Resenha: O Mito de Sísifo – Albert Camus

O Mito de Sísifo é um livro muito conhecido na Filosofia. Publicado originalmente em 1942, a obra trata sobre temas difíceis e delicados, como o absurdo e o suicídio. Por ter sido escrito durante o período da Segunda Guerra Mundial – quando o mundo estava completamente absurdo – a obra de Camus, com uma linguagem densa e complexa, exerceu grande influência sobre toda uma geração.

Albert Camus foi um dos escritores e intelectuais mais influentes do século XX. O Mito de Sísifo tornou-se uma importante contribuição filosófico-existencial e destaca o mundo imerso em irracionalidades.

O nome da obra está relacionado a Sísifo, condenado pelos deuses a empurrar incessantemente uma pedra até o alto da montanha, de onde ela tornava a cair, caracterizando seu trabalho como inútil e sem esperança.
O autor faz um retrato do mundo em que vivemos (até hoje!) e do dilema enfrentado pelo homem contemporâneo, após o triunfo da violência e da injustiça.

Não espere uma leitura fácil, mas espere aprender bastante. O Mito de Sísifo nos faz pensar sobre a própria existência, assim como o papel que exercemos na sociedade.

Separei algumas frases que sintetizam bastante o conteúdo desse livro incrível:

Frases de O Mito de Sísifo

“Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à pergunta fundamental da filosofia.” (p.17)

“Começar a pensar é ser atormentado.” (p.18)

Viver, naturalmente, nunca é fácil. Continuamos fazendo os gestos que a existência impõe por muitos motivos, o primeiro do quais é o costume. Morrer por vontade própria supõe que se reconheceu, mesmo instintivamente, o caráter ridículo desse costume, a ausência de qualquer motivo profundo para viver, o caráter insensato da agitação cotidiana e a inutilidade do sofrimento.” (p.19)

Resenha: O Mito de Sísifo - Albert Camus
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

“No apego de um homem à sua vida há algo mais forte que todas as misérias do mundo. O juízo do corpo tem o mesmo valor que o do espírito, e o corpo recua diante do aniquilamento. Cultivamos o hábito de viver antes de adquirir o de pensar.” (p. 21)

“Como as grandes obras, os sentimentos profundos significam sempre mais do que têm consciência de dizer”. (p. 25)

“O método aqui definido confessa a sensação de que todo conhecimento verdadeiro é impossível. Só se pode enumerar as aparências e apresentar o ambiente.” (p. 26)

“Todas as grandes ações e todos os grandes pensamentos têm um começo ridículo. Muitas vezes as grandes obras nascem na esquina de uma rua ou na porta giratória de um restaurante. Absurdo assim. O mundo absurdo, mais do que outro, obtém sua nobreza desse nascimento miserável. Em certas situações, responder “nada” a uma pergunta sobre a natureza de seus pensamentos pode ser uma finta de um homem. Os seres amados sabem bem disto. Mas se a resposta for sincera, se expressar aquele singular estado de alma em que o vazio se torna eloquente, em que se rompe a corrente dos gestos cotidianos, em que o coração procura em vão o elo que lhe falta, ela é então um primeiro sinal do absurdo.” (p. 27)

“Da mesma maneira, e em todos os dias de uma vida sem brilho, o tempo nos leva. Mas sempre chega uma hora em que temos de levá-lo. Vivemos no futuro: ‘amanhã’, ‘mais tarde’, ‘quando você conseguir uma posição’, ‘com o tempo vai entender’.” (p. 28)

“Uma coisa apenas: essa densidade e essa estranheza do mundo, isto é o absurdo.” (p.29)

“Este coração que há em mim, posso senti-lo e julgo que ele existe. O mundo, posso tocá-lo e também julgo que ele existe. Aí se detém toda minha ciência, o resto é construção. Pois quando tento captar este eu no qual me asseguro, quando tento defini-lo e resumi-lo, ele é apenas água que escorre entre meus dedos.” (p.33)

“Neste ponto do seu caminho, o homem se encontra diante do irracional. Sente em si o desejo de felicidade e de razão. O absurdo nasce desse confronto entre o apelo humano e o silêncio irracional do mundo.” (p. 41)

“Dizer que esse ambiente é mortífero não passa de jogo de palavras. Viver sob este céu sufocante nos obriga a sair ou ficar. A questão é saber como se sai, no primeiro caso, e por que se fica, no segundo. Defino assim o problema do suicídio e o interesse que se pode atribuir às conclusões da filosofia existencial.” (p.43)

A editora Record lançou uma versão atualizada de O Mito de Sísifo, que está incrível:

E vocês, já leram? Gostaram? Deixe sua opinião nos comentários!

* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

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Resenha: O Mito de Sísifo - Albert Camus

Título original: Le mythe de Sisyphe
Autor: Albert Camus
Editora: Record
Número de páginas: 160
Ano: 2004
Gênero: Não-Ficção/Ensaio
Nota:

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