito apegada a seus livros e acredita que sua vida será igual aos romances que devora com fervor todos os dias. Sempre esperando uma vida melhor e cheia de riquezas, Emma casa com Charles Bovary, um médico do interior. A partir deste momento, vamos acompanhar uma linha sucessória de acontecimentos e momentos deprimentes, começando pelo tedioso casamento de Charles e Emma.

Frustrada por levar uma vida tediosa, monótona e ter um marido extremamente devotado, Emma começa a procurar novas aventuras. Acaba se envolvendo em duas relações extra-conjugais e, aos poucos,  percebe que a vida real é bem diferente daquela retratada nos livros.

“E Emma buscava saber o que significavam exatamente, na vida, as palavras felicidade, paixão e embriaguez, que tão belas lhe pareceram nos livros.”

Vamos por partes: é bem complicado ser sucinta quando o assunto é Madame Bovary. São muitos assuntos diferentes retratados e inúmeras mensagens nas entrelinhas. Primeiramente, Flaubert com certeza estava satirizando os autores românticos, que contavam histórias de belas donzelas que seriam salvas por um príncipe. Ao mostrar a realidade dura dos casamentos arranjados (sem amor nenhum por parte de Emma), conseguimos perceber a ironia do autor, que, de forma singela, consegue demonstrar a vida deprimente de uma mulher perdida em suas próprias ilusões.

Charles é um marido devotado, ingênuo e apaixonado: faz de TUDO por Emma, mas ela não corresponde e ainda o trata com o maior desprezo do mundo. Sua vontade é fugir, viver uma paixão sórdida, um romance proibido. Cansada do marido e da sua pobreza (ser médico no interior não era nenhum luxo na época), Emma busca novos amantes, que lhe prometiam o mundo, mas no fim das contas não lhe deixam com nada.

Resenha: Madame Bovary - Gustave Flaubert

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Os personagens de Flaubert são todos bem icônicos: desde o farmacêutico pomposo amigo da família, até a sogra de Emma, que faz o típico papel de mulher azeda que não suporta a própria nora. Cada diálogo do livro é precioso, criticando a religião, o falso moralismo e os “bons costumes”. Não é à toa que Flaubert é o marco da escola realista e influenciou tantos autores que vieram logo após, como Eça de Queiroz, que fez uma bela releitura de Madame Bovary em sua obra “Primo Basílio“.

“No fundo de sua alma, no entanto, ela esperava um acontecimento. Como os marinheiros aflitos, passeava seus olhos desesperados pela solidão de sua vida, buscando ao longe algum véu branco nas brumas do horizonte.”

Madame Bovary foi tão polêmico que chegou a ser censurado! Flaubert foi levado aos tribunais e choveram críticas à sua obra. Seu livro foi reconhecido e aplaudido como um clássico da literatura mundial somente muito tempo depois. Nos dias de hoje, é absurdo considerar este um livro polêmico. A história de uma mulher adúltera, sonhadora e insatisfeita com o próprio casamento não chegaria nem perto de ser censurada. Mas em 1857 era imperdoável.

Para comprar o livro, é só clicar no link abaixo:

Para finalizar, o que mais me tocou neste livro é como ele consegue mexer com nossos sentimentos. A amargura de Emma queima na pele; sentimos pena de Charles ao lembrarmos de tantos homens como ele; odiamos os amantes de Emma, que são aqueles típicos homens que prometem o mundo às suas amantes e, na primeira dificuldade, pulam fora do barco; ficamos morrendo de raiva da hipocrisia e falsidade dos membros da pequena cidade francesa, que não sabem fazer nada a não ser futricar; morremos de tédio ao ver como a vida de uma dona de casa daquela época podia ser tão pavorosa; não conseguimos entender a frieza dos pais com a pequena filha, sempre jogada nos braços da empregada.

“O dever é sentir que somos grandes, é amar o que é belo e não aceitar todas as convenções da sociedade com as infâmias que ela nos impõe.”

Afinal, você é Madame Bovary, sempre insatisfeita com tudo, ou Charles, otimista e perdido na ingenuidade?

Livro Madame Bovary de Gustave Flaubert

 

Título original: Madame Bovary
Autor: Gustave Flaubert
Editora: Penguin – Companhia das Letras
Número de páginas: 496
Ano: 2011
Gênero: Clássico
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


Vantagens e desvantagens do Kindle

Já vi muita gente perguntando se vale a pena comprar um e-reader e qual marca é a melhor. A cada dia surge um aparelho diferente e fica difícil saber qual é o melhor custo benefício, qual funciona melhor para o que cada pessoa precisa… por isso vim contar um pouco sobre minha experiência com o Kindle.

kindle aberto

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O Kindle é o precursor dos e-readers, criado pela Amazon, cujo catálogo de e-books é imenso. Infelizmente 80% desse catálogo é em inglês, mas caso você não tenha problemas com isso, é uma boa opção. O e-book geralmente é mais barato do que um livro físico, mas, mesmo assim, ainda considero os preços abusivos por ser uma mídia digital.

Enfim, vamos ao que interessa: vale a pena investir em um Kindle? Tirei algumas fotos para mostrar as principais funções do e-reader e quais as vantagens e desvantagens desse aparelho.

VANTAGENS

1 – Manuseio do kindle

O kindle é bem tranquilo de manusear: ele é levinho, macio e o tamanho é bom. Os cantos são arredondados e a tela tem um tamanho bacana para leitura. Cabe na bolsa, na mochila, dá para levar para qualquer lugar sem problemas. Se você passar um bom tempo lendo, mesmo assim não cansa os braços e as mãos. Livro físico cansa bem mais.

kindle leveza

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

2 – Tela

A maior dúvida de quem está querendo comprar o kindle geralmente é em relação à tela. É muito brilhante? Não dói o olho? Dá pra ler em qualquer luz ambiente? Na versão que eu tenho, a paperwhite, é possível ajustar a luminosidade da tela. Então você escolhe se prefere deixá-la mais clara, mais escura… dá para ler deitado num quarto escuro com a luz brilhando no rosto (sem doer os olhos) e também ler sob a luz do sol e enxergar tudo direitinho. A tela é perfeita para leitura, beeem diferente de computadores, tablets e celulares. Ela foi feita para não cansar a vista.

kindle controle de luz

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

kindle controle de luz

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O touch também é bom. Não é parecido com tablet, é um pouco mais “duro” ao toque, mas é justamente para você não trocar de página sem querer. É preciso arrastar mais os dedos para clicar ou avançar na leitura. O toque também é bem macio, parece que você está encostando em papel mesmo.

3 – Principais funções

A maior vantagem do kindle, pra mim, é que ele tem muuuitas opções diferentes que ajudam na hora da leitura. E algumas bem interessantes, que mudam o jeito de interagir com os livros. Apesar de não conseguir “pegar” o livro, colocá-lo na estante ou manuseá-lo, admirar uma capa, sentir o cheiro, toda aquela belezinha de um livro físico, o e-book tem muitas vantagens sim.

  • Dicionário

Não entendeu uma palavra? É só selecioná-la que o dicionário abre automaticamente. E pode ser inglês, português, o dicionário que você escolher. Tem a opção de procurar na wikipédia também, caso o dicionário não identifique alguma expressão ou palavra pouco usual. Claro que é preciso estar conectado ao Wi-Fi para isso, mas não torra a bateria. Pelo contrário. Mesmo se você usar todos os dias, a bateria dura no mínimo uns 15 dias sem precisar carregar. Uma beleza. Alguns modelos do Kindle também têm 3G, mas é mais caro, então achei bobeira e comprei só com Wi-Fi mesmo.

kindle dicionário

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

  • Marcar páginas/citações

No kindle, também é possível selecionar frases que você quer salvar (como se fosse grifar mesmo) e adicionar notas, escrever observações suas. Também dá para marcar páginas específicas, caso você queira lembrar da página inteira, não apenas de um trecho. Outra função disponível é compartilhar nas redes sociais.

kindle função selecionar texto

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

  • Fonte e tamanho

Outra coisa linda do kindle: você consegue aumentar a fonte, alterar o estilo dela e ainda mudar o espaçamento. Ou seja: escolher aquela que mais te agrada. Não é uma diagramação fixa, ela é maleável e superfácil de mexer. Minha irmã, por exemplo, adorou o fato de poder ler com letras gigantescas. Eu prefiro letras medianas, mas enfim, ele possibilita essa customização bacana.

kindle tamanho da fonte

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

  • Loja virtual

Ficou com vontade de comprar um livro novo? É só acessar a loja da Amazon e comprar. Você coloca suas informações de cartão de crédito, tipo Google Play ou App Store e, assim que clicar em “comprar”, o livro já é transferido para o kindle em segundos. Perfeito para quando você está louco para ler um livro e não tem paciência de procurar em alguma loja ou esperar ele chegar pelo correio.

kindle loja virtual amazon

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

A loja virtual é separada por gênero, o que facilita bastante. Ela oferece uma quantidade considerável de livros gratuitos também, principalmente clássicos da literatura. O único problema que encontrei é a falta de livros em português. Uma vez fui baixar um livro e era português de Portugal… um belo erro da loja, que não avisa qual português que é. Mas no site da Amazon dá pra comprar também, da mesma forma. Acho que é melhor para visualizar exatamente o que você quer.

kindle loja virtual amazon

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

  • Dicionário próprio e livro de recortes

O kindle cria um documento com todas as suas marcações, de diferentes livros. Então caso você queira rever ou dar uma olhadinha, estão todos salvos, inclusive com o número da página. Outra função legal é que ele armazena todas as palavras que você já buscou no dicionário e faz uma espécie de lista para você incrementar seu vocabulário. Ou seja: marcou uma palavra estranha e esqueceu o significado de novo? Ele salvou para você.

kindle meus recortes

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

kindle meus recortes

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

  • Tempo de leitura e progresso

Se você quer dormir logo mas não sabe se o capítulo vai demorar para acabar, o kindle calcula, pelo seu toque, quanto tempo você demora para ler cada página. Ou seja: depois de tirar uma média, ele te mostra quando tempo falta para terminar o livro ou o capítulo. Ele também mostra o progresso da leitura. Na foto abaixo, por exemplo, eu já tinha lido 40% do livro. É legal para você saber mais ou menos quanto tempo vai se dedicar àquela leitura.

kindle função tempo de capítulo

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Ele também sincroniza automaticamente, isto é, se você parar a leitura no meio e desligar, ele volta de onde você parou.

  • Outras funções

Se você cansar de segurar o kindle na vertical, ele também tem o “modo retrato”, ou seja, você consegue ler com ele na horizontal. Eu uso bastante dessa forma, porque relaxa mais o braço e consigo segurar o aparelho com as duas mãos. Como leio bastante deitada, acho bem mais confortável. Aliás, o kindle é sinônimo de conforto. Sabe quando você está com aquele livro mega pesado, de noite e a luz não ajuda nem um pouco? Dói a vista, o braço cansa, a página fica na sombra, qualquer posição parece desconfortável…o kindle matou tudo isso. Dá para ter a luz ideal, o peso ideal, tudo na medida certa. É maravilhoso, gente, sério.

kindle modo retrato

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Do jeito que eu descrevi o e-reader, parece um publieditorial, né? Hahaha, mas não. O kindle também tem suas limitações.

DESVANTAGENS

O PDF nele é ruim. Não dá pra interagir com a página, fica um documento estático e, se a letra for pequena, esquece.

Ler quadrinhos também é uma opção pouco viável. O kindle paperwhite é branco e preto, então se quiser cores, imagens, é bem ruim de visualizar. Não compensa.

O kindle só aceita o formato mobi, o que é bem restrito. Não dá para ler epub ou outros formatos. Claro que existem programas que convertem, mas geralmente muda toda a formatação e fica bem esquisito na hora de ler, com espaçamentos deslocados, etc. Então se você quiser acesso a e-books, tem que ser da Amazon. Mas como o catálogo deles é imenso, como já citei, menos mal.

kindle aberto

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Há quem reclame do preço elevado do aparelho. Atualmente, ele custa em torno de R$400, sem 3G. Mas eu não acho ruim não, se você for levar em conta a quantidade de livros gratuitos que dá para carregar nele… a biblioteca é tão extensa que cabem mais de 1000 livros. Então, não vejo problema. Só parcelar em 10x. Hahaha

Em suma, recomendo fortemente o kindle, principalmente para os amantes da leitura. Ele é bom para viajar, para ler em casa, no ônibus, qualquer lugar. E você ainda leva sua biblioteca junto com você!

Preconceito com e-reader nunca mais!

Obs: a capinha eu comprei separado no ebay, mas vende em vários sites brasileiros também 🙂


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Isabela Zamboni


Resenha: Caligrafia Silenciosa – George Popescu

Resenhar um livro de poesias é um desafio para mim. Foram poucas vezes na minha vida de leitora que me deparei com versos; gosto mais de prosa, narrativa, personagens. Porém, o que seria da vida sem dificuldades e novas experiências? Foi pensando nisso que escolhi o livro Caligrafia Silenciosa, do autor romeno George Popescu.

George Popescu nasceu na Romênia em 1948, é poeta, crítico e tradutor. É formado em filologia e faz parte da União Romena dos Escritores. Quando comecei ler seus poemas – separados em duas partes pelo organizador – e também poeta Marco Lucchesi – consegui sentir algo bem forte. As palavras são bem intensas, as estrofes nos fazem perder horas pensando. E é justamente esse o intuito da poesia, não é mesmo? Transformar sentimentos em palavras.

Caligrafia Silenciosa - George Popescu

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O primeiro bloco do livro, “Caligrafia silenciosa”, foi escrito entre a Itália e a Romênia, de 2002 a 2005; e a segunda parte, “Ars Moriendi”, foi concebido por George Popescu a partir de uma viagem ao Rio de Janeiro e a São Paulo, em 2005, para uma série de conferências literárias.

Segundo o autor, a poesia é “a divisão silábica das coisas vividas”. Não poderia concordar mais. Como escrever com intensidade e paixão sem vivência? Ao virar as páginas, conseguimos entrar na pele de Popescu, vivenciar aqueles momentos da mesma forma que ele deve ter experimentado.

“A vida? Um resto de fotografia com rastros de vento enlameado (p.35)”

Eu gostei bastante da primeira parte do livro. Os poemas de “Caligrafia Silenciosa” são bastante contemplativos, parece que estamos acompanhando a trajetória de uma pessoa que deseja se despedir desse mundo. Mas o mais interessante é que ele mostra seu desejo pela morte não de uma forma triste ou melancólica; mas sim como um esforço de valorizar a vida, de mostrá-la na sua forma mais crua e perfeita.

Caligrafia Silenciosa - George Popescu

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

“A morte chega e vai-se embora:

detém-se aqui como num breve refúgio –

ela também mortal por algumas horas

se abeira intermitente e vai-se embora

volta e se demora conosco

para medir este ou aquele

quem briga com os vizinhos

quem não pagou o imposto de renda

desta vida tão miserável… “(p.32-33)

Outro fator interessante do livro é que ele faz parte da coleção “Espelho do Mundo“, da Editora Rocco. Por conta disso, a diagramação funciona como um espelho: na página da direita lemos a tradução, na esquerda a poesia original em romeno. Achei a escolha bem pertinente e deu um charme a mais à edição.

Sem mais delongas, só tenho a dizer que foi um livro que me surpreendeu. Não esperava muita coisa, mas tornou-se uma leitura prazerosa. Hora de começar a descobrir mais obras poéticas!

Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

Caligrafia Silenciosa - George Popescu

Título original: 
Autor: George Popescu – organização Marco Lucchesi
Editora: Rocco
Número de páginas: 80
Ano: 2015
Gênero: Poesia
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Escrito por:

Isabela Zamboni


Passo a passo de um leitor sem grana em uma livraria

Qual leitor nunca esteve completamente sem grana e resolveu “dar uma passadinha” na livraria apenas para conferir as novidades? Nós te entendemos: o resultado dessa visita, muitas vezes, é uma catástrofe para o seu bolso (mas uma alegria para a sua estante).

Por isso, trouxemos o passo a passo de um leitor “duro” em uma livraria. Será que você se identifica com alguma dessas frases? Depois conta pra gente pelos comentários. Ok? 🙂

1) Estou sem grana, mas vou entrar só para dar uma olhadinha…

Passo a passo de um leitor "duro" em uma livraria

2) Hun… Legais esses lançamentos, hein?

Passo a passo de um leitor "duro" em uma livraria

3) Nossa, esses livros para colorir pegaram mesmo! Será que vale a pena experimentar? Ando tão estressado…

Passo a passo de um leitor "duro" em uma livraria

4) Esse livro está com o preço bem legal… Acho que vou levar…

Passo a passo de um leitor "duro" em uma livraria

5) Eu quero tanto esse lançamento! Não vou conseguir esperar chegar se eu comprar pela internet… Acho que também vou levar!

Passo a passo de um leitor "duro" em uma livraria

6) Moço, consulta o preço desse clássico, por favor!

Passo a passo de um leitor "duro" em uma livraria

7) Uau! R$ 90,00 por esses Moby Dick? Mas vale a pena… A capa é dura e a edição é incrível!

Passo a passo de um leitor "duro" em uma livraria

8) Poxa, tem aquele livro da escola / faculdade / pós que eu estou precisando urgentemente também…

Passo a passo de um leitor "duro" em uma livraria

9) Tá aqui. São só esses mesmo.

Passo a passo de um leitor "duro" em uma livraria

10) O QUE? R$400,00? Passa no crédito. Em 4x. Obrigada.

Passo a passo de um leitor "duro" em uma livraria

E aí, se identificou com algum dos pontos? Haha!


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Melissa Marques


Resenha: Grandes Esperanças – Charles Dickens

Provavelmente você já ouviu falar de “David Copperfield”, “Oliver Twist” e obviamente, daquela história de Natal dos fantasmas do passado… “A Christmas Carol”. E de “Grandes Esperanças”? Todas obras do mesmo brilhante autor: Charles Dickens. E se você nunca leu nenhum trabalho dele, pode começar agora!

Nascido em Portsmouth, Inglaterra, Dickens é um dos autores mais importantes da literatura britânica e mundial. Escreveu suas obras durante o período vitoriano, entre 1812 e 1870. Uma curiosidade é que poucos autores se tornaram conhecidos em vida, mas Dickens foi um deles. Fez sua fama em vida, que perdura até hoje, 144 anos após sua morte. Com seu estilo poético, Dickens é leitura obrigatória para os amantes da literatura.

“Grandes Esperanças”, escrito em 1860, revela uma fase mais madura do autor, que com maestria descreve a vida do personagem Pip (Philip Pirip) em três partes: sua infância penosa; a descoberta da vida adulta; e o desenrolar de suas grandes esperanças.

Grandes Esperanças - Charles Dickens

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Na primeira fase do livro, somos apresentados a um dos personagens mais interessantes da história: Joe, o marido da irmã de Pip. Em um misto de tristeza e companheirismo, Pip é apegado a Joe, ao mesmo tempo em que sente vontade de fugir daquela vida tenebrosa que leva no charco.

Após alguns anos, quando Pip consegue sair de casa com a ajuda de um benfeitor que resolve manter sua identidade em segredo, começa enfrentar as dificuldades da vida em Londres, um novo mundo que nasce à sua volta. E quando finalmente conhece o benfeitor que o tirou daquela vida de pobreza, a vida de Pip se transforma completamente: agora ele precisará lidar com novos problemas, se afastando cada vez mais de seus sonhos e suas grandes esperanças.

Não vou revelar muitas partes da história para não perder a graça. A parte 1 é interessantíssima e faz você querer ler mais e mais. A segunda parte já é um pouco mais complicada, por ser mais descritiva e introspectiva, mostrando minuciosidades da vida do protagonista. Já a terceira parte é quando o livro engata e nos faz sentir uma mistura de raiva e empatia pelo jovem Pip, que acompanhamos desde os sete anos de idade e que agora se encaminha para os 25 anos.

O mais interessante em Dickens é a linguagem que este utiliza. Longe de uma literatura piegas, ele traz uma abordagem bem diferente das tramas “água com açúcar” dos romances atuais. A sucessão dos acontecimentos não é o mais importante; dificilmente você encontrará sequências de ação. O desenvolvimento do personagem é a principal questão e qualidade de “Grandes Esperanças”. Com um vocabulário bem diversificado (é necessário um dicionário ao lado ou ler o tempo todo as notas de rodapé), a leitura é rica, principalmente pelas inúmeras citações e alusões a outros autores e obras, desde livros até peças de teatro. A edição que eu li da Penguin é excelente, pois contém uma lista extensa de referências e explicações de diversas passagens do livro.

Por mais que pareça que os eventos demoram para acontecer, o mistério criado em volta dos personagens é magnífico: te faz querer ler mais e mais, conhecer a fundo aquelas pessoas misteriosas e, claro, desvendar o principal mistério do livro: quem é, afinal, o benfeitor de Pip? Quem o ajudou a buscar suas grandes esperanças?

Os questionamentos do personagem em relação a seu passado, seu comportamento arrogante e suas crises de consciência são recorrentes. Pip vive em uma eterna indecisão e intensa tristeza, principalmente em relação à mulher que ama: a belíssima Estella, jovem que conheceu na infância e por quem nutre um amor infantil até a vida adulta.

Sem mais delongas, deixo o prazer da leitura para vocês. Leiam Dickens! Quando terminei o livro, fiquei com aquele vazio. Nenhum autor me comovia, nenhum outro livro me dava prazer em ler. Acho que vale o esforço.

 

Resenha: Grandes Esperanças - Charles Dickens

Título original: Great Expectations
Autor: Charles Dickens
Editora: Penguin Companhia
Número de páginas: 704
Ano: 2012
Gênero: Clássico
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela


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Escrito por:

Isabela Zamboni


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